Avicultura
Brasil reforça medidas para evitar surto iminente de gripe aviária
Com o segundo maior plantel avícola do mundo e principal exportador da carne de frango, comercializando para mais de 150 países, o país está vigilante para manter o território livre de doenças, evitando restrições comerciais e impactos negativos na cadeia produtiva.

Líder mundial na exportação de carne de frango, o Brasil é o único entre os grandes produtores mundiais a nunca registrar Influenza aviária em seu território. No entanto, desde outubro de 2022 o país redobrou a atenção e os cuidados sanitários nas granjas avícolas com as notificações dos primeiros focos de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) na América do Sul, identificada nas áreas litorâneas do Equador, Venezuela e de países fronteiriços como da Colômbia, Peru e Chile. A iminente possibilidade de entrada do vírus no plantel brasileiro acendeu um alerta e fez com que a cadeia avícola e os órgãos nacionais de defesa sanitária intensificassem as medidas de prevenção à doença viral.
Conforme organismos internacionais, surtos da gripe aviária já foram registrados em países dos continentes africano, americano, asiático, europeu e na Oceania, se configurando como a maior epidemia já ocorrida no mundo, com a maioria dos casos relacionados ao contato de aves silvestres migratórias com aves de subsistência, de produção industrial ou de aves silvestres locais.
Com o período migratório das aves do Hemisfério Norte para a América do Sul de novembro a abril, o atual momento é ideal para aumentar as ações de vigilância pelo serviço veterinário oficial e órgãos ambientais, reforçando as medidas de biosseguridade pelos avicultores a fim de mitigar os riscos de ingresso e disseminação da enfermidade no Brasil.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) recomendou em dezembro a suspensão de visitas em aviários, frigoríficos e demais estabelecimentos da avicultura no Brasil para garantir a segurança sanitária do plantel brasileiro, permitindo apenas o acesso para quem trabalha diretamente e exclusivamente na unidade produtiva.
Entre os protocolos recomendados pela entidade estão a higienização das mãos e troca de roupas e sapatos antes de adentrar as granjas, desinfecção de todos os veículos que acessam a propriedade e evitar o contato da granja com outras aves, em especial aves silvestres.
Em entrevista ao Jornal O Presente Rural, a zootecnista, coordenadora do Grupo de Trabalho em Sustentabilidade do Conselho Mundial de Avicultura e diretora técnica da ABPA, Sula Alves, enfatizou que a blindagem das unidades produtoras é fundamental neste momento, uma vez que a circulação de pessoas entre regiões e países é muito grande e como há surtos em várias nações é essencial realizar o controle de acesso às granjas para evitar possíveis vetores da doença. “O Brasil trabalha na vigilância passiva e ativa, além de acompanhar e monitorar as aves silvestres migratórias para detecção precoce da doença. Esse isolamento das granjas diz respeito ao controle de acesso de pessoas e de veículos, os quais podem ser carreadores do vírus nos calçados, bolsas, roupas, pneus do carro ou até mesmo em equipamentos transportados para dentro da propriedade. Tudo que for possível para evitar o trânsito livre é preciso fazer nas granjas, porque é melhor pecar pelo excesso de medidas do que responder pela falta delas”, ressalta.
A Influenza aviária Altamente Patogênica (vírus H5N) é exótica no país, mas pode ser carreada por aves migratórias ou até mesmo por pessoas que estiveram em países onde a doença está ocorrendo. A transmissão pode acontecer por meio do ar, água, alimentos e materiais contaminados, além do contato com aves doentes e o acesso de pessoas externas às criações comerciais. A responsabilidade na prevenção é compartilhada por todos os elos da cadeia produtiva.
Riscos econômicos
Com o segundo maior plantel avícola do mundo e principal exportador da carne de frango, comercializando para mais de 150 países, o Brasil está vigilante para manter o território livre de doenças, evitando restrições comerciais e impactos negativos na cadeia produtiva.

Zootecnista, coordenadora do Grupo de Trabalho em Sustentabilidade do Conselho Mundial de Avicultura e diretora técnica da ABPA, Sula Alves: “Não queremos deixar o setor em pânico, nosso objetivo é reforçar as medidas sanitárias para que a cadeia não minimize o problema e deixe de tomar os cuidados necessários” – Foto: Mario Castello/ABPA
A IAAP traz consequências econômicas devastadoras, podendo acarretar prejuízos entre 10% a 20% do valor bruto da produção aos países afetados, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A doença causa alta taxa de mortalidade, possíveis restrições ao comércio exterior e desequilíbrio no mercado interno.
Sula afirma que as perdas econômicas são bastante dependentes do cenário e do momento da ocorrência. De acordo com ela, alguns países importadores exigem que a carne exportada seja oriunda de animais de países livres de Influenza aviária, enquanto outros países determinam a regionalização de áreas livres, estabelecendo uma extensão a partir da zona do foco para comercialização da carne. “Em caso de notificação no Brasil, os mercados que exigem país livre representariam o maior impacto para o setor produtivo, porque esses mercados deixariam de comprar nossa proteína, causando alguns transtornos e desequilíbrio no mercado interno”, afirma.
Por outro lado, muitos países, como da União Europeia, mercado com exigência regulatória de qualidade, segurança e saúde animal, delimitam um raio de 10 km do local de ocorrência do foco para comercialização do produto. “Depois de se estabelecer a zona de contenção da doença e demais medidas da área livre, o setor retorna com uma organização rápida, porém até o reconhecimento por parte do país importador isso geraria um impacto imediato no setor, uma vez que estamos lidando com um produto perecível, que depende de estocagem frigorífica e do período de abate dos animais que estão no campo. Nossa cadeia é muito dinâmica, por isso precisamos tomar os cuidados nos mínimos detalhes com relação aos prazos para não acarretar em transtornos maiores à cadeia”, menciona Sula.
Mitigação de risco
A fim de reduzir o risco de ingresso e disseminação do vírus causador da doença no Brasil, Sula diz que são frequentemente recomendadas aos produtores algumas medidas sanitárias como garantir a blindagem da água, oferecer às aves água clorada, não usar água de fontes abertas, como rios e açudes, vedar bem todos os galpões para impedir a entrada de pássaros, garantir uso de tela 2×2 centímetros, garantir portas, beirais e telhados completamente fechados, garantir ausência de outras aves na propriedade, isolamento dos lotes de produção comercial (poedeiras e corte), proibição de visitas, além de seguir demais procedimentos de biosseguridade.
A primeira linha de defesa contra a Influenza aviária é a detecção precoce e a notificação oportuna de suspeita da doença para permitir uma resposta rápida, a fim de evitar a disseminação. Conforme informações do Mapa, no Brasil 53,7% dos estabelecimentos avícolas são de aves de corte (frangos e perus), 39,8% de aves de reprodução (matrizeiras), 3,4% de aves de postura comercial, 0,1% de aves ornamentais e 2,9% de outras aves. Com base nesses números, as medidas de prevenção e vigilância se tornam cada vez mais importantes e necessárias, uma vez que o sistema produtivo precisa fornecer evidências consistentes para certificar a sanidade dos animais e dos produtos comercializados.

Fotos: Shutterstock
Com vigilância permanente para IAAP e demais agentes etiológicos em todo o território nacional, incluindo em portos, aeroportos internacionais, correios, postos de fronteira e estações aduaneiras do interior, o Mapa publicou em julho passado um novo Plano de Vigilância para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, contemplando a revisão de diretrizes para o atendimento e identificação de casos suspeitos e para a vigilância permanente da doença, por parte do Serviço Veterinário Oficial, monitoramento que vai permitir maior rapidez na tomada de decisão em caso de notificação em território nacional. “O Plano de Vigilância é um estudo epidemiológico contínuo, realizado por meio de vigilância ativa e passiva para detecção precoce de casos de Influenza aviária e Doença de Newcastle em aves domésticas e silvestres, para demonstração de ausência dessas doenças na avicultura industrial, de acordo com as diretrizes internacionais de vigilância para fins comerciais”, expõe Sula.
A intensificação das ações de vigilância adotadas pelo Serviço Veterinário Oficial para evitar um surto local inclui testagem de amostras coletadas de aves de subsistência, criadas em locais próximos a sítios de aves migratórias, para monitorar a circulação viral e permitir a demonstração de ausência de infecção, apoiando a certificação do Brasil como país livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade e de Influenza Aviária de Baixa Patogenicidade.
Sula destaca que as barreiras naturais formadas pela Cordilheira dos Andes e pela Floresta Amazônica são importantes para manter o Brasil livre da doença viral, bem como a distância entre o Sul do Brasil, área com maior produção comercial, dos países sul-americanos que já registraram casos também funciona como uma barreira de proteção geográfica, atrelado aos controles feitos pelos órgãos federais e estaduais de defesa agropecuária, além dos protocolos de biosseguridade adotados pelos produtores nas granjas.
Plano de contingência
A partir da suspeita é obrigatório notificar imediatamente o Serviço Veterinário Oficial, que fará a coleta do material, encaminhará para laboratório para que seja feita uma investigação cronológica, bem como será preciso fazer o sacrifício preventivo das aves suspeitas, isolar o local do foco e uma área com um raio de 10 km no entorno do foco para evitar disseminação da doença. “É declarado estado de emergência sanitária quando da confirmação do foco, em se definindo isso várias ações emergenciais devem ser realizadas mobilizando a coordenação do Serviço Veterinário Oficial”, relata Sula.
De acordo com a coordenadora do Grupo de Trabalho em Sustentabilidade do Conselho Mundial de Avicultura, em caso de entrada do vírus no país, o governo federal possui um Plano de Contingência robusto, com o papel de cada elo do setor avícola bem desenhado, seguindo as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), visando ações rápidas para eliminação do foco e evitar disseminação da doença. “Dispomos de um Plano de Contingência muito bem desenhando, que graças a Deus só precisamos usar em momentos de simulação porque nunca tivemos nenhum foco da doença no país”, relata.
Investigação de suspeita
Entre as medidas que devem ser aplicadas em investigação de suspeita de foco de Influenza aviária estão isolamento e identificação do agente ou detecção do RNA viral específico do vírus da Influenza, eliminação de todos os suscetíveis na unidade epidemiológica, destruição das carcaças e todos os produtos e subprodutos, além de resíduos do sistema de produção, desinfecção, vazio sanitário, aplicação de medidas estritas de biosseguridade, utilização de animais sentinelas e comprovação de ausência de circulação viral, vigilância dentro da zona de proteção e da zona de vigilância.
Para isso, o corpo técnico do Mapa e dos órgãos estaduais passaram nos últimos meses por treinamentos, reuniões e discussões a fim de fazer uma reciclagem de conhecimento sobre todas as doenças sanitárias, bem como realizaram duas simulações de emergência sanitária, uma voltada para febre aftosa em bovinos no Mato Grosso do Sul e outra em Peste Suína Africana, promovida em Santa Catarina, ações executadas que também se aplicam para as demais cadeias produtivas, uma vez que os protocolos seguem as mesmas diretrizes. Conforme Sula, o preparatório com a simulação de emergência sanitária para Influenza aviária está previsto para março deste ano.
Suspeitas descartadas
Nas suspeitas descartadas para Influenza aviária de Alta Patogenicidade e Influenza aviária de Baixa Patogenicidade a investigação pode ser concluída imediatamente. Já nos casos prováveis de Síndrome Respiratória e Nervosa em aves a investigação pode ser encerrada após diagnóstico final negativo de Influenza aviária e Doença de Newcastle. “Um foco de Influenza aviária somente será encerrado após a eliminação dos animais suscetíveis na unidade epidemiológica, comprovação de ausência de circulação viral e conclusão dos procedimentos de vigilância nas zonas de emergência sanitária, conforme o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle”, salienta Sula.
Como identificar Influenza aviária no plantel
São considerados casos suspeitos quando são identificados mortalidade maior ou igual a 10% em até 72 horas, em quaisquer estabelecimentos de aves domésticas ou em um único galpão do núcleo de estabelecimentos avícolas comerciais ou de reprodução; mortalidade súbita e elevada em populações de aves de subsistência, de exposição, de ornamentação, de companhia e silvestres ou de sítios de aves migratórias; presença de sinais clínicos ou lesões neurológicos, respiratórios ou digestórios compatíveis com Síndrome Respiratória e Nervosa, em quaisquer tipos de aves; queda súbita ou maior a 10% na produção de ovos e aumento de ovos malformados, em aves de reprodução ou aves de postura; resultado positivo de ensaio laboratorial em amostras colhidas durante quaisquer atividades de pesquisa não oficiais; resultado positivo em testes sorológicos de vigilância ativa ou certificação em laboratórios credenciados.
Os sintomas mais comuns são tosse, espirro, secreção nasal, sinais nervosos, penas arrepiadas, inapetência, queda de postura, prostração e morte súbita sem sinais aparentes.
Riscos à exportação
Sobre o impacto nas exportações, a OMSA afirma que notificações de Influenza aviária de Alta Patogenicidade em aves silvestres, ou outras que não sejam de produção comercial, e de aves domésticas ou de cativeiro com Influenza aviária de Baixa Patogenicidade, não afetam o status sanitário do país e não devem gerar banimento ou imposições de mercado. Ou seja, mesmo que seja registrado algum caso em aves silvestres ou domésticas, o status sanitário do Brasil não sofre alteração, contudo, se o caso é registrado na produção industrial, as regras vigentes bloqueiam o comércio somente nas áreas afetadas.
A suspenção de carne de frango brasileira por países importadores depende dos acordos definidos previamente e que constam no certificado sanitário, que acompanha o carregamento. “Alguns mercados exigem no certificado sanitário que a carne precisa que ser proveniente de um país livre de Influenza aviária, ou seja, está estabelecido que esse país importador, no momento que ocorrer um caso, mesmo que seja em uma pequena propriedade, em uma região que tenha produção em larga escala ou em uma atividade agrícola que não seja comercial, ele pode deixar de comprar do Brasil enquanto a doença não for erradicada”, esclarece Sula.
Por outro lado, há uma compreensão de outros países que não exigem o país livre, mas a região livre, estabelecendo um raio de 10 km da origem do foco para comercialização. “Grandes países trabalham com a regionalização, o que diminui um pouco os impactos econômicos da doença, que devem gerar perdas econômicas do tamanho da nossa pujança na exportação. Não queremos deixar o setor em pânico, nosso objetivo é reforçar as medidas sanitárias para que a cadeia não minimize o problema e deixe de tomar os cuidados necessários”, frisa.
Vacinação
No que diz respeito a vacinação, Sula afirma que existem vacinas contra a Influenza aviária, inativadas e recombinantes, no entanto o imunizante é proibido no Brasil. A vacinação das aves somente é indicada em países onde a doença ocorre e assim mesmo, em alguns desses países somente na região do foco. “Mas é algo que precisamos ter no radar como ferramenta de controle”, menciona.
Pior cenário no Brasil
Sula é enfática ao dizer que o pior cenário já começa pela entrada do vírus no Brasil, lembrando que o maior patrimônio do setor produtivo nacional é o status sanitário.
Outros fatores apontados pela especialista estão relacionados ao fechamento de mercados, retenção de produtos no mercado interno e alteração da oferta e demanda, com elevação dos preços não só da carne de frango como das demais proteínas animais. “Pode ocorrer de mercados se aproveitarem da ocorrência para banir as exportações brasileiras, deixando de cumprir com as regras de comércio internacional da Organização Mundial do Comércio. Não estamos livres disso, porque, apesar de existirem regras, têm muitos países que acabam não cumprindo e criam obstáculos disfarçados de barreiras sanitárias para controlar o comércio. Então esse é um cenário ruim que nos preocupa muito”, saliente Sula.
Melhor cenário no Brasil
Grande entusiasta da avicultura brasileira, Sula assegura que o melhor cenário previsto para o Brasil é a erradicação do foco tão logo sua notificação, com isolamento da área, colocando em prática com rapidez e excelência o Plano de Contingência para reafirmar o compromisso do Brasil com a segurança alimentar mundial. “Agilidade na tomada de decisão vai comprovar mais uma vez que a avicultura brasileira ‘não está a passeio’, que somos uma cadeia profissional, que sabemos fazer o nosso trabalho bem feito e com seriedade. Eu sou uma entusiasta da nossa avicultura, porque sei que estou lidando com as pessoas comprometidas, com os governos federal e estaduais alinhados, com técnicos de campo competentes, o que me faz ser uma pessoa confiante, porque conheço a nossa realidade e sei como é feito lá fora. Além do mais, estamos bem preparados em caso de ocorrência”, reforça Sula.
A zootecnista enaltece que a estrutura da avicultura brasileira pelo sistema de integração oferece uma capacidade de controle sobre a cadeia muito grande, o que é essencial no enfrentamento de uma crise sanitária. “O sistema de integração é favorável a vários fatores e a sanidade é uma delas. Não é só porque Deus é brasileiro que devemos deixar de fazer a nossa parte”, chama atenção.
O que é possível fazer
Sula sustenta que cada elo da cadeia tem um papel no processo de evitar a entrada do vírus no país, o governo federal com o Plano de Vigilância e o Plano de Contingência, as empresas e o setor produtivo com a biosseguridade na prevenção da entrada da doença e na notificação precoce. “As pessoas que viajam também precisam ter o cuidados ao transportar produtos de outros países, os quais podem ser uma forma de introduzir doenças no país, assim como o dono da propriedade ou o produtor precisa fazer a restrição do acesso nas instalações das granjas e dos frigoríficos”, menciona.
A diretora técnica da ABPA também ressalta a importância de melhorar e intensificar a comunicação da cadeia para que a sociedade civil organizada conheça as ações do setor, bem como possa também contribuir com a identificação de agentes etiológicos. “A comunicação e a educação é o começo de tudo. Não é hora de relaxar, mas sim de cuidar mais ainda, ser zeloso com aquilo que não é novidade, porque já é orientado há muito tempo”, reforça.

Avicultura Editorial
O Nordeste avícola já não cabe no rodapé
Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.
Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.
A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.
Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.
A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!
Avicultura
Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura
Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

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A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.
Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

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A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.
A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.
Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

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que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.
Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.
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Avicultura No Noroeste do Estado
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência
Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação
A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.
De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.
A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.
Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi
A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.
A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.




