Conectado com
VOZ DO COOP

Avicultura

Ácidos orgânicos protegidos e microencapsulados: tecnologia eficiente no controle das salmonelas

Várias tecnologias têm sido desenvolvidas para reduzir a contaminação dos animais e seres humanos por essa bactéria

Publicado em

em

Artigo escrito pela doutora Marlene Schmidt, gerente Técnica Comercial da Tectron

A cadeia produtiva de frangos de corte ocupa posição de destaque no agronegócio brasileiro e mundial, constituindo-se no setor pecuário com maior índice de industrialização, progresso tecnológico, além de ser considerada forte geradora de empregos e de renda para a população brasileira.   

O Brasil destaca-se como maior exportador e segundo maior produtor de carne de frango do mundo. Entretanto, os países importadores têm aumentado significativamente o rigor na escolha dos fornecedores de carne, permitindo a entrada no país apenas de produtos com baixa ou nenhuma contaminação, principalmente por Salmonella. Apesar de todo o monitoramento realizado pelas indústrias visando segurança alimentar, ainda assim essas infecções têm sido frequentes. O embargo da União Europeia ao frango brasileiro em abril deverá gerar este ano perda de 30% sobre o total do produto exportado pelo Brasil para o bloco, formado por 27 países, conforme projeção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A Salmonella é uma bactéria gram negativa da família Enterobacteriaceae, que é dividida em duas espécies, Salmonella Entérica e Salmonella Bongori. Essas espécies da bactéria, por sua vez, são divididas em subespécies e mais de dois mil sorotipos. Os diversos sorotipos podem causar doenças restritas (salmoneloses) a determinadas espécies animais e até ao homem, como Salmonella entérica sorotipo Typhi (humanos), Salmonella entérica sorotipo Gallinarum (galinhas), entre outros. As salmonelas são frequentemente encontradas em alimentos com alto teor de umidade e alta concentração de proteína e, nas carnes in natura, podem ser resultado de ampla contaminação cruzada nas plantas industriais.

Diante do exporto, para que o Brasil se mantenha no topo do segmento das exportações, a indústria alimentícia vem buscando alternativas tecnológicas para reduzir a carga microbiana de Salmonella de seus produtos. Nesse sentido, várias tecnologias têm sido desenvolvidas para reduzir a contaminação dos animais e seres humanos por essa bactéria. Do ponto de vista nutricional, durante muitos anos o uso de antimicrobianos foi a única estratégia de controle da Salmonella. Porém, com o aumento no número de cepas resistentes a vários princípios ativos e das restrições de diversos países consumidores ao uso de antimicrobianos, tornou-se necessário o desenvolvimento de alternativas de controle destas bactérias patogênicas. Assim, o uso de aditivos como ácidos orgânicos na criação de aves vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. 

Ácidos

Os ácidos orgânicos são substâncias naturalmente produzidas por plantas, animais e microrganismos com funções importantes no seu metabolismo. Os ácidos utilizados na nutrição animal são considerados fracos devido a sua composição química, com sua cadeia de carbono contendo não mais do que 7 átomos. São ácidos de difícil dissociação quando comparados aos ácidos inorgânicos, o que justifica sua utilização e funções no trato gastrointestinal (TGI) dos animais. Estes ácidos apresentam diversas funções no TGI como: regulação do pH, efeito antimicrobiano e capacidade aniônica tamponante com cátions de minerais das dietas, aumentando a digestibilidade e absorção desses. Além disso, auxiliam na manutenção da integridade intestinal.

Tendo em vista que as aves apresentam particularidades anatômicas e fisiológicas diferentes de outras espécies, como o proventrículo, por exemplo, com capacidade secretória de pepsinogênio e ácido clorídrico, sendo a primeira barreira para impedir ou reduzir a colonização de patógenos no TGI, o desenvolvimento de produtos compostos de ácidos orgânicos destinados para aves deve levar em consideração tais diferenças para obter a melhor efetividade deste aditivo.

Os principais ácidos orgânicos utilizados em dietas de aves são o acético, ascórbico, benzoico, cítrico, fórmico, fumárico, lático, málico, propiônico, entre outros, além de seus sais e/ou da combinação destes.

Com relação a forma de apresentação dos ácidos orgânicos utilizados na nutrição das aves, pode ocorrer na forma de ácidos livres, sais de ácidos, ácidos protegidos, ácidos microencapsulados ou em conjunto com outras substâncias que possam atuar sinergicamente com esses.

Os ácidos orgânicos na forma livre ou seus sais, em sua ampla maioria, são dissociados antes de chegar no intestino, tendo ação principalmente na regulação ou redução de pH do meio e controle de microrganismos patogênicos presentes no primeiro terço do TGI. Os ácidos livres apresentam efeito positivo sobre desempenho zootécnico, saúde do TGI e características de carcaça das aves, porém as dosagens empregadas são altas, variando entre 0,2 e 2% de inclusão. Estes ácidos apresentam também maior potencial corrosivo, maior volatilização e demandam maiores cuidados para serem manipulados nas fábricas de rações, por vezes resultando em acidentes operacionais.

Adicionalmente, sabe-se que a Salmonella é frequentemente encontrada nas porções mediais e distais do intestino, onde, grande parte dos ácidos orgânicos na forma livre não são capazes de agir de forma eficiente, principalmente por causa do pH encontrado. Dessa forma, a tecnologia de microencapsulação é mais consistente em atingir os objetivos esperados.

Os ácidos microencapsulados e seus sais, por estarem revestidos por uma camada lipídica, após ação de sais biliares e lipases, têm ação principal no intestino delgado, onde podem desempenhar função antimicrobiana, por meio de dissociação dentro da célula de bactérias pH-sensíveis como coliformes, Salmonella spp, Listeria spp, dentre outras. Essa dissociação do ácido orgânico dentro da célula das bactérias resulta em liberação de cátion de hidrogênio (H+), o qual reduz o pH intracelular, ocasionando uma demanda energética na tentativa de corrigi-lo.

Além disso, essa dissociação libera também o radical (RCOO-) o qual é impedido de sair pela membrana celular, inibindo o transporte de elétrons nas membranas da célula, interferindo assim na replicação de DNA e RNA, alterando a síntese proteica, resultando em desnaturação de proteínas, bloqueio de enzimas do metabolismo de carboidrato celular e ocasionando apoptose (morte celular bacteriana). Ainda, após o processo de microencapsulamento, um dos resultados positivos é a redução do seu potencial corrosivo e da volatilização, deixando o produto mais seguro para a manipulação e utilização.

Em resumo, as principais vantagens do uso de ácidos microencapsulados são: redução da dose incluída na ração, maior estabilidade ao passar por processamentos térmicos; facilidade e segurança na manipulação; e atuação nas diferentes condições do TGI das aves. Do ponto de vista físico, o microencapsulamento confere ao produto maior fluidez, resultando em melhor miscibilidade nas rações, quando comparado a ácidos não microencapsulados. Adicionalmente, o processo de microencapsulamento promove adensamento uniforme de partículas.

Estudo

Trabalho realizado no laboratório Mercolab, PR, com frangos de corte até os 28 dias de idade, inoculados com Salmonella Enteritidis, destacou a efetividade da utilização de ácidos orgânicos microencapsulados na redução de contagem deste patógeno nas aves e na cama.

Em suma, os ácidos orgânicos microencapsulados são uma eficiente tecnologia para controle de enterobactérias patogênicas, melhorando a saúde intestinal dos animais e, consequentemente, diminuem o risco de contaminação na carne e aumentam a segurança alimentar. Estes aditivos constituem uma ferramenta segura, de fácil manuseio nas fábricas de ração, apresentando maior fluidez e melhor miscibilidade em comparação com ácidos não microencapsulados.

Mais informações você encontra na edição de Aves de setembro/outubro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

Continue Lendo

Avicultura

Fim da Medida Antidumping da China sobre carne de frango brasileira

Medida antidumping correspondia a uma sobretaxa sobre o valor do produto importado, variando entre 17,8% e 34,2%

Publicado em

em

Foto: Divulgação/Mapa

O governo brasileiro foi informado da decisão do governo da China de não renovar a medida antidumping aplicada desde 2019 às exportações brasileiras de produtos de carne de frango.

A medida antidumping, que deixou de ser aplicada no dia 17, correspondia a uma sobretaxa sobre o valor do produto importado, variando entre 17,8% e 34,2%, de acordo com a empresa exportadora. Além disso, 14 empresas brasileiras haviam celebrado “compromissos de preços” com o governo da China, obrigando-se a praticar preços superiores a um patamar mínimo preestabelecido. A reversão da medida exclui a tarifa adicional. Tais medidas prejudicavam a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.

O governo brasileiro atuou ativamente junto a autoridades chinesas em diversos foros e durante a realização de mecanismos bilaterais de cooperação em 2023, obtendo a decisão favorável.

O Brasil é o maior exportador mundial de carne de frango, e a China é o segundo maior consumidor mundial do produto e também o principal destino dos embarques de carne de frango brasileira, que superaram U$ 1,9 bilhão e alcançaram mais de 679 mil toneladas no ano passado.

O fim da medida antidumping faz as exportações de frango do Brasil mais competitivas para aquele mercado e, além disso, abre novas oportunidades para outros produtores brasileiros que, mesmo com seus frigoríficos habilitados, não conseguiam ser competitivos em razão dos direitos antidumping impostos.

Trata-se de resultado positivo para o nosso setor avícola e para a relação econômico-comercial do Brasil com a China. O Brasil permanece dedicado a manter um diálogo aberto e construtivo com os parceiros chineses, buscando oportunidades de cooperação e desenvolvimento sustentável nas relações comerciais.

Fonte: Mapa
Continue Lendo

Avicultura

Uso de monoglicerídeos em galinhas poedeiras longevas

Ingredientes sem antibióticos, que não sejam geneticamente modificados e nem de origem animal, tendem a ser mais aceitáveis para consumidores, órgãos reguladores e produtores

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/SAN Vet

O ovo, desde a sua formação, está sujeito a diversos fatores intrínsecos e extrínsecos à galinha poedeira. Dentre esses fatores estão a genética, a idade e as condições tanto sanitárias quanto nutricional da ave. O desempenho produtivo e a qualidade dos ovos de aves diminuem com o passar do tempo. À medida que as galinhas envelhecem, o desempenho reprodutivo é diminuído devido à redução tanto da síntese da gema quanto de hormônios sexuais. Além disso, a qualidade do ovo também é afetada devido ao aumento do tamanho do ovo, cascas mais finas, maior taxa de quebra, diminuição da altura do albúmen, shelf life reduzido e consequências negativas no sabor associado à menor eficiência de utilização dos nutrientes e estado sanitário de galinhas.

Para mitigar este problema é importante adotarmos medidas de bem-estar e conforto das aves, como programa de luz adequado, água com qualidade, nutrição customizada (correta suplementação de vitaminas e minerais), bem como atividades relacionadas à biosseguridade.

Num contexto em que a indústria avícola global busca por produtos e métodos de produção que ajudem a atender à demanda por alimentos seguros, acessíveis e produzidos de forma sustentável, há diversas oportunidades que visam maiores cuidados e otimização da produção de poedeiras mais velhas.

Ricardo Hayashi, médico-veterinário, mestre e doutor em Ciências Veterinárias e Gerente Global de Desenvolvimento da SAN Vet

Hoje, ingredientes sem antibióticos, que não sejam geneticamente modificados e nem de origem animal, tendem a ser mais aceitáveis para consumidores, órgãos reguladores e produtores. Os monoglicerídeos têm o potencial de melhorar a saúde, o bem-estar, a produtividade e reduzir a prevalência de patógenos humanos e animais, diminuindo o impacto ambiental, sem gerar resistência antimicrobiana.

Os lipídios antimicrobianos são compostos por um grupo de moléculas lipídicas anfifílicas que têm a capacidade de impactar diretamente bactérias, vírus envoltos em membrana e alguns fungos por lise direta da membrana celular e uma variedade de mecanismos adicionais. Alguns dos lipídios mais estudados em aplicações de produção animal e avícola são os ácidos graxos e glicerídeos. Os ácidos graxos são um grupo de compostos orgânicos construídos por cadeias variadas de hidrocarbonetos com um grupo ácido carboxílico em uma extremidade. Monoglicerídeos são compostos de glicerol ligados a um ácido graxo geralmente na posição 1 ou ⍺. A ligação covalente que une o ácido graxo ao glicerol é extremamente estável e permite que os produtos sejam resistentes à altas temperaturas e diferentes pH, atuando não somente a nível intestinal, mas também sistemicamente. Os monoglicerídeos são conhecidos por terem ação antimicrobiana seletiva a patógenos, ação imunomoduladora, modulação benéfica do microbioma, bem como atividade angiogênica.

 

Trabalhos científicos

Trabalhos científicos observaram que o uso de monoglicerídeos melhorou significativamente a performance produtiva, densidade e resistência da casca de ovos provenientes de aves poedeiras mais velhas. Além disso, a melhora produtiva foi associada ao aumento de índices bioquímicos séricos (cálcio e fosfatase alcalina) e hormônios sexuais (FSH, LH e estradiol). O FSH (hormônio folículo-estimulante) é o principal hormônio responsável pelo desenvolvimento e maturação dos pequenos folículos, enquanto o LH promove principalmente a secreção de progesterona. O estradiol também pode promover o desenvolvimento folicular via efeitos de feedback no hipotálamo e hipófise. A justificativa destes resultados se dá pela modulação da microbiota intestinal. Os monoglicerídeos reduziram o filo Proteobacteria, sabidamente um indicador de disbioses, além de estimular o crescimento de outros grupos bacterianos benéficos. Em outros trabalhos, monoglicerídeos também mostraram a capacidade de melhorar a diversidade geral e atuar seletivamente em grupos considerados patogênicos.

Conclusão

Monoglicerídeos pode ser uma ferramenta eficaz na otimização da produção de ovos em aves poedeiras mais velhas, principalmente pela melhora da saúde intestinal. No entanto, é imprescindível que fatores básicos e fundamentais como ambiência, boas práticas de produção, ações de biosseguridade e uma dieta adequada sejam rotineiramente executadas e monitoradas para um melhor resultado.

Fonte: Ricardo Hayashi, médico-veterinário, mestre e doutor em Ciências Veterinárias
Continue Lendo

Avicultura

Alta da carne de frango na primeira quinzena de fevereiro garante avanço na média mensal

Levantamento do Cepea mostra que a carne de frango resfriada é negociada no atacado da Grande São Paulo à média de R$ 7,22/kg em fevereiro (até o dia 21), com alta de 2,7% frente à de janeiro.

Publicado em

em

Foto: Jonathan Campos

Apesar das recentes desvalorizações da carne de frango nesta segunda quinzena de fevereiro -, quando geralmente as vendas se enfraquecem no atacado, devido ao menor poder aquisitivo da população brasileira -, o incremento da demanda na primeira metade do mês vem garantindo um aumento no valor médio mensal da proteína.

Levantamento do Cepea mostra que a carne de frango resfriada é negociada no atacado da Grande São Paulo à média de R$ 7,22/kg em fevereiro (até o dia 21), com alta de 2,7% frente à de janeiro.

Fonte: Assessoria Cepea
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.