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Suínos / Peixes Saúde Animal

Escherichia coli, uma única bactéria, múltiplas patologias

A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Isaac Rodriguez, gerente Técnico e Marketing América Latina da Hipra Saúde Animal

A Escherichia coli pertence à família das enterobactérias, bactérias Gram-negativas anaeróbias facultativas. Dentro dessa espécie, existem cepas de E. coli que pertencem à flora comensal do indivíduo e outras cepas patogênicas potencialmente causadoras de doenças gastrointestinais. A capacidade patogênica dessa bactéria é determinada pela presença dos chamados fatores de virulência, estruturas bacterianas antigênicas que formam parte da conformação natural de E. coli, assim como por sua capacidade de produzir toxinas, substâncias com diversos efeitos patogênicos sobre o indivíduo.

Entre os fatores de virulência mais estudados, encontramos as fímbrias (F), os flagelos (H), o antígeno somático (O) e a cápsula e a microcápsula (K). Há múltiplas classificações que podem ser feitas com as mais de 25 cepas de E. coli identificadas no trato gastrointestinal de um suíno e as mais de 120 espécies descritas. Se nos concentrarmos na combinação do antígeno fimbrial, no tipo de toxinas produzidas e na patologia desenvolvida em suínos afetados por E. coli, poderemos encontrar as doenças mais prevalentes em suínos associadas a esta bactéria.

Há várias curiosidades epidemiológicas sobre o modo de vida dessa bactéria a nível do trato gastrointestinal dos suínos. Por exemplo, as cepas dominantes de E. coli podem variar de um dia para o outro, com a proliferação e a variação máxima das cepas ocorrendo no intestino delgado, enquanto, o número de bactérias permanece constante no íleo e no reto. Em momentos de doença, as mesmas cepas costumam se encontrar presentes em vários animais doentes e costumam persistir em lotes sucessivos, com infecções mistas (por mais de uma cepa) sendo mais frequentes que infecções causadas por apenas uma cepa. Finalmente, destaque-se que as rotinas de limpeza e desinfecção costumam ser insuficientes para romper o ciclo de infecção por E. coli, e é por isso que as infecções por esse agente costumam ser recorrentes nas criações expostas a este.

A doença do edema: pouco lembrada, mas muito presente

A doença do edema é causada por VTEC, com as cepas produtoras de verotoxina 2e (Vt2e) ou toxina semelhante a Shiga 2e (STx2e) de Escherichia coli sendo as únicas capazes de produzir a doença do edema (ECED). Essa nomenclatura dupla (Vt2e e Stx2e) possui origem dupla: por um lado o efeito letal que Vt2e tem sobre as células Vero (células de cultura comumente usadas a nível laboratorial) e, por outro, a semelhança estrutural de tal toxina com a produzida por Shigella dysenteriae, e é por isso que tem o nome de toxina semelhante à de Shigella (Stx2e).

Normalmente, E. coli que apresenta majoritariamente fímbrias de aderência F18ab, mas também F18ac, corresponde às cepas responsáveis pela produção de Vt2e. Essa circunstância condiciona o momento de surgimento da doença, já que os receptores de aderência para E. coli F18 não são expressos completamente em leitões com menos de 20 dias de vida, e é por isso que o momento de surgimento da doença ocorre ao redor de 5-14 dias após o desmame desses animais, que costuma ocorrer entre 21 e 28 dias de vida. É importante considerar que a doença do edema também pode se manifestar na fase de engorda, com a introdução dos suínos no lote de terminação, que é o momento crítico em seu desenvolvimento.

Com esses receptores já tendo sido ativados, as ECED colonizam o intestino delgado, aderem às fímbrias e começam a secretar Vt2e. Quando a toxina alcança a corrente sanguínea, distribui-se até os tecidos, onde exerce seu efeito tóxico, que é a destruição das paredes dos vasos sanguíneos, o que se supõe que causa o surgimento dos edemas característicos da doença.

Quando se ingerem ECED em quantidade suficiente, sua proliferação é bastante rápida, atingindo concentrações maciças da ordem de 109 UFC/g. Esse grau de colonização e, portanto, de produção de Vt2e condicionará o desenvolvimento da infecção e, com isso a forma de apresentação da doença. A apresentação clínica da doença do edema poderá ser diferente, com base no grau de colonização e na capacidade de produção de Vt2e.

Formas de apresentação da doença do edema

Forma clínica ou aguda. Trata-se da forma característica da doença, que costuma se apresentar nos animais após seu desmame, embora também possa se apresentar nos animais na entrada da fase de terminação. Essa apresentação se caracteriza por ser esporádica e afetar todo o grupo, embora apenas uma proporção morra de forma súbita, sem apresentar nenhum outro sinal clínico associado.

Os sinais clínicos mais característicos são:

  • Inapetência
  • Inchaço das pálpebras e da parte frontal da cabeça
  • Emissão de grunhidos característicos
  • Incoordenação motora
  • Dificuldade respiratória
  • Ausência de febre e diarreia
  • Nas fases terminais, um número reduzido de animais pode apresentar diarreia aquosa com coágulos de sangue vivo
  • Uma parte dos animais que desenvolvem os sinais clínicos anteriores ficará prostrada e morrerá. Os níveis de mortalidade podem variar entre níveis baixos (que, inclusive, podem passar despercebidos, correspondendo a cerca de 1-3%) ou extremos (incluindo entre 50 e 90% dos animais do lote).

Forma crônica

Os animais que forem capazes de sobreviver a uma forma aguda da doença permanecem no grupo exibindo atraso no crescimento e podendo demonstrar distúrbios nervosos unilaterais, tais como pedalagem, torção da cabeça ou atrofia dos músculos das extremidades, com debilitação progressiva.

Forma subclínica

Os leitões ficam clinicamente saudáveis, mas desenvolvem lesões vasculares, que podem resultar em atraso do crescimento.

Lesões características da doença do edema.

Entre as lesões mais frequentes e características da doença do edema clínica e crônica, encontram-se:

  • Edema subcutâneo na cabeça e pálpebras.
  •  O estômago costuma apresentar o conteúdo alimentar aparentemente fresco. Os edemas se localizam na submucosa gástrica e, ocasionalmente, no fundo.
  • Mesocólon edematoso.
  • Edema no mesentério do intestino delgado, assim como da vesícula biliar.
  • Nódulos mesentéricos e do cólon que costumam parecer edematosos, congestos e inchados.
  • As cavidades pericárdica, pleural e peritoneal podem apresentar um ligeiro aumento do conteúdo seroso, com possível presença de fios de fibrina.
  •  Costuma-se apresentar um edema pulmonar, embora em um grau de afecção amplo, indo desde um edema leve até uma congestão sublobular generalizada.
  • Fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença do edema.

Mesmo considerando que a doença do edema possui um único agente causador (Vt2e), pode-se chegar a considerar uma doença multifatorial, por causa dos muitos fatores que condicionam seu desenvolvimento. Entre os fatores de risco mais comuns, encontram-se:

  • Desmames precoces.
  • Situações de estresse ao redor da fase de desmame e da entrada na fase de terminação.
  • Ausência ou presença reduzida de anticorpos maternos contra Vt2e.
  • Composição genética de crescimento rápido e alto consumo de alimentos.
  • Mistura de animais de diferentes origens e status sanitário.
  • Níveis elevados de proteína bruta da dieta nos primeiros dias pós-desmame e da terminação.
  • Alterações de dieta, bem como dietas com proteínas pouco digestíveis.
  • Altas concentrações de farelo de soja.
  • Água de baixa qualidade e não tratada.
  • Presença de doenças concomitantes, especialmente aquelas associadas a E. coli, tais como as diarreias pós-desmame.

Conclusões

Embora a doença do edema seja uma patologia antiga, a realidade atual é que, no entanto, ela costuma se associar diretamente a diarreias pós-desmame. Se acrescentarmos a isso que a doença do edema não costuma estar presente nos diagnósticos diferenciais de leitões com sinais clínicos neurológicos e mortalidade no desmame ou na entrada na fase de engorda, o que encontramos é um possível cenário de doença do edema mal diagnosticada e mais prevalente do que se poderia imaginar.

Portanto, podemos associar E. coli como sendo responsável por outras sintomatologias diferentes das diarreias de fases iniciais ou pós-desmame. Quando se observar sintomatologia nervosa, geralmente atribuída a agentes tais como Streptococcus suis ou Haemophilus parasuis, torna-se importante, por tudo que foi descrito anteriormente, incluir as cepas de E. coli produtoras de verotoxina 2e no diagnóstico diferencial, para uma abordagem correta da doença e um diagnóstico final correto.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O preço da biosseguridade

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes

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Monalisa Pereira

Artigo escrito por Débora Bernardes, médica veterinária da MS Schippers

Quando falamos de biosseguridade muitas vezes a enxergamos como um investimento, um custo dentro do processo de produção animal, e não como uma medida obrigatória para proteção da sustentabilidade do negócio a longo prazo. A persistência em uma visão de curto prazo sobre a demanda do mercado pode ser fator limitante para a sobrevivência de vários participantes da cadeia de alimentos. O padrão de consumo está mudando a cada ano, e além disso, do ponto de vista de saúde humana, nós sabemos que as próximas décadas exigirão um cuidado maior na utilização de recursos sustentáveis e nas boas práticas de produção, de forma a aumentar a eficiência produtiva e reduzir o uso abusivo de medicamentos. Atualmente vivemos um momento de ascenção da biosseguridade como medida básica de sobrevivência e convívio social, e o desafio pandêmico do coronavírus na saúde humana tende a trazer mais reflexões também dentro da cadeia agropecuária.

Está mais evidente que setores essenciais como o de produção de alimentos precisam estar blindados de catástrofes sanitárias e econômicas para garantir a sobrevivência da população mundial. O setor agropecuário, que já viveu diversas epidemias preocupantes ao longo dos anos, dentro de poucos anos precisará suportar novas pressões de redução no uso de antibióticos e agrotóxicos através de práticas de biosseguridade. A produtividade por área precisará aumentar, já que precisaremos alimentar uma população global continuamente crescente com proteína animal e vegetal suficientes.

Para que isso aconteça, esforços multidisciplinares deverão ser combinados entre empresas, universidades, e governos, como já sugerido pelo conceito de “saúde única” (onde seres humanos, animais e meio ambiente são uma só entidade de saúde a ser tratada). No âmbito de da produção pecuária, sabemos que a infra-estrutura de granjas e fazendas ao redor do mundo é extremamente variável, bem como a intensificação dos sistemas de produção e as legislações que os governam. Por isso, o compartilharmento de informações dentro do tema biosseguridade é fundamental para que o próprio setor se prepare para, em um futuro bastante próximo, mudar suas concepções de prioridade em manejo e produção.

Em sistemas de produção mais intensivos (como na avicultura e suinocultura) o desafio e risco sanitário é grande, afinal o confinamento de mais animais em um mesmo espaço é maior. Nesses cenários, quando pensamos nos prejuízos causados por possíveis epidemias, será que conseguimos definir o custo de eventuais falhas de biossegurança? Quanto vale um plantel inteiro de animais? Quanto custa recuperar uma drástica queda em produção devido a altas taxas de mortalidade? Esse raciocínio nos permite entender que, ao invés do preço, precisamos mesmo é enxergar o valor da biosseguridade para os negócios agropecuários.

Biosseguridade na produção intensiva

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes. Além disso, o suporte de profissionais responsáveis como médicos veterinários, zootecnistas, e gerentes técnicos de granjas faz total diferença na adesão aos protocolos de produção em granjas suinícolas e aviários. Citamos abaixo alguns pontos importantes de biosseguridade que devem ser padronizados pelas granjas e inseridos dentro da rotina de funcionários e visitantes.

1- Localização física, construção, e isolamento das instalações

Segundo recomendações da Embrapa, para a construção ou instalação de granjas é necessário escolher um local que esteja distante em, no mínimo, 500m de qualquer outra criação ou abatedouro e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com animais. Isto é importante, principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como: roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens. Além disso é importante cercar a área ao redor dos galpões (com cercas a no mínimo 20 metros de distância das instalações. Um outro ponto importante é qualidade da construção em si, pois dependendo do material utilizado haverá menor ou maior propensão ao aumento da pressão de infecção ambiental após a limpeza das instalações. O uso de revestimentos impermeabilizantes nos pisos e paredes permitirão uma melhor qualidade da lavação feita entre o alojamento dos lotes, enquanto outros materiais (como o concreto) inevitavelmente serão mais porosos, absorvendo a água e a matéria orgânica acumulada dentro das baias, além dos próprios produtos utilizados para limpeza e desinfecção.

2- Controle de vetores

A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros, baratas, e animais silvestres também deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais também recomendadas pela Embrapa estão: a cerca de isolamento; o destino adequado dos animais mortos, o descarte de restos de parição e de dejetos; e a limpeza da fábrica e depósito de rações. A implementação de armadilhas e iscas (fora do alcance dos animais) também é importante, especialmente nos arredores de galpões com animais e locais onde os alimentos são armazenados. Um exemplo importante para essa compreensão é a relação entre a presença de moscas e roedores com o desenvolvimento de infecções por senecavírus A (SVA), com surtos em granjas ao redor do Brasil. Embora muitos aspectos da epidemiologia do SVA ainda sejam desconhecidos, um recente estudo norte-americano demonstrou a detecção do SVA em ratos e amostras de mosca doméstica, sugerindo que estas pragas possam desempenhar um papel na ocorrência das infecções.

3- Uso de EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias. Eles podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe e do meio ambiente a patógenos e microorganismos em geral. O uso de luvas descartáveis deve ser feito para prevenir a contaminação da pele com material biológico durante os cuidados com os animais e para a manipulação de produtos químico. As máscaras com ou sem válvula de filtragem são, por sua vez, o EPI indicado para a proteção das vias respiratórias contra a possibilidade de respingos ou aspiração de químicos nocivos e eventuais agentes patogênicos. O tipo de máscara deve ser escolhido conforme o tipo de exposição, devendo-se somente utilizar as máscaras de tripla proteção no atendimento de animais com infecção ativa. Os óculos de segurança devem ser usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Os macacões descartáveis ou higienizáveis devem ser adotados para a proteção de funcionários contra respingos de água, material químico ou biológico, e durante procedimentos como o manejo de animais e a lavação das baias. As botas e/ou calçados utilizados dentro das salas, departamentos, e instalações em geral devem ser higienizados ou trocados ao se transitar de um local para o outro, e a utilização de propés também pode ser associada a essa estratégia, reforçando a proteção contra sujidades carreadas nas solas.

4- Banhos, lavagem de mãos, fluxo de pessoas

Além dos banhos ao se entrar e sair das instalações, a lavagem das mãos é, sem sombra de dúvidas, a ação mais importante na prevenção da transmissão cruzada entre departamentos e salas da granja. As mãos de funcionários devem ser lavadas antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; ao início e término do turno de trabalho; entre o atendimento de animais; antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; e quando as mãos forem contaminadas com material biológico e/ou químico. Na ausência de pia com água e sabão, o funcionário deverá realizar anti-sepsia com álcool etílico a 70% de concentração. De forma semelhante ao raciocínio da lavagem de mãos, o fluxo de pessoas e visitantes deve seguir (sempre que possível) uma sequência lógica começando por áreas menos contaminadas para áreas mais sujas, para que se evite carrear sujidades no sentido oposto. Além disso, o controle de materiais, equipamentos, uniformes, e sapatos utilizados em cada área da produção também deve ser feito de forma a evitar esse carreamento de patógenos de uma área para a outra. Para tanto, é possível adotar estratégias simples como o uso de cores separadas por departamento da granja (vide exemplo abaixo).

5- Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

A rotina de limpeza e desinfecção das baias durante a troca de lotes ainda é muito negligenciada do ponto de vista de metodologia, dosagem dos produtos aplicados, e tempo de vazio sanitário adequado. As recomendações em geral seguem a sequência de limpeza seca, umidificação das instalações, limpeza úmida, desinfecção úmida, e desinfecção por pulverização ou nebulização. O uso de detergentes e desinfetantes deve ser feito seguindo dosagens e tempo de aplicação específicos para cada granja e desafio sanitário. Recomenda-se a exposição dos protocolos em quadros ou placas à vista para maior adesão e consistência do lavador. É importante salientar, mais uma vez, que a qualidade da limpeza e desinfecção realizadas será profundamente dependente do tipo de material de construção das instalações. Pisos e paredes mais porosos não só vão absorver mais água e microorganismos em suas frestas e ranhuras, como também uma maior quantidade dos próprios produtos químicos utilizados na limpeza. O objetivo final é sempre a remoção da maior quantidade possível de matéria orgânica e contaminantes para reduzir a pressão de a níveis próximos de 1 unidade formadora de colônia por cm². A recomendação de vazio sanitário da Embrapa Suínos é de pelo menos 5 dias, isto é, o período entre a desinfecção das baias e o alojamento de novos animais.

6- Qualidade da água

A qualidade da água disponível nas instalações, tanto para consumo dos animais (água de bebida) quanto para a lavação e outros procedimentos, também é profundamente importante na prevenção à entrada de patógenos dentro das granjas. Dentre os vários microorganismos que podem adentrar as granjas via água estão Enterococcus, E-coli, Streptococcus, Salmonella, Clostridium, entre outros. Quando a qualidade da água está comprometida, a sua palatabilidade e odor são alterados, e há maior contaminação intestinal do animal por microrganismos patogênicos. Isso tende a reduzir a conversão alimentar, o ganho de peso, e aumentar ocorrência de diarréias, elevando os custos de produção. A formação do biofilme é um dos principais pontos de preocupação quando falamos da água de bebida dos animais, pois ele se torna uma fonte de constante contaminação da água, mesmo que na fonte ela seja limpa. Caso essa mesma água (ou outra de origem contaminada) seja utilizada também para o enxágue e lavação das baias estaremos em um contrassenso, afinal uma água contaminada estará sendo adicionada às baias e isso comprometerá o efeito dos produtos utilizados, bem como a pressão de infecção após o alojamento de novos animais. É importante tratar a água da granja com o mesmo zelo, ou mais, que a própria ração e genética utilizadas, pois sua influência no bom aproveitamento das duas anteriores é de grande impacto

Embora existam muitos outros aspectos a serem levados em consideração dentro do tema biosseguridade, é importante que todos os envolvidos na cadeia agropecuária primeiramente a entendam como um fator limitante de competitividade no mercado em vários sentidos. O olhar atual que vemos sobre o tema devido à COVID-19 é apenas mais um indicativo da sua importância, no entanto sabemos que dentro da saúde animal as enfermidades e epidemias representam um dos principais pontos de prejuízo e redução de performance desde sempre, com potencial para impactar os negócios e, claro, a própria condição de saúde humana.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações brasileiras de carne suína crescem 50,4% em junho

Número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 96,1 mil toneladas em junho, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (07). O número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas. Em receita, o desempenho mensal registrou alta de 43,4%, com US$ 198 milhões de saldo registrado em junho deste ano, frente a US$ 138,1 milhões em 2019.

No acumulado do ano, as vendas de carne suína seguem 37,01% maior este ano, em comparação com 2019. Foram 479,4 mil toneladas entre janeiro e junho de 2020, contra 349,9 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses do ano passado. Em receita, houve elevação de 52,5% no mesmo período comparativo, com US$ 1,076 bilhão este ano e US$ 705,6 milhões em 2019.

Carro-chefe das exportações brasileiras, as vendas para a Ásia chegaram a 374,5 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, saldo 83,1% superior ao registrado em 2019. A China, maior importadora de carne suína do Brasil, foi destino de 230,7 mil toneladas no período (+150,2%). Hong Kong, no segundo posto, importou 18,6% a mais, com 92,9 mil toneladas. Outro mercado de destaque foi Singapura, com 27,8 mil toneladas (+51,6%).

“Os impactos gerados na Ásia pela Peste Suína Africana desde 2018 continuam a ditar o ritmo das importações da região. O Brasil mantém sua posição como parceiro pela segurança alimentar da China e das demais nações que impulsionaram suas compras neste ano”, destaca Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes Nutrição

Enzimas auxiliam na redução de custos com rações, sustenta nutricionista

Formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz

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As incertezas em relação a disponibilidade e custos das matérias primas, gerados pelo impacto do Coronavírus (Covid-19) estão trazendo preocupações e dúvidas para os produtores e empresas do setor de produção animal. A avicultura e a suinocultura, em especial, sofrem com a escassez e o aumento nos preços dos insumos, especialmente das principais fontes de proteína e energia das rações, farelo de soja e milho. E, como estratégia para minimizar este cenário de dificuldades e equilibrar as contas, uma das maneiras de superar estes desafios é a redução dos custos com ração.

 Segundo o gerente de mercado de monogástricos da Safeeds, Francisco Bertolini, a formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz, pois possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes, por aumentar a digestibilidade dos alimentos e minimizar os custos. “O uso de enzimas na formulação de dietas ajuda o nutricionista a ter flexibilidade na escolha dos ingredientes da ração”, comenta o médico veterinário.

Como funcionam as enzimas

As enzimas são proteínas complexas que ocorrem naturalmente nos sistemas digestivos dos animais, atuando como catalisadores biológicos que aceleram as reações químicas. Essas substâncias possuem a característica de permanecerem sempre ativas após cada catalisação. Em resumo, as enzimas têm como principal função facilitar a digestão.

De acordo com Bertolini, é importante lembrar que as enzimas são substrato/dependente específico, ou seja, elas somente irão atuar na presença do substrato a ser catalisado. “Cada enzima age em seu composto de atuação específico. Por exemplo, as fitases atuam sobre os fitatos, as xilanases nos xilanos etc. Portanto, a escolha da enzima a ser utilizada deve levar em conta a presença dos substratos a serem digeridos e todos os parâmetros de especificidade das enzimas”, orienta o nutricionista.

As enzimas utilizadas na nutrição animal podem ser classificadas de acordo com o tipo de substrato que a mesma irá atuar, entre elas: as fitases, carboidrases, proteases, xilanases, entre outras. Normalmente elas são obtidas por meio de cultura de microorganismos, derivados da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras em reatores especialmente desenvolvidos para este fim.

Porque as enzimas melhoram o aproveitamento dos ingredientes das rações?

Os ingredientes vegetais em sua maioria apresentam digestibilidade variada e podem não ser bem aproveitados pelos animais. Produtos fibrosos e proteicos mal digeridos podem tornar-se substratos para crescimento bacteriano intestinal indesejável. As enzimas fazem a quebra destes produtos indigestos, liberando os nutrientes presos nestes complexos, melhorando a digestibilidade dos ingredientes da dieta, tornando-os mais disponíveis ao animal. Elas maximizam o aproveitamento dos alimentos e reduzem o custo da transformação da ração em proteína animal, também conhecida como Conversão Alimentar (CA).

Como podemos aproveitar os benefícios do uso de enzimas?

Em um cenário de aumento de preços de ingredientes ou ausência de um insumo, muitos acreditam que a solução pode estar no uso de enzimas e, pelo contrário, na indisponibilidade de algum ingrediente, podemos limitar os ganhos que as enzimas podem proporcionar. “Quanto mais opções, mais flexibilidade elas podem proporcionar. O uso de enzima normalmente ‘abre espaço na formulação’ permitindo economias significativas.”

Como as enzimas são usadas na prática?

Temos várias maneiras de se trabalhar com enzimas, sendo:

  1. a) Por custo (Uso de Matriz Nutricional);
  2. b) Desempenho zootécnico (“on top)”; ou
  3. c) Iso-Custo (uma mescla das 2 opções acima).

Na maioria das formulações, se trabalham pelo custo mínimo (opção a:  Uso de Matriz Nutricional). Quando se opta pelo uso da Matriz, o ideal é que se tenha o maior número possível de ingredientes, para se aproveitar ao máximo o potencial das enzimas. Quando temos poucos ingredientes, muitas vezes não se explora o potencial máximo da Matriz.

Por outro lado, na falta de um ingrediente, as dietas podem ficar mais onerosas e, dependendo da situação do mercado, a decisão deve ser para maximizar o desempenho e a CA. Neste caso, as enzimas devem ser exploradas nas outras 2 modalidades (b e c), explorando todo o potencial de digestibilidade das enzimas, mitigando o incremento dos custos com aumento de desempenho.

Como o nutricionista pode decidir pela melhor enzima

Cada empresa tem a sua realidade de custos e de ingredientes, logo as demandas são diferentes. Por isso, o nutricionista tem um papel muito importante na tomada de decisão e adaptação da melhor solução. O bom senso e o uso de ferramentas matemáticas, proporcionadas pelas matrizes nutricionais, permitem que o nutricionista encontre a melhor solução entre substrato existente X enzima e custos X desempenho desejado. Para auxiliar os nutricionistas, há linha de enzimas disponível que compreendem: Fitases, Carboidrases e Proteases. Pode-se escolher entre um produto que contém apenas uma enzima isolada ou um blend de mais de uma enzima. São diferentes combinações que possibilitam versatilidade para o nutricionista. “É possível ainda customizarmos blends enzimáticos específicos, de acordo com as necessidades próprias de cada cliente”, cita o gerente da Safeeds Francisco Bertolini.

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Fonte: O Presente Rural
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