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Especialista destaca importância da qualidade de pintinho

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel

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Artigo escrito por Mark Foote, especialista em Incubação da Cobb-Vantress na Europa

Quando se faz a pergunta “O que é boa qualidade de pintinho?”, as respostas podem ser muito diferentes com base na pessoa e no seu papel. Por exemplo, o gerente do incubatório gostaria de ver o máximo de pintinhos de grau A e boa qualidade de cicatrização de umbigo. Já o gerente da granja de frangos quer ver pintinhos bem hidratados, ativos e com baixos níveis de mortalidade, enquanto o veterinário quer ver bons pintos ativos, com umbigos bem cicatrizados e sem infecções. O sexista quer pintinhos incubáveis mais tardiamente porque são mais fáceis de sexar. Vários sistemas de medição têm sido promovidos na literatura para relacionar a qualidade das características do pintinho com o potencial de crescimento e desempenho.

  1. Sistemas de escore visual relacionados com defeitos de pintinhos. Este método é altamente subjetivo e embora rápido e praticado em muitos incubatórios é um mau indicador da mortalidade precoce dos pintinhos.
  2. Peso do pintinho como indicador de peso de 7 dias e a correlação com o peso final. Embora a investigação indique que o peso de 7 dias é um indicador justo do peso final do frango, não há concordância entre os relatórios de investigação sobre a utilização do peso de pintinhos do dia para prever o peso de 7 dias.
  3. O Sistema Pasgar avalia reflexos, cicatrização do umbigo, pernas, bico e anomalias residuais da gema. Estas características dos pintinhos parecem ser indicadores confiáveis da mortalidade precoce dos pintinhos, mas não têm se revelado úteis para as previsões de desempenho dos frangos.
  4. Medições do comprimento do pintinho juntamente com a avaliação da gema residual e da cicatrização do umbigo. Este sistema promove a avaliação da gema residual e da região do umbigo a partir de uma amostra aleatória de 50 pintinhos. Estes fatores estão correlacionados com o risco de infecção por E. coli. O comprimento do pintinho também foi avaliado porque tem uma alta correlação com o desempenho do frango. Desta forma, é possível prever a mortalidade precoce de pintinhos e o desempenho dos frangos.

Ao longo dos anos, a indústria avícola tentou correlacionar os protocolos de incubação ou as características de qualidade dos pintos (qualidade do umbigo, jarretes vermelhos, penas, olhos brilhantes e pintinhos altos e eretos) com níveis de mortalidade de 7 dias. Na prática, a maioria dos incubatórios não teve sucesso em relacionar estas medições com as mortalidades da primeira semana.

Um exemplo de um padrão de mortalidade precoce de pintinhos causado por onfalite (infecção do saco vitelino). Esta infecção é um desafio porque não pode ser detectada no incubatório com inspeção visual. Na realidade, os pintos parecem ser de boa qualidade na chegada na granja.

A questão no incubatório ainda permanece: “como podemos prever a mortalidade dos pintinhos aos 7 dias”?

Para abordar esta questão, foi realizada na Cobb uma série de testes de incubação para avaliar os efeitos dos tempos de incubação na mortalidade precoce de 7 dias. Em cada teste registramos o número de pintinhos nascidos em intervalos de 12 horas. Em cada intervalo de tempo, separamos os pintos nascidos dos ovos que não tinham sido chocados, mas os mantivemos no nascedouro até à eclosão. Pesamos os grupos de pintinhos e identificamos separadamente na granja para registrar os pesos de 7 dias e os níveis de mortalidade.

Nossos dados revelaram a menor mortalidade e os maiores pesos de 7 dias nos grupos de pintinhos que eclodiram cedo na janela de nascimento (24 a 36 horas). Além disso, estes grupos apresentavam o menor rendimento de pintinhos (peso dos pintinhos em percentagem do peso inicial dos ovos).

Primeiramente, é importante notar que você não pode incubar todos os pintinhos ao mesmo tempo e é normal ver uma janela de nascimento de 24 a 30 horas do primeiro ao último pintinho. O tempo de eclosão entre os ovos varia, mas depende amplamente da taxa de desenvolvimento do embrião, onde temperaturas mais altas de incubação aumentam o metabolismo e promovem maior desenvolvimento embrionário e as temperaturas mais baixas reduzem o metabolismo e atrasam o desenvolvimento embrionário. Para uma eclosão e qualidade de pintinho ideais, é fundamental manter uma temperatura e umidade uniformes no nascedouro.

Portanto, perguntamos: o tempo de eclosão influencia os números de mortalidade na primeira semana?

Uma vez que o tempo de eclosão está relacionado com a temperatura de incubação, utilizamos três diferentes perfis de temperatura para incubar os ovos e medimos o impacto destas temperaturas na mortalidade de 7 dias, no rendimento dos pintinhos e no peso corporal de 7 dias. Todos os ovos foram mantidos com as temperaturas da casca do ovo a 100,0°F durante os primeiros 10 dias de incubação. Após 10 dias de incubação, os ovos foram divididos em três grupos e incubados a uma das três temperaturas: 98,5°F (baixa), 100,0°F (normal) ou 101,5°F (alta), e mantidos a esta temperatura até à transferência para os nascedouros. Todos os três grupos foram mantidos separados em três incubadoras individuais (4.800 ovos cada) e todos os ovos tinham o mesmo lote de origem para minimizar as variáveis associadas ao lote ou a idade das matrizes. Na transferência, todos os ovos foram colocados no mesmo nascedouro.

Como mostrado na Figura 3, as altas temperaturas de incubação resultaram num aumento da mortalidade de 7 dias e numa diminuição do peso corporal em relação às temperaturas normais de incubação. A temperaturas de incubação elevadas, o rendimento de pintos foi de cerca de 65%, indicando uma perda excessiva de peso dos ovos e muito provavelmente resultou em pintinhos desidratados. Neste caso, a desidratação impactou no ganho de peso e na mortalidade.

No grupo dos ovos incubados a baixa temperatura (98,5°F), o peso de 7 dias é o mais baixo e a mortalidade de 7 dias é a mais alta. A percentagem de rendimento de pintinhos é também a mais elevada neste grupo. Parece que a baixa temperatura de incubação reduziu a taxa metabólica e/ou atrasou o desenvolvimento, resultando numa menor absorção da gema. A elevada mortalidade de 7 dias pode ter sido o resultado da susceptibilidade à infecção, interagindo com os fatores de stress ambiental.

Há uma variedade de fatores estressantes que podem ter impacto nos pintinhos recém-nascidos antes da entrega na granja. Por exemplo, temperaturas muito elevadas na incubadora, arrefecimento ou sobreaquecimento no processamento dos pintinhos, nas áreas de alojamento e transporte ou na granja podem elevar o stress e a oportunidade de infecções. Os sintomas dos fatores de stress típicos incluem ver os pintinhos ‘ofegantes’ em caixas, devido à falta de ventilação/oxigênio ou ‘amontoados’.

Outras tensões, no entanto, incluindo as correntes de ar frio dirigidas aos pintinhos, quer pelos ventiladores quer pelo vento soprando diretamente para a parte de trás do caminhão, podem também retardar o ganho de peso e tornar os pintos mais susceptíveis à infecção. A temperatura cloacal pode ser utilizada para avaliar o estado dos pintinhos.  A temperatura cloacal normal deve estar entre 40,0°C – 40,6°C para o primeiro dia. A 41,0°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Para reduzir a mortalidade de 7 dias, os gestores de incubação devem concentrar-se no rendimento percentual de pintinhos e na minimização dos fatores de stress. A regra geral é que um pintinho de um dia deve pesar dois terços ou 67% do peso inicial do ovo.  Para alcançar esta perda de peso do ovo de 11 a 13% na transferência. O rendimento de pintinhos é medido a partir dos pesos médios de ovos e pintinhos obtidos de fontes individuais do lote e não se concentra nos pesos individuais de ovos e pintinhos.

O gestor do incubatório deve estar ciente do tempo que um pintinho estará em transporte e ajustar o perfil de incubação em conformidade. O gestor do incubatório deve atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 88 para alojamento de pintinhos a curta distância. Para alojamento de pintos a longa distância, atingir um rendimento de pintos entre 68 – 70. A maior percentagem de rendimento de pintinhos permitirá a perda de peso de pintinhos durante o trânsito, enquanto ainda chegam à granja com o percentual de rendimento de pintinhos próximo do objetivo normal de 66 – 68.

Conclusão

Em resumo, os pontos-chave para a qualidade do pintinho são:

– Adaptar os perfis de incubação para alcançar uma perda de peso ajustada de 11 a 13% por 18 dias de incubação. Os lotes jovens terão uma perda de peso inferior e os lotes mais velhos maiores.

– Atingir um rendimento de pintinhos entre 66 e 68 % para entregas de pintos a curta distância e 68 e 70 para entregas a longa distância.

– Eliminar os fatores de stress após os pintos terem eclodido, ou seja, sobreaquecimento ou falta de ventilação no nascedouro, condições ambientais no processamento dos pintinhos, áreas de espera, transporte e na chegada a granja.

– Evitar o sobreaquecimento, como é comum com ventilação insuficiente ou caixas de pintinhos colocadas demasiadamente próximas e com pouca circulação de ar.

– Evitar correntes de ar frias que possam ser causadas por ventiladores de áreas de espera que sopram sobre os pintinhos.

– Estacionar o caminhão de entrega de frente para os ventos predominantes para que os pintos não fiquem expostos durante a descarga.

Temperaturas de Cloaca devem ser mantidas entre 40°C e 40,6°C a todo o momento no primeiro dia para que os pintinhos mantenham a sua zona de conforto. A 41°C, os pintinhos começarão a ‘ofegar’, o que é uma indicação de stress relacionado com o calor.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Agronegócio 4.0

Qualificação profissional e conectividade são desafios, mas avicultura brasileira é protagonista mundial ao adotar tecnologias

O 4.0 já é uma realidade há algum tempo no agronegócio. As tecnologias disponíveis, e que continuam sendo criadas diariamente, auxiliam toda a cadeia produtiva, desde o produtor rural até a agroindústria.

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Divulgação/OP Rural

O 4.0 já é uma realidade há algum tempo no agronegócio. As tecnologias disponíveis, e que continuam sendo criadas diariamente, auxiliam toda a cadeia produtiva, desde o produtor rural até a agroindústria. Porém, com tantas novidades chegando, algumas dúvidas podem surgir: o setor está preparado? Há pessoal capacitado para lidar com isso? É possível acompanhar tudo e saber o que usar? E o pior: a propriedade tem acesso à internet? Para sanar estas e outras dúvidas, a reportagem de O Presente Rural conversou com o presidente da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) e diretor do Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados no Estado de Santa Catarina (Sindicarne), José Antônio Ribas Júnior.

Para Ribas, a grande pegada quando o assunto são estas tecnologias é a importância das pessoas no processo. “Nós precisamos desenvolver pessoas, porque a tecnologia está andando muito rápido e quem serão os profissionais que vão trabalhar com essa tecnologia. Ainda é um grande desafio desenvolver produtores, transportadores, operadores de granja, de transporte das aves, de ração, de incubatório, de produção. Temos o trabalho de desenvolver não somente o produtor, mas a assistência técnica, veterinários, técnicos, agrônomos, zootecnistas, desenvolver todas essa cadeia de pessoas conectadas a avicultura”, sustenta.

O Presente Rural – São muitas as novas tecnologias que estão surgindo para o agronegócio nos últimos anos. Como a agroindústria está absorvendo todas estas novidades?

José Antônio Ribas Júnior – O novo Vale do Silício do mundo é o agronegócio brasileiro, está acontecendo um movimento extraordinariamente grande, um movimento qualificado e competente de criar soluções tecnológicas para muitas questões dentro do agronegócio. Na atividade de aves e suínos, esse movimento vem sendo ampliado de maneira significativa em inúmeras frentes. O grande drive de absorção de todas as oportunidades tecnológicas que abrem um link de possibilidades que talvez a gente nem tenha a dimensão de entender ainda, porque abre um novo universo de possibilidades, é de analises de dados, de geração de conhecimento, de interrelação de variáveis, de possibilidades de gerar informação, de ler coisas que hoje o olho humano não lê, de conseguir ter a sensibilidade de temas que dependem muito de gente e que você possa tirar isso desse obstáculo é muito grande.

Então como o setor vai pensar e absorver tudo isso? Fundamentalmente é uma eleição de tecnologias que geram resultado, porque a tecnologia em si só não tem fim, ela precisa ser uma tecnologia que gere resultado e esse resultado pode ser desde uma melhoria de qualidade, pode ser uma melhoria de possibilidade de trabalho, de posto de trabalho, pode ser uma redução de custo, uma agregação de valor. Tem vários drives, mas a grande resposta é: o que vai estabelecer que tecnologias que ficam em pé e tecnologias que serão descartáveis é realmente qual resultado que ela gera. E isso todos os fornecedores de tecnologia precisam ter muito claro. Vender tecnologia por si só não muda nada. É muito bonito eu ver coisas na tela do meu celular, eu ter uma inteligência artificial gerando ajustes, fazendo algumas leituras. Mas se isso não gera algum valor agregado, alguma melhoria de resultado, seja na granja desde que for aumentar a eficiência, aumentar qualidade, reduzir custos, seja qual for, não fica em pé.

O Presente Rural – A agroindústria está preparada para absorver todas estas novidades que estão chegando?

José Antônio Ribas Júnior – A agroindústria brasileira sempre foi de ponta na área de aves e suínos, sempre foi protagonista, de vanguarda. O Brasil produz em nível tecnológico que não deixa a desejar para ninguém no mundo. Tem lugares que está robotizado. A gente não pode confundir tecnologia e robotização, são coisas que eventualmente são a mesma coisa, mas toda robotização está dentro da tecnologia, mas nem toda tecnologia é robotização. Nós temos coisas muito mais amplas sob a ótica tecnológica e o setor do agronegócio é vanguarda nisso, no modelo de criação de aves e suínos, vanguarda no jeito de operar essas cadeias, nas competências que transformaram nosso setor no maior exportador de aves do mundo, num relevante de suínos do mundo, de ter o status sanitário que nós temos, de produzir com a qualidade que nós produzimos, com custo competitivo que nós conseguimos alcançar. Isso mostra que é um setor muito receptivo à inovação. Daqui saíram grandes movimentos de produção que hoje são reconhecidos pelo mundo na competência que é feito aqui. Então tenho certeza de que o setor não somente está de braços abertos, como ele é participante desse processo, mais do que isso, ele é construtor desse processo, somos autores desse processo. O setor vem construindo soluções e vem gerando tecnologias e ele é puxador de todo esse processo.

O Presente Rural – O que existe de novo que a agroindústria está usando?

José Antônio Ribas Júnior – Tem muita coisa de novo sendo trazido de tecnologia. Desde tecnologias de imagem, que permite através de câmeras de vídeo fazer a leitura de peso de animais, de grano de peso, de comportamento animal, para que a gente amplie mais ainda a nossa competência de bem-estar animal, por exemplo, porque fica menos dependente do homem, do operador, de ter a percepção, que eventualmente ele não enxerga aquilo que está acontecendo. Então temos câmeras de vídeos fazendo esse movimento, nós temos ciência de dados conseguindo fazer análises estatísticas de uma amplitude de informações muito maior e permitindo decisões melhores, mais qualificadas. Nós temos também ganho de tempo de resposta da qualidade de análise de dados, pela capacidade desses dados transitarem e serem analisados. Esse tempo de resposta tem valor. Enfim, tem uma amplitude de novas tecnologias acontecendo de uma maneira muito grande.

Tecnologias ampliando e substituindo alguns produtos, até trazendo a possibilidade de gente fazer uma ração mais qualificada, produzindo probióticos, prebióticos, que substituem antibióticos, ou seja, é mais saúde, super conectado ao One Health, que é o conceito da saúde única, é o conceito de nós evitarmos as resistências bacterianas, de melhorar a sanidade e saúde de toda a produção. Enfim, têm muitas tecnologias chegando, sem contar todo esse aparato tecnológico que hoje está embarcado em um galpão de aves, um galpão de suínos, que permite o controle de muitas variáveis, como temperatura, umidade, concentração de gases, disponibilidade de comida e água. Há uma série de tecnologias sendo embarcadas hoje em todo o sistema, tecnologias de rastreamento, que permitem o movimento de monitoramento das rações por transporte, da logística, otimizando a logística, com ganhos para o planeta, porque você reduz consumo de combustível, você permite segurança, porque isso também permite que a gente monitore se os caminhões estão respeitando as regras de trânsito, por exemplo. Têm muitos ganhos na qualidade de vida, na qualidade da produção e na eficiência do sistema de criação. Eu sou muito empolgado com essa ideia porque ela vai permitir que a gente construa muitas soluções novas e ofereça muita eficiência ao sistema. Mas, de novo, sempre gerando resultado.

O Presente Rural – Pode citar algumas tecnologias que surgiram, mas ainda está difícil de serem “aproveitadas” pela agroindústria?

José Antônio Ribas Júnior – Têm muitas tecnologias que ainda carecem de viabilidade, delas conseguirem mostrar seus resultados. Essas tecnologias de imagem que eu citei ainda estão passando por calibração, por aprendizado, os algoritmos precisam aprender mais isso, leva tempo de você botar muita informação para dentro para acontecer esse aprendizado. Há outras tecnologias que ainda têm problemas de alto custo, ainda são caras para serem acessadas e isso vai passar por um tempo para a gente conseguir construir soluções mais baratas, conseguir desenvolver tecnologias internamente no Brasil, então também passam por este processo. Nós temos um exemplo muito claro, que a poucos anos atrás a produção de energia fotovoltaica era um pouco proibitiva, o custo benefício era ruim, hoje já está muito mais acessível, então mostra que o tempo vai trazendo soluções mais assertivas ainda. Uma grande dificuldade que existe no Brasil ainda é a conexão, a transmissão de dados, ainda muito precária no meio rural e isso também traz um pouco de restrição, porque essa integração de informação, toda essa conectividade vai passar por esses obstáculos que é são, por exemplo, a conectividade.

O Presente Rural – Percebe-se que, mesmo com tantas novidades surgindo quase que diariamente, ainda falta alguma inovação chegar a agroindústria? Qual seria?

José Antônio Ribas Júnior – Com certeza ainda faltam inovações chegarem ao nosso setor. Nós ainda temos uma desafio muito grande com o meio ambiente de reduzir a nossa pegada de carbono, então a gente precisa olhar para essa cadeia de maneira mais ampla ainda para eficiência na produção dos grãos, para eficiência do consumo e da transformação desse grão em proteína animal, ainda há muito o que se buscar de conseguir dar mais ciência aplicada à produção de milho dedicado ao frango, ao suíno, soja dedicada a essas espécies, têm muitas coisas por fazer ainda que podem trazer resultados para o planeta, porque isso é eficiência da cadeia de produção, que traz dentro do seu escopo esse conceito de sustentabilidade.

Nós ainda precisamos desenvolver o melhor uso da água, o uso racional da água ainda é uma oportunidade. Nós temos uma oportunidade para ampliar mais ainda o bem-estar animal, então ainda tem temas muito importantes a serem desenvolvidos e que. Tenho certeza que com essas novas tecnologias chegando, esse grande número de empresas e pessoas estudando e olhando para o agronegócio, porque o agronegócio virou algo atrativo para o mundo inteiro. Nós estamos vendo o presidente da Microsoft investindo em agronegócio, o presidente do Facebook olhando para questões do agronegócio, o Google olhando para o agronegócio, ou seja, o agronegócio parte de um pressuposto muito simples: é dali que o mundo se alimenta. Independentemente do que você opta por alimentação, essa alimentação virá do agronegócio, então por isso que ele está ganhando tanta relevância. Mas ainda há muita tecnologia. Nós ainda precisamos fazer o alimento chegar no prato de muita gente, então também vamos precisar do apoio da tecnologia para chegar ao prato de muita gente que hoje não consegue ter um prato de comida qualificado na sua mesa. Há muita coisa a ser feita ainda.

O Presente Rural – Quais são os desafios que a agroindústria vem enfrentando quando o assunto são estas novas tecnologias 4.0?

José Antônio Ribas Júnior – Um dos grandes desafios do 4.0 é a conectividade, a transmissão de dados, sem nenhuma dúvida. Ela ainda é um dos grandes problemas, a cobertura de 3G, 4G, no meio rural, no setor de produção é muito fraca ainda e isso limita. O mundo quer falar de 5G, mas nós ainda temos limitações muito grandes de cobertura, obstáculos bastante importantes. Mas eu quero botar um ponto aqui que é muito relevante, que talvez seja um dos grandes temas do agronegócio: nós precisamos desenvolver pessoas, porque a tecnologia está andando muito rápido. Quem serão os profissionais que vão trabalhar com essa tecnologia? Ainda é um grande desafio desenvolver produtores, transportadores, operadores de granja, de transporte das aves, de ração, de incubatório, de produção. Temos o trabalho de desenvolver não somente o produtor, mas a assistência técnica, veterinários, técnicos, agrônomos, zootecnistas, desenvolver todas essa cadeia de pessoas conectadas a avicultura. Que profissional nós precisaremos ter nesse novo mundo da tecnologia? Esse é um trabalho de desenvolvimento grande que as agroindústrias tem feito. Temos chamado a universidade, a academia para dentro dessa discussão, para que a academia se conecte a isso, entenda essa necessidade, essa demanda, e trabalhe junto conosco para desenvolver esses profissionais e para disponibilizar ao mercado um profissional qualificado para este mundo. Essa geração nova já vem muito conectada a essas tecnologias, mas estão conectadas às tecnologias para o seu uso pessoal, para as suas questões pessoais.

Agora, como você interage com essas tecnologias profissionais, com essas tecnologias de processo, com essas tecnologias da cadeia de produção de maneira a fazer elas darem o resultado que se espera? Esse é um grande trabalho de desenvolvimento que vem sendo feito, academias de treinamento, lives, webinares, enfim, muita coisa tem sido buscada. A gente aprendeu com a pandemia o uso das tecnologias, das videoconferências, de acessar pessoas com imagem, então nós temos que buscar muito disso para fazer desenvolvimento, um trabalho contínuo e muito importante para que a gente vá desenvolvendo as pessoas para tirarem o máximo proveito da tecnologia.

O Presente Rural – Como o senhor, como um profissional da agroindústria, vê a chegada destas novas tecnologias e a adaptação que as empresas estão tendo que fazer para poder usá-las ao máximo?

José Antônio Ribas Júnior – A chegada das novas tecnologias olhamos com muito otimismo, uma percepção, um mundo de oportunidades que pode se abrir, de ganhos de eficiência, seja por tempo de resposta aos problemas, quando a gente conseguir conectar essa enormidade de dados que nós manuseamos de uma formulação de ração, de um pintinho que é produzido, de um controle de ambiência que esse animal é submetido, todas essas variáveis, do jeito de transportar, do controle de transporte, quando todas essas variáveis começam a se integrar e interagir, serem cruzadas e serem correlacionadas nós podemos ter muitos aprendizados, podemos melhorar e qualificar muito a nossa decisão, podemos ganhar em eficiência. Há essa expectativa de que nós temos realmente que tirar resultado disso e em um curto prazo. É obvio que isso é uma jornada muito extensa, mas a gente precisa ir conquistando terreno e gerando resultado, porque isso vai motivando o produtor, o colaborador, as lideranças da empresa a investir cada vez mais em tecnologia porque ela vai dando resultado, a se aprimorar nos uso dela e tudo isso trazer benefícios para toda a cadeia de produção.

O Presente Rural – Em comparação com outros países, como o Brasil está na adesão destas novas tecnologias 4.0?

José Antônio Ribas Júnior – Todos os países do mundo estão trabalhando em cima do 4.0, existe muita ciência em cima disso. Mas eu não tenho nenhuma dúvida que o Brasil está puxando muito desses temas. Porque no Brasil o campo tem sido muito fértil para o desenvolvimento das tecnologias, o uso delas e para realmente fazer elas serem realmente relevantes no processo de produção. O Brasil não está atrás de nenhum país. Obviamente que alguns países que já detêm muito conhecimento científico e muita competência na produção da tecnologia, que consegue produzir, até porque o Brasil ainda é depende da importação de muitos itens tecnológicos, esses países acabam tendo essa vantagem competitiva. Mas o que nos difere é que o protagonismo do setor, a interatividade de toda essa cadeia que é integrada consegue fazer com que a velocidade nossa consiga ser muito grande porque o sistema de integração, sistema cooperativo, são alavancagem importantes nesse processo porque eles conectam o produtor muito rapidamente a estas tecnologias e fazem o filtro de quais tecnologias realmente são relevantes porque se não o produtor fica exposta o que chega até ele pode não ser a melhor tecnologia ou que não esteja atendendo seu objetivo. As cooperativas, as agroindústrias, todo o sistema de integração da produção de aves e suínos tem essa competência de fazer essa filtragem, trazer o que há de melhor e de colocar os seus especialistas a estudar cada vez mais para que o que chegue ao produtor chegue de maneira mais assertiva. Isso faz com que o Brasil ganhe uma velocidade muito grande. A gente vem observando que aqui no Brasil esse processo tenha andado muito mais rápido, o que acontece nesse mundo digital aqui no Brasil impressiona o mundo inteiro, porque a gente vem desenvolvendo muitas soluções de uma maneira muito rápida.

Outro ganho da tecnologia que é muito relevante é que ela está trazendo um benefício adicional muito bonito, que é a atratividade para os jovens da atividade de aves e suínos. Há 25 anos, quando eu era extensionista, a gente tinha uma preocupação muito grande com isso no meio rural, com o envelhecimento do campo. Hoje a gente vê muitos filhos de produtores muito atraídos pela atividade, ficando na granja, querendo conduzir o negócio, porque perceberam na tecnologia uma melhor qualidade de vida, facilitou muito o trabalho, deixou o trabalho menos braçal e muito mais intelectual, e essa turma, a nova geração, que está chegando se atrai muito por isso. Então está sendo também um instrumento de fixação de mão de obra no campo, de atratividade para o jovem e ele vai fazer um upgrade em tudo isso porque ele vem com essa vontade, com esse apetite pela tecnologia, então estamos conseguindo inclusive este ganho.

O Presente Rural – O senhor pode citar alguns exemplos de quais são estas tecnologias de IA, Big Data, entre outras, na avicultura?

José Antônio Ribas Júnior – Têm muitos exemplos de tecnologia que existem hoje. Na avicultura existem painéis de controle integrado de tudo o que acontece no ambiente do aviário, que aquele painel já faz a leitura de temperatura, da umidade, da ventilação, da luminosidade, da sensação térmica, da quantidade de gás presente, e o próprio painel já decide qual equipamento ligar, quando ligar, e faz todo esse gerenciamento. Isso já é um algoritmo, uma inteligência dentro do sistema gerenciando o processo. Já existem sistemas disponíveis que inclusive podem tomar a decisão de rapidamente reagir a qualquer situação imprevista, olhando até para o consumo de ração do animal, seja de aves ou de suínos, do consumo de água, e também já tomar a decisão, existe já a tecnologia que consegue, ao você fotografar um animal, ter um diagnóstico de qual é o problema que aquele animal pode estar passando, qual é a dificuldade, até mesmo qual é a própria doença, baseado em alguma sintomatologia ou sinal que o animal pode estar passando e que isso ajuda o produtor a fazer o seu diagnóstico.

Já existe muita ciência de imagem, gerando peso dos animais, gerenciando em tempo real o peso dos animais, existem imagens trabalhando para fazer a qualificação do animal no abate, para fazer a leitura de qualidade daquele animal, e com isso permitir que você diferencie qualidade e possa também remunerar meritocraticamente por qualidade, ou que você possa destinar um tipo de característica de um animal para um produto A ou B. Tudo isso já são tecnologias que estão aí. E agora com a chegada da nuvem, a possibilidade que já está acontecendo de jogar dados na nuvem e você ter uma possibilidade de administrar um número de dados muito maior, interrelações muito maiores também já é uma situação que já está disponível.

O Presente Rural – Além da agroindústria, outros elos da avicultura estão preparados para absorver todas estas novas tecnologias?

José Antônio Ribas Júnior – O setor já está sim preparado para tudo isso, o setor vem se preparando para isso e já falava em tecnologia na década de 1980 quando começaram a automatizar processos de criação. Como eu falei, o setor é muito protagonista nisso, tem uma capacidade de inovação impressionante, se reinventa a cada crise, entendendo que precisa buscar soluções. Então, o setor está preparado para tudo isso, sim. Obvio que sempre buscando mais e melhor conhecimento para administrar tudo isso, investindo nos profissionais. Eu pessoalmente acredito muito nessas soluções, nós estamos investindo como setor, como empresa, como profissional neste processo porque acreditamos que ele vai trazer melhores resultados do que nós operamos hoje e isso, em última análise, para mim, tudo isso tem uma conexão superimportante que é a sustentabilidade. Nós vamos ser mais eficientes sob todas as óticas, mais eficientes socialmente, porque vamos ser mais includentes, em governança porque vamos administrar melhor, dar mais transparência sob a nossa gestão, vamos poder mostrar em tempo real o que a gente fala e faz, e vamos ser mais eficientes no consumo dos recursos naturais do planeta. Tudo isso vai trazer um resultado muito positivo e a gente acredita muito nisso.

Hoje todas as empresas estão assumindo compromissos de sustentabilidade, tem esse conceito novo do ESG, que traz o meio ambiente, social e governança, e tudo isso já está conectado. Essa tecnologia vai permitir a gente conquistar melhores resultados, mais eficiência e fundamentalmente mostrar ao consumidor que é, em última análise, o grande beneficiário de tudo isso, porque ele vai poder acessar um produto muito mais sustentável no seu prato, com muito mais qualidade. A gente vai poder atingir melhor esse consumidor, desde aquele que vai poder acessar pela primeira vez um prato de comida qualificado até os mais exigentes que vão poder ter um acesso à informação diferenciado, mostrando o quão competente é o nosso sistema de produção.

O Presente Rural – Como o senhor vê o comportamento do setor quanto a estas novas tecnologias?

José Antônio Ribas Júnior – Consegue cobrir todos os assuntos deste tema que são superimportantes nesse processo. Nós não podemos perder de vista os drives que conduzem tudo isso. Da gente cuidar melhor de gente, de todas as pessoas que estão envolvidas na cadeia de produção, melhorando a qualidade de vida delas, através das tecnologias, através da facilidade das rotinas de trabalho, através da eficiência do trabalho. Nós temos que cuidar do meio ambiente e a tecnologia nos ajudará com isso, usar melhor os recursos naturais, mostrar à sociedade o quão somos comprometidos com o meio ambiente, que isso já é um DNA do setor, mas vamos poder mostrar isso com mais clareza. A gente vai poder dar muita atenção a toda a eficiência e qualificação dos nossos produtos, dando condição de melhorar bem-estar animal mais ainda, esses conceitos de One Health, de redução de antibióticos, enfim, tem inúmeros ganhos associados a isso. Tudo ao seu tempo, tudo construído com muita seriedade, com muita responsabilidade para que a gente vá construindo dias melhores à frente.

Sou um otimista sobre isso, mas com muito realismo, para que a gente não queira desenhar algo excepcional e deixe de fazer o que é bom, para a gente ir fazendo um passo de cada vez realmente com essa sensação de que estamos construindo um caminho certo. Muitos aprendizados acontecerão, mas estamos superabertos para esses aprendizados. Eu pessoalmente tenho aprendido muito nesse segmento, nesse setor, das oportunidades que a gente pode aproveitar. Não tenho dúvidas de que estamos construindo dias melhores à frente porque todos nós estamos muito imbuídos de entregar um planeta melhor para as próximas gerações, produzindo alimentos de maneira muito correta e transparente para que toda a sociedade tenha muito orgulho da produção de proteína que nós fazemos.

O produtor do agronegócio tem uma capacidade muito grande de gerar qualidade de vida, não somente por toda a economia que ele movimenta, mas também nos indiretos para toda a sociedade, até porque é um setor que gera movimento econômico, que traz investimentos, que geram mais empregos, emprego gera mais consumo, consumo gera mais movimento econômico que gera mais empregos, que gera mais consumo. Veja que a gente alimenta uma roda de ganhos sociais, econômicos e agregação de valor para a sociedade que é muito grande. E o que a gente quer fazer é que a tecnologia facilite tudo isso. E em outro viés que melhore muito o nosso nível de comunicação com o nosso cliente, com o nosso consumidor, com a sociedade, mostrando como que a gente produz para que tenham segurança, que nós cuidamos de todos os aspectos de sanidade, de saúde, de bem-estar, das pessoas para que possam consumir um alimento de maneira muito tranquila de que estão cuidando do planeta, das pessoas e dos animais. Tudo isso nos reserva benefícios muito grandes para serem conquistados.

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Avicultura Avicultura Moderna

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Produtor de São Miguel do Iguaçu, no Paraná, comenta que as novidades que chegam no mercado são muito interessantes, mas muitos avicultores podem ter dificuldades de usar as ferramentas.

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Francine Trento/OP Rural

Novas tecnologias chegam quase que diariamente no setor produtivo do agronegócio. Elas são para as mais diferentes funções, que ajudam o produtor desde a gestão do negócio, como no controle do ambiente e na nutrição das aves. Absorver tantas novidades pode ser um desafio ao produtor, principalmente se ele não estiver tão “aberto” a tudo que está chegando.

Leandro Zatta é avicultor. Ele possui dois aviários na cidade de São Miguel do Iguaçu, cidade a aproximadamente 40 quilômetros de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Cada aviário tem a capacidade de alojamento de aproximadamente 30 mil aves por lote. O projeto para entrar no setor começou há quase um ano. Dessa forma, Zatta teve a oportunidade – e vontade – de usar todas as mais novas tecnologias possíveis a seu favor desde a construção dos espaços.

Os dois aviários são do modelo dark house, que usa luz artificial na criação. Entre as tecnologias adotadas estão sistemas de acompanhamento online e remoto, câmeras de segurança e painéis solares. “Montamos essa propriedade em família, sendo eu e os meus pais”, comenta. O avicultor explica que toda a estrutura do aviário foi pensada para haver conexão. “O painel utilizado tem conexão via internet. Além de ter também os exaustores automáticos, a questão da oferta de comida do frango ser toda automática, eu também tenho uma balança interna que calcula o peso dos frangos e vários sensores que medem temperatura e umidade. Tudo isso em tempo real”, menciona. “Qualquer coisa dentro do aviário eu consigo ter acesso pelo celular”, comenta.

Para todo o controle o produtor conta com um painel de alta tecnologia desenvolvido por uma empresa particular. “O painel já é dimensionado para ter acesso online. Além do painel, o único investimento que tive foi o de colocar internet dentro dos aviários, para ter todo o sistema WiFi e, assim, ter acesso a todas as informações. Tenho tudo conectado. E para ter acesso aos dados mais tarde, eu somente preciso entrar no site da empresa. Eu poderia ter aviário em qualquer lugar que eu teria acesso em tempo real”, afirma.

Outro grande investimento feito pelo avicultor foi a instalação de placas solares na propriedade. “O maior custo que temos hoje na atividade é com energia elétrica. É o que mais impacta. Então começamos a estudar e percebemos que o valor que investiríamos nas placas se pagaria somente com o que já gastamos de energia. Vimos que isso deu certo. E assim as placas abastecem os aviários e toda a propriedade, que conta ainda com casas e motores para fazer silagem aos animais (bovinos)”, comenta.

Tudo o que chega é novidade 

Como começou na atividade há quase um ano, Zatta comenta que todas as tecnologias que chegam até ele e à família são novidade. Porém, sabe que a tecnologia é uma faca de dois gumes. “Ao mesmo tempo que é algo bom é também ruim se o produtor tem dificuldade em manusear ou aprender. Assim, alguns acabam sofrendo”, diz. Ele explica que os aviários são uma parceria com os pais, mas sabe que muitas das tecnologias não poderiam ser utilizadas se somente o pai, menos íntimo dos equipamentos tecnológicos, fosse o responsável. “Quando pensamos em colocar as tecnologias, sempre pensamos no quesito funcionalidade. Porque eu também trabalho em outro lugar, então não posso ficar o dia todo nos aviários. Mesmo com a parceria com os meus pais, sei que eles não têm a facilidade em manusear estes controladores como outra pessoa teria”, afirma.

Dessa forma, comenta o avicultor, adquirir as tecnologias que permitam que ele faça a maioria das atividades de forma remota foi essencial para o sucesso da atividade. “O que mais me chamou a atenção foi justamente saber o que está acontecendo em tempo real, mesmo não estando na propriedade, e poder controlar tudo, como ganho de peso, consumo de água e temperatura, por exemplo. Facilita muito essa gestão do negócio”, diz. Se alguns desses indicadores, como GPD ou consumo de água, por exemplo, estiver, fora das linhas indicadas, o produtor pode tomar medidas corretivas imediatamente.

Zatta ainda menciona que sabe que existem ainda muitas tecnologias para o setor, que surgem diariamente. “Às vezes, até porque questão financeira, a gente não consegue acompanhar tudo. Mas o que eu sei é que estas novas tecnologias demandam muita curiosidade do produtor e a vontade dele de ter um resultado melhor. Para ter o básico é fácil, mas para se diferenciar é preciso investir nas tecnologias”, afirma. O avicultor sabe que o que possui hoje nos aviários não é tudo que existe, mas tem sido o suficiente até o momento. “São muitos detalhes dos aviários que tenho o controle na palma da minha mão”, diz.

Zatta ainda comenta que quando o assunto é a aquisição de algo novo, o primeiro passo é fazer a conta para ver se aquele produto ou serviço é necessário. “Hoje em dia qualquer recurso já muda a gestão da propriedade, mas é preciso que ele se viabilize. Assim eu vou fazer um investimento que eu vejo que vai agregar valor futuramente e melhorar a questão do frango, eu vou tentar adotar”, comenta. O produtor sabe que muitas das tecnologias que surgem são também ainda caras e, por enquanto, não são viáveis. Mesmo assim, os aviários já foram construídos pensando em adotá-las assim que possível. “Os dois espaços já foram pensados em tecnologias futuras que podem ser implementadas”, diz.

Fonte: OP Rural
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Você sabia que a qualidade do ar da sua granja pode interferir nos seus ganhos?

Sabemos que existem diversos fatores contraproducentes que interferem na vida diária dos produtores de qualquer ramo do agronegócio. As condições climáticas, ambientais, econômicas, tecnológicas, entre tantas outras, fazem parte deste cenário.

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Sabemos que existem diversos fatores contraproducentes que interferem na vida diária dos produtores de qualquer ramo do agronegócio. As condições climáticas, ambientais, econômicas, tecnológicas, entre tantas outras, fazem parte deste cenário. Junto a isso, a má qualidade do ar prejudica fortemente os resultados de granjas de aves, suínos e de outros animais, pois o contato direto de gases nocivos com o plantel, podem causar perdas irreversíveis no desempenho dos lotes, impactando na produtividade da sua granja.

Diariamente, presenciamos granjas novas e antigas passando por reformas e modernizações, na busca de inovações que facilitem o trabalho cotidiano. A implantação de tecnologias, possibilita o gerenciamento e o controle de variáveis de climatização, alimentação e consumo, pesagem e iluminação. Logo, a granja torna-se um ambiente favorável ao bem-estar dos animais, proporcionando melhor desempenho da produção e mais qualidade de vida para as pessoas que nela trabalham direta e indiretamente.

“Atualmente, o termo “bem-estar” está amplamente difundido, não só visando as melhores condições humanitárias de criação, mas também o aumento da produtividade do rebanho, ou seja, animais em adequadas condições de ambiente, são animais que possuem ambiente e instalações com ótimas condições de temperatura e umidade, além de um adequado convívio social”.

Isso tudo traz grandes benefícios para as atividades de criação. Novas soluções em tecnologia e automatização possibilitam colocar mais animais na granja, melhorar os índices de conversão alimentar, apurar com mais precisão o ganho de peso, a idade do abate, entre outros. Garantindo assim melhor eficiência e mais rendimento na produção.

Elementos primordiais

Existem elementos primordiais para o bom funcionamento da granja, pois com a modernização e a climatização, esta torna-se um ambiente mais suscetível ao acúmulo de gases dentro de suas instalações. Muitas vezes, de maneira equivocada, o produtor acredita ser possível fazer o manejo da forma tradicional, ou seja, “como sempre foi feito” até então, herança do tempo em que as granjas eram totalmente abertas. Os manejos de cortinas eram feitos manualmente, a renovação do ar acontecia nos momentos em que era fornecida a ração aos animais, hora em que também era feita a limpeza e o processo de movimentação de cama, no caso dos avíários. Atualmente, estes processos tornaram-se obsoletos.

Na produção de suínos, a qualidade do ar é um risco de atenção constante e está diretamente relacionada ao metabolismo dos animais. Estes liberam calor, umidade e dióxido de carbono, provenientes de sua respiração, gases oriundos da sua digestão e poeira, além de outros gases provenientes de dejetos. Desta forma, a exposição constante a altos níveis de concentração de substâncias tóxicas pode reduzir consideravelmente o desempenho zootécnico dos animais.

Uma solução indispensável para amenizar este fator de risco é ter um sistema de ventilação e troca de ar que mantém a concentração de partículas suspensas em níveis adequados para não prejudicar os animais.

Pesquisadores destacam que os gases mais presentes nas instalações para suínos são amônia, sulfeto de hidrogênio (ou ácido sulfídrico) e dióxido de carbono. No inverno, quando a ventilação é reduzida para manter o calor, a concentração desses gases aumenta dentro das instalações.

Riscos e oportunidades para avicultura

Na produção de aves, a atenção aos riscos com gases nocivos, principalmente, o dióxido de carbono (CO2) também deve ser contínua. Seus níveis devem ser monitorados com frequência, pois muitos são inodoros e incolores, dificultando a sua percepção no ambiente. A desatenção por parte do produtor para a renovação do ar pode elevar os índices de concentração desses gases rapidamente dentro das instalações. Lotes de animais sem uniformidade e de baixo rendimento são consequências de um processo de monitoramento ineficiente.

Estudos realizados em campo comprovam que a alta concentração de CO2 é prejudicial ao desempenho dos animais. Com a saúde debilitada, estes não conseguem expressar seu máximo potencial de desenvolvimento, o que resulta em carne de má qualidade e até mesmo no aumento do índice de mortalidade.

Diante disto, é evidente que o controle adequado do nível de CO2 nos galpões auxilia no melhor desenvolvimento dos animais e consequentemente, torna a produção mais eficiente e mais rentável.
Executar práticas de manejo conforme as orientações sugeridas pelo departamento técnico que atende a granja e, principalmente, estar atento às novas tecnologias ofertadas no mercado para fazer a troca do ar e uniformizar a ventilação dentro dos galpões são medidas que podem ser tomadas para evitar que o CO2 afete e prejudique o desempenho biológico dos animais.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato via: gustavo@inobram.com.br.

Fonte: OP Rural
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