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Bovinos / Grãos / Máquinas Segundo INMET

Chuvas devem ficar acima da média na maior parte do Brasil no primeiro trimestre de 2021

Chuvas devem ficar acima da média na maioria das regiões nos três primeiros meses do ano, exceto na região Sul

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Divulgação/MAPA

O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) divulgou na sexta-feira (08) o primeiro Boletim Agroclimatológico Mensal de 2021. De acordo com os dados divulgados, as chuvas devem ficar acima da média na maioria das regiões nos três primeiros meses do ano, exceto na região Sul.

Para a Região Norte, a previsão climática do INMET indica maior probabilidade de que as chuvas durante o trimestre janeiro, fevereiro e março deverão ocorrer acima da média climatológica em praticamente toda a região, podendo ficar abaixo no sul do Pará e do Amazonas, em Rondônia e no sul do Tocantins. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. A previsão do balanço hídrico no solo indica predomínio de excedentes hídricos em grande parte da Região Norte, durante os meses de janeiro fevereiro e março, exceto em Roraima onde tem-se a previsão de ocorrência de déficit hídrico no solo.

Já na Região Nordeste a previsão indica chuvas dentro da faixa normal ou acima na parte mais ao norte que vai do Maranhão ao Rio Grande do Norte. Em Alagoas, Sergipe, Bahia e em algumas localidades de Pernambuco, as previsões de chuvas apontam para uma maior probabilidade de volumes abaixo da média. As temperaturas do ar devem variar em torno da média ou acima principalmente em Alagoas, Sergipe e Bahia. No norte da Região Nordeste, as temperaturas devem ficar próximas da média ou ligeiramente abaixo. Os mapas das variáveis do balanço hídrico no solo indicam para os meses de janeiro e fevereiro uma área com deficiência hídrica sobre a Bahia, sudeste do Piauí e toda a faixa leste da região. Há, porém, probabilidade de condições hídricas no solo mais satisfatórias no Maranhão, norte do Piauí e no Ceará.

A previsão do INMET para a Região Centro-Oeste indica que as chuvas deverão ocorrer acima da média sobre a maior parte do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, nas demais áreas a previsão indica chuvas abaixo da média. As previsões de temperaturas indicam que deverão predominar valores acima da média durante o trimestre. O balanço hídrico previsto pelo modelo do INMET indica o predomínio de excedente hídrico em grande parte da Região Centro-Oeste, durante os três meses, exceto no oeste do Mato Grosso do Sul, onde há probabilidade de déficit hídrico.

A previsão do modelo do INMET indica que as chuvas permanecerão acima da média em São Paulo e faixa litorânea da Região Sudeste. Em Minas Gerais, a previsão indica chuvas abaixo da média, principalmente no noroeste mineiro. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. A condição prevista para os primeiros meses de 2021 indica um excedente na quantidade de água no solo em praticamente toda a Região Sudeste, com exceção do norte de Minas Gerais e Espírito Santo, onde são previstos déficits hídricos nos meses de janeiro e fevereiro.

E para a Região Sul as previsões climáticas indicam que o trimestre deve ficar com chuvas próximas ou abaixo da média climatológica no Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina. No Paraná e leste de Santa Catarina, devem predominar áreas dentro da faixa normal do período ou ligeiramente acima. A temperatura do ar próximo a superfície deverá prevalecer um pouco acima da média em grande parte da região. Para o mês de janeiro, o modelo de previsão do balanço hídrico do INMET indica o predomínio de áreas com condições hídricas regulares na Região Sul, principalmente no Paraná e em Santa Catarina. Já nos meses de fevereiro e março existe uma tendência de expansão das áreas de déficit hídrico nos três Estados.

Condições oceânicas

O Boletim monstra que a interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera interfere nas condições do tempo e do clima em diversas localidades no mundo. No Brasil, fenômenos como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), no Oceano Pacífico Equatorial, e o gradiente térmico do Oceano Atlântico Tropical, também chamado de Dipolo do Atlântico, são exemplos dessa interação oceano-atmosfera que influenciam o clima no Brasil.

No Oceano Pacífico Equatorial, as médias mensais da área de referência para definição do evento ENOS, denominada região de Niño 3.4 (entre 170°W-120°W), começaram a apresentar valores médios negativos a partir de maio, iniciando um processo de resfriamento anômalo que caracteriza o fenômeno La Niña. Durante o mês de novembro, as águas do Pacífico Equatorial permanecem frias em toda sua extensão, com valores de até -3,0ºC. Ainda neste mês, o valor médio sobre a região do Niño 3.4 registrado foi de -1,0°C, ainda com intensidade classificada como moderada.

O multimodelo de previsão de ENOS do APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul, aponta para uma probabilidade acima de 70% que o fenômeno La Niña vai atuar durante o verão 2020/2021 até o início do outono/2021, perdendo intensidade gradativamente até abril. Diante deste cenário, é importante observar os possíveis impactos da La Niña sobre o clima e agricultura do Brasil.

De forma geral, este fenômeno favorece a agricultura sobre a parte norte das regiões Norte e Nordeste, devido ao aumento no volume das chuvas, enquanto na Região Sul ocorre o oposto. Além disso, este não é o único fenômeno determinante para o comportamento do clima, pois existem outros fatores naturais que podem intensificar ou atenuar os potenciais efeitos de uma La Niña, como por exemplo a temperatura do oceano Atlântico na faixa tropical ou no sudeste da América do Sul.

Análise das condições climáticas em dezembro de 2020

O Boletim do INMET traz ainda o cenário de contrastes na distribuição das chuvas no Brasil marcou o último mês de 2020. As cinco regiões do país fecharam o ano apresentando áreas com déficit e excesso ao mesmo tempo.

Na Região Norte, os maiores volumes de chuva no mês de dezembro ocorreram sobre os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Tocantins e Pará, com acumulados entre 120 e 450 mm. Em Roraima e Amapá, os acumulados registrados ficaram na faixa entre 70 e 130 mm.

No Nordeste, o mês de dezembro na maior parte do semiárido e das faixas litorâneas norte e leste é um período naturalmente seco ou baixa pluviosidade, e os totais observados foram inferiores à 40 mm, como mostra o mapa de chuva acumulada. Porém, no sul do Maranhão e do Piauí e no leste da Bahia, os volumes acumulados em dezembro foram entre 60 e 200 mm.

No Centro-Oeste, os volumes de dezembro foram significativamente superiores aos do mês anterior, contudo ainda houve irregularidade acentuada na precipitação em toda a região. No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, os totais variaram entre 70 e 330 mm. No Estado de Goiás e no Distrito Federal, as chuvas ficaram na faixa entre 80 e 300 mm.

No Sudeste, os contrastes na distribuição das chuvas foram ainda mais acentuados. Os menores volumes ocorreram nas mesorregiões mineiras, norte de Minas, Jequitinhonha e Vale do Mucuri, com totais entre 30 e 90 m, e norte do Espírito Santo, com totais na faixa entre 50 e 100 mm. Nas demais regiões de Minas Gerais, sul do Espírito Santo, Rio de Janeiro e em São Paulo, os totais ficaram, predominantemente, na faixa entre 130 e 400 mm, mas algumas localidades ficaram além desse limite, como observado, por exemplo, nas estações meteorológicas do INMET Patrocínio (MG), com 421 mm, e em Duque de Caxias-Xerém (RJ), com 559 mm.

Na Região Sul, os totais de chuva em Santa Catarina e no Paraná ficaram próximos ou acima da média em diversas localidades, com volumes entre 90 e 230 mm. Contudo, no Rio Grande do Sul, as chuvas foram mais irregulares e resultaram em volumes mais modestos, com acumulados variando na faixa entre 40 e 120 mm.

Quanto as temperaturas, a média mensal das temperaturas máximas no ficou entre 26 e 36°C. No semiárido nordestino, a temperatura máxima ficou, em média, entre 34 e 36ºC, porém em algumas localidades do Piauí e do Ceará, as temperaturas máximas em alguns dias ficaram acima dos 38 °C, como em Piripiri-PI, que chegou a registrar 38,6°C. Temperaturas mais amenas foram observadas no leste das regiões Sul e Sudeste, com temperaturas máximas entre 22 e 28°C, em média.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Escoamento da produção

Setor produtivo defende construção da Ferrogrão

Com quase 1.000 km de extensão, ferrovia ligará Sinop ao porto de Miritituba e aumenta opções para escoar produção do agronegócio.

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Arquivo/OP Rural

Com o olhar voltado para um programa de sustentabilidade na agropecuária de Mato Grosso também “da porteira para fora”, o presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa, tem feito pronunciamentos em apoio à construção da Ferrogrão, projeto de ferrovia que deve ligar Sinop, MT, a Miritituba, em Itaituba, PA. A ferrovia tem sido vista pelos produtores como uma importante rota para o escoamento da safra da região norte do Estado. As defesas veementes da ferrovia se dão em virtude de recente movimento de políticos e ativistas internacionais que se opõem à construção, alegando perdas ambientais no Parque Nacional do Jamanxim, no Estado do Pará. Os defensores da ferrovia informam que o parque tem área de 859 mil hectares e que a área a ser desafetada para a construção é de 860 hectares, equivalente a cerca de 0,1% do parque.

Além do ínfimo impacto na área do parque, Canossa chama a atenção aos ganhos ao meio ambiente. Segundo ele, após a conclusão será reduzido drasticamente o fluxo de caminhões pela BR-163, o que implicará diretamente na redução tanto da emissão CO2 quanto de acidentes na rodovia. “Também é preciso dizer que o traçado da ferrovia acompanha o da BR-163, o que vai promover uma mínima remoção da vegetação. A ferrovia é ecologicamente sustentável”, afirma.

Canossa também destaca que será uma via de mão dupla. “Na ida para o porto escoará nossa produção e, no retorno, poderá trazer fertilizantes e combustíveis com um custo mais baixo para o consumidor. Nossa economia é baseada no agronegócio, uma atividade onde o produtor não determina o preço de seus produtos e absorve todos os custos de produção e transporte. Temos a expectativa de que a Ferrogrão promoverá uma redução do custo do frete, fazendo com que nossos produtos tenham menos pressão dos preços mundiais e que os agropecuaristas possam investir mais nas lavouras”.

E não é só uma questão de custos, mas também de viabilidade e de futuro. Mato Grosso produz, hoje, cerca de 65 milhões de toneladas de grãos por ano, sendo que há estudos que apontam que a produção poderá ser de 120 milhões de toneladas dentro de nove anos. “Temos um histórico de dificuldades de escoamento da produção, com trechos que se tornam intransitáveis no período das chuvas. Com a produção sendo alçada ao dobro da atual, como escoaremos a tudo isso?”, questiona Canossa.

Em entrevista à imprensa, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que as previsões de aumento na produção atraem olhares de investidores, o que viabiliza ainda mais a obra. “Tem muita gente que acredita no Mato Grosso. Tem produtor fazendo 80 sacas por hectare. Ninguém produz isso no mundo. É mais do que o dobro do que o americano faz”, disse Tarcísio durante encontro com a Frente Parlamentar de Agropecuária.

Porém, a construção da ferrovia tem gerado muito debate e mobilizado de ativistas de outros países. “A gente passa por coisas curiosas no Brasil. Acho que é o único país do mundo que tem que mostrar que uma ferrovia é sustentável. São coisas incompreensíveis, mas quem está na infraestrutura há muito tempo aprende a ser resiliente e enfrentar essas coisas”, sustenta Freitas.

Canossa reforça ainda a geração de empregos e renda que a construção dos quase 1.000 km de ferrovia trará para Mato Grosso, com um investimento estimado em R$21,5 bilhões. “Estudos realizados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) apontam que a implantação da ferrovia impactará diretamente na economia de 27 municípios de Mato Grosso, gerando empregos e movimentando a economia local. “Nós, do setor produtivo, somos favoráveis e entusiastas à construção tanto da Ferrogrão como da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e, também, da Ferronorte.”, completa o presidente do Fórum Agro MT.

O Fórum Agro MT é composto pela Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Acrismat (Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso), Ampa (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão), Aprosmat (Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso) e Famato (Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso).

Fonte: Arquivo/OP Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Governança e Gestão

Estudo revela como está a sucessão familiar no agronegócio

Estudo da Fundação Dom Cabral e da JValério apresenta que 26% dos 207 entrevistados em todo o Brasil se preocupam com plano sucessório; educação financeira dos herdeiros é mais um desafio do setor

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A Fundação Dom Cabral (FDC) e a JValério Gestão e Desenvolvimento divulgaram o resultado da pesquisa “Governança e gestão do patrimônio das famílias do agronegócio”. Foram ouvidos 207 gestores de todo o território nacional e realizadas análises quantitativas e qualitativas. Mais de 80% dos empreendimentos são comandados pelos fundadores (41%) ou pela segunda geração (41%). Apenas 16% dos gestores fazem parte da 3ª geração e só 1% são da quarta adiante.

A sucessão familiar foi apontada na pesquisa por 26% dos entrevistados como um dos principais desafios para as famílias empresárias do setor do agronegócio. Mais de 70% delas não têm um conselho de família formado. “Apenas 7% possuem um conselho constituído. É um índice baixo, bem menor que o de outras empresas familiares de outros setores da nossa economia. O estudo apontou ainda que 40% dos negócios possuem um plano de sucessão e que a transição no comando deve acontecer na esfera ‘pai para filho’. Apenas 5% dos participantes avaliam a contratação de um executivo fora do núcleo familiar para gerir o negócio”, conta Clodoaldo Oliveira, diretor executivo da JValério Gestão e Desenvolvimento.

Ainda de acordo com o estudo, a média entre as organizações dos segmentos do agronegócio é de 66% no que diz respeito à elaboração de um plano sucessório. As empresas que se dedicam à pecuária são as que têm menor aderência em relação ao planejamento do processo de sucessão: apenas 20%.

Como capacitar herdeiros?

Clodoaldo Oliveira destaca ainda que a preparação dos herdeiros para assumir o negócio é crucial para a longevidade das empresas familiares do agronegócio. Na opinião dele, o primeiro passo é que haja a manifestação de interesse pelas novas gerações, muitas vezes atraídas para a migração para as cidades e para o trabalho em outras áreas.

Segundo o levantamento da FDC e da JValério, 17% afirmam que há herdeiros extremamente interessados em tomar dianteira dos negócios; 57% (a maioria) disse que há alguns interessados; e 6% se mostraram indiferentes.

Uma das questões que pode quebrar essa barreira é o diálogo aberto entre os familiares. “A boa comunicação entre eles e o entendimento das ideias das gerações mais jovens, além do investimento em recursos tecnológicos, pode incentivá-los a levar para frente o legado dos pais e manter a tutela da empresa entre os membros da família. Mas para isso, precisam ser treinados para evitar decisões equivocadas e prejuízos que podem afetar a sustentabilidade da organização. Nem sempre é fácil conciliar os interesses pessoais com o do negócio, mas esse é um princípio básico que deve ser trabalhado na sucessão familiar. O plano sucessório, acompanhado por especialistas no assunto, é necessário, sobretudo, para diminuir os conflitos na hora da passagem do bastão”, afirma o diretor executivo da JValério.

Ele acrescenta que a gestão familiar nas empresas do agronegócio tem mais uma peculiaridade: a carência de dados é maior e a tomada de decisões é realizada de acordo com o ‘feeling’ do dono. “O olhar para a governança nas propriedades é algo novo e está acontecendo em razão de um novo momento de vida dos fundadores. Eles prosperaram nesta atividade, migraram do Sul para o Cerrado e viram suas operações crescer de forma vertiginosa, acompanhando o crescimento do agronegócio brasileiro. Naturalmente, chegou a hora de olhar para os filhos e pensar na continuidade do negócio. O fato é que esse ramo é essencialmente familiar e para que a empresa prospere a família precisa seguir unida, no mesmo propósito. Essa é a base de um empreendimento agronegócio. Se a família se dividir, há riscos de perder a competitividade”, avalia Clodoaldo Oliveira.

Gestão do patrimônio se mistura com negócios

A gestão do patrimônio também foi citada como um dos desafios pelos entrevistados: 26% apontaram a preocupação com educação financeira e a preparação de herdeiros; e 23% enxergam a profissionalização da gestão do patrimônio financeiro como uma necessidade. Outro dado da pesquisa informa que apenas 38% dos participantes acreditam que os familiares estão preparados para gerir o patrimônio; 4% reconhecem que não estão preparados, mas que há interesse e 34% entendem que nem todos os membros estão preparados, mas que buscam conhecimentos. Apenas 21% declararam não estar preparados e sem interesse em conhecer mais sobre o assunto.

Para se ter uma ideia da importância da gestão patrimonial, 70% disseram que esse é um dos temas mais discutidos nas reuniões de Conselhos de Administração. Outro dado que chama atenção na pesquisa é que, atualmente, 75% do patrimônio destas famílias empresárias está voltado para investimentos no campo. No entanto, nos próximos cinco anos, pretendem diminuir o investimento no setor com vistas a aumentar o patrimônio por meio de investimentos financeiros no Brasil e no exterior.

Quando questionados sobre os objetivos considerados importantes ou extremamente importantes na gestão patrimonial, 95% responderam preservar o patrimônio atual da família; 95% desejam proteger a família em caso de alguma eventualidade; e 88% acreditam que é importante deixar um legado/patrimônio para as próximas gerações.

Além disso, a pesquisa demonstra que mais da metade das famílias (51%) já fazem planejamento financeiro e/ou de gestão patrimonial, com maior concentração para as famílias cujas empresas possuem faturamento acima de R$ 1 bilhão (73%).

Gestão do patrimônio e sucessão

Clodoaldo Oliveira esclarece que, quando se fala em longevidade nas famílias empresárias no agronegócio é preciso levar em conta dois tipos de sucessão: a patrimonial, que envolve direito tributário, societário e sucessório família; e a sucessão empresarial, propriamente dita, como foco na gestão.

Ele ressalta que é importante organizar a propriedade rural como uma empresa familiar. “Já pensou em tornar seus filhos sócios da propriedade mesmo que eles exerçam outras profissões, fora das cercas da propriedade? Essa é uma realidade comum. Por isso, é preciso adotar medidas de economia e proteção jurídica das pessoas e da empresa rural. Quanto mais for profissionalizada a gestão da propriedade, menores serão os conflitos familiares a curto e longo prazo”, recomenda Oliveira.

Mulheres pilotando o trator

Para 69% das respondentes femininas o gênero não é relevante na tomada de decisões sobre uso do dinheiro e de investimentos nas famílias empresárias do agronegócio e, para 81% delas, esse também não é um atributo relevante no processo de sucessão. Na visão das mulheres do campo, elas são reconhecidas nas fazendas por sua capacidade de liderança, independente do gênero, sendo que 83% daquelas que fazem parte das novas gerações encontram maior abertura para assumir posições de chefia. Esse é um sinal de que o progresso e as mudanças culturais estão na agenda do setor do agronegócio.

Fonte: OP Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Bovinocultura

Clima do verão pode ser aliado no controle de verminoses em bovinos

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. O consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino, Ingo Mello, explica como essa doença afeta o rebanho, como tratar e o quanto o clima interfere no controle parasitário.

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Divulgação/Ourofino

As verminoses são problema que se acentua nos períodos quentes e úmidos, porém essas condições também podem ser aliadas do pecuarista. Confira as dicas que o consultor técnico em saúde animal na unidade de negócios de Animais de Produção da Ourofino Saúde Animal, Ingo Mello, preparou para os leitores do jornal O Presente Rural.

O Presente Rural O que são verminoses e de que maneira elas afetam os bovinos de corte e leite?
Ingo Mello – As verminoses são os principais parasitas dos ruminantes e afetam os rebanhos provocando diversos prejuízos para a pecuária de leite e de corte. As verminoses podem afetar diversos órgãos como sistema gastrintestinal, pulmões, fígado, rins e até mesmo a musculatura dos animais. Os sinais clínicos variam desde uma simples indigestão, diarreia, baixo desenvolvimento corporal e baixo ganho de peso, perda de peso, anemias e mortes, além de predispor os animais a outras enfermidades.

O Presente Rural – Quais são os vermes mais preocupantes para a bovinocultura?
Ingo Mello – As verminoses podem ser provocadas por vermes redondos, achatados em forma de folha e suas fases intermediárias. Os principais vermes são Cooperia, Haemonchus, Oesophagostomum e Dictyocaulus.

O Presente Rural – O calor e/ou a umidade alta agravam o aparecimento de verminoses? Explique.
Ingo Mello – O período quente e úmido favorece a manutenção das verminoses na fase de vida livre ou no ambiente. Os ovos e larvas encontram condições favoráveis para cumprirem o ciclo de vida livre em busca do hospedeiro (bovinos). A rotação de pastagens no Brasil é uma estratégia que ajuda na garantia de nutrição animal, mas pouco contribui para o controle de parasitas.

O Presente Rural – O período de chuvas (verão) dificulta o controle?
Ingo Mello – Durante o verão (período quente e úmido) é favorável ao aumento da infestação ambiental, mas um bom protocolo de controle parasitário permitirá um controle eficiente. Fortes chuvas também prejudicam a viabilidade de muitos parasitas devido à destruição do bolo fecal, lavagem e encharcamento do solo. O período seco do ano é um grande desafio para os parasitas na fase de vida livre, ficam mais fragilizados, expostos a radiação solar, altas temperaturas, inversões térmicas noturnas e baixa umidade, neste contexto é recomendável intensificar as vermifugações e controle de parasitas, pois estes se encontram mais fragilizados, garantindo maior eficiência dos tratamentos e redução das infestações futuras.

O Presente Rural – Quais os sintomas (sinais clínicos e/ou subclínicos) causados por verminoses?
Ingo Mello – A Cooperia e o Oesophagostomum parasitam os intestinos, provocando irritação, inflamação e baixa eficiência ali-mentar, diarreia, desidratação e anorexia, o Haemonchus parasita o estomago dos ruminantes e provoca forte anemia, além da inflamação e irritação, sendo uma das mais preocupantes. O Dictyocaulus é o parasita dos pulmões e provoca irritação e pneumonia. Outras verminoses menos frequentes podem provocar grandes prejuízos para a pecuária quando aparecem nos rebanhos, é o caso da Fascíola hepática que provoca lesões no fígado e ductos biliares, a cisticercose bovina (fase larval ou intermediária da solitária ou teníase humana).

O Presente Rural – Quais os problemas que podem acontecer no desempenho zootécnico (carne e leite)?
Ingo Mello – Baixa eficiência alimentar, atrasos/perdas de peso: 10 a 25% (cria) (Rehagro Ensino, 2018), atrasos de 40 a 44kg na engorda (Bianchin et al.,1996), redução média de 20% na produção de leite, atrasos no desenvolvimento corporal e na puberdade, reduzindo a capacidade reprodutiva do rebanho e anemias e mortes (Bianchin et al.,1996).

O Presente Rural – Como as verminoses afetam o bem-estar do animal?
Ingo Mello – As lesões, a desidratação, a dor e a inflamação prejudicam a saúde e o bem-estar dos animais.

O Presente Rural – Como evitar verminoses no rebanho?
Ingo Mello – Através de protocolos e calendários de vermifugação. O exame amostral das fezes de alguns animais pode ajudar a desvendar o perfil de verminose dos lotes e rebanhos trazendo maior assertividade nos esquemas de vermifugação e na escolha do vermífugo/endectocida mais eficaz. Recomendamos a vermifugação de controle estratégico, mais intensificada no período seco do ano e nas transições (entrada, meio e final do período seco). A entrada de animais novos na propriedade requer uma vermifugação planejada para reduzir novas infestações ambientais. O período pré-parto é de alta importância a vermifugação das fêmeas gestantes (são muito sensíveis as verminoses), reduzindo as infestações ambientais na maternidade. Outra estratégia muito importante é a alternância de bases químicas no controle da verminose.

O Presente Rural – Como tratar as verminoses em um rebanho?
Ingo Mello – Os animais devem ser vermifugados periodicamente, principalmente no período seco utilizando bases químicas de amplo espectro de ação. Animais jovens (3 a 24 meses) devem ser vermifugados pelo menos 3 vezes ao ano, fêmeas gestantes devem ser vermifugadas no pré-parto. Animais com idade superior a 24 meses devem ser vermifugados estratégicamente no período seco.

O Presente Rural – Em que períodos da vida dos bovinos as verminoses são mais comuns?
Ingo Mello – As verminoses são mais frequentes nos animais mais jovens, bezerros durante a fase de cria e recria são mais severamente acometidos.

Vacas no terço final de gestação
É importante que os animais recebam pelo menos uma vez ao ano o tratamento com vermífugos/endectocidas mais concentrados (ex.: Ivermectina 4%) e a alternância de bases químicas (associações de ivermectina e sulfóxido de albendazole).

Fonte: OP Rural
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