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Eficiência alimentar: a nova menina dos olhos da seleção genética bovina

De acordo com a zootecnista e mestre em Genética e Melhoramento Animal, Roberta Lisboa Pontes, o Brasil hoje tem em torno de 180 provas de eficiência alimentar já sendo conduzidas dentro do Intergado.

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Foto: Shutterstock

A eficiência alimentar é hoje mais uma das ferramentas utilizadas pelos melhoradores genéticos e produtores rurais para conseguir animais de alto desempenho. Isso acontece também por conta dos altos custos de produção. A parte alimentar está na ordem de 85 a 90%. “Dessa forma, temos a necessidade de identificar características que tenham resposta de seleção para melhorar a eficiência de produção dos animais e trazer impactos no sistema de produção”, comenta a zootecnista e mestre em Genética e Melhoramento Animal, Roberta Lisboa Pontes.

Por conta desse alto custo, o intuito é intensificar o sistema de produção interno. “E fazemos isso adotando novas tecnologias que visam elevar a produção de carne por hectare aproveitando os recursos naturais que temos, que são os pastos, devido à alta produção de forragem que temos no Brasil, por termos um clima tropical”, afirma. Ela cita que também é necessário identificar quem são os animais mais produtivos e rentáveis geneticamente falando. “Assim, de certa forma, podemos fazer o direcionamento dentro dos rebanhos trabalhando para multiplicar animais que tenham essa genética diferenciada para ser mais rentável dentro do sistema de produção que temos hoje no Brasil”.

Zootecnista e mestre em Genética e Melhoramento Animal, Roberta Lisboa Pontes – Foto: Divulgação

A especialista explica que a eficiência alimentar passou a ser uma das características mais importantes economicamente quando se fala em genética. “Viemos de um processo de melhoramento e seleção das raças zebuínas. Sempre nos atentamos a questões como crescimento, composição do peso, passamos para a ultrassonografia de carcaças, precocidade sexual dos animais – hoje é realidade no Brasil fêmeas parindo com dois anos de idade, produzindo um bezerro pesado por ano. Todas foram características muito bem trabalhadas com programas de melhoramento. Por isso, a eficiência alimentar vem como uma nova característica para encaixar dentro da importância de permitirmos que os nossos animais sejam competitivos no mercado interno e externo”, afirma.

De acordo com Roberta, essa eficiência nada mais é do que a capacidade do animal ingerir menos alimento sem comprometer o seu desempenho. “Eu quero que meu animal ingira menos comida, mas que tenha uma maior velocidade de ganho de peso, uma melhora na qualidade da carne. São esses animais de melhor desempenho que queremos, que apresentam uma diferença no consumo e conseguimos enxergar a variabilidade genética nesse consumo”, conta.

Para ela, com isso é possível estimar o parâmetro genético com rentabilidade, estudar essa característica e então verificar o quanto ela pode ser transferida para um descendente. “Dessa forma programas de melhoramento identificam rebanhos e multiplicam eles para disseminar o material genético. Mas, para isso, é preciso ter uma base de dados sólida, estimar parâmetro genético para que possamos ver a diferença entre os animais. E ela não pode ser medida apenas no coxo, precisamos enxergar o valor genético e, dessa forma, ver a habilidade de transmissão genética dessa característica para os descendentes”.

Rede de informação

Roberta conta que no passado a eficiência alimentar trazia limitações em termos de equipamentos, como poder identificar os animais que realmente dentro da mesma dieta consumem menos ou convertem mais com a mesma quantidade de alimentos. “Hoje o Brasil domina essa tecnologia, que é o Intergado, e temos equipamentos para medir a eficiência alimentar brasileira com uma precisão muito grande. É uma tecnologia de última geração, em que o animal entra para prova de eficiência alimentar e é avaliado a todo momento que chega no coxo, devido ao boton de identificação. Então temos a informação da quantidade que o animal está consumindo e diariamente ele é pesado várias vezes. Assim temos o quanto ele está ganhando diariamente para aquilo que está consumindo. Isso vem em forma de relatório para as fazendas – temos várias no Brasil que usam esse equipamento para identificar e enxergar a diferença genética entre animais – e esses dados alimentam programas de melhoramento que conseguem unir em uma única base os dados de todas as fazendas para ver as diferenças genéticas”.

Brasil no topo

Roberta explica ainda que hoje o Brasil está no topo de países que trabalham com genética bovina. “Temos material, volume de dados, recursos tecnológicos e humanos para avaliar os dados. Atualmente somos considerados entre os melhores países do mundo que trazem informações sobre eficiência alimentar. O que nós precisamos é avançar nesse sentido e dar continuidade nas pesquisas, para que realmente consigamos ter melhores características, seja em consumo alimentar residual, ganho de peso ou ingestão de matéria seca. Tudo isso para vermos qual característica dentro das raças que temos que realmente expressa a eficiência alimentar que estamos buscando”, afirma.

De acordo com a especialista, hoje o Brasil tem em torno de 180 provas de eficiência alimentar já sendo conduzidas dentro do Intergado. “Estamos há 10 anos trabalhando dentro dessa pesquisa. Como ela vem da iniciativa privada, as fazendas não somente pesquisam, mas trazem já um trabalho de seleção dentro do rebanho, então é uma pesquisa aplicada. Estamos com aproximadamente 45 mil animais avaliados dentro de provas de eficiência, o que coloca o Brasil em um patamar diferenciado. Em apenas uma década crescemos muito com esses dados”.

Roberta defende ainda que a eficiência alimentar passa a ser uma característica de grande importância econômica na pecuária, mas não pode ser o único critério de seleção. “Devemos buscar o equilíbrio, isso é fundamental para construir uma raça que tenha eficiência produtiva como um todo incorporada no DNA. Devemos buscar eficiência dentro do sistema de produção, esse é o nosso desafio. Esse material genético que estamos buscando precisa chegar na base do rebanho comercial, para que esse rebanho seja transformado”, sustenta.

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Fonte: O Presente Rural

Bovinos / Grãos / Máquinas

Preços da arroba e da carne bovina seguem pressionados

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A demanda pós-carnaval não reagiu, e as cotações tanto dos animais quanto da carne seguem pressionadas.

Segundo pesquisadores do Cepea, alguns frigoríficos com escalas mais alongadas estiveram até mesmo fora das compras no início desta semana.

Nesse cenário, os preços maiores foram deixando de ser praticados, e as médias regionais foram sendo reajustadas negativamente.

No front externo, as exportações de carne bovina in natura registraram ritmo forte nos primeiros 10 dias úteis de fevereiro.

De acordo com dados da Secex, os embarques diários registram média de 10,49 mil toneladas, totalizando 104,91 mil toneladas já embarcadas em fevereiro.

No mesmo mês do ano passado, o volume diário foi de 7,02 mil toneladas, somando 126,39 mil toneladas no período.

Se mantido esse ritmo até o final do mês, as exportações podem se aproximar das 200 mil toneladas em fevereiro.

Fonte: Assessoria Cepea
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Exportações de 873 mil doses foram destaque do mercado de sêmen em 2023, aponta ASBIA

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses

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Aron Sardela Ferro, Giovanni Penazzi, Cristiano Botelho, Ricardo Abreu, Ana Karla, Luis Adriano Teixeira, Eduardo Cavalin, Sérgio Saud e Thiago Carvalho.Foto e texto: Assessoria

Mais de 14 milhões de fêmeas de corte e 5 milhões de fêmeas leiteiras (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE) do rebanho bovino nacional foram inseminadas com genética melhoradora em 2023, aponta o Índex ASBIA, relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) sobre o desempenho do setor no ano passado.

O balanço de 2023 também destaca a consolidação do investimento em genética bovina no rebanho nacional, além das exportações crescentes de sêmen para corte e leite. Enquanto as exportações de corte atingiram 462.837 doses, a genética leiteira embarcou 410.837 doses do material genético para outros países. Ambos foram responsáveis pela venda externa de 873 mil doses, volume 70% maior do que o praticado antes de 2020.

“Esse crescimento sólido é ainda mais evidente se compararmos ano após ano. Em 2018, a exportação de doses de sêmen para leite não chegava a 200 mil; em 2019/20 não passaram de 235 mil. O mesmo para o corte, que de 2018 a 2020 exportou menos de 283 mil doses por ano. A partir de 2021, ambos os segmentos reagiram com comercialização externa superior a 400 mil doses por ano. Essa consolidação reforça o aumento do interesse internacional pela qualidade da nossa genética bovina”, explica Cristiano Botelho, executivo da ASBIA.

A venda total no mercado interno (corte e leite) foi de 22,496 milhões de doses – redução de 3% ante 23,141 milhões de doses de 2022.

Em vendas para cliente final – quando as empresas de genética comercializam o material diretamente para os pecuaristas –, mais de 17 milhões de doses para corte foram negociadas. Já as doses de sêmen com aptidão para leite obtiveram um aumento de 6% comparado a 2022 – totalizando 5,4 milhões.

A prestação de serviço de empresas para coletar e industrializar o sêmen de animais de fazendas gerou pouco mais de 1,7 milhão de doses de animais de leite e de corte.

“Em quatro anos, o mercado de sêmen no Brasil cresceu 6 milhões em volume vendido internamente. Isso evidencia a profissionalização do pecuarista e o compromisso de agregar genética melhoradora na produção de carne e de leite. De acordo com os dados levantados pelo Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), cerca de 23% das fêmeas de corte no Brasil foram inseminadas. Na pecuária leiteira, esse percentual é de 12%. Ou seja, temos grande potencial para otimizar ainda mais a produtividade e levar o Brasil ao patamar mais alto de fornecedor de alimentos para o mundo”, finaliza Botelho.

O executivo da ASBIA pontua que com “a divulgação do Index de forma gratuita no site (www.asbia.org.br) a entidade democratiza o acesso à informação e compartilha conhecimento para que cada vez mais pecuaristas invistam em genética para melhoria da produtividade e rentabilidade, fortalecendo de forma consistente a pecuária e proporcionando segurança alimentar para cada vez mais pessoas”.

O Index ASBIA está acessível de forma gratuita no site da Asbia: https://asbia.org.br/index-asbia/

Fonte: Assessoria
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Omã abre mercado para bovinos vivos do Brasil

Os animais poderão ser comercializados ao país do Oriente Médio para abate e engorda.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

O Brasil conquistou o mercado de Omã para exportação de bovinos vivos para abate e engorda. A aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio. Essa conquista veio após uma reunião entre o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Roberto Perosa, e o subsecretário do Ministério da Agricultura de Omã.

Aprovação sanitária foi oficializada na quinta-feira (22), durante a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária ao país do Oriente Médio – Foto: Divulgação/Mapa

Somente em 2023, o Brasil exportou ao mundo US$ 488 milhões em bovinos vivos, num total de 23 países. No ano passado, o agro brasileiro exportou cerca de US$ 330 milhões para Omã, um aumento de 70% em comparação com 2022.

As carnes foram o produto de maior destaque, representando 55% do total exportado, com a carne de frango correspondendo a 97% desse segmento. “Este novo mercado soma-se aos outros 14 abertos neste ano, totalizando 93 desde o início do ano passado, durante o terceiro mandato do presidente Lula. A pedido do ministro Carlos Fávaro seguimos com nossa missão no Oriente Médio visitando alguns países com o objetivo de ampliar o comércio agrícola brasileiro, abrir novos mercados, obter aprovações para plantas pelo sistema de pré-listagem (eliminando a necessidade de auditorias locais) e negociar a importação de fertilizantes nitrogenados”, destacou o secretário Roberto Perosa.

Tais resultados são fruto do trabalho conjunto do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores.

Cooperação mútua

Ainda em Mascate, capital da Omã, com representantes dos Ministérios da Agricultura de ambos os países, os dois lados enfatizaram o interesse em ampliar a cooperação governamental e as parcerias comerciais. Foram identificadas sinergias entre o plano “Visão 2040” de Omã, que inclui a segurança alimentar, e o programa brasileiro de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis. Também foram discutidas possibilidades de parcerias nos setores de fertilizantes, açúcar, grãos para alimentação animal, animais vivos, carne de frango e pescados.

Outra importante reunião ocorreu com a subsecretária de Promoção de Investimentos do Ministério do Comércio, Indústria e Investimentos de Omã, Ibtisam Ahmed Said Al Farooji. Ela apresentou o programa omanita que visa ampliar os investimentos em Omã e no exterior, focando na segurança alimentar e no interesse do país em se tornar um hub para a região e, ainda, destacou a neutralidade e estabilidade de Omã, mencionando que o Brasil pode ser um grande parceiro.

Durante o encontro, Perosa também enfatizou as boas relações e a complementaridade entre os países, afirmando que o Brasil poderia contribuir ainda mais para a segurança alimentar de Omã e incentivar empresas brasileiras a processarem seus produtos no país, como é o caso das carnes de frango e bovina. Nesse contexto, mencionou que o programa de conversão de pastagens degradadas em áreas agricultáveis representa uma grande oportunidade para fortalecer essa parceria, incluindo também a possibilidade de aquisição de fertilizantes nitrogenados de Omã. O lado omani acolheu positivamente a ideia e disse que, conjuntamente com a Autoridade de Investimentos de Omã e o Nitaj, irá auxiliar na construção da estratégia de parceria entre os dois países.

Fonte: Assessoria Mapa
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