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Cruzamento de dados na propriedade impulsiona eficiência agropecuária

Prática envolve análise conjunta de informações provenientes de diversas fontes, como registros de produção, histórico de saúde dos animais, dados climáticos, entre outras informações.

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Foto: Shutterstock

No cenário atual da agropecuária, a busca pela eficiência é um fator crucial para o sucesso e a sustentabilidade dos negócios rurais. Nesse contexto, o cruzamento de dados tem se mostrado uma estratégia promissora para atender a eficiência das cadeias de produção. Ao combinar informações e insights provenientes de diferentes fontes, os produtores têm a oportunidade de tomar decisões mais assertivas, otimizar processos e alcançar resultados cada vez mais maiores.

O cruzamento de dados é uma prática que envolve a análise conjunta de informações provenientes de diversas fontes, como registros de produção, histórico de saúde dos animais, dados climáticos, informações sobre insumos utilizados e outros controles relevantes. Essa análise abrangente e integrada permite identificar padrões, correlações e oportunidades de melhoria que podem passar despercebidos em análises individualizadas.

Consultor e fundador da Vetquality, Sandro Charopen Machado – Foto: Arquivo Pessoal

Conforme o consultor e fundador da Vetquality, Sandro Charopen Machado, os principais dados que podem ser cruzados em uma propriedade rural para aumentar a eficiência operacional são baseados em informações zootécnicas, de produção e econômicas. “O cruzamento destes dados pode dar respostas do que está acontecendo na propriedade, podendo o produtor interferir de forma mais rápida para solucionar um problema”, pontua, acrescentando que “ao cruzar os dados conseguimos fazer uma ‘fotografia’ da propriedade e isso pode gerar uma avaliação do presente para prospectar um futuro na propriedade”.

Qualidade dos dados

A aplicação do cruzamento de dados em uma propriedade rural pode trazer uma série de benefícios para a gestão e eficiência do negócio. No entanto, há desafios e obstáculos que podem surgir ao implementar essa prática. Um dos primeiros obstáculos é a disponibilidade e qualidade dos dados, pois muitos produtores não possuem o hábito de registrar e analisar informações derivadas sobre sua produção.

Para superar esse desafio, Machado diz que é essencial conscientizar os produtores sobre a importância do trabalho de coleta e registro de dados. “É preciso destacar os benefícios que o cruzamento de dados pode trazer, como a capacidade de tomar decisões mais embasadas, identificar oportunidades de melhoria e otimizar o desempenho da propriedade. É importante ressaltar que o cruzamento de dados não se trata apenas de mais uma tarefa burocrática, mas sim de uma ferramenta valiosa para a eficiência e a rentabilidade do negócio”.

Uma abordagem eficaz para incentivar os produtores a colher e registrar dados é fornecer orientação e suporte. Isso pode envolver a criação de sistemas simples de registro de informações, como planilhas ou aplicativos móveis, que facilitam a coleta e organização dos dados. Além disso, oferecer treinamentos e capacitações sobre a importância do cruzamento de dados e como utilizá-los para melhorar a tomada de decisões pode ajudar a criar uma cultura de gestão baseada em dados na propriedade.

Integração e análise de dados

Outro desafio que pode surgir é a integração e análise dos dados coletados. À medida que a quantidade de informações aumenta, é fundamental ter ferramentas e sistemas adequados para gerenciar e processar esses dados de forma eficiente. Isso pode exigir investimentos em tecnologia, como softwares de gestão de dados ou sistemas de informação específicos para o setor agropecuário. Essas ferramentas auxiliam na integração, análise e visualização dos dados, facilitando a identificação de padrões e correlações.
Além disso, é importante contar com profissionais qualificados e especializados em análise de dados na equipe da propriedade. Eles serão responsáveis por extrair insights relevantes dos dados coletados e auxiliar na interpretação dos resultados. A contratação de consultores externos também pode ser uma opção viável, especialmente para propriedades menores que não possuem recursos para manter uma equipe interna especializada.

Tomada de decisões

A análise e o cruzamento de dados desempenham um papel fundamental ao ajudar os produtores rurais a identificar padrões e tomar decisões mais assertivas no manejo, nutrição e saúde dos animais. Cada propriedade tem uma história única, e os dados representam o histórico dessa trajetória. “É por meio desses históricos que podemos identificar os padrões recorrentes e estabelecer referências sólidas para embasar nossas decisões. Como costumo afirmar, podemos ser pegos por situações inesperadas, mas não por aquilo que já é padrão dentro da atividade”, reforça Machado.

Tecnologias disponíveis

Existem diversas tecnologias disponíveis para facilitar o trânsito de dados na propriedade rural. Desde o uso tradicional de papel e caneta até os modernos softwares de gerenciamento de propriedades leiteiras. Cada uma dessas opções apresenta vantagens e restrições a serem consideradas. “O uso de papel e caneta é uma opção inicial, porém, pode ser um processo trabalhoso e suscetível a erros. Já os softwares de gestão oferecem diversas vantagens, permitindo uma visualização mais clara e detalhada da propriedade. Essas ferramentas possibilitam o armazenamento, organização e análise eficiente dos dados, facilitando o cruzamento de informações e identificação de padrões. Além disso, os softwares podem oferecer recursos adicionais, como alertas e relatórios personalizados”, menciona Machado.

No entanto, de acordo com o profissional, uma limitação dos softwares é que, por mais intuitivos que sejam, ainda pode haver uma curva de aprendizado para os produtores se familiarizarem com a utilização das ferramentas. Além disso, alguns produtos podem encontrar dificuldades em preencher todos os dados necessários, mesmo com a praticidade fornecida pelos softwares. “É importante que os produtores avaliem suas necessidades e recursos disponíveis ao escolher a tecnologia mais adequada para o cruzamento de dados na propriedade rural. O suporte técnico e a capacitação dos envolvidos também são fundamentais para garantir o melhor aproveitamento das tecnologias disponíveis”, enfatiza.

Eficiência na utilização de recursos

O cruzamento de dados desempenha um papel crucial na otimização da eficiência na utilização de recursos, como água, energia e insumos na propriedade rural. Ao analisar e cruzar esses dados, Machado destaca que é possível estabelecer limites mínimos de uso para cada recurso, permitindo uma redução de custos direcionados e orientados dentro da propriedade. “Dessa forma, o produtor pode identificar áreas onde há desperdício ou uso excessivo de recursos, implementando medidas para melhorar a eficiência e garantir um manejo mais sustentável e econômico. O cruzamento de dados se torna uma ferramenta poderosa para embasar essas decisões e promover uma utilização mais consciente e eficiente dos recursos na propriedade rural”, salienta.

Machado ressalta que o cruzamento de dados desempenhando um papel fundamental na identificação e redução de desperdícios e perdas na produção agropecuária. Ele nomeia esses desperdícios como “sabotadores de produção”, referindo-se a tudo o que, direta ou indiretamente, causa prejuízos financeiros na propriedade. “Ao realizar o cruzamento de dados é possível identificar esses sabotadores, o que permite uma análise mais precisa e uma ação direcionada para reduzir gastos e minimizar as perdas. Essa abordagem baseada em dados contribui para uma produção mais eficiente e econômica na atividade agropecuária”, expõe.

O profissional reforça que o cruzamento de dados oferece diversas oportunidades na identificação de problemas de saúde animal, prevenção de doenças e melhoria do bem-estar dos animais. “Com o auxílio de ferramentas como coleiras sensores, é possível coletar dados mais complexos. Através do cruzamento desses dados, é possível determinar a capacidade produtiva entre problemas metabólicos em vacas e a ineficiência produtiva. Isso permite aos produtores identificar precocemente problemas de saúde, adotar medidas preventivas adequadas e promover intervenções para melhorar o bem-estar e a saúde dos animais”, menciona.

Segurança e privacidade dos dados

A segurança e a privacidade dos dados são aspectos cruciais a ser considerados pelos produtores rurais ao realizar o cruzamento de dados em suas propriedades. Um dos cuidados essenciais está relacionado, segundo Machado, ao nível de informação que é transmitido externamente, pois isso pode comprometer a eficiência e a confidencialidade dos dados. “Muitos produtores enfrentam dificuldades para fazer a correta leitura e registro dos dados, o que pode impactar a análise e o uso dessas informações. Eu como consultor desempenho um papel importante nesse processo, auxiliando os produtores na coleta, cruzamento, análise e diagnóstico de dados, além de fornecer orientações para que eles possam entender e fazer a leitura correta dessas informações”, afirma Machado.

De outro lado, existem diversos casos de sucesso em propriedades rurais que utilizaram o cruzamento de dados para aprimorar sua eficiência. “Em algumas propriedades os produtores produziam grande quantidade de leite. Através da análise dos dados da propriedade, podem ser identificados pontos de desperdício e ineficiência, conhecidos como sabotadores de produção. Com base nessas informações, foram implementadas estratégias para otimizar a produção e maximizar os lucros. Os resultados foram impressionantes, com um aumento significativo na rentabilidade e no lucro da propriedade, além de uma melhoria considerável na eficiência reprodutiva do rebanho, tudo isso sem a necessidade de aumentar os custos.

Esses exemplos práticos destacam o poder do cruzamento de dados como uma ferramenta eficaz para a eficiência e o sucesso das propriedades rurais”, reforça, acrescentando: “O produtor precisa entender que a propriedade dele é uma empresa e como tal deve ser tratada. Nenhuma empresa sobrevive sem saber os números que tem, por isso esse deve ser o ponto de partida para uma nova forma de atuação da propriedade leiteira”.

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Fonte: O Presente Rural

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Suplementação com Vitamina A contribui para melhoria da reprodução em bovinos

Deficiência de Vitamina A pode levar a transtornos reprodutivos em machos e fêmeas.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A pecuária nacional vem se modificando aos longos dos anos notando-se uma evolução nos processos produtivos, resultando no aumento da produção e produtividade dos nossos rebanhos. A mudança do perfil do produtor, que pressionado por questões mercadológicas e outros fatores (econômicos, produtivos) fizeram com que adotassem inovações tecnológicas que segundo Wedekin, (2017), levaram a melhorar a eficiência produtiva em termos de quantidade e qualidade da carne bovina.

Artigo pelo médico-veterinário, PhD em História das Ciências e professor e coordenador dos cursos da Plataforma EAD VeteAgroGestão/Farmácia na Fazenda, Guilherme Augusto Vieira – Foto: Divulgação

Entre as inovações tecnológicas destacam-se a utilização da produção intensiva para engorda (confinamento e semiconfinamento) na pecuária de ciclo curto, e no campo da reprodução um avanço nos sistemas reprodutivos nas fazendas brasileiras com a IATF (inseminação artificial em tempo fixo), aperfeiçoamento da monta natural e outras técnicas como transplante de embriões e fertilização in vitro, tudo isso com o objetivo no aumento da eficiência reprodutiva e a produção de um bezerro por ano. Todas as inovações tecnológicas desenvolvidas visam atender as exigências dos animais de alta performance.

Entretanto, apesar dos avanços da produção pecuária, Pires et al (2010), enfatiza que há necessidade de aumentar a eficiência da produção bovinos corte (engorda em pastagens), mas também o aumento da eficiência reprodutiva dos rebanhos.

De acordo com os autores, vários fatores influenciam na eficiência reprodutiva dos rebanhos, dentre eles as deficiências nutricionais.

Vários autores enfatizam a relação entre a nutrição e a reprodução. De acordo com Robinson et al (1996, 2006) apud Almeida (2024) et al, há uma estreita relação entre fertilidade, condição corporal e estado nutricional nas fêmeas de ruminantes, onde a nutrição influencia a fertilidade, desenvolvimento dos folículos, ovulação, maturação oocitária, fertilização, sobrevivência embrionária e a gestação. Nos machos também a nutrição interfere na reprodução como na espermatogênese, produção de hormônios, condição corporal entre outros fatores (Neiva, 1996).

Corroborando com Neiva (1996), Robinson et al (2006), Maggioni et al (2008), enfatizam que a alimentação e os nutrientes exercem influência na reprodução, sendo que os níveis nutricionais afetam o desenvolvimento e a função dos órgãos reprodutivos tanto nas fêmeas quanto nos machos.

Segundo Maggioni (2008) e Pires (2010), ao serem absorvidos no organismo, os nutrientes apresentam escalas de prioridades orgânicas em sua rota metabólica, entre elas: metabolismo basal, atividades (andar, deitar, entre outros), crescimento, reservas corporais, lactação, engorda, reservas corporais, ciclo estral e início da gestão. Entretanto, conforme demonstrado, o organismo animal só direcionará nutrientes para as atividades reprodutivas quando todas as prioridades anteriores estiverem atendidas, ressaltando que uma dieta deficiente em nutrientes e com suplementação inadequada irá prejudicar os órgãos com baixa prioridade.

Conforme Maggioni et al (2008) e Pires et al (2010) são vários os nutrientes que interferem na reprodução, destacando-se a energia, proteínas, gorduras, vitaminas (A e E), minerais (fósforo, cobre, zinco, manganês e selênio). Contudo, os autores esclarecem que embora os nutrientes sejam estudados separadamente, eles agem de forma conjunta para determinar a fertilidade dos animais. Portanto, ao analisar as questões nutricionais ligados a infertilidade dos machos ou fêmeas, devem ser analisados um ou mais fatores nutricionais.

As vitaminas são substâncias orgânicas, que mesmo em pequenas quantidades, são essenciais para a saúde, o crescimento, a reprodução e a manutenção das espécies animais. As deficiências de vitaminas são denominadas de hipovitaminoses ou avitaminoses, que podem ser resultantes de uma nutrição inadequada e desequilibrada. Entretanto, os animais podem requerer uma maior quantidade de vitaminas em situações específicas durante o crescimento, lactação, prenhez, estresse, infecções, manejo reprodutivo entre outras ocasiões especiais (Medeiros & Paulino, 2011).

Neste contexto, a deficiência de Vitamina A e sua interpelação com a reprodução será analisada neste artigo assim como as formas de suplementação para contribuir no seu ajuste nutricional.

Vitamina A: funções fisiológicas e deficiências nutricionais

A vitamina A é uma vitamina lipossolúvel, segundo Fontaine & Cadoré (2001), a vitamina A só existe na sua forma mais pura nos alimentos de origem animal ou no estado de molécula sintética. As fontes naturais mais importantes são os óleos de certos peixes marinhos (bacalhau e tubarão). Também está presente no fígado de todos os animais, na gema de ovo, leite e seus derivados.

Nos vegetais, a vitamina A se encontra na forma de provitaminas (precursores). Essas provitaminas são pigmentos carotenoides que são transformados em retinol no organismo animal. O principal precursor (mais ativo) da vitamina A é o betacaroteno, que é encontrado nos alimentos, tais como vegetais de cor amarela, laranja ou verde (frutas, legumes e verduras). O pasto verde é considerado uma fonte rica em betacaroteno, sendo que o pasto seco e o feno apresentam baixos teores de betacaroteno (Teixeira, 1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Medeiros & Paulino, 2011).

No organismo, o betacaroteno é transformado em vitamina A em duas vias: na mucosa do intestino delgado onde é absorvido e transportado pela corrente sanguínea; no fígado por hidrólise enzimática, onde é armazenado nas células de Kupfer, a qual é liberado na forma de álcool livre para ser transportado para outros tecidos (Teixeira, 1996; Medeiros & Paulino, 2011).

Quanto as suas funções fisiológicas, a vitamina A intervém no mecanismo da visão, permitindo a síntese dos pigmentos fotossensíveis do olho (rodopsina e iodopsina), sendo importante para a visão. Quanto a ação na reprodução, atua na síntese de hormônios esteroidais a partir do colesterol orgânico, nas gônadas, placenta e adrenais.

Outra grande função fisiológica é a sua participação de modo importante na síntese das glicoproteínas, na regulação da síntese da queratina, no metabolismo das lipoproteínas, na síntese do colesterol e na síntese do RNA mensageiro (Teixeira, 1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Medeiros & Paulino, 2011).

Os autores afirmam que tais ações fisiológicas explicam seu papel fundamental como a vitamina do crescimento ósseo (síntese da condroitina) e muscular, na manutenção dos epitélios queratinizados e não queratinizados (mucosas digestiva, respiratória, ocular e geniturinária), além da sua atuação na reprodução e desenvolvimento embrionário.

A deficiência de vitamina A ocorre devido ao consumo de dieta pobres em retinol ou betacaroteno, no caso dos herbívoros, ingestão de pasto seco ou feno. Afecções hepáticas, fatores de estresse, problemas intestinais ou outros fatores que dificultam a absorção da vitamina A, levando a quadros de avitaminose ou hipovitaminose (Teixeira,1996; Fontaine & Cadoré, 2001; Pires et al,2010; Medeiros & Paulino, 2011).

Os mesmos autores explicam que a deficiência de vitamina A acarreta uma série de problemas no organismo devido a quantidades insuficientes para manter suas funções normais. Como consequência da carência da vitamina A ocorre uma degeneração da mucosa de diversos órgãos (tecidos do trato respiratório, urogenital, rins, glândulas salivares e olhos) debilitando o epitélio normal, tendo como resultado a baixa resistência às infecções, levando a incidência de doenças bacterianas e parasitárias.

Os quadros mais comuns de deficiência de vitamina A observados em todos os animais são afecções cutâneas e pelos sem brilho, quanto a visão são a cegueira noturna, ceratoconjuntivites, xeroftalmia. Podem ser observados ainda como resultante da carência de vitamina A: cálculos urinários, atrofia glandular, modelagem incorreta dos ossos, diminuição do apetite, ganho de peso e do crescimento.

Vitamina A e a Reprodução

Valentim et al (2019) destaca a importância da vitamina A na reprodução animal, no qual a sua deficiência pode levar a sérios distúrbios reprodutivos.

Segundo Pires et al (2010), a deficiência de vitamina A leva a baixas taxas de fertilidade e concepção nas fêmeas, redução na duração da gestação, abortos, aumento na incidência de retenção de placenta. Os autores citam trabalhos realizados na Alemanha em que os pesquisadores associaram altos níveis de betacaroteno no corpo lúteo de vacas leiteiras com um melhor desempenho reprodutivo, caracterizado por diminuição no tempo de serviço, menor número de serviços por concepção e uma reduzida incidência de cio silencioso e ovário cístico.

Também são observados reabsorção e malformação fetal (Medeiros & Paulino, 2011).

Nos machos, os quadros carenciais apontam uma diminuição na habilidade e atividade sexual, espermatozoides anormais com reduzida motilidade, degeneração dos túbulos seminíferos nos bovinos jovens e injúrias testiculares gerais, tudo isso se deve ao fato da supressão da liberação de gonadotropinas hipofisárias e noutros casos, a espermatogênese é impedida e as funções das células de Sertoli e de Leydig são alteradas (Teixeira, 1996; Silva, 2020).

Suplementação de vitamina A

Teoricamente, as forragens consideradas de alta qualidade, devem ser capazes de fornecer os nutrientes necessários para atender as exigências dos animais em pastejo, quais sejam energia, proteína, vitaminas e minerais (Paulino, 2004).

Entretanto, a qualidade das pastagens no Brasil tem na sazonalidade climática (pastagens verdes na época das chuvas e secas nas épocas de estiagem) um dos fatores limitantes para o desenvolvimento produtivo dos animais, comprometendo a reprodução, engorda, recria e demais índices produtivos (Vieira, 2019).

Diante do exposto, Paulino et al (2004) sugere que nos locais produtivos onde não há possibilidade de produção e fornecimento contínuo de pastagens de qualidade ao longo do ano, o uso de sistemas de alimentação combinando pastagens, fornecimento de silagens, feno, suplementos alimentares adicionais, são requeridos para viabilizar o ajuste nutricional necessário e com isso atender as necessidades nutricionais dos animais.

No caso da vitamina A, além do fornecimento de silagens, fenos de boa qualidade (mais econômico), a suplementação pode ser por meio de rações concentradas, suplementos alimentares em pó e suplementos injetáveis.

No mercado encontram-se suplementos injetáveis a base de vitamina A e suplementos injetáveis múltiplos que contem além da vitamina A, outros nutrientes. A grande vantagem do uso dos suplementos injetáveis é que eles são absorvidos de forma mais rápida pelo organismo, adentram na corrente sanguínea promovendo ações mais rápidas, no que tange a prevenção e na correção dos sintomas carenciais.

Diante do exposto demonstrou-se a importância da nutrição em relação a reprodução animal, no qual a deficiência nutricional interfere sobre maneira nos processos reprodutivos, levando a sérios transtornos reprodutivos. Evidenciou-se a gravidade da deficiência de vitamina A, no qual leva a uma série de intercorrências reprodutivas em fêmeas e machos bovinos.

De acordo com o enfatizado por Pires et al (2010) os nutrientes agem em conjunto para determinar a fertilidade do animal. Portanto ao serem analisados casos de infertilidades, devem-se considerar outras carências nutricionais presentes no rebanho, assim como outras causas multifatoriais que acometem os processos reprodutivos.

A principal fonte de betacaroteno (precursor da vitamina A) para os bovinos são as pastagens verdes. Entretanto, devido a importância da vitamina A e de outros nutrientes na produção e reprodução animal, os produtores e técnicos de ciências agrárias devem considerar o uso de suplementos na prevenção e correção dos sinais carenciais, principalmente em função sazonalidade climática no Brasil.

É muito importante alertar sobre mais um fator que interfere na reprodução animal, pois cada vez mais a pecuária caminha para a produção de excelência.

As referências bibliográficas estão com o autor. Contato pelo e-mail guilherme@farmacianafazenda.com.br.

Fonte: Por Guilherme Augusto Vieira, médico-veterinário, PhD em História das Ciências e professor e coordenador dos cursos da Plataforma EAD VeteAgroGestão/Farmácia na Fazenda 
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Produção brasileira de carne bovina bate recorde em 2023

Pesquisadores do Cepea avaliam números preliminares do IBGE e apontam a concordância com o que preços mostraram ao longo de 2023: a oferta superou a demanda

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Foto: Wenderson Araujo/CNA

A produção de carne bovina foi recorde em 2023. Na avaliação de pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, a divulgação de dados, ainda preliminares, do IBGE sobre os abates em 2023 confirma a percepção de oferta acima da demanda ao longo do ano, fator que determinou o comportamento predominantemente em queda dos preços do boi e da carne no atacado ao longo do ano passado.

Segundo dados preliminares do IBGE, foram produzidas 8,91 milhões de toneladas, 11,2% a mais que em 2022 e 8,6% acima do recorde anterior, obtido em 2019. Pesquisadores do Cepea destacam que, em termos absolutos, o volume de carne aumentou em 900 mil toneladas frente a 2022, ao passo que a exportação foi ampliada em apenas 22,8 mil toneladas, para 2,29 milhões de toneladas – absorveu 25,7% da produção nacional.

O “excedente” ficou no mercado interno, exigindo redução dos preços para que fosse atingido o ponto de equilíbrio com a demanda. Ao longo de 2023, o Indicador do Boi Gordo Cepea/B3 recuou 12%, e a carcaça casada de boi no atacado da Grande São Paulo se desvalorizou 9%.

O volume de carne foi histórico, mas a produtividade média do rebanho nacional (boi, vaca, novilho e novilha), na marca de 262,97 kg/animal, ou de 17,5 arrobas, ficou ligeiramente abaixo da obtida nos últimos dois anos. Na avaliação de pesquisadores do Cepea, os motivos não são “estruturais” – são de conjuntura. Refletem a combinação de estiagem em muitas regiões produtoras com certa desaceleração dos confinamentos diante dos preços altos dos grãos.

Segundo os dados do IBGE, a produtividade de 2023 foi 1,7% menor que a de 2022 e 2,7% inferior ao recorde de 2021. O número de cabeças abatidas no ano em que se obteve a máxima produtividade (2021) foi o menor desde 2004, mas o peso médio (incluindo todos os bovinos abatidos) chegou a 270,2 kg/animal (18 arrobas); no quarto trimestre/21, atingiu 281,60 kg/animal (18,8 arrobas).

Pesquisadores do Cepea lembram que produtividade recorde de 2021 refletiu uma conjuntura bem particular. Naquele ano, a oferta de animais diminuiu em função dos abates de fêmeas em 2018 e 2019 ao mesmo tempo em que a China vinha intensificando suas compras e puxando os preços para cima, motivando pecuaristas a reforçar os investimentos – principalmente em genética e nutrição. Houve também aumento do volume confinado – foi o boom do confinamento!

Analisando-se apenas os dados do quarto trimestre de 2023 (de outubro a dezembro), foram produzidas 2,407 milhões de toneladas de carne bovina, o melhor trimestre do ano, superando em 1,1% o anterior e em 1,8% o de um ano atrás. Em termos de produtividade, o quarto trimestre teve média 266,04 kg/animal, a oitava maior marca para um trimestre, no compasso consistente dos meses anteriores.

Animais abatidos 

Os dados ainda preliminares do IBGE mostram que foram abatidos no ano passado 33,9 milhões de cabeças (machos e fêmeas), total que se aproxima do recorde de 2013, na marca de 34,4 milhões de animais. No comparativo com 2022, o aumento é de 13,2%. Especificamente no 4º trimestre do ano, os números de abates ultrapassaram ligeiramente as 9 milhões de cabeças, número recorde para um trimestre, superando em 20% o resultado do 4º trimestre de 2022.

Chama atenção a participação das fêmeas. Ao longo de 2023, segundo o IBGE, vacas e novilhas representam mais de 40% do total em vários meses, chegando a 49% em março, período em que sazonalmente ocorre o maior descarte de vacas. Muitos criadores têm optado por descartar fêmeas por estarem desanimados com os preços dos bezerros. Dados do Cepea mostram que esses animais estão em tendência de desvalorização há cerca de três anos. De fevereiro/21 até agora, o Indicador do Bezerro ESALQ/BM&FBovespa caiu quase 30%.

O abate de novilhas especificamente está relacionado à demanda chinesa por animais jovens – independentemente de macho ou fêmea. Segundo o IBGE, de abril a maio de 2023, novilhas chegaram a representar 14% do total de abates.

Melhora na produtividade 

Numa perspectiva mais ampla, avalia a equipe Cepea, o peso dos animais vem aumentado em resposta aos investimentos que muitos pecuaristas têm feito em aprimoramento da genética, em pastagens, suplementação e sanidade. A elevação da produtividade média tem sido favorecida também por animais de confinamentos, geralmente abatidos em torno de 20 arrobas.

De acordo com as pesquisas do Cepea, a expansão dos confinamentos e a profissionalização dessas estruturas têm alterado o perfil da pecuária nacional. São encontrados confinamentos com animais apenas da própria empresa e também aqueles que prestam serviço de engorda ou só de terminação a dezenas/centenas de pecuaristas, os chamados “boitéis”.

Segundo os levantamentos do Cepea, os grandes confinamentos contam com profissionais de primeira linha responsáveis por oferecer alimentação bem balanceada, manejo eficiente e comercialização tanto dos insumos (comprados) quanto da produção final (vendida) com os melhores instrumentos de mercado. Os pesquisadores ressaltam que a própria robustez da demanda por insumos quanto da oferta de bois que os confinamentos detêm elevam a eficiência de suas negociações.

O Cepea aponta que essas estruturas costumam produzir lotes mais padronizados e com boa qualidade, envolvendo grande número de animais e a um custo de custo de transação e logístico menor para os frigoríficos. O esforço que os compradores tinham para negociar com dezenas de pecuaristas, sobretudo para formar lotes destinados à exportação, diminui bastante quando negociam com alguns grandes confinadores. Ao mesmo tempo, comentam os especialistas em mercado, esses ofertantes adquirem maior poder de negociação que um pecuarista tradicional.

Fonte: Cepea
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Lançamento do Index Asbia 2023 ressalta importância do zebu para o cenário do melhoramento genético

Levantamento permite ao pecuarista interpretar os números e planejar os próximos passos de investimento em seu rebanho para obter melhores resultados.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) divulgou, na última semana, o Index referente ao mercado de genética bovina no ano de 2023. Elaborado em parceria com o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), o relatório traz informações sobre produção, importação, exportação e de uso da inseminação artificial no rebanho leiteiro e de corte nacional. “Mais de 83% dos municípios brasileiros fecharam nosso relatório de 2023, utilizando a inseminação artificial. E, mais do que isso, produziram no mesmo espaço e em maior volume, tanto carne como leite”, destaca o executivo da Asbia, Cristiano Botelho.

O levantamento permite ao pecuarista interpretar os números e planejar os próximos passos de investimento em seu rebanho para obter melhores resultados. “É importante pontuar o baixo custo para investir em genética e o valor agregado que ela proporciona a um projeto de pecuária. Especialmente, o último trimestre de 2023 mostra uma inflexão na curva. Houve um abate muito grande de fêmeas e, com isso, haverá menor oferta de bezerros na próxima estação. Isso mostra que o produtor tem que inseminar agora para produzir bons bezerros, porque o preço vai valer a pena”, ressalta o Diretor de Marketing da Asbia, Sérgio Saud.

Além de Saud e Botelho, participaram da transmissão o Diretor Operacional da Asbia, Luís Adriano Teixeira; o Pesquisador do Cepea, Thiago Carvalho; o Analista de Custos do Cepea, Giovanni Penazzi; o Presidente da ABCGil (Gir Leiteiro), Evandro Guimarães; o Gerente Comercial da Alta, Eduardo Cavalin; e o Gerente de Fomento do Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos da ABCZ (PMGZ), Ricardo Abreu, que enfatizou a importância do Zebu PO para o melhoramento genético dos rebanhos. “O Zebu PO melhorador anda sempre ao lado da genética via inseminação artificial, porque o criador utiliza touros melhoradores na IA e ainda faz o repasse da inseminação com touro Zebu PO melhorador. Lembrando que isso reflete no Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos da ABCZ, o PMGZ”, comenta Ricardo Abreu.

Fonte: Assessoria ABCZ
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