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Ciência melhora índices reprodutivos a cada ano

Três pesquisadores apresentam um pouco da história do melhoramento genético e seus benefícios e o que esperar do futuro

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O jornal O Presente Rural procurou a Embrapa para saber como o melhoramento genético contribui para melhorar os índices produtivos e reprodutivos na pecuária brasileira. Três pesquisadores apresentam um pouco da história do melhoramento genético e seus benefícios e o que esperar do futuro. Um deles é o pesquisador e melhorista Antonio do Nascimento Rosa, que faz um histórico de como tudo surgiu.

“A Embrapa Gado de Corte, fundada em abril de 1977, portanto, há 41 anos, construiu a sua história sobre uma filosofia de trabalho muito simples, mas sábia: o trabalho de pesquisa começa no produtor e termina no produtor. Isto significa dizer que os pesquisadores devem estar antenados no sistema produtivo, no homem do campo, pois vem deles as demandas de trabalhos de pesquisa. E estes trabalhos só devem ser considerados acabados, prontos, quando os seus resultados retornam ao campo, proporcionando aos produtores aumentar a produção, a produtividade ou a qualidade dos seus produtos”, introduz.

“Na área de melhoramento genético, além desta recomendação, fomos forçados a buscar parceria com o setor produtivo desde o início de nossas atividades. Afinal, nem rebanho de seleção a Embrapa tinha. Assim, juntos com ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu -, no estado de Mato Grosso do Sul, desde 1979, e em âmbito nacional a partir de 1982, fomos pioneiros no lançamento de Sumários de Touros. Esta parceria perdurou até 2013, com a produção de 128 edições de sumários e milhares de touros avaliados”, menciona.

“Ao longo deste período, além da tecnologia Sumários de Touros, fomos também pioneiros na implantação do Programa de Avaliação de Touros Jovens – ATJ e colocamos a disposição dos criadores o Programa de Melhoramento Genético Embrapa Geneplus, de forma a prestar suporte aos criadores não apenas com as avaliações genéticas de touros, mas também de matrizes e produtos nascidos”, emenda.

Atualmente, comenta o melhorista, são atendidos neste programa 419 rebanhos de 10 raças bovinas (Brahman, Guzerá, Nelore; Caracu e Hereford; Brangus, Braford, Canchim, Santa Gertrudis e Senepol), com dados de cerca de 3,8 milhões de animais, espalhados por 17 unidades da federação, bem como da Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Ele explica que os resultados imediatos do programa de melhoramento – avaliações genéticas e planos de acasalamento – chegam ao campo por diversos caminhos: “diretamente, pelos criadores participantes do Programa Embrapa Geneplus, associações de criadores, centrais de inseminação, leiloeiras, empresas de assistência técnica e consultoria nas áreas de gestão e biotécnicas reprodutivas. Além deste caminho, os produtores podem ter acesso direto aos sumários de touros por meio de download dos arquivos pela internet, por meio de sumários impressos e de aplicativos móveis disponíveis no Google Play (até o momento para as raças Nelore, Senepol, Hereford e Braford)”.

Avanço com a IATF

Os pesquisadores Juliana Corrêa e Urbano Gomes, da Embrapa Pantanal, citam que a Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) foi o divisor para o sistema. “O Brasil possui 221,81 milhões de cabeça de gado e é o maior rebanho comercial do mundo, podendo crescer muito mais em produtividade. O grande avanço na reprodução foi a intensificação do uso da Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) desde o final da década de 90. Devido à relativa baixa eficiência reprodutiva observada nos rebanhos bovinos brasileiros, foi primordial desenvolver formas de conhecer, controlar e melhorar índices reprodutivos, que são a taxa de prenhez, índice de serviço, intervalo de partos, taxa de natalidade. Programas de IATF estão sendo utilizados em larga escala por apresentarem inúmeras vantagens, sendo a principal delas a eliminação da observação de cio, evitando a inseminação de vacas no momento incorreto, otimizando a utilização do sêmen e de mão-de-obra. A IATF serve também para concentrar as inseminações e as parições em épocas desejáveis, induzir a ciclicidade de vacas em anestro, diminuir o intervalo de partos, programar as inseminações em um curto período de tempo, controlar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis, diminuir os investimentos com touros, padronizar os lotes por categoria e escore de condição corporal e reduzir o descarte e o custo de reposição de matrizes. Essa biotecnologia chegou trazendo inúmeros benefícios, além da possibilidade de se massificar o uso de touros melhoradores – animais avaliados geneticamente e que deixarão no rebanho descendentes com alto valor econômico. A prática tornou possível também o aumento da utilização de sêmen sexado”, citam os pesquisadores.

Índices reprodutivos

Juliana Corrêa e Urbano Gomes citam que ainda há grande variação nos índices reprodutivos, “pois inúmeros fatores interferem nas taxas de prenhez, índice de serviço, intervalo de partos e taxa de natalidade, tais como manejo nutricional e sanitário, estação de monta, inseminador, efeito touro, categoria animal (primípara, multípara), protocolo hormonal, escore de condição corporal (ECC), qualidade do sêmen, ambiente, etc. Por isso temos propriedades que estão abaixo de 60% (de taxa de prenhez) e outras acima dos 90%”, comentam.

“Em um experimento realizado pela Embrapa Pantanal com mais de 1,5 mil inseminações ocorridas no Pantanal e Planalto, os índices no bioma pantaneiro demonstraram, significativamente, menor taxa de prenhez quando comparamos as duas regiões – utilizando os mesmos touros e partidas de sêmen, mesmo protocolo de IATF e mesmo inseminador. Ou seja: a alteração na prenhez aconteceu em função das vacas (e seus escores de condição corporal). No entanto, estão implícitos vários fatores, como diferenças de manejo nutricional (qualidade e disponibilidade das pastagens), fatores ambientais (enchente), fatores genéticos, etc.”, sugerem.

Para os profissionais, o ideal seria ter menores perdas de prenhez do diagnóstico de gestação até a desmama. “Se a média do Brasil fosse 75% de desmama, estaríamos muito melhores e poderíamos crescer ainda mais”, acentuam.

Técnicas mais usadas

Eles explicam as diferenças entre tecnologias aplicadas hoje na bovinocultura brasileira. “A genética está relacionada à hereditariedade, a como as características individuais são herdadas através dos genes (em pequena escala ou escala molecular). Cada gene representará uma função bem definida de acordo com uma codificação específica na sequência de ácidos nucleicos (DNA/RNA). Já a genômica trata do estudo de muitos ou todos os genes em um genoma e suas interações com o ambiente. Edição gênica é a possibilidade de modificar esses genes (localizar, recortar, retirar e colar outro gene de interesse). Por exemplo, retirar um gene que causa uma determinada patologia ou alterar um gene para aumento de produção”, orientam.

Já as informações fenotípicas são as características do animal – sejam elas o peso, medidas corporais, medidas de fertilidade, cor de pelagem – são chamadas de fenótipos. “Assim, informações fenotípicas são aquelas que podemos ver e consequentemente, conseguimos mensurar. Esse fenótipo, tal como é medido, é uma expressão do genótipo (constituição genética) do indivíduo portador do fenótipo em questão mais um componente de ambiente (clima, alimentação, manejo, saúde, etc.). Assim, as informações fenotípicas servem como indicador de produção e produtividade, sendo reflexo do genótipo e do ambiente em que os animais são criados”, comentam. “Desta forma, o monitoramento das medidas fenotípicas reflete tanto as práticas de manejo (nutricional, sanitário, reprodutivo) adotadas quanto o nível do progresso genético do rebanho. Consequentemente, essas informações são imprescindíveis para o produtor poder avaliar seu sistema de produção e o progresso genético dos animais”, recomendam.

De acordo com Juliana Corrêa e Urbano Gomes, da Embrapa Pantanal, pouco ainda se usa de inseminação artificial no Brasil. “O rebanho bovino brasileiro utiliza, aproximadamente, 12% de inseminação artificial (IA). Estima-se que mais de 60% dessa porcentagem sejam utilizados em programas de IATF. A IATF, por sua vez, tem alcançado índices médios de prenhez cada vez mais satisfatórios (50%), embora muitos sejam os fatores que influenciam no sucesso desta biotécnica. A introdução de tecnologias como a IATF traz rápido retorno em produtividade. Alguns exemplos são o aumento de bezerros por vaca/ano, produtos de melhor qualidade, maiores pesos na desmama, redução do intervalo de partos, maior oferta de animais para a engorda, redução da idade de abate e carcaças de melhor qualidade e mais precocidade”, citam.

Eles recomendam que a importância dessa intensificação deve ser enfatizada pelo potencial de crescimento e desenvolvimento da pecuária. “Outras biotecnologias reprodutivas, mais voltadas à seleção das fêmeas, são utilizadas em menor escala e em rebanhos mais voltados à seleção, como a produção in vitro de embrião (Pive), Transferência de embrião (TE) e clonagem.

Manejo reprodutivo

Os pesquisadores da Embrapa Pantanal fazem referência especial ao manejo reprodutivo para a atual pecuária brasileira ampliar seus índices reprodutivos. “O manejo reprodutivo dá condições para a vaca parir uma boa cria por ano. Nesse contexto, premissas importantes como nutrição e sanidade devem estar inclusas, pois não conseguimos fazer a reprodução dos animais se não há condições mínimas para essas premissas. Assim, a prática da estação de monta (EM) visa concentrar o período de reprodução nos meses mais favoráveis do ano e, por consequência, otimizar os esforços em busca da maior eficiência reprodutiva e produtiva na propriedade. Quanto mais concentrada – isto é, quanto mais curta for a estação de monta – mais centralizada será a estação de parição ou nascimentos e menores serão as diferenças entre as idades dos primeiros e últimos animais daquela safra, que chamamos de animais “do cedo” e animais “do tarde”, respectivamente. Em síntese, os animais serão mais contemporâneos, facilitando a programação e planejamento das atividades de nascimentos (parição), desmama (desterneiramento), seleção e vendas”, revelam.

Na opinião dos profissionais, a época do ano mais favorável ao estabelecimento da estação de monta coincide com as melhores condições nutricionais das pastagens, que propiciarão melhores condições corporais e de atividade ovariana (ciclicidade) das matrizes, o que é fundamental para a eficiência reprodutiva. “Se uma propriedade não faz EM, é preciso começar aos poucos. Uma sugestão é começar deixando vacas e touros juntos por seis meses e, depois, “cortar” os meses “das pontas” até que a estação esteja com cerca de 3 ou 4 meses de duração (de 90 a 120 dias). O ideal é que ela dure 90 dias.

Nutrição

Quando o assunto é nutrição, Urbano Gomes é enfático. “Nas palestras, sempre falo que temos uma ótima simpatia, que nunca falha para a vaca emprenhar. O segredo é sempre repetir as frases: “vaca magra não dá cio!”, “o cio entra pela boca!” e “a vaca não pode parir magra!”. Ou seja, nutrição sempre é um limitante para que a reprodução seja eficiente. Assim, o mais importante é dar condições nutricionais para todas as fêmeas, principalmente aquelas que ainda estão em desenvolvimento, como as novilhas e primíparas”.

Os touros também devem estar em condições nutricionais adequadas ao entrar na estação de monta. Uma estratégia de suplementação adequada para obter bons índices reprodutivos seria aquela destinada a melhorar o uso da forragem, maximizando seu consumo e digestibilidade.

Novos avanços

Juliana Corrêa e Urbano Gomes citam os avanços que devem permear a reprodução nos próximos anos. “Quando falamos em reprodução, esperamos que nos próximos anos tenhamos avanços nas descobertas cada vez mais precoces de reprodutores e doadoras de alto valor genético. Ao reproduzir os melhores indivíduos, diminuiremos o ciclo produtivo do animal. Buscamos um animal terminado mais precocemente, trazendo retorno econômico ao produtor e ao setor pecuário. A genética e a genômica serão as ferramentas que darão o suporte para a identificação precoce desses animais mais produtivos, validando (sem haver necessariamente de um grande número de filhos) que suas características de interesse passarão para seus descendentes”, comentam.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bem-estar e aditivos à base de levedura: aliados na produção e qualidade do leite

Combinação de nutrição e saúde adequada do rúmen com fortalecimento do sistema imunológico proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Liliana Borges e Melina Bonato, P&D da ICC Brazil

Nas últimas décadas a pecuária leiteira tem passado por grandes transformações que do campo à industrialização, que envolvem melhorias na nutrição, saúde e bem-estar animal, qualidade e agregação de valor ao produto final. De acordo com a FAO, a produção global de leite em 2019 atingiu 852 milhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2018, resultado principal de produções da Índia, Paquistão, Brasil, União Europeia, Federação Russa e EUA.

Estas transformações são decorrentes do aumento da demanda pelos consumidores que têm o leite e seus derivados como produtos essenciais de consumo e estão sempre em busca por alimentos de qualidade e mais atentos aos processos utilizados na produção animal.

O bem estar do rebanho leiteiro e desempenho estão conectados, pois sabe-se que vacas em boas condições de bem estar produzem mais, apresentam menores problemas de saúde e melhores índices reprodutivos. Desta forma, os produtores de leite modernos se esforçam para seguir as melhores práticas de gerenciamento que beneficiam a produtividade.

No entanto, no campo encontramos inúmeros desafios que levam os animais a terem picos de estresse que podem prejudicar a produção e qualidade do leite. Estes desafios podem variar entre bruscas alterações climáticas e deficiências em manejo, nutrição e condições sanitárias que levam os animais a terem picos de estresse e se tornarem mais suscetíveis às contaminações. Assim sendo, é de suma importância que vacas leiteiras estejam com seu sistema imune fortificado para que consigam responder com eficiência às intempéries impostos pela produção intensiva no dia a dia.

Neste contexto, além de pensarmos em melhorar a imunidade devemos pensar sobre a nutrição e a saúde do rúmen, considerando que o rúmen com uma flora bem nutrida e saudável proporciona maiores taxas de produtividade associadas à melhor saúde animal.

O uso de ingredientes funcionais que proporcionam melhoria da saúde do animal e ganhos no desempenho tendem a se tornar itens essenciais na dieta do gado leiteiro. As leveduras são amplamente utilizadas na nutrição de ruminantes demonstrando diversos benefícios já comprovados. A levedura Saccharomyces cerevisiae autolizada é composta por metabólitos solúveis, vitaminas, peptídeos de cadeia curta e aminoácidos livres. Contém ainda grande concentração de β-glucanas, MOS (mananoligossacarídeos) e carboidratos funcionais da parede celular.

O efeito dos metabólitos solúveis se dá diretamente no rúmen, onde é observado uma menor presença de lactato, menor queda do pH ruminal, maior presença de nitrogênio microbiano e maior digestibilidade de FDN. Já as β-glucanas além de terem um efeito imunomodulador sobre o sistema imune inato, através do estímulo da produção de citocinas pró-inflamatórias que desencadeiam um aumento na produção e atividade das células fagocíticas; também são capazes de adsorver micotoxinas. As β-D-glucanas da parede das leveduras são capazes de se ligar às diversas micotoxinas, enquanto que as α-D-mananas inibem a atividade tóxica das micotoxinas, provavelmente por interagir com os radicais destes compostos.

Somado a estes benefícios acrescenta-se o efeito de aglutinação das bactérias patogênicas (com fímbrias) pelo MOS, conferindo uma melhor integridade das vilosidades intestinais, ou seja, a permeabilidade intestinal é reduzida favorecendo uma barreira protetora contra bactérias e micotoxinas para a corrente sanguínea.

Diversos estudos demonstraram que a levedura autolizada pode aumentar a produção de leite em +2 kg/vaca/dia (estudos em laboratório e estudos em campo (Tabela 1), bem como a qualidade do leite (gordura e proteína), reduzir a CCS (Tabela 2) e a incidência de doenças, e também a contaminação por micotoxinas no leite.

 

Estudo

Estudo conduzido na Universidade de São Paulo, campus Pirassununga, vacas leiteiras foram desafiadas com AFB1 com o objetivo de avaliar o efeito de diferentes aditivos à base de levedura sobre a excreção de AFM1 no leite. A aflatoxina foi administrada oralmente através de 2 cápsulas contendo120 μg AFB1 cada, imediatamente após a ordenha da manhã e da tarde (totalizando 480 μg AFB1 por dia), durante 6 dias consecutivos (iniciando no dia 1 do experimento). Os aditivos foram administrados em 20 g/cabeça/dia, por 7 dias consecutivos, iniciando no dia 4 do experimento. O resultados mostraram que a levedura autolizada foi superior aos demais produtos ao reduzir os níveis de porcentagem de transferência de AFM1 para o leite (Figura 1).

Qualidade do produto

Para o atual cenário do mercado de laticínios, melhorar a quantidade da produção de leite deve estar associado à qualidade do produto e estes por sua vez estão relacionados com o bem-estar animal. A combinação de uma nutrição e saúde adequada do rúmen com o fortalecimento do sistema imunológico do animal proporcionam melhores condições de saúde e bem-estar animal. O resultado é evidenciado pela maior produção e qualidade diária de leite, além de reduzir as preocupações com a presença de resíduos no leite, um fator importante para conquistar um mercado consumidor cada vez mais exigente.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Homeopatia x antibióticos no controle da mastite de vacas em lactação: mitos e verdades

Homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por César Alberto Coutinho, médico veterinário e diretor técnico da Hpharm Homeopatia Veterinária; e doutora Denize da Rosa Fraga, médica Veterinária, doutora em Zootecnia, docente da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Unijui

Na pecuária leiteira a mastite é considerada uma doença que causa grandes prejuízos econômicos, reduzindo em quantidade e qualidade o leite. Esta doença é caracterizada por inflamação da glândula mamária. Pode acontecer na forma clínica causando alteração de coloração e aparecimento de grumos no leite ou pode passar desapercebida, quando ocorre na forma subclínica, causando apenas o aumento no número de Contagem de Células Somáticas (CCS) do leite.

Dentre os tratamentos hoje disponíveis para controle da mastite temos a utilização de antibióticos, que atuam combatendo diretamente o agente causador da doença. Temos também a opção de utilizar medicamentos homeopáticos, os quais agem aumentando as defesas do animal contra os agentes causadores da doença.

Mas será que a homeopatia pode curar ou prevenir a mastite bovina? Bem, a homeopatia é um tratamento utilizado há séculos em homens e animais. Em relação a aplicação na sanidade animal, sabe-se que a homeopatia é composta por substâncias extraídas da natureza, proveniente do reino mineral, vegetal ou animal, que podem ser utilizadas na cura de doenças ou prevenção.

Ou seja, homeopatia cura! E previne também! Tudo depende de dois fatores muito importantes, a escolha de um produto que tenha similaridade com os agentes que estão causando doença no rebanho e da dose que vamos utilizar, se utilizar uma dose alta, há possibilidade de cura, se utilizarmos uma dose baixa, temos o efeito da prevenção.

A homeopatia no caso da mastite também é uma ferramenta importante no controle da resistência aos medicamentos convencionais, atuando assim de forma simbiótica com outros tratamentos convencionais.

Desta forma um trabalho foi desenvolvido pela Unijuí com o objetivo de avaliar o efeito da utilização do tratamento homeopático preventivo na ocorrência de mastites em vacas leiteiras.

Os animais foram divididos em dois lotes onde um recebeu a suplementação homeopática (n=25) e outro não recebeu (n=25), sendo divididos equitativamente por perfil da lactação, produção e CCS. O período experimental foi de 8 semanas. Os animais permaneceram em sistema de pastejo suplementadas em canzil com silagem de milho e concentrado. O produto homeopático era misturado à alimentação dos animais em canzil, duas vezes ao dia, na dose de 10g/dia. Durante a ordenha foi avaliada a produção individual das matrizes em lactação pela manhã e tarde, com auxílio de medidores eletrônicos de volume de leite acoplados a ordenha, uma vez por semana. Amostras de leite individuais das vacas foram coletadas diretamente dos medidores de produção acoplados a ordenha, sendo amostrada 60% de manhã e 40% do tubo à tarde (50mL) para análise da composição do leite para gordura (%), proteína (%), nitrogênio ureico (mg/dL) e contagem de células somáticas (células/mL). Sendo essas amostras identificadas e encaminhadas a laboratório oficial, uma vez por semana. No início e ao final do experimento uma amostra de leite das vacas em lactação foi coletada para análise de cultura e antibiograma, no Laboratório de Microbiologia da Unijuí, seguindo critérios de higienização dos tetos após a retirada dos três primeiros jatos.

Resultados

Na Tabela 01 estão demonstrados os resultados de média para produção e composição do leite. Verificou-se que ocorreu um aumento de meio litro na produção de leite por dia, sem interferência direta na composição do leite para gordura e proteína. Os animais mantiveram médias similares de nitrogênio ureico para os grupos controle e tratado. Estes resultados demonstram que não ocorreu interferência da dieta, visto que o nível de ureia no leite mantiveram-se iguais entre os grupos avaliados. Ocorreu redução na Contagem de Células Somáticas do leite equivalente a 39% no grupo tratado no grupo tratado com homeopatia.

Na Tabela 02 esta demonstrada a redução significativa (P<0.01718) na contagem de células somáticas do leite comparando os dados de médias iniciais e finais, verificou-se uma diferença entorno de 11% em redução na CCS quando comparado os valores médios do grupo tratado em relação ao controle.

Sensibilidade dos animais

Na figura 01 está demonstrada a sensibilidade dos animais do grupo tratado e controle conforme o antibiótico testado. Estes dados evidenciam que o grupo que recebeu tratamento homeopático apresentou maior sensibilidade aos antibióticos testados ao final do experimento.

Considerações finais

Conclui-se que a utilização do produto homeopático reduziu a contagem de células somáticas de vacas tratadas bem como melhorou o perfil para sensibilidade de antibióticos, demonstrando efeito imunológico na defesa dos animais para mastite, demonstrando que é verdade e não mito o auxílio que este tipo de tratamento pode trazer para controle e cura da mastite em vacas leiteiras. Deve-se estimular os estudos nesta área, para esclarecer cada vez mais os efeitos que o uso da homeopatia traz aos rebanhos.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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