Suínos Produção Animal
Carboidrases e seus impactos no desempenho de suínos
Além dos benefícios econômicos, é digno de nota o efeito do uso de complexos multienzimáticos sobre a sustentabilidade da produção de suínos

Artigo escrito por Marcio Ceccantini, diretor global de suporte técnico e científico em digestibilidade de alimentos, Adisseo França
O objetivo da produção moderna de suínos é otimizar desempenho animal e os ganhos financeiros, além de buscar uma forma de produção mais sustentável. Uma vez que a alimentação representa a maior parte dos custos de produção, faz sentido aproveitar ao máximo os nutrientes fornecidos aos animais. O uso de uma enzima em rações de suínos pode ajudar a otimizar o uso destas rações, enquanto várias enzimas podem reforçar o efeito de umas às outras.
De todas as enzimas utilizadas, as fitases e as carboidrases são as mais regularmente adicionadas à dieta dos suínos. A fitase degrada o fitato, liberando fósforo e evitando a formação de complexos entre fitatos, proteínas e minerais, e isto, por sua vez melhora a digestibilidade e aumenta a absorção de nutrientes, diminuindo significativamente a excreção de fósforo.
As fitases e seus benefícios estão bem descritos, por isso, esse artigo terá maior enfoque nas carboidrases, ou enzimas capazes de degradar carboidratos complexos, e no seu efeito combinado com a fitase. Sendo que a carboidrase mais conhecida é a xilanase, que atua sobre certos arabinoxilanos.
A suplementação com um complexo de multicarboidrases a variados tipos de dietas já provou ser muito útil em suínos. E um complexo de multicarboidrases e fitase (CMCF) vai melhorar ainda mais a digestibilidade geral da ração, aumentando a liberação de energia e aminoácidos em maiores proporções.
Utilizando combinações de carboidrases
As carboidrases na produção de suínos são importantes visto que os suínos não são capazes de degradar bem as fibras presentes nas paredes das células vegetais, particularmente os polissacarídeos não amiláceos (PNAs). Estes PNAs na forma solúveis, incluindo β-glucanos e arabinoxilanos, afetam a viscosidade da digesta, reduzindo a capacidade das enzimas digestivas de atingirem seu substrato alvo, consequentemente comprometendo a absorção de nutrientes. Os PNAs insolúveis reduzem a digestibilidade geral da dieta, aumentando a perda de nutrientes.
Um complexo de multicarboidrases é uma solução para minimizar os efeitos de ambos os PNAs mencionados anteriormente. A multicarboidrase é reconhecida por degradar vários complexos de β-glucanos e arabinoxilanos, encontrados em cereais, reduzindo seus efeitos antinutricionais. A adição de um complexo de multicarboidrases à dieta de suínos demonstrou aumentar a digestibilidade da proteína e da matéria seca de uma forma mais consistente que xilanases simples. Vários estudos avaliaram as oportunidades de uso de um complexo de multicarboidrases, isto é, carboidrases utilizadas em conjunto e com efeito sinérgico:
- Enzimas desramificadoras como arabinofuranosidases (ABFs) melhoram a atividade enzimática de xilanases por atuar nas ramificações de arabinose dos arabinoxilanos; que são o tipo de fibra mais comum no trigo e no milho (7,3% e 4,7% de matéria seca, respectivamente).
- β-glucanos estão presentes em menor proporção em dietas de suínos, mas ainda assim as enzimas β-glucanases aportam um efeito significativamente maior às outras carboidrases e reforçam a consistência dos resultados de digestibilidade de nutrientes;
- Como resultado destas outras ações enzimáticas, as xilanases têm um melhor acesso à estrutura da xilose com melhor quebra dos arabinoxilanos.
A atividade sinérgica dessas enzimas resulta no aumento da degradação dos PNAs e na redução dos efeitos antinutricionais, melhorando o processo de digestão, inclusive da fermentação intestinal, aumentando a eficiência geral da dieta.
Este resultado geral da combinação de enzimas é o que passoamos a descrever como “efeito Feedase”, ou seja, o efeito na digestibilidade devido a várias enzimas exógenas utilizadas simultaneamente, gerando um aumento na liberação de energia e de outros nutrientes, como aminoácidos, e com melhora no processo digestivo como um todo. Em outras palavras, é o efeito total de várias enzimas tanto no substrato quanto no próprio animal em termos de digestão e saúde intestinal, resultando na melhora da performance dos animais.
Impacto antinutricional dos arabinoxilano
Um estudo recente investigou o efeito específico do teor do arabinoxilano e da adição de enzima na digestibilidade da ração em suínos em terminação. As dietas experimentais continham três níveis de arabinoxilanos, cada dieta suplementada ou não com um complexo de multicarboidrases.
A Figura 1 mostra que o aumento dos níveis de arabinoxilanos impactou negativamente na digestibilidade da energia bruta, enquanto a adição do complexo de multicarboidrases melhorou significativamente a energia metabolizável da dieta. Uma melhora significativa de 5% também foi observada na digestibilidade dos aminoácidos. Os dados demonstram que os arabinoxilanos são um fator antinutricional em suínos e que a suplementação com multienzimas melhora a digestibilidade dos alimentos. Juntos, esses efeitos permitem a reformulação das dietas para melhorar o custo de produção, economizando recursos naturais e diminuindo a excreção do nitrogênio. A magnitude desse efeito depende da composição da dieta.

Carboidrases mais fitase
Para demonstrar a sinergia de várias enzimas simultaneamente, uma alta dose de fitase (resultando em 1.000 FTU/kg de ração) foi adicionada ao complexo multi-carboidrase, criando um complexo de multicarboidrases e fitase. O estudo, realizado na South Dakota State University avaliou o efeito deste CMCF no desempenho de suínos em crescimento e terminação.
Cinco dietas americanas típicas à base de milho, trigo e farelo de soja foram formuladas para os seguintes tratamentos:
- controle positivo (CP)
- controle negativo 1 (CN1)
- CN1 com adição de CMCF
- controle negativo 2 (CN2)
- CN2 com adição de CMCF
Em relação à dieta de controle positivo, ambas as dietas de controle negativo (CN) foram reduzidas de forma semelhante em fósforo digestível (-0,134%) e cálcio (-0,12%). CN1 foi reduzido em energia líquida e aminoácidos digestíveis em 3%, enquanto CN2 teve níveis 5% mais baixos de energia líquida e aminoácidos digestíveis do que o controle positivo (CP)
Durante todo o período de crescimento (34 a 120 kg de peso corporal), os suínos alimentados com qualquer uma das dietas CN não suplementadas com enzimas tiveram um desempenho pior que o grupo CP. A adição do complexo enzimático de multicarboidrases e fitase (CMCF) em ambas dietas CN resultou em um melhor desempenho dos animais. A Figura 2 mostra que com o uso do complexo enzimático de multicarboidrases e fitase (CMCF) as taxas de eficiência alimentar dos animais atingiram pelo menos o mesmo nível dos animais que receberam a dieta CP.

Esses dados demonstram que a adição de um CMCF foi capaz de recuperar o desempenho perdido ao fornecer dietas com níveis nutricionais inferiores. Essas reduções de nutrientes economizaram US$ 24,29/t de ração em comparação com o controle positivo. Isso representa uma economia de US$ 5,46 por suíno. Melhorando a digestibilidade, o efeito Feedase contribuiu para diminuir o uso de recursos de fósforo e nitrogênio, diminuindo o desperdício de nutrientes.
Melhorias na sustentabilidade da produção
A aplicação do “efeito Feedase” para otimizar a formulação de ração provou ser técnica economicamente vantajosa para a indústria de suínos. Além disso, vários outros trabalhos publicados utilizando a combinação de enzimas descritas nesse artigo mostram que é possível extrair mais nutrientes das dietas de suínos, e tomar decisões com base em dados científicos. Além dos benefícios econômicos, é digno de nota o efeito do uso de complexos multienzimáticos sobre a sustentabilidade da produção de suínos.
Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2021 ou online.

Suínos
Núcleo da suinocultura do Paraná reage à autorização para recolha de suínos mortos
Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais reafirmam a manutenção dos protocolos sanitários atuais e rejeitam a retirada de carcaças das propriedades, sob argumento de proteção da biosseguridade e do mercado exportador.

A autorização inédita concedida no Paraná para recolhimento, transporte, processamento e destinação de animais mortos em propriedades rurais provocou reação no centro da suinocultura estadual. Após a formalização, pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), do primeiro credenciamento para esse tipo de operação, Frimesa e Coopavel divulgaram comunicados nos quais informam que não adotam a retirada de suínos mortos das propriedades e defendem a manutenção dos procedimentos sanitários já em vigor. A Adapar oficializou o credenciamento da A&R Nutrição Animal, de Nova Aurora, com base na Portaria nº 012/2026.
Na comunicação assinada pelo presidente executivo Elias José Zydek, a Frimesa informa que o Conselho de Administração decidiu “manter os procedimentos sanitários atuais, dentre os quais, a não retirada dos suínos mortos das criações nas propriedades rurais”. No mesmo texto, a cooperativa afirma que “a sanidade e as normativas de biossegurança no Sistema de Integração Suinícola das Cooperativas Filiadas e Frimesa deverão ser cumpridas em conformidade com a legislação vigente, bem como para garantir as habilitações para as exportações”.
A Coopavel adotou tom ainda mais direto. Em comunicado, a cooperativa afirma que “não autoriza e não adota a prática de recolhimento de carcaças”. Na sequência, lista os motivos para a posição institucional. Segundo o texto, a coleta “facilita a disseminação de vírus e bactérias entre as propriedades”, aumenta o risco sanitário dos plantéis, pode comprometer o status sanitário da região e afeta diretamente a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva suinícola”. A orientação da cooperativa é para que “carcaças de suínos devem ser destinadas corretamente na própria propriedade, seguindo as orientações técnicas da Coopavel”.
Resistência
A manifestação das duas cooperativas expõe que, embora o credenciamento tenha sido autorizado pela Adapar, sua adoção prática encontra resistência justamente entre agentes de peso da cadeia integrada de suínos no Paraná. Na prática, o que está em disputa não é a existência do ato regulatório, mas a aceitação, dentro dos sistemas de integração, de um modelo que envolve circulação externa para recolhimento de animais mortos.
Com os comunicados de Frimesa e Coopavel, o tema passa a ter uma nova dimensão. O credenciamento existe, está formalizado e tem respaldo normativo. Ao mesmo tempo, cooperativas centrais da suinocultura paranaense deixam claro que, em seus sistemas, o protocolo permanece sendo a destinação dos animais mortos dentro da própria propriedade, sob a justificativa de biosseguridade, proteção sanitária e preservação das condições exigidas pelos mercados exportadores.
Compostagem
A própria Adapar afirma que a retirada de animais mortos por terceiros continua proibida, sendo permitida apenas para empresas credenciadas, e reforça que o principal destino dos suínos mortos “ainda deve ser a compostagem dentro das próprias propriedades, permanecendo como a prática mais recomendada e utilizada”. O órgão também destacou que o manejo dentro da propriedade reduz riscos sanitários e advertiu que empresas credenciadas não devem adentrar áreas limpas das granjas, para evitar contaminação cruzada.
A autorização concedida pela Adapar prevê que a empresa credenciada poderá recolher, transportar, processar e destinar animais mortos e resíduos da produção pecuária no Estado, com validade de três anos. A portaria também veda o recolhimento de carcaças oriundas de outros estados e proíbe o uso dos produtos gerados no processamento na fabricação de alimentos para consumo animal ou humano. Segundo a publicação, o material processado tem como destino biocombustível, indústria química e fertilizantes.
Suínos
ABCS reúne produtores para discutir integração na suinocultura
Encontro online marca início de agenda voltada ao fortalecimento da relação com agroindústrias.

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) realizou, na última quarta-feira (16), a 1ª Reunião do Departamento de Integração, reunindo representantes de diferentes regiões do país em um encontro online voltado ao fortalecimento da relação entre produtores integrados e agroindústrias.
A abertura foi conduzida pelo presidente da ABCS, Marcelo Lopes, e pelo conselheiro de Integração e Cooperativismo da entidade, Alessandro Boigues. Ambos destacaram o papel estratégico do departamento para 2026 e reforçaram a importância da organização dos produtores por meio das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (CADECs). Segundo Boigues, a ABCS está à disposição para apoiar demandas específicas das comissões, fortalecendo o diálogo e a troca de experiências entre os produtores.
“O distanciamento entre a alta gestão de algumas agroindústrias e a realidade enfrentada na base da produção é uma realidade. Por isso, aproximar esses dois níveis deve ser uma prioridade para avançarmos nas relações de integração no país”, destacou o conselheiro.
Contratos de integração exigem atenção técnica e jurídica
A primeira agenda teve como prioridade o debate sobre os contratos de integração, com base na Lei nº 13.288/2016. Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, a questão contratual é hoje um dos pontos mais sensíveis da suinocultura brasileira. “Precisamos garantir que os contratos reflitam, de fato, equilíbrio e transparência na relação entre produtores e agroindústrias. A Lei de Integração existe para dar segurança jurídica, mas ela só se efetiva quando é compreendida e aplicada na prática. O fortalecimento das CADECs é fundamental nesse processo, porque é na base que os desafios aparecem e precisam ser enfrentados com organização e diálogo”, destacou.
A reunião contou ainda com a participação da advogada da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Karoline Cord Sá, que reforçou a necessidade de maior clareza nos critérios técnicos que definem a remuneração dos produtores, além de alertar sobre cláusulas que podem gerar desequilíbrio contratual. O encontro foi encerrado com espaço para troca de experiências entre os participantes, reforçando a importância da atuação coletiva para garantir maior equilíbrio, transparência e segurança jurídica nas relações de integração.
A iniciativa marca o início de uma agenda estruturada do Departamento de Integração da ABCS para 2026, com foco em ampliar o protagonismo dos produtores e consolidar boas práticas nas relações contratuais do setor suinícola.
Suínos
Startup desenvolve tecnologia inédita para reduzir natimortalidade na suinocultura
Equipamento em fase de protótipo auxilia o parto e busca reduzir perdas nas granjas.

A Pigma Desenvolvimentos, startup com sede em Toledo, desenvolveu uma cinta massageadora voltada a matrizes suínas para auxiliar no trabalho de parto.
O projeto, chamado PigSave, utiliza estímulos físicos que favorecem a liberação natural de ocitocina, contribuindo para a redução dos índices de natimortalidade. O equipamento também busca diminuir o estresse e a dor dos animais, além de aumentar a produção de colostro. A proposta é substituir ou otimizar a massagem que normalmente é realizada de forma manual durante o parto.
Segundo o CEO Marcelo Augusto Hickmann, o desenvolvimento da solução passou por um processo de reestruturação, com foco no aprimoramento do produto e na validação por meio de pesquisa aplicada. A iniciativa tem como objetivo ampliar o bem-estar animal e melhorar a usabilidade da tecnologia no campo.
O equipamento ainda está em fase de prototipagem, com ajustes e testes para mensurar os resultados. A empresa também mantém parceria com a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas ao projeto.
Fundada em 2020, a Pigma Desenvolvimentos atua na criação de soluções tecnológicas voltadas a demandas industriais e do agronegócio, com foco em automação e ganho de produtividade. Seus projetos integram hardware e software para atender necessidades específicas de produtores e empresas do setor.



