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Análise de mercado traz os impactos da pandemia do Coronavírus na produção de suínos
Preocupação dos suinocultores abrange preço do suíno vivo, custos de produção e demanda interna de carne suína

O primeiro caso notificado de Covid-19 no Brasil ocorreu no final de fevereiro, em São Paulo. Porém, só a partir da terceira semana de março, quando as medidas de isolamento social e fechamento do comércio iniciaram em grandes centros consumidores brasileiros, é que os suinocultores começaram a identificar as mudanças, como por exemplo, a queda do preço do suíno vivo (Gráfico 1).
Essa queda de preço se deve à redução do consumo do mercado interno, com o fechamento ou redução da demanda de bares e restaurantes e as restrições à realização de festas e eventos. A diminuição do consumo afetou especialmente os frigoríficos de médio e pequeno porte e o “mercado de porta” que em várias regiões do Brasil tiveram o abate reduzido em até 20%, segundo alguns relatos. Embora seja uma realidade nacional, os mercados mineiro e paulista foram relativamente mais afetados, o que chegou a determinar uma situação incomum, durante alguns dias, de preços pagos nestas praças abaixo dos valores pagos nos estados do sul.

Gráfico 1. Evolução preço do suíno vivo (R$/kg vivo), em cinco estados (MG, SP, PR, RS e SC), nos últimos 30 dias (até 07/04/2020). Fonte: CEPEA.
A expectativa é de que esta redução significativa na demanda e, consequentemente, no preço pago ao produtor seja, em parte, transitória, pois para as próximas semanas é prevista uma gradativa flexibilização das medidas restritivas ao comércio e circulação de pessoas implementadas pelo ministério da saúde e pelos estados. O fim da quaresma e também a entrada de recursos do “corona voucher”, benefício do governo para trabalhadores autônomos, devem trazer um alento no sentido de aumentar a procura pelas carnes, incluindo a suína.
Além disso, as grandes agroindústrias integradoras e cooperativas mantiveram o abate e, em alguns casos, até aumentaram a produção, como forma de se prevenir para eventuais paradas no futuro próximo. O que causa preocupação é a queda do preço do frango (gráfico 2), a carne mais competitiva em termos de preço e o aumento da demanda (preço) do ovo comercial (a proteína animal mais barata), além da queda significativa de venda de cortes nobres de carne bovina no mercado doméstico.
Estes são sinais claros de redução do poder aquisitivo e da óbvia redução de gastos da população em geral diante de uma crise econômica, ainda sem previsão para terminar. Para se adaptar a esta nova realidade, uma medida importante seria o aumento do fornecimento de produtos de menor valor agregado (in natura) e, consequentemente, mais baratos.

Gráfico 2. Evolução preço do frango congelado (R$/kg), em São Paulo, nos últimos 30 dias (até 07/04/2020). Fonte: CEPEA.
Exportações em bom ritmo e mercado chinês cada vez mais em destaque
Houve um aumento de 33% das exportações de carne suína in natura em relação ao mesmo período do ano passado (Tabela 1). Em março, o volume mensal quase atingiu o recorde histórico de dezembro de 2019, sendo que até a terceira semana de março o ritmo era excelente e indicava fechar o mês com quase 70 mil toneladas. Entretanto, questões de logística (containers e portos) reduziram o ritmo nos últimos dias do mês, fechando em pouco mais de 63 mil toneladas. Espera-se que os volumes de embarques para os próximos meses possam superar este patamar.

Tabela 1, Volumes exportados de carne suína brasileira in natura no primeiro trimestre de 2020 e dados mensais de 2019 (em toneladas). No total do período houve aumento de 33,7% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A China, que teve um crescimento de 184,2% já representa 52,9% das exportações do Brasil. Fonte MDIC
A China vem aumentando significativamente sua participação nas exportações brasileiras. Em 2019, este destino representou pouco mais de 38% dos embarques do Brasil, enquanto em março de 2020 fechou em mais de 55%. Segundo o MBAgro, apesar de relatos do governo chinês de que a oferta de suínos está aumentando na China, os preços do leitão (gráfico 3) e da carne suína seguem altos no país.
A situação da peste suína africana segue sem uma solução definitiva e o déficit de oferta deve continuar muito grande no país. Além disso, a recuperação na oferta chinesa de animais segue limitada pela pandemia do Coronavírus, que resultou em dificuldades no abastecimento de insumos para ração animal e no transporte dos animais das propriedades rurais e granjas aos frigoríficos. Ainda segundo o MBAgro, apesar dos problemas relativos à disseminação da Covid-19 no mundo, as perspectivas para as carnes suína e de frango devem seguir bastante favoráveis.

Gráfico 3. Inflação do preço do leitão na China. Até meados de março de 2020, houve um aumento do preço do leitão de quase 300% em relação ao início de 2019. Fonte: MARA, MBAgro.
Apesar de um aumento muito expressivo das exportações totais de carne suína no primeiro trimestre (33%), as projeções para fechar o ano de 2020 ainda são de um crescimento dos embarques em relação a 2019 entre 15 e 20%. Isto porque, a base de comparação dos três primeiros meses de 2019 foi fora do esperado, com volumes mensais muito abaixo do realizado no restante do ano passado.
Custo de produção está em alta, mas grãos devem baixar
Independente da pandemia, a expectativa já era de um ano de custo de produção elevado, em função do câmbio valorizado e das demandas interna e externa de milho e soja. Justamente nas semanas em que o preço do suíno despencou o milho e a soja (gráficos 4 e 5), atingiram preços recorde, sendo que o farelo de soja chegou a ser vendido a mais de R$ 1.700 reais a tonelada em algumas praças.

Gráfico 4. Preço do milho, saca de 60kg (Campinas-SP), nos últimos 30 dias (até 07/04/20). Fonte CEPEA

Gráfico 5. Preço da soja, saca de 60kg (Paraná), nos últimos 30 dias (até 07/04/20). Fonte CEPEA
A colheita da primeira safra de milho, já bastante adiantada (tabela 2), aliada à queda vertiginosa dos combustíveis que desvalorizou o etanol e, consequentemente reduziu a viabilidade do milho para este fim, fizeram com que a curva ascendente do preço do milho sofresse uma inflexão e agora o que se vê é a queda gradativa nos preços deste insumo. Como a exportação do milho brasileiro no primeiro semestre é relativamente baixa, a tendência é que haja mais queda no preço do milho, pelo menos até o final da primeira safra, em mais algumas semanas.

Tabela 2. Percentual colhido da área da primeira safra de milho 2019/20. Até o final de março 59% já estava colhido. Fonte: S&M e MBAgro
Com relação à segunda safra de milho, prevista para iniciar em maio, a expectativa de boa produtividade se mantém, com o clima estável em termos de regime de chuvas nas maiores regiões produtoras desta safra.
Sobre a área de plantio de grãos nos Estados Unidos, a USDA divulgou as primeiras projeções oficiais. O relatório trouxe uma área de soja de 33,8 milhões de hectares (10% maior que a área de 2019). Para o milho, a área estimada foi de 39,3 milhões de hectares (8% maior que a da safra 2019). Se o clima norte-americano ajudar, este aumento de safra nos EUA deverá reduzir os preços internacionais destes grãos no segundo semestre de 2020. Em suma, ainda será um ano de custo de produção elevado, mas os preços recordes dos grãos atingidos há alguns dias não se sustentam e não devem se repetir, pois os indicadores climáticos e de oferta e demanda interna e externa determinam uma tendência de acomodação dos preços em níveis relativamente mais baixos.
Na visão do presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes, não há perspectivas precisas quanto ao tempo de duração da crise nas atividades econômicas e seus desdobramentos. Para ele, o importante neste momento é direcionar atenção e esforços para a proteção da saúde de colaboradores, adotando as medidas recomendadas e orientando-os quanto às condutas mais seguras no ambiente de trabalho, no transporte e em casa.
“Não podemos entrar em pânico. Se tem um setor que é essencial e que deverá ser fundamental não somente no combate à pandemia, mas também na recuperação da economia mundial pós pandemia este é o setor da alimentação. É possível que haja uma queda no poder aquisitivo da população brasileira em decorrência da inevitável crise econômica e isto exigirá criatividade do setor, investindo, dentre outras medidas, no aumento da participação de produtos in natura, mais acessíveis, no varejo”, explicou.
Marcelo ainda aponta que no mercado externo o grande déficit de proteína animal, capitaneado pela China, permanece e é um importante canal de escoamento da produção brasileira de carnes. Ele também alerta para os cuidados com os custos de produção: “Não é momento para gastos supérfluos. Quem tiver caixa sairá mais rapidamente e com menos sequelas desta crise, que pode ser profunda, mas estamos confiantes de que vai passar”.

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Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo
Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação
A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como acessar
O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.
A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo
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Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras
Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.
“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.
“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.
Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay.
Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.
“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.
Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.
O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.
Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.
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EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil
Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação
A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.
Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.
Brasil entre os países com maior alíquota proposta
Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.
A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação
dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.
Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.
Instrumento de pressão comercial
A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.
A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.
Consulta pública antes da decisão final
As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.
As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.
Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.



