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Cultivar de capim gera mais de R$ 75 milhões para pecuária no Sul

Somente no ano de 2015, foi gerado um ganho adicional de R$ 77 milhões, somadas a venda de carne, a economia nos custos de produção de leite e a venda de sementes

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Os benefícios econômicos gerados com a cultivar de capim-sudão BRS Estribo, lançada em 2013, têm entusiasmado pecuaristas e produtores de leite na região Sul do País. Somente no ano de 2015, foi gerado um ganho adicional de R$ 77 milhões, somadas a venda de carne, a economia nos custos de produção de leite e a venda de sementes. Esse resultado foi revelado por trabalho realizado por especialistas da Embrapa para avaliar o impacto da tecnologia. Os pesquisadores se basearam em entrevistas feitas com produtores de gado de corte e leite que adotaram o BRS Estribo.

Desenvolvida em parceria entre a Embrapa Pecuária Sul (RS) e a Associação Sul-Brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageiras (Sulpasto), a cultivar BRS Estribo é uma forrageira anual de verão e que apresenta maior rusticidade e ciclo mais longo, o que a coloca em vantagem diante do milheto e do sorgo forrageiro, espécies mais comumente usadas como pastagem de verão na região Sul do Brasil. 

De acordo com o Relatório Anual de Avaliação dos Impactos das tecnologias geradas pela Embrapa no ano de 2015, a área plantada com o capim-sudão BRS Estribo totalizou 340 mil hectares, tanto em áreas de produção de carne como para leite. Ao se considerar somente o valor gerado com a produção de carne, os dados mostram que cada hectare em que foi utilizada a tecnologia BRS Estribo conseguiu-se produzir, em média, 24 quilos a mais que o proporcionado pela forrageira anteriormente utilizada pelo produtor: o sorgo forrageiro. Segundo dados da Emater, o preço do boi vivo custava na época R$ 5,30. Esse número multiplicado pelos 310 mil hectares plantados gerou um ganho adicional de R$ 36 milhões somente em carne. 

Já na bovinocultura de leite, as cifras se referem à economia de custos proporcionada pela forrageira BRS Estribo. Com o ciclo mais longo desta cultivar, os produtores de leite puderam reduzir os custos com ração. Em um universo de 30 mil hectares plantados, a troca de forrageira resultou em um valor próximo a R$ 24 milhões. "Isso significa que os produtores deixaram de gastar esse valor com concentrados e outros suplementos alimentares, devido ao uso mais prolongado da BRS Estribo e à maior produção de massa forrageira ao longo do ciclo de verão", explica o pesquisador Jorge Sant´Anna, responsável pela elaboração da análise socioeconômica do Relatório de Impactos das tecnologias produzidas pela Embrapa Pecuária Sul.

Já nos primeiros experimentos realizados pela Embrapa Pecuária Sul, em 2013, coordenados pela pesquisadora da área de manejo de pastagens Márcia Silveira, ficou constatado que a produção intensiva de carne a pasto, tendo o BRS Estribo como base, foi bastante competitiva em relação às demais forrageiras anuais de verão. "O Estribo se mostrou com muito potencial para aumentar a produção média e a renda por hectare, tanto sob pastejo rotativo como pastejo contínuo, sendo possível alcançar bons índices em termos de produção animal quando bem manejada", relata. No pastejo contínuo, a média de ganho individual diário foi de 704 gramas por animal e o ganho por área foi de 361,7 quilos de peso vivo por hectare. Já no pastejo rotacionado, os experimentos obtiveram um ganho diário de 710 gramas por animal e ganho por área de 266,4 quilos de peso vivo por hectare.

Passados três anos do lançamento da BRS Estribo, os dados obtidos a campo confirmam os resultados dos experimentos. A maioria dos produtores de gado de corte e de leite que usou o BRS Estribo diz ter encontrado uma produção maior nesta forrageira, quando comparada ao milheto, ao sorgo ou ao capim-sudão comum. No gado de corte, por exemplo, o incremento foi de 13%, em média, segundo dados do Relatório de Avaliação dos Impactos. Isso porque, em relação ao capim-sudão comum, a BRS Estribo apresenta uma maior produção de forragem, maior perfilhamento e maior proporção de folhas, quando bem manejado. Já em comparação com o sorgo, o capim-sudão não apresenta o risco de toxidade aos animais, conferindo maior flexibilidade ao manejo. 

"Muitas características foram selecionadas para proporcionar mais massa verde à planta, maior número de rebrotes, além de maior tolerância ao frio e à geada. Dessa forma, é possível fazer um ciclo mais longo de utilização do BRS Estribo (de pelo menos um mês e meio a mais de disponibilização de forragem) até as primeiras geadas da estação fria", explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Daniel Montardo. Ele frisa que em setembro ou outubro já é possível plantá-lo, com a produção se estendendo até fins de abril ou início de maio. Esta cultivar também possui maior tolerância ao pastejo e ao pisoteio, e colmo (cana) mais fino que o sudão comum. Isso permite que, somente com a entrada dos animais no momento certo, o pasto consiga ser rebaixado, e ao final de todo o ciclo de pastejo necessite um menor número de roçadas.

Entrada no pasto no tempo certo 

De acordo com a pesquisadora Márcia Silveira, o manejo correto é o "pulo do gato" para aproveitar todo o potencial que essa forrageira de verão tem a oferecer. Plantas forrageiras bem manejadas tendem a apresentar bom valor nutritivo. Isto está diretamente ligado à maior quantidade de folhas em relação aos colmos. "Como as forrageiras anuais têm grande potencial de crescimento, é muito importante que os animais entrem para pastejar no momento correto, pois caso contrário, essa relação folha/colmo se altera rapidamente e o capim-sudão ‘encana' (forma colmos) em excesso. Por isso, é fundamental buscar o momento certo para colocar e retirar os animais". O que parece complicado num primeiro momento, mas torna-se algo simples com a prática. Para realizar essa tarefa, se utiliza a altura do pasto como ferramenta de manejo, explica a pesquisadora.

Segundo o documento técnico da série Embrapa, "Aspectos relativos à implantação e manejo de capim-sudão BRS Estribo'', disponível online para consulta, para o manejo no pastejo rotacionado, deve-se buscar colocar os animais quando o pasto alcançar uma altura média de 50 cm e retirar o gado com uma altura de cinco a dez cm. Para o pastejo contínuo, deve-se buscar manter uma altura média de 30 cm, ajustando a carga sempre que necessário (adicionando ou retirando animais conforme o crescimento/altura do pasto). Isso retarda a formação excessiva de colmos e proporciona um melhor desempenho aos animais. Manejando adequadamente o BRS Estribo é possível obter vários rebrotes e pastejos (pelo menos seis). Já o sorgo, bem manejado, retorna entre três e quatro pastejos. Além disso, o Estribo possibilita um maior período para  seu plantio na região Sul do Brasil, pois germina e se desenvolve em temperaturas mais baixas que as necessárias para sorgo e milheto, por exemplo. Isso confere  maior flexibilidade para seu uso, principalmente em sistemas de integração lavoura-pecuária.

O pecuarista José Sachet, do Município de Candiota (RS), usou o BRS Estribo por três anos consecutivos e já sentiu as diferenças no desempenho dessa forrageira. Em sua propriedade de 516 hectares, Sachet faz terminação de gado de corte no inverno e verão. "O rebrote do Estribo parece mais rápido que o sorgo forrageiro e o animal aceita melhor. Porém, a cada ano esse desempenho é diferente, pois varia conforme a chuva e se não cuidar com o manejo, encana muito e tem que roçar", explica. 

Um dos entusiastas do uso do BRS Estribo para produção de pastagem de verão é o pecuarista e engenheiro-agrônomo Gustavo Moglia Dutra, proprietário da Fazenda Santa Margarida, em Bagé (RS). Sob a orientação e acompanhamento do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Danilo Sant´Anna, Dutra vem utilizando a cultivar desde novembro de 2015, produzindo alimentação para o gado, durante o verão e outono, juntamente com o campo nativo. Já no inverno-primavera, utiliza aveia e azevém na mesma área do sudão, onde se procurou organizar o sistema para antecipar o ciclo de inverno e estender o ciclo de verão, sobrepondo-os, visando a fornecer forragem durante todo o ano aos animais.

"Nesta propriedade, o capim-sudão BRS Estribo está entrando para complementar uma produção de forragem que já vinha ocorrendo muito bem no inverno. Juntamente com o campo nativo existente na propriedade, completou uma cadeia forrageira estável e com qualidade 365 dias do ano", explica o pesquisador. Segundo ele, foi obtido um ganho de peso individual médio de 1,0 a 1,1 kg de peso vivo/dia em novilhos de sobreano, e uma produtividade por hectare de aproximadamente 300 kg de peso vivo, considerando o pastoreio realizado desde o início de janeiro até final de abril de 2016". Um bom desempenho, segundo o proprietário, já que essa forrageira vem possibilitando a terminação e venda para abate de novilhos jovens.

Mercado de sementes

Além dos ganhos econômicos, é importante frisar o impacto que a cultivar gerou na cadeia produtiva de sementes da região Sul, ao consolidar a organização dos produtores. Em um segmento ainda marcado pela informalidade e venda de materiais não registrados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a BRS Estribo, desde seu lançamento, contribuiu para o fortalecimento de uma rede para a produção e venda das sementes, formada por 25 estabelecimentos comerciais, com alcance em várias partes do Estado do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e região central do Paraná. "A organização é o primeiro passo para que o mercado de sementes da região Sul seja promissor e a rede se formou com a constituição da Sulpasto. A BRS Estribo foi o primeiro produto da Sulpasto que deu retorno em larga escala para as empresas, por isso contribuiu para consolidar essa parceria entre produtores de sementes, Embrapa e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)", afirma Daniel Montardo, também um dos responsáveis pela organização da associação na sua origem.

A maior parte da produção de sementes da cultivar BRS Estribo é feita na região Centro-Oeste do País no período do ano correspondente à estação fria da região Sul. Essa estratégia permite que as sementes sejam colhidas na região Centro-Oeste já na época em que começa o plantio na região Sul, reduzindo custos de armazenamento. Segundo a Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do Rio Grande do Sul (Apassul), em 2013, foram produzidas 3,4 mil toneladas da BRS Estribo, gerando um montante de sementes que foram plantadas no ano de 2014 em 139 mil hectares, seja para produção de novas sementes seja para pastejo.  Já em 2014, a Apassul estima que tenham sido produzidas sementes para plantar 393 mil hectares, ou seja, 9,8 mil toneladas. Com a recomendação técnica de que sejam utilizados 25 a 30 quilos de sementes por hectare (densidade de semeadura), e com o valor de venda direta sendo praticado em torno de R$ 1,70 o quilo para o produtor de sementes, obtêm-se o montante em torno de R$ 17 milhões gerados com a venda do insumo para 340 mil hectares. 

Melhoramento de forrageiras 

Até recentemente, no mercado de sementes forrageiras para a região Sul do Brasil predominavam cultivares comuns, ou seja, sem certificação genética. Dentre estas espécies de interesse, destacava-se o capim-sudão. Segundo o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul Juliano Lino Ferreira, o melhoramento genético do capim-sudão foi uma demanda do Mapa e dos produtores de sementes para se obter cultivares cujas sementes apresentassem certificação genética e sanitária.

Com a seleção bem orientada, foi obtido um material com foco em maior produtividade, além de características desejáveis como colmo mais fino que o capim-sudão comum, maior capacidade de perfilhamento, elevada rusticidade e maior tolerância ao pastejo e pisoteio. E com um manejo adequado, essas características têm proporcionado a dispensa de operações como roçadas para o rebaixamento da pastagem. Aliado a isto, uma peculiaridade do capim-sudão BRS-Estribo é sua precocidade, corroborando inequivocamente para um ciclo produtivo mais longo. Este processo normalmente demanda tempo, visto que após a seleção dos genitores de interesse, os melhoristas devem efetuar cruzamento entre eles, seleções em anos posteriores, e finalmente uniformização do material, cumprindo as etapas necessárias ao registro no Mapa.

De acordo com o pesquisador, novos materiais estão em processo de desenvolvimento, contando como diretriz as informações colhidas com os produtores de sementes, pecuaristas e pesquisadores da área de manejo de forrageiras. Neste contexto, alguns atributos estão sendo levados em consideração como melhor estabelecimento em áreas mais úmidas, maior perfilhamento e tolerância a doenças, além de um contínuo foco na maior produtividade e adequação aos sistemas de produção.

Fonte: Assessoria Embrapa

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Notícias Perda da Safra

Mais de 25 mil agricultores familiares irão receber benefício do Garantia-Safra em abril

Benefício será pago em parcela única de R$ 850 para produtores de 27 municípios em sete estados

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Divulgação/MAPA

Portaria Nº 18, que determina o pagamento do Garantia-Safra, foi publicada nesta sexta-feira (16) pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Neste mês, receberão o pagamento agricultores de Alagoas, da Bahia, do Ceará, de Minas Gerais, da Paraíba, de Pernambuco e Sergipe. O montante chegará a mais de R$ 21,5 milhões.

Diante do cenário imposto pela pandemia do Covid-19, a Secretaria de Política Agrícola decidiu antecipar, de forma excepcional, o pagamento do Programa Garantia-Safra na safra 2019/2020. Conforme publicado na Portaria 15, de 14 de abril de 2020, esse pagamento será realizado integralmente em parcela única de R$ 850.

O Garantia-Safra tem como objetivo garantir a segurança alimentar de agricultores familiares que residam em regiões sistematicamente sujeitos à perda de safra, por razão de estiagem ou enchente. Têm direito a receber o benefício os agricultores com renda mensal de até um salário mínimo e meio, quando tiverem perdas de produção em seus municípios igual ou superior a 50%. O benefício Garantia-Safra é disponibilizado obedecendo o calendário de pagamento dos benefícios sociais.

Benefício bloqueado

Com o lançamento do serviço “Solicitar Requerimento de Defesa após Bloqueio do Benefício Garantia-Safra”, na plataforma Gov.br, os agricultores aderidos ao Garantia-Safra que tiveram a concessão do benefício bloqueado nos municípios com autorização do pagamento no mês de janeiro/2021, devem cumprir com as orientações dispostas na Portaria Nº 25, de 8 de julho de 2020, para regularização do benefício.

Caso o benefício esteja bloqueado, o agricultor deve acessar o seu perfil no Sistema de Gerenciamento do Garantia-Safra, neste link, e verificar o motivo do bloqueio através da notificação que consta no perfil. O agricultor terá até 30 dias, após a publicação da Portaria que autoriza o pagamento do benefício, para se manifestar quanto o bloqueio.

A relação dos agricultores que tiveram o benefício bloqueado, de forma cautelar, será encaminhada pelas Coordenações Estaduais aos gestores municipais.

Fonte: MAPA
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Notícias Sustentabilidade

Estudo com participação paranaense aponta crescimento da agricultura sustentável

Tecnologias que diminuem a emissão de gases de efeito estufa na agropecuária fazem do Brasil um dos principais protagonistas no debate sobre mudanças climáticas

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Divulgação/AENPr

O agronegócio brasileiro vem se comprometendo cada vez mais com a adoção de práticas que poupam os recursos naturais e diminuem a emissão de carbono para a atmosfera. Essa é a conclusão do artigo Desenvolvimento da agricultura de baixo carbono no Brasil, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão vinculado ao Ministério da Economia.

“A adoção de tecnologias que diminuem a emissão de gases de efeito estufa na agropecuária faz do Brasil um dos principais protagonistas no debate mundial sobre mudanças climáticas”, aponta Tiago Santos Telles, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) e um dos autores da pesquisa.

Como exemplos dessas tecnologias, aponta o pesquisador do IDR-Paraná, está o plantio direto, uso de estratégias que aproveitam a fixação biológica de nitrogênio pelas plantas e, ainda, a exploração conjunta de espécies florestais em áreas de pastagens e de cultivo de grãos.

O estudo foi realizado com o objetivo de aferir o cumprimento das metas estabelecidas no Plano ABC, de 2010, e partiu da reunião e análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Embrapa, Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas) e do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg).

A pesquisa também aponta desafios. “É necessário ampliar os investimentos na recuperação de pastagens degradadas e no tratamento de dejetos animais”, alerta Telles.

Plano ABC

O Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas para a Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, ou simplesmente Plano ABC, foi elaborado em 2010 como parte da Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC).

A PNMC, por sua vez, foi um desdobramento interno da participação brasileira na 15ª Conferência das Partes (COP 15), realizada na Dinamarca em dezembro de 2009. Desse evento resultou o Acordo de Copenhague, em que o Brasil, país signatário, se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) – principalmente metano, dióxido e monóxido de carbono – até 2020.

No Brasil, cerca de 31% do total desses gases são gerados na agropecuária, aponta Telles, principalmente a emissão de metano na criação de bovinos, a liberação de carbono em certas práticas de manejo do solo e, ainda, o desmatamento para a liberação de novas áreas.

O Plano ABC definiu como principais diretrizes a recuperação de pastagens degradadas, a disseminação da produção integrada de lavouras, pecuária e florestas, o incremento do plantio direto, a difusão da fixação biológica de nitrogênio, a ampliação das florestas plantadas e a ampliação no tratamento de dejetos animais.

Resultados

Telles explica que o estudo avaliou a evolução do uso da terra entre 2010 e 2020, juntamente com a adoção das tecnologias preconizadas no Plano ABC. “A maior parte das metas foi alcançada”, afirma.

Os dados indicaram aumento no plantio de árvores em estabelecimentos agropecuários. “Os agricultores se dedicaram ao reflorestamento, cresceu a área de florestas destinadas à preservação permanente ou reserva legal”, acrescenta Tiago Telles.

Quanto à disseminação de tecnologias conservacionistas, o destaque foi a adoção de sistemas integrados de lavouras, pecuária e florestas. Segundo Telles, a meta do Plano ABC era expandir a adoção desse modelo de produção para 4 milhões de hectares. “Foram convertidos 13,76 milhões de hectares”, diz o pesquisador.

A expansão do plantio direto no período é outra importante constatação do estudo. A meta do Plano ABC era expandir em 8 milhões de hectares a área com esse sistema de cultivo. Foram alcançados 16,74 milhões de hectares, um incremento de 209,22% sobre a proposta inicial.

Houve importante crescimento de áreas dedicadas às florestas plantadas – 140% acima da meta – e adoção de estratégias para a fixação biológica de nitrogênio, que alcançou 14,55 milhões de hectares e superou em mais de 260% o objetivo inicial definido pelo Plano ABC.

A baixa adoção do tratamento de dejetos animais e o pequeno incremento na recuperação de pastagens degradadas foram os pontos negativos verificados no estudo.

Frente à meta de tratar 4,4 milhões de metros cúbicos de dejetos animais, obteve-se 1,7 milhão, cerca de 39%. Dos 15 milhões de hectares de pastagens recuperados inicialmente previstos, meros 5,44 milhões de hectares, ou 36,30%, foram alcançados.

Políticas públicas

O pesquisador José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho, do Ipea, destaca a importância de avaliar as políticas públicas. Para ele, o estudo permitiu verificar o esforço brasileiro em busca de maior sustentabilidade na produção. “Os resultados destacam o Brasil como líder mundial na construção de uma economia de baixo carbono”, conclui.

Autoria 

Juntamente com Telles e Vieira Filho, integram o conjunto de autores do artigo as pesquisadoras Ana Júlia Righetto e Marina Ronchesel Ribeiro, ambas ligadas ao IDR-Paraná. A íntegra do texto pode ser acessada aqui.

Fonte: AEN/Pr
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Notícias Milho

Colheita do milho atinge 77% da área cultivada no Rio Grande do Sul

As lavouras da Metade Sul apresentam produtividades boas, pois sofreram menos com a estiagem da primavera

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Segue a colheita da cultura do milho, apesar de menos intensa, pela prioridade da soja e do arroz, e atinge 77% da área cultivada no Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado na quinta-feira (15) pela Emater/RS-Ascar, em convênio com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seadpdr), 12% das áreas de milho estão em maturação, 9% estão em enchimento de grãos e 2%, em floração (pendoamento). As lavouras da Metade Sul apresentam produtividades boas, pois sofreram menos com a estiagem da primavera.

Na Regional de Santa Rosa, 84% da área foi colhida. Apesar das chuvas no final de novembro e dezembro, a produtividade média das lavouras de milho grão (somando safra e safrinha) está em 3.116 quilos por hectare. Com a retomada das chuvas no estádio reprodutivo, mesmo que tardiamente, estas devem amenizar os danos sofridos pela cultura nos meses anteriores. A colheita das áreas de milho deve atrasar um pouco em função das máquinas colhedoras estarem priorizando a da soja. Assim que finalizarem, deve ser retomada a colheita do milho.

O milho, na região de Passo Fundo, teve 94% das áreas colhidas. Na de Erechim, 80% colhida, com perdas de 40%. A produtividade está em 5.529 quilos por hectare. Empresas fazem contratos de compra a R$ 80,00/sc. Na de Porto Alegre, a colheita avançou para 64% da área, com produtividade média de 4.538 quilos por hectare, dentro do previsto. O atraso no plantio, o clima e a presença de cigarrinhas (praga nova e muito agressiva) preocupam produtores sobre o desenvolvimento do milho do tarde. Com as últimas chuvas, a maioria das lavouras está fora de perigo, e deverá apresentar boas produtividades.

Milho silagem

Na Regional de Bagé, a ensilagem das lavouras de milho avançou de forma significativa. Na Campanha, permanecem relatos de excelentes produtividades, com lavouras atingindo até 60 toneladas por hectare de massa verde. A alta produção exigiu maior atenção com a regulagem das ensiladeiras e trabalho em velocidades mais baixas. As produtividades elevadas reduziram a área necessária de produção para enchimento de silos, e produtores reservam parte das lavouras para a colheita de grãos, visando reduzir custos com aquisição de ração para bovinos de corte e de leite.

Na Regional de Pelotas, segue a colheita, chegando a 81% das áreas. O preço da silagem ensacada posta no local de compra permanece estável em R$ 0,50/kg e comercializada na propriedade, entre R$ 0,25 e R$ 0,35/kg. Já na de Erechim, a produtividade média é de 25,8 toneladas por hectare, redução de 35%. A colheita chegou a 90% da área.

Soja avança para final da colheita

A colheita da soja se encaminha para o final em algumas regiões. Propriedades menores já estão encerrando a atividade. No RS, 54% da área cultivada com soja foram colhidas, estando 37% em maturação e 9% das áreas em enchimento de grãos.

Na Regional da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita avançou para 35% da área ocupada com a oleaginosa. As condições climáticas foram favoráveis à operação, mas na progressão dos dias o teor de umidade nos grãos já estava aquém do ideal, gerando alguns danos mecânicos ao tegumento, prejudicando a produção de sementes. As precipitações ocorridas no dia 11/04 devem amenizar a situação. A produtividade continuou satisfatória, em média, acima da expectativa inicial, chegando a até 4.800 quilos por hectare, incomuns para a região. Contudo, em microrregiões com menores precipitações, as produtividades partiram de 1.500 quilos por hectare.

Nas regionais de Erechim e Passo Fundo, lavouras de soja estão 70% e 80% colhidas, respectivamente. O desenvolvimento continua satisfatório. Conforme a colheita avança, a produtividade diminui, principalmente em plantios efetuados em dezembro. Na Regional de Erechim, a produtividade média de 3.720 quilos de soja por hectare, 11% maior que a média do Estado. Municípios com mais tradição no cultivo, como Quatro Irmãos, Ipiranga do Sul, Jacutinga e Sertão, a produtividade é maior do que 4 mil quilos por hectare.

Fonte: Emater/RS-Ascar
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