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Suínos Necessita atenção

Claudicação em fêmeas suínas gestantes têm efeito na prole

Resultados preliminares da pesquisa mostram que leitões que nascem de fêmeas que claudicaram durante sua gestação apresentam diversos problemas ao longo da vida

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Marisol Parada Sarmiento, doutoranda em Medicina Veterinária, Saúde Pública e Bem-estar Animal, Universidade de Teramo, Itália e estudante de intercâmbio na Universidade de São Paulo – FMVZ, campus Pirassununga

O suíno é um animal de enorme complexidade em termos comportamentais. Na natureza, as matrizes e sua prole convivem em grupos e só se juntam com os machos em temporada de acasalamento. Alguns comportamentos naturais da espécie incluem fuçar, forragear, chafurdar (banho de lama para o controle de temperatura) e gerar vínculos amistosos com seus semelhantes. Próximas ao parto, as matrizes constroem ninhos que podem alcançar dezenas de quilos de material (feno, galhos, serragem, etc.), sendo que tais comportamentos são comprometidos pelos sistemas de produção adotados na atualidade.

O sistema de produção suína apresenta enormes desafios para todos os envolvidos, principalmente para os animais. Um dos desafios que tem chamado a atenção da comunidade que trabalha com esta espécie é a claudicação. A claudicação é um evento doloroso que indica dificuldade no andar do animal (coloquialmente chamada de manqueira) atingindo diretamente o bem-estar animal e, por consequência, o bolso do produtor. A claudicação é um motivo de descarte frequente em matrizes suínas, e estudos sugerem que aproximadamente 60% das matrizes se encontram claudicando no Brasil. Ou seja, pelo menos quase três milhões de matrizes se encontram em situação de dor (IBGE, 2017). No mundo, as prevalências reportadas estão próximas dos 30% e o custo da claudicação gira em torno dos R$ 200 por matriz.

Origem

Sua origem, como em outras espécies, é multifatorial e, dentre os fatores, temos:

  • Condições de alojamento inadequadas: muitos animais em áreas pequenas e ausência de enriquecimento ambiental são determinantes devido às lesões geradas durante e após a mistura de animais;
  • Piso: abrasividade excessiva no chão altera negativamente a condição do casco nos suínos;
  • Fatores sanitários e nutricionais: algumas toxinas, deficiências em vitaminas e minerais podem afetar os ossos, cartilagem articular e qualidade do casco;
  • Outros fatores, como ausência de casqueamento, atrofia muscular por inatividade excessiva ou seleção genética, sem levar em conta os aprumos dos reprodutores, aumentam a probabilidade de desenvolver claudicação.

As consequências da claudicação para o animal compreendem mudanças comportamentais, problemas de saúde e estados emocionais alterados, tudo isso diretamente relacionado com à dor que a claudicação implica e o bem-estar animal. Traumas, fraturas, lesões do pé, lesões de ossos e cartilagens de nascença são condições que alteram a saúde das matrizes. Consequências comportamentais importantes incluem a redução da interação social e exploratória normal, mudanças no comportamento alimentar e alteração na sequência e tempo para se deitar. Por fim, as implicações fisiológicas encadeiam respostas cardiovasculares e liberação de hormônios do estresse, como adrenalina, noradrenalina e cortisol.

A dor tem um papel importantíssimo nessas mudanças secundárias geradas pela claudicação. Ela é uma condição desagradável e estressante que tem como ser detectada. Inicialmente, é importante conhecer o comportamento natural da espécie a ser avaliada, pois as primeiras mudanças no animal são de tipo comportamental: diminuição da atividade, maior reatividade ante estímulos estressantes, diminuição no consumo, afastamento do grupo e relutância ao apoio do membro afetado. Existem metodologias validadas para determinar o grau de claudicação do animal, onde o observador precisa de treinamento prévio para determinar quantitativamente a severidade desta dificuldade motora. Procedimentos mais complexos usados pela ciência, como medição de hormônios de estresse, podem ser aliados para melhor compreensão do estado em que o animal se encontra sendo com dor/estresse ou não.

Dor afeta leitões em formação

Mas e a dor? Ela tem efeito nos leitões que estão se formando dentro da matriz?  A resposta é sim. Como em todo mamífero, situações de estresse durante a prenhez sem possibilidade de adaptação, geram efeitos negativos no desenvolvimento do feto. Por exemplo, se uma mulher passar por estresse excessivo durante a gestação e, mais especificamente, durante o momento em que o sistema nervoso central do feto está se desenvolvendo, consequências graves são geradas. Crianças com dificuldades emocionais, agressividade excessiva, problemas de atenção e memória, são algumas sequelas que o estresse desmedido pode gerar nesse novo ser.

Uma equipe de pesquisa da Universidade de São Paulo, em conjunto com a Universidade de Teramo (Itália), está trabalhando na identificação dessas consequências em leitões vindos de matrizes que claudicaram durante sua gestação.

Em situações normais, os hormônios de estresse, como o cortisol, são inativados na placenta para evitar os possíveis danos ao feto, mas se esses níveis superam a capacidade que a placenta tem para inativar, os hormônios começam a passar de forma livre, alterando estruturas cerebrais em formação, as quais se relacionam com o mencionado anteriormente, memória, cognição, agressão e, inclusive, medo.

Resultados preliminares da minha pesquisa de doutorado mostram que leitões que nascem de fêmeas que claudicaram durante sua gestação, são mais agressivos, têm frequências de vocalização diferentes, possivelmente sua sensibilidade à dor se encontra diminuída e apresentam menor peso ao desmame.

No futuro, o estudo poderá mostrar mais resultados em relação à conversão alimentar, ganho de peso, desempenho cognitivo, comportamento social e medidas de medo; para mostrar outras alterações que a claudicação em matrizes gestantes causa nos fatores produtivos e de bem-estar da sua prole.

O mundo da produção suína está cheio de desafios para os animais, desde seu nascimento até sua morte; desmame, mudanças do local de alojamento, mistura com animais desconhecidos, transporte, entre outros. Se tivermos a capacidade de criar animais mais adaptados à tais desafios, as consequências serão benéficas para o produtor e não somente para o animal. Ter animais mais calmos, por exemplo, suscita facilidades de manejo para cada um desses desafios, de forma que tanto o animal como o produtor e seus trabalhadores, se verão beneficiados.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos Mato Grosso

Cuiabá recebe simpósio para discutir custos de produção, inovação e sanidade na suinocultura 

Evento promovido pela Acrismat reúne especialistas da Embrapa, IMEA e AgriHub para debater desafios e oportunidades de uma das cadeias que mais cresce no agronegócio mato-grossense.

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Foto e texto: Assessoria

Em um momento em que a suinocultura brasileira enfrenta desafios relacionados aos custos de produção, à competitividade e à necessidade crescente de adoção de novas tecnologias, Cuiabá sediará, no próximo dia 10 de julho, o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso. Promovido pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), o evento reunirá pesquisadores, produtores, técnicos e representantes de instituições estratégicas para discutir os principais temas que impactam a atividade.

Foto: Shutterstock

A programação acontece no Auditório do Edifício Cloves Vettorato, das 13h30 às 18 horas, e contará com a participação de especialistas da Embrapa Suínos e Aves, do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA) e do AgriHub.

Entre os destaques está a discussão sobre os custos de produção da atividade, considerada uma das principais preocupações dos produtores diante das oscilações do mercado de grãos, principal componente da alimentação animal. O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, e o coordenador de Inteligência de Mercado do IMEA, Rodrigo Matheus da Silva, apresentarão análises sobre o cenário de 2026 e as perspectivas para 2027.

A inovação também terá espaço de destaque no simpósio. O pesquisador Paulo Armando, da Embrapa, apresentará tecnologias voltadas à automação, inteligência artificial e melhoria da ambiência nas granjas, ferramentas que vêm ganhando importância na busca por maior eficiência produtiva e redução de custos operacionais.

Outro momento aguardado será o lançamento do relatório “Sementes da Inovação – Edição Suinocultura”, elaborado

Foto: Shutterstock

pelo AgriHub. O estudo apresenta um diagnóstico da cadeia produtiva em Mato Grosso, construído a partir da escuta de produtores e do levantamento dos principais gargalos enfrentados pelo setor.

O documento reúne informações sobre demandas prioritárias, oportunidades de inovação e soluções tecnológicas capazes de aumentar a produtividade e a sustentabilidade das granjas mato-grossenses.

A programação também abordará um dos pilares da competitividade da suinocultura brasileira: a biosseguridade. Especialistas da Embrapa apresentarão ferramentas de diagnóstico sanitário e estratégias de planejamento produtivo voltadas à prevenção de doenças e à melhoria dos índices zootécnicos.

Foto: Shutterstock

Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, o simpósio chega em um momento importante para o setor, que busca manter sua trajetória de crescimento mesmo diante de um ambiente econômico desafiador. “Mato Grosso tem ampliado sua relevância na produção de proteína animal e a suinocultura acompanha esse movimento. Precisamos discutir tecnologia, eficiência, custos e sanidade para que o produtor continue competitivo e preparado para atender um mercado cada vez mais exigente. O simpósio será uma oportunidade para reunir conhecimento, inovação e troca de experiências entre todos os elos da cadeia”, afirma.

A suinocultura mato-grossense encerrou 2025 com resultados positivos, impulsionada pelo crescimento das exportações brasileiras de carne suína e pela ampliação dos mercados compradores. Ao mesmo tempo, o setor acompanha com atenção fatores como os custos de alimentação animal, o comportamento do mercado internacional e as exigências sanitárias cada vez mais rigorosas.

As inscrições para o evento são gratuitas e podem ser realizadas pela plataforma Sympla.

Fonte: Assessoria Acrimat
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Suínos

18º SBSS discute prevenção de doenças por meio da gestão integrada de vetores

Médico-veterinário Alisson Mezalira vai apresentar estratégias de monitoramento e controle de roedores e insetos, apontados como transmissores de agentes infecciosos nas granjas, no dia 12 de agosto, durante Painel Biovigilância – Gestão Integrada.

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Foto: Divulgação

A prevenção de doenças e a proteção dos sistemas produtivos passam também pelo controle eficiente de agentes muitas vezes invisíveis no dia a dia das granjas. Com esse foco, o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) promoverá a palestra “Vigilância de Vetores: Roedores e Insetos como Disseminadores de Patógenos”, ministrada pelo médico-veterinário Alisson Mezalira, no dia 12 de agosto, às 11h35, durante o Painel Biovigilância – Gestão Integrada, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

A apresentação abordará a importância da vigilância e do controle de vetores dentro dos programas de biosseguridade, destacando o papel de roedores e insetos na disseminação de agentes patogênicos capazes de comprometer a sanidade dos rebanhos e gerar impactos produtivos e econômicos para a atividade.

Médico-veterinário Alisson Mezalira palestra no no dia 12 de agosto sobre vigilância de Vetores durante o Painel Biovigilância – Gestão Integrada do 18º SBSS – Foto: Divulgação

Médico-veterinário formado pela Universidade de Passo Fundo (UPF), Alisson Mezalira possui mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e experiência prática na área de produção animal. Atuou na BRF (Sadia), em Uberlândia (MG), prestando assistência técnica em granjas de suínos entre 2004 e 2005. Desde 2006, exerce a função de responsável técnico na MM Distribuidora, empresa representante da Syngenta em Santa Catarina, desenvolvendo trabalhos voltados ao controle integrado de vetores e à biosseguridade nas cadeias produtivas.

Ao longo de sua trajetória, acumulou experiência no desenvolvimento de estratégias de monitoramento e controle de pragas em sistemas de produção animal, contribuindo para a redução de riscos sanitários e para o fortalecimento dos programas de prevenção de doenças.

A presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, destaca que a biosseguridade é um dos pilares da competitividade da suinocultura. “A prevenção continua sendo uma das ferramentas mais eficientes para proteger a produção animal. Quando falamos em biosseguridade, precisamos olhar também para fatores que muitas vezes passam despercebidos, mas que podem representar riscos significativos para a sanidade dos rebanhos”, afirma.

Foto: Andressa Kroth/UQ Eventos

Para o presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, a vigilância de vetores tem ganhado importância crescente dentro dos programas sanitários. “Roedores e insetos podem atuar como transmissores de diversos agentes infecciosos, comprometendo a saúde dos animais e a eficiência produtiva. Discutir estratégias de monitoramento e controle é fundamental para fortalecer a gestão integrada da biosseguridade dentro das granjas”, ressalta.

As inscrições e a programação completa já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do primeiro lote, até o dia 25 de junho, é de R$ 600 para profissionais e R$ 400 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Técnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

 

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Peste suína africana expõe o custo de reagir tarde ao avanço dos javalis

Consultora Telma Vieira Tucci, da Itália, mostrou como a experiência europeia transformou o javali em peça central da crise sanitária e elevou o custo do controle para países com forte produção de suínos.

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Foto: Shutterstock

Na Europa, o javali deixou há muito tempo de ser apenas um problema de campo. Ele passou a ocupar uma posição crítica dentro da equação sanitária da suinocultura, especialmente desde o avanço da peste suína africana pelo continente há pouco menos de dez anos. Foi esse o eixo da apresentação de Telma Vieira Tucci, consultora independente radicada na Itália, ao detalhar no Encontro Abraves Paraná, em Toledo, como a presença e a movimentação desses animais se tornaram parte do desafio epidemiológico enfrentado por países produtores.

Telma organizou a leitura do problema a partir do mapa europeu de positividade para peste suína africana em suínos e javalis. “Hoje, a peste suína africana ainda não foi contida”, afirmou. A partir dessa constatação, ela reconstruiu a trajetória recente da doença no continente, com reaparecimento a partir de 2007 e posterior avanço sobretudo pelo Leste Europeu, até provocar novos episódios em áreas ocidentais e impor respostas cada vez mais complexas aos países afetados.

Na experiência europeia, contextualizou em sua apresentação online, o javali não aparece apenas como elemento periférico da história sanitária. Ele surge como parte concreta da difusão territorial do problema. “As europeias áreas afetadas pela peste suína africana foram principalmente relacionadas com a migração de javalis.”

Para ela, quando a doença entra em territórios onde javalis circulam livremente, encontrar carcaças, delimitar zonas, conter deslocamentos e impedir novas introduções deixa de ser tarefa simples. A experiência europeia mostra que o problema não foi apenas o vírus em si, mas o encontro entre o vírus, a fauna livre e a dificuldade de coordenação territorial.

O fator humano não desaparece

Se os javalis ganharam relevância sanitária, Telma também deixou claro que eles não explicam tudo sozinhos. Um dos pontos mais fortes da apresentação foi a insistência no papel humano na difusão da peste suína africana. “O homem é fundamental, fundamental”, afirmou, ao sugerir que certos saltos geográficos da doença não se explicam apenas pelo deslocamento natural dos animais.

Essa leitura torna a experiência europeia ainda mais relevante para a suinocultura. O javali amplia o risco, sustenta circulação em vida livre e dificulta a erradicação local, mas o homem continua sendo fator crítico na quebra das barreiras sanitárias. O problema exige simultaneamente biosseguridade nas granjas, vigilância territorial, resposta rápida do serviço oficial e contenção em áreas onde a fauna silvestre já se contaminou.

Bélgica, Alemanha e Itália mostram o tamanho do desafio

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Ao percorrer casos europeus, Telma mostrou como a peste suína africana passou a exigir respostas muito diferentes conforme o país, o território e o momento epidemiológico. Na Bélgica, citou, a doença apareceu em região onde não havia histórico equivalente recente, exigindo forte mobilização para compreender origem, delimitar área e conter disseminação. Na Alemanha, ela apresentou a evolução de pontos positivos desde 2019 e reforçou que a progressão ao longo do tempo revelou a dificuldade de estabilizar o cenário. “É difícil controlar nesse cenário”, resumiu.

No caso italiano, a leitura ficou ainda mais política e institucional. Telma apontou entraves ligados à própria estrutura administrativa do país, com diferentes níveis de governo e legislações coexistindo, o que dificultou acelerar certas respostas. “Com toda essa demora foi pedido muito tempo”, num contexto em que múltiplas instâncias administrativas retardaram a uniformização das medidas. Para a suinocultura brasileira, a lição é direta: quando a crise entra num ambiente institucional fragmentado, o tempo joga a favor do problema.

Cercas, busca de carcaças e contenção territorial

Outro aspecto importante da palestra foi a descrição das medidas físicas e operacionais mobilizadas em diferentes países. Telma mencionou cercas, delimitação de áreas, sistemas de captura e busca de carcaças como parte da resposta europeia. “As medidas de contenção estão sendo aplicadas”.

Esse ponto conversa fortemente com a realidade da suinocultura brasileira. O próprio Manual de Boas Práticas para o Controle de Javali, do Ibama, já reconhece o javali como ameaça ao estado sanitário dos rebanhos de produção e recomenda cercas de exclusão para granjas de suínos, além de zonas de separação entre áreas produtivas e regiões de incidência. A lógica é semelhante: quando o animal passa a integrar o risco sanitário, a proteção física da granja deixa de ser detalhe e passa a ser barreira estratégica.

O custo não aparece só no campo

Ao tratar das consequências econômicas, Telma mostrou que o dano não se limita ao animal morto, à área interditada ou à granja diretamente atingida. A palestra trouxe gráficos e referências sobre impacto econômico em países como Alemanha, Itália e Espanha, sugerindo que a presença da peste suína africana em áreas com javalis altera preços, afeta circulação, impõe gastos públicos e privados e prolonga o ambiente de instabilidade.

De acordo com a consultora, a ideia central é inequívoca: a consequência econômica de uma crise sanitária associada a javalis é maior do que a fotografia imediata do foco. Ela se espalha pelo sistema produtivo, alcança logística, mercado, imagem sanitária e custo de contenção. Para a suinocultura, isso é decisivo, porque a cadeia trabalha com margens estreitas, alto investimento fixo e forte dependência de previsibilidade.

Espanha respondeu com mais velocidade

Entre os casos comentados, a Espanha apareceu como exemplo de resposta mais energética e imediata. Telma indicou que o país reagiu com maior rapidez do que outros contextos europeus diante da ameaça sanitária e deixou uma mensagem que vale como síntese operacional da palestra: “A resposta imediata é vital.” Para a suinocultura, essa talvez seja a principal lição da experiência europeia. Tempo de resposta não é detalhe administrativo; é variável sanitária.

Quando o risco deixa o mato

A consultora ampliou ainda mais o alcance do tema ao dizer que a peste suína africana associada a esse contexto é “uma ameaça global”. A observação reforça o que a experiência europeia já demonstrou: depois que a crise sanitária se instala em ambiente com javalis, conter o problema se torna mais caro, mais demorado e mais complexo.

A edição digital do jornal está disponível gratuitamente para leitura online no portal de O Presente Rural, acesse clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural
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