Conectado com

Suínos / Peixes Tecnologia

Biomarcadores do sangue de tilápias monitoram qualidade da água

Objetivo é padronizar metodologias de monitoramento da qualidade da água usada na piscicultura

Publicado em

em

Gabriel Pupo Nogueira

Um estudo desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente (SP) avaliou os efeitos residuais de dois medicamentos utilizados como antimicrobianos na produção de tilápias: o óleo de cravo e o florfenicol. A crescente expansão da piscicultura no País, especialmente de forma intensiva em tanques, impacta diretamente o aumento do uso dessas substâncias para controlar infecções. Para medir as concentrações residuais na água de cultivo, os cientistas utilizaram biomarcadores, ferramentas comumente empregadas na agropecuária para monitorar a saúde animal e ambiental, mas ainda pouco testadas na aquicultura.

Os biomarcardores são alterações ou respostas biológicas de um organismo frente a um estressor ou poluente. Nesse trabalho, foram usados os do tipo hematológicos, que avaliam o efeito dos resíduos no sangue de tilápias, mas outros enzimáticos e bioquímicos já estão em fase de avaliação para aplicação em novos experimentos.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente Márcia Ishikawa, estudos dessa natureza são importantes para padronizar metodologias de monitoramento da qualidade da água usada na piscicultura. “O uso de medicamentos na produção animal é inevitável, no entanto, os impactos negativos dos seus resíduos podem ser amenizados com o uso consciente de medicamentos e adoção das Boa Práticas de Manejo sanitário e de produção (BPM)”, explica.

O trabalho com os biomarcadores hematológicos em tilápias foi conduzido na Unidade pela bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), financiado pelo CNPq, Júlia Nascimento, sob a orientação de Ishikawa. Ela destaca a importância dos biomarcadores como ferramentas de monitoramento e também para embasar a formulação de novas metodologias de análise da qualidade da água e do ambiente.

Bons resultados: baixas concentrações não alteram padrões sanguíneos

Foram realizados dois experimentos, um com óleo de cravo e o outro com florfenicol em 18 aquários de 200 litros, sendo avaliados três peixes de cada aquário, totalizando nove peixes por tratamento e 27 em cada experimento. Depois de sete dias, não houve diferença significativa nos parâmetros hematológicos avaliados entre eles. As médias dos pesos e comprimentos dos peixes demonstraram que os tratamentos foram homogêneos, assim como os parâmetros físico-químicos da água, garantindo que a diferenciação ficou restrita às concentrações dos resíduos avaliados.

Os testes foram realizados em ambiente controlado com concentração subletal (baixa) de óleo de cravo e florfenicol e analisaram os seguintes parâmetros sanguíneos de tilápias: hematócrito, que é a porcentagem de volume ocupada pelos glóbulos vermelhos ou hemácias no volume total de sangue no organismo; proteína plasmática total, ou seja, todas as proteínas (globuminas e albumina) presentes no plasma; hemoglobina, responsável pelo transporte de oxigênio; hemácias ou glóbulos vermelhos (eritrócitos) e a glicemia, que representa a concentração de glicose no sangue.

Segundo a bolsista, estudos mostram que, quando usado como anestésico, em concentrações mais altas, o óleo de cravo causa alterações nos biomarcadores hematológicos. “Entretanto, no nosso trabalho, que avaliou concentrações residuais, não foram observadas alterações nos biomarcadores hematológicos. O que pode ser considerado um resultado positivo”, constata.

A conclusão foi comprovada com a realização de análises estatísticas como a Anova (análise de variância) e o teste de Tukey (comparação de médias).

Nascimento explica que, apesar de não haver muitos dados e informações a respeito da avaliação de biomarcadores hematológicos em relação às concentrações de florfenicol na água, a crescente demanda de uso desse antibiótico em doses terapêuticas favorece a ocorrência de acúmulo residual e, por isso, é importante padronizar as ferramentas para garantir que esses resíduos não interfiram nos resultados do monitoramento.

Fonte: Embrapa Meio Ambiente
Continue Lendo
Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 + 17 =

Suínos / Peixes Defesa Agropecuária

Plano integrado traz ações para vigilância de doenças em suínos

O objetivo é ampliar a detecção precoce de três doenças nos animais

Publicado em

em

Divulgação/Mapa

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) divulgou, na sexta-feira (30), o Plano Integrado de Vigilância de Doenças dos Suínos que visa fortalecer a capacidade de detecção precoce de casos de Peste Suína Clássica (PSC), Peste Suína Africana (PSA) e a Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos (PRRS), bem como demonstrar a ausência das doenças em suínos domésticos.

O plano revisa a Norma Interna 05/2009 e a Norma Interna 03/2014, publicadas pelo Departamento de Saúde Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa, para a vigilância de PSC, ampliando o escopo de doenças-alvo para a PSA e a PRRS e redefinindo os componentes do sistema como vigilância sorológica baseada em risco, inspeções em estabelecimentos de criação, investigação dos casos suspeitos, inspeção em abatedouros e vigilância sorológica em suínos asselvajados.

Atualmente, o Brasil é o quarto maior produtor mundial de carne suína, com um rebanho de mais de 40 milhões de animais. Cerca de 80% dessa produção abastecem o mercado nacional.

“A suinocultura brasileira possui condição sanitária bastante favorável por ser considerada livre de doenças economicamente muito importantes que ocorrem em várias partes do mundo”, destaca o chefe da Divisão de Sanidade dos Suídeos, Guilherme Takeda. A manutenção desta condição sanitária no Brasil garante menores custos de produção e vantagem competitiva no acesso a mercados internacionais.

O Plano Integrado de Vigilância de Doenças de Suínos foi desenvolvido pelo Departamento de Saúde Animal, com participação do Serviço Veterinário Oficial dos estados (SFAs e OESAs) e dos setores da iniciativa privada, representando o compromisso em manter e melhorar a vigilância animal implantada no Brasil e proteger a suinocultura nacional.

“O Plano foi construído a partir de um esforço conjunto e compartilhado entre os vários setores e segmentos que atuam no campo da produção e sanidade dos suínos, e sua implantação e execução exige o reforço desse compromisso. A vigilância envolve ações contínuas e conjuntas de responsabilidade dos setores público e privado”, reforça o diretor do Departamento de Saúde Animal, Geraldo Moraes.

Peste Suína Clássica

A PSC é uma doença que acomete suínos domésticos e asselvajados. É obrigatória a notificação imediata ao serviço veterinário oficial de qualquer caso suspeito.

O vírus é encontrado nas secreções e excreções do animal infectado e pode ser transmitido pelas vias direta (contato entre animais, aerossóis e suas secreções e excreções, sangue e sêmen) ou indireta (água, alimentos, fômites, trânsito de pessoas, equipamentos, materiais, veículos, vestuários, produtos, alimentos de origem animal), entrando no organismo por via oral e oro-nasal.

Atualmente, cerca de 83% do rebanho suíno brasileiro encontram-se em zona livre (ZL) de PSC.

A condição zoossanitária da doença no Brasil, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), é constituída por três Zonas Livres: uma constituída pelos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina; outra pelos seguintes estados: Acre, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins e os municípios de Guajará, Boca do Acre, sul do município de Canutama e sudoeste do município de Lábrea, pertencentes ao estado do Amazonas; e a terceira formada pelo estado do Paraná.

A zona não Livre (ZnL) é formada por Alagoas, Amapá, Amazonas (exceto região pertencente à ZL), Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Roraima.

Peste Suína Africana

A PSA também é uma doença de notificação imediata ao serviço veterinário oficial de qualquer caso suspeito. A doença foi introduzida no Brasil em 1978 no estado do Rio de Janeiro. As investigações realizadas à época revelaram que os suínos do estabelecimento caracterizado como foco índice se infectaram pela ingestão de sobras de comida servida a bordo de aviões procedentes de Portugal e da Espanha, países onde se propagava a doença.

A última ocorrência de PSA no Brasil foi registrada no estado de Pernambuco, em novembro de 1981, e as medidas aplicadas pelo SVO brasileiro permitiram a erradicação da doença em todo o território e a declaração do Brasil como país livre de PSA em 1984.

Desde 2018, a PSA ingressou e se dispersou amplamente nos continentes asiático e europeu. No dia 29 de julho de 2021, foi confirmada a ocorrência da PSA na República Dominicana, ingressando nas Américas. O Mapa, os órgãos estaduais de Sanidade Agropecuária (OESA) e os setores privados da suinocultura têm desenvolvido e reforçado ações que evitem o ingresso da PSA no Brasil e que possam mitigar os impactos econômicos e sociais no caso de introdução da doença.

Síndrome Reprodutiva e Respiratória dos Suínos

A doença nunca  foi registrada no Brasil. Dessa forma, qualquer caso suspeito é de notificação obrigatória e imediata ao serviço veterinário oficial. A PRRS causa alta mortalidade em suínos recém-nascidos e desmamados, baixa taxa de concepção em rebanhos de reprodutores, aumento na taxa de aborto, natimortos e nascimento de leitões fracos, acarretando enormes perdas econômicas aos produtores.

Pela experiência de países com suinocultura altamente especializada nas quais houve entrada da doença, foram notadas características muito preocupantes da PRRS, como alta taxa de difusão, falta de vacinas eficientes e incapacidade de medidas estritas de biosseguridade em evitar a infecção de granjas livres. O vírus da PRRS já foi identificado em importantes países produtores de suínos, sendo endêmico em vários deles.

Fonte: Mapa
Continue Lendo

Suínos / Peixes Suinocultura

Com margem esmagada pela alta dos custos, integrados querem melhor remuneração

Insumos impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a alimentação é o principal componente de custos na suinocultura

Publicado em

em

O mês de agosto chega com a expectativa de que produtores de suínos com granjas localizadas no Oeste e Sudoeste do Paraná, que atuam no sistema de Integração, cheguem a um consenso em torno de um percentual de reajuste que leve em conta a alta nos custos de produção e o expressivo aumento dos gastos com mão de obra, manutenção, despesas administrativas, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e transporte, além dos investimentos feitos pelos produtores para atender ao Bem-Estar Animal e à Biosseguridade nas granjas.

As lideranças dos produtores integrados seguem em negociação com a agroindústria  e esperam que evolua a discussão que se arrasta desde o ano passado, em torno da planilha de custos, e que uma nova rodada de negociações possa ser decisiva desta vez, após as reuniões agendadas para analisar a planilha de custos em busca de se definir um reajuste que leve em conta a elevação dos custos de produção, que está esmagando a margem e deixando os integrados preocupados com os rumos da atividade. Uma reunião nesse sentido já está marcada para o dia 12 de agosto, em Toledo.

No caso de Unidades de Produção de Leitões (UPLs) e das Unidades de Produção de Leitões Desmamados (UPDs), os produtores vêm tratado do assunto com mais intensidade desde novembro do ano passado, segundo o coordenador da Cadec dessas unidades, Miguel Thomas, ligada à uma das agroindústrias que atua nas regiões Oeste e Sudoeste do Paraná. “Não temos conseguido avançar na definição de uma recomposição de valores que atenda as necessidade dos produtores e que faça frente à essa elevação dos custos de produção, especialmente pela alta nos preços dos grãos que elevou os custos com ração, assim como do aumento dos demais custos variáveis desembolsados pelos produtores e que representam o maior impacto na formação dos custos. Além disso, é preciso que se analise com mais atenção os custos com a depreciação de equipamentos e edificações e, ainda, a remuneração do capital investido na atividade”, aponta o produtor, que representa o pensamento dos demais integrados dessas unidades.

Ainda de acordo com Miguel Thomas, os percentuais sinalizados pela agroindústria está bem aquém do que os produtores esperavam e longe de recompor as perdas das granjas. “Com a alta nos preços dos grãos, houve um desembolso maior para cobrir os gastos com insumos alimentares, e mesmo com reajuste nos preços recebidos pelos animais entregues, isso não tem sido suficiente para compensar os elevados custos de produção”, destaca Miguel Thomas. O fato foi apontado, inclusive, pelo levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR, divulgado em maio deste ano.

Os insumos impactaram diretamente no custo de produção da atividade, pois na composição dos custos variáveis, a alimentação é o principal componente de custos na suinocultura. No Sudoeste do Paraná, por exemplo, os gastos com ração representam mais de 60% na maioria das modalidades analisadas pelo levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR.

O presidente da Associação Paranaense de Suinocultores (APS), Jacir Dariva, ele próprio um produtor integrado com granjas no Sudoeste, tem acompanhado de perto a discussão em torno dos custos de produção e a necessidade de se fixar uma recomposição que atenda às necessidades dos integrados. Dariva observa que “apesar desse quadro de coisas, tanto na suinocultura pelo sistema de integração, quanto no mercado independente, a cadeia se mantém otimista em relação aos próximos anos, diante do recente reconhecimento do Paraná como área livre de febre aftosa sem vacinação e de Peste Suína Clássica (PSC) pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)”. Para o presidente da APS, “o novo status sanitário do Paraná promete a abertura de novos mercados para o estado, que remuneram melhor pela carne suína que produzimos com base nas melhores condições de segurança alimentar e de biosseguridade. Isso sem contar que a Peste Suína Africana na China deve continuar repercutindo nas importações daquele país, que vão continuar aquecidas ainda por um bom tempo”, conclui Dariva.

O produtor Gilberto João Rossi, com granja produtora de leitões localizada em Sulina, destaca que “a renda do produtor está muito abaixo do custo de produção. Todos concordam que é preciso avançar em busca de um entendimento sobre os componentes dos custos efetivos ao produtor, e que a agroindústria precisa avaliar um percentual mais justo de reajuste”. Rossi é um dos que vem defendendo uma posição sobre a melhor remuneração dos produtores, e que se evolua para uma solução afim de contemplar os interesses dos integrados, sem prejudicar a indústria.

Já o suinocultor Reni Gerardi de Lima, também com granja no Sudoeste, destaca a preocupação geral dos produtores diante do elevado aumento dos custos de produção registrado nos últimos tempos. Cita que em determinados itens frequentemente consumidos nas granjas houve aumento de mais de 100% e em outros, até mesmo acima de 200%. “O custo de uma cela parideira, por exemplo, passou de R$ 2.600,00 para R$ 4.600,00. Mas a maior preocupação ainda é com a mão de obra nas granjas, cada vez mais escassa e muito cara. Em contrapartida, houve redução significativa na remuneração dos produtores, se comparado o rendimento por porca entre janeiro de 2020 e o período atual. Por isso, é preciso urgentemente um esforço em conjunto, da empresa e dos produtores, para que essa situação se defina o quanto antes”, ressalta Reni, que integra a Comissão Técnica da Suinocultura da FAEP.

Fonte: Assessoria/APS
Continue Lendo

Suínos / Peixes Sanidade Animal

Primeira ocorrência de PSA nas Américas acende alerta da suinocultura do Brasil

ABPA atualiza procedimentos de biosseguridade e reforça campanhas de prevenção

Publicado em

em

Arquivo/OP Rural

A informação divulgada ontem (29) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e confirmada pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) sobre a ocorrência de foco de Peste Suína Africana na República Dominicana disparou o alerta no setor produtivo de suínos do Brasil para a intensificação dos cuidados preventivos contra a enfermidade, de acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Conforme a entidade, os rígidos procedimentos de biosseguridade adotados pelo setor produtivo foram atualizados e divulgados aos associados pela diretoria técnica, com foco especial na movimentação de pessoas intrassetorial. A preocupação, agora, é com o reforço da exigência do cumprimento de quarentena para brasileiros e estrangeiros que atuam direta ou indiretamente no setor produtivo, e que estejam retornando ao Brasil.

Ao mesmo tempo, foi reforçada a campanha “Brasil Livre de PSA” (www.brasillivredepsa.com.br), iniciativa da associação focada especificamente nos suinocultores de todo o país. A campanha traz alertas contra a visitação nas granjas, e indica cuidados para minimizar as chances da circulação da enfermidade no País.

Em caráter emergencial, a entidade também convocou o Grupo Especial de Prevenção à Peste Suína Africana (GEPESA) – formado por técnicos e especialistas das organizações associadas – para a discussão de novas ações no âmbito privado, em suporte ao trabalho de defesa agropecuária desempenhado pelo Ministério da Agricultura.

“Imediatamente após a divulgação da notícia, estabelecemos contato com o MAPA e iniciamos tratativas para a composição de medidas preventivas em portos e aeroportos, além das granjas, que são os principais pontos de atenção. O trabalho segue evoluindo em linha com o que o ministério já tem executado com sucesso”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin, lembrando que o Brasil não registra focos de PSA desde 1984.

Fonte: Assessoria ABPA
Continue Lendo
CONBRASUL/ASGAV

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.