Notícias Dia Mundial da Água
Epagri tem forte atuação na preservação e conservação da água em Santa Catarina
Seguindo a velha máxima de que é preciso conhecer para preservar, a Epagri se dedica a aprofundar cada vez mais os estudos científicos sobre o líquido, bem como monitorar sua distribuição pelo Estado.

A água que cai do céu, de graça e algumas vezes abundante, garante a existência da vida como conhecemos. Humanos, animais, plantas, todos dependem deste recurso natural para sobreviver. Para marcar a passagem deste 22 de março, Dia Mundial da Água, a Epagri apresenta algumas ações que vem realizando há décadas, visando a preservação deste recurso natural.
Seguindo a velha máxima de que é preciso conhecer para preservar, a Epagri se dedica a aprofundar cada vez mais os estudos científicos sobre o líquido, bem como monitorar sua distribuição pelo Estado. Paralelamente, os extensionistas da Empresa se empenham em divulgar às famílias agricultoras catarinenses práticas que visam conservá-la.
A presença da água é tão natural na vida das pessoas, que a maioria não reflete sobre a sua essencialidade para a sociedade. “Toda atividade produtiva depende da água”, destaca Guilherme Xavier de Miranda Junior, pesquisador em hidrologia da Epagri.
Ele lembra que não só a agropecuária utiliza o recurso natural para suas atividades rotineiras. Os setores da indústria e de serviços também deixariam de operar sem a presença do líquido. Já pensou em um hospital, hotel, escola ou mesmo uma loja funcionando sem água? As fábricas também deixariam de operar, inclusive porque grande parte delas tem a água como insumo de seus processos produtivos.
Por tudo isso, “há necessidade de se preservar, conservar, armazenar e, principalmente, administrar de maneira eficiente esse recurso natural, que é limitado na natureza”, pondera Guilherme. O primeiro passo é conhecer a realidade da distribuição de água, para que, a partir daí, os órgãos competentes possam tomar decisões embasadas em dados confiáveis e estabelecer políticas públicas que ajudem a democratizar o uso do precioso líquido.
Mistérios da água desvendados em SC
Santa Catarina tem as ferramentas necessárias para desvendar os mistérios da água. O banco de dados do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram) reúne, desde 1911, resumos mensais do regime de chuvas no Estado. A partir de 1948 esses registros começaram a ser diários. Hoje, o Centro administra uma rede formada por 311 estações hidrometeorológicas ou meterológicas automáticas que medem, a maioria em intervalos de 15 minutos, diferentes variáveis ambientais do Estado, entre elas níveis de chuva e de rios.

Epagri tem cerca de 50 pontos de monitoramento de rios em SC
Graças a essa rede, o banco digital da Epagri/Ciram recebe diariamente cerca de 90 mil novos dados a cada dia. Os dados são enviados, a cada hora e de forma automática, ao datacenter da instituição, que fica em Florianópolis. Lá eles são automaticamente qualificados e publicados em tempo quase real no site do Centro.
Esse banco representa um patrimônio inestimável para os catarinenses e brasileiros. Ele permite, entre outros fatores, saber que a região Oeste do Estado, conhecida por ser atingida periodicamente por estiagens, é a segunda com maior média anual de chuva em Santa Catarina.
Segundo Maria Laura Guimarães Rodrigues, coordenadora do setor de meteorologia da Epagri/Ciram, o Litoral Norte, que é a região mais chuvosa do Estado, acumula uma média que varia entre 2,3 mil e 2,5 mil milímetros de chuva por ano. Em seguida aparece o Oeste, com média de 1,9 mil milímetros anuais. O Litoral Sul acumula o menor índice de chuva de Santa Catarina, com média anual que varia entre 1,3 mil e 1,5 mil milímetros ao ano.
Apesar dos volumes altos, a chuva no Oeste de Santa Catarina acontece de forma irregular no tempo e no espaço. Ou seja, chove, mas em períodos e lugares concentrados, resultando em ciclos de estiagens com potencial de prejudicar a produção agropecuária, que tem grande importância econômica e social para a região. Por isso a necessidade de coletar e reservar a água da chuva, que se torna ainda mais fundamental nas comunidades rurais, que demandam expressivos volumes do líquido para produzir o alimento que chega à mesa dos moradores dos meios urbanos.
Cisternas para conviver com mudanças climáticas
E aí entra mais uma vez o trabalho da Epagri e da Secretaria de Estado da Agricultura (SAR). Valendo-se da informação de que há sim chuva suficiente no Estado, a Secretaria disponibilizou e a Epagri executou políticas públicas que permitem ao agricultor familiar coletar e reservar a água que cai de graça em sua propriedade.
Hoilson Fogolari, coordenador de políticas públicas da Epagri, revela que, em 2022, os técnicos da Empresa elaboraram quase 2,5 mil projetos de crédito rural para captação, armazenamento e distribuição de água no meio rural. Foram mais de R$91,1 milhões aplicados só no ano passado. “Foram 1.262 cisternas apoiadas, e mais 317 outros tipos de reservatórios de água”, enumera o coordenador.
A Epagri elaborou pelo menos 2.096 projetos dentro do programa Prosolo e Água SC, com previsão de investimentos de mais de R$65 milhões. Hoilson explica que estes recursos são emprestados ao agricultor diretamente pela SAR. Os beneficiários têm cinco anos para pagar, sem juros. Parcelas pagas em dia têm 50% de desconto, portanto, se o agricultor não atrasar, pagará a metade do que recebeu.

No ano passado a Epagri aprovou projetos para construção de pelo menos 1.262 cisternas no meio rural – Foto: Divulgação/Epagri
Dentro do programa Investe AGRO SC, a Epagri elaborou 328 projetos, com previsão de investimento de mais de R$21,7 milhões por parte dos agricultores. Deste total, o Governo do Estado, através da SAR, subvenciona juros de até 3% ao ano.
A grande adesão dos agricultores catarinenses a estes programas demonstra a preocupação do setor com um cenário que se torna cada vez mais evidente. A meteorologista Maria Laura relata que há estudos comprovando que as mudanças climáticas vão agravar ainda mais a ocorrência de extremos climáticos no território catarinense. Ou seja, os eventos de estiagem e de chuva intensa, que sempre existiram em Santa Catarina, se tornarão cada vez mais intensos e frequentes. O mesmo ocorrerá com a temperatura, resultando em verões mais quentes e invernos mais frios no Estado.
Um dos fatores que propiciam a ocorrência de estiagens no Oeste catarinense é o La Niña, fenômeno natural caracterizado pela diminuição da temperatura da superfície das águas do Oceano Pacífico. No caso de elevação dessa temperatura, acontece o El Niño. Os dois têm capacidade de gerar mudanças significativas nos padrões de precipitação e temperatura ao redor da Terra.
Índice vai calcular risco de estiagens em SC
O setor de hidrologia da Epagri/Ciram fez análise dos episódios de La Niña, El Niño e neutralidade ocorridos desde 1950. A avaliação constatou que em 45,8% do tempo, a situação era de neutralidade, enquanto que em 30,6% do tempo foi constatada ocorrência de La Ninã. Nos 23,3% restantes de tempo, foram registrados períodos de El Niño. “Concluímos que há uma tendência de maior ocorrência de La Niña, que indica o risco de estiagens no Estado, por isso a necessidade de acompanhar de perto essa situação”, contextualiza Guilherme.
Para facilitar esse acompanhamento, o site da Epagri/Ciram vai oferecer em breve, para livre acesso, o Índice Integrado de Seca, calculado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemanden). A ideia é, num primeiro momento, adaptar essa informação para a realidade da agricultura e hidrologia de Santa Catarina. “Futuramente, vamos disponibilizar um Índice integrado de estiagem para nosso Estado, calculado pela Epagri/Ciram”, revela o pesquisador.
“Com a nova ferramenta, vamos poder fazer previsão de estiagem no território catarinense para cinco, 10 e 15 dias”, esclarece Guilherme. Será possível informar à sociedade se a chuva prevista nos próximos dias será suficiente para resolver eventuais estiagens em andamento.
O pesquisador em hidrologia da Epagri/Ciram explica que a estiagem se diferencia da seca pelo período consecutivo de dias sem chuva. No caso da seca, há ocorrência de meses a até anos seguidos sem chuva, o que não acontece em Santa Catarina. A estiagem se caracteriza por períodos de 15, 20 dias sem precipitação, intercalados por episódios chuvosos, que podem ou não modificar a situação.
A Epagri/Ciram criou o setor de hidrologia há 10 anos, desde quando vem monitorando uma média de 50 pontos de rios em Santa Catarina, em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Guilherme, que coordena o setor, explica que há 23 anos a Empresa trabalha em conjunto com a ANA, o que permite a formação de séries históricas que embasam pesquisas sobre a realidade hídrica catarinense.
Práticas conservacionistas para preservação da água
O solo preservado funciona como um reservatório de água. É com essa ideia que a extensão rural da Epagri orienta as famílias rurais para tornar a agricultura catarinense cada vez mais sustentável. A missão é disseminar boas práticas que preservam o solo e a água e trazem mais conforto para as plantas e os animais, mesmo durante a estiagem.
Uma delas é o plantio direto, um sistema em que o solo permanece protegido por plantas e seus resíduos, como a palhada, trazendo benefícios para a agricultura, natureza e a sociedade.
Outra prática é o terraceamento, com estruturas construídas em nível, planejadas para reter a água da chuva dentro da lavoura. Essa técnica, presente em 1,7 mil hectares no Estado, elimina definitivamente o risco de erosão e faz com que a água da chuva penetre no solo e fique disponível para as plantas em períodos de escassez hídrica.
Estrutura em níveis do terraceamento ajuda a reter água da chuva no solo
Além disso, a Epagri estimula de diversas formas a recuperação de matas ciliares e a proteção de nascentes, que se unem a outras práticas conservacionistas e tornam o meio rural catarinense um exemplo de preservação de água.
A Organização das Nações Unidas definiu como tema para o Dia Mundial da Água 2023 “Acelerando Mudanças – Seja a mudança que você deseja ver no Mundo”. Ela usa para isso a fábula do beija-flor, que apaga o incêndio carregando gotas de água em seu bico. A Epagri se orgulha de ter uma revoada de colibris – formada por pesquisadores, extensionistas e produtores rurais – empenhada em preservar a água para o bem de toda a humanidade.

Notícias
Simpósio debate expansão dos insumos agrícolas de matriz orgânica no Brasil
Encontro reúne em agosto pesquisadores, empresas e representantes do setor para discutir inovação, regulamentação e o aproveitamento de resíduos na agricultura em Bento Gonçalves (RS).

O avanço da agricultura sustentável, aliado à busca por maior segurança no abastecimento de insumos e eficiência produtiva, tem ampliado o espaço dos insumos agrícolas de matriz orgânica no campo. A valorização da economia circular e do reaproveitamento de resíduos na produção agropecuária estará entre os temas do 1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica, realizado em 06 de agosto no Dall’Onder Grande Hotel, em Bento Gonçalves (RS). Para se inscrever clique aqui.

Presidente da Abisolo, Clorialdo Roberto Levrero: “A importância dos insumos de matriz orgânica para a sustentabilidade do agro moderno” – Foto: Divulgação/Abisolo
Um dos palestrantes será o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), Clorialdo Roberto Levrevo, que abordará o tema “A importância dos insumos de matriz orgânica para a sustentabilidade do agro moderno”. Segundo ele, esses produtos deixaram de ser uma alternativa complementar para ocupar posição estratégica na produção agrícola. “O Brasil é uma potência agrícola, mas ainda muito dependente de fertilizantes importados. Ao mesmo tempo, gera todos os anos um enorme volume de resíduos que poderiam voltar ao campo como nutrientes e carbono para o solo. Os produtos de matriz orgânica ajudam justamente a fechar esse ciclo”, afirma.
De acordo com Levrevo, os insumos de matriz orgânica permitem converter resíduos em fontes de nutrientes, reduzindo passivos ambientais e fortalecendo práticas de economia circular. A estratégia ganha importância diante da volatilidade do mercado internacional de fertilizantes e da crescente demanda por sistemas produtivos com menor impacto ambiental.
Na avaliação do presidente da Abisolo, o aproveitamento desses materiais também contribui para reduzir a dependência de insumos importados, ao recuperar nutrientes que permanecem disponíveis em resíduos orgânicos.
Efeitos sobre a qualidade do solo
Além dos impactos econômicos, Levrevo destaca benefícios agronômicos associados ao uso desses insumos. Entre eles estão o aumento da matéria orgânica, a maior capacidade de retenção de água, a melhoria da estrutura física e biológica do solo e o melhor aproveitamento dos nutrientes pelas plantas. “O insumo de matriz orgânica devolve carbono ao solo e melhora sua estrutura física e biológica. Isso aumenta a eficiência dos nutrientes e contribui para sistemas produtivos mais resilientes”, explica.
Práticas sustentáveis
Além de desenhar um panorama atual, o especialista adianta que fará, em sua explanação, um apontamento do que deve se consolidar nos próximos anos quando se fala em agricultura sustentável. Levrevo aponta que os próximos anos devem consolidar novas oportunidades para o setor, especialmente a partir do melhor aproveitamento dos resíduos gerados pela agroindústria, pela pecuária e até mesmo pelo saneamento urbano. “O ponto mais promissor é perceber que a matéria-prima já existe sendo que boa parte, ainda está sendo mal aproveitada. O próprio agro gera, um enorme volume anualmente, através da agroindústria e pecuária, há ainda uma fronteira urbana emergente, ligada ao saneamento, que deve crescer bastante nos próximos anos”, prevê.
A participação de Levrero integra a programação técnica do simpósio promovido pela Associação das Indústrias de Fertilizantes Orgânicos do Rio Grande do Sul (Assiferto RS). O encontro vai reunir especialistas, pesquisadores, representantes do poder público e lideranças do setor para discutir tendências de mercado, inovação e os desafios regulatórios relacionados aos insumos agrícolas de base orgânica.
Considerado um marco para o segmento no estado, o evento busca ampliar a visibilidade de uma cadeia produtiva responsável pela reciclagem de mais de um milhão de toneladas de subprodutos orgânicos por ano, transformados em fertilizantes, condicionadores de solo e outras soluções voltadas à agricultura.
Confira a programação do 1º Simpósio Assiferto RS de Insumos Agrícolas com Base Orgânica
Manhã
08h – Credenciamento e recepção
08h10 – Abertura oficial, com homenagem aos 100 anos de nascimento de José Antonio Lutzenberger.
09h – Apresentação institucional, tecnologias aplicadas, números e perspectivas da Associação, Valdecir Ferrari, presidente da Assiferto RS.
09h30 – A importância dos insumos de matriz orgânica, para a sustentabilidade do agro moderno – com Clorialdo Roberto Levrero, presidente da Abisolo.
10h15 – Políticas Públicas Ambientais e Legislação Estadual , com Marjorie Kauffmann, secretária do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul/Fepam.
11h – Mesa Redonda
12h – Almoço
Tarde
13h30 – Legislação sobre Insumos Agrícolas, com Henrique Bley do Mapa/RS.
14h15 – Eficiência no uso de Fertilizantes de Matriz Orgânica, com Fabiano Daniel de Bona, pesquisador da Embrapa Trigo.
15h – Aspectos de Fisiologia Vegetal no uso de Insumos com Base Orgânica, com Átila Francisco Mógor da UFPR.
15h45 – Intervalo
16h – O Papel dos Insumos com base Orgânica no Desenvolvimento da Agricultura no Rio Grande do Sul, com Marcelo Biassusi da Emater.
16h45 – Mesa Redonda
17h30 – Encerramento
Notícias
Mais de 30 nacionalidades ajudam a sustentar produção da Frimesa
Cooperativa soma quase 13 mil funcionários, sendo 1.790 estrangeiros, e investe em integração, qualificação e automação para enfrentar a falta de trabalhadores.

A falta de trabalhadores para ocupar vagas nas indústrias de alimentos do Oeste do Paraná deixou de ser um problema pontual e passou a influenciar diretamente as estratégias de expansão das cooperativas agropecuárias. Em uma região que concentra um dos maiores polos de produção de proteína animal do Brasil, a contratação de estrangeiros ganhou escala nos últimos anos e se tornou peça importante para manter as linhas de produção em funcionamento.
Na Frimesa, uma das maiores processadoras de carne suína e derivados de leite do país, os imigrantes assumem funções essenciais na manutenção das operações industriais. Hoje, dos quase 13 mil funcionários da cooperativa, 1.790 são estrangeiros. Eles atuam em praticamente todos os setores das unidades industriais, especialmente nas plantas de Medianeira, Marechal Cândido Rondon e Assis Chateaubriand. Somente nos últimos três anos, 4.207 trabalhadores imigrantes passaram pela empresa. “O público estrangeiro tem participação expressiva e vital em nossas operações, concentrada majoritariamente nos polos industriais de grande porte. A procura por profissionais aumentou porque a mão de obra na região Oeste do Paraná, principalmente nas indústrias, está aquecida, o que também atrai estrangeiros que buscam no Brasil trabalho, qualidade de vida e renda fixa”, afirma o presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek.

Presidente executivo da Frimesa, Elias José Zydek: “Hoje temos 1.261 operadores de produção e 209 auxiliares de higienização estrangeiros. Se esses trabalhadores deixassem de estar no Brasil, teríamos ainda mais falta de pessoas em vários setores e, em alguns casos, precisaríamos diminuir a velocidade das linhas”
A mudança de perfil começou a ganhar força entre 2023 e 2024. Até 2022, a contratação de estrangeiros ocorria em ritmo reduzido. Em 2023, a cooperativa admitiu 438 imigrantes. No ano seguinte, esse número saltou para 823 e atingiu o maior patamar em 2025, quando 1.169 estrangeiros foram contratados.
Segundo Zydek, o aumento coincide com a expansão industrial da cooperativa, especialmente após a entrada em operação do frigorífico de Assis Chateaubriand, que ampliou a demanda por trabalhadores. “O salto nas contratações acompanha nossos planos de expansão e a necessidade de ocupar a capacidade das plantas industriais. O mercado de trabalho regional está aquecido e a disputa por profissionais ocorre em diversos setores”, aponta.
A escassez, contudo, não se limita aos estrangeiros. A Frimesa relata dificuldades para preencher vagas entre brasileiros e imigrantes, principalmente em funções ligadas à manutenção industrial, cargos técnicos e setores que exigem trabalho em ambientes frios ou em turnos noturnos e de madrugada.
A área de cortes é a que concentra o maior número de trabalhadores estrangeiros. São 493 profissionais ativos. Em seguida aparecem a sala de miúdos, com 165 colaboradores, a área de abate, com 113, e a higiene interna, com 101 trabalhadores.
Na avaliação de Zydek, a retirada repentina desses profissionais teria efeitos imediatos sobre a produção. “Hoje temos 1.261 operadores de produção e 209 auxiliares de higienização estrangeiros. Se esses trabalhadores deixassem de estar no Brasil, teríamos ainda mais falta de pessoas em vários setores e, em alguns casos, precisaríamos diminuir a velocidade das linhas. Todo colaborador é importante e, quando não está em nossa empresa, gera impactos drásticos no processo produtivo”, afirma Zydek.
Mais de 30 nacionalidades

A presença de estrangeiros também alterou o perfil demográfico da força de trabalho da cooperativa. Atualmente, a Frimesa reúne profissionais de mais de 30 nacionalidades, mas a predominância é latino-americana. Os venezuelanos lideram o quadro de trabalhadores estrangeiros, com 1.067 profissionais ativos. Os paraguaios ocupam a segunda posição, com 409 colaboradores, seguidos por cubanos, com 120, e haitianos, com 116.
A gerente de Gente & Gestão da Frimesa, Cinara Munhoz Cazorla, afirma que o grupo venezuelano foi o que mais cresceu em números absolutos nos últimos anos. “A mão de obra venezuelana aumentou 35,8%, passando de 786 trabalhadores em 2024 para 1.067 atualmente. Já os cubanos tiveram o maior crescimento proporcional recente, triplicando sua presença, de 42 para 120 colaboradores”, menciona.
Rotatividade
Os índices de permanência, porém, variam conforme a nacionalidade. Enquanto haitianos e paraguaios costumam permanecer mais tempo na cooperativa, venezuelanos e cubanos apresentam maior rotatividade nos primeiros meses de trabalho.
Dados da Frimesa mostram que haitianos permanecem, em média, 559 dias antes do desligamento, enquanto paraguaios ficam 516 dias. Entre os venezuelanos, o período médio é de 193 dias. Já os cubanos permanecem, em média, 122 dias. “A média geral de permanência dos estrangeiros desligados é de aproximadamente 337 dias, mas existem diferenças culturais, sociais e econômicas que influenciam diretamente esses indicadores”, explica Cinara.
Apesar da rotatividade em algumas nacionalidades, a cooperativa considera que haitianos e paraguaios apresentam índices de retenção competitivos e, em muitos casos, superiores aos observados entre trabalhadores locais nas funções de operador de produção.
Desafios além da contratação
Os desafios, entretanto, vão além da contratação. A integração de trabalhadores vindos de diferentes países exige adaptações no ambiente de trabalho e nas cidades que recebem esse fluxo migratório.
Segundo Cinara, a barreira linguística é um dos principais obstáculos, especialmente em treinamentos e orientações relacionadas à segurança e à qualidade dos processos industriais.
A chegada crescente de trabalhadores estrangeiros também impõe desafios fora do ambiente fabril. A oferta de moradias e a estrutura de transporte nas cidades que concentram as unidades industriais passaram a exigir maior articulação entre empresas e poder público. “Cidades polo, como Medianeira, enfrentam inflação habitacional. A cooperativa precisa atuar em sinergia com os municípios para garantir que os recém-chegados encontrem moradias dignas e transporte compatível com as escalas de revezamento e turnos”, afirma.
A convivência entre profissionais de diferentes culturas também exige programas de integração. Por isso, a Frimesa desenvolve um projeto voltado especificamente aos imigrantes, com ações de apoio à documentação pessoal e educacional, aulas de português, atividades culturais e tradução de materiais orientativos.
Papel da automação
Ao mesmo tempo em que amplia ações de acolhimento, a cooperativa intensifica investimentos em tecnologia. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a automação não tem reduzido a necessidade de trabalhadores.
Robôs para paletização, esteiras inteligentes e equipamentos automatizados de corte vêm sendo incorporados às fábricas para compensar a dificuldade de contratação e reduzir tarefas repetitivas. “Na prática industrial da Frimesa, a automação não está reduzindo a necessidade de pessoas. A tecnologia absorve o esforço repetitivo pesado e garante que a fábrica continue rodando mesmo quando as metas de contratação local não são atingidas”, aponta Zydek.
Necessidade de mão de obra

Gerente de Gente & Gestão da Frimesa, Cinara Munhoz Cazorla: “A média geral de permanência dos estrangeiros desligados é de aproximadamente 337 dias, mas existem diferenças culturais, sociais e econômicas que influenciam diretamente esses indicadores”
A necessidade de mão de obra tende a permanecer elevada nos próximos anos. A Frimesa projeta atingir faturamento de R$ 15 bilhões entre 2030 e 2032. A estratégia inclui ocupar integralmente a capacidade das plantas industriais já construídas, ampliar a participação das vendas no mercado paulista, elevar a oferta de produtos industrializados e funcionais e tornar a estrutura organizacional mais enxuta.
Contudo, Zydek ressalta que nenhuma dessas metas será alcançada sem pessoas. “Precisaremos de trabalhadores brasileiros e imigrantes. Temos grandes frentes voltadas à retenção de talentos, saúde, bem-estar, qualidade de vida e qualificação profissional. A mão de obra continuará sendo uma necessidade permanente para a Frimesa”, evidencia.
Especializada em carne suína e derivados de leite, a Frimesa reúne as cooperativas filiadas Copagril, Lar, Copacol, C.Vale e Primato. A empresa encerrou 2025 com faturamento bruto de R$ 7 bilhões, crescimento de 7% em relação ao ano anterior. Do total comercializado, 26% tiveram como destino o mercado externo, com exportações para quatro continentes, enquanto 74% foram destinados ao mercado interno.
A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.
Notícias
Soja volta a ser negociada acima de R$ 140 nos principais portos
Demanda internacional aquecida, valorização dos contratos futuros e exportações recordes impulsionaram as cotações, segundo o Cepea.

A demanda internacional aquecida elevou os preços da soja no mercado spot brasileiro. De acordo com pesquisadores do Cepea, a valorização dos contratos futuros, a postura retraída dos vendedores no Brasil, a distribuição irregular das chuvas no Hemisfério Norte e a intensificação dos conflitos no Oriente Médio contribuíram para o avanço das cotações.

Com esse cenário, a saca de 60 quilos da soja voltou a ser negociada acima de R$ 140 nos principais portos do país. Segundo o Cepea, esse patamar nominal não era registrado desde janeiro deste ano, antes da entrada da safra 2025/26.
Ainda conforme o Centro de Estudos, o cenário também fortaleceu a demanda por embarques imediatos e antecipou as negociações dos prêmios de exportação para embarques previstos para 2028.
As exportações seguem em ritmo recorde. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 14,49 milhões de toneladas de soja em junho, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1997.
No acumulado do primeiro semestre, os embarques totalizaram 69,57 milhões de toneladas, alta de 35% em relação ao mesmo período de 2025 e um novo recorde para os seis primeiros meses do ano.




