Suínos
Cuidados simples podem reduzir problemas locomotores
Até 90% dos suínos podem chegar ao abate com algum problema relacionado ao sistema locomotor
Estudos apontam que de 30 a 90% dos suínos que chegam ao abate têm algum problema relacionado ao aparelho locomotor. Isso significa que ao longo de sua vida, esses animais tiveram seu desenvolvimento prejudicado e, com isso, deixaram de ter o rendimento econômico que deveriam. Conforme o médico veterinário e gerente comercial da Zinpro, Ton Kramer, ao reduzir a incidência de claudicação nos animais, além de diminuir perdas produtivas, também será diminuído o uso de antibióticos na produção e o desempenho dos suínos será melhor. Para Kramer, a adoção de programas efetivos, tanto na prevenção, como no tratamento relacionado a claudicação implicam em entender corretamente suas causas e consequências e agir de forma apropriada, evitando subestimar o impacto deste importante desafio.
Kramer destaca ainda que perdas relacionadas com a claudicação, incluindo morte e descarte de animais, representam, pelo menos, de 1 a 5% da produção. A questão é que, muitas vezes, interferências simples na estrutura física da granja podem reduzir os índices de hematomas, lesões de cascos e outros problemas. O assunto, inclusive, foi abordado por Ton Kramer em palestra no Suinter, realizado em junho, em Foz do Iguaçu.
O profissional comenta a respeito de levantamento feito em 2013, na Dinamarca, que apontou a prevalência de lesões no aparelho locomotor de leitões ainda na maternidade. Em praticamente todas as fases foram verificadas erosões de pele e hematomas. Os hematomas estão em quase 90% dos leitões na primeira semana de vida, já as erosões de sola e coroa chegam a estar em quase 40% dos animais. Kramer ressalta que as erosões de pele podem ser a porta de entrada para outras infecções e processos inflamatórios. Se não bastassem as erosões, ele menciona que já nas primeiras semanas há leitões com artrites. O que é pior, Kramer enfatiza que as instalações é que estão contribuindo para que os problemas sejam ocasionados. São problemas estruturais no piso, principalmente. “Já a partir da maternidade nós estamos proporcionando motivos para que os animais manquem e não desempenhem adequadamente todo o seu potencial. Tem gente economizando em ferro, em piso, em estrutura, mas acaba tendo prejuízo no desempenho dos animais”, ressalta.
Desafios
Na creche, menciona Kramer, os problemas persistem. São verificadas lesões na linha branca, erosões de sola, entre outros. Conforme ele, as lesões na linha branca são difíceis de recuperar. A questão pode ficar mais grave na creche tendo em vista a situação que o leitão sai da maternidade. “Temos que ficar atentos, porque estamos criando armadilhas para os animais. Não podemos pecar na manutenção das instalações”, alerta, lembrando que ripados e pisos vazados mal dimensionados podem prejudicar a sustentação e machucar os leitões, o que se agrava com falta de manutenção, já que um buraco pode provocar acidentes que vão comprometer o aparelho locomotor do leitão.
Da mesma forma, as situações de risco persistem com pisos muito abrasivos ou muito lisos. O primeiro colabora para intensificar lesões, já o segundo, pode provocar escorregões. Ambos, aliados à umidade, têm grande potencial ofensivo para a saúde do aparelho locomotor dos leitões. É comum de se observar leitões na creche com inflamações nos cascos, que podem sangrar nos casos mais graves. “Podemos imaginar a dor e o estresse que esse leitão sofre e com isso, o que implica no seu desenvolvimento”, ressalta o médico veterinário.
Da creche o leitão vai para a terminação e continua encontrando grandes desafios para a saúde do aparelho locomotor, persistindo problemas como as erosões e outras lesões de casco. Uma situação comum na terminação é a lâmina d´água que, muitas vezes, por falha de maneja, proporciona o acúmulo de urina e dejetos. Kramer explica que esses resíduos destroem a queratina dos cascos e, em contato com lesões já existentes, colaboram para o agravamento das lesões e o desenvolvimento de infecções. “Há bactérias cultivadas nesse meio que corroem a queratina do casco, destruindo aos poucos a queratina da linha branca e desenvolvendo lesões”, ressalta. Ele menciona, ainda, que as lesões de linha branca são das mais graves porque é muito difícil o animal se recuperar. “Um leitão que desenvolveu lesão na linha branca muitas vezes não vai ter oportunidade na sua vida de recuperar-se, porque não vai dar tempo até o abate”, ressalta.
Ton Kramer analisa que, muitas vezes, as lesões de linha branca não são consideradas como deveriam, porque os animais de creche e terminação são analisados de cima para baixo e pouco se vê as lesões na sola. Diferente da maternidade, a análise de sola das porcas é mais eficaz, tendo em vista o tempo que permanecem deitadas.
Vírus e problemas genéticos aumentam gama de problemas
O médico veterinário Ton Kramer chama atenção para os casos recentes de Seneca Valley Vírus, ou Senecavírus, que vieram contribuir para aumentar os problemas locomotores nas granjas, tendo em vista que provoca feridas vesiculares localizadas nos cascos, focinho e boca dos animais. Além das vesículas na banda coronária do casco, o senecavirus provoca a hiperqueratinização no epitélio lateral e acima da coroa do casco.
Outra doença que também reflete na questão locomotora dos suínos é a osteocondrose. Ton Kramer explica que é uma doença importante para a suinocultura, que causa uma lesão da cartilagem articular, assim como também na cartilagem de crescimento. Trata-se de um distúrbio no processo de ossificação endocondral que pode evoluir para problemas clínicos, como artrites e fraturas. “Está relacionada ao crescimento dos animais. É um problema no processo de ossificação, em que a cartilagem não é substituída por osso. A doença já tem relação com a vida embrionária, quando a cartilagem é irrigada”, relata, ao lembrar que a causa da osteocondrose tem vínculo genético, além de estar relacionada à nutrição de alguns minerais, como cobre, manganês e outros nutrientes, como metionina etc. As lesões da osteocondrose causam dores, dificuldade de locomoção e, portanto, prejudicam o desenvolvimento dos animais. “Eles vão comer menos, vão ter reduzida sua capacidade imune e, portanto, terão o desempenho prejudicado”, menciona.
Em alguns casos, relata o especialista, animais são diagnosticados pelo que chamam de “síndrome da fraqueza das pernas”. No caso de matrizes, por exemplo, o problema vai afetar o seu potencial reprodutivo. “O granjeiro vai achar que o sêmen não foi de qualidade, que o inseminador não foi competente e buscará outras razões para o baixo desempenho da matriz, quando o problema está nas condições locomotoras prejudicadas, em que a porca sente muita dor”, lamenta.
Um estudo feito na Universidade Federal do Paraná – campus de Palotina – demonstrou que quase 30% dos suínos que chegam ao abate tem lesões clínicas de osteocondrose. Já a literatura fala de 80 a 90% dos animais apresentam lesões clínicas ou subclínicas de osteocondrose.
Lesões nos cascos X prejuízos
As lesões nos cascos são um grande ponto de prejuízo nas granjas. O casco é uma estrutura dura, queratinizada que envolve as falanges e serve de sustentação para todo o corpo do animal. Ton Kramer esclarece que, se houver uma lesão de casco é preciso uma redistribuição do peso do animal, uma reacomodação da forma do animal ficar em pé e caminhar e de todo o seu comportamento, inclusive para tomar água e se alimentar.
As lesões de casco principais são sete: três de porção plantar (crescimento e erosão da almofada plantar, rachadura entre a almofada plantar e sola e lesão na linha branca), duas na parede (rachadura horizontal e rachadura vertical), crescimento das unhas ou presença ou ausência dos dedos acessórios das sobreunhas.
Segundo Kramer, um dos grandes vilões para o desenvolvimento da lesão na linha branca é a umidade. A umidade faz com que a estrutura queratinizada perca sua resistência, o que dificilmente será recuperado ao longo da vida do suíno de engorda. A taxa de crescimento dos cascos de animais adultos é de 6mm/mês e animais em crescimento 10mm/mês. “Precisamos garantir esse crescimento com qualidade, para que os cascos possam resistir aos desafios que o sistema produtivo impõe”, argumenta o veterinário. Além disso, Kramer cita estudo que está desenvolvendo em que as lesões de linha branca aparecem com 78% de prevalência nos suínos que chegam ao abatedouro, sendo que 30% sentem muita dor em virtude das lesões severas.
As lesões de casco podem estar relacionadas à genética, manejo, nutrição e ambiência.
O impacto das lesões resulta em perdas econômicas. Há alto custo com tratamentos. Há, ainda, perdas em ganho de peso diário e conversão alimentar.
“Os problemas locomotores são ainda mais graves em animais desafiados pela condição ambiental. Tem animal que chega a perder todo o casco. Dependendo do tipo de lesão, o animal vai sofrer por cerca de três meses com lesões de casco. Muitos chegam ao abate ainda com problemas”, lamenta.
O alerta do profissional da Zinpro é para que os produtores tenham mais atenção à estrutura física de todas as fases de produção, lembrando que problemas locomotores podem iniciar ainda na maternidade e sendo agravados ao longo da vida dos leitões. “As perdas são grandes e irreparáveis, mas nós podemos amenizar tomando medidas muitas vezes simples, com manejo e nutrição corretos, e também oferecendo instalações de acordo com a necessidade de cada fase do suíno”, conclui Kramer.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de junho/julho de 2015 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Dia do Suinocultor celebra protagonismo de quem impulsiona setor de R$ 63,1 bilhões
Com 5,6 milhões de toneladas produzidas e US$ 3,6 bilhões em exportações, cadeia reforça a importância dos produtores para a competitividade da proteína animal brasileira.

Celebrado nesta sexta-feira (24), o Dia Nacional do Suinocultor destaca o protagonismo dos produtores que, diariamente, sustentam a evolução de uma das cadeias mais competitivas do agronegócio brasileiro.
Em 2025, a produção brasileira de carne suína alcançou 5,592 milhões de toneladas, consolidando o país como o quarto maior produtor mundial. O Valor Bruto da Produção (VBP) do setor chegou a R$ 63,1 bilhões, movimentando economias regionais, gerando renda e impulsionando uma ampla cadeia formada por produtores de grãos, empresas de genética, nutrição e saúde animal, transportadores, cooperativas, agroindústrias e outros segmentos.

Foto: Shutterstock
A presença internacional também ganhou força. No ano passado, o Brasil exportou 1,510 milhão de toneladas de carne suína para 94 países, gerando receita cambial de US$ 3,6 bilhões. Com esse desempenho, o país manteve-se como o terceiro maior exportador mundial. Do total produzido, 27,01% foi destinado ao mercado externo.
Ao mesmo tempo, o mercado brasileiro permaneceu como o principal destino da produção nacional. O consumo per capita atingiu 19,1 quilos por habitante em 2025, refletindo a crescente presença da carne suína na mesa dos brasileiros e a ampliação da variedade de cortes e produtos disponíveis no varejo e na alimentação fora do lar.
Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), esses resultados começam dentro das propriedades rurais. São os suinocultores que transformam avanços em genética, nutrição, manejo, sanidade, biosseguridade, bem-estar animal e sustentabilidade em ganhos efetivos de produtividade, qualidade e segurança dos alimentos. “Cada tonelada

Presidente da ABPA, Ricardo Santin: “Cada tonelada produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor” – Foto: Mario Castello
produzida, cada mercado conquistado e cada avanço alcançado pela suinocultura brasileira começa com o trabalho do produtor. É dentro das granjas que os compromissos do setor com a sanidade, a eficiência, a qualidade e a sustentabilidade se transformam em prática. O suinocultor é o grande protagonista de uma cadeia que gera desenvolvimento para o Brasil e ajuda a garantir segurança alimentar para consumidores brasileiros e de dezenas de países”, destaca Ricardo Santin, presidente da ABPA.
Presentes em diferentes modelos de produção, sejam integrados, cooperados ou independentes, os suinocultores também desempenham papel decisivo na geração de oportunidades no interior do país. A atividade fortalece municípios, mantém renda nas comunidades e estimula investimentos em tecnologia, infraestrutura e qualificação profissional. “A competitividade da suinocultura brasileira não foi construída por acaso. Ela é resultado da capacidade de adaptação, do investimento e da dedicação de milhares de produtores. Celebrar o Dia do Suinocultor é reconhecer quem está na base de um setor que movimenta bilhões, abastece o mercado interno e leva a qualidade da proteína animal brasileira para o mundo”, conclui Santin.
Suínos
Mercado integrado paga mais pelo suíno vivo que o independente em julho
Cepea registra movimento atípico em algumas regiões do Sul, onde a elevada oferta e a demanda enfraquecida pressionam as cotações do mercado spot.
Suínos
Rentabilidade da suinocultura preocupa produtores de Mato Grosso
Apesar do avanço da produção e das exportações brasileiras, preços em queda e margens apertadas desafiam o setor no Estado.






