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Suínos / Peixes

Biosseguridade é pilar e patrimônio da suinocultura brasileira

Mesmo com status sanitário invejável, ainda existem detalhes e cuidados que suinocultor deve tomar no dia a dia para que doenças não entrem nas granjas

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São vários os fatores que tornam uma produção boa e de qualidade. Manejo, nutrição, genética. Mas, um dos itens que nunca sai da pauta e que o suinocultor deve se atentar sempre é a sanidade. Sem este, os outros quesitos perdem todo o potencial que podem oferecer. O Brasil é referência quando o assunto é sanidade suinícola, porém, para manter este status é preciso que o suinocultor se atente aos diversos pontos que são essenciais quando o assunto é biosseguridade.

Para o médico veterinário da Agroceres PIC, Nilo de Sá, sanidade é um assunto que a cadeia suinícola sempre vai discutir, já que um pequeno erro pode acarretar em sérias complicações e prejuízos. “O Brasil tem hoje uma sanidade melhor que outros concorrentes do mercado internacional. Nós temos que olhar para quem está competindo com a gente no mercado mundial, principalmente Estados Unidos, Canadá e União Europeia”, conta. De acordo com ele, os três mercados exportam mais que o Brasil, porém, têm importantes doenças virais que o Brasil não tem.

Além do mais, segundo Nilo, é preciso ainda que o Brasil se atente a outros mercados importantes, como a China. “É um mercado gigante, eles têm mais de um bilhão de pessoas, compram muita carne de porco. O Brasil tem 1,8 milhão de matrizes e a China tem 35 milhões de matrizes, e mesmo assim não conseguem alimentar todo o povo, então tem que comprar (importar). Este é um mercado que temos que olhar porque queremos vender para eles”, destaca. O profissional ainda destacou a Rússia, que é um país importante, que compra muita carne brasileira.

Nilo destaca que ao observar estes países – União Europeia, Estados Unidos, Canadá, China, Rússia, entre outros –, eles possuem várias doenças que o Brasil não tem, como a PRRS e a PED, por exemplo. “Somente a PRRS causa aos Estados Unidos um prejuízo anual de US$ 1 bilhão. Já a PED matou entre 2013 e 2014 cerca de oito milhões de animais na América do Norte”, informa. Outras enfermidades destacadas pelo profissional que o Brasil é livre são a peste suína africana e peste suína clássica. Além do mais, para aquelas que o Brasil é positivo, como o circovirus, o produtor consegue conviver com elas. “Somos positivos, mas temos manejo, medicamento e vacina, assim conseguimos controlar. Vemos hoje que o Brasil é melhor que outros países, mas a sanidade é um assunto importante”, destaca.

Segundo o médico veterinário, existe uma série de medidas que são adotadas para um país ser livre de enfermidades. Um grande diferencial do Brasil é a quarentena que o país possui na cidade de Cananeia, em São Paulo. “Nós somos o único país que tem uma quarentena para trazer animais de fora”, conta Nilo. O profissional explica que quando o animal vem ao Brasil, passa por este local, onde são feitos diversos exames e análises para confirmar que é livre de qualquer enfermidade. “Por que fazemos isso? Para nos cercar com uma série de medidas de segurança que os animais que vão vir de fora não tragam doenças, vírus ou bactérias para o nosso país”, diz.

Melhor biosseguridade

De acordo com o médico veterinário, o primeiro passo para uma melhor biosseguridade é tomar todos os cuidados possíveis na granja para evitar que os animais sejam contaminados. “Tudo começa por um animal, mas pode ser um sapato, uma roupa, um caminhão. Qualquer item pode transportar ou trazer a doença para a granja, e é por isso que temos que tomar uma série de medidas para evitar que qualquer enfermidade chegue até a granja”, explica.

Segundo ele, é importante que todos os cuidados sejam tomados para maior proteção contra os agentes infecciosos, como vírus, bactérias, fungos ou parasitas. “E estes itens são mais difíceis porque não vemos nenhum deles. É fácil pensar em rato, mosca ou barata, mas é difícil pensar em vírus. Por isso, temos que entender que nós não vemos, mas esse bicho está lá e pode trazer uma série de prejuízos”, afirma Nilo. O médico veterinário reitera que a cada pouco tempo existem novos desafios e novas doenças, e por conta disso a biosseguridade é um assunto que nunca vai sair dos principais temas da produção animal.

Formas de transmissão

Uma das formas de transmissão de vírus, de acordo com o médico veterinário, é a introdução de novos suínos em um lote. “O animal pode ter alguma doença e eventualmente não apresenta o sintoma. Dessa forma, esse animal vai chegar em uma granja nova e passar a doença para outros animais, e normalmente esse novo rebanho não tem a imunidade contra o vírus e vai adoecer”, explica.

Outro item de grande risco, segundo Nilo, é o veículo, especialmente os que transportam animais. “O veículo transportou um animal que era doente para uma granja, ou buscou animais doentes de algum local, não fez a correta lavagem, é um risco. Ou mesmo outro veículo que transporta maravalha ou outro tipo de material para dentro da granja”, comenta. Outros objetos, como vassouras, sapatos e equipamentos emprestados, por exemplo, são também fontes que podem transmitir algum vírus.

Pessoas são também um grande risco, confidencia o profissional. “Pessoas que visitam uma granja não trocam de roupa e vão para outra. E não somente a roupa, mas todos os itens podem estar contaminados, como relógio, anel, pulseira, cabelo”, informa. Além do mais, Nilo reitera que pragas como ratos, insetos e pulgas também podem carregar doenças. “Algumas doenças podem ainda ser transmitidas pelo ar, pela água e, por fim, animais de estimação ou outros, como javalis, cães e gatos”, esclarece. O médico veterinário comenta como existe uma série de possibilidades de transmissão de doenças. “O animal pode transmitir direto, ou vai contaminar veículos, materiais e isso vai contaminar todo o rebanho”, diz.

Agente não é certeza de doença

Um aviso importante dado por Nilo é que o animal ter o agente, bactéria ou vírus não necessariamente significa que vai ter a doença na granja. “O aparecimento da doença em si vai depender de um conjunto de fatores, que é ter o agente, os animais não estarem em uma boa condição de imunidade, manejo, nutrição, um ambiente adequado, lotação inadequada, sofrendo com frio. Muitas vezes ter o agente não necessariamente significa o desenvolvimento da doença na granja”, informa. Para ele, é possível eventualmente conviver com o agente com baixo ou praticamente nenhum prejuízo, desde que itens como nutrição, ambiente, manejo e conforto dos animais sejam controlados.

Para demonstrar melhor a importância de cuidar de todos os itens já citados, Nilo apresentou um estudo, em que granjas estavam submetidas a condições de risco. De acordo com ele, estas granjas que não tomavam os devidos cuidados e tinham um número maior de surtos de doenças tinham um número maior de visitantes que não trabalhavam diretamente com a produção e não tomavam as medidas de proteção – como trocar de roupa ou tomar banho – do que outras granjas.

Outros dados descobertos foram que estas granjas tinham 1,6 vezes mais entrada de veículos, dez vezes mais introdução de animais de outras origens, 3,5 vezes mais compartilhamento de equipamentos com outras granjas e 2,5 vezes mais pássaros nas instalações. “Ou seja, vários daqueles itens de risco que falamos ocorrendo mais de uma vez e obviamente aumentou o risco de introduzir alguma doença na granja”, destaca.

Apesar isso, o médico veterinário informa que não será uma falha, um dia, que fará com que todo um rebanho fique doente. “Normalmente são falhas repetitivas, não conformidades repetidas ao longo do ano que podem aumentar o risco e levar a entrada de doenças para dentro da granja”, esclarece.

Manter status

O médico veterinário destaca ainda que é importante que o suinocultor mantenha o status sanitário que ele tem. “Normalmente, uma vez que temos um bom status, vamos trabalhar para mantê-lo”, afirma. Ele explica que esse status seria o produtor ver qual doença ele tem na granja, se consegue conviver com ela com os índices de produtividade bons e uma boa conversão alimentar, além de um bom número de leitões/desmamados/porca/ano e bom ganho de peso. “Então, temos que trabalhar para manter esse status e ter um resultado satisfatório”, diz. De acordo com ele, cada granja tem a sua realidade, positivo para alguns agentes e negativos para outros.

O controle de pragas é outro ponto fundamental, de acordo com Nilo, e que muitas vezes é negligenciado. Para ele, quanto maior o status de uma granja, maior o cuidado que deve ser tomado. Entre as orientações do profissional que devem ser adotadas pelo suinocultor está o cinturão verde ao redor da granja, o controle de pessoas e veículos dentro da granja, um portão trancado com placa de “entrada proibida” na entrada da propriedade e controle de visitas. Além do mais, é importante que o suinocultor tenha cuidados especiais com a água e ração dadas aos animais, o tratamento de dejetos e o bom manejo da composteira. “O raciocínio é: quanto menor a circulação de animais e pessoas vindos de fora, menor o risco”, afirma.

Nilo explica que todas estas recomendações e medidas que devem ser adotadas pelo produtor não vêm do nada. “Muitas vezes são normativas do Ministério da Agricultura que temos que seguir, principalmente para atender aos nossos clientes internos e externos”, conta. O médico veterinário diz que os trabalhos feitos para aumentar a biosseguridade na propriedade devem ser incorporados no trabalho e dia a dia das granjas, principalmente para se manter competitivo no mercado com indicadores altos. “O investimento em biossegurança tende a deixar o trabalho mais estável ao longo do tempo, além de melhorar o ambiente de trabalho, tendo uma maior eficiência da mão de obra. Além do mais, diminui custos com medicamentos, que é um compromisso de todos os países. Devemos utilizar os medicamentos para prevenir as doenças e não tratar, e para isso acontecer a biosseguridade é tudo”, enfatiza.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suínos / Peixes Título de Cidadão Honorário

Família enaltece contribuição de Elias Zydek para o crescimento da Frimesa e o desenvolvimento de Marechal Cândido Rondon

Presidente da Frimesa recebeu o título de Cidadão Honorário de Marechal Cândido Rondon, na última sexta-feira (23), em reconhecimento ao seu trabalho em prol do município rondonense.

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Fotos: Jaqueline Galvão/OP Rural

Na última sexta-feira (23), durante uma sessão solene do Poder Legislativo, o presidente da Frimesa, Elias José Zydek, foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Marechal Cândido Rondon. A honraria é um reconhecimento às inúmeras contribuições de Zydek e da cooperativa com o desenvolvimento do município rondonense ao longo das últimas quatro décadas.

, Elias José Zydek, foi agraciado com o título de Cidadão Honorário de Marechal Cândido Rondon, na última sexta-feira (23)

Com uma trajetória de 45 anos dedicados à gestão da Frimesa, Zydek se destacou não apenas por sua liderança empresarial, mas também por seu comprometimento com a comunidade e com o cooperativismo, valores que permearam toda a sua carreira profissional.

Sua esposa, Dirce, compartilhou um pouco da dedicação do marido não só ao trabalho, mas também às causas que impactam positivamente a vida das pessoas e das comunidades. “Elias sempre foi um idealista pelas causas que podem mudar a vida das pessoas e dos lugares onde nós vivemos. Muito dedicado ao trabalho, mas, sobretudo ao cooperativismo, área em que norteou toda a sua carreira profissional. Participa sempre da comunidade em tudo que pode ser útil”, enalteceu.

Dirce destaca ainda a presença constante de Elias nos momentos importantes da família ao longo dos quase 50 anos de união. “Mesmo com todos os compromissos que ele tem, consegue estar presente em todos os momentos importantes da nossa família. Estamos juntos nesta caminhada a quase 50 anos, sempre um apoiando o outro”, enfatiza.

Os filhos de Zydek também enalteceram a figura paterna e seu legado de trabalho e dedicação ao sistema cooperativista. Diele relembra um período em que seu pai estava sobrecarregado de trabalho e o corpo já apresentava sinais de exaustão. “Falei para ele se não era melhor chegar uma hora mais tarde ao trabalho para ter uma hora a mais de sono afim de recuperar o desgaste físico e mental, quando me disse que era importante dar o exemplo”, relembra Diele. “Aprendi muito com isso. É importante dar o exemplo, porque só o exemplo legitima o discurso. Obrigada por tantas lições importantes para minha vida”, ressaltou.

Presidente da Frimesa, Elias Zydek: “Expresso minha profunda gratidão por esta honraria. Aos rondonenses, quero dizer que vocês têm um grande amigo e um grande defensor desta comunidade”

Diego, por sua vez, ressaltou os valores que aprendeu com o pai, como a resiliência e a honestidade, e destacou a importância de ele estar presente na vida da família, mesmo diante das demandas profissionais. “Nos educou através de seus exemplos. Sempre esteve presente conosco e com a família ao mesmo tempo em que sempre foi muito dedicado ao seu trabalho”, afirma Diego.

As netas de Zydek, Alicia e Sofia, lembraram com carinho das brincadeiras com o vovô e a importância desses momentos especiais em suas vidas.

O presidente da Frimesa agradeceu pelo reconhecimento e reiterou seu compromisso com a comunidade de Marechal Cândido Rondon. “Expresso minha profunda gratidão por esta honraria, agradeço a minha família pelo apoio incondicional e a força emocional e espiritual que sempre me proporcionaram, aos meus amigos de jornada e, acima de tudo, agradeço a Deus pelas bênçãos recebidas”, salientou, enfatizando: “Aos rondonenses, quero dizer que vocês têm um grande amigo e um grande defensor desta comunidade. Contem sempre com a gente, pois estamos comprometidos em avançar na construção de uma sociedade cada vez mais justa e próspera”.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

ABPA projeta estabilidade nos custos, produção e consumo de carne suína para 2024

Para 2024, ABPA projeta atingir até 5,15 milhões de toneladas de carne suína produzidas no Brasil

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Foto: Shutterstock

O setor de proteína animal do Brasil apresentou um desempenho positivo em 2023, apesar dos desafios econômicos e sanitários enfrentados pelo país. Na suinocultura, a produção teve alta, o consumo se manteve estável e o volume embarcado superou 1,2 milhão de toneladas. As perspectivas para 2024 são ainda mais otimistas. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, destaca perspectivas promissoras para o ano que se inicia, sinalizando um horizonte favorável para a suinocultura brasileira.

No início do segundo semestre, a ABPA previu que a produção de carne suína deveria atingir entre 4,95 e 5,05 milhões de toneladas em 2023, no entanto, segundo Rua, essa projeção sofreu uma leve oscilação e encerrou o ano com 5,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,3% em relação a 2022, quando alcançou 4,983 milhões de toneladas produzidas. “O aumento da produção é efeito direto do incremento das exportações do setor”, sentencia o diretor de Mercados.

Diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal, Luis Rua: “O produtor não deve esperar um ano com custos baixos, pelo contrário. Por isso, o planejamento de novos investimentos deve ser acompanhado de análise minuciosa do contexto de mercado”

Para 2024, a estimativa da entidade é atingir até 5,15 milhões de toneladas de carne suína produzidas no país, incremento de 1% em relação ao ano passado.

A disponibilidade de produtos para o mercado interno se manteve estável, com total de 3,88 milhões de toneladas, variando para até 3,85 milhões de toneladas em 2024. O mesmo deve ocorrer com o consumo per capita, repetindo o índice de 18 quilos registrado em 2022, que também é estimado para o ano que se inicia.

Com registros ao longo de 2023 de médias mensais superiores a 100 mil toneladas, o país superou em 11 meses o equivalente ao realizado durante todo o ano de 2022 em volume e receita. Entre janeiro a novembro, as exportações do setor registraram alta de 10%, com 1,118 milhão de toneladas exportadas, contra 1,017 milhão de toneladas no ano passado. No mesmo período, a receita acumulada chegou a US$ 2,586 bilhões, saldo 11,5% superior ao total registrado em 2022, com US$ 2,319 bilhões. Com estes números e faltando dezembro para fechar o balanço, o país deve superar 1,22 milhão de toneladas, crescimento de 8,9% quando comparado com 2022, quando foram exportados 1,12 milhão de toneladas. “É algo inédito na história do setor. Salvo as vendas para a China, todos os outros países importadores registraram alta nas importações da carne suína do Brasil no último ano, confirmando uma tendência já prevista pelo setor de ampliação da capilaridade das exportações, fortalecendo a presença do produto em destinos de mercados de alto valor agregado, como o Japão, a Coreia do Sul e os Estados Unidos”, frisou Rua.

Para este ano, a ABPA projeta crescer até 6,6% no mercado externo, atingindo em torno de 1,3 milhão de toneladas exportadas. “Existem boas perspectivas de incremento nas exportações a partir da abertura de novos mercados e a ampliação em destinos já consolidados, também em função da desaceleração dos embarques de importantes concorrentes, como é o caso da União Europeia e do Canadá”, afirma Rua.

Principal destino das exportações de carne suína do Brasil no último ano, a China importou entre janeiro e novembro o total de 362,1 mil toneladas, volume 11% menor que o total importado no mesmo período de 2022. No segundo posto se encontra Hong Kong, com 114,2 mil toneladas, volume 27,3% superior ao registrado em 2022. Também em movimento positivo estão Filipinas, com 113,1 mil toneladas (+46,9%), Chile, com 76,4 mil toneladas (+39,3%), Singapura, com 57,9 mil toneladas (+13,7%), Vietnã, com 45,3 mil toneladas (+3,7%), Uruguai, com 43,8 mil toneladas (+11,2%) e Japão, com 35,3 mil toneladas (+47,7), entre outros.

Principal estado exportador, Santa Catarina embarcou 599,9 mil toneladas de carne suína entre janeiro e novembro do ano passado, número 9,2% superior ao registrado no mesmo período de 2022. Em segundo lugar, o Rio Grande do Sul exportou 258,5 mil toneladas (-3,1%), seguido por Paraná, com 155,3 mil toneladas (+20,3%), Mato Grosso, com 27,9 mil toneladas (+83,7%) e Mato Grosso do Sul, com 23,1 mil toneladas (-24,9%).

Custos de produção

Em relação aos custos de produção na suinocultura, Rua destaca que o preço do milho e do farelo de soja, embora menores que nos últimos três anos, ainda representaram um desafio enorme ao produtor, especialmente quando somado aos demais custos agregados até o produto final. “A situação foi ainda mais desafiadora diante da elevação da competição entre as proteínas, com a maior oferta de carne bovina”, pontua.

Conforme o diretor de Mercados da ABPA, para este ano é esperado estabilidade nos custos, assim como nos níveis de produção e consumo. A principal expectativa está sobre as exportações, que deverão seguir em ampliação como resultado direto da abertura de novos mercados para o setor ao longo do ano passado. “Com a abertura do mercado do Peru, México e República Dominicana ampliamos a participação em outros países por meio do sistema de pré-listing”, expõe.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes

Granja Agromina expande operações no Maranhão com ampliação da produção de suínos e construção de novo frigorífico

Nova planta em Balsas será a maior indústria de processamento de carne suína das regiões Norte e Nordeste do Brasil, com capacidade para processar mil suínos/dia e 200 ovinos/dia

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Fotos: Divulgação/Granja Agromina

Referência em aplicação de tecnologia de ponta, bem-estar animal e responsabilidade ambiental, a Granja Agromina figura entre as maiores produtoras de suínos da região Nordeste do Brasil. Instalado em Balsas, na região Sul do Maranhão, o complexo abriga uma área de cinco mil hectares para plantio de grãos e as unidades produtoras, com um plantel de três mil matrizes e um rebanho total de 50 mil animais em ciclo completo, o que gera uma produção mensal de oito mil cevados para comercialização.

Com uma história de 50 anos no agronegócio, a granja iniciou suas atividades na produção de soja, milho e arroz na década de 70, passando a verticalizar seu negócio a partir de 2007, quando implementou a suinocultura para agregar maior valor aos grãos produzidos. “Temos uma área total de produção de grãos de cinco mil hectares, sendo 1,7 mil hectares de pivôs com fertirrigação, em que são reutilizados 100% dos dejetos da granja na fertilização para produção dos grãos. E ainda produzimos sementes de soja para uso próprio”, destaca o diretor geral da Granja Agromina, Bernardo Philipsen, que conta com seu pai Antonius Cornelius Leonardus Philipsen à frente da agricultura.

Toda a produção da Granja Agromina é processada em duas plantas frigoríficas próprias, uma em Balsas, que possui o selo de Serviço de Inspeção Municipal (SIM), e outra na capital São Luís, que conta com o selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE/MA).

Expansão

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região Nordeste possui um total de 5,76 milhões de suínos e 1,06 milhão de matrizes. Entre os nove estados, o Maranhão é o quarto maior produtor, representando 16,1% do rebanho nordestino. “O potencial de crescimento é bom, mas ainda vejo muitos produtores investindo em suinocultura longe do grão e isso os faz perder muita competitividade devido ao aumento nos custos de produção”, salienta Philipsen, ampliando: “Mesmo que o mercado continue ajustado nos próximos anos, acreditamos na eficiência da nossa produção. Por operarmos em toda a cadeia, desde a produção dos grãos, utilização dos dejetos da suinocultura na fertirrigação das lavouras, produção suinícola em ciclo completo e frigorífico, vemos um bom potencial de crescimento para os próximos anos”, afirma.

Diretor geral da Granja Agromina, Bernardo Philipsen: “A missão do grupo é verticalizar cada vez mais nossas atividades”

Vislumbrando esse crescimento de mercado, a Granja Agromina planeja expandir suas operações para 2024, aumentando seu plantel para 3,5 mil matrizes. “Com isso vamos ampliar nosso rebanho para 60 mil animais e nossa comercialização para 9,5 mil cevados/mês”, adianta Philipsen.

Visando aumento da demanda para abate diário, já está em fase final de construção uma nova planta frigorífica na cidade de Balsas e uma graxaria para beneficiamento de subprodutos provenientes do abate no frigorífico, como a produção de farinha mista de carne e ossos. “Essa nova planta em Balsas será a maior indústria de processamento de carne suína para desossa, defumado e fatiado das regiões Norte e Nordeste do Brasil, com capacidade para processar mil suínos e/ou ovinos por dia, gerando mais de 300 empregos diretos. Nosso frigorífico atual tem capacidade diária de 200 abates”, evidencia o profissional, acrescentando: “Estamos buscando o selo do Sisbi-POA (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal) para essa nova planta, visto que esse é o primeiro passo para podermos levar os produtos Agromina a todos os estados do Brasil. Por enquanto ainda não podemos enviar nosso produto para fora do Maranhão, apenas após a conclusão da nova planta, mas já enviamos animais vivos para outros estados”.

Conforme Philipsen, a Granja Agromina comercializa atualmente 55% da sua produção de suínos vivos no Maranhão e na região Nordeste do país.

Comércio restrito

O Maranhão ainda é um estado sem certificação de área livre de Peste Suína Clássica, o que restringe o mercado consumidor para as indústrias locais, que não conseguem habilitação para exportar a carne suína maranhense. “O Governo do Maranhão está trabalhando, através da Agência de Defesa Animal, para em 2024 fazer a sorologia nas propriedades de maior circulação de PSC para viabilizarmos a certificação de área de livre da doença”, antecipa Philipsen.

Fábrica própria de ração

Para otimizar os custos da produção suinícola, a Granja Agromina possui uma moderna fábrica de ração, com capacidade de produção de 32 toneladas hora. “Na região que estamos não teríamos opção de terceirizar essa produção e mesmo que houvesse esta opção o custo inviabilizaria a nossa produção, pois hoje nosso consumo é de 2,5 mil toneladas/mês e neste ano vai aumentar para 3 mil toneladas/mês”, afirma Philipsen.

O gestor enfatiza que a ração representa hoje 75% dos custos de produção da granja, atrelado a volatilidade dos preços dos grãos, tem exigido dos produtores estratégias eficientes para manter a sustentabilidade e a rentabilidade da atividade suinícola.

Eficiência na produção

A Granja Agromina se destaca pela alta produtividade na criação de suínos, posicionando-se entre os 20% dos produtores mais eficientes do Brasil, com uma média de 35 desmamados fêmea/ano e a produção de quatro mil quilos de carne por matriz anualmente. “A missão do grupo é verticalizar cada vez mais nossas atividades desde a produção do grão, fertirrigação de nossas lavouras, geração de energia limpa, produção do suíno em ciclo completo, rastreamento até o abate, além do processamento até a mesa do consumidor”, ressalta Philipsen.

Responsabilidade ambiental

Na busca constante para minimizar o impacto ambiental de suas atividades, sem comprometer a eficiência e a qualidade de suas operações, a Granja Agromina reaproveita de forma integral os resíduos orgânicos nos sistemas de fertirrigação por pivô, além de instalar três usinas de energia solar, que juntas geram um total de 2 megawatts por mês. “E ainda complementamos com a compra de energia solar no Mercado Livre de Energia”, informa Philipsen.

Fonte: O Presente Rural
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