Conectado com

Avicultura

Especialista recomenda “transição suave” para programa AGP free

As indústrias brasileiras já estão, gradativamente, se preparando para banir os antibióticos como promotores

Publicado em

em

A produção livre de antibióticos como promotores de crescimento vai acontecer em todas as fases da produção avícola, a partir das matrizes pesadas. Realidade na Europa, a produção de matrizes pesadas pelo sistema AGP free já é regulamentada. Por lá, nada de antimicrobianos como promotores de crescimento. Já no Brasil as regras – ainda – são mais liberais, dando chance à indústria de usar esse medicamento para melhorar o desempenho do animal por meio de ação em seu sistema gastrointestinal. No entanto, acertadamente, comenta uma das estudiosas do assunto no Brasil, as indústrias brasileiras já estão, gradativamente, se preparando para banir os antibióticos como promotores.

“A produção AGP free já é uma realidade internacionalmente e o Brasil, como maior exportador mundial de carne de frango, vem adaptando-se às exigências dos mercados importadores. Acredito que a exigência no mercado interno também só tende a crescer, visto que as legislações vêm demonstrando a preocupação e engajamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no conceito de saúde única e com os planos de ação sobre resistência aos antimicrobianos, prevendo ações de educação sanitária e de promoção do uso racional de antimicrobianos”, aponta Patricia Aristimunha, médica veterinária, especialista em Sanidade de Aves, mestra em Zootecnia e doutora em Produção e Nutrição de Não Ruminantes.

“A transição suave para um programa AGP free, com a adaptação das diferentes estratégias e soluções alternativas aos diferentes desafios, é o que garantirá a manutenção dos altos desempenho produtivo e retorno do investimento”, crava.

Ela conta que o uso começou a mais de meio século, e que ao longo dos anos as legislações de vários países foi se tornando cada vez mais rigorosa para usar esses medicamentos. “Para produzir mais e de forma competitiva, há mais de 50 anos, os antibióticos promotores de crescimento (APC ou AGP) vêm sendo utilizados na nutrição animal para aumentar a eficiência produtiva. Porém, a sua utilização na alimentação animal tem sido tema de debates e discussões mundiais em razão da possibilidade da presença de resíduos de antimicrobianos e de seus metabólitos em produtos de origem animal, da possível seleção de bactérias resistentes e do aparecimento crescente de resistência aos antibióticos em bactérias patogênicas”, cita. “Cada vez mais países vêm aderindo às restrições e banimentos a esta prática, à exemplo da União Europeia, que em 2006 baniu o uso dos antibióticos na alimentação animal. Por estas razões, a indústria avícola tem buscado alternativas ao uso dos antimicrobianos para manter a mesma eficiência produtiva proporcionada pelos promotores antimicrobianos tradicionais, reduzindo o perigo de induzir a resistência microbiana”.

O mundo AGP free

Em maio de 2015, comenta Aristimunha, a Organização Mundial da Saúde (OMS), com a participação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), aprovou o Plano de Ação Global sobre Resistência Antimicrobiana (Global Action Plan on Antimicrobial Resistance), que resultou na demanda de elaboração do Plano Nacional de Ações sobre Resistência aos Antimicrobianos para cada país signatário.

Em outubro do mesmo ano, menciona a profissional, a U.S. Food and Drug Administration (FDA) lançou sua regra final de diretivas veterinárias para a produção de alimentos com o intuito de proibir o uso de medicamentos na alimentação animal sem a supervisão de um médico veterinário. “Além disso, também em 2015, o então presidente Barack Obama lançou o plano nacional para combater bactérias resistentes a antibióticos, que, em uma de suas resoluções, também exige que os produtores de animais necessitem de receitas de médicos veterinários para o uso de antibióticos importantes para a medicina humana, no tratamento de animais de consumo humano, e prevê o fim do uso de medicamentos importantes para uso humano como promotores de crescimento até 2020”, recorda.

Aristimunha diz que o Brasil segue a tendência mundial. “O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em outubro de 2017, instituiu o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência a Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine). O AgroPrevine visa o fortalecimento das ações para prevenção e controle da resistência aos antimicrobianos na agropecuária, considerando o conceito de saúde única, que estabelece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental, por meio de atividades de educação, vigilância e defesa agropecuária”, comenta. Dentro das ações previstas por este plano, enumera estão “educação sanitária, estudos epidemiológicos, vigilância e monitoramento da resistência aos antimicrobianos, vigilância e monitoramento do uso de antimicrobianos, fortalecimento da implementação de medidas de prevenção e controle de infecções, além de promoção do uso racional de antimicrobianos”.

Neste cenário, avalia a especialista, “faz-se necessárias a adoção de novas estratégias holísticas dentro da produção animal, e de novos programas que envolvam tecnologias de substituição aos antibióticos promotores de crescimento, dando-se foco ao uso de combinações de soluções disponíveis, como os probióticos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e imunomoduladores, que modificam de uma maneira menos agressiva o microbioma intestinal, promovendo um melhor equilíbrio deste e uma melhoria na saúde das aves”.

O que o AGP faz

De acordo com Patrícia Aristimunha, os antibióticos promotores de crescimento são utilizados para controlar ou equilibrar a proliferação de bactérias gram-positivas (em seu conceito base), com redução dos metabólitos microbianos tóxicos que comprometem o desempenho animal e causam infecções subclínicas ou com manifestações clínicas, e que causam suposta competição por nutrientes com o hospedeiro e estímulo excessivo do sistema imune local.

“Segundo alguns autores, o uso dos AGP leva à uma redução da espessura da parede intestinal e vilosidades. Essa redução de espessura ocorre em parte pela redução na proliferação celular da mucosa que ocorre na ausência de produtos derivados da fermentação microbiana. No entanto, esta redução de espessura de mucosa é discutível, pois hoje sabe-se que a redução de vilosidades e de área absortiva compromete os processos de digestão e absorção dos nutrientes”, explica.

“Alguns AGP se acumulam nas células inflamatórias, aumentando a morte intracelular de bactérias e inibição de parte da resposta imune inata das aves, inibindo a ação de células fagocíticas e funções das células inflamatórias, como quimiotaxia, produção de espécies reativas de oxigênio e produção de citocinas proinflamatórias. A redução nos níveis de citocinas pró-infamatórias reduziriam o estímulo catabólico e a consequente perda de apetite, melhorando o desempenho dos animais”, explica.

Para ela, o foco de discussão com relação à sua utilização se deve ao fato dos mesmos muitas vezes também matarem bactérias benéficas, causando uma quebra no equilíbrio do microbioma intestinal. “Além disso, alguns AGP podem inibir os processos de fagocitose na resposta imune e desenvolver resistência bacteriana a longo prazo”, aponta.

O que é a produção AGP free

Patrícia explica que dentro do conceito de produção sem antibióticos promotores de crescimento, “globalmente falando, teremos diferentes definições de produção avícola”. “ABF (Antibiotic free): sem utilização de antibióticos via ração ou água durante o período de crescimento e produção das aves. Nesta definição, no caso da Europa, o uso de antibióticos de forma terapêutica e os ionóforos via ração são permitidos. Este é o conceito utilizado no Brasil. Nos Estado Unidos ainda existe o conceito “No Antibiotics Fed” (NAF), que determina a não utilização de antibióticos via ração”.

“Outra definição: RWA (Raised without Antibiotics): neste tipo de produção os antibióticos não são utilizados em nível de incubatório, ração ou água. Ionóforos são utilizados na ração. Tem também o NAE (No Antibiotics Ever): os antibióticos não são utilizados em nível de incubatório, ração ou água. Não é permitido também a utilização de ionóforos e algumas empresas estão também eliminando totalmente o uso de antibióticos nas matrizes pesadas. A maioria das empresas com esta produção também usa ração vegetal”, enumera, citando ainda a produção orgânica, quando “todos os ingredientes da ração são certificados como orgânicos e não há uso de produtos químicos ou antibióticos”.

Brasil no caminho

De acordo com a pesquisadora, quando os AGP foram banidos na Europa, em alguns locais, de forma repentina, os resultados foram o aumento no custo da produção, aumento da idade de abate, aumento na incidência de enterites bacterianas e do uso de antibióticos de forma terapêutica. No entanto, observou-se redução nos problemas relacionados à resistência bacteriana.

Ao fazer uma mudança gradativa e dentro de um programa AGP, entende Aristimunha, a indústria e o avicultor brasileiros podem não sofrer com os mesmos problemas. “Para que estas perdas não ocorram e a sanidade não seja prejudicada, o ideal é que a retirada dos AGP seja feita de forma gradativa, testando-se as diferentes soluções alternativas perante os desafios locais. Além disso, as alternativas devem estar integradas dentro de um programa abrangente, que perfaz diferentes estratégias de biosseguridade, manejo, nutrição, além da gestão e treinamentos dos profissionais envolvidos com a produção de aves”, menciona a profissional.

AGP free nas matrizes pesadas

Patrícia, que é gerente de Serviços Técnicos em Avicultura da Kemin para a América do Sul, compartilha seu conhecimento durante palestra sobre produção de matrizes pesadas no sistema AGP free, seus desafios e alternativas, durante o 12º Simpósio Técnico de Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição, promovido pela Associação Catarinense de Avicultura (Acav), de 25 a 27 de setembro, em Florianópolis, SC.

Ela explica que o importante é saber com precisão o desafio ambiental ao qual as aves estão expostas. Ela destaca que no Brasil a biosseguridade e padrões sanitários em matrizes pesadas estão muito avançados, citando, por exemplo, que doenças como o Salmonella e alguns desafios respiratórios são muito bem controlados em matrizes pesadas. “A escolha de soluções alternativas vai depender do tipo e do grau de desafio a que as aves estão expostas”, menciona.

Ela amplia: “Sempre deve-se ter em mente que nenhuma solução alternativa aos AGP será eficiente se não for inserida dentro de um programa AGP free, que abranja estratégias de biosseguridade, manejo e nutrição, de combinação de diferentes soluções alternativas aos AGP, além da gestão e treinamentos constantes das equipes que trabalham diretamente com as aves”.

Atualmente, comenta a especialista, “com a variabilidade e qualidade das tecnologias disponíveis para a substituição dos AGP, e quando se analisa a produção pela ótica do retorno do investimento (ROI), muitas vezes (dependendo do desafio local) a substituição dos AGP por tecnologias alternativas iguala ou aumenta a lucratividade da produção animal, quando essa substituição ocorrer dentro de um programa alternativo, que incluiu melhorias em toda a produção, incluindo-se estratégias de manejo, ambiência, biosseguridade e nutrição”. Estes programas, pondera, “proporcionam performances zootécnicas muitas vezes superiores em relação às moléculas antibióticas que já vem sendo utilizadas por longos períodos ou em mais altas dosagens, por já não serem tão eficientes em determinadas regiões”.

Massificação

Para ela, massificar o modelo AGP free no Brasil ainda depende do consumidor, que, em sua opinião, ainda não tem conhecimento sobre o assunto, e de investimentos na infraestrutura nas fazendas. “Hoje a produção AGP free já é uma realidade nas empresas exportadores, mas ainda tem alcance limitado nas que produzem para o mercado interno. Muito disso se deve ao posicionamento do mercado consumidor, que no Brasil ainda não tem total consciência dos efeitos a longo prazo do uso dos AGP e que, portanto, não exige de forma substancial a retirada dos mesmos. Além disso, a massificação deste tipo de produção demanda fortes estratégias de manejo, ambiência e biosseguridade e, portanto, estruturas físicas adequadas para a produção das aves, o que muitas vezes, não se encontra na realidade brasileira”, garante Patrícia Aristimunha.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

três × três =

Avicultura Mercado

México abre mercados para ovos do Brasil

Maior consumo de ovos autorizou importação para produtos processados

Publicado em

em

Divulgação/AENPr

Nas prévias da Semana do Ovo, com produção e consumo recordes no mercado interno, o setor de ovos do país ganhará um novo impulso comercial nos próximos dias. O México, maior consumidor de ovos do mundo, abriu seu mercado para as importações de ovos produzidos no Brasil, conforme informação repassada à Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A autorização foi emitida na última semana pelo Serviço Nacional de Sanidade, Inocuidade e Qualidade (SENASICA) do Governo Mexicano, e é válida para produtos processados em território brasileiro – um segmento que tem ganhado expressividade no segmento produtivo brasileiro.

Maior consumidor per capita de ovos do mundo, com 378 unidades anuais (no Brasil, o consumo é de 230 unidades), o México importou 20 mil toneladas de ovos em 2019, segundo dados da União Nacional de Avicultores (associação local).

“A abertura do México, conquistada com os esforços da Adidância Agrícola, Ministério da Agricultura e Ministério das Relações Exteriores, e apoiados pela ABPA, é estratégica para o setor produtivo brasileiro, que aposta no fortalecimento do mercado internacional. Não apenas pela força deste mercado, mas pela chancela que esta autorização representa em termos de reconhecimento sanitário. A qualidade e o status sanitário fizeram a diferença para inserirmos nosso produto nesse mercado altamente competitivo, com um produto de maior valor agregado”, avalia Ricardo Santin, presidente da ABPA.

Em 2019, o Brasil exportou 7,6 mil toneladas de ovos. A produção total do país alcançou 49 bilhões de unidades no ano passado, e deve chegar a 53 bilhões em 2020.

Fonte: Assessoria ABPA
Continue Lendo

Avicultura Avicultura

Imunidade materna é indispensável na proteção contra Gumboro

Na hora de elaborar um calendário de vacinação precisamos conhecer sobre tipos de imunidade e como estes atuam frente aos diferentes desafios

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eva Hunka, MSc em Medicina Veterinária Preventiva e gerente de Negócios Biológicos da Phibro Animal Health

A imunidade materna é crucial na proteção dos primeiros dias do pintinho, e quando falamos em Doença de Gumboro é ainda mais importante, pois mesmo utilizando as vacinas mais precoces, a imunidade ativa contra o IBDV só protegerá o pintinho cerca de 14 dias após a vacinação.

O período entre a queda dos anticorpos maternos e o início da proteção ativa é conhecido como “Janela Imunológica” ou “Janela de vulnerabilidade”, e estreitar ao máximo este período é o principal desafio das vacinas contra a Doença de Gumboro.

Na hora de elaborar um calendário de vacinação precisamos conhecer um pouco sobre os tipos de imunidade e também como estes atuam frente aos diferentes desafios. Este comportamento interfere diretamente na eficiência do programa vacinal. Lembrando que os objetivos da vacinação podem variar de acordo com a aptidão do animal bem como o ciclo de vida desta ave.

A imunidade passiva é aquela adquirida durante a passagem dos anticorpos maternos da galinha reprodutora para o pintinho durante o seu desenvolvimento. É uma imunidade de curta duração, podendo variar de 1 a 3 semanas, de acordo com a quantidade de anticorpos transmitida verticalmente, já que a capacidade de transmissão de anticorpos não é igual.

Para elevar esta taxa de transmissão, a vacinação de reprodutoras é elaborada de modo a elevar e quantidade e a qualidade destes anticorpos, principalmente no caso das doenças que são altamente dependentes destes, como Gumboro, Reovirose e Anemia Infecciosa, por exemplo.

Quando falamos de vacinação de aves de ciclo longo, vale lembrar que tão importante quanto o produto é o processo vacinal. As vacinas, que são utilizadas com o objetivo de elevar o nível de anticorpos que serão transmitidos aos pintinhos, são, via de regra, administradas individualmente pela via intramuscular ou até mesmo subcutânea. Este processo sofre muita interferência humana, e é comum erros como, injeção parcial, local de aplicação ou, até mesmo, aves que recebem a injeção a partir de frascos vazios. Isto provoca uma variação grande na resposta individual, dificultando ainda o gerenciamento destes títulos maternos.

A imunidade passiva interfere no desenvolvimento da imunidade ativa, já que devemos vacinar as aves jovens levando em consideração os diferentes fatores para determinar o melhor momento da aplicação. Estes fatores são: quantidade e velocidade de queda dos níveis de anticorpos, uniformidade do lote, desafio de campo, via de administração e tipo de vacina. Lembrando que a imunidade passiva pode impedir a replicação das vacinas vivas e causar falhas nos programas vacinais.

Existem vacinas no mercado que usam estes anticorpos a seu favor e se adaptam à cinética dos mesmos, atuando de maneira diferenciada em cada indivíduo, diminuindo, assim, a janela de vulnerabilidade imunológica, como é o caso das vacinas de complexo imune e, mais recentemente, algumas vacinas vivas se utilizam dos anticorpos maternos para formar estes complexos naturalmente. Neste último caso, temos uma resposta ainda mais precoce, cerca de 4 dias antes das vacinas de imunocomplexo.

Quando ocorre um desafio de campo ou mesmo quando o animal recebe uma vacina, temos o início da imunidade ativa. Esta promove o desenvolvimento não só de anticorpos, como também da imunidade celular, que irá proteger as aves contra doenças.

Vacinas vivas ou inativadas estimulam uma resposta específica nas aves. Estes agentes possuem proteínas conhecidas como antígenos, que são reconhecidas pelo animal como substâncias estranhas. De uma forma simplista, é neste momento que se inicia a resposta imune, onde os macrófagos trabalham para eliminar o agente do corpo do animal. Estes enviam sinais para que os linfócitos (B e T) se multipliquem e produzam uma resposta específica. Esta resposta está dirigida pelas linfocinas (interleucinas e interferons). No final acontece a produção de anticorpos específicos e a indução da imunidade celular contra este antígeno.

As células de memória têm a capacidade de reconhecer os antígenos e apresentar uma resposta rápida e amplificada, caso a ave seja exposta novamente ao agente. Para algumas enfermidades, a combinação de vacinas vivas e inativadas promove um aumento geral no nível de anticorpos, para outras, o uso de vacinas vivas, que estimulam a produção da imunidade celular e também da imunidade local são mais eficientes.

No caso dos frangos de corte, aves com ciclo de vida muito curto, a precocidade na resposta vacinal é determinante para uma proteção adequada, principalmente quando se trata de proteção contra doença de Gumboro, onde a colonização da Bursa por uma cepa vacinal colabora para a vacinação não apenas da ave, mas para uma imunização do ambiente. Quando optamos por cepas que formam o imunocomplexo natural, podemos nos beneficiar dos anticorpos maternais de maneira eficaz e antecipar a resposta imunológica, e consequente colonização da Bursa em até 4 dias.

Saber administrar os níveis de anticorpos maternos e usar isso na hora de definir os programas vacinais, além de melhorar o desempenho das vacinas, pode trazer diferenciais no controle dos agentes infecciosos a campo.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Avicultura Avicultura

Glutamina e estimulante natural como reforço extra aos benefícios da suplementação das aves via água de bebida

Devido aos constantes desafios, os esforços devem ser voltados a alcançar melhores índices zootécnicos para elevar a rentabilidade do produtor

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Franciele Lugli, médica veterinária e consultora técnica comercial da Vetscience Bio Solutions

Com o positivo cenário de demanda por carne de frango, o mercado avícola brasileiro deve se pautar cada vez mais de estratégias variadas para tornar sua produção ainda mais competitiva, aproveitando o máximo do potencial genético das aves. A prática de suplementação via água em diferentes fases da produção, principalmente aquelas associadas ao desencadeamento de estresse e adotada em certos manejos podem contribuir para maior uniformização de lotes, melhor conversão alimentar e ganho de peso, além de reduzir perdas por mortalidade.

Situações causadoras de estresse levam as aves à redução no consumo de ração, fazendo da suplementação via água de bebida uma importante aliada para manter a saúde e o desempenho adequado dos animais, uma vez que compensa a menor ingestão, proporcionando um aporte nutricional em momentos de grande necessidade.

Na primeira semana de vida os pintinhos apresentam certas limitações quanto a digestão e absorção de nutrientes, pois estão passando por período de adaptação e desenvolvimento do seu sistema digestivo, em contrapartida, é nesta mesma fase em que ocorre o maior desenvolvimento corporal proporcional da vida do frango, representando cerca de 17% de todo o período de crescimento e podendo influenciar em até 70% o seu resultado final, por isso, os primeiros sete dias de vida representam uma etapa fundamental do ciclo produtivo.

Em geral, o tempo decorrido entre o nascimento e o alojamento dos pintinhos de corte é dependente de múltiplos fatores, como logística de entrega, distância entre o incubatório e a unidade de criação. Esse período em jejum, dependendo do tempo decorrido conduz a condição de estresse, podendo levar a alterações no equilíbrio hidroeletrolítico das aves. Atrasos no acesso inicial à alimentação e água tendem a aumentar a suscetibilidade a patógenos e causar perdas de desempenho, levando a lotes começando com ganhos de peso reduzidos e maiores taxas de mortalidade.

Prática comumente adotada é a suplementação vitamínica via água de bebida, porém suplementos contendo componentes adicionais, como a glutamina e estimulantes naturais podem propiciar um extra aos benefícios do uso desses solúveis.

Glutamina

A glutamina age como precursores de nucleotídeos e de poliaminas, ou mesmo como fonte direta de energia e nitrogênio para a mucosa, tornando-se capaz de interferir diretamente sobre o turnover dos enterócitos e prevenir os efeitos negativos sobre a estrutura do intestino, além de melhorar a resposta imune, visto que o mesmo atua na manutenção da barreira epitelial contra ataques de bactérias, aumentando a resistência frente a instalação de patógenos, além de promover a maturidade e integridade da microflora intestinal associada ao sistema imunológico, o que pode diminuir o percentual de mortalidade e reduzir a chance de infecções. A glutamina via água tem uma função positiva no comprimento das vilosidades, estando positivamente associada a uma maior absorção, devido ao aumento da área de superfície. Estudos recentes mostraram que suplementação com glutamina por meio de água potável tem potencial para modular o desempenho do crescimento das aves e otimizar os resultados futuros, até mesmo sob condições de densidades mais elevadas, acreditando-se que tal resultado se deve a melhor acessibilidade dos pintinhos à glutamina via água.

Estimulante natural

O inositol é um estimulante natural que atua em sinalizadores celulares e mensageiros secundários, estimulando o sistema nervoso central. Essa substância tem participação importante em vários processos biológicos, como manutenção do potencial de membranas das células, modulador da atividade da insulina, controle da concentração intracelular do íon Ca2+. Na primeira água de bebida após a chegada ao aviário, alivia os efeitos adversos sofridos após a eclosão, pois os pintinhos ao ingerirem essa água suplementada terão uma maior sensação de bem-estar, e se sentindo bem, irão tomar mais água e, consequentemente, comer mais, sendo extremamente importante para seu crescimento adequado, uma vez que, quanto mais cedo ocorrer a adaptação à ingestão de alimento, mais cedo ocorrerá o estímulo para sua passagem pelo trato digestivo, acelerando o desenvolvimento dos mecanismos de digestão e absorção, levando a um desempenho mais acelerado que eventualmente será mantido ao longo da vida da ave. Desta forma, este componente na água de bebida tende a contribuir de forma mais acentuada para o restabelecimento do status fisiológico ideal dos pintinhos quando este estiver alterado por situação de estresse, fazendo com que consigam competir por igual, diminuindo a refugagem dos lotes.

Aplicabilidades de uso

Além do uso na primeira semana de alojamento, direcionar a suplementação da água para outras situações de estresse das aves com a finalidade de reduzir as perdas se torna uma estratégia que demanda baixos investimentos, mas que pode ser de fundamental importância para manter o negócio competitivo. Uma decisão acertada pode ser decisiva para melhorar a saúde do plantel e ter lotes menos desuniformes. Outras aplicabilidades do uso de suplementos na água são a sua utilização nas trocas de rações, a fim de evitar que ocorram quedas no consumo e quaisquer outras situações estressantes para as aves, como manejos de vacinação, de debicagem, períodos com temperaturas extremas (frio ou calor).

Também na fase final, durante o transporte para a unidade de abate, uma vez que nesse período de pré-abate as aves passam por jejum alimentar, o que desencadeia alto estresse, podendo resultar em taxas de mortalidades elevadas durante a transferência, gerando prejuízos significativos para a cadeia produtiva. Neste caso, a água de bebida suplementada irá proporcionar aumento do nível de saciedade nas aves, devido ao aporte extra de nutrientes nessa ocasião de restrição de consumo de alimento sólido, minimizando o estresse do transporte e perdas por mortalidade.

Devido aos constantes desafios, os esforços devem ser voltados a alcançar melhores índices zootécnicos para elevar a rentabilidade do produtor. Qualquer estresse sofrido pelas aves leva a um aumento na demanda por vitaminas e outros nutrientes e, nestes casos, é comum que reduzam o consumo de ração, porém não deixam de beber água. Por isso, utilizar na água de bebida um suplemento que forneça essa reposição se torna uma maneira vantajosa de prevenir carências e, consequentemente, perdas de desempenho. Com manejo adequado e uma estratégia bem planejada se torna possível a maximização da produtividade com a adoção de medidas simples, como a suplementação via água de bebida.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo
Dia Estadual do Porco – ACSURS

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.