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Comitiva chinesa conhece o sistema de defesa sanitária e visita frigoríficos paranaenses
A GACC é a agência do governo chinês que supervisiona registros de produtos importados e coordena as inspeções de entrada e saída

Auditores da Administração-Geral de Alfândega da China (GACC) estão no Paraná para colher informações sobre o trabalho de sanidade animal e visitar frigoríficos que têm interesse em manter relação comercial com o país. A GACC é a agência do governo chinês que supervisiona registros de produtos importados e coordena as inspeções de entrada e saída.
Eles passaram a quarta-feira (06) em reunião na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e na quinta-feira (07) visitaram algumas estruturas frigoríficas no Estado que pleiteiam o direito de exportar para a China. Além do Paraná, a comitiva teve reuniões e visitas no Rio Grande do Sul. Antes de retornarem à República Popular da China, eles conhecerão o laboratório de referência do Ministério da Agricultura e Pecuária em Minas Gerais.
“A vinda da comitiva é muito importante para o nosso Estado, que produz a melhor agricultura do Brasil, uma agricultura muito diversificada, líder na produção de proteínas animais e grande produtor de grãos”, afirmou o secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Norberto Ortigara.
Ele destacou ser a China o principal cliente dos produtos agropecuários do Paraná. “Nós temos elevado interesse em estreitar ainda mais as relações, porque a agricultura e a agroindústria são o nosso principal negócio”, disse.
Um dos objetivos dos auditores é buscar informações sobre o que tem sido feito para manter o status de área livre de febre aftosa sem vacinação, que o Paraná conquistou em 2021 com o certificado da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
O presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, apresentou também a chancela de zona livre de peste suína clássica independente e o gerente de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, apresentou aos chineses como a vigilância é feita em casos de notificação por suspeita, em locais de eventos agropecuários, em abatedouros e nos próprios estabelecimentos rurais.
REBANHOS – Atualmente o Estado tem 155 mil fazendas que produzem 8,8 milhões de cabeças de gado, além de 6,8 milhões de suínos em cerca de 6 mil propriedades, 40 mil búfalos, 450 mil ovelhas e 38 mil caprinos. Anualmente os proprietários são obrigados a cadastrar seus rebanhos nos meses de maio e junho. Para o atendimento, a Adapar tem 227 médicos veterinários e 260 assistentes veterinários, além de mais de 3 mil da iniciativa privada que ajudam no trabalho de controle de doenças. Nas divisas interestaduais há 33 postos fixos de fiscalização.
AFTOSA – A Divisão de Defesa Sanitária Animal (DAS) do Ministério da Agricultura e Pecuária apresentou à comitiva um panorama da situação da aftosa no País, em que Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Acre, Rondônia e partes do Amazonas e do Mato Grosso têm a certificação de livre de aftosa sem vacinação. O Ministério pretende apresentar em agosto à OMSA a petição para que os outros 17 estados produtores de bovinos tenham o mesmo status declarado na próxima reunião.
VISITA – A convite do Sindicarne-PR e da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), a missão chinesa do GACC (Administração Geral de Aduanas da China), que está percorrendo o Brasil, visitou nesta quarta – feira (06) a FIEP onde participou de um almoço e assistiu a um documentário sobre o potencial da indústria paranaense.
O GACC é o principal órgão do governo chinês encarregado do registro de estabelecimentos para a exportação de alimentos para a China e da segurança de alimentos importados e exportados por aquele país. A missão, chefiada pelo auditor Jiang Hongqi, foi recebida pelo Presidente do Sindicarne-PR, Ângelo Setim Neto, diretor do frigorífico Argus e vice coordenador do Conselho Setorial de Alimentos da FIEP.
Segundo ele, os técnicos chineses irão encontrar no estado “uma cadeia suinícola e bovina em excelentes condições para exportação de seus produtos e uma eficiência superior dos sistemas de controle da Defesa Sanitária Animal (Adapar)”. O objetivo da missão é a verificação dos protocolos dos controles sanitários paranaenses com vistas a uma futura ampliação das habilitações de empresas exportadoras de carnes bovinas e suínas.
Segundo Ângelo Setim Neto, a China já é o principal mercado comprador dos produtos cárneos do Paraná e, após a visita da missão ao estado, “essa relação comercial pode até ser ampliada, agregando novas empresas exportadoras e elevando as exportações das que já operam no mercado chinês”. Estava presente também o Presidente da Adapar, Otamir Martins e a gerente dos Conselhos Temáticos e Setoriais da FIEP, Ariane Hinca Schneider. Além de reuniões na agência para conhecer a defesa sanitária local, a missão fará uma visita técnica hoje (7), ao abatedouro do Frigorífico Alegra, em Castro.

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Pesquisa brasileira atrai produtores argentinos para troca de conhecimento
Programação abordou desde manejo reprodutivo até sistemas integrados no bioma Pampa.

Durante a quarta-feira (14), a Embrapa Pecuária Sul recebeu uma comitiva da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (AACREA), formada por 83 produtores rurais e técnicos. O grupo, envolvido em atividades de pecuária, silvicultura e produção de grãos, nas províncias de Corrientes e Missiones, está fazendo um giro técnico no Brasil e a visita à Embrapa foi para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas para o setor primário.
O grupo foi recepcionado pela equipe de gestão na unidade da Embrapa e na sequência participou de palestras sobre diferentes temas que são trabalhados pela pesquisa. Segundo o analista da Embrapa, Marco Antônio Karam, esse tipo de iniciativa é importante para reforçar os laços com os países da região. “Além disso, estamos difundindo conhecimentos e tecnologias disponíveis para que possam ser utilizados lá, visando sistemas produtivos mais sustentáveis”.
Ainda na parte da manhã os pesquisadores Danilo Sant’Anna e Daniel Montardo apresentaram a vitrine de forrageiras, onde estão algumas das cultivares desenvolvidas pela instituição. Outro tema discutido foi o conceito Pasto sobre Pasto, que visa a oferta de forragem de qualidade para animais durante todo o ano.
No início da tarde, a comitiva assistiu a palestra Manejo da reprodução: fisiologia e uso de hormônios, ministrada pelo pesquisador José Carlos Ferrugem. O evento teve prosseguimento tendo como tema o melhoramento genético bovino. Os pesquisadores Fernando Cardoso e Cristina Genro falaram sobre pesquisas e tecnologias na área, como a utilização da genômica para o melhoramento de animais em características como eficiência alimentar e resistência ao carrapato, além dos trabalhos para a adaptação das raças taurinas a regiões tropicais.
A programação foi encerrada com a apresentação sobre o projeto Integra Pampa, feita pelos pesquisadores Naylor Perez e Hélio Tonini. Esse projeto está avaliando os melhores arranjos e desenhos de sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta para o bioma Pampa.
Segundo o coordenador regional da Crea, Mariano Lanz, um dos objetivos do grupo foi conhecer soluções tecnológicas que possam ser implantadas nos sistemas de produção deles. “Somos produtores do nordeste Argentino, região com muitas semelhanças com esta. Estamos procurando ideias e encontramos aqui alternativas muito interessantes, principalmente no melhoramento animal e das pastagens”, afirmou.
A Crea é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1960 e formada por empresários agropecuários organizados em grupos regionais. Voltada ao desenvolvimento sustentável e à inovação, a entidade promove a troca de experiências e a geração de conhecimento entre produtores, com foco na melhoria da gestão e no crescimento das empresas do setor.
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Mercado externo e estoques apertados elevam cotações do trigo
Clima no Hemisfério Norte e previsão de menor área plantada reforçam alta.

Os preços do trigo avançaram em março no mercado brasileiro, acompanhando o movimento internacional e o período de entressafra. No Paraná, a saca de 60 kg fechou o mês cotada a R$ 63, alta de 3,4% em relação a fevereiro. Já nos primeiros dias de abril, as cotações subiram ainda mais, com média de R$ 66 por saca.
A valorização ocorre em um momento de menor disponibilidade de produto no mercado interno. Com estoques mais ajustados, os preços passaram a seguir mais de perto a paridade de exportação, o que limitou uma reação mais forte da demanda doméstica.

Foto: Fábio Carvalho
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário externo também contribuiu para sustentar as cotações no Brasil. No mercado internacional, o trigo registrou volatilidade ao longo de março. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o primeiro vencimento do trigo soft variou entre 572 e 635 centavos de dólar por bushel, encerrando o mês a 616 centavos, alta de 4% frente a fevereiro.
As oscilações foram influenciadas principalmente pelo clima seco nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, o que elevou as preocupações com a produção. Além disso, o mercado ganhou suporte após relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar redução da área cultivada, reforçando a expectativa de uma safra menor em 2026/27.
Com isso, o mercado segue atento às condições climáticas e às revisões de oferta, fatores que continuam impactando diretamente a formação dos preços do trigo no Brasil.
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Entidades de imprensa do Sul lançam campanha contra desinformação
Iniciativa inédita reúne associações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para alertar sobre fake news e conteúdos gerados por inteligência artificial.

As principais associações de imprensa do Sul do Brasil se unem, de forma inédita, para lançar uma campanha conjunta de combate à desinformação. A iniciativa reúne a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e a Associação Paranaense de Imprensa (API), com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos das fake news especialmente diante do avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e reforçar a importância do jornalismo profissional para escolhas livres e conscientes.
O Brasil se aproxima de mais um processo eleitoral marcado pela polarização. Paralelamente, o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial elevou a desinformação a um novo patamar, com vídeos, áudios e imagens hiper-realistas que dificultam a distinção entre o real e o falso. Esse cenário ultrapassa as fake news tradicionais e ameaça diretamente a democracia, a liberdade de escolha do eleitor e a credibilidade da informação.
Diante desse contexto, a campanha assinada pela agência MOOVE propõe um alerta direto ao público por meio do conceito: “Se é bom demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é estranho demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é forçado demais, duvide. Notícia exige apuração.”
A ideia parte do princípio de que a desinformação raramente circula no meio-termo. Ela se espalha quando provoca reações intensas, seja entusiasmo ou estranhamento levando ao compartilhamento impulsivo, sem verificação.
O papel das entidades e do jornalismo profissional é justamente interromper esse ciclo, oferecendo informação confiável e incentivando a checagem antes do compartilhamento. Como estratégia criativa, a campanha apresenta manchetes verossímeis, construídas para parecerem plausíveis, despertando curiosidade e provocando reações imediatas no público. Os temas foram cuidadosamente selecionados para evitar vieses ou conflitos com grupos e instituições, inclusive no campo político.
Durante o lançamento, jornalistas e comunicadores serão convidados a aderir à iniciativa por meio do uso do selo da campanha, em versões para rádio, TV, portais, jornais e revistas, reforçando a mensagem de que a notícia exige apuração. Segundo o presidente da ARI, José Maria Rodrigues Nunes, a ação representa um passo importante na atualização do papel da imprensa diante dos novos desafios. “Embora hoje todos possam produzir conteúdo, o jornalismo profissional segue sendo o principal filtro contra a desinformação. A campanha dá continuidade a ações anteriores da entidade e atualiza o discurso para o contexto da inteligência artificial e do período eleitoral. Ao concluir essa nova etapa, entendemos que era o momento de ampliar o movimento, convidando as associações do Sul para essa grande mobilização. Esperamos que essa iniciativa inspire outras entidades a se somarem a esse esforço coletivo.”
A presidente da ACI, Déborah Almada, destaca o caráter histórico da união. “Estamos entusiasmados com essa campanha, que faz um alerta fundamental em um momento em que a desinformação tem causado tantos danos à cidadania no mundo todo. A união de três instituições que representam a imprensa no Sul do País é um feito inédito que merece ser celebrado. Fortalecer o jornalismo é uma missão.” Para o presidente da API, Célio Martins, em um ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de informação, a proliferação da desinformação é prejudicial a toda a sociedade e faz com que conteúdos falsos ganhem escala e dificultem a distinção entre o que é fato e o que é mentira. “Nesse contexto, o jornalismo profissional é fundamental como contraponto, ao defender a informação de interesse público, combater fake news com apuração rigorosa, checagem de dados e responsabilidade na divulgação, oferecendo ao público conteúdo confiável e contribuindo para a defesa da democracia”, enfatiza.
Responsável pela campanha, a agência Moove reforça a sua importância: “Em tempos de desinformação acelerada, o papel do jornalismo ético e da comunicação responsável torna-se o principal pilar de sustentação da verdade. Nosso objetivo é despertar a consciência crítica no consumo de informações, reafirmando que a qualidade do debate público depende, acima de tudo, da credibilidade da fonte”, afirma Gabriel Fuscaldo, CEO da Moove.
Para Roberto Schmidt, criativo da Agência Moove, a inteligência artificial é uma realidade e não existe qualquer possibilidade de retrocesso, por isso ações como essa são importantes. A campanha atua na geração de senso crítico sobre o conteúdo que circula nas redes, ajudando a combater fake news antes mesmo do seu compartilhamento.



