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Biosseguridade: pontos críticos a serem trabalhados e a desinfecção a seco

Proteger o principal patrimônio da suinocultura brasileira, ou seja, a sanidade do plantel, exige total dedicação

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Ana Caselles, médica veterinária e gerente técnica de Aves para América Latina da Sanphar; e Paulo Eduardo Bennemann, médico veterinário e gerente Técnico de Suínos para América Latina da Sanphar

Os desafios cada vez maiores dos animais nos sistemas de produção exigem uma maior atenção em relação as práticas de produção animal e, da mesma forma, na mudança de atitude das pessoas envolvidas no dia a dia.

Nos últimos anos temos enfrentado uma série de problemas sanitários pelo mundo como: Diarreia Epidêmica Suína, Peste Suína Africana, Peste Suína Clássica dentre outras que têm causado grandes prejuízos econômicos. Diante desse cenário global, podemos dizer que o Brasil tem uma condição sanitária favorável em relação aos outros grandes produtores e é partir dessa situação que o país precisa tirar vantagem, mantendo as atenções voltadas para a prevenção das enfermidades.

Biosseguridade não é nada novo na suinocultura, porém a implantação e, porque não dizer a rotina de auditorias, de forma efetiva deste programa é o segredo do sucesso. O planejamento, implantação, treinamento das pessoas e uma rotina de auditorias em um programa de biosseguridade é fundamental para que o mesmo seja exitoso. Isso exige uma mudança de comportamento de todos os envolvidos na cadeia produtiva. As medidas de biosseguridade devem ser levadas a sério tal qual os manejos básicos relacionados a imunidade dos suínos e redução de pressão de infecção a qual os animais são submetidos.

Biosseguridade baseia-se em normas rígidas para prevenção da entrada ou ocorrência de problemas sanitários no sistema de produção e redução da pressão infecciosa, incluindo programas de limpeza, desinfecção e vacinação (controles internos), além de controles externos, com barreiras vegetais ou físicas e toda a infraestrutura que impede o acesso facilitado à granja (barreira sanitária, cercas perimétricas, arco de desinfecção, fluxo de veículos, pessoas e animais). Não podemos mais pensar sobre que atitude iremos tomar se formos acometidos por uma emergência sanitária. Nossa visão deve ser previamente definida sobre o que fazer quando tal agente chegar e para isso, planos de contingência bem estruturados são fundamentais para se antever aos possíveis desafios sanitários.

As vias de transmissão de patógenos são diversas (figura 1) como água, ingredientes nutricionais, via aerógena, reposição de reprodutores, veículos, pessoas e vetores (moscas e roedores). Dessa forma, termos o controle destas vias se faz necessário.

Figura 1. Principais via de transmissão de enfermidades em um sistema de produção

Todo o programa de Biosseguridade passa necessariamente pelo treinamento e, principalmente, pelo entendimento das pessoas envolvidas sobre a importância das ações a serem executadas. No momento que a equipe compreende o porquê trabalhar com biosseguridade e seus conceitos tudo se torna mais fácil. Biosseguridade é mudança de atitude.

Quando se avalia o risco dos roedores na introdução de doenças em um sistema de produção de suínos, um pesquisador demonstrou que camundongos foram capazes de se infectar e eliminar Lawsonia intracellularis através das fezes e serem fontes de infecção deste agente para suínos suscetíveis. Também, outros agentes como Escherichia coli, Leptospira e Salmonella também podem ser veiculados por roedores.

Moscas, as quais são comuns em sistemas de criação, da mesma forma apresentam um possível potencial de disseminação de agentes patogênicos, sejam bacterianos ou virais. Outro pesquisador relata que as moscas são agentes importantes em transmissões de doenças a curta distância, inclusive para a Peste Suína Africana.

Sendo assim, o controle de vetores deve ser um importante fator de risco a ser monitorado no sistema de produção.

No entanto, dentre todos os pontos importantes em um programa de biosseguridade, o conceito de redução da pressão de infecção através da adoção de programas de limpeza e desinfeção talvez seja ou dos mais críticos na perpetuação de problemas sanitários. Situações em que existe uma alta pressão de infecção fazem com que o sistema imune do animal permaneça ativado, implicando em um maior consumo de energia a qual é desviada do desempenho zootécnico (Tabela 1). Apesar de serem desenvolvidos em qualquer propriedade, boas práticas de limpeza e desinfecção ainda são negligenciadas e a capacitação contínua das equipes é algo a ser trabalhado.

Um bom programa de limpeza e desinfecção deve contemplar:

  1. Redução de matéria orgânica: a matéria orgânica (sujeira) atua como um fator de interferência na efetividade da ação dos desinfetantes, além de contribuir como abrigo e fonte de alimento para a multiplicação de microrganismos;
  2. Utilização de soluções detergentes: é imprescindível para a remoção completa da matéria orgânica e de biofilmes. Os componentes surfactantes dos detergentes reduzem a tensão superficial da água promovendo dessa forma uma maior atuação, principalmente em superfícies porosas;
  3. Escolha correta do desinfetante: este é outro ponto crítico que merece atenção. Os desinfetantes não atuam da mesma forma e a sua eficácia depende de uma série de fatores como: tipo de agente patogênico; tipo de superfície de contato; temperatura; qualidade da água utilizada na diluição (pH, dureza, qualidade microbiológica e presença de matéria orgânica); tempo de contato e efeito residual. Assim, conhecer qual é o desafio ou agente a ser enfrentado é o ponto de partida para a escolha de desinfetante. O desafio é bacteriano, viral ou protozoário? O vírus é envelopado ou não? Estas perguntas devem ser respondidas prontamente. O fato de um desinfetante ser de amplo espectro, muitas vezes não é suficiente.
  4. Volume de solução desinfetante utilizado: desinfetantes são dose-dependente e, portanto, qualquer fator que leve a uma menor concentração ou volume de aplicação irá comprometer o resultado. Da mesma forma atuam por tempo de contato sendo recomendado, um mínimo, de 10 minutos de contato da solução desinfetante com a superfície a ser desinfetada. Para que este tempo seja atingido, é necessário que seja utilizado um volume adequado (compatível com a característica da superfície, temperatura ambiente e umidade relativa do ar). Outro ponto importante para é a presença de água residual, ou seja, é recomendado que a superfície a ser desinfetada esteja seca ou sem acúmulo de água que possa re-diluir a solução desinfetante abaixo da concentração mínima para a sua efetividade. De uma forma prática, é recomendado que seja utilizado, pelo menos, 800 mL de solução desinfetante por cada metro quadrado de superfície (piso) a ser desinfetada. Este volume já contempla superfícies como paredes e tetos. Apesar de existirem diferentes formas de cálculo de volume de solução desinfetante, o valor médio obtido geralmente é de 700 a 800 mL por metro quadrado.
  5. Limpeza das tubulações de fornecimento de água: a água é um importante abrigo e veículo de agentes patogênicos causadores, principalmente, de processos entéricos. Da mesma forma a presença de bactérias, matéria orgânica e biofilme, além de comprometer a qualidade da água, altera o consumo e aumenta a interação de substâncias como desinfetantes e antimicrobianos quando adicionados a água. A presença de biofilme é um dos principais pontos de atenção, pois ele é uma fonte de constante contaminação da água. Sendo assim, a limpeza das tubulações não deve ser negligenciada em um protocolo de limpeza e desinfecção, assim como a cloração para manter a potabilidade da água.

Estes são alguns dos principais pontos críticos em um programa de limpeza e desinfecção e tentando mitigar as ocorrências de falhas, principalmente no que se refere a limpeza úmida, surgiu na Europa e agora no Brasil um processo de desinfecção a seco através da utilização de um composto a base de um blend de minerais. A desinfecção a seco se baseia no processo de dessecação, alteração de pH e remoção de gases nocivos do ambiente (Foto 1). Da mesma forma que atua reduzindo a pressão de infecção contra agentes potencialmente patogênicos como bactérias, vírus e protozoários. Como grande vantagem deste processo, temos a atuação mesmo frente a presença de matéria orgânica e pode ser realizado na presença dos animais.

Foto 1. Processo de desinfecção a seco na presença a seco para redução da pressão de infecção ambiental

Frente aos desafios enfrentados constantemente, a evolução através da busca de métodos alternativos e eficientes de redução da pressão de infecção se faz necessário.

Em resumo, não podemos pensar em biosseguridade sem pensarmos em: treinamento de pessoas; programa eficiente de limpeza e desinfecção e auditorias constantes. Proteger o nosso principal patrimônio, ou seja, a sanidade do nosso plantel, exige total dedicação. Biosseguridade é mudança de atitude.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Exigências de mercados externos moldam produção de carne suína no Brasil

Durante 18º SBSS, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, vai destacar que a sustentabilidade, sanidade e eficiência passam a ser determinantes na competitividade do setor.

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Foto: Shutterstock

Os desafios e as oportunidades para a cadeia produtiva da carne suína em um mercado cada vez mais globalizado estarão em pauta durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS). Promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), a palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, no dia 11 de agosto, às 16h30, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó (SC).

Palestra “O Futuro da Proteína Suína” será ministrada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural 

A apresentação integra o Painel Produção – A Base e trará uma análise sobre as perspectivas da proteína suína diante das transformações do comércio internacional, das exigências dos mercados consumidores e da crescente demanda global por alimentos produzidos com eficiência, sustentabilidade e segurança sanitária.

Luis Rua assumiu, em 2024, a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária. Natural de Mogi Guaçu (SP), é bacharel em Economia e em Relações Internacionais pela Faculdade de Campinas (Facamp), mestre em Economia Internacional pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP/UP) e pós-graduado em Agronegócios pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Antes de ingressar no Mapa, atuou como diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), onde participou diretamente das estratégias de promoção internacional da avicultura e da suinocultura brasileiras. Ao longo da carreira, também acumulou experiências em empresas como BRF S.A. e INDG, construindo sólida trajetória nas áreas de comércio exterior, agronegócio e relações internacionais.

Presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin: “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Para a presidente do Nucleovet, Aletéia Britto da Silveira Balestrin, discutir o futuro da proteína suína é fundamental em um momento de expansão e transformação do setor. “A suinocultura brasileira vem conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional e enfrenta desafios importantes relacionados à competitividade, sustentabilidade e abertura de novos mercados. Trazer essa visão estratégica para dentro do SBSS contribui para que os profissionais compreendam as tendências que irão impactar o setor nos próximos anos”, destaca.

O presidente da comissão científica do SBSS, Lucas Piroca, ressalta que a palestra amplia o olhar dos participantes para além da porteira. “O produtor e os profissionais da cadeia precisam entender não apenas os desafios dentro das granjas, mas também os movimentos que acontecem no mercado global. Questões econômicas, comerciais e geopolíticas influenciam diretamente a competitividade da proteína suína brasileira. Esse é um tema estratégico para quem busca planejar o futuro da atividade”, afirma.

SBSS

As inscrições já estão disponíveis no site: www.nucleovet.com.br. O investimento do segundo lote, até o dia 30 de julho, é de R$ 750 para profissionais e R$ 450 para estudantes. O valor para participar somente da 17ª Brasil Sul Pig Fair é de R$ 100. Associados do Nucleovet, profissionais de agroindústrias, órgãos públicos e grupos universitários terão condições diferenciadas.

Tecnologia e negócios

Realizada simultaneamente ao Simpósio, a 17ª Brasil Sul Pig Fair reunirá empresas dos segmentos de sanidade, genética, nutrição, equipamentos, ambiência, tecnologia e serviços voltados à suinocultura.

O espaço será destinado à apresentação de lançamentos, soluções inovadoras e fortalecimento do networking entre empresas, profissionais, pesquisadores e produtores, ampliando as oportunidades de negócios e troca de experiências durante o evento.

Programação geral do  18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura e da 17ª Brasil Sul Pig Fair

Terça-feira (11)

13h30 – Abertura da Programação Científica

Painel Produção – A BASE
13h40 às 14h10 – Primíparas: Gestão Estratégica e Longevidade
Palestrante: Rafael Ulguim

14h15 às 14h45 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Sanidade)
Palestrante: Paulo Eduardo Bennemann

14h50 às 15h20 – Fluxo Produtivo: Da Matriz ao Abate (Visão da Nutrição)
Palestrante: Cesar Augusto Pospissil Garbossa

15h25 às 15h55 – Mesa Redonda

16h00 às 16h30 – Coffee break

16h30 às 17h10 – O Futuro da Proteína Suína
Palestrante: Luis Rua

17h10 às 17h30 – Perguntas

17h30 – Solenidade de Abertura Oficial do SBSS

18h30: Palestra de Abertura

20h00: Coquetel de Abertura na PIG FAIR

Quarta-feira (12)

Painel Biovigilância – Gestão Integrada
08h às 8h40: Biomanagement e Defesa Sanitária: Estratégias de Mitigação
Palestrante: Jordi Baliellas Capdevila

08h45 às 09h15: Vigilância e controle de Vetores: Roedores e Insetos como disseminadores de Patógenos
Palestrante: Alisson Mezzalira

09h20 as 09h50 – Mesa Redonda

09h50 às 10h20: Coffee Break

Painel Alimentação – Desafios e Oportunidades
10h20 às 10h50 – Eixo Imuno-Nutricional: Programação Metabólica da Matriz ao leitão
Palestrante: Jose Soto

10h55 às 11h25 – Imunonutrição: Estratégias Não Farmacológicas para a Resiliência Sanitária
Palestrante: Andres Gomez

11h30 às 12h: Vigilância Analítica e Gestão de Micotoxinas: Estratégias para Blindar a Performance e a Sanidade
Palestrante: Ricardo Rauber

12h às 12h30 – Mesa Redonda

12:30 às 14h – Intervalo para almoço

12h30 às 13h30 – Eventos Paralelos

Painel Sanidade – Saúde Respiratória
14h às 15h – Erradicação de M. hyopneumoniae: Protocolos de Exposição, Estabilização e Eliminação
Palestrantes: Gustavo Silva e Paul Yeske

15h às 15:30 – Sincronia Sanitária: O Impacto da Aclimatização de Leitoas na estabilidade do plantel
Palestrantes: Luciano Brandalise

15h30 às 16h: Coffee Break

16h às 16h40 – Influenza em Foco: impactos e alternativas de controle
Palestrante: Ricardo Yuti Nagae

16h45 às 17h25 – Ambiência 4.0: Conectividade, Bem-Estar e Eficiência Energética na Suinocultura
Palestrante: Lederson Trindade de Lima

17h35 às 18h – Mesa Redonda

18h30 às 19h30 – Evento Paralelo Exclusivo (MSD)

20h: Happy Hour na PIG FAIR

Quinta-fera (13)

08h30 às 09h10 – Alimentação de Precisão: Sensores, Conectividade e Eficiência Nutricional
Palestrante: Bruno Silva

09h10 às 09h30 – Perguntas

9h30 às 10h – Coffee Break

Painel Pessoas – Gestão e Performance
10h às 10h30 – Percepção vs. Realidade: Comunicação Estratégica para Mitigar Erros e Maximizar Resultados
Palestrante: Creici Lamonato

10h35 às 11h05 – Capital Humano e Sucessão: Preparando a Próxima Geração e as Equipes de Alta Performance
Palestrante: Rogério Facin

11h10 às 11h40 – O Apagão de Mão de Obra e o Desafio da Qualificação
Palestrante: Anderson Queirós

11h45 às 12h15 – Mesa Redonda

12h15 – Sorteio de brindes e encerramento

Fonte: Assessoria Nucleovet
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Suínos

Indústria da carne suína deve mudar forma de se comunicar com o consumidor, afirma Netão Bom Beef

Empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef, ressaltou durante sua participação na Suinfair 2026 que foco em gastronomia e experiência pode ser decisivo para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

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Foto: Divulgação

A Suinfair 2026 encerrou a programação de palestras com uma apresentação de Netão Bom Beef, empresário do setor de carnes e fundador do Grupo Bom Beef. Durante a palestra Mercado e valorização da proteína, ele defendeu que a cadeia da carne suína precisa mudar a forma de se comunicar com o consumidor, deixando de lado campanhas focadas em combater antigos preconceitos e investindo em estratégias que despertem interesse pelo produto. Segundo ele, essa mudança pode contribuir para ampliar o consumo e agregar valor à proteína.

Fotos: Shutterstock

Ao compartilhar a trajetória da própria empresa, Netão contou que enfrentou dificuldades para vender cortes bovinos considerados diferentes em uma época em que poucos consumidores conheciam esse mercado.

Sem recursos para investir em grandes campanhas, ele apostou na produção de conteúdo nas redes sociais para mostrar a qualidade da carne e explicar o processo por trás de cada corte.

A estratégia começou com o envio de carnes para participantes de programas de churrasco, sem orientar o que deveria ser publicado. A intenção era que a divulgação acontecesse de forma espontânea. Depois, passou a produzir vídeos mostrando desde a desossa até o preparo dos cortes, usando apenas um celular.

Segundo o empresário, esse trabalho ajudou a criar uma conexão entre o consumidor e o produto. “A gente não vende corte. A gente vende história”, afirmou durante a palestra.

Construção de valor

Para Netão, apresentar a origem da carne, o processo de produção e as características de cada corte faz com que o consumidor compreenda melhor o valor do produto. Na avaliação dele, quando existe uma história por trás da carne, o preço deixa de ser o único fator considerado na decisão de compra.

O empresário também destacou a importância de construir relações com chefs de cozinha, churrasqueiros e criadores de conteúdo. Em vez de investir em campanhas com roteiros prontos, ele defendeu que esses profissionais tenham liberdade para compartilhar suas experiências de forma natural.

Segundo ele, esse tipo de divulgação gera mais credibilidade e aproxima o público da marca.

Novo caminho para a carne suína

Ao direcionar a palestra para a suinocultura, Netão afirmou que o setor evoluiu em genética, manejo, tecnologia e qualidade da produção, mas ainda mantém uma comunicação baseada na defesa da carne suína.

Na avaliação dele, o foco das campanhas deveria estar nos atributos do produto, como sabor, maciez, suculência e versatilidade, em vez de insistir em esclarecer antigos mitos sobre o consumo da proteína. “A gente precisa parar de fazer um marketing de defesa da carne suína e começar a fazer um marketing de encanto”, afirmou.

Para o empresário, aproximar produtores da gastronomia também pode ajudar a fortalecer essa mudança. Ele citou chefs, churrasqueiros e influenciadores como parceiros capazes de apresentar novos cortes, receitas e formas de preparo ao consumidor.

Comunicação como ferramenta

Ao encerrar a palestra, Netão afirmou que a cadeia produtiva já reúne condições para entregar um produto de qualidade, mas ainda precisa comunicar esse diferencial de forma mais eficiente.

Segundo ele, despertar o interesse do consumidor antes da compra é um dos principais caminhos para aumentar o valor da carne suína e fortalecer toda a cadeia, do produtor ao consumidor final.

Fonte: Assessoria Suinfair
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Notícias

Aurora Coop amplia frigorífico em Mato Grosso do Sul e eleva abate de suínos em 60%

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste.

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Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, destacou o impacto social da obra na cidade e no estado sul-mato-grossense e sinalizou novos investimentos. Fotos: Geter Neto/MB Comunicação

Com investimento de R$ 350 milhões, unidade de São Gabriel do Oeste passa a abater 5 mil suínos por dia, cria 1.050 empregos e amplia a presença da cooperativa no Centro-Oeste

A Aurora Coop inaugurou nesta quinta-feira, 2 de julho, a ampliação do Frigorífico Aurora São Gabriel do Oeste, em Mato Grosso do Sul. O investimento de R$ 350 milhões eleva em 60% a capacidade de abate da unidade, de 3,2 mil para 5 mil suínos por dia, e consolida a planta como uma das principais estruturas industriais de processamento de carne suína do Centro-Oeste brasileiro.

Neivor Canton recebeu título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado, entregue pelo deputado estadual Junior Mochi

O evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, fornecedores, colaboradores e representantes da imprensa.

A ampliação ocorre no ano em que o frigorífico completa três décadas de operação. A unidade, considerada a principal estrutura da Aurora Coop para abate e processamento de suínos no Centro-Oeste, passa a combinar aumento de escala, maior automação industrial e expansão da produção de itens de maior valor agregado.
O presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, afirmou que o investimento amplia a oferta de produtos processados para o mercado interno e fortalece a presença da cooperativa no exterior. A planta está habilitada para exportar cortes e miúdos suínos para mercados como Vietnã, Uruguai, Singapura, Paraguai, Moldávia, Hong Kong e Emirados Árabes, além de países da lista geral.

Segundo Canton, a diversificação do portfólio é decisiva para a competitividade da cooperativa. A estratégia inclui produtos cozidos, defumados, frescais, presuntaria, hambúrgueres e cortes in natura, com foco em valor agregado, eficiência produtiva e aproveitamento industrial. “Investir em produção, tecnologia e inovação é uma forma de gerar valor para produtores cooperados, colaboradores, clientes e consumidores. O crescimento da Aurora Coop sempre esteve ligado ao desenvolvimento das comunidades onde estamos presentes”, afirmou.

Canton também agradeceu o apoio recebido em Mato Grosso do Sul e indicou que a cooperativa avalia novos investimentos no Estado. “Encontramos em Mato Grosso do Sul um ambiente de grande apoio aos investimentos da Aurora Coop, tanto do governo do Estado quanto da prefeitura municipal. A Aurora acredita no potencial sul-mato-grossense e, muito provavelmente, fará novos investimentos aqui”, adiantou.

Impacto regional

Com a nova estrutura, a receita operacional bruta do frigorífico deve crescer R$ 733 milhões e alcançar R$ 2,399 bilhões ao ano. A expansão representa aumento de 45% na receita da unidade e deve acrescentar R$ 237,5 milhões ao movimento econômico do centro-norte de Mato Grosso do Sul.

Evento reuniu dirigentes da cooperativa, autoridades estaduais e municipais, lideranças do cooperativismo, produtores rurais, colaboradores e representantes da imprensa

O projeto também amplia o quadro de empregos diretos. A unidade, que contava com 2.650 colaboradores, passará a reunir cerca de 3.700 postos de trabalho. A maior parte das 1.050 novas vagas será preenchida com trabalhadores de São Gabriel do Oeste e municípios vizinhos.

Para o governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, a cooperativa ajudou a consolidar a força do agronegócio brasileiro e construiu, no Estado, um modelo produtivo com impacto econômico e social. “É um dia feliz para Mato Grosso do Sul. Ao longo desses 30 anos, a Aurora Coop contribuiu para fazer do Brasil não apenas o país do futebol, mas também uma referência mundial no agro. Esse crescimento tem muito a ver com o cooperativismo, com um modelo único, que organiza a produção, gera renda e transforma a vida das pessoas. A suinocultura coloca cerca de R$ 100 milhões por ano nas mãos dos produtores da região. Por isso, Mato Grosso do Sul estará sempre ao lado da Aurora. Produzir alimento é também contribuir para a paz no mundo, e vamos seguir trabalhando juntos por esse desenvolvimento”, destacou Riedel.

O prefeito de São Gabriel do Oeste, Leocir Montagna, afirmou que a presença da Aurora Coop redesenhou a geografia econômica do município e abriu um novo ciclo de desenvolvimento local. Segundo ele, a expansão da unidade amplia a geração de empregos, renda e oportunidades, mas também exige planejamento do poder público para acompanhar o crescimento populacional e social provocado pela indústria. “A cooperativa movimentou a economia e passou a fazer parte da vida da cidade. A prefeitura sempre esteve ao lado desse projeto e também tem ampliado a oferta de serviços sociais para atender os trabalhadores e as famílias que chegam a partir desse crescimento”.

Indústria mais automatizada

As obras no FASGO começaram em julho de 2023, após serviços preliminares iniciados em dezembro de 2022. No pico da construção, mais de 15 empresas e 250 operários atuaram no projeto. A área construída foi ampliada em 9,5 mil metros quadrados, além dos 38,6 mil metros quadrados já existentes.

Presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, com o governador do MS, Eduardo Riedel

Parte relevante dos recursos foi destinada à modernização tecnológica. Do total investido, cerca de R$ 125 milhões foram aplicados em máquinas e equipamentos, R$ 130 milhões em construção civil e R$ 95 milhões em instalações industriais. A linha de abate foi substituída para atender à nova escala produtiva, com maior precisão operacional e condições ergonômicas mais adequadas.

A nova configuração permitirá acréscimo diário de 20 toneladas de presuntaria, 36,3 toneladas de cozidos e defumados, 44 toneladas de produtos frescais e 6,9 toneladas de banha. A capacidade total de industrializados passa a 432 toneladas por dia.

Homenagem a Canton

Durante a solenidade, Neivor Canton recebeu o título de Cidadão Sul-Mato-Grossense, a maior honraria do Estado. A homenagem foi concedida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, por meio de projeto de resolução aprovado em 2025 e proposto pelo deputado estadual Junior Mochi, em reconhecimento à contribuição do presidente da Aurora Coop ao desenvolvimento econômico e social do Estado.

Ao justificar a homenagem, Junior Mochi destacou a trajetória de Canton à frente de uma das maiores cooperativas de alimentos do País e a influência da Aurora Coop na expansão da agroindústria sul-mato-grossense. “O título simboliza a gratidão do Estado a quem acreditou no nosso potencial”, ressaltou.

A distinção ocorreu no ano em que Mato Grosso do Sul celebra 49 anos. Para a Aurora Coop, a homenagem também marca o vínculo construído com São Gabriel do Oeste e com a cadeia produtiva local desde a instalação da unidade.

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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