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Suínos / Peixes

Alta densidade é desafio, mas tem solução

Questão preocupa principalmente na fase de terminação; manejo correto e diferenciado é solução para evitar maiores problemas

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Com o auxílio da tecnologia se tornou possível que o suinocultor aumentasse o número de leitões desmamados/fêmea/ano (DFA). Mas, com isso, surgiu um desafio que vem sendo enfrentando pelos agentes da suinocultura nos últimos anos: a alta densidade das granjas. Problemas com espaço, nutrição e sanidade acabaram se tornando comuns devido a esta questão. Se não tratada de forma correta, com um manejo adequado, as perdas do produtor podem ser altas.

É sabido que o melhoramento genético das últimas décadas focou em aumento da produtividade como, por exemplo, aumento do número de leitões por fêmea por ano, melhoria da taxa de mortalidade e, por consequência, melhor bem-estar dos animais. “Este melhoramento é importante para produção de um produto de qualidade e de preço adequado para o consumidor, especialmente com o aumento nos preços dos insumos de produção ao longo do tempo. A média de leitões desmamados/fêmea/ano, que em 2008 era de 27, em 2017 subiu para 33 em granjas brasileiras”, comenta a médica veterinária e mestranda do Setor de Suínos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Fiorin Hernig.

A profissional comenta que estas melhorias trouxeram, no entanto, um desafio caracterizado pelo aumento no número de animais no plantel, o que exige investimentos em construção de novas instalações, gerando despesas e preocupações com o espaço disponível nas propriedades. “Além disso, existem regulamentações e limites em relação a quantidade de animais e dejeto produzido em cada área de acordo com a qualidade de terra disponível. Este desafio é muitas vezes solucionado alojando-se mais animais por baia (aumento na densidade) e reduzindo-se o tempo entre lotes”, diz.

Ela explica que, entretanto, ao aumentar a densidade das baias, é preciso mensurar adequadamente alguns desafios sanitários e zootécnicos que serão enfrentados, além da manutenção do bem-estar dos animais. “Para tal, é importante avaliar não só o espaço de baia por animal, mas a quantidade de animais por cocho e por bebedouros. Alguns produtores têm trocado os comedouros por modelos mais largos e adicionado mais bebedouros por baia para manter as recomendações das empresas de melhoramento genético”, conta.

Luciana acrescenta que em alguns momentos, a melhoria nas taxas de prenhez e parto, por exemplo, podem ocasionar um percentual de fêmeas gestantes superior ao espaço disponível nas baias, aumentando a densidade e gerando prejuízos aos animais, principalmente em casos onde o piso é em maior parte compacto. “Outra preocupação é com o espaço disponível nas gaiolas de maternidade, bem como nas baias de creche, recria e terminação, tendo em vista que o número de leitões nascidos vivos aumentou em média de 12 para 14, entre 2008 e 2017, nas granjas brasileiras”, sustenta.

A dificuldade em se fornecer o espaço adequado pode ser um problema em todas as fases de criação, isso porque o planejamento na construção de uma granja é adequado para um plantel e índices produtivos pré-definidos, o que não atende ao aumento do número de animais e melhoria na produtividade, explica a médica veterinária. Ela acrescenta que, no entanto, o sucesso na produção depende diretamente de uma boa gestão. “A crescente preocupação com o bem-estar animal na produção tecnificada trouxe à tona discussões, entre outros temas, sobre o espaço ideal para criação dos animais e reforçou a necessidade de se estudar, conhecer e respeitar a densidade e lotação”, comenta.

Segundo a médica veterinária, a fase que o produtor enfrenta maiores dificuldades com alta densidade é o final da terminação, já que ainda que seja respeitado o número de suínos por metro quadrado, é a fase onde se tem maior quantidade de quilos por metro quadrado. “O que alguns produtores fazem para evitar ou minimizar esta situação é o que é conhecido como “abate parcelado”, quando os animais mais pesados são enviados para o abate algumas semanas antes dos próximos mais pesados, e assim por diante”, conta.

Quais os danos e o que fazer

Luciana explica que, primeiramente, para evitar maiores danos, os produtores devem conhecer os índices produtivos verdadeiros da sua granja e a capacidade física das suas instalações, respeitando o espaço necessário de acordo com a fase de produção. “Atualmente, há softwares que facilitam o acompanhamento diário dos dados, gerando médias e gráficos que possibilitam a tomada de decisões rapidamente. Desta forma, pode-se organizar os lotes respeitando-se os manejos sanitários”, informa.

A pesquisadora diz que no caso de se optar por um aumento na lotação das baias, o sucesso depende de um bom planejamento prévio, pois o produtor poderá apensar tomar a decisão e arcar com consequências negativas, ou ter ciência de que precisa fornecer o máximo conforto aos animais, para que eles desempenhem seu potencial nestas condições, provendo bons resultados à granja.

É preciso ainda, de acordo com a médica veterinária, estar atento ao fato de que o maior contato entre os animais, pela proximidade, facilita a transmissão de patógenos, o que dificulta na prevenção e erradicação de doenças. Ela explica, que há ainda a dificuldade na identificação de animais doentes e tratamento, podendo levar ao aumento na mortalidade.

“Outro ponto chave é o cuidado com a ambiência adequada aos animais, nas diferentes fases, considerando a temperatura ideal. Além disso, há a necessidade de renovação do ar dentro das instalações, evitando o acúmulo de poeira e gases, que prejudicam o trato respiratório, provocam e exacerbam quadros clínicos”, destaca. Luciana afirma que, entretanto, quando os pontos críticos são bem mapeados previamente e se tem claras as formas de preveni-los e solucioná-los através de manejos diários na granja, o produtor consegue atingir suas metas com sucesso.

Nas gestantes

A médica veterinária destaca ainda que quando se trata de fêmeas gestantes, se criadas sob alta densidade, sem que se tenha um planejamento adequado, elas podem não desfrutar do espaço necessário para o bem-estar, mas, principalmente, disputam por comida e para acessar bebedouros. “Isto se agrava quando o fornecimento de ração não é bem distribuído na baia, ou não é limpa adequadamente (preocupação maior onde o piso é em maior percentual compacto), pois restringe o acesso ao alimento, bem como ele pode se misturar a sujidades”, conta.

Além do mais, Luciana diz que pisos sujos podem propiciar quadros de infecção no trato reprodutivo e/ou urinário, como cistites, descargas vulvares e abortos. “Outra preocupação é com o número de bebedouros por fêmea ou a vazão inadequada de água (ideal: 1,5 a 2,0 litros/minuto), pois o baixo consumo de água pode ocasionar problemas urinários e, por consequência, reprodutivos, culminado com quadros de abortos”, diz.

Nesse sentido, a médica veterinária conta que é possível optar por medidas como a troca de pisos compactos por vazados, quando possível, o que facilita a higienização das baias. Além do mais, é possível ainda aumentar o número de bebedouros e de espaço linear nos comedouros das baias – como comedouros mais largos, que possibilitem que um maior número de animais tenha acesso a ração simultaneamente –, facilitando o acesso e reduzindo as disputas. “Estas ações envolvem menor custo que ampliações das construções e promovem bons resultados”, explica. Ela acrescenta que outro ponto importante é o cuidado com a ambiência, promovendo temperatura, ventilação e umidade adequadas, e promovendo a renovação de ar da sala, o que pode ser obtido com manejos de cortinas adequados, por exemplo.

Luciana explica que é preciso ainda se atentar para os aspectos comportamentais dos animais. “É sabido que os suínos manifestam um comportamento de hierarquia no grupo e, desta forma, fêmeas submissas podem ser prejudicadas, deixando de consumir a quantidade de ração diária adequada para a fase, consumindo pouca água no dia e sofrendo injúrias durante as brigas, podendo até sofrer lesões mais graves”, destaca. Assim, esclarece, é observado, por exemplo, casos de abortos, fêmeas que chegam vazias ao parto (abortos não detectados nas baias) e/ou fêmeas lesionadas principalmente nos membros, que apresentam dificuldade em se locomover.

E complementa que é sabido também que para fêmeas gestantes, deve haver a preocupação em relação a mistura de animais de diferentes linhagens/genéticas, tendo em vista que há diferenças inerentes a isso. “Algumas linhagens genéticas de suínos apresentam maior agressividade na disputa pela hierarquia, o que pode se agravar quando o espaço na baia é reduzido. Deve então separar as fêmeas por: 1) categoria, por exemplo, leitoas e porcas, e 2) por condição corporal, com o objetivo de melhorar a interação entre elas”, destaca.

Outro manejo sugerido pela médica veterinária é a remoção de fêmeas mais agressivas das baias, assim que elas são identificadas, transferindo-as para gaiolas e promovendo melhor ambiente entre as remanescentes. “Hoje há linhas de estudos voltadas ao comportamento dos animais que alegam que o fornecimento de enriquecimento ambiental pode reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida dos animais. Neste caso, é indicado uso de materiais com os quais os leitões e até fêmeas possam interagir, distraindo-se, o que reduziria as brigas e disputas, como correntes suspensas, bolas de material resistente, entre outros”, conta.

Leitões em fase de creche e terminação

Luciana expõe que quando se pensa em leitões nas fases de creche, recria e terminação, é observado o mesmo caso de redução de acesso aos comedouros e bebedouros por parte dos animais submissos e/ou menores. “Este quadro pode culminar com baixo desenvolvimento destes animais, baixo consumo diário de ração, queda no ganho de peso diário e peso final”, diz. Outra preocupação, segundo a médica veterinária, é com os possíveis quadros de canibalismo. “Isto porque, provendo de menor espaço para se locomover e explorar o ambiente, os suínos praticam este comportamento de mordedura, o que se exacerba com o crescimento destes e, além das lesões iniciais, pode se agravar com a disseminação de agentes e aparecimento de abscessos na coluna, por exemplo”, esclarece.

Ela conta que as mesmas medidas já mencionadas para as fêmeas gestantes, relacionadas ao piso, comedouros e bebedouros, devem ser aplicadas nas baias de creche, recria e terminação. “Na creche ainda, quando se tem um ambiente com alta carga de patógenos associado às lesões na pele, pode-se observar quadros de epidermites, mas que se respeitados os protocolos de higienização e manejos básicos, raramente ocorrerão”, diz.

Uma opção praticada em lotes de terminação, de acordo com Luciana, é o abate segregado, que consiste na remoção de percentual de animais com maior peso cerca de 15 dias antes da data prevista para o abate, com o intuito de promover melhores condições aos que permanecem na instalação, já que eles desfrutam então de mais espaço na baia, assim como maior facilidade de acesso ao comedouro e bebedouro. “Deve-se atentar, no entanto, para algumas dificuldades, como, por exemplo, a logística de transporte, o jejum preconizado ao abate para os animais removidos e as datas do protocolo de imunocastração quando praticado”, observa.

Prejuízos também são financeiros

Luciana comenta que a densidade ideal vai variar em cada sistema de produção e granjas. “Fatores que vão influenciar são: quantidade e qualidade dos comedouros e bebedouros disponíveis, status sanitário, qualidade do manejo dos animais, ajuste dos comedouros, qualidade e níveis da dieta, genética, tipos de pisos, entre outros”, afirma. Ela complementa que o aumento da densidade pode aumentar ou diminuir a lucratividade dos produtores, dependendo de como for abordado. “É importante consultar o veterinário responsável para se obter as melhores recomendações para a sua granja”, recomenda.

A médica veterinária destaca ainda que é preciso ter em mente que a suinocultura apresentou uma evolução considerável nos últimos anos, ou seja, o aumento no número de animais, e, por consequência, na densidade, mesmo sem investimentos em ampliação das instalações, foi conquistado pela maioria dos produtores com boas práticas de produção e seguindo orientações dos veterinários responsáveis, o que é representado pelo maior número de desmamados/fêmea ano, bem como pela redução em índices de mortalidades.

Além do mais, tendo em vista que a suinocultura vem apresentando uma evolução nos resultados, com investimentos em tecnologia, genética, manejo e nutrição, por exemplo, algumas linhas de pesquisa têm sido voltadas para atualização de recomendações antigas, como o espaço na creche e espaço linear de comedouros, por exemplo, explica Luciana. “Além disso, com a melhoria da tecnologia de vídeo associada à inteligência artificial já se discute a respeito de se selecionar animais menos agressivos dentro de algumas linhagens genéticas, com intuito de reduzir as disputas/brigas, o que possibilitaria a melhoria no bem-estar em casos de alojamento baias coletivas”, destaca.

Solução está no manejo

Os problemas com a alta densidade não passam mais despercebidos pelos olhos dos profissionais da área. De acordo com o gerente de Divisão Pecuária da Cooperativa Agroindustrial Lar, médico veterinário Dirceu Zotti, de forma geral as granjas estão produzindo mais e isso está gerando este problema, e o manejo pode contribuir para a melhoria de resultados neste contexto. “Podemos melhorar as condições gerais de limpeza, aumentar o fornecimento de bebedouros e comedouros conforme número específico de animais, usar programa diferenciado de vacinações, melhorar ventilação e/ou climatização dos barracões, aumentar a dedicação específica dos funcionários em determinadas áreas de maior atenção, como por exemplo, na maternidade e na área de coberturas na gestação. Estes seriam alguns dentre vários outros que podemos lançar mão neste momento específico”, comenta.

De acordo com o profissional, sem dúvidas a sanidade é também um ponto que merece atenção. “Quanto mais adensado trabalhamos, mais propenso a diminuir nossa sanidade estaremos. Por isso a importância de lançarmos mão de alguns manejos diferenciados neste momento”, comenta. Para Zotti, entre outras medidas adotadas pelo suinocultor, ele pode ajustar o plantel conforme a produtividade. “Ou seja, diminuir o número de fêmeas por exemplo, para que o número de leitões na creche seja conforme o recomendado. Ou então aumentar o tamanho da granja para atender esta necessidade de espaço, conforme o projeto de número de matrizes”, aconselha. “Minha forma de ver a questão do adensamento é que isso deve ser um problema momentâneo, caso contrário poderemos ter sérios prejuízos ao longo prazo”, alerta.

O médico veterinário reitera que esta realidade da alta densidade nas granjas deve ser encarada de forma natural em determinado momento, e jamais como rotina ao longo do tempo. “Pois, se não tivermos condições adequadas, perderemos em desempenho”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suínos / Peixes

Piscicultura brasileira produziu 722.560 toneladas em 2018, segundo levantamento da Peixe BR

Paraná mantém-se na liderança entre os estados produtores de peixes de cultivo, com 129.900 toneladas em 2018

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Foto: O Presente Rural

O Brasil produziu 722.560 mil toneladas de peixes de cultivo em 2018. Esse resultado é 4,5% superior ao de 2017 (691.700 t). A informação é da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) e faz parte do Anuário da Piscicultura Brasileira – edição 2019, que acaba de ser publicado.

A tilápia é a mais importante espécie de peixes cultivados do Brasil. Segundo levantamento exclusivo da Peixe BR, a espécie teve crescimento de 11,9% em relação ao ano anterior (2017), com 400.280 toneladas produzidas em 2018, representando (55,4%) da produção brasileira de peixes de cultivo.

Segundo o anuário da Peixe BR, a categoria de peixes nativos representou em 2018 cerca de 39,84% (287.910 toneladas) da produção total, liderados pela espécie tambaqui.

A publicação traz ainda o potencial de crescimento de outras espécies de peixes de cultivo, como carpa, panga e truta, dentre outras, que em 2018 totalizaram produção de 34.370 toneladas e responderam por 4,6% no âmbito nacional.

“Esse sucessivo crescimento da piscicultura brasileira, principalmente da tilápia, mostra que nosso país tem trabalhado com excelência e que o seu potencial pode ser expandido ainda mais. O futuro para a atividade é extremamente promissor e devemos superar os gargalos – especialmente a questão ambiental, além da cessão de águas da União e o aumento do consumo – para atingir esse objetivo”, diz Francisco Medeiros, presidente executivo da Peixe BR.

 

Brasil, 4º maior produtor global de Tilápia

A produção brasileira de tilápia foi de 400.280 toneladas em 2018, de acordo com levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Esse resultado coloca o Brasil entre os quatro maiores produtores do mundo, atrás de China, Indonésia e Egito, e à frente de Filipinas e Tailândia.

O Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil, com 123.000 toneladas. A espécie participa com 94% da produção total de peixes cultivados do estado. A tilápia também está presente com força em São Paulo. Nada menos do que 95% da produção do estado – equivalentes a 69.500 t – são da espécie.

O terceiro maior produtor de tilápia do Brasil é Santa Catarina, com 33.800 t (74% do total). Depois vêm Minas Gerais, com 31.500 t (95% do total), e Bahia, com 24.600 t (81% do total). Juntos, os cinco estados maiores produtores de tilápia do Brasil representam aproximadamente 65% da produção nacional.

 

Paraná é maior produtor de peixes de cultivo do Brasil

Paraná mantém-se na liderança entre os estados produtores de peixes de cultivo, com 129.900 toneladas em 2018. O aumento foi de 16% em relação a 2017.

A segunda posição pertence a São Paulo, que assumiu o posto ao totalizar 73.200 mil toneladas e crescer 5,3% sobre o resultado de 2017. A terceira posição ficou com Rondônia. O estado atingiu a produção de 72.800 toneladas, com declínio de 5,4% sobre o ano anterior. A quarta posição no ranking estadual permanece com Mato Grosso, que atingiu 54.510 toneladas em 2018. Já Santa Catarina continua na 5ª posição, com produção de 45.700 toneladas de peixes cultivados, resultado 2,7% superior quando comparado a 2017.

 

Rondônia lidera produção de peixes nativos

Rondônia, Roraima e Pará (região Norte), Mato Grosso (região Centro-Oeste) e Maranhão (região Nordeste) são os maiores produtores de peixes nativos do Brasil. A pesquisa da Peixe BR não detalha, em percentual, as espécies nativas mais produzidas, porém a liderança é do tambaqui, pirapitinga, pacu e seus híbridos, principalmente tambatinga.

Rondônia lidera o ranking, com 100% de sua produção (72.800 mil t) de espécies nativas. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 52.000 t (97% do total). Na sequência, vêm Maranhão, com produção de peixes nativos de 35.200 t (90,1% do total do estado). Na quarta posição está o Pará, com 22.600 t (95,2%), e Roraima na quinta colocação, com 17.100 t (100%).

Os cinco estados, juntos, representam 69,3% da produção total de peixes nativos, lembrando que estas espécies estão mais disseminadas pelo Brasil – especialmente pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Piscicultura cresce

Pesquisa retrata principais polos de criação de tilápia do Brasil

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais

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Arquivo/OP Rural

Um trabalho de pesquisa inédito, em metodologia e alcance, reunirá dados sobre a cadeia produtiva do peixe mais cultivado do Brasil, a tilápia (Oreochromis niloticus). O estudo faz parte do projeto “Ações estruturantes e inovação para o fortalecimento das cadeias produtivas da aquicultura no Brasil (BRS Aqua)”.

Por meio de um questionário on-line, poderão participar da pesquisa produtores dos dez maiores polos nacionais de produção da espécie: oeste do Paraná; norte do Paraná; Vale do Itajaí; Ilha Solteira (divisa entre SP e MS); submédio São Francisco (divisa entre PE, BA e AL); Reservatório Boa Esperança (PI); Serra da Mesa e Cana Brava (GO); Três Marias (MG); Furnas (MG); e Reservatórios Orós e Castanhão (CE). Juntos, eles representam mais de 60% da produção nacional de tilápia.

A ideia é coletar informações como custos de produção, disponibilidade de crédito, tecnologias utilizadas, acesso aos mercados, nível de qualificação da mão de obra local, disponibilidade de insumos e equipamentos e até as condições de infraestrutura na região, como a existência de estradas e o acesso a energia elétrica.

A previsão é que esse trabalho de coleta termine em março e o processamento das informações seja concluído no segundo semestre deste ano. Haverá uma segunda etapa com questionário voltado para a indústria de pescado. Com os dados a serem divulgados, os pesquisadores querem entender melhor como estão organizados cada um desses polos produtivos e poderão subsidiar a elaboração de políticas públicas voltadas à piscicultura.

Um projeto para impulsionar a aquicultura nacional

O BRS Aqua reúne ações de pesquisa e de transferência de tecnologia, envolve mais de 20 Unidades da Embrapa, cerca de 270 empregados da empresa e recursos financeiros de diferentes fontes.

São quase R$ 45 milhões do Fundo Tecnológico (Funtec) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 6 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) (que estão sendo executados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o CNPq) e, como contrapartida, outros R$ 6 milhões da própria Embrapa. A tilápia é uma das quatro espécies que estão sendo trabalhadas no âmbito do projeto, que também tem ações com tambaqui, camarão cinza e bijupirá.

Abordagem quantitativa é inovadora

Na primeira etapa da pesquisa, participarão os piscicultores. Foi elaborado um questionário específico para eles, com questões cujas respostas vão permitir traçar um panorama dessas regiões produtoras também do ponto de vista quantitativo. “Essa metodologia é inovadora por incorporar indicadores quantitativos que permitem melhor comparação entre os polos estudados. Haja vista que a maioria dos estudos de cadeia de valor são essencialmente qualitativos. Além disso, estudos dessa natureza em aquicultura são inéditos no Brasil e mesmo no exterior”, conta o coordenador desse trabalho, Manoel Pedroza, pesquisador da área de Economia da Embrapa Pesca e Aquicultura (TO).

O cientista conta que, em etapa posterior, o trabalho será expandido a outros atores da cadeia de valor da tilápia – com atuação na indústria. O presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, a PeixeBR, Francisco Medeiros, afirma que “o conhecimento dos principais polos de produção não tem importância somente para os produtores, mas também para toda a indústria, de ração, processamento de pescado, fármacos, aditivos e equipamentos”.

Ele defende a necessidade de esse tipo de trabalho ser permanente. “Nós da cadeia de produção da piscicultura necessitamos de informações mais detalhadas de mercado, dados que sejam acompanhados regularmente, para que possamos planejar melhor o nosso negócio, avaliar o que estamos fazendo e tomar decisões a curto, médio e longo prazos baseados em dados e não em suposições. Portanto, se faz necessário que esse trabalho seja contínuo”, coloca.

Como participar

Neste primeiro momento, para que os dados coletados retratem adequadamente como se organiza cada um dos dez polos produtivos trabalhados, os pesquisadores pedem o envolvimento dos produtores. Os interessados em participar da pesquisa podem acessar este link. As respostas são rápidas.

O produtor se beneficiará dos dados coletados

Pedroza entende que, ao conhecer tanto os fatores positivos como os negativos de seu polo de atuação, o piscicultor poderá planejar melhor suas atividades, otimizando as vantagens e minimizando os gargalos do próprio polo produtivo. Dessa maneira, será possível aproveitar melhor as condições favoráveis da região e cobrar das instituições responsáveis a solução de problemas que estejam atrapalhando a expansão sustentável da atividade.

Subsídio para políticas públicas

O trabalho também vai contribuir com a gestão pública e as instituições responsáveis pela formulação de políticas para o setor. O pesquisador da Embrapa acredita que os dados a serem obtidos vão permitir a identificação dos principais fatores que afetam o desenvolvimento da atividade, tanto os que o impulsionam, como os que o dificultam. “A partir dessas informações, será possível orientar as políticas públicas que de fato apoiem os produtores, evitando assim erros históricos ligados a investimentos públicos mal planejados”, analisa. Questões ligadas à utilização de águas da União para a produção em tanques-rede, por exemplo, poderão ser resolvidas conhecendo-se melhor a atuação profissional dos produtores.

Pedroza ressalta que o projeto não pretende fazer uma classificação ou ranqueamento entre os polos. A proposta é entender o que cada região oferece aos produtores ali localizados sejam condições favoráveis ou não à atividade.

Produção de tilápia no Brasil

De acordo com dados de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a tilápia continua sendo a espécie de peixe mais criada no país. Naquele ano, a espécie foi responsável por 58,4% da produção nacional da piscicultura. Esse volume é mais de três vezes maior que o da segunda espécie mais criada no país, o tambaqui (Colossoma macropomum), que respondeu por 18,2% da produção nacional de 2017. Entre as regiões geográficas, o Sul do Brasil permaneceu na liderança, produzindo 42% da tilápia brasileira; em seguida, vêm o Sudeste e o Nordeste. Os estados que mais produziram foram Paraná, São Paulo e Minas Gerais. As informações são do estudo Produção da Pecuária Municipal, divulgado anualmente pelo IBGE.

Fonte: Embrapa Pesca e Aquicultura
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Suínos / Peixes Nutrição suína

Estratégias nutricionais para fêmeas suínas em gestação

Fatores como nutrição, manejo, mão de obra, ambiência e doenças afetam os parâmetros produtivos das granjas de suínos

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 Artigo escrito por Adsos Adami dos Passos, médico Veterinário, Msc & Phd e gerente de Suínos América Latina na DSM

Os parâmetros produtivos das granjas de suínos foram significativamente alterados nos últimos anos. O número de leitões nascidos vivos por parto passou de 11,4 em 2007 para 12,9 em 2017 e o número de nascidos vivos por fêmea por ano cresceu de 27,0 em 2008 para 30,5 em 2017. Entretanto, a taxa de mortalidade de leitões durante a lactação também aumentou, passando de 7,8% para 8,4% durante o período compreendido entre 2007 e 2017. As fêmeas que produzem maior número de leitões por leitegada tendem a produzir leitões de menor peso, com menor taxa de sobrevida, o que afeta negativamente os índices produtivos das granjas.  Fatores como nutrição, manejo, mão de obra, ambiência e doenças afetam os parâmetros produtivos das granjas de suínos. O texto a seguir discutirá a produtividade das fêmeas suínas considerando a perspectiva nutricional. O objetivo do texto é indicar ferramentas nutricionais que podem melhorar a produtividade das fêmeas, ajudando a mitigar o impacto do baixo peso ao nascer dos leitões.

Requerimentos nutricionais

O NRC é uma referência para os requerimentos nutricionais de suínos e seu modelo matemático permite ajustar os níveis nutricionais fornecidos aos animais de acordo com diferentes parâmetros produtivos. Para fêmeas suínas em gestação (165 kg de peso vivo, 60 kg de ganho de peso durante a gestação e 13,5 leitões produzidos) a recomendação é a ingestão de 6.298 quilocalorias e 8,5 gramas de lisina por dia. A edição anterior de 1998 recomendava a ingestão diária de 6.015 quilocalorias e 8,2 gramas de lisina para fêmeas em gestação (175 kg de peso vivo, 45 kg de ganho de peso e 12 leitões produzidos). Houve, portanto, um ajuste dos requerimentos de energia e lisina para fêmeas teoricamente mais produtivas.

O modelo do NRC também permite analisar os requerimentos nutricionais durante as fases da gestação. Os requerimentos de energia e proteína aumentam à medida que a gestação avança devido ao crescimento dos fetos e do tecido mamário. No início da gestação as fêmeas devem ingerir cerca de 6.000 quilocalorias por dia e ao final da gestação, cerca de 7.000 quilocalorias. Na gestação, os teores necessários de proteína passam de 60 gramas por dia no primeiro dia de gestação para 150 gramas por dia ao final da gestação. O aumento dos requerimentos de energia e proteína para fêmeas gestantes ocorrem principalmente após 90 dias de gestação, período em que há um aumento acentuado da demanda para os fetos e tecido mamário.

Entretanto, o aumento nos requerimentos de energia e proteína não são proporcionais. O requerimento de energia aumenta 1,2 vezes entre o início e o final da gestação, enquanto o requerimento de proteína aumenta 2,5 vezes. Assim, uma única dieta de gestação não é capaz de atender adequadamente à demanda nutricional de todo o período, sendo necessária a formulação de uma dieta adicional para o período final da gestação. A seguir são apresentadas considerações sobre a adequação nutricional para fêmeas em gestação.

Dieta de gestação

A adequação nutricional se baseia nos requerimentos nutricionais de fêmeas em gestação com 165 kg de peso corporal, 60 kg de ganho de peso durante o período gestacional e 13,5 leitões produzidos. Para esta adequação, a dieta foi simulada para conter 3.170 quilocalorias e 4,6% de digestibilidade ileal aparente de lisina (Lys SID) por kg de ração (dieta com 76% de milho, 13% de farelo de soja, 8% de farelo de trigo e 4% de premix vitamínico e mineral), sendo a lisina o primeiro aminoácido limitante. Os requerimentos nutricionais de fêmeas em gestação são de 6.928 quilocalorias e 9,20 gramas de Lys SID por dia até os 90 dias da gestação. Depois dos 90 dias de gestação, os requerimentos se elevam para 8.181 quilocalorias e 15,10 gramas de Lys SID por dia.

Considerando a dieta mencionada anteriormente e um fornecimento de 2,2 kg de ração ao dia, esta dieta forneceria 6.977 quilocalorias e 10,17 gramas de Lys SID por dia, atendendo portanto a demanda nutricional de fêmeas suínas até os 90 dias de gestação. Caso essa ração fosse fornecida em mesma quantidade para as fêmeas depois dos 90 dias de gestação, haveria uma deficiência de 14% de energia e de 33% de Lys SID. Uma alternativa de adequação energética seria utilizar a mesma dieta, mas fornecer 2,6 kg por dia, elevando assim a energia para 8.246 quilocalorias, atendendo os requerimentos energéticos. O aporte de Lys SID seria de 12,02 gramas ao dia, o que não seria suficiente para atender à maior demanda proteica dos fetos em crescimento, resultando em uma deficiência de 20% em relação aos requerimentos proteicos. Por outro lado, a adequação nutricional poderia considerar a Lys SID e utilizar a mesma dieta; neste caso, o fornecimento de 3,3 kg de ração ao dia resultaria em um consumo diário de 15,26 gramas de Lys SID, atendendo as necessidades proteicas, mas o inconveniente seria a oferta de um excesso de 28% de energia, que seria de 10.466 quilocalorias por dia.

Dieta de lactação

Algumas granjas utilizam como prática fornecer ração de lactação para fêmeas em período final de gestação. A ideia de oferecer dietas de lactação para fêmeas em gestação foi baseada em uma típica dieta de lactação (65% de milho, 27% de farelo de soja, 2% de farelo de trigo, 2% de óleo de soja e 4% de premix vitamínico e mineral), contendo 3.328 quilocalorias e 7,8 gramas de Lys SID (primeiro aminoácido limitante) por kg de dieta. O fornecimento de 2,0 kg desta dieta resulta em ingestão de 15,6 gramas de Lys SID ao dia, o que satisfaz as necessidades do aminoácido (3,31% acima das necessidades), mas esta dieta fornece apenas 6.656 quilocalorias por dia de energia, o que resulta em uma deficiência de 18,64% em relação aos requerimentos energéticos.

Caso fossem fornecidos 2,5 kg por dia, esta dieta resultaria em ingestão de 8.321 quilocalorias por dia e 19,59 gramas de Lys SID, o que atenderia os requerimentos energéticos (1,71 % acima das necessidades), mas com excesso de Lys SID (30% acima das necessidades nutricionais), resultando em aumento de excreção de nitrogênio e desperdício de proteína.

Dieta pré-parto

A adequação nutricional poderia considerar a formulação de uma dieta específica para o período pré-parto, a ser fornecida a partir dos 90 dias de gestação. Neste caso, a simulação considera uma dieta com 3.182 quilocalorias e 6,2 gramas de Lys SID por kg de ração (70% de milho, 19% de farelo de soja, 7% de farelo de trigo e 4% de premix vitamínico e mineral). O fornecimento de 2,6 kg por dia resultaria em ingestão de 8.272 quilocalorias (1,11% acima da necessidade) e 16,05 gramas de Lys SID (6,35% acima da necessidade), atendendo os requerimentos nutricionais das fêmeas suínas e evitando excessos de energia ou proteína que poderiam resultar em fêmeas mais pesadas ou desperdício de nutrientes. Além disso, possíveis deficiências de aminoácidos seriam evitadas neste período de maior demanda nutricional para crescimento fetal, considerando que a deficiência de lisina depois dos 80 dias de gestação pode resultar em redução do peso da leitegada.

Cálcio e fósforo

Em relação aos requerimentos de minerais, o teor mineral dos fetos aumenta gradativamente ao longo da gestação, aumentando a demanda nutricional de minerais depois dos 90 dias de gestação. Para fêmeas de 165 kg de peso vivo (60 kg de ganho de peso e 13,5 leitões produzidos) os requerimentos de cálcio e fósforo (digestibilidade total e aparente) são de 11,42 e 4,22 gramas por dia, respectivamente. Depois dos 90 dias de gestação os requerimentos de cálcio e fósforo aumentam para 19,31 e 7,25 gramas por dia, respectivamente, e podem ser atendidos fornecendo 2,2 kg por dia de ração de gestação formulada com 0,84% de cálcio e 0,37% de fósforo (digestibilidade total e aparente) até os 90 dias de gestação. No período a partir dos 90 dias de gestação, esses requerimentos podem ser atendidos fornecendo 2,6 kg de dieta formulada com 0,86% de cálcio e 0,38% de fósforo (digestibilidade total aparente).

Ferramentas específicas (vitamina D, arginina e cromo)

Vitamina D

A vitamina D atua na absorção de cálcio e fósforo para a formação do tecido esquelético e muscular, entre outras funções. A suplementação de vitamina D consiste na adição de colecalciferol à ração. O colecalciferol é metabolizado no fígado para formar 25-hidróxi-colecalciferol, que é a forma circulante da vitamina D. A suplementação de vitamina D também pode ser feita através da adição de 25-hidróxi-colecalciferol à dieta. A suplementação de 25-hidróxi-colecalciferol eleva os níveis plasmáticos de vitamina D aumenta a proliferação de mioblastos em fetos suínos e resulta em maior ganho peso dos fetos (26%) aos 90 dias de gestação. A utilização de 25-hidróxi-colecalciferol nas dietas da gestação pode ser uma ferramenta nutricional para melhorar a produtividade das fêmeas.

Cromo

O cromo eleva o número de transportadores de glicose (GluT4) na membrana celular, melhorando o transporte de glicose para as células. Observações demonstram que a suplementação da dieta com 0 a 1.000 ppb de cromo resulta em aumento de 4 a 5% no número de leitões nascidos vivos. O efeito de aumento do tamanho da leitegada do cromo parece estar relacionado a um efeito semelhante ao da insulina no metabolismo da glicose, reduzindo a vida média da glicose na circulação. Também foi demonstrado que a injeção de insulina em leitoas aumenta a taxa de ovulação e o número de leitões.

Arginina

A arginina é um aminoácido sintetizado a partir da glutamina. Em animais jovens (leitoas), essa síntese é insuficiente. Durante a gestação ocorre um acúmulo de arginina no líquido alantoide, a arginina é convertida em óxido nítrico, que possui efeito vasodilatador e pode promover maior irrigação sanguínea uteroplacentária, aumentando assim a transferência de nutrientes para os fetos. A suplementação da dieta de gestação com 1% de arginina HCl resultou em aumento de 24% no número de leitões nascidos vivos.

Conclusão

Considerando os requerimentos nutricionais crescentes de fêmeas suínas ao longo da gestação, as dietas devem ser ajustadas ao longo desse período. A formulação de uma dieta específica para o período após os 90 dias de gestação permite atender à maior demanda de proteína para crescimento fetal e do tecido mamário. Ingredientes como 25-hidróxi-colecalciferol, cromo e arginina podem ter efeito positivo sobre o peso dos leitões ao nascer e sobre o número de leitões nascidos vivos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de janeiro/fevereiro de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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