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Especialista destaca importância da qualidade de pintinho

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel

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Artigo escrito por Mark Foote, especialista em Incubação da Cobb-Vantress na Europa

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel. Por exemplo, o gerente do incubatório gostaria de ver o máximo de pintinhos de grau A e boa qualidade de cicatrização de umbigo. Já o gerente da granja de frangos quer ver pintinhos bem hidratados, ativos e com baixos níveis de mortalidade, enquanto o veterinário quer ver bons pintos ativos, com umbigos bem cicatrizados e sem infecções. O sexista quer pintinhos incubáveis mais tardiamente porque são mais fáceis de sexar. Vários sistemas de medição têm sido promovidos na literatura para relacionar a qualidade das características do pintinho com o potencial de crescimento e desempenho.

  1. Sistemas de escore visual relacionados com defeitos de pintinhos. Este método é altamente subjetivo e embora rápido e praticado em muitos incubatórios é um mau indicador da mortalidade precoce dos pintinhos.
  2. Peso do pintinho como indicador de peso de 7 dias e a correlação com o peso final. Embora a investigação indique que o peso de 7 dias é um indicador justo do peso final do frango, não há concordância entre os relatórios de investigação sobre a utilização do peso de pintinhos do dia para prever o peso de 7 dias.
  3. O Sistema Pasgar avalia reflexos, cicatrização do umbigo, pernas, bico e anomalias residuais da gema. Estas características dos pintinhos parecem ser indicadores confiáveis da mortalidade precoce dos pintinhos, mas não têm se revelado úteis para as previsões de desempenho dos frangos.
  4. Medições do comprimento do pintinho juntamente com a avaliação da gema residual e da cicatrização do umbigo. Este sistema promove a avaliação da gema residual e da região do umbigo a partir de uma amostra aleatória de 50 pintinhos. Estes fatores estão correlacionados com o risco de infecção por E. coli. O comprimento do pintinho também foi avaliado porque tem uma alta correlação com o desempenho do frango. Desta forma, é possível prever a mortalidade precoce de pintinhos e o desempenho dos frangos.

Ao longo dos anos, a indústria avícola tentou correlacionar os protocolos de incubação ou as características de qualidade dos pintos (qualidade do umbigo, jarretes vermelhos, penas, olhos brilhantes e pintinhos altos e eretos) com níveis de mortalidade de 7 dias. Na prática, a maioria dos incubatórios não teve sucesso em relacionar estas medições com as mortalidades da primeira semana.

Um exemplo de um padrão de mortalidade precoce de pintinhos causado por onfalite (infecção do saco vitelino). Esta infecção é um desafio porque não pode ser detectada no incubatório com inspeção visual. Na realidade, os pintos parecem ser de boa qualidade na chegada na granja.

A questão no incubatório ainda permanece: “como podemos prever a mortalidade dos pintinhos aos 7 dias”?

Para abordar esta questão, foi realizada na Cobb uma série de testes de incubação para avaliar os efeitos dos tempos de incubação na mortalidade precoce de 7 dias. Em cada teste registramos o número de pintinhos nascidos em intervalos de 12 horas. Em cada intervalo de tempo, separamos os pintos nascidos dos ovos que não tinham sido chocados, mas os mantivemos no nascedouro até à eclosão. Pesamos os grupos de pintinhos e identificamos separadamente na granja para registrar os pesos de 7 dias e os níveis de mortalidade.

Nossos dados revelaram a menor mortalidade e os maiores pesos de 7 dias nos grupos de pintinhos que eclodiram cedo na janela de nascimento (24 a 36 horas). Além disso, estes grupos apresentavam o menor rendimento de pintinhos (peso dos pintinhos em percentagem do peso inicial dos ovos).

Primeiramente, é importante notar que você não pode incubar todos os pintinhos ao mesmo tempo e é normal ver uma janela de nascimento de 24 a 30 horas do primeiro ao último pintinho. O tempo de eclosão entre os ovos varia, mas depende amplamente da taxa de desenvolvimento do embrião, onde temperaturas mais altas de incubação aumentam o metabolismo e promovem maior desenvolvimento embrionário e as temperaturas mais baixas reduzem o metabolismo e atrasam o desenvolvimento embrionário. Para uma eclosão e qualidade de pintinho ideais, é fundamental manter uma temperatura e umidade uniformes no nascedouro.

Portanto, perguntamos: o tempo de eclosão influencia os números de mortalidade na primeira semana?

Uma vez que o tempo de eclosão está relacionado com a temperatura de incubação, utilizamos três diferentes perfis de temperatura para incubar os ovos e medimos o impacto destas temperaturas na mortalidade de 7 dias, no rendimento dos pintinhos e no peso corporal de 7 dias. Todos os ovos foram mantidos com as temperaturas da casca do ovo a 100,0°F durante os primeiros 10 dias de incubação. Após 10 dias de incubação, os ovos foram divididos em três grupos e incubados a uma das três temperaturas: 98,5°F (baixa), 100,0°F (normal) ou 101,5°F (alta), e mantidos a esta temperatura até à transferência para os nascedouros. Todos os três grupos foram mantidos separados em três incubadoras individuais (4.800 ovos cada) e todos os ovos tinham o mesmo lote de origem para minimizar as variáveis associadas ao lote ou a idade das matrizes. Na transferência, todos os ovos foram colocados no mesmo nascedouro.

Como mostrado na Figura 3, as altas temperaturas de incubação resultaram num aumento da mortalidade de 7 dias e numa diminuição do peso corporal em relação às temperaturas normais de incubação. A temperaturas de incubação elevadas, o rendimento de pintos foi de cerca de 65%, indicando uma perda excessiva de peso dos ovos e muito provavelmente resultou em pintinhos desidratados. Neste caso, a desidratação impactou no ganho de peso e na mortalidade.

No grupo dos ovos incubados a baixa temperatura (98,5°F), o peso de 7 dias é o mais baixo e a mortalidade de 7 dias é a mais alta. A percentagem de rendimento de pintinhos é também a mais elevada neste grupo. Parece que a baixa temperatura de incubação reduziu a taxa metabólica e/ou atrasou o desenvolvimento, resultando numa menor absorção da gema. A elevada mortalidade de 7 dias pode ter sido o resultado da susceptibilidade à infecção, interagindo com os fatores de stress ambiental.

Há uma variedade de fatores estressantes que podem ter impacto nos pintinhos recém-nascidos antes da entrega na granja. Por exemplo, temperaturas muito elevadas na incubadora, arrefecimento ou sobreaquecimento no processamento dos pintinhos, nas áreas de alojamento e transporte ou na granja podem elevar o stress e a oportunidade de infecções. Os sintomas dos fatores de stress típicos incluem ver os pintinhos ‘ofegantes’ em caixas, devido à falta de ventilação/oxigênio ou ‘amontoados’.

Outras tensões, no entanto, incluindo as correntes de ar frio dirigidas aos pintinhos, quer pelos ventiladores quer pelo vento soprando diretamente para a parte de trás do caminhão, podem também retardar o ganho de peso e tornar os pintos mais susceptíveis à infecção. A temperatura cloacal pode ser utilizada para avaliar o estado dos pintinhos.  A temperatura cloacal normal deve estar entre 40,0°C – 40,6°C para o primeiro dia. A 41,0°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Para reduzir a mortalidade de 7 dias, os gestores de incubação devem concentrar-se no rendimento percentual de pintinhos e na minimização dos fatores de stress. A regra geral é que um pintinho de um dia deve pesar dois terços ou 67% do peso inicial do ovo.  Para alcançar esta perda de peso do ovo de 11 a 13% na transferência. O rendimento de pintinhos é medido a partir dos pesos médios de ovos e pintinhos obtidos de fontes individuais do lote e não se concentra nos pesos individuais de ovos e pintinhos.

O gestor do incubatório deve estar ciente do tempo que um pintinho estará em transporte e ajustar o perfil de incubação em conformidade. O gestor do incubatório deve atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 88 para alojamento de pintinhos a curta distância. Para alojamento de pintos a longa distância, atingir um rendimento de pintos entre 68 – 70. A maior percentagem de rendimento de pintinhos permitirá a perda de peso de pintinhos durante o trânsito, enquanto ainda chegam à granja com o percentual de rendimento de pintinhos próximo do objetivo normal de 66 – 68.

Conclusão

Em resumo, os pontos-chave para a qualidade do pintinho são:

– Adaptar os perfis de incubação para alcançar uma perda de peso ajustada de 11 a 13% por 18 dias de incubação. Os lotes jovens terão uma perda de peso inferior e os lotes mais velhos maiores.

– Atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 68 % para entregas de pintos a curta distância e 68 e 70 para entregas a longa distância.

– Eliminar os fatores de stress após os pintos terem eclodido, ou seja, sobreaquecimento ou falta de ventilação no nascedouro, condições ambientais no processamento dos pintinhos, áreas de espera, transporte e na chegada a granja.

– Evitar o sobreaquecimento, como é comum com ventilação insuficiente ou caixas de pintinhos colocadas demasiadamente próximas e com pouca circulação de ar.

– Evitar correntes de ar frias que possam ser causadas por ventiladores de áreas de espera que sopram sobre os pintinhos.

– Estacionar o caminhão de entrega de frente para os ventos predominantes para que os pintos não fiquem expostos durante a descarga.

Temperaturas de Cloaca devem ser mantidas entre 40°C e 40,6°C a todo o momento no primeiro dia para que os pintinhos mantenham a sua zona de conforto. A 41°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Fonte: Assessoria
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Eliminar só as moscas adultas não controla infestações nas granjas

Plano integrado inclui a eliminação de larvas para garantir bem-estar animal e mais sanidade nas granjas de aves de todo o Brasil.

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Foto: Arquivo/OP Rural

A presença de insetos incomoda em qualquer lugar. Seja na área urbana em restaurantes, hospitais ou mercados, seja na área rural em fazendas ou granjas, a infestação por moscas atrapalha e preocupa os responsáveis pelo local. Entretanto, além do estresse que gera, a transmissão de doenças é a grande preocupação quando pensamos no controle da infestação desses insetos.

Por sua anatomia, as moscas possuem características no modo de se alimentar que contribuem para a transmissão e carreamento de doenças entre os locais de infestação. Sua alimentação ocorre, de forma geral, em locais com alta carga de matéria orgânica em decomposição. As moscas são atraídas para esses locais através de órgãos do olfato em suas antenas e pousam no momento da alimentação. Já aqui temos o primeiro ponto crítico! Se o local do pouso estiver contaminado com algum microrganismo (vírus, bactérias, helmintos ou protozoário), eles podem ficar aderidos às patas, cerdas do corpo ou na saliva e, dessa forma, a contaminação será levada até o próximo local.

Outro ponto crítico está relacionado com a forma de alimentação desse inseto. As moscas possuem aparelho bucal do tipo lambedor-sugador e para ingestão do alimento, regurgitam sobre o local da alimentação. Assim, as enzimas presentes na saliva começam a digestão do alimento fora do corpo da mosca. Uma vez iniciada a digestão, o alimento passa a ter forma pastosa que facilita sua sucção para dentro do trato digestório da mosca. Após se alimentar, as moscas defecam no local, pois seu trato digestório é pequeno para armazenar uma grande quantidade de alimento. Somando todos esses fatores, o risco de termos uma contaminação trazida por moscas é grande!

E nosso inimigo não se trata apenas das moscas adultas em voo, pois elas representam somente 20% da população total das moscas em um determinado local. Os 80% restantes estão em fases jovens desse inseto na forma de ovo, larva ou pupa que não são tão visíveis.

 

Características reprodutivas

A espécie mais importante é a Musca domestica, ou mosca doméstica, que além de ser muito adaptada ao ambiente é bastante incômoda e pode transmitir mais de uma centena de doenças para o homem ou animais. Uma única mosca adulta é capaz de fazer a oviposição de 75 a 170 ovos por postura e após 30 horas já está apta a se reproduzir novamente. Sendo assim, sabendo ovos 40% larvas 30% pupas 10% adultos 20% que uma mosca vive em média 30 dias, durante toda sua vida podem ser gerados de 1.800 a 4.080 ovos por somente uma mosca.

Depois de depositados, os ovos eclodem no primeiro estágio larval em 24 horas. A fase larval passa por outros dois estágios e dura no total, em média, de 5 a 8 dias. No inverno essa fase pode se estender por várias semanas, pois altas umidades e temperatura favorecem o desenvolvimento e, portanto, locais quentes e úmidos apresentam ciclos mais rápidos.

Ao final do desenvolvimento larval, as larvas buscam um local fora da matéria orgânica onde estavam e se transformam em pupas, quando a camada externa endurece e ocorre a metamorfose para mosca adulta. Esse processo acontece em 4 a 5 dias e, diferente das larvas, as pupas não se alimentam. Essa característica dificulta o controle de mosca nessa fase de vida.

Controle 

Portanto, as únicas fases para realização do controle integrado são quando as moscas estão na forma larval e moscas adultas. As larvas, no primeiro estágio, medem cerca de 2 mm de comprimento e no terceiro, de 10 a 14 mm. Elas, geralmente, ficam agrupadas, são vermiformes, esbranquiçadas, movimentam-se muito, podendo se deslocar por até 50 metros, não gostam de luz e alimentam-se ativamente.

Já as moscas adultas são ativas durante o dia, podendo voar cerca de 1 a 3 km durante um dia todo, porém a noite elas repousam principalmente em superfícies cilíndricas como arames, fios ou barbantes. Essa particularidade é importante no controle desse inseto, pois permite que sejam feitas armadilhas com cordões embebidos em inseticidas, por exemplo.

Sendo assim, o combate às moscas deve ser feito de forma integrada, ou seja, através de medidas de saneamento ambiental que visem minimizar as condições de criatórios desse inseto, como o acondicionamento correto do lixo e descarte de resíduos, armazenamento correto dos alimentos, em sacos bem fechados ou com tampa, manutenção do ambiente sempre limpo e livre de matéria orgânica ou com acúmulo de água.

Além das medidas de manejo ambiental, deve-se atuar de forma mecânica e química para o controle integrado das moscas. Utilizar telamento ou instalação de cortina de ar nas janelas, a fim de restringir o acesso desses insetos em locais críticos, além de utilizar ferramentas de captura dos insetos adultos como as armadilhas, luminosas ou não, é bastante importante.

Já o controle químico deve passar pela redução da população de adultos e pelo tratamento preventivo das fases jovens através de produtos que têm ação em larvas. É extremamente importante quebrar o ciclo de vida das moscas quando queremos um controle efetivo da infestação desses insetos.

Não basta agir apenas na presença da fase adulta, que é também importante, mas a médio e longo prazo queremos diminuir a população total das moscas. O manejo do controle de pragas é, portanto, essencial e deve acontecer de forma constante e monitorada. Para isso, é necessário realizar a avaliação local e, muitas vezes, utilizar mais de uma ferramenta a fim de blindar o local da forma mais efetiva possível. O controle de moscas é difícil e estratégico, para isso, conte sempre com a ajuda de bons profissionais e produtos de qualidade.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Thaiane Kasmanas, coordenadora de Tech Service da Neogen.
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A tecnologia das vacinas vetorizadas: tudo aquilo que você sempre quis saber

Avanços na tecnologia de engenharia genética podem cada vez mais melhorar a produção e a eficácia das vacinas recombinantes visando oferecer alternativas válidas aos produtores. Uma coisa é certa, a evolução na avicultura não para. É um processo constante.

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Foto: Fátima Jaenisch

Por Eduardo Muniz, médico-veterinário, doutor em Patologia Veterinária e gerente de Serviços Técnicos de Aves da Zoetis

Ninguém duvida que as vacinas vetorizadas, também chamadas de recombinantes, vieram para ficar no mercado avícola. O fato é que elas são ferramentas eficazes e têm vantagens importantes quando pensamos nos programas imunoprofiláticos das aves. A tendência é que cada vez mais essa tecnologia seja incorporada aos programas de vacinação, pois os benefícios são claramente percebidos pelos produtores.

A tecnologia das vacinas vetorizadas é um bom exemplo da forte evolução científica que é característica inerente ao setor avícola. O conceito do vetor viral foi introduzido em 1972 e nos anos de 1983 e 1984 um vírus vetorizado foi utilizado para o desenvolvimento de uma vacina recombinante contra a influenza e a raiva. No setor avícola, as pesquisas com vacinas utilizando o herpesvírus dos perus recombinante (rHVT) iniciaram em 1990.

Figura 1 – Construção da vacina vetorizada com o herpesvirus recombinante (rHVT).

A vacina recombinante é o resultado de moléculas de DNA híbridas de dois ou mais microrganismos expressadas em um vetor. Esses vírus recombinantes trabalham como um “cavalo de troia”, pois o vírus utilizado como vetor irá albergar porções do inserto e quando o vetor replicar no hospedeiro ocorrerá a exposição às proteínas inseridas. Essas proteínas serão reconhecidas pelo sistema imune da ave, gerando proteção contra os antígenos de duas ou até mais doenças. Assim, a vacina recombinante é capaz de gerar imunidade e proteção multivalente.

Atualmente na avicultura os dois vírus mais utilizados como vetor para as vacinas recombinantes comercialmente disponíveis são o Poxvírus (vírus da Bouba) e o herpesvírus de perus (HVT). Estes dois vírus foram selecionados para o desenvolvimento das vacinas vetorizadas, pois possuem genomas grandes e são estáveis fenotipicamente, o que permite a inserção de porções do material genético dos insertos criando o produto recombinante.

Um dos objetivos dessa tecnologia é que o “vírus” a ser inserido no vetor não fosse liberado para o ambiente externo, como acontece com as vacinas vivas convencionais, resultando portanto em uma vacina extremamente segura do ponto de vista de reversão de virulência sem ocorrência de transmissão lateral. Além disso, as vacinas recombinantes contam com a vantagem de não produzir as indesejáveis reações pós-vacinais características principalmente nas vacinas convencionais contra doenças respiratórias, como a Doença de Newcastle e a Laringotraqueíte.

Outro benefício relevante da tecnologia das vacinas vetorizadas é que a administração pode ser convenientemente realizada por dose única no incubatório tanto por via subcutânea no pintinho de um dia como por via in ovo. Não existe interferência dos anticorpos maternais na replicação das glicoproteínas do vírus recombinante.

Essa vantagem motivou a migração de várias vacinas convencionais que antes eram feitas a campo pelo método de aplicação massal com várias doses para o incubatório. O exemplo mais claro disso é a vacinação contra a doença de Gumboro que na maioria dos produtores é eficazmente prevenida com uma única dose no incubatório utilizando vacinas vetorizadas ou de imunocomplexo.

Dessa forma, podemos dizer que a tecnologia das vacinas recombinantes produz um “casamento perfeito” com a vacinação in ovo, pois unimos a excelência no processo de administração da vacina realizada, com melhor controle do processo de vacinação, com um produto seguro e conveniente. Essas duas tecnologias empregadas juntas são sinérgicas e resultam em maior segurança do esquema imunoprofilático.

Já está demonstrado cientificamente a proteção com vacinas recombinantes para as seguintes enfermidades: doença de Marek, bouba aviária, doença de Gumboro, doença de Newcastle, laringotraqueíte, Influenza aviária e Mycoplasma gallissepticum. No entanto, existem pesquisas promissoras em desenvolvimento no sentido de produzir novas ferramentas, inclusive utilizando diferentes vetores como por exemplo o adenovírus. É importante atentar de que cada produto recombinante tem características únicas. Essa singularidade decorre do fato de que existem diferenças na construção genética de cada produto.

Um passo fundamental no desenvolvimento de uma vacina recombinante altamente eficaz é a seleção de glicoproteínas com grande capacidade imunogênica a serem inseridas no vetor. Essas proteínas irão fazer parte da estrutura externa dos vírus vetorizados e elicitarão a resposta imune. Cada vírus aviário possui uma ou mais proteínas que participam de maneira decisiva na resposta imune.

O principal antígeno imunogênico do vírus da influenza aviária é a hemaglutinina, do vírus de Newcastle são as hemaglutinina-neuroaminidade e a proteína de fusão, do vírus de Gumboro é a VP2, da laringotraqueíte são as glicoproteínas g. Reconhece-se que a proteína de fusão é mais imunogênica para a doença de Newcastle do que a hemaglutinina-neuroaminidade, por exemplo. Portanto, cada produto terá sua característica própria e única dependendo da inserção do gene utilizado e da consequente expressão da proteína com potencial imunogênico.

Pontos essenciais

Além disso, outra diferença importante em relação às vacinas vetorizadas está relacionada ao promotor utilizado. Para que aconteça a expressão do gene inserido, por exemplo a expressão da proteína F da DNC, é necessário também inserir o gene promotor no DNA do vetor. O promotor é o gene que irá recrutar um grupo de polimerases para a produção da proteína imunogênica. Cada produto utiliza promotores específicos, o que torna a característica da vacina única em relação a dois pontos fundamentais: geração de imunidade (onset of immutity) e duração da imunidade (duration of immunity).

Onset of immunity pode ser definido como a precocidade com que a proteção total é alcançada após a administração da vacina. Evidentemente quanto mais rápida for a geração da proteção, menor será o risco de desenvolvimento da doença. Já o duration of immunity pode ser definido como o tempo de geração da proteção total após o onset of immunity. Quanto maior for a duração da imunidade, mais efetiva será a vacina, especialmente em aves de vida longa, como poedeiras e reprodutoras. Um dos grandes desafios no desenvolvimento das vacinas vetorizadas é justamente antecipar o onset of immunity e retardar o duration of immunity.

Evolução constante

Avanços na tecnologia de engenharia genética podem cada vez mais melhorar a produção e a eficácia das vacinas recombinantes visando oferecer alternativas válidas aos produtores. Uma coisa é certa, a evolução na avicultura não para. É um processo constante. O entendimento de como funciona uma vacina vetorizada, das suas características, benefícios e limitações é essencial para a sanidade das aves.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: paula.biglia@formatoib.com.br

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural com Zoetis Avicultura
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Avicultura Organismo saudável

Meio ambiente interfere na microbiota intestinal das aves

A composição da microbiota intestinal é única em cada indivíduo, sendo composta de bactérias distintas – em sua maioria não patogênicas, archaea, vírus, protozoários, algas e fungos, herdados do hospedeiro, adquiridos ao nascimento e ainda definidos pelas características ambientais, como a idade e os hábitos alimentares.

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Zootecnista Raquel Lunedo: "A microbiota intestinal é extremamente importante para o desenvolvimento normal do hospedeiro e para o aproveitamento completo dos nutrientes” - Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

O aperfeiçoamento contínuo dos segmentos de genética, nutrição, biossegurança e bem-estar animal evidenciam a evolução da avicultura ao longo de várias décadas, com importantes avanços no manejo de doenças infecciosas, melhora da imunidade e da saúde intestinal das aves. De acordo com a zootecnista e gerente de P&D na Master Agroindustrital, Raquel Lunedo, a maior parte do trato gastrointestinal é colonizada por uma complexa, diversa e interativa comunidade de microrganismos, que trabalham juntos envolvendo fatores bióticos (hospedeiros – plantas ou animais) e abióticos (temperatura, pH, oxigênio, pressão, componentes químicos, estrutura dos arredores).

Zootecnista Raquel Lunedo foi uma das palestrantes do Congresso de Ovos da APA

Raquel explica que a composição da microbiota intestinal é única em cada indivíduo, sendo composta de bactérias distintas – em sua maioria não patogênicas, archaea, vírus, protozoários, algas e fungos, herdados do hospedeiro, adquiridos ao nascimento e ainda definidos pelas características ambientais, como a idade e os hábitos alimentares.

Os microrganismos – chamados de conectores biológicos – estão envolvidos em todo o processo de transformação de nutrientes. “Se nós pensarmos em um ciclo de nitrogênio da natureza todos os seus passos têm microrganismos atuando para que aquele nutriente se transforme e esteja disponível para o próximo organismo que vai utilizá-lo, então os microrganismos são extremamente importantes para a auto sustentabilidade da biosfera, tanto que se fizermos uma conta, estima-se que 1/3 da biomassa da terra é composta por procariotos, um número extremamente grande, dos mais diversos ambientes dentro da terra. E dentre esses ambientes, o trato gastrointestinal dos animais é o habitat mais denso, diverso e abundante”, afirma Raquel.

De acordo com a zootecnista, os microrganismos presentes no aparelho reprodutor podem colonizar o embrião durante a formação do ovo e com o nascimento do pintainho a microbiota intestinal, que é completamente imatura após a eclosão, vai ser transformada pela ração, água, cama, insetos, poeira e pessoas, fatores que vão proporcionar o desenvolvimento e o estabelecimento da microbiota intestinal.  “Se vai se estabelecer ou não no animal essa microbiota vai depender da solubilidade fisiológica deste animal, como está a nutrição e o ambiente. Ele pode entrar em contato com diversos organismos benéficos ou patogênicos, o que vai decidir se este organismo vai colonizar e se perpetuar no trato deste animal são as condições oferecidas para ele”, explica.

Microbiota e sua relação com o hospedeiro

Os aspectos relacionados à fisiologia digestiva do hospedeiro – quantidade e composição das secreções intestinais, controle da motilidade, turnover das células epiteliais – são fatores relevantes para o estabelecimento das populações microbianas.

Conforme Raquel, um animal ruminante só consegue aproveitar o capim porque possui um ambiente interno que possibilita que os microrganismos sobrevivam no rúmen, visto que se desequilibrar o rúmen vai gerar um prejuízo enorme para o metabolismo do animal.

A partir deste modelo surgiu a Teoria do metaorganismo ou superorganismo, a qual atesta que para ter um metabolismo completo é necessário ter um evento cooperativo entre diferentes organismos, sendo que cada organismo é composto por três domínios – archea, bactéria e eucariota. “O genoma fundamental que cada organismo eucarioto vive é o metagenoma (DNA microbiano e animal) porque a forma como os genes e as bactérias são expressas vão intervir na disfunção gênica do animal hospedeiro e vice-versa, ou seja, a forma como o animal hospedeiro vai expressar seus genes influencia no microbioma que se apresenta no intestino”, menciona Raquel.

Segundo a profissional, é no trato gastrointestinal que se encontram as populações mais diversas e com maior dinamismo da microbiota e do hospedeiro. Raquel afirma que a evolução é tão grande e conjunta entre microbiota e hospedeiro que eliminando toda a microbiota de um animal vai causar alterações na capacidade do bili absorver sais, na diferença na cripta, na menor vascularização, na função das células imunes, na mineralização e densidade óssea, na atividade de osteoblastos e osteoclastos, no sistema vascular intestinal, além de modificar a ingestão de alimentos e aumentar a vilosidade intestinal, etc., ou seja, o animal não conseguirá absorver os nutrientes da mesma forma como se tivesse com a microbiota presente, afetando o desenvolvimento do sistema imune e o desempenho produtivo da ave. “21, desde que essa microbiota esteja controlada, benéfica e atuando de forma comensal para o animal, qualquer desequilíbrio perde-se a capacidade produtiva. Para ter um organismo saudável é preciso ter a microbiota presente”, evidencia.

O sistema imune intestinal exerce papel importante para o equilíbrio entre a microbiota intestinal e o hospedeiro. É responsável pela defesa contra os microrganismos patogênicos: reações iniciais (imunidade inata) e pelas respostas tardias (imunidade adquirida). “O sistema imune é a principal forma de comunicação entre hospedeiro e bactéria”, cita Raquel.

Meio ambiente e a microbiota

Segundo Raquel, vários estudos foram e estão sendo realizados sobre fatores que afetam a microbiota de aves de postura, no entanto, é difícil, segundo ela, encontrar formas corretas de mostrar os dados sobre qual microbiota, ingrediente, nutriente e aditivo é melhor usar para manipular os tralhados com microbiota em aves de postura, uma vez que o ambiente interfere de forma exponencial nos resultados.

A microbiota do pintainho possui dois fatores: potencial genético e meio ambiente, que pode favorecer ou desfavorecer o potencial genético do animal. “É exatamente neste ponto é que se consegue modular a microbiota, principalmente em animais jovens”, ressalta Raquel.

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Fonte: O Presente Rural
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