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Suínos / Peixes Suinocultura

Com margem esmagada pela alta dos custos, integrados querem melhor remuneração

Insumos impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a alimentação é o principal componente de custos na suinocultura

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O mês de agosto chega com a expectativa de que produtores de suínos com granjas localizadas no Oeste e Sudoeste do Paraná, que atuam no sistema de Integração, cheguem a um consenso em torno de um percentual de reajuste que leve em conta a alta nos custos de produção e o expressivo aumento dos gastos com mão de obra, manutenção, despesas administrativas, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e transporte, além dos investimentos feitos pelos produtores para atender ao Bem-Estar Animal e à Biosseguridade nas granjas.

As lideranças dos produtores integrados seguem em negociação com a agroindústria  e esperam que evolua a discussão que se arrasta desde o ano passado, em torno da planilha de custos, e que uma nova rodada de negociações possa ser decisiva desta vez, após as reuniões agendadas para analisar a planilha de custos em busca de se definir um reajuste que leve em conta a elevação dos custos de produção, que está esmagando a margem e deixando os integrados preocupados com os rumos da atividade. Uma reunião nesse sentido já está marcada para o dia 12 de agosto, em Toledo.

No caso de Unidades de Produção de Leitões (UPLs) e das Unidades de Produção de Leitões Desmamados (UPDs), os produtores vêm tratado do assunto com mais intensidade desde novembro do ano passado, segundo o coordenador da Cadec dessas unidades, Miguel Thomas, ligada à uma das agroindústrias que atua nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. “Não temos conseguido avançar na definição de uma recomposição de valores que atenda as necessidade dos produtores e que faça frente à essa elevação dos custos de produção, especialmente pela alta nos preços dos grãos que elevou os custos com ração, assim como do aumento dos demais custos variáveis desembolsados pelos produtores e que representam o maior impacto na formação dos custos. Além disso, é preciso que se analise com mais atenção os custos com a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade”, aponta o produtor, que representa o pensamento dos demais integrados dessas unidades.

Ainda de acordo com Miguel Thomas, os percentuais sinalizados pela agroindústria está bem aquém do que os produtores esperavam e longe de recompor as perdas das granjas. “Com a alta nos preços dos grãos, houve um desembolso maior para cobrir os gastos com insumos alimentares, e mesmo com reajuste nos preços recebidos pelos animais entregues, isso não tem sido suficiente para compensar os elevados custos de produção”, destaca Miguel Thomas. O fato foi apontado, inclusive, pelo levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR, divulgado em maio deste ano.

Os insumos impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a alimentação é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR.

O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva, ele próprio um produtor integrado com granjas no Sudoeste, tem acompanhado de perto a discussão em torno dos custos de produção e a necessidade de se fixar uma recomposição que atenda às necessidades dos integrados. Dariva observa que “apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)”. Para o presidente da APS, “o novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, conclui Dariva.

O produtor Gilberto João Rossi, com granja produtora de leitões localizada em Sulina, destaca que “a renda do produtor está muito abaixo do custo de produção. Todos concordam que é preciso avançar em busca de um entendimento sobre os componentes dos custos efetivos ao produtor, e que a agroindústria precisa avaliar um percentual mais justo de reajuste”. Rossi é um dos que vem defendendo uma posição sobre a melhor remuneração dos produtores, e que se evolua para uma solução afim de contemplar os interesses dos integrados, sem prejudicar a indústria.

Já o suinocultor Reni Gerardi de Lima, também com granja no Sudoeste, destaca a preocupação geral dos produtores diante do elevado aumento dos custos de produção registrado nos últimos tempos. Cita que em determinados itens frequentemente consumidos nas granjas houve aumento de mais de 100% e em outros, até mesmo acima de 200%. “O custo de uma cela parideira, por exemplo, passou de R$ 2.600,00 para R$ 4.600,00. Mas a maior preocupação ainda é com a mão de obra nas granjas, cada vez mais escassa e muito cara. Em contrapartida, houve redução significativa na remuneração dos produtores, se comparado o rendimento por porca entre janeiro de 2020 e o período atual. Por isso, é preciso urgentemente um esforço em conjunto, da empresa e dos produtores, para que essa situação se defina o quanto antes”, ressalta Reni, que integra a Comissão Técnica da Suinocultura da FAEP.

Fonte: Assessoria/APS
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Suínos / Peixes Perspectivas da ABPA

Suinocultura amplia abates com projeção para crescer ainda mais em 2022

Quarto maior produtor de carne suína do mundo, a produção do Brasil é estimativa em até 4,7 milhões de toneladas, número 6% superior ao registrado no ano anterior, com 4,4 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 4,85 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação a 2021.

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Fotos: Arquivo OP Rural

Entre os oito maiores contribuintes do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), a suinocultura cresceu 2,8% em relação ao ano anterior, agregando uma receita de R$ 31,2 bilhões em 2021. Quarto maior produtor de carne suína do mundo, a produção do Brasil é estimativa em até 4,7 milhões de toneladas, número 6% superior ao registrado no ano anterior, com 4,4 milhões de toneladas. Já o volume projetado para 2022 poderá chegar até 4,85 milhões de toneladas, volume 4% maior em relação a 2021.

Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin: “A Rússia abriu uma cota de importação de 100 mil toneladas de carne suína, que pode ser acessada por todas as nações habilitadas, mas com os embargos dos Estados Unidos e da Europa, o Brasil terá mais chances de capturar essa grande oportunidade” – Foto Édi Pereira

De acordo com as projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as vendas internacionais apontam para embarques totais de até 1,13 milhão de toneladas, número 10,5% superior ao alcançado em 2020, quando chegou a 1,024 milhão de toneladas. “Ultrapassamos em novembro o total de toneladas exportadas ano passado (2020), o que é muito positivo, atingindo 1,047 milhão de toneladas, ou seja, chegamos a um recorde histórico de exportações em 11 meses”, celebra o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

Ao analisar os meses de janeiro a novembro de 2021 com o mesmo período do ano anterior houve um crescimento de 11,33% nas exportações, com uma receita 17,8% maior, chegando a R$ 2,4 bilhões em 2021. Em 2022, as vendas internacionais poderão chegar a 1,2 milhão de toneladas, volume que supera em 7,5% as exportações projetadas para 2021.

Destino das exportações

A China continua sendo o principal destino das exportações de carne suína brasileira, com 49% do mercado externo, o que representa um volume de 503.866 toneladas, um crescimento de 7,5% de janeiro a novembro do ano passado quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Na sequência figura a cidade-estado de Hong Kong (14%), Chile (5%), Singapura, Vietnã e Uruguai com 4% cada; Argentina, Filipinas e Angola com 3% cada; Geórgia (1%) e outros 10% é destinado para outros países.

Estados maiores exportadores

O Estado de Santa Catarina detém a maior fatia do mercado de exportação brasileira, com um share de 51%, ou seja, de janeiro a novembro exportou 532.793 mil toneladas, um crescimento de 11% comparado ao mesmo período de 2020. Em seguida, Rio Grande do Sul exporta 27% e Paraná 14%, fechando o ranking com os três principais Estados exportadores do país.

Mercado interno

A disponibilidade da carne suína no mercado interno cresceu 5%, podendo chegar a 3,5 milhões de toneladas até o fim de 2021. Neste ano, as projeções apontam para um volume entre 3,6 e 3,7 milhões de toneladas de carne suína, um crescimento de 4,5%, um pouco abaixo do projetado para o ano passado.

Com relação ao consumo per capita, o índice deverá alcançar 16,80 quilos por habitante/ano, número 5% maior que o consumo registrado em 2020, quando atingiu 16,06 quilos. Já em 2022, o consumo per capita projetado alcança 17,30 quilos, margem 3% maior que o esperado para 2021. Tanto a produção quanto às exportações e o consumo per capita projetados para 2021 e 2022 são recordes históricos. “Números que consolidam a presença cada vez maior da carne suína na mesa do brasileiro”, reitera Santin.

Mercado global

Caso aumente a produção dos Estados Unidos, do México e do Canadá será menor que 1% no segundo semestre de 2022. No caso da Europa, focos ativos da Peste Suína Africana podem continuar impactando as exportações. Já na China, estima-se aumento da produção em 2021, apresentando recuperação parcial, mas, neste ano, deverá se estabilizar ou apresentar leve queda no segundo semestre. “O abate de matrizes antecipadas gerou uma sobreoferta de carne na China no ano passado, o que deve normalizar neste ano, apresentando uma leve queda”, estima Santin.

No Vietnã, as importações totais para 2022 provavelmente permanecerão acima dos níveis de 2020, e as Filipinas aumentaram significativamente as importações no ano passado, com um volume crescendo mais de 400% no primeiro semestre e devem seguir em 2022 também pressionado, uma vez que a Peste Suína Africana ainda está muito ativa em todo o continente asiático e europeu.

Projeções globais

Conforme previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a projeção de produção da China é de queda de 4,9% em 2022 com relação a 2021, que até outubro deste ano apresentava 26% de crescimento, seguindo com queda de 0,1% da União Europeia e 0,3% dos Estados Unidos. Já o Brasil, é cogitado o crescimento na casa dos 4% em 2022.

Nas exportações, nota-se um aumento de 2% do volume exportado da União Europeia, mas em 2020 foi maior do que está sendo projetado para 2022, ou seja, cresce sobre uma base menor e fica inferior às exportações de 2020. Mesmo processo acontece com os Estados Unidos, muito próximo da estabilização das exportações, com crescimento em torno de 2,8%. Canadá terá um leve aumento e as exportações brasileiras comparadas aos demais países segue em alta, com projeção para 2022 de 7,5%.

Importações da China

Apesar de ter quedas de preços locais sobre a oferta de produtos, maior abate de matrizes e aumento da produção local no país chinês, a ABPA estima 4,5 milhões de toneladas importadas pela China até o fim do ano. A projeção para 2022 é que a China continue a importar 4,7 milhões de toneladas, dando sustentabilidade às importações do Brasil com destino ao país.

Embora houve queda nas importações pela China nos meses de setembro e outubro do ano passado causada pela sobreoferta de produto, o share do Brasil cresceu de 9% para 11% comparado com o ano anterior. “Com o início do ano lunar chinês, em 1º de fevereiro, a expectativa da ABPA é que no segundo trimestre a China retome as importações com um volume maior de compras, uma vez que estará com os estoques reduzidos em razão do consumo nas festividades do fim do ano”, anseia Santin.

Disponibilidade de insumos

De acordo com a previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a estimativa era exportar até 31 de dezembro 19,2 milhões de toneladas de milho, com estoques finais de 8,81 milhões de toneladas. Ao analisar as exportações dos últimos 11 meses, a ABPA projetou para dezembro/2021 cerca de 2,1 milhões de toneladas e para janeiro/2022 em torno de 1,1 milhão de toneladas do grão para saída do país, o que garante um estoque de passagem projetado em mais de 10 milhões de toneladas da cultura, atingindo o mesmo patamar de 2018 para 2019, antes da pandemia.

Segundo projeção do USDA, a safra 2021/2022 deve apresentar crescimento de 6,7% sobre a temporada anterior, o que representa 382,59 milhões de toneladas. “O que dá uma certa tranquilidade para o Brasil”, pondera Santin.

Desafio do custo de insumo

O cereal milho e oleaginosa soja compõem 70% dos custos dos insumos para a produção de aves e suínos. De janeiro de 2019 até dezembro de 2021, o preço do milho aumentou em média 124% e da soja cresceu em média 127%. De agosto de 2020 até 14 de dezembro de 2021 os preços dos dois grãos apresentaram uma estabilidade em patamar elevado. “Não temos aqueles picos como tivemos em dezembro de 2020, mas entendo que vamos entrar em uma mudança de patamar de consumo. Nosso produtor também está produzindo agora safras com custos muito mais altos atrelados à alta do dólar”, alega Santin.

Cereais de inverno

De acordo com Santin, a produção de grãos no Brasil se concretizou pelo resultado expressivo da safra de cereais de inverno, que alcançou no ano passado 7,8 milhões de toneladas, um crescimento de 25,3% superior ao resultado da safra anterior, que chegou a 6,2 milhões de toneladas produzidas. Juntos, os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul ampliaram em 99,5% a área de cultivo, em 158,6% a produção e em 42,6% a produtividade das lavouras.

“O cereal de inverno é um elemento de alternativa importante para as indústrias poderem utilizar em suas rações, tenho certeza que isso vai se tornar uma prática de agora em diante, consolidando mais ainda o rendimento para os nossos produtores e a estabilidade para conversão alimentar”, enfatiza Santin.

Custos de produção do setor

Os aumentos que os consumidores se depararam nas prateleiras dos supermercados deverão se manter ao longo de 2022 também, uma vez que, de acordo com a Embrapa, os custos de produção do setor estão elevados desde janeiro de 2021, variando nos primeiros 11 meses do ano passado entre 407,72 pontos a 397,57 pontos para a avicultura e entre 417,33 a 380,55 pontos para a suinocultura, bem diferentes dos custos praticados antes da pandemia de Covid-19, quando em média o índice era em média de 217,85 pontos para aves e 220,96 para suínos.

Outros custos que encareceram as atividades foram com as embalagens e o diesel. As embalagens de polietileno subiram 71%, de papelão 56% e as rígidas de polipropileno aumentaram 75% entre junho/2020 e outubro/2021. No mesmo período, o combustível teve uma variação de custo que chegou a 44%. “Essa é realidade com a qual vamos ter que conviver durante 2022”, reconhece Santin.

Comportamento dos concorrentes

A Europa e os Estados Unidos são os dois principais concorrentes do Brasil nas exportações de carne frango e suína. No acumulado até outubro do ano passado comparado com 2020, o país norte-americano aumentou 2,4% suas exportações de frango, o que corresponde a 2,97 milhões de toneladas, e cresceu 0,5% nas exportações suínas, resultando em 2,45 milhões de toneladas. Por outro lado, a Europa reduziu em 13% a venda externa de carne de frango e aumentou em 5,7% a de carne suína.

Enquanto a Rússia passou de concorrente a cliente da carne suína brasileira. No entanto, por conta da existência de Peste Suína Africana em alguns locais do país russo e pelo aumento da demanda local, a partir de abril de 2021 as exportações caíram 34%, uma queda bastante acentuada. “De julho a novembro do ano passado as exportações cresceram para 2,8 milhões de toneladas por mês e em novembro a Rússia abriu uma cota de importação de 100 mil toneladas de carne suína, que pode ser acessada por todas as nações habilitadas a abastecer o mercado russo. Porém, perdura ainda embargos por motivos políticos com os Estados Unidos e a Europa, ou seja, o Brasil entre as nações de grandes exportadoras é que terá mais chances de capturar essa grande oportunidade”, pontua Santin.

Panorama e projeção de consumo da China

No dia 15 de dezembro de 2021, a China voltou a comprar carne bovina desossada do Brasil após três meses com as importações suspensas em virtude da suspeita de dois casos de vaca louca no país. Para o presidente da ABPA, a reabertura do mercado chinês reafirma a confiança no governo brasileiro, retomando o fluxo normal do mercado, o que beneficia todas as proteínas brasileiras.

Com previsão para ser autossuficiente em até dez anos, chegando a 95% de produção própria, a China cresceu o abate de suínos em 96,83% no segundo trimestre do último ano, mas caiu 45,79% no terceiro trimestre, com projeção de estabilidade até 31 de dezembro.

O consumo de carne suína pelos chineses, segundo a USDA, vai fechar 2021 em 50,4 milhões de toneladas, apresentando leve baixa em 2022, quando o consumo está estimado em 48,8 milhões de toneladas, retomando o crescimento entre 2023/2025 com possibilidade de atingir 57,1 milhões de toneladas. “Mesmo com a retomada do padrão da indústria local a níveis de 95%, a China também vai continuar a crescer a sua linha de consumo, e a população tem seguido a zona de consumo anualmente, por isso, apesar desse pico de queda de preço da China e da diminuição de volumes localizados nos últimos dois meses do ano passado, enxergamos um padrão muito positivo e uma retomada no segundo trimestre de 2022, não só em volumes como em preço nas exportações para a China de carne suína e demais proteínas animais”, avalia Santin.

Mais informações sobre o cenário nacional de grãos você pode conferir na edição digital do Anuário do Agronegócio Brasileiro.

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Suínos / Peixes Baseada em proteínas recombinantes

Pesquisadores do Paraná desenvolvem vacina pioneira contra toxoplasmose suína

A doença é causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e atinge várias espécies de animais, como aves e mamíferos (gatos, suínos, ovelhas, cabritos e cavalos), que podem servir de vetores (hospedeiros temporários) e transmitir ao ser humano.

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Pesquisadores do Centro de Referência em Toxoplasmose Humana e Animal da Universidade Estadual de Londrina (UEL) desenvolveram a primeira vacina contra toxoplasmose suína no mundo baseada em proteínas recombinantes, uma técnica revolucionária no campo da imunização, porque é mais eficaz e traz menos riscos.

A vacina é, de acordo com o professor João Luís Garcia (Departamento de Medicina Veterinária Preventiva/CCA), resultado de um longo processo de pesquisa e avanços graduais no conhecimento em todo o mundo. A vacina de DNA contra toxoplasmose suína da UEL está sendo testada em camundongos e a fase seguinte será a final, com o teste já em suínos.

A toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e atinge várias espécies de animais, como aves e mamíferos (gatos, suínos, ovelhas, cabritos e cavalos), que podem servir de vetores (hospedeiros temporários) e transmitir ao ser humano.

“A consequência mais grave, tanto para os animais quanto para o ser humano doente, é o aborto. No caso do ser humano, a toxoplasmose pode deixar ainda uma série de sequelas no nascimento, como surdez, hidrocefalia e deficiência mental”, explica.

O Toxoplasma gondii foi isolado pela primeira vez em 1908, praticamente ao mesmo tempo por pesquisadores franceses na Tunísia e brasileiros, em São Paulo. Quando a pesquisa do professor João Luís começou, lá no início dos anos 80, ainda era sobre os quadros epidemiológicos da doença.

Na época, cerca de 4 em cada 10 porcos no Brasil estavam contaminados com os oocistos (ovos) da toxoplasmose e, como não havia vacina, investia-se na educação e outras formas de prevenção. Dicas sobre como cozinhar bem a carne antes de consumi-la foram bem popularizadas e valem até hoje.

Atualmente apenas 4 em cada 100 porcos carregam algum tipo de contaminação. Porém, considerando que um único indivíduo pode portar milhões de oocistos ao longo da vida, ainda há razão para alerta, afinal a carne suína é a mais consumida no mundo, e dados da Fundação Osvaldo Cruz afirmam que cerca de um terço da população mundial é acometida pela doença.

O Centro da UEL conta com sete docentes pesquisadores e mais de 20 estudantes de pós-graduação. Só o professor João Luís tem nove orientandos. Ele também destaca a colaboração do Laboratório de Parasitologia e Doenças Parasitárias, do mesmo Departamento.

Percurso acadêmico

João Luís se graduou e fez seu Mestrado na UEL, Doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e dois Pós-Doutorados, um na Unesp e outro na Escócia. Sua trajetória de pesquisa coincide com o avanço do conhecimento da área de imunização.

Vacinas

As primeiras vacinas desse campo eram chamadas de “vacinas vivas”, porque possuíam microrganismos vivos capazes de infectar. Eram chamadas de “atenuadas”, com a presença do microrganismo, mas incapaz de gerar a doença, apenas “provocar” a resposta imunológica.

Em 1999, a primeira de muitas publicações no periódico internacional Veterinary Parasitology iniciou uma série de avanços na investigação do pesquisador. Já havia sido criada e testada a toxovax, uma vacina contra a toxoplasmose ovina e caprina.

Conforme as pesquisas avançavam e eram publicadas, foi possível perceber os melhoramentos. De vacinas vivas, passaram a ser desenvolvidas vacinas baseadas em proteínas. Primeiro, apenas uma selecionada. Depois, as “proteínas recombinantes”, como a desenvolvida na UEL.

Em 2008 o Reino Unido estimulou novos estudos para uma vacina que não fosse de aplicação nasal. Em 2012, foi publicada uma pesquisa sobre uma vacina de aplicação retal em gatos. Em 2017, outra vacina para gatos, já com proteínas recombinantes. Houve também estudos com vacinas virais, sem o mesmo sucesso.

Agora, a pesquisa avança sobre o novo tipo de vacina: de DNA, com material genético. Essa é a da UEL. Ela é administrada pela pele, não usa agulhas e necessita de três doses, com intervalos de 4 semanas entre cada uma.

Fonte: AEN Paraná
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Suínos / Peixes

Suinocultores pedem socorro

A suinocultura brasileira vive um momento ímpar

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Artigo escrito por Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS)

A suinocultura brasileira vive um momento ímpar, exportando cada vez mais, batendo recordes em volume produzido e sendo uma grande oportunidade para o consumidor adquirir a carne suína, pois além da saudabilidade, tem um dos preços mais acessíveis de proteína animal do mercado.

No ano passado Santa Catarina exportou 532 mil toneladas e o Brasil 1.130.000 toneladas. Isso mostra a pujança de um país nato em produção desta excelência em proteína animal. Na contramão disso está o produtor, amargando uma das maiores crises da história da atividade.

No ano passado, a partir do final do primeiro trimestre, o preço do suíno começou a baixar e o cenário só foi agravando até o final do ano, fazendo com que o produtor perdesse por suíno entregue de 100 quilos, o valor de R$ 110,00 por animal.

Tal situação só tem piorado desde o início deste de 2022, já que os produtores independentes estão comercializando o suíno a R$ 4,50 o kg com o custo de produção na casa dos R$ 8. Isso significa um prejuízo de R$ 350 por animal comercializado.

Nesta semana tivemos mais uma baixa no preço pago ao produtor, movimentação que traz uma preocupação muito forte, pois ninguém mais sustenta uma atividade pagando caro para trabalhar. O pior de tudo é não vermos a curto e médio prazo uma solução para este grave problema porque a produção continua em expansão no campo.

Para piorar temos a seca que atingiu alguns estados do País e também nossos vizinhos como Argentina e Paraguai. Ela tem deixado inúmeras perdas em lavouras como milho e soja. Para se ter uma ideia do tamanho do prejuízo, em 2020 comprávamos com 1 kg de suíno 5.100 kg de milho. Em 2021 esse volume caiu para 4.070 kg e agora a relação de troca está em 2.540 kg.

Na semana passada estive com a ministra da agricultura em Chapecó, onde entregamos uma pauta em nome da Associação para que seja atendida com urgência no intuito de tentarmos socorrer os produtores nesse momento de dificuldade, esperando que lá na frente tenhamos ainda um horizonte promissor, com lucros suficientes para pagarmos as contas que agora estão se acumulando.

Sabemos das dificuldades financeiras que atravessa o país devido a pandemia, onde vários setores tiveram a ajuda do governo. Mas para nós suinocultores até agora não foi concedido qualquer auxílio. Esperamos que essa realidade mude o quanto antes, caso contrário será uma catástrofe financeira não só para as propriedades que estarão parando a produção, mas para economia de inúmeros municípios catarinenses, do estado e do nosso País.

Fonte: Assessoria de Imprensa/ACCS
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