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Especialista destaca importância da qualidade de pintinho

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel

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Artigo escrito por Mark Foote, especialista em Incubação da Cobb-Vantress na Europa

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel. Por exemplo, o gerente do incubatório gostaria de ver o máximo de pintinhos de grau A e boa qualidade de cicatrização de umbigo. Já o gerente da granja de frangos quer ver pintinhos bem hidratados, ativos e com baixos níveis de mortalidade, enquanto o veterinário quer ver bons pintos ativos, com umbigos bem cicatrizados e sem infecções. O sexista quer pintinhos incubáveis mais tardiamente porque são mais fáceis de sexar. Vários sistemas de medição têm sido promovidos na literatura para relacionar a qualidade das características do pintinho com o potencial de crescimento e desempenho.

  1. Sistemas de escore visual relacionados com defeitos de pintinhos. Este método é altamente subjetivo e embora rápido e praticado em muitos incubatórios é um mau indicador da mortalidade precoce dos pintinhos.
  2. Peso do pintinho como indicador de peso de 7 dias e a correlação com o peso final. Embora a investigação indique que o peso de 7 dias é um indicador justo do peso final do frango, não há concordância entre os relatórios de investigação sobre a utilização do peso de pintinhos do dia para prever o peso de 7 dias.
  3. O Sistema Pasgar avalia reflexos, cicatrização do umbigo, pernas, bico e anomalias residuais da gema. Estas características dos pintinhos parecem ser indicadores confiáveis da mortalidade precoce dos pintinhos, mas não têm se revelado úteis para as previsões de desempenho dos frangos.
  4. Medições do comprimento do pintinho juntamente com a avaliação da gema residual e da cicatrização do umbigo. Este sistema promove a avaliação da gema residual e da região do umbigo a partir de uma amostra aleatória de 50 pintinhos. Estes fatores estão correlacionados com o risco de infecção por E. coli. O comprimento do pintinho também foi avaliado porque tem uma alta correlação com o desempenho do frango. Desta forma, é possível prever a mortalidade precoce de pintinhos e o desempenho dos frangos.

Ao longo dos anos, a indústria avícola tentou correlacionar os protocolos de incubação ou as características de qualidade dos pintos (qualidade do umbigo, jarretes vermelhos, penas, olhos brilhantes e pintinhos altos e eretos) com níveis de mortalidade de 7 dias. Na prática, a maioria dos incubatórios não teve sucesso em relacionar estas medições com as mortalidades da primeira semana.

Um exemplo de um padrão de mortalidade precoce de pintinhos causado por onfalite (infecção do saco vitelino). Esta infecção é um desafio porque não pode ser detectada no incubatório com inspeção visual. Na realidade, os pintos parecem ser de boa qualidade na chegada na granja.

A questão no incubatório ainda permanece: “como podemos prever a mortalidade dos pintinhos aos 7 dias”?

Para abordar esta questão, foi realizada na Cobb uma série de testes de incubação para avaliar os efeitos dos tempos de incubação na mortalidade precoce de 7 dias. Em cada teste registramos o número de pintinhos nascidos em intervalos de 12 horas. Em cada intervalo de tempo, separamos os pintos nascidos dos ovos que não tinham sido chocados, mas os mantivemos no nascedouro até à eclosão. Pesamos os grupos de pintinhos e identificamos separadamente na granja para registrar os pesos de 7 dias e os níveis de mortalidade.

Nossos dados revelaram a menor mortalidade e os maiores pesos de 7 dias nos grupos de pintinhos que eclodiram cedo na janela de nascimento (24 a 36 horas). Além disso, estes grupos apresentavam o menor rendimento de pintinhos (peso dos pintinhos em percentagem do peso inicial dos ovos).

Primeiramente, é importante notar que você não pode incubar todos os pintinhos ao mesmo tempo e é normal ver uma janela de nascimento de 24 a 30 horas do primeiro ao último pintinho. O tempo de eclosão entre os ovos varia, mas depende amplamente da taxa de desenvolvimento do embrião, onde temperaturas mais altas de incubação aumentam o metabolismo e promovem maior desenvolvimento embrionário e as temperaturas mais baixas reduzem o metabolismo e atrasam o desenvolvimento embrionário. Para uma eclosão e qualidade de pintinho ideais, é fundamental manter uma temperatura e umidade uniformes no nascedouro.

Portanto, perguntamos: o tempo de eclosão influencia os números de mortalidade na primeira semana?

Uma vez que o tempo de eclosão está relacionado com a temperatura de incubação, utilizamos três diferentes perfis de temperatura para incubar os ovos e medimos o impacto destas temperaturas na mortalidade de 7 dias, no rendimento dos pintinhos e no peso corporal de 7 dias. Todos os ovos foram mantidos com as temperaturas da casca do ovo a 100,0°F durante os primeiros 10 dias de incubação. Após 10 dias de incubação, os ovos foram divididos em três grupos e incubados a uma das três temperaturas: 98,5°F (baixa), 100,0°F (normal) ou 101,5°F (alta), e mantidos a esta temperatura até à transferência para os nascedouros. Todos os três grupos foram mantidos separados em três incubadoras individuais (4.800 ovos cada) e todos os ovos tinham o mesmo lote de origem para minimizar as variáveis associadas ao lote ou a idade das matrizes. Na transferência, todos os ovos foram colocados no mesmo nascedouro.

Como mostrado na Figura 3, as altas temperaturas de incubação resultaram num aumento da mortalidade de 7 dias e numa diminuição do peso corporal em relação às temperaturas normais de incubação. A temperaturas de incubação elevadas, o rendimento de pintos foi de cerca de 65%, indicando uma perda excessiva de peso dos ovos e muito provavelmente resultou em pintinhos desidratados. Neste caso, a desidratação impactou no ganho de peso e na mortalidade.

No grupo dos ovos incubados a baixa temperatura (98,5°F), o peso de 7 dias é o mais baixo e a mortalidade de 7 dias é a mais alta. A percentagem de rendimento de pintinhos é também a mais elevada neste grupo. Parece que a baixa temperatura de incubação reduziu a taxa metabólica e/ou atrasou o desenvolvimento, resultando numa menor absorção da gema. A elevada mortalidade de 7 dias pode ter sido o resultado da susceptibilidade à infecção, interagindo com os fatores de stress ambiental.

Há uma variedade de fatores estressantes que podem ter impacto nos pintinhos recém-nascidos antes da entrega na granja. Por exemplo, temperaturas muito elevadas na incubadora, arrefecimento ou sobreaquecimento no processamento dos pintinhos, nas áreas de alojamento e transporte ou na granja podem elevar o stress e a oportunidade de infecções. Os sintomas dos fatores de stress típicos incluem ver os pintinhos ‘ofegantes’ em caixas, devido à falta de ventilação/oxigênio ou ‘amontoados’.

Outras tensões, no entanto, incluindo as correntes de ar frio dirigidas aos pintinhos, quer pelos ventiladores quer pelo vento soprando diretamente para a parte de trás do caminhão, podem também retardar o ganho de peso e tornar os pintos mais susceptíveis à infecção. A temperatura cloacal pode ser utilizada para avaliar o estado dos pintinhos.  A temperatura cloacal normal deve estar entre 40,0°C – 40,6°C para o primeiro dia. A 41,0°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Para reduzir a mortalidade de 7 dias, os gestores de incubação devem concentrar-se no rendimento percentual de pintinhos e na minimização dos fatores de stress. A regra geral é que um pintinho de um dia deve pesar dois terços ou 67% do peso inicial do ovo.  Para alcançar esta perda de peso do ovo de 11 a 13% na transferência. O rendimento de pintinhos é medido a partir dos pesos médios de ovos e pintinhos obtidos de fontes individuais do lote e não se concentra nos pesos individuais de ovos e pintinhos.

O gestor do incubatório deve estar ciente do tempo que um pintinho estará em transporte e ajustar o perfil de incubação em conformidade. O gestor do incubatório deve atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 88 para alojamento de pintinhos a curta distância. Para alojamento de pintos a longa distância, atingir um rendimento de pintos entre 68 – 70. A maior percentagem de rendimento de pintinhos permitirá a perda de peso de pintinhos durante o trânsito, enquanto ainda chegam à granja com o percentual de rendimento de pintinhos próximo do objetivo normal de 66 – 68.

Conclusão

Em resumo, os pontos-chave para a qualidade do pintinho são:

– Adaptar os perfis de incubação para alcançar uma perda de peso ajustada de 11 a 13% por 18 dias de incubação. Os lotes jovens terão uma perda de peso inferior e os lotes mais velhos maiores.

– Atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 68 % para entregas de pintos a curta distância e 68 e 70 para entregas a longa distância.

– Eliminar os fatores de stress após os pintos terem eclodido, ou seja, sobreaquecimento ou falta de ventilação no nascedouro, condições ambientais no processamento dos pintinhos, áreas de espera, transporte e na chegada a granja.

– Evitar o sobreaquecimento, como é comum com ventilação insuficiente ou caixas de pintinhos colocadas demasiadamente próximas e com pouca circulação de ar.

– Evitar correntes de ar frias que possam ser causadas por ventiladores de áreas de espera que sopram sobre os pintinhos.

– Estacionar o caminhão de entrega de frente para os ventos predominantes para que os pintos não fiquem expostos durante a descarga.

Temperaturas de Cloaca devem ser mantidas entre 40°C e 40,6°C a todo o momento no primeiro dia para que os pintinhos mantenham a sua zona de conforto. A 41°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Saúde Animal

Curcumina: potente anti-inflamatório e antioxidante

Consequência natural do uso da curcumina sozinha ou em mistura de produtos utilizado para aves é uma melhora no metabolismo geral e maior desempenho animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Adhemar Rodrigues de Oliveira Neto, zootecnista, mestre e doutor em Nutrição de Monogástricos e gerente de Nutrição e P&D da NNatrivm

A curcumina (Figura 1), princípio ativo da cúrcuma ou açafrão da terra, tem sido utilizada por séculos na medicina de países asiáticos, em razão de suas propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes.

Figura 1. Molécula do polifenol de curcumina e seus efeitos fisiológicos.

A utilização da curcumina na Ásia estimulou estudos sobre seus benefícios por empresas farmacêuticas, pela medicina e por grupos de pesquisadores da área animal no ocidente, de tal forma que pode ser encontrado mais de 10.966 trabalhos científicos sobre os efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes do polifenol da curcumina (Figura 2).

Figura 2. Número de publicações de pesquisas de 1949 à 2017, totalizando 10.966 estudos.

Efeito Anti-Inflamatório

A Curcumina atua de diferentes formas para reduzir a inflamação intestinal, consequência da disbiose (Figura 3) na luz intestinal em resposta aos microrganismos patogênicos e oportunistas, que crescem quando ocorre o desequilíbrio do microbiota comensal existente no trato digestório de aves e suínos.

Figura 3. Epitélio intestinal em equilíbrio (a) e em processo de inflamação (b).

O crescimento exacerbado de E. coli, Salmonela e Clostridium afetam as células intestinais (enterócitos) aumentando a permeabilidade das junções de oclusão (Figura 4), responsáveis pela aderência entre as células. As bactérias podem se infiltrar no intestino, por meio das junções da oclusão e entrando nos próprios enterócitos.

Figura 4. Processo inflamatório no intestino de aves e suínos.

A ligação de substâncias presentes na parede celular (Figura 5) de bactérias gram positivas (peptideoglicanos, PEG) e nas negativas (lipopolissacarídeos, LPS) causam resposta inflamatória na mucosa intestinal.

Figura 5. Composição da parede celular de gram positivas e negativas.

As células dendríticas (Figura 3 e 4) do sistema imune inato também lançam prolongamentos para dentro da luz intestinal reconhecendo antígenos nocivos às células. Os dentritos engolfam as bactérias e se comunicam com outras células (neutrófilos, macrófagos) iniciando à resposta imune inata, que também causa inflamação.

Além dos efeitos da própria bactéria existe também o efeito das toxinas produzidas por esses agentes patogênicos que agem sobre as células, ocasionando a inflamação que é uma resposta do organismo animal para conter a infecção pelos agentes patogênicos. O processo de inflamação pode ocorre pelos mecanismos descritos a seguir, entre outros:

  1. Ativação do fator NF-KB (fator nuclear kappa beta)
  2. Liberação de prostaglandinas e leucotrienos (Figura 4), provenientes do ácido araquidônico, ligado as membranas celulares, que são liberados com objetivo de atuar na resposta animal.

O fator NF-Kappa beta é estimulado na membrana celular por radicais livres e citocinas pró-inflamatórias, como interleucina 1 (IL1), interleucina 6 (IL 6) e fator de necrose tumoral (TNα), dentre outros, na área inflamada. Após o processo de ativação o NF-KB migra para o núcleo da célula, produzindo proteínas. Sua ativação nuclear aumenta a quantidade de citocinas pró-inflamatórias no intestino de aves e suínos.

As prostaglandinas e leucotrienos atuam estimulando a quimiotaxia, ou seja, atraindo células de defesa (ex.: neutrófilos) para o local da inflamação, além de aumentar a permeabilidade dos vasos sanguíneos facilitando a saída de células do sistema imune, como macrófagos e neutrófilos, especializados na fagocitose de agentes patógenos e restos celulares resultantes do processo inflamatório.

O texto acima cita várias ações do sistema imune inato, que a princípio é positivo, mas quando os estímulos são excessivos e crônicos causam inflamação agressiva, maior que o necessário, podendo ocasionar um efeito pior que a própria infecção dos patógenos, reduzindo o desempenho de aves e suínos.

As ações benéficas da Curcumina no combate à inflamação aguda e crônica em aves e suínos ocorre por vários mecanismos:

  1. O polifenol da curcumina atua diretamente como antioxidante, reduzindo a quantidade de radicais livres;
  2. A Curcumina fortalece a junção de oclusão, ou seja, os ligamentos que permitem que células intestinais permaneçam ligadas entre si, inibindo a passagem de patógenos e toxinas entre as células;
  3. Reduz a atividade da enzima ciclo-oxigenase que transforma o ácido araquidônico em Prostaglandina (Figura 4);
  4. Diminui a atividade da enzima lipoxigenase, que transforma o ácido araquidônico em Leucotrienos (Figura 4);
  5. Atua reduzindo a atividade fator nuclear kappa beta (NF-KB do inglês Nuclear Fator Kappa Beta), que estimula maior liberação de quimiocinas e citocinas pró-inflamatórias, como interleucina 1 (IL1), interleucina 6 (IL 6) e fator de necrose tumoral (TNα), dentre outros, na área inflamada (Figura 4).

Ação Antioxidante

A curcumina influencia positivamente a atividade de enzimas antioxidantes presentes no organismo animal, reduzindo os radicais livres produzidos constantemente pelas células animais. Caso os radicais livres não sejam neutralizados, esses provocam danos severos, podendo levar à sua morte celular (apoptose). As enzimas influenciadas diretamente pela cúrcuma são a superóxido dismutase (SOD), catalase e glutationa peroxidase.

Reações de cada enzima citada:

  1. Superóxido dismutase + O (radical livre) è H2O2
  2. Catalase + H2O2 è H2O + O2
  3. Glutationa peroxidase + H2O2 è H2O + O2

Os radicais livres são normalmente produzidos pelas células, por muitos fatores tais como pela atividade das mitocôndrias, por exemplo. Desse modo, o sistema antioxidante precisa estar sempre ativo, permitindo o metabolismo normal e o melhor desempenho dos animais. Importante lembrar que os radicais livres são agentes de dano à membrana celular e consequentemente induzem processos inflamatórios, discutidos anteriormente nesse texto. Assim, a suplementação na dieta de compostos antioxidantes como curcumina, vitamina E, vitamina C, metionina, selênio são sempre importantes para o funcionamento celular.

Resultado de Frango de corte suplementado com curcumina

Em razão das ações anti-inflamatórias e antioxidantes da curcumina, pode-se inferir que o desempenho de frango de corte suplementado com curcumina seja superior, conforme relatado por pesquisadores.

Esse texto é uma revisão de vários trabalhos originais e de revisões sobre os benefícios da curcumina para aves e animais em geral, referente aos processos anti-inflamatórios e antioxidantes. A consequência natural do uso da curcumina sozinha ou em mistura de produtos utilizado para aves e suínos é uma melhora no metabolismo geral e maior desempenho animal.

Outras notícias você encontra na edição de Avicultura de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Manejo

Qualidade da carcaça e as vantagens do correto manejo pré-abate

Não adianta o lote produzido apresentar excelentes resultados se no abatedouro apresenta condenação parcial ou total elevada

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Bárbara Vargas, supervisora Regional de Serviços Técnicos da Aviagen

Sempre quando se fala de qualidade de carcaça é importante lembrar que à campo existem vários desafios, desde os cuidados com biosseguridade, intervalo de lote, manejo de cama, ambiência e manejo com as aves, sem perder o foco nos indicadores produtivos, principalmente conversão alimentar, ganho de peso diário (GPD), mortalidade e índice de eficiência produtiva (IEP). Porém, é necessário ter em mente que este processo não produz apenas frango de corte, mas sim alimento.

E esse alimento precisa ter a melhor qualidade e segurança alimentar, pois, quando o consumidor escolhe um produto na gôndola do supermercado ele opta por uma marca de acordo com a qualidade oferecida por ela. A campo, é fundamental ter os cuidados e preocupação com as questões zootécnicas, mas, lembrando sempre, que o alimento produzido precisa levar a melhor qualidade para dentro do abatedouro.

Isso porque não adianta o lote produzido apresentar excelentes resultados se no abatedouro apresenta condenação parcial ou total elevada. É preciso ter equilíbrio, buscando sempre a eficiência produtiva a campo e qualidade de carcaça.

Como o manejo pré-abate pode impactar a qualidade da carcaça?

O jejum pré-abate não corresponde apenas ao tempo em que a ave está no aviário sem consumir ração, ele é composto por quatro etapas, sendo:

  • Retirada de ração: o período em que a ave fica sem se alimentar até a chegada da equipe de apanhe;
  • Apanha mais carregamento: tempo no qual as equipes levam para coletar as aves e fazer o carregamento;
  • Transporte: período em que o motorista leva da granja até o abatedouro;
  • Área de espera: aves aguardam para serem abatidas.

Essas quatro etapas correspondem a apenas 1% do período de vida dos frangos. No entanto, em caso de manejo incorreto, é possível impactar a qualidade dessas aves mesmo nesse período tão curto da produção.

É importante que se tenha todo o cuidado e se siga todos os procedimentos do manejo correto, para entregar, também nessa fase final, qualidade dentro do abatedouro. Os principais cuidados nessa fase são caracterizados por:

Retirada de ração:

  • Não é recomendado a secagem total dos pratos antes da retirada do sistema de alimentação;
  • Pode ser feita em duas etapas (jejum parcial);
  • Manter o acesso aos bebedouros com água;
  • A água precisa estar disponível até o momento do carregamento, medida importante para o bem-estar e fluxo do conteúdo entérico;
  • Antes do carregamento, é recomendado que se caminhe com cautela entre as aves a cada 35-45 minutos para garantir o consumo de água;
  • Manter o ambiente em zona de conforto para as aves;
  • Não alterar o consumo de ração na última semana de vida antes do abate das aves:
  • Aumento exacerbado de ração em função de uma falta anterior = alteração da taxa de esvaziamento do TGI.
  • Mudança na forma física da ração pode acarretar em alteração na velocidade do consumo.
  • 23 horas de luz nos três dias anteriores ao carregamento;
  • Cuidado com a temperatura, ela pode alterar o consumo da ração:
  • Principalmente para o abate de madrugada, pode ser necessário um tempo maior de retirada.
  • Avaliar o período de retirada em função do horário de carregamento e temperatura ambiental.

Jejum pré-abate x qualidade intestinal

Não é interessante ter um jejum muito estendido, pois pode-se impactar a qualidade do intestino, podendo aumentar a fragilidade intestinal em 10% se a retirada for maior que 14 horas.

Dentro do abatedouro, quando ocorre a evisceração, a víscera mais frágil pode se romper e o conteúdo que escapa contaminar a carcaça. O procedimento indica que essa parte contaminada seja removida, resultando em uma perda dentro do abatedouro.

Então, qual seria o período ideal para que não ocorra contaminação dentro do abatedouro?

Alguns trabalhos mostram que esse período seria de 8 a 12 horas, porém, para não impactarmos tanto em qualidade e rendimento de carcaça, a nossa orientação é que se trabalhe entre 8 a 10 horas. Lembrando que o período de 8 a 10 horas é de janela total, desde a retirada da ração até a pendura das aves.

Finalizando, é importante que toda a equipe técnica, assim como os produtores e granjeiros, tenham conhecimento da importância deste período pré-abate e dos impactos que pode causar, para que estes, juntamente com a equipe do abatedouro, consigam obter os resultados desejados pela empresa.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Nutrição Animal

Colina herbal é alternativa para suplementar dietas de frangos

Diversas vantagens podem ser observadas com utilização da colina herbal na nutrição de aves e suínos

Publicado em

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Hebert Silveira, gerente técnico da Natural BR Feed

A colina é considerada um nutriente essencial para os animais e sua ausência na dieta pode manifestar evidências claras de deficiências e comprometer o desempenho. Ela é classificada como uma vitamina do complexo B, com algumas características diferentes das demais vitaminas do complexo.

A colina pode ser sintetizada no fígado diferentemente das demais vitaminas do complexo B, mas essa síntese não é suficiente para atender à exigência dos animais, sendo necessário sua suplementação em maiores quantidades na dieta. Além disso, ela atua como um constituinte estrutural das membranas celulares e não como uma coenzima como as demais vitaminas do complexo B.

A colina tem importantes funções no organismo: (1) participa na formação da acetilcolina, um importante neurotransmissor e (2) faz parte da estrutura da fosfatidilcolina, forma predominante em que se apresenta nas membranas celulares do organismo. Além disso, (3) atua como doador de grupamentos metílicos.

Uma das formas de suplementação de colina nas rações de monogástricos se dá pelo uso do cloreto de colina. Este sal composto é produzido por síntese química a partir de óxido de etileno, ácido clorídrico e trimetilamina. Entretanto, a forma química de cloreto de colina proporciona uma absorção ineficiente no trato gastrointestinal dos animais, onde aproximadamente 2/3 dessa colina é convertida pelas bactérias intestinais em trimetilamina, ficando indisponível para os animais. Esse composto ainda é toxico para os animais, comportando-se como uma amina biogênica no organismo, sendo necessário sua metabolização para que ocorra sua excreção. A colina herbal ingerida na forma de fosfatidilcolina, não está sujeita a esta degradação.

Os compostos de trimetilamina formados pelas bactérias intestinais, além de indisponibilizar a colina, prejudica a aceitação de ovos pelo consumidor. A trimetilamina é depositada nos ovos, gerando um sabor indesejável (Figura 1).

Outro ponto negativo da utilização do cloreto de colina em pó, nas dietas e premixes, é a sua capacidade higroscópico, o que acelera as perdas de outras vitaminas do premix, quando em contato com estas (Tabelas 1 e 2).

Essa capacidade higroscópica do cloreto de colina pode levar a erros de dosagens em fábricas de ração, pois se ela estiver com alto conteúdo de água adsorvida, no lugar de se pesar cloreto de colina está sendo incluído água na dieta. Esse erro de dosagem pode levar a uma piora da conversão alimentar dos animais, aumentando com isso o custo de produção. Outro ponto para atenção, é a dosagem de cloreto de colina na forma liquida, que pode acarretar erros de dosagens decorrente da viscosidade do produto, aumentando a ocorrência de entupimento dos bicos aspersores de ingredientes líquidos às rações.

Com o avanço da utilização de extratos herbais na nutrição animal, diversos estudos têm sido realizados levando em consideração as vitaminas conjugadas em plantas. Com isso, a colina herbal, à base de plantas medicinais das espécies: Andrographis paniculata, Azadirachta indica, Citrullus colocynthis, Silybum marianum e Ocimum Sanctum podem substituir integralmente o uso de Cloreto de Colina nas rações de aves, suínos, bovinos e peixes, sendo utilizada como fonte de fosfatidilcolina.

Desta forma, diversas vantagens podem ser observadas com utilização da colina herbal na nutrição de aves e suínos, sendo elas:

  • Maior biodisponibilidade de colina quando comparado ao cloreto de colina;
  • Possibilidade de substituição total do cloreto de colina pela colina herbal utilizando a matriz nutricional do fabricante;
  • Não é higroscópico, preservando as vitaminas do premix e reduz a utilização de sílicas para evitar empedramento;
  • Facilidade de utilização em fábricas de rações, evitando erro de dosagens decorrente da higroscopicidade do cloreto de colina.
  • Redução de espaço de estocagem em fábrica de ração.
  • Reduz a ocorrência de síndrome de fígado gorduroso;
  • Reduz a deposição de gordura na carcaça via efeito sobre a Adiponectina;
  • A fosfatidilcolina também libera colina que é oxidada a betaína. A betaína serve como doadora dos grupos metil para reciclagem da homocisteína à metionina, resultando em um efeito poupador de metionina, o que pode permitir a redução da relação de metionina:lisina em situações de elevado custo de produção.
  • Melhora o balanço eletrolítico das dietas, pois reduz o excesso de cloro na dieta quando ocorre suplementação via cloreto de colina;
  • Permite aumento do uso de cloreto de sódio e redução do uso de bicarbonato de sódio, no balanceamento de sódio na dieta. Possibilitando redução do custo das dietas.

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Fonte: O Presente Rural
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