Colunistas Opinião
Adaptabilidade e eficiência na produção são pilares da suinocultura moderna brasileira
Este foi um dos catalisadores do progresso genético dos suínos observados aqui no Brasil, aonde a busca constante por fêmeas mais prolíferas, com uma melhor conversão e menor porcentagem de gordura na carcaça veio acompanhado de algumas características indesejadas.

Por muitos anos as granjas produziam os seus próprios animais de reposição, e foi em 1990 que este conceito acabou sendo substituído, principalmente pela intensificação no uso da Inseminação Artificial e impulsionada pela importação de animais. Este processo facilitou a aquisição de indivíduos geneticamente superiores para serem usados na reprodução, aumentando assim o interesse das empresas do ramo no mercado brasileiro.
Este foi um dos catalisadores do progresso genético dos suínos observados aqui no Brasil, aonde a busca constante por fêmeas mais prolíferas, com uma melhor conversão e menor porcentagem de gordura na carcaça veio acompanhado de algumas características indesejadas. No passado, vivenciamos um problema relacionado com a presença do gene do Halotano nos plantéis, que resultava na morte súbita quando estes eram estressados, além de afetar a qualidade da carne.
Isto forçou a indústria e os produtores a removerem indivíduos carreadores, para a eliminação desta variação alelica na população. No entanto, esta era uma característica fácil de ser trabalhada, pois era controlada por somente um gene (Monogênica). Atualmente, estamos vivenciando um aumento nos números de descartes involuntários nos animais associados, principalmente a problemas locomotores, prolapsos uterinos e falhas reprodutivas. Todas estas características de ação poligênica com diferentes níveis de herdabilidades, principalmente moduladas pelo efeito ambiental e da genética dos animais e suas interações.
A grande pressão de seleção imposta na produção dos animais para elevados GPDs (Ganho de Peso Diário) fez com que a estrutura óssea dos mesmos não acompanhasse o seu desenvolvimento muscular, resultando em problemas locomotores. Quando falamos em claudicação temos principalmente uma diminuição na longevidade deles, reduzindo a eficiência da produção dos rebanhos comerciais e principalmente causando um problema de bem-estar animal.
Atualmente na criação suinícola de forma intensiva, a claudicação está se tornando cada vez mais uma preocupação, pois ela é um importante fator limitante da produção, responsável por enormes perdas econômicas para a indústria em todo o mundo. Os extremos que evidenciamos na produção animal na maioria das vezes acabam não sendo o ideal.
A busca pelo maior número de suínos nascidos por leitegada vem resultando em menores pesos individuais dos animais e consequentemente uma diminuição na taxa de nascidos vivos e de leitões desmamados. Esse fato acontece em decorrência principalmente das fêmeas terem um número limitado de tetas, o que consequentemente força os produtores a realizar o Cross-fostering ou utilizar protocolos de indução à lactação em fêmeas vazias.
Outro ponto muito importante a ser mencionado é que o mundo vem vivenciando esta alteração dos conceitos na criação de suínos, onde que as definições de raças puras acabaram sendo substituídas por linhagens. Estas podem ser oriundas de diversos cruzamentos para a maximização da genética individual dos animais, principalmente para a obtenção de melhores índices relacionados com a heterose individual, que está diretamente correlacionada com o vigor híbrido.
Todavia o melhoramento genético nas granjas núcleos continua sendo realizado em grade parte nas raças puras, no entanto, a avaliação dos animais acontece com os indivíduos cruzados. Aliado a isto, as condições ambientais (manejo, instalações, clima e nutrição) em que eles são criados aqui no Brasil, acabam sendo diferentes das que os seus genitores foram criados, tendo em vista que grande parte do material genético de suínos existente aqui é importado.
Desta forma, os animais acabam não conseguindo expressar todo o seu potencial genético, sem falar na elevada taxa de mortalidade dos reprodutores importados, que podem superar 16%. Diante deste cenário, a busca por exemplares mais equilibrados acaba sendo uma alternativa para a implementação da produção suinícola brasileira. Além disso, aqueles já adaptados ao nosso clima, manejo e instalações, acabam conquistando uma grande vantagem, vindo ao encontro da maximização da utilização dos animais, principalmente pelos elevados custos atuais relacionados com a reposição das fêmeas.
Neste modelo, o produtor adquire as matrizes comerciais equilibradas (boas mães), adaptadas ao nosso sistema de criação, para serem cruzadas com reprodutores de elevados EBVs (Estimated Breeding Value), também conhecido por Valor Genético. A Afrodite é uma matriz da TopGen, que está sendo selecionada aqui no Brasil há mais de 30 anos para características de linha fêmea, sem prejudicar as qualidades de carcaça e de saúde animal incluindo baixos índices de prolapsos.
O seu nome já diz tudo, a linhagem das fêmeas Afrodite é conhecida por ser excelente mãe, além disso, são mais rústicas e isso confere a elas um aparelho locomotor bastante robusto. Esse conjunto contribui para sua maior longevidade e um aparelho mamário uniforme com no mínimo oito pares de tetas viáveis, sem falar na sua docilidade que facilita o seu manejo diário.

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Desperdício pode custar US$ 540 bilhões ao setor de alimentos em 2026
Estudo mostra que perdas começam antes do consumidor e estão ligadas à falta de visibilidade e método de gestão.

O mundo pode perder US$ 540 bilhões com desperdício de alimentos em 2026, como aponta o relatório da Avery Dennison. Esse número não é apenas grande. Ele é revelador porque mostra algo que o varejo ainda evita encarar: o desperdício não é exceção, é estrutural. E mais do que isso, não é um problema de sustentabilidade. É, antes de tudo, um problema de negócio.
Ao longo da cadeia ou ciclo de vida do produto – da produção ao ponto de venda – o desperdício continua sendo tratado como parte do jogo. Perde-se na colheita, no transporte, no armazenamento e na loja. E no final, essa perda é diluída no resultado, como se fosse inevitável. Mas não é.

Artigo escrito pelo Anderson Ozawa, especialista em Prevenção de Perdas e Governança, consultor com mais de 40 programas de prevenção de perdas implantados com sucesso, palestrante, professor da FIA Business School e autor do livro Pentágono de Perdas: Transformando Perdas em Lucros.
Quando um setor chega ao ponto de ter custos de desperdício equivalentes a até 32% da receita no Brasil, não estamos falando de exceção operacional. Estamos falando de falta de governança. O problema não é falta de tecnologia. É falta de visibilidade
Um dado chama atenção: 61% das empresas ainda não têm clareza sobre onde o desperdício acontece. Esse é o ponto central. Não se gerencia o que não se mede e, no varejo alimentar, grande parte das perdas continua invisível (produtos que vencem no estoque, erros de armazenagem, falhas de reposição, excesso de compra, quebra operacional e perda no transporte).
Tudo isso acontece todos os dias, mas raramente é tratado como prioridade estratégica. O desperdício não dói quando acontece: dói no resultado, quando já é tarde.
A maior parte das perdas não acontece no consumidor, mas antes. A logística e a gestão de estoque concentram alguns dos principais gargalos: transporte sem controle adequado, armazenagem inadequada, previsão de demanda imprecisa e processos ainda manuais (67% das empresas ainda operam assim).
Existe um comportamento recorrente no varejo alimentar: quanto mais vende, mais perde, especialmente em períodos de alta demanda, promoções e sazonalidade. O aumento de volume traz mais ruptura, mais avaria, mais erro e mais desperdício.
E o mais perigoso: isso acontece enquanto o faturamento cresce, porque o volume mascara a ineficiência. Em uma operação supermercadista onde atuamos, o aumento de vendas em perecíveis foi comemorado como avanço de performance. Mas ao analisar o resultado consolidado, ficou evidente que a margem não acompanhou o crescimento. Parte do ganho foi consumida por excesso de compra sem ajuste fino de demanda, perda por vencimento e falhas no giro de estoque. Ou seja, o crescimento existiu, mas, o resultado não.
Existe um discurso crescente sobre sustentabilidade, muito importante. No varejo, a mudança não virá por consciência ambiental, mas pela pressão de resultado.
A provocação que o setor precisa ouvir é: enquanto o desperdício for tratado como efeito colateral, ele continuará existindo. Enquanto não houver visibilidade, não haverá controle. Enquanto não houver controle, não haverá margem.
O problema não é o alimento que se perde. É o modelo de gestão que permite que ele se perca. O desperdício global de alimentos não é apenas um número de US$ 540 bilhões. É um retrato claro de um sistema que ainda opera com baixa disciplina e pouca visibilidade.
A oportunidade não está apenas em reduzir perdas: está em transformar perda em resultado. E isso não exige revolução tecnológica. Exige algo mais simples e mais difícil: governança, método e execução.
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Cooperativismo ganha destaque em meio a incertezas políticas
Modelo é apontado como alternativa para gerar renda fortalecer cadeias produtivas e promover desenvolvimento.

O cenário eleitoral brasileiro, em especial no atual ciclo, revela um ambiente de incerteza que ultrapassa o natural dinamismo da democracia e adentra um terreno de inquietação institucional e econômica. A ausência de propostas consistentes, aliada à superficialidade dos debates, fragiliza a capacidade do eleitor de exercer uma escolha plenamente consciente. Em meio a narrativas muitas vezes desconectadas da realidade fiscal do País, temas estruturantes, como as reformas administrativa, tributária e previdenciária, permanecem relegados a um plano secundário, quando deveriam ocupar posição central no debate público.
A condução responsável da gestão pública exige coragem para enfrentar questões impopulares, porém indispensáveis. O Estado brasileiro, marcado por elevado custo e baixa eficiência, tornou-se insustentável diante das demandas da sociedade. A racionalização da máquina pública, o controle rigoroso dos gastos e a avaliação de desempenho no setor público são medidas inadiáveis para conter a trajetória crescente das despesas e restabelecer o equilíbrio fiscal. Sem isso, compromete-se não apenas o presente, mas sobretudo as perspectivas de desenvolvimento das futuras gerações.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, presidente do Sistema Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
Paralelamente, a necessidade de uma reforma administrativa, política e previdenciária ampla e racional se impõe como condição essencial para estimular o ambiente produtivo. A reforma tributária que está em fase de implementação não equacionou nem a carga excessiva, nem a complexidade, inibindo a geração de empregos e reduzindo a competitividade da economia brasileira. A defesa do setor produtivo passa, inevitavelmente, pela simplificação tributária e pela rejeição de qualquer tentativa de ampliação de impostos, medida que apenas agravaria o já oneroso cenário enfrentado por trabalhadores e empreendedores.
Nesse contexto, o cooperativismo brasileiro reafirma sua relevância como modelo econômico e social capaz de promover desenvolvimento com inclusão. Fundamentado na gestão democrática, na participação coletiva e na distribuição equitativa de resultados, o cooperativismo oferece uma alternativa sólida frente às instabilidades do ambiente político e econômico. Ao fortalecer cadeias produtivas, nos meios rural e urbano, contribui diretamente para a geração de renda, a fixação do homem no campo e o desenvolvimento regional sustentável.
O setor primário, em particular, depende de políticas públicas consistentes e de investimentos em infraestrutura para alcançar seu pleno potencial. As deficiências logísticas, localizadas fora da porteira, comprometem a competitividade do agronegócio brasileiro e reduzem a eficiência de um dos segmentos mais dinâmicos da economia nacional. Nesse sentido, é fundamental que os candidatos assumam compromissos claros com o fortalecimento da agricultura e com a melhoria das condições estruturais do País.
Além dos desafios econômicos, o processo eleitoral exige maturidade democrática. O respeito às instituições, às regras do jogo e à diversidade de opiniões é condição indispensável para a estabilidade social. O enfraquecimento dos partidos políticos, a infidelidade partidária e a prevalência de interesses circunstanciais evidenciam fragilidades históricas da democracia brasileira que precisam ser enfrentadas com responsabilidade e compromisso ético.
Superado o período eleitoral, a realidade se impõe de forma incontornável. O futuro governante terá diante de si a necessidade de abandonar discursos e enfrentar, com pragmatismo, a complexa situação fiscal do País. As reformas estruturais deixarão de ser uma opção e passarão a ser uma exigência para garantir a governabilidade e a retomada do crescimento econômico.
Diante desse cenário, o cooperativismo segue como um pilar de equilíbrio, capaz de contribuir para a construção de um Brasil mais justo, eficiente e sustentável. Ao promover a união de esforços em torno de objetivos comuns, reafirma valores essenciais para o fortalecimento da democracia e para o desenvolvimento econômico e social do País.
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Custos logísticos consomem até 18% do PIB no Brasil
Digitalização, integração de sistemas e gestão centralizada são apontadas como fatores-chave para reduzir perdas operacionais, aumentar previsibilidade e reorganizar a cadeia de transporte no país.

Os custos logísticos no Brasil representam entre 15% e 18% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo estimativas do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS). O percentual reflete o peso estrutural da logística na economia e se espalha por toda a cadeia produtiva, influenciando decisões operacionais, estratégias empresariais e a experiência do consumidor final.
No transporte de cargas, a principal pressão está na necessidade de integrar sistemas, processos e equipes em um ambiente ainda marcado por fragmentação operacional. Cada falha nesse fluxo tende a elevar custos, reduzir produtividade e comprometer níveis de serviço.

Foto: Sandro Portaluri
Nesse contexto, empresas do setor têm buscado soluções integradas capazes de reorganizar operações a partir da combinação de tecnologia, processos estruturados e parcerias mais estratégicas.
O avanço das exigências operacionais e as mudanças constantes no transporte rodoviário reduziram a efetividade de soluções isoladas. Sistemas desconectados ou tecnologias aplicadas de forma fragmentada não são suficientes para sustentar ganhos consistentes de eficiência.
O modelo que ganha espaço no setor é o de ecossistema logístico integrado, com centralização de informações e coordenação entre etapas da operação. A proposta é reduzir redundâncias, ampliar controle e melhorar a previsibilidade das entregas.
Entre os principais eixos desse modelo estão:
1. Tecnologia e automação da operação
A integração de sistemas como ERP (Enterprise Resource Planning) e TMS (Transportation Management System) permite centralizar informações, automatizar rotinas e reduzir falhas operacionais. Essas plataformas contribuem para otimização de rotas, controle de estoques e maior padronização de processos.
2. Roteirização inteligente e monitoramento de carga
O uso de dados estruturados e sistemas de geolocalização (GPS) passou a ser determinante na gestão do transporte. Soluções baseadas em inteligência analítica incorporam variáveis como trânsito em tempo real, janelas de entrega, restrições urbanas, capacidade de carga e perfil do cliente para definição de rotas. O objetivo é ampliar eficiência operacional, reduzir custos e aumentar o controle sobre cada etapa do transporte.
3. Parcerias operacionais e centralização da gestão
A colaboração com operadores regionais é apontada como estratégia para adaptar operações às condições locais. Esse modelo permite maior flexibilidade e capilaridade, além de sustentar expansão com estrutura mais organizada. A centralização da gestão operacional é usada como mecanismo de padronização e controle.
4. Gestão financeira centralizada e suporte aos parceiros
A centralização do fluxo financeiro e o suporte estruturado a parceiros operacionais são elementos considerados essenciais para reduzir burocracias e aumentar previsibilidade. A segurança financeira e fiscal aparece como condição para estabilidade das operações e manutenção do nível de serviço.
Efeitos operacionais da digitalização

Foto: O Presente Rural
A digitalização do setor logístico é tratada como um movimento estrutural, associado à reorganização dos fluxos de informação e à redução de retrabalhos. A centralização de dados e a automação de processos permitem maior controle operacional e aumento de previsibilidade nas entregas.
Na prática, esse modelo impacta diretamente dois pontos críticos da cadeia: motoristas parceiros e clientes finais. A melhoria na coordenação das rotas, a redução de atrasos e o acesso a informações em tempo real contribuem para jornadas operacionais mais estáveis e monitoráveis.
A combinação entre tecnologia, processos integrados e gestão centralizada redefine a forma como o transporte é planejado e executado no país. O resultado é uma operação com maior nível de coordenação entre pessoas, sistemas e etapas logísticas, reduzindo perdas e ampliando a eficiência da cadeia.



