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Suínos / Peixes

Alta densidade é desafio, mas tem solução

Questão preocupa principalmente na fase de terminação; manejo correto e diferenciado é solução para evitar maiores problemas

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Com o auxílio da tecnologia se tornou possível que o suinocultor aumentasse o número de leitões desmamados/fêmea/ano (DFA). Mas, com isso, surgiu um desafio que vem sendo enfrentando pelos agentes da suinocultura nos últimos anos: a alta densidade das granjas. Problemas com espaço, nutrição e sanidade acabaram se tornando comuns devido a esta questão. Se não tratada de forma correta, com um manejo adequado, as perdas do produtor podem ser altas.

É sabido que o melhoramento genético das últimas décadas focou em aumento da produtividade como, por exemplo, aumento do número de leitões por fêmea por ano, melhoria da taxa de mortalidade e, por consequência, melhor bem-estar dos animais. “Este melhoramento é importante para produção de um produto de qualidade e de preço adequado para o consumidor, especialmente com o aumento nos preços dos insumos de produção ao longo do tempo. A média de leitões desmamados/fêmea/ano, que em 2008 era de 27, em 2017 subiu para 33 em granjas brasileiras”, comenta a médica veterinária e mestranda do Setor de Suínos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciana Fiorin Hernig.

A profissional comenta que estas melhorias trouxeram, no entanto, um desafio caracterizado pelo aumento no número de animais no plantel, o que exige investimentos em construção de novas instalações, gerando despesas e preocupações com o espaço disponível nas propriedades. “Além disso, existem regulamentações e limites em relação a quantidade de animais e dejeto produzido em cada área de acordo com a qualidade de terra disponível. Este desafio é muitas vezes solucionado alojando-se mais animais por baia (aumento na densidade) e reduzindo-se o tempo entre lotes”, diz.

Ela explica que, entretanto, ao aumentar a densidade das baias, é preciso mensurar adequadamente alguns desafios sanitários e zootécnicos que serão enfrentados, além da manutenção do bem-estar dos animais. “Para tal, é importante avaliar não só o espaço de baia por animal, mas a quantidade de animais por cocho e por bebedouros. Alguns produtores têm trocado os comedouros por modelos mais largos e adicionado mais bebedouros por baia para manter as recomendações das empresas de melhoramento genético”, conta.

Luciana acrescenta que em alguns momentos, a melhoria nas taxas de prenhez e parto, por exemplo, podem ocasionar um percentual de fêmeas gestantes superior ao espaço disponível nas baias, aumentando a densidade e gerando prejuízos aos animais, principalmente em casos onde o piso é em maior parte compacto. “Outra preocupação é com o espaço disponível nas gaiolas de maternidade, bem como nas baias de creche, recria e terminação, tendo em vista que o número de leitões nascidos vivos aumentou em média de 12 para 14, entre 2008 e 2017, nas granjas brasileiras”, sustenta.

A dificuldade em se fornecer o espaço adequado pode ser um problema em todas as fases de criação, isso porque o planejamento na construção de uma granja é adequado para um plantel e índices produtivos pré-definidos, o que não atende ao aumento do número de animais e melhoria na produtividade, explica a médica veterinária. Ela acrescenta que, no entanto, o sucesso na produção depende diretamente de uma boa gestão. “A crescente preocupação com o bem-estar animal na produção tecnificada trouxe à tona discussões, entre outros temas, sobre o espaço ideal para criação dos animais e reforçou a necessidade de se estudar, conhecer e respeitar a densidade e lotação”, comenta.

Segundo a médica veterinária, a fase que o produtor enfrenta maiores dificuldades com alta densidade é o final da terminação, já que ainda que seja respeitado o número de suínos por metro quadrado, é a fase onde se tem maior quantidade de quilos por metro quadrado. “O que alguns produtores fazem para evitar ou minimizar esta situação é o que é conhecido como “abate parcelado”, quando os animais mais pesados são enviados para o abate algumas semanas antes dos próximos mais pesados, e assim por diante”, conta.

Quais os danos e o que fazer

Luciana explica que, primeiramente, para evitar maiores danos, os produtores devem conhecer os índices produtivos verdadeiros da sua granja e a capacidade física das suas instalações, respeitando o espaço necessário de acordo com a fase de produção. “Atualmente, há softwares que facilitam o acompanhamento diário dos dados, gerando médias e gráficos que possibilitam a tomada de decisões rapidamente. Desta forma, pode-se organizar os lotes respeitando-se os manejos sanitários”, informa.

A pesquisadora diz que no caso de se optar por um aumento na lotação das baias, o sucesso depende de um bom planejamento prévio, pois o produtor poderá apensar tomar a decisão e arcar com consequências negativas, ou ter ciência de que precisa fornecer o máximo conforto aos animais, para que eles desempenhem seu potencial nestas condições, provendo bons resultados à granja.

É preciso ainda, de acordo com a médica veterinária, estar atento ao fato de que o maior contato entre os animais, pela proximidade, facilita a transmissão de patógenos, o que dificulta na prevenção e erradicação de doenças. Ela explica, que há ainda a dificuldade na identificação de animais doentes e tratamento, podendo levar ao aumento na mortalidade.

“Outro ponto chave é o cuidado com a ambiência adequada aos animais, nas diferentes fases, considerando a temperatura ideal. Além disso, há a necessidade de renovação do ar dentro das instalações, evitando o acúmulo de poeira e gases, que prejudicam o trato respiratório, provocam e exacerbam quadros clínicos”, destaca. Luciana afirma que, entretanto, quando os pontos críticos são bem mapeados previamente e se tem claras as formas de preveni-los e solucioná-los através de manejos diários na granja, o produtor consegue atingir suas metas com sucesso.

Nas gestantes

A médica veterinária destaca ainda que quando se trata de fêmeas gestantes, se criadas sob alta densidade, sem que se tenha um planejamento adequado, elas podem não desfrutar do espaço necessário para o bem-estar, mas, principalmente, disputam por comida e para acessar bebedouros. “Isto se agrava quando o fornecimento de ração não é bem distribuído na baia, ou não é limpa adequadamente (preocupação maior onde o piso é em maior percentual compacto), pois restringe o acesso ao alimento, bem como ele pode se misturar a sujidades”, conta.

Além do mais, Luciana diz que pisos sujos podem propiciar quadros de infecção no trato reprodutivo e/ou urinário, como cistites, descargas vulvares e abortos. “Outra preocupação é com o número de bebedouros por fêmea ou a vazão inadequada de água (ideal: 1,5 a 2,0 litros/minuto), pois o baixo consumo de água pode ocasionar problemas urinários e, por consequência, reprodutivos, culminado com quadros de abortos”, diz.

Nesse sentido, a médica veterinária conta que é possível optar por medidas como a troca de pisos compactos por vazados, quando possível, o que facilita a higienização das baias. Além do mais, é possível ainda aumentar o número de bebedouros e de espaço linear nos comedouros das baias – como comedouros mais largos, que possibilitem que um maior número de animais tenha acesso a ração simultaneamente –, facilitando o acesso e reduzindo as disputas. “Estas ações envolvem menor custo que ampliações das construções e promovem bons resultados”, explica. Ela acrescenta que outro ponto importante é o cuidado com a ambiência, promovendo temperatura, ventilação e umidade adequadas, e promovendo a renovação de ar da sala, o que pode ser obtido com manejos de cortinas adequados, por exemplo.

Luciana explica que é preciso ainda se atentar para os aspectos comportamentais dos animais. “É sabido que os suínos manifestam um comportamento de hierarquia no grupo e, desta forma, fêmeas submissas podem ser prejudicadas, deixando de consumir a quantidade de ração diária adequada para a fase, consumindo pouca água no dia e sofrendo injúrias durante as brigas, podendo até sofrer lesões mais graves”, destaca. Assim, esclarece, é observado, por exemplo, casos de abortos, fêmeas que chegam vazias ao parto (abortos não detectados nas baias) e/ou fêmeas lesionadas principalmente nos membros, que apresentam dificuldade em se locomover.

E complementa que é sabido também que para fêmeas gestantes, deve haver a preocupação em relação a mistura de animais de diferentes linhagens/genéticas, tendo em vista que há diferenças inerentes a isso. “Algumas linhagens genéticas de suínos apresentam maior agressividade na disputa pela hierarquia, o que pode se agravar quando o espaço na baia é reduzido. Deve então separar as fêmeas por: 1) categoria, por exemplo, leitoas e porcas, e 2) por condição corporal, com o objetivo de melhorar a interação entre elas”, destaca.

Outro manejo sugerido pela médica veterinária é a remoção de fêmeas mais agressivas das baias, assim que elas são identificadas, transferindo-as para gaiolas e promovendo melhor ambiente entre as remanescentes. “Hoje há linhas de estudos voltadas ao comportamento dos animais que alegam que o fornecimento de enriquecimento ambiental pode reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida dos animais. Neste caso, é indicado uso de materiais com os quais os leitões e até fêmeas possam interagir, distraindo-se, o que reduziria as brigas e disputas, como correntes suspensas, bolas de material resistente, entre outros”, conta.

Leitões em fase de creche e terminação

Luciana expõe que quando se pensa em leitões nas fases de creche, recria e terminação, é observado o mesmo caso de redução de acesso aos comedouros e bebedouros por parte dos animais submissos e/ou menores. “Este quadro pode culminar com baixo desenvolvimento destes animais, baixo consumo diário de ração, queda no ganho de peso diário e peso final”, diz. Outra preocupação, segundo a médica veterinária, é com os possíveis quadros de canibalismo. “Isto porque, provendo de menor espaço para se locomover e explorar o ambiente, os suínos praticam este comportamento de mordedura, o que se exacerba com o crescimento destes e, além das lesões iniciais, pode se agravar com a disseminação de agentes e aparecimento de abscessos na coluna, por exemplo”, esclarece.

Ela conta que as mesmas medidas já mencionadas para as fêmeas gestantes, relacionadas ao piso, comedouros e bebedouros, devem ser aplicadas nas baias de creche, recria e terminação. “Na creche ainda, quando se tem um ambiente com alta carga de patógenos associado às lesões na pele, pode-se observar quadros de epidermites, mas que se respeitados os protocolos de higienização e manejos básicos, raramente ocorrerão”, diz.

Uma opção praticada em lotes de terminação, de acordo com Luciana, é o abate segregado, que consiste na remoção de percentual de animais com maior peso cerca de 15 dias antes da data prevista para o abate, com o intuito de promover melhores condições aos que permanecem na instalação, já que eles desfrutam então de mais espaço na baia, assim como maior facilidade de acesso ao comedouro e bebedouro. “Deve-se atentar, no entanto, para algumas dificuldades, como, por exemplo, a logística de transporte, o jejum preconizado ao abate para os animais removidos e as datas do protocolo de imunocastração quando praticado”, observa.

Prejuízos também são financeiros

Luciana comenta que a densidade ideal vai variar em cada sistema de produção e granjas. “Fatores que vão influenciar são: quantidade e qualidade dos comedouros e bebedouros disponíveis, status sanitário, qualidade do manejo dos animais, ajuste dos comedouros, qualidade e níveis da dieta, genética, tipos de pisos, entre outros”, afirma. Ela complementa que o aumento da densidade pode aumentar ou diminuir a lucratividade dos produtores, dependendo de como for abordado. “É importante consultar o veterinário responsável para se obter as melhores recomendações para a sua granja”, recomenda.

A médica veterinária destaca ainda que é preciso ter em mente que a suinocultura apresentou uma evolução considerável nos últimos anos, ou seja, o aumento no número de animais, e, por consequência, na densidade, mesmo sem investimentos em ampliação das instalações, foi conquistado pela maioria dos produtores com boas práticas de produção e seguindo orientações dos veterinários responsáveis, o que é representado pelo maior número de desmamados/fêmea ano, bem como pela redução em índices de mortalidades.

Além do mais, tendo em vista que a suinocultura vem apresentando uma evolução nos resultados, com investimentos em tecnologia, genética, manejo e nutrição, por exemplo, algumas linhas de pesquisa têm sido voltadas para atualização de recomendações antigas, como o espaço na creche e espaço linear de comedouros, por exemplo, explica Luciana. “Além disso, com a melhoria da tecnologia de vídeo associada à inteligência artificial já se discute a respeito de se selecionar animais menos agressivos dentro de algumas linhagens genéticas, com intuito de reduzir as disputas/brigas, o que possibilitaria a melhoria no bem-estar em casos de alojamento baias coletivas”, destaca.

Solução está no manejo

Os problemas com a alta densidade não passam mais despercebidos pelos olhos dos profissionais da área. De acordo com o gerente de Divisão Pecuária da Cooperativa Agroindustrial Lar, médico veterinário Dirceu Zotti, de forma geral as granjas estão produzindo mais e isso está gerando este problema, e o manejo pode contribuir para a melhoria de resultados neste contexto. “Podemos melhorar as condições gerais de limpeza, aumentar o fornecimento de bebedouros e comedouros conforme número específico de animais, usar programa diferenciado de vacinações, melhorar ventilação e/ou climatização dos barracões, aumentar a dedicação específica dos funcionários em determinadas áreas de maior atenção, como por exemplo, na maternidade e na área de coberturas na gestação. Estes seriam alguns dentre vários outros que podemos lançar mão neste momento específico”, comenta.

De acordo com o profissional, sem dúvidas a sanidade é também um ponto que merece atenção. “Quanto mais adensado trabalhamos, mais propenso a diminuir nossa sanidade estaremos. Por isso a importância de lançarmos mão de alguns manejos diferenciados neste momento”, comenta. Para Zotti, entre outras medidas adotadas pelo suinocultor, ele pode ajustar o plantel conforme a produtividade. “Ou seja, diminuir o número de fêmeas por exemplo, para que o número de leitões na creche seja conforme o recomendado. Ou então aumentar o tamanho da granja para atender esta necessidade de espaço, conforme o projeto de número de matrizes”, aconselha. “Minha forma de ver a questão do adensamento é que isso deve ser um problema momentâneo, caso contrário poderemos ter sérios prejuízos ao longo prazo”, alerta.

O médico veterinário reitera que esta realidade da alta densidade nas granjas deve ser encarada de forma natural em determinado momento, e jamais como rotina ao longo do tempo. “Pois, se não tivermos condições adequadas, perderemos em desempenho”, afirma.

Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Suínos / Peixes

Produtor acredita em suinocultura “mais justa” para 2024

Produtor Leonor Buss, suinocultor e agricultor com uma propriedade de 50 alqueires, enfrentou desafios em 2023, e agora, no início de 2024, compartilha suas experiências, desafios e perspectivas para o setor.

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Foto: Arquivo pessoal

O produtor Leonor Buss, suinocultor e agricultor com uma propriedade de 50 alqueires na Linha São Marcos, interior do município de Mercedes, no Oeste do Paraná, enfrentou desafios em 2023, e agora, no início de 2024, compartilha suas experiências, desafios e perspectivas para o setor.

Há 13 anos na suinocultura, possui 1,7 mil matrizes e entrega em média 2,8 mil leitões a cada três semanas para a Cooperativa Agroindustrial Copagril, a qual é associado, totalizando uma produção anual de 48 mil animais. Além disso, diversifica suas atividades com a produção de grãos, especialmente milho e soja, em uma área de 35 alqueires.

O ano de 2023 foi particularmente desafiador para o produtor. Operando por conta própria, enfrentou prejuízos mensais de R$ 100 mil, acumulando uma dívida de R$ 2 milhões com os suínos. Após uma conversa com os técnicos da Copagril, optou por um comodato, transferindo para a cooperativa a responsabilidade pelas despesas com a criação, o que permitiu aliviar suas finanças e investir na expansão da granja.

A propriedade, que possui seis galpões, ainda está sujeita às flutuações do mercado. Leonor destaca a baixa margem de lucro devido aos preços pouco atrativos praticados pelo mercado no ano passado, que impactam diretamente a capacidade de investimento. “Não penso em expandir, mas tudo depende. Se o negócio começar a dar lucro, a gente se anima a aumentar a capacidade, mas hoje a Frimesa, cooperativa para a qual repasso os leitões, está com o preço base muito baixo. Há alguns meses pagavam R$ 6,97 pelo quilo e há meio ano está a R$ 6,15, valor que tem deixado a margem do produtor bem estreita”, afirma Leonor.

Perspectivas para 2024

Ao abordar as perspectivas para 2024, o suinocultor é cauteloso. “Espero ter um lucro para pagar o financiamento da granja. Acredito que devagar as coisas vão se ajeitando e a cooperativa conseguirá uma remuneração melhor para o suíno, porque é preciso ter uma relação mais justa entre produtor e cooperativa para garantir uma cadeia sustentável”, salienta.

O mercado, segundo Leonor, apresentou algumas melhorias em dezembro, mas a instabilidade persiste. “Para o produtor ficar mais tranquilo está precisando que haja um preço justo pelo produto que se entrega”. Ele destaca a disparidade entre o investimento na granja, avaliada em quase R$ 20 milhões, e os retornos financeiros. “O que estou ganhando é pouco diante do dinheiro aplicado, então espero que haja uma valorização melhor para que a gente enquanto produtor consiga honrar com os compromissos assumidos”, ressalta.

Custos com a produção

Ao ser questionado sobre os custos, Leonor aponta pela falta de uma gestão detalhada do seu negócio, mas destaca o elevado investimento necessário para construir uma nova granja com sistema de produção de matrizes. “Eu não tenho esta gestão de custo, mas eu sei que para construir uma granja nova e implementar um sistema de produção com matrizes você precisa investir R$ 15 mil por fêmea, ou seja, para colocar mil fêmeas em uma granja isso implica em um investimento de R$ 1,5 milhão. É um custo alto para uma rentabilidade baixa”, avalia, destacando que a falta de novos empreendimentos reflete a atual incerteza no setor.

Apesar dos desafios, o suinocultor acredita na resiliência do setor. “Acredito na atividade, porque altos e baixos sempre têm. Uma hora vamos voltar a ter uma valorização maior e vamos voltar a ganhar dinheiro”, diz, esperançoso.

Produção de grãos

Na agricultura, Leonor também enfrenta dificuldades, especialmente devido à recente seca que afetou a produção. O preço baixo da soja complica ainda mais a situação. “O preço do produto está muito baixo, e se continuar assim, será como o milho safrinha em 2023, que teve quebra e desvalorização. São grandes os desafios do produtor no campo”, afirma.

Diante do cenário desafiador, Leonor Buss mantém a esperança de que o setor se estabilize e que medidas justas sejam tomadas para garantir a sustentabilidade dos produtores rurais.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Homenagem

Presidente da Frimesa recebe título de “Cidadão Honorário” de Marechal Rondon nesta sexta-feira

Comenda será à Elias José Zydek em sessão solene no plenário da Casa de Leis.

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No início de 2023, Elias Zydek foi alçado ao cargo de diretor presidente da Frimesa - Fotos: Divulgação/Frimesa

O Poder Legislativo de Marechal Cândido Rondon (PR) marcou para esta sexta-feira (23), no plenário da Casa de Leis, sessão solene para entrega de título de “Cidadão Honorário do Município” ao presidente  da Frimesa, Elias José Zydek.

A comenda é de autoria do vereador Juliano Oliveira. Segundo ele, o homenageado trabalhou intensamente pela implantação da fábrica de queijos da antiga Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), atual Frimesa, em Marechal Cândido Rondon.

Comenda é de autoria do vereador Juliano Oliveira

Quando da inauguração, em 1990, a indústria foi reconhecida como uma das mais modernas da América Latina, promovendo a divulgação do município por todo o Brasil e países sul-americanos. Inclusive, no ano passado, o parmesão da Frimesa, produzido na cidade, foi o grande vencedor do Prêmio Queijos do Paraná. “Ressalta-se, ainda, que a implantação da fábrica de queijos também marcou o início do processo de industrialização no município, bem como gerou e continua gerando centenas de empregos diretos e indiretos e impulsionando a arrecadação de impostos”, destaca Juliano Oliveira.

Biografia

Elias Zydek nasceu nem Alecrim (RS), em 12 de junho de 1951. Filho de Francisco Zydek e Gentila Golfeto Zydek, casou-se com Dirce Zydek, com quem teve a filha Diele e o filho Diego.

É formado engenheiro agrônomo pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e especialista em Planejamento e Gestão de Negócios pela Faculdade de Administração e Economia da PUC-PR.

Iniciou suas atividades profissionais na Emater-PR em 1974, onde permaneceu até 1975, quando passou a atuar até 1978 na Copersabadi como gerente técnico.

Depois, assumiu como diretor executivo da Sudcoop, participando ativamente da fundação da empresa, a qual era formada por diversas cooperativas da região Oeste do Paraná, com a finalidade de incrementar e desenvolver a economia regional.

Em 1979, coordenou a equipe que projetou a aquisição pela Sudcoop do Frigorífico Frimesa, empresa que até então atuava apenas no abate de animais, mas que a partir de então passou para várias frentes de atuação, especialmente na área de laticínios.

Zydek trabalhou intensamente pela implantação da fábrica de queijos da antiga Cooperativa Central Agropecuária Sudoeste (Sudcoop), atual Frimesa, em Marechal Cândido Rondon (PR)

Como colaborador da Frimesa, Elias Zydek exerceu a função de superintendente industrial e, em 1997, foi promovido ao cargo de diretor-executivo, tendo participação decisiva na elaboração e implantação de projetos de expansão das unidades industriais da empresa, em especial em Marechal Cândido Rondon, transformando-a numa unidade modelo na fabricação de queijos.

Ainda na esteira de promover o desenvolvimento de Marechal Cândido Rondon através da geração de emprego e renda, Elias Zydek atuou junto à Frimesa para a aquisição da Unidade de Abate de Suínos da empresa Radar, localizada no distrito de Novo Horizonte, fato que gerou 700 novos postos diretos de trabalho.

Somados os 900 empregos gerados na unidade láctea instalada no município, a atuação da Frimesa em Marechal Cândido Rondon conta com 1.600 trabalhadores e proporciona outros milhares de empregos indiretos, promovendo o desenvolvimento do agronegócio local, especialmente nas atividades leiteira e suína.

A aquisição de bens e serviços do comércio local também é uma política da Frimesa, promovendo, assim, emprego e renda nesse segmento.

Após 45 anos, no início de 2023 Elias Zydek foi alçado ao cargo de diretor presidente da Frimesa.

Fonte: Assessoria Frimesa
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Suínos / Peixes Consumo e exportação

Assim como em 2023, oferta de carne bovina deve continuar a influenciar preço do suíno em 2024

Apesar da expectativa de um menor volume de produção da safra brasileira, ocasionada pelas condições climáticas, o mercado internacional de commodities com cotações em baixa deve manter os custos de produção da suinocultura em patamares que permitam margens financeiras positivas ao longo do ano.

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Foto: Ari Dias

O IBGE publicou no dia 09 de fevereiro os dados preliminares de abate de suínos, aves e bovinos do último trimestre de 2023. Conforme a tabela 1, comparado com 2022, o ano de 2023 foi marcado pelo aumento considerável do abate de bovinos, em toneladas de carcaça e em cabeças (11,23% e 13,17%, respectivamente), um pequeno crescimento na produção de frango (3,47% em ton. e 2,82% em cabeças) e uma relativa estabilidade na produção de suínos, com apenas 2,04% a mais em toneladas e incremento de 1,13% em cabeças abatidas.

Tabela 1 – Abate brasileiro de bovinos, aves e suínos em toneladas de carcaças e em cabeças (x 1.000) projetado para o ano de 2023, no 4º trimestre de 2023, comparado com o 3º trimestre/23 e com o mesmo período de 2022. *Dados do 4º trimestre/23 são preliminares. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE

Quanto à disponibilidade interna, no somatório das três carnes, o consumo per capita do brasileiro foi recorde em 2023, atingindo 96,56 kg/habitante/ano (Tabela 2). Novamente a carne bovina se destaca pelo crescimento do consumo doméstico, com um aumento de 4,25 kg por habitante/ano, um incremento de 880 mil toneladas (+14,54%) em relação ao ano anterior. Já o frango e o suíno aumentaram seu consumo por habitante em somente 250 g (+0,59%) e 100g (+0,49%) respectivamente, com a carne suína atingindo o valor recorde de 20,65 kg per capita ano.

Tabela 2 – Produção brasileira, exportação e disponibilidade interna mensais (em toneladas) das três carnes em 2023 e consumo per capita (kg) e diferença para 2022. População brasileira considerada p/ o cons. per capita: 203.080.756 em 2022 e 203.596.906 em 2023. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Analisando o abate de suínos nos últimos dois anos (Tabelas 3), é possível observar um “freio” na produção no ano passado, ocasionado pela longa crise que se dissipou somente a partir da metade de 2023, com vários meses apresentando crescimento negativo ao longo do ano em relação ao mês anterior e com alguns meses de retração em relação ao mesmo período de 2022, algo que não acontecia há muitos anos.

Tabela 3 – Abate brasileiro mensal de suínos em cabeças e toneladas de carcaças em 2022 e 2023 e diferença percentual de cada mês em relação ao mês anterior e ao mesmo mês do ano anterior. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE.

De fato, ao se analisar o balanço da carne suína brasileira dos últimos 10 anos, conforme a Tabela 4 a seguir, o ano de 2023 foi o de menor crescimento tanto no abate em cabeças, quanto em toneladas de carcaças. Também a disponibilidade interna de carne suína foi a de menor crescimento neste período, com apenas 0,75%, enquanto em 2021 e 2022 a disponibilidade interna cresceu 8,46% e 7,44%, respectivamente. Na ocasião, o grande incremento da oferta aliado a um custo de produção relativamente alto, determinaram uma das maiores crises da suinocultura brasileira.

Tabela 4 –  Evolução anual da produção (ton. carcaças e cabeças), disponibilidade interna e exportações nos últimos 10 anos (de 2014 a 2023). *Produção de 2023 sobre resultados preliminares publicados pelo IBGE. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Na mesma Tabela 4 é possível verificar que a exportação de carne suína ganhou maior peso na destinação da produção, com percentual ao redor de 20%, puxada fortemente pela China desde 2020, ano em que se aproximou de 1 milhão de toneladas. Depois de bater recorde de embarques em 2023, as vendas externas continuam em crescimento no início deste ano. Janeiro de 2024 fechou com 4,8% a mais (+3.800 toneladas de carne suína in natura) que janeiro de 2023 (Tabela 5). Já as receitas (em dólar) vêm reduzindo com uma queda de -7,65% em janeiro/24 em relação a jan/23 e de -14,6% em relação a dezembro/23.

Tabela 5 – Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2024, comparado com janeiro de 2023 e volumes e preços de dezembro de 2023. Ordem estabelecida sobre janeiro de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE e Secex.

Um movimento que já vinha ocorrendo no ano passado e que continua neste início de ano, é a redução dos volumes adquiridos pela China, com aumento para outros destinos como Filipinas e Chile (Tabela 6).

Tabela 6 – Percentual de participação dos principais importadores da carne suína brasileira in natura em janeiro de 2024, janeiro de 2023 e média do ano de 2023. Ordem estabelecida sobre janeiro de 2024. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Quanto ao preço do suíno, ocorreu como era esperado um recuo nas cotações em relação a dezembro de 2023 (Gráfico 1), em função da sazonalidade da demanda doméstica e internacional, mais baixas nos primeiros meses do ano. Como fatores a serem considerados ao longo do ano para que o preço pago ao produtor permita margens positivas. Além das cotações dos principais insumos, temos em favor do suinocultor uma limitação do aumento de oferta de carne suína, pois os números de 2023 indicam estabilidade e até redução de planteis, determinado um tempo maior e uma conjuntura de mercado favorável pra que volte a crescer a níveis superiores a 5% ao ano.

Gráfico 1 – Cotação da carcaça suína especial em São Paulo/SP (R$/kg), nos últimos 12 meses, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Por outro lado, a concorrência com as outras carnes, especialmente a bovina, que em 2023 com alta oferta e queda de preço (Gráfico 2), limitou a subida de preço da carne suína, deve continuar determinando grande parte da dinâmica de mercado.

Gráfico 2 – Cotação do boi gordo (B3/CEPEA) em São Paulo-SP (R$/@), nos últimos 2 anos, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Andamento da segunda safra e novas projeções de produção

A Conab divulgou dia 08 de fevereiro o quinto levantamento da safra 2023/24 que traz nova redução da expectativa de safra de milho, com previsão de um total de 113,7 milhões de toneladas a serem colhidas (Tabela 7). Ainda segundo a Conab, deste total somente 23,6 milhões de toneladas de milho devem ser produzidas na safra verão, cuja colheita, segundo MBagro, até 12/02 já ultrapassou os 20% da área a ser colhida. Para a segunda safra de milho com mais de 28% da área plantada até dia 09/02 (MBagro), a Conab projeta pouco mais de 88 milhões de toneladas, 14 milhões a menos que no ano passado.

Tabela 7 – Balanço de oferta e demanda de milho no Brasil (em mil toneladas). Dados da safra 2022/23 atualizados em 08/02/2024, sendo estoque final estimado para 31 de janeiro. Fonte: Conab

Apesar da perspectiva de redução da safra brasileira para este ano, as cotações do milho continuam estáveis (Gráfico 3). Dois fatores explicam esta estabilidade: a baixa pressão de compra no mercado doméstico e a expectativa de alta produção mundial em 2024, com a safra Argentina a ser colhida no primeiro semestre evoluindo bem e a perspectiva de alta produção do cereal no hemisfério norte no segundo semestre, puxada por EUA e China.

Gráfico 3 – Preço do milho (R$/SC 60kg) em Campinas-SP, nos últimos 12 meses, até dia 16/02/2024. Fonte: Cepea

Com a soja não é muito diferente do que está acontecendo com o milho, pois mesmo com uma evidente quebra nos volumes a serem colhidos na safra brasileira (já com quase 30% da área colhida), observa-se recuo nas cotações do grão e do farelo que em algumas praças, baixou para R$ 1.800,00 por tonelada.

As cotações atuais destas commodities variam conforme mudam as condições climáticas e a oferta e demanda efetivas se concretizam no mercado doméstico e mundial, por isso uma tendência de hoje pode mudar em alguns meses, porém espera-se para o ano de 2024 uma condição melhor do que em 2023 em termos de custos para a suinocultura.

Considerações finais

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que como normalmente existe aumento de produtividade de um ano para outro, pode-se considerar que este aumento relativamente pequeno no abate (1,13% em cabeças) é, na verdade, resultado de uma retração nos plantéis de matrizes. “Ou seja, será preciso um tempo para que o abate de suínos volte a taxas de crescimento anuais acima de 5%. Por este motivo, espera-se que a oferta de carne suína em 2024 esteja bem ajustada, permitindo preços melhores aos suinocultores”, expõe.

Ele conclui dizendo que apesar da expectativa de um menor volume de produção da safra brasileira, ocasionada pelas condições climáticas, o mercado internacional de commodities com cotações em baixa deve manter os custos de produção da suinocultura em patamares que permitam margens financeiras positivas ao longo do ano.

Fonte: Assessoria ABCS
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