Conectado com
OP INSTAGRAM

Suínos / Peixes Tecnologia

Biomarcadores do sangue de tilápias monitoram qualidade da água

Objetivo é padronizar metodologias de monitoramento da qualidade da água usada na piscicultura

Publicado em

em

Gabriel Pupo Nogueira

Um estudo desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) avaliou os efeitos residuais de dois medicamentos utilizados como antimicrobianos na produção de tilápias: o óleo de cravo e o florfenicol. A crescente expansão da piscicultura no País, especialmente de forma intensiva em tanques, impacta diretamente o aumento do uso dessas substâncias para controlar infecções. Para medir as concentrações residuais na água de cultivo, os cientistas utilizaram biomarcadores, ferramentas comumente empregadas na agropecuária para monitorar a saúde animal e ambiental, mas ainda pouco testadas na aquicultura.

Os biomarcardores são alterações ou respostas biológicas de um organismo frente a um estressor ou poluente. Nesse trabalho, foram usados os do tipo hematológicos, que avaliam o efeito dos resíduos no sangue de tilápias, mas outros enzimáticos e bioquímicos já estão em fase de avaliação para aplicação em novos experimentos.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Márcia Ishikawa, estudos dessa natureza são importantes para padronizar metodologias de monitoramento da qualidade da água usada na piscicultura. “O uso de medicamentos na produção animal é inevitável, no entanto, os impactos negativos dos seus resíduos podem ser amenizados com o uso consciente de medicamentos e adoção das Boa Práticas de Manejo sanitário e de produção (BPM)”, explica.

O trabalho com os biomarcadores hematológicos em tilápias foi conduzido na Unidade pela bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), financiado pelo CNPq, Júlia Nascimento, sob a orientação de Ishikawa. Ela destaca a importância dos biomarcadores como ferramentas de monitoramento e também para embasar a formulação de novas metodologias de análise da qualidade da água e do ambiente.

Bons resultados: baixas concentrações não alteram padrões sanguíneos

Foram realizados dois experimentos, um com óleo de cravo e o outro com florfenicol em 18 aquários de 200 litros, sendo avaliados três peixes de cada aquário, totalizando nove peixes por tratamento e 27 em cada experimento. Depois de sete dias, não houve diferença significativa nos parâmetros hematológicos avaliados entre eles. As médias dos pesos e comprimentos dos peixes demonstraram que os tratamentos foram homogêneos, assim como os parâmetros físico-químicos da água, garantindo que a diferenciação ficou restrita às concentrações dos resíduos avaliados.

Os testes foram realizados em ambiente controlado com concentração subletal (baixa) de óleo de cravo e florfenicol e analisaram os seguintes parâmetros sanguíneos de tilápias: hematócrito, que é a porcentagem de volume ocupada pelos glóbulos vermelhos ou hemácias no volume total de sangue no organismo; proteína plasmática total, ou seja, todas as proteínas (globuminas e albumina) presentes no plasma; hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio; hemácias ou glóbulos vermelhos (eritrócitos) e a glicemia, que representa a concentração de glicose no sangue.

Segundo a bolsista, estudos mostram que, quando usado como anestésico, em concentrações mais altas, o óleo de cravo causa alterações nos biomarcadores hematológicos. “Entretanto, no nosso trabalho, que avaliou concentrações residuais, não foram observadas alterações nos biomarcadores hematológicos. O que pode ser considerado um resultado positivo”, constata.

A conclusão foi comprovada com a realização de análises estatísticas como a Anova (análise de variância) e o teste de Tukey (comparação de médias).

Nascimento explica que, apesar de não haver muitos dados e informações a respeito da avaliação de biomarcadores hematológicos em relação às concentrações de florfenicol na água, a crescente demanda de uso desse antibiótico em doses terapêuticas favorece a ocorrência de acúmulo residual e, por isso, é importante padronizar as ferramentas para garantir que esses resíduos não interfiram nos resultados do monitoramento.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 1 =

Suínos / Peixes Suinocultura

Profissionais são orientados sobre como mitigar riscos da entrada de PSA no Brasil

Médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação e que é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença no Brasil, investindo pesado na biosseguridade.

Publicado em

em

Reprodução/Divulgação

Com alto poder destrutivo e índice de mortalidade a PSA se tornou uma dor de cabeça para muitos países e um grande medo para outros. Diversos protocolos e planos já foram desenvolvidos por países para evitar que a doença entre e dissemine seus rebanhos de suínos, assim como aconteceu na China. Durante o 13° Simpósio Internacional de Suinocultura (Sinsui), que pela primeira vez aconteceu de forma totalmente on-line, o médico veterinário e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Diogo Magnabosco, falou sobre como mitigar o risco da entrada da doença na América Latina.

Ele explica que a doença é viral com um alto poder de disseminação que assolou em 2018 e 2019 boa parte do rebanho de suínos da China, eliminando praticamente metade dos animais daquele país e de outros países da Ásia. “Isso gerou uma crise intensa e foi possível ver o impacto econômico causado por ela e gerou preocupações desse vírus, que já é pandêmico, poder se espalhar para outros continentes, como a América Latina”, comenta.

Para ele, quando se fala nesta doença é importante falar sobre a transmissão dela, que acontece principalmente em forma de contato com secreções de animais contaminados. “As vias comuns de contato são direto entre os animais, mas também através de materiais que podem carregar o vírus através do sêmen de animais e a alimentação, ou mesmo da carcaça desse animal, quando falamos dos asselvajados”, informa. Dessa maneira, diz, há o suíno selvagem e também o doméstico como sendo possíveis representantes da disseminação da doença. “Como potencial risco a gente tem algumas formas que possam vir a acontecer em animais vivos, insumos, alimentos e pessoas”, explica.

Magnabosco conta que se tratando de animais vivos é importante falar sobre os animais de vida livre e selvagem, especialmente quando se vê as ocorrências que vem acontecendo na Europa. “Esse perfil de transmissão de animais vivos, que são os causadores dos surtos na Europa, e vemos ao longo dos anos aumentando as ocorrências principalmente na Alemanha, mas também está presente em outros países do leste europeu. Dessa forma, a doença se mostra com um grande potencial de risco e um problema grave”, avalia.

Dessa forma, explica o médico veterinário, é preciso que aqui no Brasil o produtor também fique atento, visto que estes animais de vida livre também estão espalhados por todo o território nacional. “Dessa maneira, devemos ficar alertas com a possibilidade destes animais serem aqueles que possam vir a disseminar a doença. Não temos casos no Brasil, há alguns anos já não temos a PSA aqui, mas o grande problema está relacionado a entrada e permanência em animais selvagens”, diz.

Quando se fala de animais voltados a suinocultura industrial, há a importação de animais, que podem ser um potencial transmissor ou gerador de ocorrência no Brasil, explica Magnabosco. “Animais que venham vivos, temos um controle intenso, mas são potenciais riscos que devem ser levados em consideração”, afirma.

Além disso, insumos ligados a alimentação animal também merecem atenção. “Pode acontecer a sobrevivência de alguns patógenos em aditivos alimentares. O vírus da PSA tem uma potencial chance de sobreviver em alguns dos principais insumos utilizados na suinocultura”, diz. Da mesma maneira, menciona, é importante entender que parte dos insumos utilizados em nutrição animal são oriundos da China e da Europa, países que estão acometidos pelo surto. “É muito difícil controlar, porque as grandes fábricas estão nestes locais”, comenta. O médico veterinário diz que os insumos usados na indústria pode ser um risco, uma vez que o Brasil é um grande importador de produtos para a indústria de alimentos. “É importante se atentar que este também é um fator considerado para mitigação da doença”, comenta.

E ainda, alimentos trazidos por pessoas transportados via aeroporto, navio ou via terrestre também representam riscos. “Alimentos trazidos por viajantes tem um potencial grande de risco da entrada da doença. Há um grande potencial de risco de entrada via aeroporto. Outra fonte é o descarte de alimentos e transporte que vem de forma marítima. São todos riscos de alimentos que podem entrar no país, ser usados para alimentação de animais de subsistência e gerar um potencial causador da doença”, afirma. Segundo o profissional, as fronteiras terrestres secas são o grande desafio. “Precisamos ter cuidado e entender que há a possibilidade de isso se arrastrar por fronteira seca”, diz.

De acordo com Magnabosco, quando se fala em pessoas, são viajantes regulares que trazem consigo alimentos ou profissionais que fazem visitas a suinoculturas fora do Brasil e possam trazer consigo a doença e depois podem causar um grande problema. “Todos os cuidados devem ser tomados”, reitera.

Como mitigar o risco? 

Para o médico veterinário, é importante diminuir ao máximo a potencialidade de risco da entrada da doença e para isso é preciso investir pesado na biosseguridade. “É o principal elemento. Pode ser voltada aos elementos internos e externos. É o principal agente para limitar ou tentar reduzir o risco de entrada do problema”, menciona.

Segundo ele, é importante ressaltar que hoje existe uma comissão técnica consultiva no Brasil para este assunto. “São várias entidades interessadas, como Mapa e produtores, de todas as áreas buscando trabalhar de maneira conjunta a fim de achar soluções para ajudar na mitigação da doença”, conta. Ele explica que é importante levar em consideração os elementos de risco que podem ser melhorados. “São ações que são feitas. Animais vivos para importação da suinocultura industrial vão para quarentena de forma adequada; animais vivos de vida libre selvagem são monitorados com frequência, limitar estes animais é difícil, mas de qualquer forma o monitoramento é importante. Hoje temos a regulamentação para que sejam comprados animais livres de países de PSA”, informa.

Já quando o assunto é a biosseguridade externa, Magnabosco reitera que é preciso ter cuidado com alimentos de descarte e transporte. “Alimentos que vem em voos comerciais e navios que podem ser utilizados de maneira inadequada e causar problemas. É preciso dar um descarte adequado e não usar e na alimentação animal”, afirma. Para ele, é preciso intensificar a vigilância em aeroportos e fazer ações de informação ao viajante, que pode trazer consigo um problema grave para o sistema de produção como um todo. “Já temos a vigilância agropecuária nacional com cães para identificar em malas a presença de alimentos de origem animal, o que é um grande benefício que evita a entrada desses alimentos no Brasil”, diz.

Sobre os insumos citados anteriormente pelo médico veterinário, ele reitera ser importante conhecer o fornecedor. “É importante ter bons fornecedores quando se trata de alimentação animal. Não é preciso banir, mas controlar”, comenta.

O médico veterinário comenta que é importante estar preparado para o pior. “Ter um plano de contingência. Temos uma equipe que trabalha nisso, com técnicos, laboratório oficial para diagnóstico. Temos que estar prontos e preparados para sermos rápidos”, afirma.

Magnabosco comenta que as medidas tomadas para o enfrentamento da Covid são um bom exemplo de como mitigar uma doença. “Se reduziram os voos comerciais e assim facilitou a possiblidade de mitigar o problema quando estava mais intenso. Além da conscientização da população por problemas sanitários. É preciso implementar medidas preventivas em todos os níveis de biosseguridade, trabalhando em união com todos os elos da cadeia produtiva”, comenta.

Fonte: OP Rural
Continue Lendo

Notícias Suinocultura

Leitão com baixo peso não pode ser sinônimo de perda para o suinocultor

Se bem manejado, animal pode trazer ganhos para a granja.

Publicado em

em

Divulgação

Um dos grandes desafios que suinocultores ainda enfrentam na maternidade são os leitões com baixo peso ao nascimento. É preciso adotar estratégias inteligentes para fazer com que estes leitões não sejam uma perca para o produtor, mas se tornem uma oportunidade para gerar lucros.

São considerados leitões de baixo peso ao nascimento aqueles com o peso inferior a um quilo. “Eles também podem ser considerados leitões de risco, junto com aqueles com nascimento tardio”, explica o médico veterinário, Iuri Pinheiro Machado, no entanto, estes animais podem ser chamados de leitões de oportunidade. “Justamente porque esse percentual de leitões nascidos pequenos muitas vezes são bastante expressivos em granjas de alta produtividade. Por isso, também pode ser uma oportunidade para ganhos se a gente conseguir salvar esse leitão e levar ele até o abate”, comenta.

O médico veterinário diz que diversos trabalhos demonstram que quanto mais baixa a faixa de peso, menor é o índice de sobrevivência ao longo dos dias e no desmame. “Demostrando assim que realmente abaixo de um quilo é o momento crítico e quanto mais baixo o peso menor é o índice de sobrevivência destes animais”, afirma.

De acordo com Machado, é importante entender que é fundamental a gestão dos índices de controle na propriedade, especialmente quanto a confiabilidade do registro. “É preciso que a gente treine as equipes, que tenhamos auditorias internas. Tudo que possibilita que tenhamos confiabilidade nos dados”, comenta. Entre os dados citados pelo profissional estão, por exemplo, o apontamento do horário do nascimento de cada leitão e a causa mortis primária correta. “A correta é aquela que realmente foi a causa da morte do leitão. Muitas vezes o leitão é esmagado, mas ele estava com o estomago vazio. Ele já estava moribundo, acabou morrendo de inanição e aí foi esmagado pela fêmea. É importante a gente identificar essas questões, saber a causa real primária, o dia e o horário que essas mortes aconteceram para a gente poder gerir esses números e atuar nas causas reais e que possam trazer benefícios”, diz.

Outro ponto destacado pelo profissional foi que é importante que não se confunda refugos com leitão pequeno. “O leitão pode nascer pequeno, mas o refugo não nasce refugo. Este é a gente quem fabrica, seja por manejo inadequado ou por falta de manejo. É importante a gente diferenciar esse animal também”, pontua.

Machado ainda ressalta que a pesagem individual dos animais é fundamental. “Na ficha de apontamento de parte vai ter o horário do nascimento, o apontamento do peso individual daquele leitão para que a gente possa definir dentro da nossa granja quais são as faixas críticas e como isso vai evoluindo ao longo do tempo com as medidas que a gente toma para reduzir o percentual de leitões nascidos de baixo peso. É importante que a gente defina as faixas dentro da granja e que atualize essas definições ao longo do tempo”, afirma.

Estratégias para reduzir a mortalidade do leitão
De acordo com Machado, é preciso que o produtor entende que, muitas vezes, o “cobertor é curto”. “Existem fatores que são antagônicos, como é o fato de às vezes a gente fazer uma indução de parto e essa indução trazer prematuridade em função de que eu apliquei o produtor em um momento inadequado, muito cedo”, diz. Do mesmo modo, em leitegadas numerosas é sabido que haverá um percentual maior de leitões de baixo peso. “A duração do parto vai ser maior, o número de tetos muitas vezes vai ser insuficiente para absorver o número de leitões e daí entra a questão das mães deleite, transferência e a questão da produção de colostro, que é fundamental”, comenta.

Além disso, Machado ainda diz que existem intervenções que podem ser feitas para acelerar o parto e ter assim um atendimento melhor. “Mas que muitas vezes, quando feito de forma exagerada elas podem comprometer a saúde da matriz para aquela lactação e, até mesmo, para a vida reprodutiva subsequente dessa fêmea”, afirma.

O médico veterinário ressalta ser importante o suinocultor entender que muitas vezes é preciso fazer escolhas em relação a estas questões levantadas por ele. “Induzir ou não o parto? Preciso induzir porque não tenho um funcionário noturno e muitos partos acontecem a noite e isso prejudica o meu acompanhamento do parto. Mas eu induzindo eu tenho um risco maior de prematuridade. Então, tudo isso deve ser avaliado”, destaca.

Machado diz que o manejo indicado para uma granja nem sempre é o mais adequado para outra. “Cada caso é um caso. Então isso vai do consultor, do assistente de analisar qual prática adotar. Dai entra a questão da mensuração dos índices para fechar toda uma estratégia de como trabalhar melhor a redução da mortalidade desses leitões de baixo peso”, diz.

Além destes pontos, o produtor também deve trabalhar no sentindo de diminuir o percentual de leitões nascidos em baixo peso. “Nesse sentido a gente pode adotar estratégias nutricionais na gestão, que vem desde o bump feeding, que é a quantidade de ração no final da gestação com ajustes individuais, conforme o histórico de produtividade por porca. Ou seja, aquelas mais produtivas podem receber uma quantidade maior de ração, enquanto aquelas menos produtivas em menor quantidade. São ajustes que podem ser feitos também controlando o peso dos nascidos vivos e obtendo resultados quase que imediatos”, explica.

Algumas estratégias podem ainda ser adotadas antes mesmo do parto. “É importante que a gente entenda que a duração do parto é um fator importante na questão da viabilidade e vigor dos leitões. Nesse sentido é importante que a gente entenda que existe uma correlação entre os níveis de glicose sanguínea da fêmea no momento do parto e a duração dele. Assim, quanto maior o período de jejum, maior vai ser a duração do parto. Alguns trabalhos desenvolvidos na Dinamarca demonstram isso. E, claro, quanto menor a duração do parto, maior vai ser a vitalidade do leitão e mais rapidamente eu consigo dar encaminhamento dos manejos que preciso fazer com todos eles”, comenta Machado.

Em termos práticos, explica o médico veterinário, o que se recomenda hoje é que a fêmea não tenha um jejum muito prolongado. “A quantidade que ela precisa no pré-parto é importante que ela seja dividida em várias refeições, pelo menos três, e que a última refeição ocorra preferencialmente três horas antes do início do parto, para que ela possa ter uma glicemia adequada para que tenha energia suficiente para ter um parto menos prolongado e, consequentemente, menos perdas em termos de nascidos mortos e leitões com menos vigor que, eventualmente, podem contribuir com a mortalidade e perdas tanto de leitões normais quanto de baixo peso”, esclarece.

Toda a importância para a parto
Já com relação ao atendimento ao parto, Machado diz que entra então a questão da indução, data adequada e o acompanhamento. “É importante que a gente tenha uma estratégia para aqueles partos que ocorrem fora do horário de expediente da granja. As manobras obstétricas, quais vamos fazer? Existem manobras menos invasivas, como é o caso da mudança de decúbito e massagem. Existem manobras mais invasivas, como é o caso do toque. Então tudo isso tem que ser analisado para que a gente tenha um maior salvamento de leitões e um encaminhamento logo para os manejos pós-parto”, expõe.

O profissional alerta que falta de atendimento ao parto tem consequências que muitas vezes são irreversíveis, relacionadas ao leitão que não foi secado e aquecido rapidamente, que não teve acesso ao colostro, entre outros. “É muito importante que os partos sejam atendidos. É um ponto fundamental. Então, a duração do parto é importante, mas mais importante ainda é a questão do acompanhamento do atendimento imediato dos leitões no parto”, reitera Machado.

O médico veterinário frisa que um dos primeiros pontos de atendimento ao parto é o conforto térmico dos leitões, especialmente os menores. “Todos os leitões ao nascer tem uma reserva menor de glicose e de gordura corporal. Isso faz com que eles percam calor muito rápido. Mas leitões menores tem uma relação entre a superfície e a massa desfavorável: quanto menor o leitão maior proporcionalmente a superfície em relação e esse volume. Nesse sentido o leitão menor perde calor mais rápido do que aqueles maiores. Por isso a importância da secagem e o uso de aquecimento durante os primeiros minutos, para que o leitão perca o mínimo de calor e já comece a mamar o mais rápido possível”, comenta.

Outro fator importante neste sentido é o colostro, que é uma fonte de energia, imunidade e fatores de crescimento para o leitão. “O colostro é uma luta contra o tempo, porque a medida que o tempo vai passando esse colostro vai perdendo em termos de concentração de anticorpos e da capacidade de absorção do leitão. É muito importante que o colostro seja ingerido o mais rápido possível”, diz.

Além disso, a quantidade ingerida deve ser uniformizada e, segundo Machado, isso depende do manejo, porque o leitão com baixo peso vai consumir menos colostros. “Temos essa situação: os leitões de baixo peso consomem menos colostro, em condições naturais, e os últimos leitões ao nascer, independente do tamanho, também consomem menos colostro. Isso nos leva muitas vezes a manejar os leitões de baixo peso da mesma forma que esses últimos leitões ao nascer, especialmente a suplementação de colostro”, observa.

O médico veterinário explica que a produção de colostro gira em uma média de 3.8 quilos por matrizes. “Um volume suficiente quando pensamos que o consumo ideal do leitão é de 200 a 250 gramas nas primeiras 24 horas de vida”, diz. Nesse sentido, continua, já existem hoje algumas granjas com 17 nascidos vivos de média, tendo assim colostro suficiente para todos os leitões. “A questão é como se distribui esse colostro. Esse é o nosso desafio. A produção é suficiente, mas o desafio é distribuir e aí entra o manejo”, afirma.

De acordo com Machado, as estratégias começam justamente no início da vida do leitão. “Após a secagem a gente tem que conduzir o leitão para mamar. Se a gente deixar ele procurar por si mesmo ele vai demandar muito tempo e muita energia até encontrar o teto e fazer a mamada correta. Então é possível a gente conduzir a mamada, mantendo os animais aquecidos e acompanhando as mamadas. Esse é um ponto fundamental”, destaca.

Outro ponto importante mencionado pelo profissional foi quanto a uniformização do consumo desse colostro. “A gente faz a escala de mamada, ou o que a gente chama de revezamento. Então, a gente vai marcando os leitões a medida que eles forem nascendo e daí prendendo e soltando do escamoteador para que todos tenham o consumo mais ou menos uniforme”, diz.

É importante ainda, principalmente para os leitões pequenos, a suplementação manual através do uso de sonda. “Principalmente com os pequenos e os últimos que nasceram, porque eles tem uma desvantagem aos que nasceram primeiro”, comenta Machado. Segundo ele, o uso da sonda é mais eficiente que o uso da mamadeira. “Não recomendamos a mamadeira para o leitão não ficar viciado, mas é uma forma também de utilização quando não dispõe de sonda. Outra vantagem da sonda é justamente que o leitão não fica viciado ao ver o funcionário ou procurando a mamadeira e não indo até o teto da fêmea”, comenta. O profissional explica que o ideal da aplicação é que seja feita de 15 a 20 ml por leitão com um intervalo de uma hora. “Além disso, é importante que os leitões mamem na mãe biológica, porque parte da imunidade celular é transmitida somente da mãe biológica para o seu filho”, menciona.

Machado reitera que leitões de baixo peso mais do que um problema são uma oportunidade. “A abordagem não se restringe ao manejo na maternidade, também envolve nutrição na gestação e critérios de seleção e descarte de matrizes. Dois fatores são imprescindíveis e insubstituíveis neste processo: colostro e mão de obra de qualidade”, conclui.

Fonte: OP Rural
Continue Lendo

Notícias Suinocultura

Especialista discute os desafios e prevenção da Peste Suína Clássica nas zonas não livres da doença no Brasil

Plano Estratégico Brasil Livre de PSC muda a forma de combate à doença por meio de responsabilidades compartilhadas entre os segmentos público e privado. Chefe da Divisão de Sanidade dos Suínos do MAPA, Guilherme Zaha Takeda, destaca essa e outras iniciativas implantadas no país no combate à PSC.

Publicado em

em

Divulgação

Em maio, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) deu início ao projeto piloto de implantação do Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica (PSC) em Alagoas, no Nordeste do Brasil. Foi o primeiro passo de uma ação conjunta entre os setores público e privado para a execução da vacinação contra a PSC de forma regionalizada na zona não livre da doença.

Hoje, o Brasil possui um sistema que abrange a vigilância passiva em todos os rebanhos suínos e, na zona livre de PSC, mantém uma vigilância sorológica ativa e sistemática em Granjas de Reprodutores Suínos Certificadas (GRSC), em reprodutores suínos de descarte em abatedouros, em rebanhos suínos de subsistência, bem como a vigilância sorológica em populações de suínos asselvajados que fornecem dados para a comprovação da ausência de transmissão viral. Os dados desse sistema de vigilância são enviados anualmente à Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) para a manutenção da condição sanitária das zonas livres de PSC do Brasil.

As atuais zonas livres de PSC também são mantidas pelas estruturas de proteção e fiscalização implantadas nas fronteiras internacionais e divisas com países ou zonas não livres de PSC. “Além disso, o Brasil possui normas rigorosas para a importação de suínos e material genético de suínos, bem como de seus produtos e subprodutos. Esses requisitos exigidos para exportação ao Brasil são fundamentados nas recomendações internacionais, com particular atenção ao Código Sanitário para Animais Terrestres da OIE e ao Codex Alimentarius”, explica Guilherme Zaha Takeda, chefe da Divisão de Sanidade dos Suínos do MAPA – DISS/CAT/CGSA/DSA/SDA.

PLANO ESTRATÉGICO BRASIL LIVRE DE PSC – Com a implantação do Plano Estratégico Brasil Livre de Peste Suína Clássica, muda a forma de combate à doença, por meio de responsabilidades compartilhadas entre os segmentos público e privado com clara definição de compromissos, atribuições e responsabilidades no acompanhamento e avaliação da execução do Plano.

“O sucesso no controle e erradicação da PSC na zona não livre perpassa pelo fortalecimento das capacidades do serviço veterinário oficial, a sustentabilidade financeira e a necessidade de sensibilização e engajamento de todos os atores envolvidos. A vacinação contra a PSC é uma das ferramentas, em conjunto com as medidas de eliminação dos focos e melhorias nas condições de biossegurança das granjas comerciais de suínos”, pontua Takeda.

Atualmente, a zona não livre do Brasil é formada pelos Estados de Alagoas, Amapá, Amazonas (exceto a região pertencente à zona livre), Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima.

O Brasil possui dimensões continentais e realidades muito distintas. O responsável do MAPA explica que, nas regiões onde a suinocultura tem uma importância socioeconômica relevante, foram feitos importantes avanços em relação à PSC. Hoje o Brasil é o quarto maior produtor e exportador mundial de carne suína e vem batendo recordes no volume de exportação, com expectativa de novo recorde na comercialização anual.

Essa trajetória de sucesso econômico ocorreu graças a mudanças organizacionais, incremento tecnológico e interação entre os segmentos público e privado.

O Plano Estratégico Brasil Livre de PSC agrega uma intervenção estruturada e organizada na zona não livre de PSC. “Isso é de fundamental importância para a redução do risco de reintrodução do vírus da PSC na atual zona livre da doença, buscando prevenir prejuízos relacionados às perdas diretas e às restrições de acesso a mercados, decorrente da perda do reconhecimento internacional da situação sanitária do Brasil em relação à doença”, pontua.

MERCADO INTERNACIONAL – A credibilidade e a competitividade do Brasil no mercado internacional de produtos de origem suína estão diretamente relacionadas à qualidade e confiança conferidas pelos controles sanitários e medidas de vigilância adotadas. Os países importadores exigem comprovações cada vez mais objetivas e seguras da situação sanitária do país exportador em relação aos agentes patogênicos de interesse.

É importante reforçar que, atualmente, a OIE reconhece três zonas livres de PSC no Brasil: uma constituída por Rio Grande do Sul e Santa Catarina; outra pelos Estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins, além do Distrito Federal, e ainda os municípios de Guajará, Boca do Acre, região Sul de Canutama e região Sudoeste de Lábrea, pertencentes ao Estado do Amazonas e a terceira constituída pelo Estado do Paraná. Anualmente o Brasil fornece dados robustos para a comprovação da ausência de transmissão viral nestas zonas.

PANORAMA MUNDIAL – A PSC é encontrada nas Américas Central e do Sul, Europa e Ásia e partes da África. A América do Norte, Austrália e Nova Zelândia estão atualmente livres da doença. Na década de 1990, grandes surtos de PSC ocorreram na Holanda (1997), Alemanha (1993-2000), Bélgica (1990, 1993, 1994), Itália (1995, 1996, 1997) e Japão (a partir de 2019), conforme dados da OIE.

BIOSSEGURIDADE EM PAUTA NO IPVS 2022 – O congresso da IPVS – International Pig Veterinary Society, maior evento técnico científico da suinocultura mundial, terá como sede a cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 2022, marcando a volta do evento para o Brasil depois de três décadas. O evento será realizado entre os dias 21 e 24 de junho, no Riocentro, e terá como tema as “Novas perspectivas para a suinocultura: biosseguridade, produtividade e inovação”.

Demais informações sobre o evento estão disponíveis no site www.ipvs2022.com ou pelo telefone (31) 3360-3663.

Fonte: Assessoria
Continue Lendo
ABPA – PSA

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.