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Compost barn faz despencar casos de mastite

Produtor do Paraná diminuiu contagem de células somáticas de 500 mil para menos de 200 mil após adoção do sistema

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O produtor de leite Douglas Vorpagel sabe bem a diferença entre um rebanho cheio de mastite e um com baixos índices. Há poucos mais de três anos, quando os animais ficavam soltos em piquetes, a doença acometia em níveis altos os animais da propriedade, em Marechal Cândido Rondon, PR. O resultado era um leite de qualidade inferior, pouca produtividade e muitos gastos com medicamentos para tratar os animais. O controle veio, de acordo com ele, a partir do momento em que mudou a forma de produção para o compost barn. Nesse sistema, as vacas ficam confinadas em um ambiente mais controlado do ponto de vista sanitário, têm menos contatos com microrganismos causadores da mastite e melhoram seu desempenho.

Vorpagel conta que depois de viajar muito para conhecer sistemas de compost barn, resolveu apostar. “Fiz várias viagens para conhecer a realidade dos produtores que já usavam esse sistema. Depois de muito tempo, observando o desempenho desses produtores, decidimos apostar”, conta.

“Tudo mudou mesmo quando a gente fez o compost barn, em junho de 2016. Antes a gente tinha a Contagem de Células Somáticas (CCS) entre 400 e 500 mil. Hoje está em cerca de 170 a 180 mil”, conta. As células somáticas são células de defesa. Quando maior o número verificado no leite, significa que a vaca foi mais atacada por microrganismos e teve que produzir essas células para combatê-los. “A produção, que nunca tinha passado de 23,5 litros por vaca de média, hoje está na média de 27 litros”, conta o pecuarista, de 29 anos. “Com mastite, avaca perde produção. É uma quantidade significativa”, alerta. “Além dos outros gastos no tratamento”, cita.

Douglas explica os motivos que o levaram a investir nesse novo modelo de produção. “As vacas ficam em um ambiente mais controlado, livre de bactérias, fungos e outros microrganismos. O compost barn melhora o manejo e o conforto dos animais. Eles têm mais bem-estar aqui”, explica. O galpão abriga 145 vacas, das quais 120 em lactação. Ele tem as laterais abertas, piso de maravalha que é batido duas vezes ao dia e muitos ventiladores à disposição. Nas laterais, há espaços separados e exclusivos para a nutrição, com cochos de água e dieta bem definidos e de fácil acesso.

Dentro do ambiente, há espaços divididos para as vacas em diferentes fases de produção. “A gente separa as vacas. Por exemplo, aquelas que acabaram de parir precisam uma alimentação melhor. Então elas ficam em um local. Outras que estão no pico de lactação ficam em outro lugar. Aquelas que estão terminando a lactação também ficam em outro lote”, aponta Vorpagel.

O investimento, de acordo com o produtor independente, está prestes a ser amortizado. “Só com a diferença do leite que estamos produzindo a mais e com a qualidade a estrutura vai se pagar em menos tempo do previsto, em menos de três anos”, aponta o paranaense. Ele explica, no entanto, que precisou tomar outras atitudes no cotidiano da propriedade para reduzir os níveis de mastite, desde a escolha do sêmen ao manejo após as ordenhas.

Linhas de atuação

O controle da mastite começa antes mesmo da inseminação das vacas na propriedade de Douglas Vorpagel. O sêmen que dará origem às novas vacas de produção é cuidadosamente selecionado. “Não criamos bezerras que tenham grandes chances de desenvolver mastite. A gente escolhe um sêmen com baixa CCS para termos filhas com baixos índices de mastite”, explica o produtor de leite. Outras frentes, como manejo e dieta, também são observadas para controlar essa doença tão presente nos rebanhos leiteiros de todo o país.

“Não é só o compost barn que resolveu meu problema. Vários fatores influenciam no controle da mastite. Um deles é a dieta. Se a vaca não está bem nutrida, ela não tem imunidade suficiente e fica mais suscetível à mastite”, sugere. Em sua propriedade, elas são alimentadas com “pré-secado, silagem de milho e ração, com aditivos, como sequestrante de micotoxinas, sal mineral, levedura e tamponante”.

O ambiente mais controlado sob aspectos de temperatura e sanitário do compost barn, na opinião do jovem, contribuiu para a queda nos índices de CCS. Acho que é o jeito de criar. Antes as vacas ficavam soltas, agora ficam em um ambiente mais controlado, com menos contatos com bactérias”, revela. “Além do mais, elas têm mais conforto”, amplia.

Os seis trabalhadores que lidam com a pecuária leiteira na propriedade de Vorpagel sabem que higiene é palavra de ordem na sala de ordenha. “A limpeza na sala de ordenha deve ser sempre observada. Não dá para passar mastite de uma vaca para outra”, sugere. “De toda forma, uma única vaca influencia o resultado do tanque. Como a margem de lucro é de centavos, temos que ter esse cuidado. Perde em produtividade, mais também perde dinheiro em qualidade”, sustenta. Isso porque determinadas empresas variam o preço do leite de acordo com parâmetros de qualidade, entre eles um dos principais é a Contagem de Células Somáticas. Quanto manos, mais valorizado é o produto que sai da fazenda.

Para o produtor, até a “aposentadoria” dos animais diminuiu com a nova forma de trabalho. “Melhorou tudo, a qualidade do leite, a produtividade, o bem-estar das vacas. Inclusive estamos usando menos remédios e tendo menos descartes”, avalia. As cerca de 120 vacas holandesas em constante lactação produzem, diariamente, cerca de 3,2 mil litros de leite.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

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Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

A relevância da cura de umbigo nos bezerros recém-nascidos

Umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência de enfermidades

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Divulgação/J.A. Saúde Animal

 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

Uma das fases mais críticas da bovinocultura, seja ela de leite ou corte, é a criação de bezerros. O recém-nascido é muito vulnerável devido a sua dificuldade de manter a temperatura e principalmente pelo fato de ser imunologicamente menos competente, dependendo totalmente dos anticorpos advindos do colostro. A ingestão desse importante alimento em quantidade e momento adequado é essencial para a sobrevivência do bezerro, além da ingestão frequente de carboidratos e outros cuidados secundários.

A falha na transferência dos anticorpos da mãe para a cria, o insucesso da absorção dessas proteínas pelo organismo do bezerro, bem como as práticas de manejo e higiene deficientes, são os maiores determinantes de mortalidade nas primeiras semanas de vida. Portanto, minimizar a exposição desses animais aos agentes infecciosos promove maior taxa de sobrevivência, sendo um método fácil e de excelente custo-benefício.

Dentre as causas mais comuns da mortalidade em recém-nascidos destacam-se: as doenças entéricas (principalmente as diarreias), as respiratórias (principalmente a pneumonia), septicemia pós-natal e as onfalites/onfaloflebites (infecções das estruturas umbilicais). Microrganismos comuns de onfalite frequentemente são encontrados em animais com septicemia, comprovando que o umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência das enfermidades citadas acima.

Durante a vida fetal, a comunicação entre o feto e a mãe é feita justamente pela via umbilical. É através do umbigo que chega ao feto o sangue materno rico em nutrientes e oxigênio, além da função de eliminação de catabólitos do novo organismo em desenvolvimento. Após o parto, o umbigo perde sua função, havendo involução dos vasos sanguíneos e úraco, utilizados na comunicação. Há também a união dos músculos próximos da cicatriz umbilical, fechando o acesso do meio externo aos vasos umbilicais. Porém, até que esse processo se complete, há uma porta aberta para infecções.

Para se ter uma ideia, segundo pesquisas há grande incidência de afecções umbilicais em bezerros de leite e de corte, com variação de 28 a 42,2%. Os prejuízos decorrentes das enfermidades umbilicais vão além da mortalidade dos bezerros. Podendo acarretar ainda na falha no desenvolvimento do animal, resultando em lotes refugo, além dos gastos referentes ao tratamento e atendimento veterinário, impactando negativamente na lucratividade da atividade.

Diante do exposto, se faz necessário os cuidados adequados com a colostragem e cura do umbigo. A colostragem permite que o recém-nascido receba os tão valiosos anticorpos que irão protegê-lo até que seu próprio organismo desenvolva sua própria imunidade (imunidade passiva). Esse procedimento é imprescindível, pois pelo fato de a placenta da vaca ser do tipo sindesmocorial, não há transferência de imunidade transplacentária para o feto.

Tão importante quanto a ingestão de colostro, de qualidade e na época adequada, é a cura de umbigo. Esse procedimento garante que não haja mais a entrada de microrganismos pela cicatriz umbilical após sua cura. É um método simples, barato e eficaz, entretanto não soluciona as infecções adquiridas antes do processo de cauterização do umbigo.

Nesse sentido, afim de complementar as práticas de colostragem e cura de umbigo, indica-se a utilização de um medicamento metafilático. A metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano injetável e em doses terapêuticas, destinado ao tratamento e prevenção da manifestação clínica de uma enfermidade em um determinado grupo de risco. Nos Estados Unidos foi comprovado efetividade profilática e terapêutica dessa estratégia, inclusive com melhor desempenho produtivo e taxa de redução de morbidades de até 40% nos animais estudados.

Um princípio ativo muito utilizado para a metafilaxia nos animais recém-nascidos é a Benzilpenicina Benzatina, antimicrobiano eficaz no combate dos microrganismos envolvidos na onfalite e onfaloflebite e suas consequências. O grande diferencial desse antimicrobiano é sua extra longa ação, mantendo concentrações plasmáticas no organismo do bezerro durante todo o primeiro mês de vida, período mais crítico quanto a morbidade e mortalidade. Adicionalmente, indica-se também a utilização de um antiparasitário, de forma a proteger a cicatriz umbilical da infestação por miíases, outro problema muito comum nesse período.

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Fonte: O Presente Rural
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