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De Heus destaca diversificação de ingredientes na nutrição de aves

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Atualmente, a produção de aves e suínos tem encontrado dificuldade em estabilizar os custos de produção devido a constantes altas de preços em praticamente todos os ingredientes, incluindo o milho e o farelo de soja.

A alimentação representa a maior parcela dos custos de produção na criação avícola e por isso a utilização de alimentos alternativos de qualidade e de composições conhecidas para formulação de rações de custo mínimo possibilitam uma adequação econômica mais conveniente ao produtor (RODRIGUES et al., 2008).

Quando pensamos em diversificar o uso de ingredientes para aves, é sempre importante estar atento a parâmetros como a disponibilidade comercial, os preços relativos aos ingredientes tradicionais, e principalmente, a qualidade da matéria-prima. Lembrando que, a alimentação constitui um dos fatores de maior relevância na exploração avícola, pois uma dieta adequada pode promover melhoria tanto na produtividade quanto no rendimento de carcaça (SOUZA et al., 2008).

A busca por alimentos não usual deve estar sempre acompanhada de avaliações nutricionais a fim de conhecer a composição bromatológica, reações fisiológicas provocadas pelo alimento ao animal, digestibilidade do alimento, limites de inclusões práticas, entre outros.

Prado et al. (2000) afirmam que existe uma variedade de alimentos e resíduos da agroindústria que podem ser usados na alimentação de animais e seu valor nutricional é determinado por complexa interação de seus constituintes e pela interação com os microrganismos do trato digestivo, nos processos de digestão e absorção, no transporte e na utilização dos metabólitos, além da própria condição fisiológica do animal.

Coprodutos agroindustriais

Um exemplo de alternativos que pode ser usado na alimentação das aves está no uso de coprodutos agroindustriais. Os grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) pode se tornar uma oportunidade viável além de ser um produto sustentável, por ter origem na produção de biocombustíveis.

Por outro lado, devido a variabilidade de sua composição nutricional, seu uso em dietas de aves deve ser feito com cuidado, reduzindo possíveis quedas no desempenho zootécnico. É importante ressaltar, a importância de frequentes análises nutricionais e balanceamento das formulações, uma vez que, sua composição nutricional pode variar, sendo essa possibilidade maior para coprodutos do que para os alimentos convencionais. Trata-se de um coproduto de alto teor de fibra e a grande variabilidade no perfil de aminoácidos.

Subprodutos de origem animal

Semelhante aos coprodutos, ingredientes como as farinhas de origem animal, podem sofrer variações na sua composição e consequentemente no seu perfil nutricional em função da matéria-prima utilizada e do processamento empregado, e, quando associados ao uso de dados errados de disponibilidade de aminoácidos, podem acarretar prejuízos no desempenho das aves (Rostagno et al., 1995).

Entretanto, subprodutos de origem animal com um bom controle de processamento e livre de contaminações microbiológicas são bastante utilizados em dietas de aves como fonte alternativa de proteínas, mas sempre é preciso atentar-se em conhecer sua verdadeira composição nutricional assim como seguir os níveis máximos de inclusão recomendados.

Vale ressaltar a importância do uso de dietas formuladas com base em proteína ideal e aminoácidos digestíveis a fim de fornecer todos os nutrientes exigidos para o desenvolvimento do animal. Além disso, para a utilização de ingredientes de origem animal é de fundamental importância um acompanhamento de sua qualidade com procedimentos que envolvam controle de processos oxidativos como rancidez, acidez e peróxidos e outras possíveis contaminações microbiológicas.

Demais alternativos

Muitas culturas estão sendo cada vez mais estudadas para serem utilizados na alimentação das aves em substituição ao milho e a soja, como o arroz, trigo, aveia, seus derivados, entre outros. Neste artigo vamos abordar as seguintes culturas: milheto, sorgo, triticale e trigo grão.

Milheto

Podemos considerar o milheto como um ingrediente passível de ser usado na alimentação animal como ingrediente energético.

Na forma de grãos e comparativamente ao sorgo e ao trigo, o seu conteúdo energético para aves é semelhante. Porém, quando comparado ao milho, apresenta-se com valor energético inferior. O seu conteúdo em proteína e sua composição em aminoácidos essenciais são superiores tanto ao milho quanto ao sorgo. (Butolo, 2010).

A inclusão de milheto em dietas animais apresenta ainda como vantagem a menor susceptibilidade à ocorrência de fungos, diminuindo assim a incidência de problemas como micotoxinas (Bandyopadhyay et al., 2007), e em relação a outros cereais, não possuir fatores antinutricionais, que interferem na digestibilidade, absorção e utilização dos nutrientes.

Sorgo

O sorgo possui características nutritivas semelhantes às do milho. Seu valor energético é ligeiramente inferior, porém possui níveis mais altos de proteína em relação ao milho.  Entretanto, o milho contém níveis superiores de aminoácidos essenciais como a lisina e metionina.

Um ponto que deve ser levado em consideração na utilização do sorgo, é que ele possui baixo teor de xantofila e caroteno, que são responsáveis pela pigmentação na pele dos frangos e na gema do ovo, características importantes na preferência do consumidor, embora sem valor nutritivo.

É importante ressaltar também que o sorgo pode conter elevado teor em taninos em alguns cultivares. A presença de taninos nos alimentos tem alguns efeitos detrimentais na saúde e no desenvolvimento animal, incluindo depressão na palatabilidade do alimento, na ingestão voluntária, na digestibilidade das proteínas, dos carboidratos, do amido e de lipídios e diminuição na absorção do cálcio (CHANG et al, 1994). Dessa forma, é importante certificar-se quanto à presença ou não de tanino através de análise laboratorial.

Triticale

O triticale é um cereal híbrido, resultado do cruzamento de duas espécies distintas, o trigo e o centeio.

Quando comprado ao milho e ao sorgo, podemos observar que o triticale possui teor proteico e de fibra bruta mais alto e um extrato etéreo mais baixo, sendo também seu balanço de aminoácidos mais favorável.

Quanto ao ponto de atenção na utilização do triticale, é que alguns cultivares podem conter inibidores de tripsina e quimotripsina, que são fatores antinutricionais que podem limitar seu uso em rações de monogástricos. (Butolo, 2010).

Trigo grão e triguilho

O uso do trigo grão inteiro ou moído é mais uma ferramenta na busca de diversificação para redução dos custos da ração, trata-se de um cereal de inverno bastante difundido na Europa.

Para as aves, o trigo possui um maior percentual de proteína quando comparado ao milho, porém apresenta cerca de 10% menos energia, podendo ser uma alternativa para substituí-lo na dieta de forma limitada principalmente devido sua alta concentração de fibra.

ANNISON e CHOCT (1991) citam que a presença de polissacarídeos não-amiláceos na parede celular de cereais como trigo, cevada, centeio e triticale influenciam negativamente o aproveitamento da energia, aumentando a retenção de água no intestino e, como consequência, a viscosidade do conteúdo intestinal. As aves não produzem quantidade suficientes das enzimas xilanases e os polímeros formados aumentam a viscosidade da digesta. Portanto, é preciso limitar a inclusão de trigo na dieta ou utilizar enzimas exógenas como as carboidrases.

Já o triguilho é constituído de grãos de trigo de boa qualidade, porém de tamanho menor que o grão comum. Em relação ao milho, apresenta valores mais elevados de proteína bruta, cálcio, fósforo, fibra bruta e aminoácidos. A limitação para o uso de maiores níveis de triguilho em substituição ao milho se deve ao menor valor de energia metabolizável. (Embrapa, 2005)

Enzimas

Não podemos falar em redução de custos de produção sem lembrar que diversos trabalhos de pesquisas estão focados em aditivos como as enzimas e outros conceitos inovadores.

Os efeitos dietéticos das enzimas exógenas estão associados ao aumento da digestão de produtos de baixa qualidade e redução da perda de nutrientes nas fezes, sendo assim possível reduzir os níveis nutricionais da dieta com possíveis vantagens econômicas. Para tal, uma variedade de carboidrases, proteases e fitases são utilizadas para estes fins (McCleary, 2001).

Muitos ingredientes alternativos apresentam restrições quanto ao seu uso na formulação das dietas para aves, por conterem fatores antinutricionais, que prejudicam o desempenho, e consequentemente, resultam em baixa uniformidade e lucratividade ao final da produção. O uso de enzimas permite que tais ingredientes sejam utilizados de maneira tão eficiente quanto o são o milho e a soja (Campestrini et al., 2005).

Para finalizar, é importante relembrar que uma nutrição adequada pode promover melhoria no desempenho e produtividade das aves. A dieta representa também cerca de 80% do custo de produção. Dessa forma, torna-se necessário diversificar o uso de ingredientes nas dietas que supram as necessidades dos animais, que sejam produzidos em quantidades suficientes a demanda e que tenham melhores preço quando comparado ao milho e a soja.

Alguns cultivares, considerados como alternativos ao milho e a soja no Brasil, são amplamente utilizados em outros países, principalmente na Europa. Com o aumento dos preços do milho e soja principalmente, o interesse por outras culturas nesse momento é maior, porém ainda são muito regionalizadas. Atualmente um dos principais limitantes para o uso de muitos desses ingredientes alternativos é a disponibilidade.

De qualquer forma, a busca de ingredientes alternativos ao milho e a soja deve ser feita com cuidado, conhecendo em detalhes a digestibilidade do alimento, sua composição bromatológica, além de entender e controlar possíveis fatores antinutricionais que possam dificultar a digestibilidade e a absorção de nutrientes.

 

 

Referências:
Annison G. & Choct M. 1991. Anti-nutritive activities of cereal non starch polysaccharides in broiler diets and strategies minimizing theirs effects. World Poult. Sci. J. 47:232-242.

 

SOUZA, L.M.G.; MURAKAMI, A.E.; MARCATO, S.M.; MASSUDA, E.M.; Diferentes programas de alimentação na ração para frangos de corte. Revista Brasileira de Ciência Avícola. Suplemento 10, Campinas: Facta, 2008, p. 133.

PRADO, I.N.; MARTINS, A.S.; ALCALDE, C.R. et al. Desempenho de novilhas alimentadas com rações contendo milho ou casca de mandioca como fonte energética e farelo de algodão ou levedura como fonte protéica. Revista Brasileira de Zootecnia, 29(1):278-287, 2000.

RODRIGUES, R.M.; FERNANDES, E.A.; CAIRES, C.M.; FAGUNDES, N.S.; OLIVEIRA, B.R.; TORIDO, L.C.; Efeito do glúten de milho no desempenho de frangos de corte. Revista Brasileira de Ciência Avícola. Suplemento 10, Campinas: Facta, 2008, p. 86.

CAMPESTRINI, E.; SILVA, V. T. M da; APPELT, M. D. Utilização de enzimas na alimentação animal. Revista Eletrônica Nutritime, v.2, n.6, p.254-267, 2005.

McCLEARY, B.V. Analysis of Feed Enzymes. In: Enzymes in Farm Animal Nutrition, eds M.R. Bedford and G.G. Partridge. CAB International, 2001. 406 p.

ROSTAGNO, H.S.; PUPA, J.M.R.; PACK, M. Diet formulation for broilers based on total versus digestible amino acid. Journal of Applied Poultry Research, v.4, p.293-299, 1995.

BUTOLO, J. E. Qualidade dos ingredientes na alimentação animal. 2. ed. Campinas: Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA), 2010.

BANDYOPADHYAY, R.; KUMAR, M.; LESLIE, J. Relative severity of aflatoxin contamination of cereal crops in West Africa. Food Additives and Contaminants: Part A, v.24, n.10, p.1109-1114, 2007.

CHANG, M.J.; BAILEY, J.W. et al. Dietary tannins from cowpeas and tea transiently alter apparent calcium absorption and utilization of protein in rats. Journal Nutrition, v. 124, p. 283-88, 1994.

EMBRAPA. Triguilho na alimentação de aves. Recomendações para o uso do triguilho. 2005.

 

* Renata Soares Marangoni é zootecnista com especialização em Gestão de Produção, mestrado em Produção e Nutrição Animal e nutricionista de Aves da De Heus do Brasil. 

 

 

Fonte: Ass. de imprensa
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Frimesa aposta em kits corporativos para presentes de fim de ano

Linha reúne oito opções para empresas presentearem colaboradores, clientes e parceiros, com foco em praticidade e logística nacional.

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Iniciativa inédita marca a entrada oficial da cooperativa no mercado de presentes B2B

Para equipes de RH e Gestão de Pessoas, o planejamento e organização logística das ações de endomarketing para o fim de ano começam bem antes de dezembro. Pensando nisso, a Frimesa, uma das maiores cooperativas de alimentos do país e quarta maior indústria de carne suína do Brasil, lança sua primeira linha de Kits Corporativos Natalinos. O movimento faz parte da estratégia de expansão da marca em território nacional.

Após consolidar seu recente rebranding e inaugurar um escritório corporativo em São Paulo, a empresa ingressa no segmento de presentes empresariais para simplificar o endomarketing por meio de soluções prontas e de alto valor percebido. Com foco exclusivo em vendas diretas B2B (Business to Business), a iniciativa atende departamentos de RH, compras e gestores que buscam opções práticas e sofisticadas para homenagear equipes, parceiros e clientes. Os kits resolvem os principais gargalos dessas áreas ao centralizar o atendimento, unificar a distribuição e entregar uma solução de reconhecimento pronta para entrega.

Com o lançamento dos Kits corporativos para o final do ano buscamos atender a uma demanda que sempre recebemos. Estudamos, entendemos o mercado e as necessidades do público e agora, depois de estruturar, trazemos ao mercado praticidade sem perder a qualidade dos produtos, explicou Rodrigo Fossalussa, superintendente comercial da Frimesa.

Com oito opções diferentes de kits, os preços variam de R$ 150,00 a R$ 320,00, para se adaptar a diferentes orçamentos de benefícios e também perfis distintos de consumo. O grande destaque do catálogo é a versão premium “Kit MasterChef”, desenvolvida em uma parceria oficial e licenciada com a franquia gastronômica de TV. Todos os itens são acompanhados por bolsas térmicas exclusivas, funcionais e reutilizáveis, que garantem a conservação ideal de carnes e queijos finos durante o transporte.

As vendas dos kits são realizadas diretamente pelas equipes comerciais da Frimesa, que cuidam das negociações de volume e do agendamento logístico para todo o país. Para conhecer o catálogo completo, solicitar cotações ou realizar pedidos, acesse o site oficial, clicando aqui.

Fonte: Assessoria Frimesa
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A pecuária que não pode mais crescer para os lados

Soja e eucalipto forçam produtores de Mato Grosso do Sul a produzir mais por hectare. Movimento atrai operação de gigante da nutrição, que projeta adicionar até R$ 100 milhões à receita anual até 2032

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Foto: Giuliano De Luca/ChatGPT/OP Rural

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com 17,96 milhões de bovídeos, 799 mil a menos que no ano anterior. No mesmo período, a área agrícola colhida avançou de 7,16 milhões para 7,61 milhões de hectares. São 450 mil hectares adicionais em apenas um ano, movimento que expõe a nova conta da pecuária estadual: produzir mais carne em menor espaço relativo, reduzir o tempo de permanência dos animais e elevar o retorno obtido por hectare.

Foi essa mudança no uso da terra que levou a Nutripura, empresa mato-grossense de nutrição animal, manejo de pastagens e gestão pecuária, a escolher Mato Grosso do Sul como primeira frente de seu novo plano de expansão. A companhia pretende inaugurar em novembro um escritório em Campo Grande, com uma equipe inicial de oito profissionais liderada pelo diretor Lainer Leite, que trabalha há mais de 20 anos na empresa.

Lainer Leite: “O Mato Grosso do Sul será o primeiro vetor para sustentar esse crescimento projetado. É um estado que tem o perfil dos nossos clientes e oferece um enorme potencial para ampliar nossa atuação”

A operação integra uma estratégia de crescimento orgânico aprovada pelo Conselho de Administração. A meta é dobrar o tamanho da Nutripura nos próximos seis anos e acrescentar até R$ 100 milhões à receita anual da empresa até 2032.

“O Mato Grosso do Sul será o primeiro vetor para sustentar esse crescimento projetado. É um estado que tem o perfil dos nossos clientes e oferece um enorme potencial para ampliar nossa atuação”, afirma Lainer.

Embora a estrutura comercial seja nova, a presença da empresa no estado começou há aproximadamente 15 anos. Atualmente, a Nutripura atende 33 propriedades sul-mato-grossenses. Dez delas são consideradas estratégicas para aprofundar projetos de aumento da produtividade e de preparação das fazendas para a sucessão familiar.

Soja quase dobra de área em dez anos

A escolha de Mato Grosso do Sul foi precedida pela avaliação de diferentes mercados. Além da proximidade com Rondonópolis (MT), sede da empresa, pesaram a escala da bovinocultura, a expansão agrícola, os investimentos na cadeia de celulose e a adoção crescente de confinamentos e sistemas integrados.

Na safra 2015/16, a soja ocupava aproximadamente 2,4 milhões de hectares no estado. A área chegou a 4,52 milhões de hectares em 2024/25, crescimento de 88% em uma década, e pode alcançar 4,79 milhões de hectares em 2025/26. Os dados são da Semadesc, elaborados com informações da Conab e do Siga/MS.

Sede da Nutripura no estado do Mato Grosso

A silvicultura também ampliou a disputa pela terra. Mato Grosso do Sul contabilizava 1,5 milhão de hectares de florestas plantadas em 2024, a segunda maior extensão estadual do país. Desse total, 98% eram ocupados por eucalipto. Somente entre 2023 e 2024, a atividade incorporou aproximadamente 275 mil hectares, alta de 15%, segundo a Semadesc.

Nem toda expansão agrícola ou florestal ocorre diretamente sobre pastagens. O governo estadual estima, porém, que aproximadamente 4 milhões de hectares de áreas pecuárias degradadas foram convertidos, desde 1999, para lavouras, cana-de-açúcar, silvicultura e outros usos.

O Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas identificou 4,7 milhões de hectares passíveis de recuperação no estado em 2023. Outra análise da Semadesc, baseada em dados do MapBiomas, mostra que as pastagens de baixo vigor diminuíram de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024. Parte foi recuperada para continuar na pecuária, outra parcela recebeu lavouras ou florestas. A área estadual com integração lavoura-pecuária-floresta já supera 3,6 milhões de hectares. Os dados foram divulgados pela Semadesc em fevereiro de 2026.

Rebanho menor, abate maior

A redução da disponibilidade relativa de terra não interrompeu o crescimento da produção. Em 2024, mesmo com retração das pastagens e do rebanho, Mato Grosso do Sul abateu mais de 3,5 milhões de bovinos, aumento de 13,8% sobre 2023.

O avanço foi acompanhado por uma mudança na idade dos animais. O abate de novilhos precoces passou de 722,2 mil cabeças em 2018 para 1,53 milhão em 2024, alta de 112%, segundo dados do programa Precoce MS. O resultado indica maior giro do rebanho, uso de suplementação e terminação mais rápida. Os números foram apresentados pela Semadesc em 2025.

A pecuária respondeu por R$ 28,24 bilhões do Valor Bruto da Produção Agropecuária estadual em 2025, crescimento de 20,91% sobre o ano anterior. A bovinocultura, sozinha, representou mais de um quarto do VBP de Mato Grosso do Sul.

Para a Nutripura, esses indicadores mostram que o pecuarista passou a competir não apenas com outros produtores de carne, mas com atividades capazes de gerar receitas elevadas por hectare. Confinamento, suplementação nas águas e na seca, correção do solo, recuperação de pastagens e controle dos índices zootécnicos deixam de ser intervenções isoladas e passam a compor o planejamento econômico da fazenda.

Nutrição entra em um pacote mais amplo

A Nutripura pretende explorar esse mercado com um modelo que ultrapassa a comercialização de suplementos. A empresa oferece programas de manejo de pastagens, monitoramento por drones, recuperação de solos, planejamento nutricional e acompanhamento técnico das propriedades.

Também fazem parte da estrutura o Conselho Técnico, o Centro de Pesquisa Nutripura e o programa Canivete, direcionado à gestão e à intensificação dos sistemas pecuários. O trabalho começa pela identificação dos objetivos do produtor e pelo diagnóstico dos limites produtivos da fazenda.

“Nossa proposta é entender os objetivos de cada cliente e caminhar ao lado dele na construção de fazendas cada vez mais produtivas, sustentáveis e lucrativas”, afirma Lainer.

O Centro de Pesquisa Nutripura foi criado em 2015. Segundo a empresa, possui capacidade para realizar experimentos com 1,7 mil bovinos em 44 baias de confinamento. A estrutura inclui ainda 12 piquetes de terminação, com capacidade para 1,8 mil animais por ano, e 20 divisões de pastagens para pesquisas com até 300 bovinos. As linhas de estudo abrangem aditivos, coprodutos agroindustriais, dietas de confinamento, suplementação a pasto, bem-estar e impactos ambientais.

180 arrobas por hectare

A Agropecuária Palmares, localizada em São Gabriel do Oeste, é um dos casos utilizados pela Nutripura para demonstrar seu modelo de atuação. Cliente desde 2018, o grupo tem origem na agricultura e passou a investir na bovinocultura como estratégia de diversificação.

A propriedade mantém um confinamento com capacidade estática para 6,6 mil animais e adotou o Canivete Intensificação, programa voltado ao aumento da produtividade das pastagens por meio de manejo, monitoramento, nutrição e suplementação.

“Começamos o projeto com mil bois e, no fim do primeiro ano, já estávamos com dois mil animais. Desde então seguimos crescendo. É uma relação de confiança. Os técnicos da Nutripura nos apresentam novas tecnologias e, quando colocamos em prática, vemos os resultados. Eles estiveram conosco desde o início da implantação do confinamento”, afirma Mauricio Castilho, líder da área de pecuária da Agropecuária Palmares.

Segundo informações da propriedade e da Nutripura, a produção se aproxima de 180 arrobas por hectare ao ano. O resultado equivale a mais de 30 vezes a produtividade média nacional, estimada em pouco menos de cinco arrobas por hectare ao ano pelo Beef Report 2025, da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A Embrapa trabalha com referência nacional de 4,4 arrobas.

O indicador da Palmares, contudo, deve ser interpretado como resultado de um sistema específico, com confinamento e elevada concentração de animais. Comparações com fazendas exclusivamente a pasto dependem da metodologia empregada, da área considerada, da origem dos alimentos e do período contabilizado.

A propriedade também informa ter registrado, na última safra, intensidade de emissões de 11,9 quilos de dióxido de carbono equivalente por quilo de carcaça produzida. De acordo com a Nutripura, o índice é cerca de cinco vezes inferior à referência nacional adotada no levantamento. A comparação exige que os inventários utilizem a mesma metodologia e incluam as mesmas fontes de emissão, como produção de alimentos, fertilizantes, combustíveis e eventuais mudanças no uso da terra. Com esse sistema, a Palmares estima produzir carne suficiente para atender ao consumo anual de aproximadamente 30 mil pessoas.

Produtividade não elimina a conta dos custos

A intensificação permite aumentar a produção por hectare e reduzir a emissão de gases de efeito estufa por quilo de carne, mas não assegura rentabilidade por si só. Correção e adubação do solo, divisão de pastos, estruturas de alimentação, compra de insumos, mão de obra especializada e capital de giro elevam o custo e a complexidade operacional.

O resultado depende da relação entre o investimento, o ganho adicional de peso, o preço da arroba e a capacidade da fazenda de manter o sistema durante todo o ciclo. Produzir mais por hectare só amplia a margem quando o custo da arroba adicional permanece abaixo da receita gerada.

É justamente nesse ponto que a Nutripura pretende posicionar a nova operação: combinar nutrição, produção de forragem e gestão para transformar o aumento da produtividade física em resultado econômico. A meta de adicionar até R$ 100 milhões à receita anual indica o tamanho do mercado que a empresa identifica nessa reorganização da pecuária sul-mato-grossense.

Fonte: O Presente Rural
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Maria Eduarda Lucion aposta em inovação para dar continuidade ao legado da Nutribras

Integrante da diretoria da empresa participou de talk show no GAFFFF e defendeu a sucessão familiar baseada em tecnologia, aprendizado e valorização das pessoas.

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A sucessão no agronegócio passa, cada vez mais, pelas mãos de uma geração que cresceu dentro das propriedades e empresas familiares, mas chega à gestão com uma visão voltada para inovação, tecnologia e profissionalização. Aos 26 anos, Maria Eduarda Lucion representa esse movimento. Integrante da diretoria da Nutribras Alimentos, ela participou na sexta-feira (24) do talk show “Jovens que cultivam o futuro no agro”, realizado no estande do Sebrae durante o Global Agribusiness Forum & Festival (GAFFFF), o maior de cultura agro do mundo, em Sorriso.

Nascida em Xanxerê (SC), Maria Eduarda chegou a Sorriso ainda com nove meses de idade, acompanhando a mudança da família para Mato Grosso. Apesar de ter crescido em meio ao agronegócio, afirma que a decisão de seguir na empresa não foi imediata.

O sonho inicial era cursar Medicina. Depois de vivenciar a rotina da área da saúde durante a época de cursinho preparatório, decidiu mudar de caminho e ingressou em Administração no Insper, em São Paulo. Foi durante a graduação, especialmente na elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso sobre a Nutribras, que passou a enxergar o negócio da família sob uma nova perspectiva.

“Quando voltei para Sorriso, percebi o impacto e a importância do que a gente faz. Passei a olhar a empresa não apenas como uma construção dos meus pais, mas também como um projeto de vida meu”.

Hoje, como integrante da diretoria, ela acompanha diferentes áreas da empresa para conhecer toda a operação. Segundo Maria Eduarda, a formação de um sucessor exige entender o funcionamento do negócio como um todo e aprender diariamente com quem construiu a empresa.

“Eu escolhi não ter uma sala. Quero estar perto dos meus pais e do meu irmão porque são eles que me ensinam todos os dias. Cada dia é uma oportunidade de aprender um pouco mais sobre a empresa”, disse.

Durante a entrevista, a jovem executiva defendeu que a sucessão não deve significar ruptura, mas evolução. Para ela, cabe à nova geração incorporar ferramentas de inovação e tecnologia sem perder os valores que sustentaram o crescimento das empresas familiares.

“Precisamos honrar o legado de quem veio antes da gente. A nossa geração chega com novas ideias e mais inovação, mas o agro continuará sendo feito por pessoas. A tecnologia é fundamental, mas nunca vai substituir quem faz o setor acontecer”.

Ao falar sobre os próximos anos, Maria Eduarda afirmou que o principal desafio será lidar com um ambiente cada vez mais imprevisível. Para ela, fatores como clima e economia estão fora do controle dos produtores, o que torna indispensáveis características como disposição para aprender, capacidade de adaptação e dedicação.

“O que a gente controla é a vontade de acordar todos os dias e fazer acontecer. É isso, junto com a busca por conhecimento, que prepara os jovens para os desafios do agro”.

Fonte: Assessoria Nutribras
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