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Com flagra histórico, biólogos realizam novo estudo da fauna para a Nova Ferroeste
Esta é a quarta e última campanha da fauna, que vai compor o Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) do projeto. A Nova Ferroeste vai ligar Maracajú (MS) a Paranaguá. No geral, o levantamento está sendo realizado em oito pontos dos 1.304 quilômetros de extensão da ferrovia.

Uma equipe de biólogos que atua nos estudos exigidos pelo projeto da Nova Ferroeste iniciou na semana passada a quarta e última campanha da fauna, que faz o levantamento e identificação das espécies existentes nas áreas do traçado da ferrovia. Espécies endêmicas de anfíbios, anta, onça-parda, aves e animais ameaçados de extinção foram identificados na Serra do Mar, onde foram realizados os trabalhos.
No geral, o levantamento está sendo realizado em oito pontos dos 1.304 quilômetros de extensão da Nova Ferroeste. O projeto do Governo do Paraná é de uma linha férrea ligando Maracaju, no Mato Grosso do Sul, ao Porto de Paranaguá, e que também vai ampliar e modernizar o trecho já existente, entre Cascavel e Guarapuava.

A campanha da fauna acontece nas quatro estações do ano e faz parte do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – Fipe. Levantamentos do solo, da flora e da fauna são algumas das atividades que estarão contidas no relatório final do EIA/RIMA, a ser entregue nos próximos meses.
A Serra do Mar é o local com maior diversidade e número de espécies. Embora esta etapa seja a da estação da primavera, os primeiros trabalhos da campanha começaram no inverno. Com capas de chuva e botas de borracha quase até os joelhos, os biólogos adentram a mata sob fina garoa para montar as armadilhas. É a quarta vez que eles percorrem as trilhas abertas na primeira campanha, em janeiro de 2021.
“Nossa intenção é abranger toda a diversidade ao longo do traçado da Nova Ferroeste. Aplicamos vários métodos para, justamente, detectar e registrar o maior número de espécies possível”, explicou o biólogo e coordenador do Estudo de Fauna, Raphael Santos.
Diversas espécies identificadas pelo grupo estão ameaçadas de extinção por conta da caça ilegal. Ao longo dos 55 quilômetros da descida da Serra do Mar, serão construídos 25 viadutos, 10 túneis e 4 pontes – um total de 17 quilômetros de viaduto, oito quilômetros de túnel.
Essas obras de arte previstas no projeto da ferrovia reduzem a necessidade de desmatamentos e conservam boa parte dos ambientes da maneira como se encontram. “O maior impacto da construção da ferrovia é a supressão de mata, e isso vai ser bem pontual. A gente espera que a instalação de passagens de fauna permita o trânsito seguro dos animais mesmo com os trens em movimento”, avaliou o biólogo Raphael Santos.
Duas áreas, em São José dos Pinhais e Morretes recebem a equipe, que procura por mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Para cada grupo, há técnicas de captura e classificação distintas. Mas pegar o animal é só uma das maneiras de saber quais espécies habitam naquela região. Os sons vindos da mata, a visualização e armadilhas fotográficas revelam muito da rotina que os olhos dos profissionais não avistam.
Na ronda noturna, sob chuva forte e em meio à escuridão da floresta, os biólogos capturaram uma perereca comum, uma perereca verde, com contornos vermelhos nos olhos, e a rãzinha do foliço, com apenas 1,5 cm. Cerca de 100 espécies de sapos, rãs e pererecas foram identificadas no monitoramento no Paraná e no Mato Grosso do Sul, e 50 delas estão na Serra do Mar.
O biólogo Guilherme Adams destaca que 40% destas 50 espécies são endêmicas da Mata Atlântica. “A rãzinha do foliço só é encontrada na Serra do Mar. Isso demonstra o quanto esse ambiente é importante. A rã de riacho, também encontrada aqui, está na lista de animais ameaçados de extinção, e todos eles são bioindicadores”, afirmou Adams.
Conforme a temperatura aumenta, agora na primavera, as aves arriscam os primeiros voos e aos poucos ficam presas nas redes das armadilhas. Com muito cuidado, são retiradas e acomodadas em sacos de algodão. Os dois primeiros exemplares foram da ave chamada catraca, que possui tons que passam pelo branco, marrom e verde-oliva e que habita os bambuzais nativos da região, e da tovaca, que costuma circular perto do solo à procura de alimento.
No dia de chuva fina, foi a vez de elas serem classificadas e registradas pelo grupo. Medidas e pesadas, todas as aves recebem uma anilha com numeração e são devolvidas nos locais da captura.
Algumas espécies requerem habilidade quase cirúrgica para prender a peça de metal nas perninhas, como no caso do beija-flor de apenas quatro gramas.
“A primavera é tempo de renovação na natureza, em especial para as aves. Inúmeras espécies retornam para cá para se reproduzir nessa época. Por isso é um período considerado chave para o nosso estudo”, disse Raphael Santos.
Registros raros
As armadilhas fotográficas são grandes aliadas para estudar os mamíferos. Câmeras com sensores de movimento são instaladas em locais estratégicos para flagrar a atividade que só ocorre longe da presença humana. Foi dessa maneira que os pesquisadores fizeram uns registros raros e inéditos na Serra do Mar.
Uma anta, cuja presença os biólogos já conheciam, passou calmamente em frente a uma das lentes. No relatório já havia o depoimento dos moradores sobre existência de fezes, rastros e pegadas deste animal, que pode medir até dois metros e pesar quase 300 quilos. Faltava a imagem.
“Gravamos uma anta e também uma onça-parda, que são espécies extremamente importantes para a conservação e preservação desses ambientes. Esses animais só conseguem sobreviver em áreas preservadas. Eles necessitam de grandes maciços verdes porque têm hábitos bem específicos, é difícil conseguir detectar essas espécies porque chegam a percorrer até 20 quilômetros num dia”, relatou Guilherme Adams.
Conservação
Para o coordenador do Plano Estadual Ferroviário, Luiz Henrique Fagundes, a conservação do meio ambiente é uma das principais preocupações desde o início da elaboração do projeto da ferrovia. “A Serra do Mar é uma das joias do Paraná, por isso procuramos combinar as melhores opções de traçado e de engenharia para provocar o menor impacto possível”, afirmou Fagundes.
Os trilhos da Nova Ferroeste serão construídos na área de domínio da BR-277, sempre que o relevo permitir. Essa escolha segue a orientação do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Litoral (PDS-L), elaborado em parceria entre o Governo do Estado, pesquisadores, ONGs e sociedade civil.
As informações levantadas pelos biólogos durante as quatro estações também podem servir de base para programas de educação ambiental e planos de manejo de Áreas de Proteção Integral, e assim aliar a conservação e o ecoturismo na Serra do Mar.
“O turismo pode garantir a conservação dos ambientes naturais ainda remanescentes, porque a atividade turística gera renda para os moradores. E com a geração de renda as manter a floresta, não vão modificar todos esse ambiente para instalar uma lavoura ou pastagem”, concluiu Santos.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



