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Bovinos / Grãos / Máquinas

Aprenda a garantir a eficácia de defensivos agrícolas

O objetivo é proporcionar uma aplicação consciente, com eficiência no uso dos defensivos

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Artigo escrito por Daniel Petreli, engenheiro agrônomo, especializado em Proteção de Planta e especialista em Tecnologia de Aplicação e Marketing Estratégico da Jacto

Os defensivos agrícolas são produtos eficazes no controle de pragas e doenças que atacam as plantações. No entanto, os resultados não são automáticos. Na verdade, existe muita preocupação sobre os prejuízos que esses químicos podem trazer ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Esse receio pode ser sanado se forem tomados os devidos cuidados no momento da aplicação desses produtos. O objetivo é proporcionar uma aplicação consciente, com eficiência no uso dos defensivos.

Qual o verdadeiro potencial dos defensivos agrícolas? Os defensivos são muito importantes para o desenvolvimento da produção, uma vez que protegem a plantação contra agentes biológicos nocivos. De fato, eles são muito eficientes e seguros.

Para que cheguem ao mercado a fim de serem comercializados, passam por um rigoroso processo de registro, que abrange testes de avaliação toxicológica supervisionado pela Anvisa e pelo Ministério da Saúde, além de avaliação ambiental para averiguar qual seu impacto na atmosfera, no solo e na água. Certas práticas, porém, podem reduzir seu potencial, como veremos a seguir.

O que pode atrapalhar a aplicação?

Apesar de amplamente usados, algumas práticas podem comprometer a eficácia dos defensivos e, com isso, reduzir sua eficiência:

  • Uso excessivo e repetitivo dos mesmos defensivos

A aquisição de um produto para tratar uma praga específica, usando-o várias vezes na mesma safra não é adequada. Os defensivos são desenvolvidos para tratar alguns mecanismos de ação da praga ou doença. O uso indiscriminado faz com que o produto perca a eficiência com o tempo.

A eficácia do químico começa acima dos 90% (chegando a 100% em alguns casos) e, ao longo dos anos, esse índice vai caindo por conta do uso repetitivo. Isso ocorre porque, com a aplicação excessiva e prolongada, inicia-se um processo de resistência em relação a alguns alvos.

É necessário, portanto, que se apliquem métodos de manejo sustentáveis, diversificação de culturas e alternância ou rotação de defensivos que atuam de formas diferenciadas. Isso pode evitar que se desenvolvam pragas ou doenças resistentes na lavoura.

  • Deriva

A deriva ocorre quando os defensivos agrícolas não atingem os locais desejados em razão do deslocamento do produto, seja por causa da ação do vento, que causa evaporação, deslocação ou escorrimento do produto no momento da aplicação.

Esse problema pode ocorrer em resultado do alto volume de defensivo aplicado, produzindo gotas grandes, além do tamanho que as superfícies foliares são capazes de reter. Com isso, as gotículas se juntam e escorrem para o solo.

A deriva pode causar danos ambientais quando os defensivos se deslocam para culturas mais sensíveis, além de ser fonte de desperdício.

  • Mistura

Cerca de 95% dos produtores fazem misturas. Se no momento da combinação de produtos em tanque o produtor não souber como os químicos interagem e reagem entre si, ele pode comprometer a eficácia da aplicação.

Na verdade, se todo o processo de pulverização não for realizado de maneira adequada, a eficiência dos produtos pode ser prejudicada. Desde a compra do produto, o processo de mistura dos defensivos até a pulverização, cada fase gera perdas e, se o agricultor fizer de forma inadequada, os danos serão maiores.

  • Qualidade da água

A água utilizada na pulverização pode não ser capaz de preservar as propriedades químicas dos defensivos, diminuindo sua eficácia. Um dos fatores hídricos que estão envolvidos nisso é o pH, ou seja, sua acidez ou alcalinidade. Por exemplo, tem-se observado que herbicidas do grupo das imidazolinonas são absorvidas pelas folhas mais facilmente quando o pH da água está em torno de 4 ou 4,5.

No entanto, outros fatores relativos à água também podem influenciar, como:

– dureza total: marcado pela presença do carbonato de cálcio (CaCO3), resíduos e matéria orgânica;

– altos teores de argila: reduz a meia-vida do produto;

– quantidade de íons: por exemplo, íons Fe+3 e Al+3 podem reagir com os defensivos e reduzir sua eficiência.

Como garantir a eficácia dos defensivos agrícolas?

Para obter sucesso na aplicação de defensivos agrícolas, é importante seguir boas práticas, como as citadas a seguir:

  • Cuide da segurança da operação

O primeiro passo é proteger o operador contra intoxicações causadas por defensivos. Embora isso não influa na eficácia da aplicação dos produtos em si, seguir as normas relativas ao uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), como luvas, avental e botas, garante a segurança total da operação.

Deve dar-se atenção também à segurança ambiental, pois contribui para uma produção mais sustentável e reduz o desperdício no uso de químicos na colheita. Por exemplo, quando o produtor trabalha acima dos limites de vento e temperaturas, ele perde o produto para o ambiente, por deriva.

Assim, é preciso respeitar as normas e limites definidos na bula. Se ele não respeitar as regras, não só reduzirá a eficiência dos defensivos, mas também causará danos aos recursos naturais que o cerca, vitais para a lavoura.

  • Escolha do produto certo

Cada cultura tem necessidades e riscos específicos. Sendo assim, é muito importante que o produtor escolha o produto com cuidado, cuja eficiência seja comprovada de acordo com os objetivos a serem alcançados.

O passo inicial é identificar quais doenças ou pragas poderiam causar danos àquela plantação específica. A partir daí, o produtor deve buscar conhecer os defensivos que sejam mais adequados a cada tipo de cultivo e praga. Além disso, é necessário verificar se o defensivo é registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

  • Dê atenção à pulverização

Esse é um aspecto fundamental, pois está relacionado ao instrumento por meio do qual a aplicação de defensivos é feita. A pulverização inadequada pode gerar custos adicionais ao produtor em virtude de desperdício de produtos, especialmente quando a área a ser coberta é muito grande. Por isso, alguns fatores devem ser levados em conta no momento da pulverização:

– alvo e área de aplicação: qual o objetivo do procedimento e qual a sua posição? Está nas folhas, no solo, no tronco, etc.;

– clima: fatores como temperatura, velocidade do vento e umidade do ar influenciam na eficiência da aplicação;

– cobertura e volume: é necessário definir a correta proporção entre cobertura e volume de produtos aplicado;

– bicos de pulverização: O tipo de bico influencia na área de cobertura, no tamanho da gota e também no alcance da mistura. Por isso, utilizar o bico errado pode gerar desperdício de insumos, além de não garantir o controle das pragas e doenças. Imagine que você faça a pulverização com o bico errado e que a mistura não penetrou corretamente em uma lavoura que apresentava indícios de infecção. Além de ter perdido o dinheiro investido nos produtos utilizados, você corre o risco de ter uma piora da infecção que, em muitos casos, pode levar à deterioração da plantação. Em contrapartida, a escolha correta do bico garante que o produto terá o alcance e a penetração corretos. Além disso, preocupe-se também em dosar corretamente e, sempre que possível, fazer a aplicação em condições climáticas favoráveis.

Um recurso que auxilia o produtor na escolha do bico mais apropriado é um aplicativo para smartphone disponível gratuitamente para download nas plataformas Windows, Android e iOS.

Utilize a tecnologia a seu favor

Diversas tecnologias podem auxiliar o produtor no uso de defensivos, tornando o processo mais eficiente. Uma das tecnologias presentes em pulverizadores é o controle de abertura e fechamento bico a bico.  Quando conectados a sistemas para gestão da pulverização, o operador tem total controle dos bicos de pulverização. É possível visualizar mapas para conferir informações sobre a cobertura da aplicação, entre outros dados. O pulverizador automotriz, por exemplo, conta com acionamento eletrônico dos bicos segundo as características do agroquímico, das condições do clima, da velocidade e do volume da aplicação.

Esse controle eficiente bico a bico contribui para uma aplicação mais uniforme, precisa, adequada à lavoura e com o menor desperdício e impacto ao meio ambiente. Para tamanha precisão, mais uma vez entra em cena o posicionamento por GPS. Por meio dele, o computador mapeia todo o talhão, desligando o bico pulverizador quando a máquina sai da área ou passa por um ponto onde já foi aplicado o produto. O sistema proporciona mais precisão nas aplicações, com economia de produto na ordem de 10% e consequente menor impacto ambiental.

A telemetria é outro recurso que está ligado à uma aplicação consciente. O recurso está dentro de uma tendência conhecida como agricultura de precisão, que engloba um conjunto de técnicas avançadas de manejo. São metodologias que lançam mão de dados vindos de dispositivos eletrônicos, como GPS e sensores. Informações sobre as variações do clima, volumes de produção, perdas da safra e despesas com defensivos agrícolas são reunidas e avaliadas. Os resultados servem para elaborar estratégias e ações para a eliminação de desperdícios e aumentar a produtividade por hectare.

Sistemas de telemetria, por exemplo, são capazes de calcular a dose e volume de produtos aplicados com base em dados retirados do clima — como níveis de temperatura e umidade —, do maquinário e das condições do solo, realizando também um diagnóstico completo da lavoura a fim de otimizar as operações e torná-las mais eficazes. Com isso, a telemetria contribui para o aumento da produtividade e a redução de custos entre de 3% e 15%.

Esse recurso é utilizado pelo Otmis Maps, um software capaz de reduzir as taxas de sobreposição, evitando que o produto seja aplicado diversas vezes no mesmo local, o que poderia causar resistência contra defensivos.

A correta aplicação de defensivos agrícolas depende de muito conhecimento e prática em campo. Por isso, é preciso investir na busca dos melhores produtos e de empresas e universidades que investem em pesquisas e disponibilizam diferentes modelos de equipamentos e cursos de aperfeiçoamento. Não se pode negligenciar também o suporte do agrônomo ao longo de todo o processo.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas

Singapura abre mercado para extrato de carne bovina brasileira

Essa decisão se une à recente abertura do mercado singapurense para carnes e produtos derivados de ovinos no início do mês.

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Foto: Shutterstock

O governo de Singapura anunciou a aprovação sanitária para a importação de extrato de carne bovina do Brasil, abrindo novas oportunidades no mercado asiático para este produto. O anúncio foi feito na noite de terça-feira (27) pelo ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro. “Fevereiro nem terminou e o primeiro bimestre do ano já é recorde de abertura de mercados”, frisou.

Essa decisão se une à recente abertura do mercado singapurense para carnes e produtos derivados de ovinos no início do mês.

Em 2023, o Brasil exportou cerca de US$ 685 milhões em produtos agrícolas para Singapura.

Este é a décima sexta barreira comercial agrícola que o Brasil supera somente este ano, destacando uma tendência positiva nas relações comerciais entre os dois países.

Fonte: Com informações Mapa
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Bovinos / Grãos / Máquinas Na Expodireto Cotrijal

2º Fórum da Carne Bovina vai debater tecnologia e mercado futuro para o setor

Palestras organizadas pelo Instituto Desenvolve Pecuária ocorrerão na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS).

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Comunicação como instrumento de crescimento da agropecuária no Brasil será tema da palestra ministrada pelo professor doutor José Luiz Tejon Megido - Foto: Divulgação

O Instituto Desenvolve Pecuária, juntamente com a Cotrijal e Cotripal, vão promover o 2º Fórum da Carne Bovina, dentro da programação da Expodireto Cotrijal. A feira ocorrerá entre os dias 04 e 08 de março, em Não-Me-Toque (RS). A Expodireto Cotrijal é uma das maiores feiras do agronegócio, focada em tecnologia e negócios. O tema do 2º Fórum da Carne será “Tecnologia, Mercado e Cultura da Carne: conexões para o futuro da carne no Rio Grande do Sul”. O fórum ocorrerá no dia 5 de março a partir das 13h30min no auditório da produção e contará com três palestras.

Na primeira, Pedro Albuquerque falará sobre o tema “Papel da Pecuária na Estabilidade dos Sistemas de Produção em Áreas de Soja”. Ele é engenheiro Agrônomo formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com doutorado e pós-doutorado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Albuquerque tem experiência nas áreas de ecologia do pastejo, manejo de pastagens e integração lavoura-pecuária.

A segunda palestra abordará o tema “Programas para Carnes de Qualidade: o Case Cotripal”. Irão palestrar o gerente no Frigorífico da Cotripal, Roberto Calza, e o produtor rural, agricultor e pecuarista Emerson Peukert Schaedler. Calza é Técnico Agropecuário, graduado em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), com MBA em Gestão Comercial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pós graduando em Gestão de Inovação em Organizações Cooperativas pela Escola Superior do Cooperativismo (Escoop). Schaedler é sócio proprietário da Fazenda Bela Vista e do Haras Santa Juvita, localizados em Boa Vista do Cadeado. Entre as distinções, Schaedler foi campeão por 2 anos consecutivos da Liga i2X de produtividade de soja em área de ILP e premiado no ano de 2022 pela Associação Brasileira de Angus na modalidade “Produtor Revelação”.

A terceira palestra terá como tema “A Comunicação como Instrumento de Crescimento da Agropecuária no Brasil. O palestrante é o professor José Luiz Tejon Megido, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, é jornalista, publicitário, com especialização em Harvard, Pace University e MIT – USA e Insead – França. Tejon também é coordenador acadêmico do Master Science Food & Agribusiness Management da Audencia Business School em Nantes/França, Coordenador do Agribusiness Center da Fecap em São Paulo, professor convidado FIA/USP e Insper.

O presidente da Comissão de Relacionamentos Institucionais e Comerciais do Instituto Desenvolve Pecuária, João Gaspar de Almeida, ressaltou a qualidade dos palestrantes e a importância de discutir a pecuária do Rio Grande do Sul. “O Instituto Desenvolve Pecuária se sente orgulhoso de poder contribuir nesse debate numa feira tão importante como a Expodireto e discutir a pecuária na Metade Norte gaúcha”, concluiu.

O Segundo Fórum da Carne é uma parceria do Instituto Desenvolve Pecuária com a Cooperativa Agropecuária e Industrial (Cotrijal) e a Cotripal Agropecuária Cooperativa, com o apoio da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS).

Fonte: Assessoria Expodireto Cotrijal
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Bovinos / Grãos / Máquinas

Baixa oferta de trigo com qualidade no Brasil eleva importações 

Ainda que muitos agentes de moinhos se mostrem abastecidos, os compradores ativos no spot estão em busca de trigo com qualidade superior

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Foto: José Henrique Chagas

Em meio à baixa oferta de trigo com qualidade no mercado doméstico, as importações brasileiras do cereal estão aquecidas. Até a terceira semana de fevereiro, as compras nacionais do produto somavam 383,95 mil toneladas, acima das 291,63 mil toneladas adquiridas em todo o mês de fevereiro do ano passado – dados Secex.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ainda que muitos agentes de moinhos se mostrem abastecidos, os compradores ativos no spot estão em busca de trigo com qualidade superior – no entanto, o clima desfavorável prejudicou o desenvolvimento da safra brasileira, elevando a importação do produto, sobretudo de países do Mercosul.

Do lado vendedor, produtores estão focados no planejamento de área para a nova temporada. Pesquisadores do Cepea ressaltam que as perdas de produtividade observadas em anos recentes e os preços internos operando nos menores patamares desde 2020 podem desestimular a semeadura de trigo.

Fonte: Cepea
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