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Conheça mitos e verdades sobre o bem-estar animal e a evolução do conceito
Apesar de muito falado, o tema ainda requer uma compreensão mais aprofundada; especialista da MSD Saúde Animal esclarece os principais pontos

Enxergar os animais como seres sencientes, capazes de sentir dor, é o primeiro passo para que todos tenham uma perspectiva de empatia e entendimento de que há diversos benefícios quando se pratica, de fato, o bem-estar animal. Por isso, esse trabalho, seja na cadeia produtiva, seja com animais de companhia, inicia com a conscientização das pessoas e mudanças nas atitudes com os animais. E vai além, com a exata compreensão do que é o conceito, para que não se propaguem e perpetuem informações que não condizem com a realidade.
Para esclarecer os principais mitos e verdades sobre o tema, Filipe Dalla Costa, médico-veterinário e coordenador de bem-estar animal na MSD Saúde Animal, pontua abaixo algumas frases conhecidas e que, por vezes, trazem uma interpretação inadequada do conceito.
“Bem-estar animal é abraçar e fazer carinho nos animais”
Esse tipo de comentário traz à tona o comportamento afetivo e seus benefícios. No entanto, o bem-estar animal é uma ciência, depende diretamente da relação humano-animal e leva em consideração a harmonia entre alimentação adequada, ambiência confortável, boa saúde e a capacidade de expressão dos comportamentos para ser obtido um bom nível de estado físico e mental. Assim, sobre o exemplo citado, nem todas as espécies respondem bem a carinhos e abraços. Suínos e aves são presas no reino animal, por exemplo, e seu maior medo é ser contido, o que se assimila a uma captura. Dessa forma, é extremamente importante conhecermos o comportamento natural de cada espécie para podermos criar conexões positivas com os animais e evitarmos situações de estresse desnecessárias. Afinal, todos temos a missão de cuidar.
“Bem-estar animal é modismo, já vai passar”
Esse foi um comentário muito comum no início, quando o tema estava começando a ganhar força no Brasil. Na época, quando o setor produtivo foi convidado a pensar pelo lado dos animais e relacionar a forma como eles reagem a cada estímulo, muitos profissionais acreditavam que isso não funcionaria, que era uma onda passageira. Contudo, ao notarem que garantir uma vida digna de ser vivida aos animais trazia benefícios à produtividade e melhorava inclusive a facilidade de manejo e bem-estar das pessoas, o tema começou a ganhar mais relevância. Há benefícios para todos os envolvidos: o produtor, que tem mais facilidade de manejo e produtividade; o animal, que tem menor nível de estresse; o consumidor, que tem maior qualidade de alimentos; e o meio ambiente, pela maior sustentabilidade do setor.
“Meus animais têm bem-estar, afinal, tenho uma granja altamente tecnificada
Engana-se quem acha que ter equipamentos modernos é garantia de bem-estar animal. O conceito depende da interação entre os domínios da alimentação, ambiência, saúde e comportamento, que interagem para dar o estado físico e mental de bem-estar animal. Manter temperatura e umidade adequados e controlar a nutrição em quantidade e qualidade, sem disputas entre os indivíduos, são fatores fundamentais, mas muitas outras situações são parte da construção do que de fato é bem-estar, como densidade, qualidade de ar, qualidade de piso, prevenção de enfermidades e interação humano-animal. Desde que bem manejados, sistemas simples e sem tecnologia podem ter melhores níveis de bem-estar animal, por exemplo.
“O sistema de produção extensivo é sempre melhor do que o intensivo em questões de bem-estar animal”
O público leigo tende a associar animais em seu ambiente natural a bons níveis de bem-estar animal. Contudo, somente o modelo de produção não é garantia. Sistemas intensivos e extensivos podem ter bons níveis de bem-estar animal dependendo de como forem manejados. Por exemplo: o sistema extensivo de criação de gado a pasto pode expor os animais a situações de alta incidência de raios solares, estresse térmico, dificuldades de acesso a água quando muito longe do recurso e predadores. Já no sistema intensivo confinado, os animais têm uma alimentação em quantidade e qualidade corretas, sem disputa, controle de ambiência, com temperatura e umidade adequadas, bons índices de comportamento e saudabilidade.
“Sistemas alternativos de produção com acesso a áreas externas garantem melhor bem-estar aos animais”
O bem-estar dos animais depende da harmonia entre os cinco domínios (boa alimentação, ambiência, saúde, comportamento, estado físico e mental). Geralmente, os sistemas alternativos podem melhorar a expressão de comportamentos naturais quando comparados aos sistemas convencionais não enriquecidos. Contudo, podem apresentar maior dificuldade de controle a ectoparasitas e proteção contra presas. Assim, deve-se sempre ter uma avaliação holística dos sistemas para determinar como melhorar cada realidade.
“Bem-estar animal não dá lucro!”
Bem-estar animal dá lucro, sim. Por meio da redução do estresse dos animais, há uma melhoria da saúde, menor ocorrência de enfermidades, lesões, mortalidade e desperdício de recursos, e mais qualidade do produto final. Além disso, o risco de acidentes com manejadores é menor. Melhorar o bem-estar dos animais é trabalhar de forma mais ética, responsável e lucrativa.
“O consumidor não paga a mais por bem-estar animal”
As pessoas estão cada vez mais interessadas em conhecer o que consomem e têm buscado de forma proativa por informações. Elas se interessam pela forma como as cadeias produtivas se comportam e quem são os componentes que fazem parte daqueles modos de produção. A questão do bem-estar animal vai ao encontro dessas iniciativas e conversa diretamente com o consumidor, o que dá mais credibilidade e gera ainda mais confiança da cadeia como um todo.
Filipe fecha os exemplos ressaltando que é preciso entender que cada ação e atitude que as pessoas têm pode influenciar no bem-estar animal e na produtividade. “Lembre-se de que os animais se comunicam por meio do comportamento, e quando eles confiarem em você, saberá se estão saudáveis”, afirma.
Promover o bem-estar auxilia a manutenção da harmonia entre os animais, o meio ambiente e os seres humanos. Quando algum desses elos entra em desequilíbrio, há consequência negativa para os outros, podendo ser na saúde, com zoonoses e novas enfermidades; na sociedade, com produtos de menor qualidade, maior custo de produção e danos à imagem produtiva; e no meio ambiente, com baixa sustentabilidade e uso de recursos naturais em excesso.
“Já ouvimos muitos mitos sobre bem-estar animal, por isso, precisamos interpretar corretamente o assunto e democratizar informações para a cadeia de produção, para que se possa compreender que bem-estar animal corresponde a forma como cada indivíduo responde aos desafios do dia a dia. Logo, bem-estar animal não pode ser comprado ou vendido”, ressalta o médico-veterinário.

Colunistas
Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
Notícias
Mapa lança projeto para ampliar mercado de pequenas agroindústrias
Iniciativa busca facilitar acesso ao Sisbi-POA e fortalecer negócios rurais.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou, durante a Feira Brasil na Mesa, o projeto SIMples AsSIM, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sebrae para ampliar a inserção de pequenas agroindústrias no mercado nacional e fortalecer os pequenos negócios rurais.
Durante a palestra, a coordenadora-geral do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), Claudia Valéria, destacou que os avanços do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA) abriram caminho para a criação do projeto. Segundo ela, a modernização dos processos foi essencial para ampliar a adesão ao sistema.
O projeto busca ampliar o acesso de produtos de origem animal ao mercado nacional por meio de qualificação técnica, modernização da inspeção, apoio à adequação sanitária, entre outras ações. A proposta também prevê identificar os principais desafios enfrentados pelos empreendedores e apoiar a integração ao Sisbi-POA.
A regularização de agroindústrias de pequeno porte é considerada estratégica para promover a inclusão produtiva, reforçar a segurança alimentar e impulsionar o desenvolvimento econômico local.
Durante a apresentação, Cláudia também ressaltou a importância de outras iniciativas, como o Projeto ConSIM, que contribuiu para a integração de consórcios públicos ao sistema. “Entre 2020 e 2025, 68 consórcios públicos no Brasil se integraram ao sistema, permitindo que muitos municípios ampliassem a comercialização de seus produtos”, afirmou.
Apesar dos avanços, o número de estabelecimentos ainda não acompanha o crescimento dos serviços de inspeção integrados. “Observamos um grande número de serviços integrados, mas os estabelecimentos não cresceram na mesma proporção. Por isso, surgiu a necessidade de fortalecer esses produtores e capacitá-los para acessar o mercado nacional”, pontuou.
O projeto está estruturado em três eixos: inclusão de agroindústrias no Sisbi-POA; fortalecimento dos Serviços de Inspeção Municipal com base em análise de risco; e apoio técnico à estruturação de agroindústrias de pequeno porte.
O projeto-piloto será iniciado em Santa Catarina, estado com grande número de agroindústrias e potencial de expansão. A iniciativa prevê diagnósticos in loco e planos de ação personalizados para apoiar a adequação dos estabelecimentos. “Mais de 80% das agroindústrias demonstraram interesse em expandir seus mercados. Isso mostra que há demanda e que precisamos criar condições para que esses produtores avancem”, concluiu a coordenadora-geral.
O analista do Sebrae Warley Henrique também apresentou os resultados iniciais do projeto. Entre eles, o diagnóstico on-line que identificou as principais dificuldades relacionadas à estrutura dos serviços de inspeção que limitam a integração dos estabelecimentos ao Sisbi, com 217 respondentes.
Também foi realizada pesquisa com técnicos dos estabelecimentos, que reuniu 114 participantes, sobre os principais entraves para obtenção do selo Sisbi, além do levantamento das orientações técnicas necessárias para cada estabelecimento.
Após a fase de levantamento, o projeto avança para a estruturação da metodologia de atendimento e para a implementação das ações em campo, com início previsto para maio de 2026, em Santa Catarina.
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Copacol recebe Prêmio de Melhor do Biogás pelo segundo ano consecutivo
Projeto premiado destaca eficiência na geração de energia a partir de resíduos e reforça liderança da cooperativa em sustentabilidade.

A Copacol consolidou mais uma vez sua posição de referência nacional em energias renováveis ao conquistar, pelo segundo ano consecutivo, o Prêmio Melhores do Biogás Brasil 2026, na categoria Melhor Planta Indústria.
O reconhecimento apresentado no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano, em Foz do Iguaçu, destaca o desempenho da Usina de Biogás instalada na UPL (Unidade de Produção de Leitões), em Jesuítas, e evidencia o compromisso da Cooperativa com inovação, eficiência energética e preservação ambiental. “É uma satisfação imensa receber o Prêmio de Melhor do Biogás, que reconhece o desempenho desse importante investimento em sustentabilidade. O respeito ao meio ambiente é uma prática em nossas atividades, por isso, buscamos alternativas que consolidem esse comportamento e preservem ainda mais nossas riquezas”, complementa o diretor-presidente da Copacol, Valter Pitol.
A premiação reforça os resultados obtidos pela cooperativa ao longo dos últimos anos, especialmente no aproveitamento de resíduos agroindustriais para geração de energia limpa. Somente em 2025, a usina produziu 6.813.437 kWh de energia a partir dos resíduos gerados pela Unidade de Produção de Leitões e pela Unidade de Produção de Desmamados, resultado que representou economia em energia elétrica e aproveitamento de resíduos equivalentes a R$ 6,4 milhões. “O Prêmio de Melhor do Biogás demonstra o compromisso da Copacol com a sustentabilidade, a destinação correta de resíduos, principalmente com e uso de energia renovável”, afirma o gerente de Meio Ambiente da Copacol, Celso Brasil.
O modelo premiado de geração de energias renováveis recebeu a visita de empresários do ramo do Brasil e do exterior. A programação contou com apresentação técnica e um passeio guiado às instalações, mostrando a realidade operacional da planta e os processos utilizados para transformar resíduos em energia. A Copacol foi escolhida como destino técnico pelo reconhecimento do projeto como modelo de sucesso no setor. “Existe muito estudo no desenvolvimento do projeto da Copacol e isso é fundamental. A operação leva em consideração dados diários de composição dos substratos, concentração de material orgânico e existe um monitoramento contínuo da planta. As tomadas de decisão são baseadas nos dados gerados. Isso dá segurança e impressiona bastante”, afirma a analista da Embrapa, Fabiane Goldschnidt, que atua em projetos de gerenciamento de resíduos, produção de biogás e biometano.
A usina também chamou a atenção de representantes da área acadêmica. Rosiany de Vasconcelos Vieira Lopes, professora da Universidade de Brasília, natural de Campina Grande e atualmente residente em Brasília, participou da visita técnica. “Fiquei muito surpresa com a estrutura. Percebemos na prática a utilização de resíduos aproveitados de uma maneira renovável e sustentável para a produção de energia.”



