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Clima do verão pode ser aliado no controle de verminoses em bovinos

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. O consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino, Ingo Mello, explica como essa doença afeta o rebanho, como tratar e o quanto o clima interfere no controle parasitário.

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Divulgação/Ourofino

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. Confira as dicas que o consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino Saúde Animal, Ingo Mello, preparou para os leitores do jornal O Presente Rural.

O Presente Rural O que são verminoses e de que maneira elas afetam os bovinos de corte e leite?
Ingo Mello – As verminoses são os principais parasitas dos ruminantes e afetam os rebanhos provocando diversos prejuízos para a pecuária de leite e de corte. As verminoses podem afetar diversos órgãos como sistema gastrintestinal, pulmões, fígado, rins e até mesmo a musculatura dos animais. Os sinais clínicos variam desde uma simples indigestão, diarreia, baixo desenvolvimento corporal e baixo ganho de peso, perda de peso, anemias e mortes, além de predispor os animais a outras enfermidades.

O Presente Rural – Quais são os vermes mais preocupantes para a bovinocultura?
Ingo Mello – As verminoses podem ser provocadas por vermes redondos, achatados em forma de folha e suas fases intermediárias. Os principais vermes são Cooperia, Haemonchus, Oesophagostomum e Dictyocaulus.

O Presente Rural – O calor e/ou a umidade alta agravam o aparecimento de verminoses? Explique.
Ingo Mello – O período quente e úmido favorece a manutenção das verminoses na fase de vida livre ou no ambiente. Os ovos e larvas encontram condições favoráveis para cumprirem o ciclo de vida livre em busca do hospedeiro (bovinos). A rotação de pastagens no Brasil é uma estratégia que ajuda na garantia de nutrição animal, mas pouco contribui para o controle de parasitas.

O Presente Rural – O período de chuvas (verão) dificulta o controle?
Ingo Mello – Durante o verão (período quente e úmido) é favorável ao aumento da infestação ambiental, mas um bom protocolo de controle parasitário permitirá um controle eficiente. Fortes chuvas também prejudicam a viabilidade de muitos parasitas devido à destruição do bolo fecal, lavagem e encharcamento do solo. O período seco do ano é um grande desafio para os parasitas na fase de vida livre, ficam mais fragilizados, expostos a radiação solar, altas temperaturas, inversões térmicas noturnas e baixa umidade, neste contexto é recomendável intensificar as vermifugações e controle de parasitas, pois estes se encontram mais fragilizados, garantindo maior eficiência dos tratamentos e redução das infestações futuras.

O Presente Rural – Quais os sintomas (sinais clínicos e/ou subclínicos) causados por verminoses?
Ingo Mello – A Cooperia e o Oesophagostomum parasitam os intestinos, provocando irritação, inflamação e baixa eficiência ali-mentar, diarreia, desidratação e anorexia, o Haemonchus parasita o estomago dos ruminantes e provoca forte anemia, além da inflamação e irritação, sendo uma das mais preocupantes. O Dictyocaulus é o parasita dos pulmões e provoca irritação e pneumonia. Outras verminoses menos frequentes podem provocar grandes prejuízos para a pecuária quando aparecem nos rebanhos, é o caso da Fascíola hepática que provoca lesões no fígado e ductos biliares, a cisticercose bovina (fase larval ou intermediária da solitária ou teníase humana).

O Presente Rural – Quais os problemas que podem acontecer no desempenho zootécnico (carne e leite)?
Ingo Mello – Baixa eficiência alimentar, atrasos/perdas de peso: 10 a 25% (cria) (Rehagro Ensino, 2018), atrasos de 40 a 44kg na engorda (Bianchin et al.,1996), redução média de 20% na produção de leite, atrasos no desenvolvimento corporal e na puberdade, reduzindo a capacidade reprodutiva do rebanho e anemias e mortes (Bianchin et al.,1996).

O Presente Rural – Como as verminoses afetam o bem-estar do animal?
Ingo Mello – As lesões, a desidratação, a dor e a inflamação prejudicam a saúde e o bem-estar dos animais.

O Presente Rural – Como evitar verminoses no rebanho?
Ingo Mello – Através de protocolos e calendários de vermifugação. O exame amostral das fezes de alguns animais pode ajudar a desvendar o perfil de verminose dos lotes e rebanhos trazendo maior assertividade nos esquemas de vermifugação e na escolha do vermífugo/endectocida mais eficaz. Recomendamos a vermifugação de controle estratégico, mais intensificada no período seco do ano e nas transições (entrada, meio e final do período seco). A entrada de animais novos na propriedade requer uma vermifugação planejada para reduzir novas infestações ambientais. O período pré-parto é de alta importância a vermifugação das fêmeas gestantes (são muito sensíveis as verminoses), reduzindo as infestações ambientais na maternidade. Outra estratégia muito importante é a alternância de bases químicas no controle da verminose.

O Presente Rural – Como tratar as verminoses em um rebanho?
Ingo Mello – Os animais devem ser vermifugados periodicamente, principalmente no período seco utilizando bases químicas de amplo espectro de ação. Animais jovens (3 a 24 meses) devem ser vermifugados pelo menos 3 vezes ao ano, fêmeas gestantes devem ser vermifugadas no pré-parto. Animais com idade superior a 24 meses devem ser vermifugados estratégicamente no período seco.

O Presente Rural – Em que períodos da vida dos bovinos as verminoses são mais comuns?
Ingo Mello – As verminoses são mais frequentes nos animais mais jovens, bezerros durante a fase de cria e recria são mais severamente acometidos.

Vacas no terço final de gestação
É importante que os animais recebam pelo menos uma vez ao ano o tratamento com vermífugos/endectocidas mais concentrados (ex.: Ivermectina 4%) e a alternância de bases químicas (associações de ivermectina e sulfóxido de albendazole).

Fonte: OP Rural
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Hormônios e antibióticos: mitos e verdades na nutrição animal bovina 

É crescente o número de consumidores de carne e leite que se deparam com dúvidas em relação a segurança desses alimentos. De fato, muitas pessoas associam a precocidade de terminação dos animais com o uso de substâncias como hormônios ou antibióticos para favorecer o aumento na produtividade. 

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Arquivo/OP Rural
Por Luis Eduardo Ferreira, biomédico, doutor em Biotecnologia e analista de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Premix.

É crescente o número de consumidores de carne e leite que se deparam com dúvidas em relação a segurança desses alimentos. De fato, muitas pessoas associam a precocidade de terminação dos animais com o uso de substâncias como hormônios ou antibióticos para favorecer o aumento na produtividade.

Apesar de não serem muito bem aceitos pela sociedade, os hormônios são compostos naturais produzidos por todos os seres vivos. No entanto, a falta de conhecimento faz com que os consumidores se assustem quando dizemos que diferentes setores da agropecuária fazem uso dessas biomoléculas.

Na pecuária de corte, o uso de hormônios pode ser feito em diferentes fases. Na fase de cria, a aplicação de hormônios para a realização da inseminação artificial tem como objetivo promover a sincronização da ovulação das matrizes, melhorar as taxas de fertilidade, qualidade e quantidade final de bezerros obtidos. No entanto, para a execução deste manejo, existem no Brasil diferentes regras com o objetivo de garantir segurança aos animais e consumidores finais dos derivados.

Nas fases de recria e engorda, os hormônios promotores de crescimento (“anabolizantes bovinos”) são utilizados para favorecer o ganho de peso dos animais. Vale lembrar que na pecuária brasileira a aplicação dessas substâncias no rebanho está proibida desde a década de 1980. Apesar disso, alguns países possuem uma legislação que permite sua utilização, o que torna difícil a discussão sobre a permissão ou não desses compostos no sistema produtivo.

Apesar da proibição da aplicação dos hormônios promotores de crescimento, a legislação brasileira permite a inclusão de algumas classes de aditivos zootécnicos como os antibióticos e ionóforos na nutrição animal. Na prática, a presença desses compostos na dieta irá favorecer o metabolismo, a fermentação ruminal, e a melhora da saúde intestinal dos animais. Como resultado, os animais terão melhor aproveitamento do conteúdo alimentar consumido, aumento dos níveis energéticos da dieta, melhoria dos índices de ganho de peso e aumento de produtividade.

Embora alguns países já tenham proibido a utilização de antibióticos e ionóforos, a inclusão desses compostos é acompanhado por profissionais da área e aplicado em dosagens baixas, o que não afeta a segurança dos produtos derivados da pecuária. No entanto, seu uso inadequado pode levar a efeitos nocivos quando liberados para o meio ambiente, o que coloca em dúvida a segurança ambiental.

Existe atualmente no mercado uma nova geração de aditivos de origem natural, considerada como mais segura e economicamente viável. Em geral, esses aditivos são classificados como equilibradores de flora, como, por exemplo, os probióticos, prébióticos, ácidos graxos essenciais (ômega 3 e ômega 6), óleos essenciais, entre outros.

Essas novas tecnologias possuem diferentes mecanismos biológicos, como estimular processos metabólicos, modular a fermentação ruminal e melhorar a resposta imunológica e saúde intestinal dos animais. Além disso, para o meio ambiente, a utilização desses compostos minimiza as chances de surgimento de resistências microbianas e favorecem a redução da emissão de gases de efeito estufa provenientes da fermentação entérica dos animais.

Dessa forma, é possível afirmar que os resultados do aumento da produtividade e da precocidade de terminação dos animais é fruto da aplicação de tecnologias que impulsionaram o setor nos últimos anos. Tal condição pode ser vista através de uma nutrição de precisão, melhoramento genético dos animais, modernas práticas de manejo associadas ao bem-estar animal e novos métodos de gestão baseados em métricas na propriedade. Portanto, é possível dizer que o modelo de produção da pecuária nacional tem caminhado, a passos largos, ao encontro da sustentabilidade, o que garante qualidade e segurança nos produtos de origem animal (carne, leite e derivados).

 

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Confira cinco dicas para armazenar os grãos e evitar prejuízo

Sem os devidos cuidados na armazenagem, uma das principais etapas do agronegócio pode gerar perdas de produção e rentabilidade financeira

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Foto: O Presente Rural

A safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve atingir  270,7 milhões de toneladas em 2022, mostra a primeira estimativa  do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Contudo, dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e da Food and Agriculture Organization (FAO/ONU) revelam que cerca de 10% do total de grãos produzido é desperdiçado anualmente devido a problemas relacionados ao armazenamento inadequado. Em comparação, de acordo com o IBGE, a colheita da região sudeste corresponde a 10,1% da produção nacional.

A redução das perdas e de custos proporciona benefícios que vão do campo à mesa. O agricultor consegue reter a produção para comercializá-la nas ocasiões em que o mercado oferece melhores preços, sem os prejuízos causados pela deterioração dos grãos em virtude da estocagem inadequada. Já o consumidor passa a contar com preços mais acessíveis puxados pela maior oferta de alimentos.

Para manter a qualidade dos produtos que foram colhidos e não perder o rendimento das lavouras, é fundamental que os agricultores façam a conservação de grãos seguindo todos os cuidados de maneira criteriosa e as boas práticas agrícolas. Para ajudar a evitar os prejuízos, a diretora executiva da Rayflex, Giordania R. Tavares, elenca cinco dicas, veja abaixo:

Controle de Pragas: Um dos primeiros cuidados que devem ser tomados é fazer o controle de pragas de modo que os insetos, fungos, roedores e até mesmo pássaros não prejudiquem toda a safra. Este, inclusive, é um dos principais problemas dentro dos armazéns. Portanto, medidas como o uso de alguns tipos de produtos, como portas rápidas, monitoramento frequente e vedação precisam ser adotadas.

Monitoramento de temperatura e umidade: Em períodos de alta umidade do ar é possível observar o desenvolvimento de fungos nos grãos quebrados, por exemplo. A umidade em excesso pode acarretar a fermentação dos produtos e elevar a temperatura do ambiente, responsável pela maior proliferação de microrganismos. Para reduzir os índices de umidade, é feita a secagem para diminuir o surgimento de mofo e aumentar a vida útil do armazenamento da colheita  por longos períodos.

Técnica de Aeração: Este é outro processo que tem interferência direta na temperatura e na umidade do ambiente e geralmente é feito antes da secagem. Através da passagem de ar pela massa de grãos, a temperatura é mantida, o que previne possíveis danos aos produtos, garantindo assim sua qualidade.

Cuidados com a limpeza: A higienização dos locais e dos grãos não pode ser negligenciada. Este processo será de extrema importância para eliminar qualquer foco de infestação remanescente de outra armazenagem dentro dos locais. Já para o caso dos grãos, será possível identificar e fazer a retiradas daqueles que estão quebrados, promover a eliminação de impureza, além de facilitar a aeração e a secagem.

Restrição de Acesso: Geralmente, a armazenagem de grãos acontece em silos e armazéns, ou em paiol no caso dos milhos. E para cada um desses lugares é importante contar com equipamentos que auxiliem nos principais cuidados, como é o caso também das portas rápidas. Com a característica de realizar a vedação completa para evitar a entrada de pragas, esta tecnologia protege contra chuvas e ventos, evitando a troca de ar entre os ambientes. Além disso, pode ainda apresentar isolamento térmico e abertura ultrarrápida, o que assegura que o ambiente esteja na temperatura ideal para que não ocorra a proliferação de microrganismos.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinos

Como a causa da mastite afeta o desempenho reprodutivo das vacas?

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

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Foto: O Presente Rural

*Por Gustavo Freu e Marcos Veiga Santos

A mastite e os problemas reprodutivos são os principais problemas de saúde responsáveis por perdas econômicas nas fazendas leiteiras modernas.

Além disso, os problemas de saúde do úbere e reprodução podem ter relação entre si, como no caso da ocorrência de mastite que afeta negativamente o desempenho reprodutivo das vacas.

Já é bem conhecido que vacas com mastite têm menor taxa de concepção, maior número de inseminações artificiais (IA) por concepção, além de outros distúrbios reprodutivos, que comprometem o desenvolvimento folicular e embrionário.

O tipo de microrganismo causador da mastite e a duração da infecção são dois fatores importantes que afetam o desempenho reprodutivo das vacas leiteiras. Sendo assim, devido à crescente importância da mastite causada por estreptococos ambientais (como S. uberis e S. dysgalactiae) e por coliformes, vale a pena entender quais os principais prejuízos e problemas causados por estes dois grupos de agentes causadores de mastite.

Em razão da importância econômica de manter um adequado período de serviço, pesquisadores de Israel compararam duas situações práticas em relação aos efeitos da mastite sobre a reprodução:

A) mastite crônica causada por Streptococcus spp.; e
B) mastite de curta duração causada por Escherichia coli.

Para isso, 778 vacas de seis rebanhos leiteiros foram avaliadas. O estudo monitorou vacas com mastite causada por Streptococcus spp., por E. coli e vacas sadias (grupo controle). Para avaliar o retorno da ciclicidade das vacas, foi utilizado um sistema automático de monitoramento de atividades e os dados foram classificados de acordo com o tempo de infecção: antes ou depois da primeira IA.

Os resultados mostraram que quando a mastite ocorreu antes do retorno da ciclicidade pós-parto, a prenhez na primeira IA foi menor nas vacas dos grupos Streptococcus spp. (26%) e E. coli (31%) em comparação com as vacas sadias 42% (Figura 1). De forma semelhante, quando a infecção ocorreu após a ciclicidade a taxa de prenhez na primeira IA foi menor nas vacas com mastite em comparação com as sadias.

A taxa de prenhez aos 300 dias em lactação antes (73%) e depois (67%) da ciclicidade foi menor para as vacas com mastite causada por Streptococcus spp. em comparação com as vacas sadias (95%). Da mesma forma, foi observada menor taxa de prenhez nas vacas com mastite por Streptococcus spp. (67%) do que por E. coli (93%), quando a mastite ocorreu após o retorno da ciclicidade.

O efeito negativo da mastite sobre desempenho reprodutivo varia de acordo com as condições dos sistemas de produção e do tipo de agente causador da mastite.

No estudo em questão, as vacas com mastite por Streptococcus spp. tiveram maior efeito negativo sobre o desempenho reprodutivo do que as vacas com mastite causada E. coli. Isso foi demonstrado pela maior porcentagem de vacas com mastite por Streptococcus spp. vazias ao final da lactação devido a falhas reprodutivas.

Entre as possíveis explicações, a mastite por Streptococcus spp. resulta em altas contagens de células somáticas (CCS) por períodos prolongados o que aumenta o risco de afetar a reprodução, enquanto que na mastite por E. coli este aumento de CCS é agudo e dura apenas alguns dias.

Altas CCS por longos períodos resulta em elevação prolongada dos níveis de citocinas e alterações na resposta imunológica, que podem alterar ou prejudicar o desempenho reprodutivo normal de vacas leiteiras.

Portanto, este estudo indica que a mastite crônica causada por Streptococcus spp. afeta mais intensamente a fertilidade das vacas leiteiras do que a mastite aguda causada por E. coli. Assim, um bom controle de mastite além de auxiliar na melhoria da qualidade do leite também contribui com manter bons índices reprodutivos das fazendas.

 

Fonte: Assessoria
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