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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária de Corte

Desmama precoce aumenta prenhez em mais de 20%

Estratégia proporciona condições físicas para que em 45 dias a matriz volte a emprenhar e retorne à ciclicidade

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Josimar Lima

Pesquisas conduzidas pela Embrapa Pantanal e Embrapa Gado de Corte, ambas em Mato Grosso do Sul, registraram que a desmama precoce promoveu aumento ao redor de 20% na taxa de prenhez das matrizes e manutenção no ganho de peso dos bezerros. A desmama precoce na pecuária de corte é um tema que causa certa apreensão nos produtores rurais e, desde 2011, pesquisadores das duas Unidades da Embrapa estudam o tema considerado uma tática para a intensificação pecuária, principalmente, em solos com baixa aptidão agrícola.

Os pesquisadores da Embrapa Urbano Gomes e Luiz Orcírio de Oliveira explicam que desmamar precocemente o bezerro é uma alternativa para melhorar o escore corporal das fêmeas, pois logo após o parto elas entram em balanço energético negativo e optam, naturalmente, pela sobrevivência e alimentação da cria. Assim, os índices de reconcepção declinam. “[Com a tática], tivemos lotes que passaram de 76% para 93% de taxa de prenhez, 72% para 92% e alguns atingiram 94% de concepção. Um aumento superior a 18 pontos percentuais, correspondendo em média a, aproximadamente, 25%. A estratégia proporciona condições físicas para que em 45 dias a matriz volte a emprenhar e retorne à ciclicidade”, afirmam. Uma desmama convencional dura entre sete e oito meses; a precoce cai para 110 dias.

Eles ressaltam que as propriedades de cria geralmente se localizam em regiões mais pobres em fertilidade de solo ou com pastagens de menor valor nutricional, como as do Bioma Pantanal. Entretanto, a fase de cria é a mais exigente para os animais e seus efeitos se refletem em todo o ciclo produtivo. Em uma propriedade de pecuária extensiva, comum no bioma pantaneiro, as taxas médias de desmama são menores que 60%, por exemplo. Para taxas de prenhez acima de 90% com uma prática economicamente viável, os especialistas reforçam o uso de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) nas fêmeas recém-paridas e, depois, repasse com touros no final da estação de monta.

Na fazenda Real, localizada no Pantanal sul-mato-grossense, onde os experimentos com cria rodaram, o gerente-geral Célio Silva Júnior ratifica que a diferença na reconcepção das matrizes foi marcante. “Elas recuperaram o escore corporal e voltaram a ciclar, em pouco tempo, com sucesso reprodutivo. O aumento da fertilidade das vacas pagou a conta dos bezerros desmamados precocemente.” A propriedade de nove mil hectares contava com, aproximadamente, cinco mil animais; desses, 2.300 eram matrizes.

Suplementação para os bezerros

A mudança eleva os custos de produção, principalmente em rações para suplementar a alimentação dos bezerros desmamados. A equipe de pesquisa, então, avaliou os animais cruzados e da raça Nelore, distribuídos em grupos, frutos de IATF, submetidos a desmamas precoces com alto nível (1% do peso vivo ajustado quinzenalmente) ou baixo nível (1,2 kg/animal/dia – sem ajustes no período) de suplementação (ração para bezerros), ambos comparados com a convencional (permanecendo com suas mães).

A suplementação é fundamental entre 110 e 240 dias de idade. A partir disso, permitem-se adequações, já que o animal está totalmente apto a alimentar-se de pastagens. “Se o produtor vender o bezerro por quilo de peso vivo, compensa fazer o tratamento de alta energia. Caso opte por engordar o animal, mantê-lo no rebanho não compensará, pois o bezerro da desmama convencional diminui a diferença de peso ao longo de seu ciclo de vida”, esclarece Luiz Orcírio de Oliveira.

Outro fator relevante é o bem-estar animal. Segundo o pesquisador, o bovino desmamado não depende da condição nutricional da mãe e tampouco de sua habilidade materna, o que o capacita para superar o período de seca e os próximos desafios como ruminante, nas fases de recria e engorda. Todavia, o animal exige atenção durante o período de adaptação, ao redor de 14 dias, com profissionais habilitados a conduzi-lo aos cochos durante essa fase, assim como uma pastagem bem manejada para consumo posterior.

O administrador Célio Silva Júnior comenta que antes de adotar a desmama precoce em todo o rebanho, foram organizados lotes-teste, com 100 animais, para os empregados de campo aprenderem sobre o novo manejo e os bezerros, a buscar alimento. Concomitantemente, a fazenda adaptou-se com ajustes em infraestrutura, como piquetes menores, cochos e piletas. O condicionamento dos animais e da equipe de trabalho foi feito duas vezes ao dia durante o período de adaptação.

O ganho de peso na primeira fase de vida dos bovinos de corte também chamou a atenção e é crucial para analisar o sistema de produção em seus aspectos econômicos e ambientais.

Figura 1. Peso ajustado aos 300 dias de idade, dos bezerros Cruzados e Nelore, submetidos aos tratamentos de DP.
DPAA – Peso dos bezerros cruzados (Angus x Nelore) submetidos à desmama precoce e suplementados com alta energia;
DPAB – Peso dos bezerros cruzados (Angus x Nelore) submetidos à desmama precoce e suplementados com baixa energia;
DPNA – Peso dos bezerros Nelore submetidos à desmama precoce e suplementados com alta energia;
DPAB – Peso dos bezerros Nelore submetidos à desmama precoce e suplementados com baixa energia;
DCN – Peso dos bezerros Nelore submetidos à desmama convencional aos oito meses de idade.

Além de melhorar a receita da propriedade, é possível proporcionar mais sustentabilidade ao sistema de cria com menor número de matrizes “vazias”, reduzindo o custo ambiental por quilo de bezerro produzido. “A desmama precoce é uma ferramenta que oferece sustentabilidade ao processo, eficiência e otimização. Ao fim, o aumento na prenhez compensa o custo da alimentação”, afirma Luiz Orcírio.

Bom retorno financeiro

Na propriedade, os pesquisadores avaliaram também os impactos da implantação das tecnologias: desmama precoce, suplementação de bezerros e vacas, Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) e ferramentas de gestão para verificar a viabilidade do sistema. Eles estimaram o índice de BCR, que relaciona os custos e benefícios do sistema, em R$1,70, ou seja, para cada real investido no sistema intensificado, o produtor cobriu o investimento e ainda recebeu 70 centavos de retorno líquido.

A receita da propriedade foi formada pela venda de touros e vacas gordas para abate, novilhas, bezerros e bezerras. O principal produto foi a venda de bezerros, cuja receita correspondeu a 47% do total da entrada de caixa. No mesmo ano, foram comercializados mais de 1,4 mil animais: 416 vacas e 11 touros para abate, 734 bezerros e 284 bezerras. A receita chegou a ultrapassar R$ 1,7 milhão.

“Melhorando a produtividade anual de bezerros, a cadeia inteira tem um bom reflexo porque essa é a base de todo o sistema. A taxa de natalidade passou de índices inferiores a 60% para quase 90% com a realização da desmama”, pontua Gomes. Ele destaca, porém, que esses números foram atingidos com a implantação da desmama associada às tecnologias que integram o pacote de intensificação proposto pela equipe de pesquisa, como a IATF e a suplementação alimentar dos animais. O produtor que realiza a cria passa a fazer maior receita com categorias de fêmeas prontas para abate (vacas e novilhas gordas), mudando o perfil do negócio de maneira significativa.

“A técnica é efetiva em todo o Brasil, ainda que seja preciso avaliar questões de logística e gestão para sua aplicação, mas ainda é a forma mais barata de melhorar o desempenho reprodutivo de todo o gado, por meio da suplementação dos bezerros”, analisa o pesquisador da Embrapa.

Programa Mais Precoce

O resultado integra o arranjo + Precoce, conjunto de projetos de pesquisa no qual o experimento se insere. Executado desde 2014 pelos pesquisadores da Embrapa Gado de Corte e Embrapa Pantanal, a proposta busca alinhar-se aos problemas enfrentados pela cadeia do novilho precoce. Uma das soluções geradas pelo programa é a prática IATF + Cio, que adota o uso de bastões marcadores para auxiliar a identificação de cio e a aplicação de hormônio (GnRH) no momento da inseminação artificial por tempo fixo (IATF). Além disso, resultados indicam também que a suplementação aglomerada, em mínimos grânulos, oferece menor empedramento e perdas nas chuvas, chegando a 16% quando comparada ao material em pó comercializado pela maioria das empresas de nutrição animal.

A iniciativa tem como instituições parceiras a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Universidade Estadual de Londrina (UEL); a Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO) e a Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores de Novilho Precoce (ASPNP).

Em 2019, a equipe disponibilizará uma plataforma web com os dados de vários sistemas de produção do novilho precoce, permitindo ao usuário simular qual será o retorno econômico desses sistemas em sua própria realidade.

Fonte: Embrapa Pantanal
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Bovinos / Grãos / Máquinas Tecnologia a favor do pecuarista

Pesquisadores vão usar drones para detecção e contagem de gado

Atividade de monitorar a população de gado é essencial na gestão das fazendas pecuárias

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Fabiano Bastos/Embrapa

Pesquisa coordenada pela Embrapa para detecção e contagem de gado usando veículos aéreos não tripulados, conhecidos como vants ou drones, acaba de ser aprovada para financiamento pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O projeto colaborativo é liderado pelo pesquisador Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Embrapa Informática Agropecuária (SP), e foi aprovado na terceira chamada de propostas do Programa Fapesp de Pesquisa em eScience e Data Science.

A atividade de monitorar a população de gado é essencial na gestão das fazendas pecuárias. Entretanto, nas grandes propriedades que adotam a pecuária extensiva, muito comuns no Brasil, essa contagem requer tecnologia e métodos avançados. No caso das imagens de satélites, além de não apresentar resolução espacial suficiente para identificar os animais individualmente, a presença de nuvens também compromete o monitoramento.

“Os levantamentos aéreos aparecem como uma solução potencial”, explica Barbedo. Já existem algumas iniciativas sendo aplicadas em fazendas, mas ainda com várias desvantagens, como alto custo de operação, níveis de ruído elevados e risco de acidentes. Por isso, os pesquisadores querem empregar técnicas de processamento de imagens e aprendizado de máquina, aliadas ao desenvolvimento de softwares e uso de drones, buscando gerar soluções mais adequadas para o monitoramento dos animais no pasto.

Coordenada pela Embrapa Informática Agropecuária, a pesquisa tem participação da Embrapa Pecuária Sudeste (SP), da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (FEEC/Unicamp) e das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). O projeto tem vigência de dois anos, com início em fevereiro de 2019, e recebeu recursos de cerca de R$ 175 mil que serão investidos, principalmente, na aquisição de drones e equipamentos para processamento de imagens.

Testes com câmeras 360 graus

Entre os objetivos estão o desenvolvimento de uma metodologia para agrimensura pecuária usando drones equipados com câmeras de espectro visível e a criação de um algoritmo para reconhecer e contar automaticamente o gado nas imagens capturadas. Serão investigadas duas abordagens distintas: a primeira é com o uso de uma câmera convencional e a outra com uma câmera 360 graus.

A principal diferença entre as duas metodologias é que a primeira geralmente requer múltiplos voos para cobrir grandes áreas, enquanto a segunda pode ser capaz de visualizar regiões muito maiores com um único voo, embora perdendo resolução, já que os animais estão mais distantes da câmera, de acordo com o pesquisador.

Em breve, drones estimarão saúde e peso do rebanho

O projeto busca avançar na área de ciência da computação, produzindo novos algoritmos baseados em imagens para detecção de animais e para seu manejo, com abordagem inovadora para contagem de gado. “Essa metodologia também pode ser usada no futuro para trabalhar outros aspectos do monitoramento de gado como saúde animal, medidas corporais, entre outros”, conta Barbedo.

Caberá à Embrapa Informática Agropecuária, principalmente, coletar as imagens no campo e processá-las, criando e aplicando, em conjunto com a FEEC/Unicamp, algoritmos baseados em princípios de aprendizado de máquina para detecção e contagem dos animais. Os testes de campo serão feitos com o apoio de especialistas em manejo animal na fazenda Canchim, da Embrapa Pecuária Sudeste. A pesquisadora Andrea Roberto Bueno Ribeiro, da FMU, também vai apoiar os trabalhos de manejo e estudos de comportamento animal relacionados às simulações de movimentação do gado no pasto.

Contagem do gado sem precisar reunir os animais

Conhecer o número de animais é essencial para o pecuarista fazer a gestão adequada da fazenda, contribuindo para o controle interno e a quantificação dos resultados.

Na pecuária as variações no rebanho são constantes: nascimento de animais, mortes, vendas, e até roubos. Tudo isso se reflete na hora do planejamento e na rentabilidade da atividade.

Para a contagem, o pecuarista precisa reunir os animais no pasto ou levá-los até o curral. Esse processo é complexo e exige um grande esforço. As dificuldades aumentam proporcionalmente ao tamanho da fazenda e do rebanho.

O deslocamento do gado sempre é estressante e pode afetar a produtividade. No percurso, há chances de acidentes. Além disso, o bovino passa mais tempo caminhando e deixa de se alimentar, ruminar e descansar, causando prejuízos econômicos ao produtor. O estresse reduz o ganho de peso e afeta a imunidade, deixando-o mais vulnerável a doenças.

“A ideia do projeto é tentar fazer essa contagem sem reunir os animais, reduzindo o estresse. No entanto, há algumas dificuldades. É preciso treinar a máquina para enxergar o boi e contar um por um. A primeira dificuldade é que ele se movimenta. A segunda, é que o drone precisa identificar o boi lá embaixo e saber que é um bovino, não é uma pedra ou, ainda, se tiver dois animais juntos, tem que conseguir contar dois e não apenas um. A máquina precisa aprender a analisar a imagem”, explica a pesquisadora Patrícia Menezes Santos, da Embrapa Pecuária Sudeste.

Para captar as imagens, é preciso entender o comportamento dos bovinos. Dessa forma, o plano de voo e as estratégias usadas para a captação precisam levar em consideração a rotina animal, o tipo de área da fazenda, o modelo de sistema de produção, entre outras especificidades da criação e da propriedade. A interação entre os especialistas dos dois centros de pesquisa da Embrapa vai contribuir para encontrar a melhor forma para ensinar a máquina nas avaliações.

Na fazenda Canchim, base física para os testes e captação de imagens, há vários modelos diferentes de produção, como animais nos sistemas integrados, em pastos extensivos, áreas intensivas e outras. De acordo com a pesquisadora da Embrapa, essa diversidade de condições vai ajudar a treinar a máquina. “O drone precisa de muita imagem com informações reais do que ocorre na fazenda. Tudo pode se transformar em obstáculo na hora da avaliação das imagens. Então, vamos ajudar como especialistas em produção animal”, explica Santos.

O desenvolvimento de soluções tecnológicas baseadas na aplicação de sistemas inteligentes e automatizadas às pastagens pode contribuir para moldar a pecuária do futuro, já que o processo de decisão nos sistemas de produção depende cada vez mais da análise e interpretação de dados e informações, de acordo com Patrícia. “A integração de informações sobre o clima, o solo, os animais e a pastagem cria oportunidades para o uso mais eficiente dos recursos naturais e dos fatores de produção”, afirma a pesquisadora.

Decisões sobre compra e venda de animais, uso de fertilizantes e de alimentação suplementar, além de outras práticas de manejo, podem ser orientadas a partir dessas informações, reduzindo o risco associado à atividade e aumentando a sustentabilidade dos sistemas de produção animal em pastagens. Com o avanço no campo da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), caracterizada pela conexão entre diversos dispositivos que coletam e transmitem dados de forma automática, abre-se a perspectiva para uma pecuária cada vez mais baseada em tecnologia digital.

Fonte: Embrapa Informática Agropecuária
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Bovinos / Grãos / Máquinas Paraná

Safrinha vira “safrona” após frustração com a soja

Depois de uma quebra na produção da oleaginosa, que pode chegar a 20% na média estadual, paranaenses apostam na segunda safra de milho para tentar reequilibrar as contas

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Arquivo/OP Rural

A safra de verão no Paraná sofreu com os impactos climáticos e deve ficar até 20% abaixo do previsto inicialmente. De setembro de 2018 para cá, conforme os meses foram passando, o potencial de 19,6 milhões de toneladas foi caindo gradativamente para 16,4 milhões de toneladas. A produtividade média que em 2017/18 foi de 58,8 sacas por hectare, em 2018/19 deve fechar em torno de 50,2 sacas por hectare. Os dados são do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab).

Com essa frustração na oleaginosa, a segunda safra de milho, também conhecida como safrinha, virou uma “safrona” em importância. Com menos dinheiro em caixa, um bom rendimento no milho se tornou mais fundamental do que nunca para tentar reequilibrar as contas. Até o momento, o clima é de otimismo quanto ao potencial produtivo, com um aumento de 4% na área plantada e quase 40% a mais no volume produzido em relação ao ciclo passado.

O produtor rural Egon Portz, que tem suas atividades no município de Toledo, localizado na região Oeste que registrou o pior desempenho na temporada de verão, amargou perdas significativas com a quebra da safra de soja. Nos cerca de 300 hectares em que plantou a oleaginosa, a produtividade média caiu pela metade. No caso dele, a média ficou inferior a 20 sacas por hectare. “Foi muito desparelho. Num raio de dois quilômetros, tivemos produtividades bem diferentes, com os mesmos processos e tecnologia. Mas muita gente ficou no prejuízo”, disse.

Agora, Portz aposta todas as fichas na safrinha de milho, cujo plantio já foi feito e a lavoura segue em plena evolução, na fase de preenchimento dos grãos. A esperança do produtor é boa e, se o tempo continuar dando uma mãozinha, espera que a produtividade compense as perdas impostas pela quebra da safra de soja. “A expectativa é a melhor possível, porque foi usada tecnologia de ponta, plantamos na hora certa e o tempo está ajudando. Se o clima continuar favorecendo, a gente vai ter boa produtividade e pelo menos o custo de produção da safra vai estar garantido”, avalia.

Nelson Paludo, presidente da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da FAEP, ratifica que a safrinha se tornou a grande aposta dos produtores do Estado. Mas há um risco a ser considerado. Com a falta de chuva e o calor excessivo, o ciclo da soja encurtou e os produtores então não tiveram outra escolha a não ser antecipar o plantio do milho segunda safra. “O milho que já está pendoando agora. Com plantio mais precoce, ele vai praticamente completar o seu ciclo antes de uma possível falta de chuva em abril. Tem outra parte, que foi plantada mais tarde, que aguardamos para ver as condições climáticas e ter uma noção melhor”, pondera.

Paludo confirma que um bom desempenho na safrinha será um alento após uma grande frustração entre os produtores da região. “Uma produção boa dá uma segurança de que vamos ter produtos para vender. Mas para isso temos também que ter preço. Tomara que isso ajude. Até agora estamos acompanhando a cotação e ela está mantendo uma média esperada. Esses primeiros milhos não devem ter uma pressão grande do mercado, por entrarem antes da média histórica, temos que ficar atentos e ver como se comporta o mercado”, previne.

Cenário de incertezas

Para Camilo Motter, analista de mercado da Granoeste, ainda é cedo para cravar se os preços serão ou não convidativos quando a colheita começar. “O que costumo dizer é que o preço de milho disponível nessa fase do ano não está muito ligado à colheita da safra de verão, do milho disponível, mas sim com o andamento na safrinha. Fevereiro, março e abril são meses nos quais precisamos dar atenção às condições no campo. O mercado está bem ofertado hoje e estamos vivendo um momento bastante travado nas negociações do cereal”, explica.

Sobre o potencial de repor as perdas com soja, Motter acredita que safrinha vai ter uma boa produção, mas com o escalonamento de plantio em tempos diferentes do milho é preciso ficar ainda mais atento ao clima. “Dos últimos quatro anos, em três tivemos problemas com seca entre abril e maio. Isso tudo está pela frente e o milho adiantado não anula as perdas por seca, porque tem muito em fase ainda inicial, que foi plantado entre fevereiro e março”, diagnostica.

Luiz Fernando Gutierrez, consultor de mercado da Safras e Mercado, concorda que com a quebra na safra de soja, a safrinha se tornou ainda mais importante. “No ano passado, a soja teve uma produção melhor e a safrinha registrou perdas, e esse ano a situação parece que vai se inverter. A segunda safra volta a ter maior protagonismo, o milho volta a ser um produto importante para produtores que nos últimos anos tiveram ótimos resultados com a soja, mas que nesse momento precisam compensar as contas da quebra na primeira safra”, avalia.

Sobre o cenário de preços, Gutierrez demonstra cautela sobre um possível cenário positivo. “Se a gente colher uma safra cheia o cenário não é muito positivo. Deve ter aumento de área de milho nos EUA, com a guerra comercial com a China, e diminuição na área de soja. Naturalmente, isso traz um indicativo negativo, com maior oferta do maior produtor do mundo de milho. Isso é ruim para o preço de Chicago e pode pressionar negativamente as cotações internas. O panorama para o preço, de fato, não é muito positivo. Claro que temos a questão de que muita coisa pode mudar, os americanos ainda não plantaram, só temos intenção de plantio. É preciso acompanhar as próximas semanas para vermos o rumo que o mercado vai tomar”, diz.

FAEP pediu prorrogação de dívidas por causa da seca

Em ofício enviado à ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, no fim de janeiro, o presidente da FAEP, Ágide Meneguette, solicitou intervenção do Ministério junto às instituições financeiras para viabilizar a prorrogação de dívidas dos produtores rurais. A possibilidade está prevista no Manual do Crédito Rural – MCR 2-69. O documento da FAEP ratificou as dificuldades enfrentadas pelos produtores paranaenses diante das perdas ocorridas nas lavouras de grãos, principalmente na soja, e obteve parecer do Mapa sobre um pedido às instituições financeiras para que o processo fosse facilitado aos produtores rural.

Fonte: Sistema FAEP
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Bovinos / Grãos / Máquinas Produção leiteira

“Produtor de 13 litros não paga a conta”, dispara consultor

Para o médico veterinário e consultor Mário Zoni, existem apenas dois sistemas em que é possível trabalhar: custo mínimo ou lucro máximo

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Arquivo/OP Rural

Qual o perfil do bovinocultor de leite no Brasil? Em quais sistemas a produção desta proteína essencial está baseada?  Para o médico veterinário e consultor Mário Zoni, existem apenas dois sistemas em que é possível trabalhar: custo mínimo ou lucro máximo. “Não há meio termo”, afirma. “Tem muita conversa fiada. Quem é bom de verdade faz o simples, sem inventar moda, mas muito bem feito”, argumenta. “Produtor de 13 litros não paga conta”, dispara Mário Zoni.

Dentro da complexidade da atividade leiteira, destaca Zoni, buscar um único modelo de negócio é um contra senso. “São tantas variáveis e tantas possibilidades que cada produtor acaba desenvolvendo um modelo único”. Porém, acredita ele, alguns pontos chaves destacam-se quando se pensa em como será a estrutura da produção leiteira no futuro próximo.

Zoni fez palestra sobre o tema, que integrou a programação técnica do Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite, em novembro, quando apresentou o painel sobre desafios para o crescimento sustentável da cadeia produtiva do leite. Na palestra, “Da porteira pra dentro”, Zoni focou os diferentes perfis de produtores.

Mudança de Perfil

Para ele, o futuro da propriedade porteira para dentro demanda uma mudança de perfil do produtor de leite. Zoni acredita na permanência de dois grupos aparentemente distintos de produtores e o progressivo desaparecimento de um terceiro grupo. O primeiro grupo Zoni classifica como “sobreviventes”. O segundo e mais importante grupo, do ponto de vista da cadeia, é o dos eficientes. Já o que ele julga “empregadores”, em sua opinião, devem desaparecer a curto ou a médio prazos.

O grupo dos sobreviventes, menciona, engloba os produtores com exploração familiar de baixa tecnologia, forte conceito de custo mínimo e, para os quais, a atividade é muito importante para a subsistência. “São produtores com sobrevida de médio prazo e que possuem um grande dilema imediato: evoluir o nível tecnológico com maior produtividade, o que lhes assegura sucessão e continuidade na atividade; ou permanecer como está e sair do negócio por morte ou falta de sucessor”, compara.

“Os eficientes são produtores com visão empresarial da atividade, que maximizam a produção por animal e, consequentemente, o resultado financeiro, visto que, na atividade leiteira, é a vaca e não a terra a unidade de produção”. Ainda conforme Zoni, os eficientes são produtores atentos às tecnologias para maior produção, com enorme preocupação sanitária com relação a zoonoses, que olham os resultados e os custos com muita precisão e frequência. “Para este grupo, a única grande ameaça ao seu modelo de negócio é uma queda catastrófica do consumo per capita de leite e derivados, o que é altamente improvável, ainda mais quando consideramos que temos um consumo de lácteos ainda baixo no país”, sugere.

Um grupo de produtores que deve desaparecer em pouco tempo são os que ele denomina empregadores. “É o produtor não familiar, que tem a exploração leiteira como fonte adicional de receita, mas com baixo ou nenhum envolvimento direto na atividade”, considera.

A busca pela eficiência

A forma de produzir também é essencial para o futuro da atividade, acredita Zoni. Assim, buscar a eficiência é cada vez mais essencial. “Apesar da resistência de alguns técnicos, é praticamente impossível pensar em produção eficiente de leite sem algum tipo de alojamento para os animais em produção ou transição”, aponta. Sistemas que proporcionam melhor e mais eficiente controle térmico para as vacas estarão cada vez mais presentes nas propriedades, acredita.

“A forma de operação desses sistemas, com estabulação total ou parcial, acesso a pastoreio rotacionado ou não, estará ligada ao sistema de produção e, principalmente, à disposição de forragens”. A vaca, lembra Zoni, tem uma zona de conforto entre 1ºC e 16ºC. “No campo, não tem como manejar isso, então começa o estresse. O objetivo é conforto, fazer a vaca ficar deitada e, como consequência, aumentar a produção. Quanto maior o conforto, mais leite a vaca dá”, justifica.

A busca pela eficiência também passa pelo controle zootécnico e financeiro do negócio. “Não importa se esse controle ocorre através de simples anotações e posterior análise dos dados em planilhas manuais ou no computador, até o monitoramento remoto via colares e pedômetros, ligados a ordenhas informatizadas ou robotizadas”, sustenta.
Zoni também destaca a importância da ambiência. “Envolve muito mais que conforto, mas engloba a instalação, relação dos funcionários com os animais, relacionamento entre animais de cada lote, controle sanitário e parasitário”, elenca.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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