Avicultura
Especialista aponta desafios e novas estratégias na luta contra a Salmonella
Médico-veterinário Fernando Ferreira detalha fatores de risco a campo para controle de Salmonella spp., enfatizando a relevância da realização de estudos focados na prevenção da enfermidade.

Garantir a segurança alimentar e a sanidade das aves são prioridades da cadeia avícola brasileira. Durante o 24º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, realizado em abril na cidade de Chapecó (SC), o médico-veterinário Fernando Ferreira, especialista em Saúde Pública e coordenador geral de Prevenção e Vigilância em Saúde Animal (CGVSA) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), abordou os fatores de risco a campo para controle de Salmonella spp., enfatizando a relevância da realização de estudos focados na prevenção da enfermidade.

Médico-veterinário, especialista em Saúde Pública e coordenador da CGVSA do Ministério da Agricultura e Pecuária, Fernando Ferreira: “Só se controla o que se conhece e exatamente por isso é fundamental que ocorram investigações dedicadas com posterior aplicação de medidas de controle, que devem ser periodicamente reavaliadas” – Foto: Arquivo pessoal
Em sua palestra, Ferreira aprofundou os desafios do controle da bactéria na avicultura. Segundo ele, diversos aspectos podem contribuir para a contaminação dos lotes, desde a origem das aves até a higiene da granja: através da aquisição de animais contaminados oriundos de matrizes infectadas, infecção cruzada no incubatório e equipamentos contaminados, contaminação ambiental nos galpões de criação devido ao baixo nível de higiene na granja, presença de roedores e insetos, limpeza inadequada e falta de vazio sanitário entre lotes, além da contaminação dos alimentos e da água potável.
O profissional destaca ainda que foi realizado um trabalho de campo com a execução do Termo de Execução Descentralizada (TED/Embrapa/Mapa), cujo resultado será apresentado em sua palestra, envolvendo a aplicação de questionários para identificar os fatores de risco associados.
Conforme Ferreira, o estudo teve como objetivo promover a identificação dos fatores de risco avaliados por meio do caso-controle realizado em estabelecimentos avícolas de Santa Catarina. “O estudo buscou relacionar a presença de Salmonella spp. em granjas envolvidas em surtos identificados no período do desenvolvimento do estudo com variáveis associadas à biosseguridade, investigadas por meio de aplicação de questionário estruturado. Adicionalmente, buscou-se avaliar a presença deste agente em amostras de diferentes fontes potenciais de contaminação – poeira, bebedouro, comedouro e ambiente – obtidas nas granjas selecionadas para inclusão no estudo”, explicou, acrescentado que o estudo foi realizado em parceria com a Divisão de Sanidade das Aves do Mapa, com a Embrapa Suínos e Aves, e contou com apoio da Universidade de São Paulo (USP), da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc) e do Centro de Diagnóstico de Saúde Animal (Cedisa).
Densidade populacional
A densidade populacional das aves em uma granja avícola desempenha um papel preponderante na disseminação de Salmonella spp. e de outras doenças. “Manejos com alta densidade de animais exigem uma maior dedicação na detecção de ocorrência de doenças, uma vez que a presença de um agente patogênico pode se propagar mais rapidamente em um ambiente com grande concentração de aves”, frisa Ferreira.
Nesse contexto, a atuação do responsável técnico se torna ainda mais fundamental, a fim de que se busque uma detecção rápida para ação precoce, visando promover um controle eficaz dos agentes em circulação nos sistemas de produção avícola. “Essa abordagem proativa é essencial para mitigar os riscos à saúde das aves e dos consumidores, garantindo a segurança alimentar e o bem-estar animal”, enaltece.
Qualidade da água
A água e a ração devem ser provenientes de fonte segura, na qual seja possível identificar a ausência de patógenos e contaminantes. “Tanto a ração como a água fornecidas às aves devem ser isentas de patógenos que ofereçam riscos à saúde dos animais, por isso é importante a realização de análises microbiológicas frequentes associadas a tratamento que promova a eliminação e/ou controle de patógenos que possam ser veiculados pela água e ração aos animais”, pontua.
Ferreira também reforça que os silos de ração devem estar localizados próximos às cercas, visando o abastecimento sem acesso à unidade de produção. “Os silos devem permanecer
tampados de forma a impedir o acesso de moscas, ratos e pássaros ou outras aves de vida livre”, reforça.
Conforto térmico
Em relação aos efeitos do ambiente de criação, como temperatura e umidade, na sobrevivência e disseminação de Salmonella em frangos de corte, Ferreira destaca que esses dois fatores são frequentemente mencionados como predisponentes para ocorrência e sobrevivência de bactérias de maneira geral, sem mencionar os efeitos no animal. “Deve-se buscar o controle mais favorável possível, pensando na ave e na transmissão/disseminação dos agentes etiológicos. Manter condições ambientais adequadas, incluindo controle preciso de temperatura e umidade, é essencial para minimizar o risco de infecção por Salmonella e garantir o bem-estar das aves. Além disso, estratégias de manejo que promovam a higiene e a saúde das aves são fundamentais para reduzir a prevalência e a disseminação de Salmonella na produção avícola”, expõe.
Práticas de biossegurança
Programas de biosseguridade devem ser concebidos e implementados com base nos riscos de doença existentes e no status relacionado a estas. Isso inclui a revisão contínua da eficácia das medidas implementadas, a fim de identificar lacunas e adaptar os objetivos e métodos conforme necessário. Essa abordagem torna cada programa de biosseguridade único em sua aplicação.
No entanto, de maneira geral, se os estabelecimentos aplicarem as medidas previstas na Instrução Normativa nº 56/2007, podem obter redução do risco de ocorrência de Salmonella spp. e outros agentes etiológicos. Essas medidas estão divididas em três grandes dimensões: na primeira dimensão deve-se avaliar a localização geográfica e a proximidade com áreas de alta densidade produtiva, sítios de aves migratórias ou áreas urbanas e estradas; na segunda dimensão estão as questões estruturais, que compreendem as cercas, barreiras existentes, características internas do galpão e quaisquer equipamentos associados que possam contribuir na prevenção e adição de isolamento. E a terceira dimensão contempla as questões operacionais, que envolvem os protocolos e programas instituídos, ou seja, as atividades executadas com vistas à prevenção de patógenos. “Juntas,
essas atividades podem contribuir com a prevenção, monitoramento e controle das diferentes doenças que acometem o sistema de produção avícola”, frisa o profissional.
Medidas de controle
Para o controle de Salmonella spp. o foco é sempre a prevenção, por meio da adoção de medidas de biosseguridade e procedimentos operacionais que visam prevenir, controlar e limitar a exposição das aves contidas em um sistema produtivo a agentes causadores de doenças. “A eficácia se dá justamente pela adoção conjunta, uma vez que é um agente etiológico de origem multifatorial”, menciona o médico-veterinário.
As ações com foco em biosseguridade estão previstas no Programa Nacional de Sanidade Avícola (PNSA), que define, por meio da Instrução Normativa nº 56/2007, os procedimentos para o registro, a fiscalização e o controle sanitário dos estabelecimentos avícolas de reprodução, comerciais e de ensino ou pesquisa. “As monitorias periódicas vão sempre oferecer informações, acerca da presença do agente. Só se controla o que se conhece e exatamente por isso é fundamental que ocorram investigações dedicadas com posterior aplicação de medidas de controle, que devem ser periodicamente reavaliadas”, ressalta.
Além disso, há previsão de risco diferenciado contemplado na Instrução Normativa nº 10/2013, que define um programa de gestão de risco diferenciado, baseado em vigilância epidemiológica e adoção de vacinas para os estabelecimentos avícolas considerados de maior susceptibilidade à introdução e disseminação de agentes patogênicos no plantel avícola nacional, bem como para estabelecimentos avícolas que exerçam atividades que necessitam de maior rigor sanitário.
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Avicultura
A nova régua da competitividade do frango brasileiro no exterior
Brasil tem vantagens produtivas, mas precisa ampliar indicadores e transparência para acompanhar mudanças nos mercados compradores.

O Brasil consolidou sua posição como maior exportador mundial de carne de frango, mas a manutenção dessa liderança passa a depender de critérios que vão além da capacidade produtiva e da eficiência industrial. Sustentabilidade, rastreabilidade, sanidade e bem-estar animal passaram a integrar as exigências de compradores internacionais, investidores e mercados consumidores.
A avaliação consta na terceira edição do Observatório do Frango, iniciativa da Alianima que analisou os principais movimentos que impactam a avicultura brasileira diante das mudanças no mercado global de alimentos.

Médica-veterinária, PhD em Ciências Veterinárias e especialista em bem-estar de aves na Alianima, Ana Paula Souza: “Não se trata apenas de uma discussão sobre bem-estar animal. Estamos falando de fatores que influenciam acesso a mercados, percepção de risco, reputação e competitividade ao longo de toda a cadeia produtiva”
O levantamento aponta que o bem-estar animal deixou de ser um tema restrito ao manejo nas granjas e passou a fazer parte de uma agenda mais ampla, relacionada à Saúde Única, resistência antimicrobiana, prevenção de doenças, sustentabilidade e acesso a mercados.
Com regras comerciais mais rigorosas e maior demanda por informações sobre a origem dos produtos, cresce a pressão para que empresas e produtores ampliem mecanismos de rastreabilidade e consigam comprovar práticas adotadas ao longo da cadeia produtiva. “Não se trata apenas de uma discussão sobre bem-estar animal. Estamos falando de fatores que influenciam acesso a mercados, percepção de risco, reputação e competitividade ao longo de toda a cadeia produtiva”, enfatiza a médica-veterinária, PhD em Ciências Veterinárias e especialista em bem-estar de aves na Alianima, Ana Paula Souza.
Novas exigências comerciais
O tema ganhou espaço também nas discussões envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia, que trouxe novamente para o centro do debate os padrões de produção adotados pelos países exportadores de alimentos.

Em diferentes mercados, compradores passaram a exigir maior capacidade de comprovação sobre origem, processos produtivos e indicadores ambientais e sociais. A mudança altera a forma como cadeias agroalimentares apresentam seus produtos e como empresas estruturam suas estratégias comerciais.
Para a Alianima, o avanço dessas demandas coloca o setor avícola diante da necessidade de transformar iniciativas individuais em compromissos mais organizados e mensuráveis.
Brasil tem estrutura, mas precisa coordenar avanços
O Observatório do Frango utilizou a análise FOFA, ferramenta que avalia forças, oportunidades, fraquezas e ameaças, para identificar fatores que podem influenciar a competitividade da cadeia nos próximos anos.
Entre os pontos favoráveis ao Brasil estão o modelo de produção integrada, a experiência em gestão de qualidade e biossegurança, a capacidade técnica da cadeia produtiva e o potencial de adoção de novas tecnologias.
Por outro lado, o estudo aponta desafios relacionados à ampliação da transparência, maior coordenação entre os diferentes elos da cadeia e desenvolvimento de estratégias para acompanhar mudanças regulatórias e comerciais em mercados internacionais.
De acordo com a médica-veterinária, a ausência de compromissos estruturados em bem-estar animal pode deixar de ser vista como neutralidade e passar a representar um risco competitivo. “A não adoção de compromissos estruturados prejudica a transparência das empresas e deixa de ser uma posição neutra, passando a representar um fator de risco competitivo”, menciona.
Indicadores e metas de bem-estar animal
O levantamento também identificou que grandes empresas brasileiras passaram a incorporar indicadores de bem-estar animal em relatórios de sustentabilidade e comunicações corporativas.
Entre os exemplos citados estão BRF e Seara, que apresentam informações e metas relacionadas ao manejo e às condições de criação das aves, seguindo referências técnicas utilizadas pelo mercado.

Segundo o estudo, cerca de 1,5 bilhão de aves já são criadas no Brasil sob parâmetros de densidade de alojamento considerados compatíveis com práticas mais avançadas de bem-estar animal. O volume representa aproximadamente 27,7% da produção nacional.
Apesar do avanço, a análise aponta que ainda existe espaço para ampliar a definição de metas, indicadores e mecanismos de divulgação capazes de demonstrar os progressos realizados pela cadeia. “Apesar disso, ainda há espaço para ampliar a formalização de metas, indicadores e mecanismos de transparência capazes de demonstrar de forma mais consistente os avanços já existentes no setor e as intenções futuras”, ressalta Ana Paula.
Construção de uma estratégia coletiva
Para a especialista, a principal questão para a avicultura brasileira não está na capacidade produtiva, mas na construção de uma estratégia coletiva para transformar iniciativas já existentes em uma agenda de longo prazo. “A questão não é se haverá mudanças nas expectativas dos mercados internacionais, mas quem irá liderar esse processo. O Brasil reúne condições para participar da construção dessas soluções, e não apenas reagir a exigências externas no futuro”, afirma.
Avicultura Da sala de aula para as granjas
Avicultura gaúcha busca na universidade soluções para reduzir custos e melhorar processos
Acordo entre Sipargs e EPR Consultoria aproxima indústrias do setor de projetos técnicos, capacitação e ferramentas de gestão desenvolvidas com apoio da UFRGS.

A avicultura do Rio Grande do Sul ampliou a conexão com o ambiente acadêmico a partir da assinatura de um Termo de Colaboração entre o Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs) e a EPR Consultoria. O acordo foi formalizado em 14 de julho, na sede da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (OARS), entidade que reúne a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sipargs.
A parceria estabelece uma cooperação institucional entre as entidades, com foco na aproximação das empresas associadas ao Sipargs com soluções desenvolvidas a partir do conhecimento técnico e acadêmico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa busca ampliar o acesso a ferramentas de gestão, capacitação e projetos voltados à melhoria de processos dentro das empresas do setor.
A EPR Consultoria, empresa júnior formada por estudantes de Engenharia da UFRGS e apoiada por professores da universidade, possui 20 anos de atuação e já realizou mais de 300 projetos relacionados à otimização de processos, gestão de recursos e melhoria de desempenho organizacional.
Entre as ações previstas no termo estão a divulgação de oportunidades profissionais das empresas associadas ao Sipargs junto aos canais ligados à engenharia da UFRGS, a apresentação da EPR às indústrias avícolas e a participação conjunta em eventos promovidos pelas instituições.
O acordo também prevê a oferta de conteúdos técnicos e palestras conduzidas por professores do Departamento de Engenharia de Produção e Transportes da UFRGS (DEPROT), aproximando demandas práticas das empresas e conhecimento acadêmico.
Para o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, a parceria amplia as possibilidades de integração entre universidade e setor produtivo. “A aproximação entre o setor produtivo e o ambiente acadêmico cria oportunidades importantes para a inovação, a qualificação e o desenvolvimento das empresas. Essa parceria permitirá ampliar o acesso a novas ferramentas de gestão e conhecimento técnico, contribuindo para fortalecer ainda mais a competitividade da avicultura gaúcha”, afirma Santos.
Segundo a diretora presidente da EPR Consultoria, Isabela Calgaro, a cooperação permite levar às empresas do setor avícola o conhecimento desenvolvido pelos estudantes e professores vinculados à universidade. “É uma satisfação para a EPR iniciar essa parceria com o SIPARGS. Queremos colocar o conhecimento e a capacidade técnica dos nossos consultores a serviço das empresas do setor, contribuindo para o desenvolvimento da avicultura gaúcha por meio de soluções inovadoras e de alto impacto”, comenta Isabela.
Consultorias e projetos técnicos
Como parte do acordo, a EPR Consultoria disponibilizará 12 projetos de consultoria em condições especiais para empresas associadas ao Sipargs. As iniciativas poderão ser avaliadas individualmente pelas indústrias interessadas, conforme suas necessidades.
Os projetos contemplam áreas como gestão de processos, planejamento e controle da produção (PCP), logística, análise de custos, gestão da qualidade, planejamento estratégico e assessoria empresarial.
A cooperação também prevê ações de divulgação institucional entre as organizações, permitindo que a EPR amplie o contato com empresas do setor avícola e que as indústrias tenham maior acesso a profissionais em formação na área de engenharia.
A expectativa das entidades é fortalecer a troca de conhecimento entre academia e empresas, criando oportunidades de qualificação, desenvolvimento de soluções aplicadas e formação de novos profissionais para a cadeia avícola gaúcha.
Avicultura Avicultura
Como a redução do uso de antibióticos pode aumentar o grau de bem-estar dos frangos de corte
Estratégias de manejo, biosseguridade e alternativas sanitárias ajudam a manter a saúde das aves e atender às novas exigências do mercado.

Observa-se uma crescente pressão, por parte de empresas e consumidores nacionais e internacionais, para redução do uso de antibióticos nas rações utilizadas na produção animal. Esta preocupação baseia-se na possibilidade de indução da resistência cruzada de cepas bacterianas patogênicas ou na possibilidade de o consumidor comprar uma carne de frango contaminada. Além de ser considerado um problema de Saúde Única, a presença de resíduos de antibióticos pode se tornar uma barreira no momento da exportação da carne de frango, que passa por análises sanitárias no país de destino que avalia se o alimento atende às normas exigidas em relação aos antibióticos.
Para enfrentar problemas associados ao uso indevido e da resistência geradas pelos antibióticos, diversos países e organizações passaram a implementar sistemas de monitoramento para supervisionar e regulamentar o uso desses medicamentos. Pesquisas em farmacologia veterinária ainda destacam a necessidade de transição para produtos considerados não antibióticos como alternativas mais seguras e sustentáveis.
Na produção de frangos de corte, problemas pré-existentes como o crescimento acelerado das aves, altas densidade e potencial de estresse aos frangos podem contribuir para o desequilíbrio de sua microbiota intestinal, redução do desempenho, diminuição da imunidade, aumento da mortalidade, levando a um baixo grau de bem-estar animal.
De maneira geral, problemas voltados à microbiota intestinal das aves têm interferência direta das células do sistema imunológico, consideradas parte integrante do intestino, as quais desempenham um importante papel em sua manutenção. Basicamente, as células de defesa se comunicam umas com as outras, por meio do contato célula-célula e/ou mediadores considerados solúveis, funcionando como uma barreira que previne a inflamação do intestino.
Assim, quando a saúde intestinal está comprometida, múltiplos processos são ativados através do eixo intestino-cérebro, afetando direta e indiretamente o estado emocional e o comportamento dos frangos de corte. Geralmente, nos protocolos de avaliação de bem-estar, são incluídos indicadores indiretos de comprometimento da saúde intestinal ou indicadores relacionados a um estágio muito avançado da doença. No entanto, para garantir o bem-estar animal e permitir a intervenção precoce por parte dos produtores, são necessários biomarcadores indicativos de estágios iniciais de doenças intestinais, especialmente de doenças altamente prevalentes.
O uso de antibióticos na produção animal tem sido avaliado desde o final da década de 1960. Países como a Suécia e a Dinamarca já proibiram o uso destes medicamentos na produção animal. Em 2006, toda a União Europeia adotou a proibição o uso de qualquer antibiótico. A medida baseou-se no “Princípio da Precaução”, o qual afirma que, quando a saúde humana e o meio 2 ambiente estão em risco, não é necessário aguardar por uma certeza científica para adoção de medidas de proteção.
A preocupação em relação ao uso inadequado de antibióticos também foi intensificada devido a era da informação, na qual os consumidores passaram a estar mais informados e a demandar maior transparência nos sistemas produtivos. É importante ressaltar que a legislação de alguns países, como os Estados Unidos e a União Europeia, exige monitoramento rigoroso dos produtos cárneos para garantir que não haja resíduos de antibióticos nos alimentos que chegam aos seus mercados.
Assim, observa-se crescente interesse pelo desenvolvimento e uso de produtos alternativos ao antibiótico na produção animal, tais como imunomoduladores, fitoquímicos, probióticos, prebióticos, extratos de levedura, entre outros. Embora os resultados variem e indiquem que as pesquisas devem ser contínuas, tais produtos vêm sendo utilizados, isoladamente ou, mais comumente, em combinações, por produtores em todo o mundo como parte de programas no manejo sanitário.
Dessa forma, faz-se necessário traçar estratégias para a adoção de melhores práticas na produção de frangos de corte para redução da utilização de antibióticos, tais como:
● Biosseguridade dos lotes
● Gestão geral do aviário como limpeza, desinfecção e manutenção da qualidade da cama
● Acompanhamento estratégico dos lotes como qualidade dos pintinhos, prevenção de doenças e boa nutrição

Édina de Fátima Aguiar – Foto: Divulgação

Elaine Cristina de Oliveira Sans – Foto: Divulgação
De maneira geral, na produção de frangos de corte, diversos aspectos devem ser considerados, além da substituição por produtos alternativos aos antibióticos para manter os animais saudáveis, sem comprometer seu bem-estar e ainda seguros para o consumo humano.
Referências bibliográficas com os autores: Édina de Fátima Aguiar – [email protected] e Elaine Cristina de Oliveira Sans – [email protected]



