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Avicultura

ABPA avalia 2023 como positivo e tem perspectivas ainda mais otimistas para este ano

Em receita, o resultado obtido no período chega a US$ 60,7 milhões, saldo 187,4% superior ao total registrado nos 11 primeiros meses de 2022, com US$ 21,122 milhões.

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O setor de proteína animal do Brasil apresentou um desempenho positivo em 2023, apesar dos desafios econômicos e sanitários enfrentados pelo país. No setor de carne de frango, a produção e o consumo apresentaram crescimento, enquanto a exportação superou pela primeira vez a barreira de cinco milhões de toneladas exportadas.

Na suinocultura, a produção teve alta, o consumo se manteve estável e o volume embarcado superou 1,2 milhão de toneladas. Já na avicultura de postura, a produção e o consumo encerraram o ano com leve variação em relação a 2022, ao passo que as exportações ficaram abaixo do projetado para 2023, mas muito acima do registrado no ano anterior. E a genética avícola brasileira ganha cada vez mais mercado, tendo encerra o último ano com crescimento significativo.

Diretor de Mercados da ABPA, Luis Rua: “O produtor não deve esperar um ano com custos baixos, pelo contrário. Por isso, o planejamento de novos investimentos deve ser acompanhado de análise minuciosa do contexto de mercado – Foto: Divulgação/ABPA

As perspectivas para 2024 são otimistas. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Luis Rua, analisa o desempenho do setor em 2023 e destaca perspectivas promissoras para o ano que se inicia, sinalizando um horizonte favorável para a avicultura e a suinocultura brasileira.

Produção menor e exportação histórica

Conforme Rua, 2023 fechou com uma produção de carne de frango um pouco menor do que a estimada pela ABPA no início do segundo semestre do ano passado, que previa alcançar até 14,95 milhões de toneladas, no entanto, o número final deverá ficar entre 14,8 e 14,9 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% em relação ao total produzido em 2022, que foi de 14,52 milhões de toneladas. “As projeções iniciais de produção sofreram leves oscilações para baixo em comparação com as projeções do início do ano”, pontua.
Contudo, a estimativa da ABPA aponta para uma tendência de crescimento em 2024, com até 3,7% de alta na produção de carne de frango em relação ao que volume produzido em 2023, estimada em até 15,35 milhões de toneladas.

Com aumento previsto em 1%, a disponibilidade de produtos no mercado interno encerrou o ano passado superior ao registrado em 2022, devendo fechar em até 9,8 milhões de toneladas. A expectativa para 2024 é atingir pouco mais de 10 milhões de toneladas. “A produção ligeiramente mais elevada atende ao objetivo de um contexto de maior demanda pelo produto brasileiro tanto no mercado interno quanto no internacional”, enfatiza o diretor de Mercados da ABPA.

Rua também adianta que o consumo per capita de carne de frango ficará maior que os 45,2 quilos registrados em 2022, mas menor que os 46 quilos estimados para 2023. A estimativa é que o consumo tenha um aumento mais expressivo em 2024, podendo alcançar até 47 quilos per capita, incremento de até 2,2% em relação ao último ano.

Com a avicultura internacional sob forte pressão dos impactos decorrentes da crise de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP-H5N1), que afetou diversos países ao redor do planeta, o Brasil construiu ao longo das últimas décadas uma sólida relação no mercado externo, que atrelada a imagem internacional do setor avícola brasileiro, ajudou a reforçar a posição do país como auxiliador da segurança alimentar global. Conforme Rua, essa posição contribuiu para que o país conquistasse novas oportunidades, com a abertura de novos mercados para a carne de frango, como da Argélia, Israel e Vanuatu, além de pré-listing para Reino Unido, Chile, Cuba e Singapura.

Pela primeira vez na história, o setor superou a barreira de cinco milhões de toneladas exportadas, podendo alcançar até 5,15 milhões de toneladas, número até 6,8% superior em relação a 2022, quando atingiu 4,82 milhões de toneladas. E para este ano, as previsões se concentram em um crescimento de até 3,9%, podendo chegar até 5,3 milhões de toneladas enviadas ao exterior.

O resultado acumulado nas exportações dos 11 primeiros meses de 2023 chegou a US$ 8,977 bilhões, número equivalente ao registrado entre janeiro e novembro de 2022, com US$ 8,976 bilhões. Principal destino das exportações de carne de frango, a China importou entre janeiro e novembro do ano passado o equivalente a 632,2 mil toneladas, volume 28% superior ao registrado no mesmo período de 2022. Na sequência, Emirados Árabes é o segundo maior comprador do Brasil, com 396,4 mil toneladas embarcadas até novembro, baixa de 3,3% em ralação ao mesmo período do ano anterior; e Japão importou 377,6 mil toneladas, queda de 1,6% quando comparado a 2022. Outros destaques no período foram a Arábia Saudita, com 337,4 mil toneladas (+7,2%), África do Sul, com 309,2 mil toneladas (+20,9%), Coreia do Sul, com 184,4 mil toneladas (+9,8%), México, com 172,5 mil toneladas (+28,4%), e Iraque, com 137,6 mil toneladas (184,4%).

Estados que lideram as exportações

Entre os principais estados exportadores, o Paraná segue líder, com produção total de 1,923 milhão de toneladas entre janeiro e novembro do ano passado, volume 9,34% superior ao registrado no mesmo período de 2022, detendo 42,1% de participação de mercado. Completam o ranking dos cinco principais exportadores os estados de Santa Catarina, com 994,4 mil toneladas (+6,90%), Rio Grande do Sul, com 672,3 mil toneladas (-3,38%), São Paulo, com 268,9 mil toneladas (+6,43%) e Goiás, com 213,1 mil toneladas (+19,90%)

Perspectivas para avicultura de corte

Quando questionado sobre o cenário atual da avicultura de corte brasileira, Rua é enfático ao afirma que segue desafiador, assim como registrado nos últimos cinco anos. Segundo ele, embora o preço do milho e do farelo de soja estejam em patamares menores em relação ao registrado entre 2020 e 2022, outros custos agregados seguem elevados e há uma maior pressão na competição de mercado entre as proteínas, com a ampliação da oferta de carne bovina.

No entanto, por outro lado, o mercado internacional está ainda mais demandante por produtos brasileiros, o que gera certo equilíbrio e a perspectiva de estabilidade no quadro para os próximos meses. “Espera-se para este ano um cenário de custos produtivos estáveis em relação ao ano passado. É o mesmo que se espera da demanda interna por produtos. Há um potencial incremento nas exportações, mas com perspectiva moderada, de olho na necessidade de uma visão estratégica sustentável, também, do ponto de vista comercial”, evidencia.

União do setor blinda avicultura industrial da Influenza aviária

O Brasil mantém sua posição como único entre os grandes produtores e exportadores mundiais livre da Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP-H5N1) na produção industrial, o que permite ao país manter o status sanitário como livre da doença perante a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). “É uma vitória do Brasil, seja pela perspectiva das ações do Ministério da Agricultura no amplo monitoramento da enfermidade, como também na adoção de protocolos altamente restritivos por parte dos produtores e das agroindústrias para a preservação da biosseguridade”, declara Rua.

Pela América do Norte, Europa e Ásia, entretanto, as crises sanitárias seguem em curso, com crescimento dos casos desde outubro do ano passado em grandes produtores como a França, o Reino Unido, o Canadá e os Estados Unidos.

Foto: José Fernando Ogura

Em solo brasileiro, foram registradas mais de 150 ocorrências confirmadas em animais silvestres e três focos identificados em criações de fundo de quintal em 2023. As notificações da doença em aves de subsistência tiveram como impacto imediato a suspensão temporária das exportações do Japão para produtos com origem dos estados do Espírito Santo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, que foram restabelecidas a curto prazo. “O não registro em planteis comerciais é resultado direto do engajamento, incluindo a imprensa, na conscientização de todos sobre a necessidade de total monitoramento e na adoção de medidas de biosseguridade para a preservação do status sanitário, um dos maiores patrimônios da avicultura nacional”, ressalta.

As recomendações de biosseguridade foram intensificadas, com a difusão de informações e a ampla restrição de circulação de pessoas pelas unidades de produção. “Todos os demais cuidados adotados já eram amplamente difundidos por avicultores e indústrias”, afirma Rua. A ABPA lançou uma campanha setorial massiva nas redes sociais. O portal oferece informações gerais sobre cuidados, orientações para notificação e outros dados relevantes. Além disso, a associação distribuiu materiais eletrônicos aos seus associados como parte dessa iniciativa.

O diretor de Mercados da ABPA também enfatiza que além da intensificação dos protocolos, o setor tem unificado frentes de atuação junto a outras entidades, tanto no Brasil quanto nas nações vizinhas, com foco na integração de esforços e troca de informações e experiências para fortalecer ações e a expertise do setor produtivo para a manutenção do status sanitário brasileiro.

Produção e consumo estável de carne suína

 

No início do segundo semestre, a ABPA previu que a produção de carne suína deveria atingir entre 4,95 e 5,05 milhões de toneladas em 2023, no entanto, segundo Rua, essa projeção sofreu uma leve oscilação para cima e deve encerrar o ano com até 5,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,3% em relação a 2022, quando alcançou 4,983 milhões de toneladas produzidas. “O aumento da produção é efeito direto do incremento das exportações do setor”, sentencia o diretor de Mercados.

Para 2024, a estimativa da entidade é atingir até 5,15 milhões de toneladas de carne suína produzidas no país, incremento de 1% em relação ao ano passado. A disponibilidade de produtos para o mercado interno se manteve estável, com total de 3,88 milhões de toneladas, variando para até 3,85 milhões de toneladas em 2024. O mesmo deve ocorrer com o consumo per capita, repetindo o índice de 18 quilos registrado em 2022, que também é estimado para o ano que se inicia.

Exportação de carne suína cresce 8,9%

Com registros ao longo de 2023 de médias mensais superiores a 100 mil toneladas, o país superou em 11 meses o equivalente ao realizado durante todo o ano de 2022 em volume e receita. Entre janeiro a novembro, as exportações do setor registraram alta de 10%, com 1,118 milhão de toneladas exportadas, contra 1,017 milhão de toneladas no ano passado.

No mesmo período, a receita acumulada chegou a US$ 2,586 bilhões, saldo 11,5% superior ao total registrado em 2022, com US$ 2,319 bilhões. Com estes números e faltando dezembro para fechar o balanço, o país deve superar 1,22 milhão de toneladas, crescimento de 8,9% quando comparado com 2022, quando foram exportados 1,12 milhão de toneladas. “É algo inédito na história do setor. Salvo as vendas para a China, todos os outros países importadores registraram alta nas importações da carne suína do Brasil no último ano, confirmando uma tendência já prevista pelo setor de ampliação da capilaridade das exportações, fortalecendo a presença do produto em destinos de mercados de alto valor agregado, como o Japão, a Coreia do Sul e os Estados Unidos”, frisou Rua.

Para este ano, a ABPA projeta crescer até 6,6% no mercado externo, atingindo em torno de 1,30 milhão de toneladas exportadas. “Existem boas perspectivas de incremento nas exportações a partir da abertura de novos mercados e a ampliação em destinos já consolidados, também em função da desaceleração dos embarques de importantes concorrentes, como é o caso da União Europeia e do Canadá”, afirma Rua.

Principal destino das exportações de carne suína do Brasil no último ano, a China importou entre janeiro e novembro o total de 362,1 mil toneladas, volume 11% menor que o total importado no mesmo período de 2022. No segundo posto se encontra Hong Kong, com 114,2 mil toneladas, volume 27,3% superior ao registrado em 2022. Também em movimento positivo estão Filipinas, com 113,1 mil toneladas (+46,9%), Chile, com 76,4 mil toneladas (+39,3%), Singapura, com 57,9 mil toneladas (+13,7%), Vietnã, com 45,3 mil toneladas (+3,7%), Uruguai, com 43,8 mil toneladas (+11,2%) e Japão, com 35,3 mil toneladas (+47,7), entre outros.

Principal estado exportador, Santa Catarina embarcou 599,9 mil toneladas de carne suína entre janeiro e novembro do ano passado, número 9,2% superior ao registrado no mesmo período de 2022. Em segundo lugar, o Rio Grande do Sul exportou 258,5 mil toneladas (-3,1%), seguido por Paraná, com 155,3 mil toneladas (+20,3%), Mato Grosso, com 27,9 mil toneladas (+83,7%) e Mato Grosso do Sul, com 23,1 mil toneladas (-24,9%).

Custos de produção

Em relação aos custos de produção na suinocultura, Rua destaca que o preço do milho e do farelo de soja, embora menores que nos últimos três anos, ainda representaram um desafio enorme ao produtor, especialmente quando somado aos demais custos agregados até o produto final. “A situação foi ainda mais desafiadora diante da elevação da competição entre as proteínas, com a maior oferta de carne bovina”, pontua.

Foto: Arquivo/OP Rural

Conforme o diretor de Mercados da ABPA, para este ano é esperado estabilidade nos custos, assim como nos níveis de produção e consumo. A principal expectativa está sobre as exportações, que deverão seguir em ampliação como resultado direto da abertura de novos mercados para o setor ao longo do ano passado. “Com a abertura do mercado do Peru, México e República Dominicana ampliamos a participação em outros países por meio do sistema de pré-listing”, expõe.

Produção estável e exportações recordes no setor de ovos

A produção brasileira de ovos deverá chegar a 52,55 bilhões de unidades em 2023, aumento de até 1% em relação a 2022, assim como o consumo per capita, que apresentou leve variação, atingindo 242 ovos por habitante. Para 2024, a ABPA projeta alcançar uma produção de 56 bilhões de unidades e atingir um consumo de 258 ovos por habitante. Se confirmado, o consumo per capita vai superar o maior nível já registrado, ocorrido em 2021, quando atingiu 257 unidades.

As exportações de ovos totalizaram no acumulado do ano, entre janeiro e novembro, 24,5 mil toneladas, volume que supera em 170,5% o total registrado no mesmo período de 2022, com 9,043 mil toneladas. No entanto, abaixo do projetado pela ABPA, que inicialmente eram de embarques totais de 32,5 mil toneladas de ovos do Brasil. Conforme o diretor de Mercados da ABPA, as exportações devem registrar um crescimento de até 175%, encerrando ano com até 26 mil toneladas embarcadas.

Rua conta que houve uma maior presença de Japão e Taiwan no primeiro semestre de 2023, e com o Chile assumindo a dianteira durante os últimos seis meses. A expectativa da ABPA é que com os embarques para o país sul-americano e para outros destinos da Ásia, as vendas de ovos brasileiros para o exterior sigam em volumes superiores aos registrados ao longo da última década. “Nossa principal conquista do ano passado foi a abertura de mercado para o Chile, que logo iniciou os embarques e assumiu a dianteira das exportações”, afirmou.

Foto: Bing

No ano passado, o Japão seguiu como principal destino das exportações, com 10,363 mil toneladas exportadas, volume 947,9% superior ao registrado entre janeiro e novembro de 2022. Na sequência aparece Taiwan, com 5,387 mil toneladas (sem registros de embarques no ano anterior) e Chile, com 2,584 mil toneladas, 1.208% maior que o registrado nos 11 primeiros meses de 2022, figurando entre os três principais destinos da proteína brasileira.

Em receita, o resultado obtido no período chega a US$ 60,7 milhões, saldo 187,4% superior ao total registrado nos 11 primeiros meses de 2022, com US$ 21,122 milhões.

Incremento no consumo de ovos

Em relação as perspectivas do setor de ovos para 2024, Rua ressalta que, com o quadro econômico nacional, ocorra um incremento no consumo per capita de ovos no Brasil, reforçando o papel do produto como um dos mais importantes para a segurança alimentar do país. Por outro lado, as exportações também devem seguir em patamares equivalentes ao que vimos ao longo do ano passado, gerando divisas para o país e alternativas para o produtor.

Assim como a suinocultura e a avicultura de corte, o setor de postura deverá se manter atento diante da manutenção do quadro de custos de produção. “O produtor não deve esperar um ano com custos baixos, pelo contrário. Por isso, o planejamento de novos investimentos deve ser acompanhado de análise minuciosa do contexto de mercado”, salienta.

Genética avícola cresce em 2023

Foto: Manoel Petry/ABPA

O setor de genética avícola do Brasil desempenha um papel importante na recuperação de plantéis avícolas em países afetados pela Influenza aviária. A exemplo da África do Sul, que em pouco tempo aumentou suas importações e em novembro passou a ser o principal destino das exportações brasileiras.

Nos primeiros 11 meses do ano passado, os embarques de genética avícola totalizaram 23,893 mil toneladas, volume 72,4% maior que as 13,857 mil toneladas exportadas nos 11 primeiros meses de 2022. No mesmo período comparativo, a receita cresceu 38,2%, com US$ 219,8 milhões gerados entre janeiro e novembro do ano passado frente aos US$ 159 milhões do ano anterior.

O México seguiu na liderança das importações de genética avícola em 2023, com total de 12,723 mil toneladas importadas entre janeiro e novembro, volume 94% superior ao registrado no mesmo período comparativo de 2022. Outros destaques foram Senegal, com 3,538 mil toneladas (+9,8%), Paraguai, com 2,436 mil toneladas (-3,8%), Peru, com 1,455 mil toneladas (+898,4%) e África do Sul, com 1,362 mil toneladas (sem registros de embarques em 2022).

Para conferir o desempenho das principais atividades agropecuárias de 2023 e as expectativas para 2024 acesse a versão on-line do Anuário do Agronegócio Brasileiro clicando aqui. Boa leitura e um excelente 2024!

Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Prejuízos devastadores na avicultura gaúcha: chuvas causam perdas milionárias

A Organização Avícola do Rio Grande do Sul e suas entidades Asgav e o Sipargs estimam que os prejuízos até o momento alcancem R$ 247.216.306,60.

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Foto: Divulgação/Concresul

A Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A.RS) e suas entidades Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs), divulgaram nesta segunda-feira (27) novas atualizações sobre os prejuízos causados pelos eventos meteorológicos que afetam o estado gaúcho desde o fim de abril. As perdas na avicultura gaúcha são alarmantes e indicam um impacto profundo no setor.

De acordo com o diagnóstico preliminar, as perdas totais em aves e genética somam 3.628.002 de aves, incluindo frangos de corte, poedeiras, avós, matrizes, pintos de corte e postura. O valor financeiro dessas perdas é estimado em R$ 23.146.858,52. Além disso, a perda de ovos férteis soma 1.598.657 unidades, com um valor de R$ 2.198.153,38. Assim, o prejuízo combinado de aves, genética e ovos férteis atinge R$ 25.345.011,90.

A destruição não se limita à perda de aves. As estruturas físicas também sofreram danos significativos. As perdas parciais em estruturas são estimadas em R$ 89.499.000,00, enquanto as perdas totais alcançam R$ 15.877.334,70. Entre os danos estruturais, estão aproximadamente 20 aviários, fábricas de rações inundadas, indústrias de processamento de alimentos, quatro frigoríficos com atividades paralisadas, e diversos equipamentos e maquinários destruídos. A rede elétrica, tubulações, geradores e caixas d’água também foram severamente impactados.

Além disso, outros prejuízos somam R$ 116.494.960,00, refletindo a inadimplência de clientes, perdas de veículos, caminhões, estoques de embalagens e rações, bem como o impacto negativo nos resultados zootécnicos no frango de corte, como aumento da conversão alimentar e mortalidade.

No total, os prejuízos estimados até o momento alcançam a cifra de R$ 247.216.306,60.

Impacto na economia e na comunidade
Os prejuízos identificados são baseados em informações coletadas de empresas e produtores diretamente afetados pelos eventos meteorológicos. A destruição de estruturas inclui danos em aviários, comedouros, bebedouros, ninhos e outras instalações essenciais para a produção avícola. A paralisação das atividades em frigoríficos e indústrias de processamento de alimentos também representa uma ameaça significativa à economia local.

A liquidez das indústrias e produtores foi duramente afetada, com muitos clientes, incluindo mercados e supermercados, incapazes de pagar dívidas de curto prazo devido à perda de estoques e capacidade operacional. O impacto no faturamento das indústrias e a perda de veículos e estoques agravam ainda mais a situação.

Necessidade de intervenção urgente
Diante desse cenário devastador, a Organização Avícola do Rio Grande do Sul apela às autoridades governamentais, bancos e instituições para que forneçam recursos emergenciais de forma ágil e sem burocracia excessiva. “A sobrevivência de muitas atividades rurais, empregos e a produção de alimentos estão em risco”, reforçam as entidades na nota.

Este relatório preliminar evidencia a urgência de ações imediatas para mitigar os prejuízos e apoiar a recuperação dos produtores, cooperativas e indústrias afetadas.

Novas atualizações serão divulgadas à medida que a avaliação dos danos continuar, mas a necessidade de intervenção rápida é clara para garantir a sustentabilidade do setor avícola gaúcho.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Nutrição de precisão reduz pegada de carbono e aumenta eficiência do sistema

Técnica envolve a formulação de dietas específicas e personalizadas para os animais com base em suas necessidades nutricionais individuais. Isso é alcançado através do uso de dados detalhados sobre o metabolismo, o comportamento alimentar e outros fatores biológicos dos animais.

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No contexto atual de preocupação crescente com as mudanças climáticas e a sustentabilidade ambiental, novas abordagens estão sendo exploradas em várias frentes para reduzir a pegada de carbono. Entre elas estão o uso do conceito de nutrição de precisão na agricultura, especialmente na produção de alimentos de origem animal.

Médico-veterinário, especialista em Qualidade de Alimentos, José Francisco Miranda: “É fundamental estabelecer métricas claras e realizar uma gestão eficiente das emissões de gases de efeito estufa, assim como se faz com qualquer outra área da propriedade” – Foto: Renato Lopes

A agricultura é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa, com a produção animal contribuindo de forma significativa para essa pegada ambiental. No entanto, o conceito de nutrição de precisão oferece uma solução promissora para mitigar essas emissões. “Nutrição de precisão significa usar todos os recursos relacionados ao conhecimento nutricional para que se alcance a máxima performance, segundo os parâmetros e objetivos estabelecidos. Ao empregar os recursos mais eficientes, o produtor reduzirá a utilização de recursos naturais, ao mesmo tempo em que aumentará a produção em comparação com os métodos anteriores que não faziam uso da nutrição de precisão. Essa abordagem resultará em uma pegada de carbono menor devido à redução das emissões de gases”, explica o médico-veterinário, especialista em Qualidade de Alimentos, José Francisco Miranda, que tratou desta temática durante o 21º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizado em meados de março, em Ribeirão Preto, SP.

A nutrição de precisão envolve a formulação de dietas específicas e personalizadas para os animais com base em suas necessidades nutricionais individuais. Isso é alcançado através do uso de dados detalhados sobre o metabolismo, o comportamento alimentar e outros fatores biológicos dos animais. “Ao otimizar a dieta de cada animal, é possível maximizar sua saúde e desempenho, ao mesmo tempo em que se reduz o desperdício de alimentos e se diminui a emissão de gases de efeito estufa”, afirma Miranda.

O profissional expõe ainda que dietas mais eficientes também resultam em uma produção animal mais saudável e sustentável, reduzindo a necessidade de antibióticos e outros insumos prejudiciais ao meio ambiente. “Além dos benefícios ambientais diretos, a nutrição de precisão também pode levar a melhorias significativas na eficiência da produção agrícola, resultando em custos reduzidos e uma operação mais lucrativa a longo prazo”, sustenta.

No entanto, é importante reconhecer que a implementação bem-sucedida da nutrição de precisão requer investimentos significativos em tecnologia e conhecimento especializado. “Os produtores precisam de acesso a dados precisos e confiáveis, bem como de ferramentas de formulação de dietas avançadas. Além disso, é necessário um compromisso contínuo com a pesquisa e o desenvolvimento para melhorar constantemente as práticas de nutrição de precisão e maximizar seus benefícios ambientais”, reforça.

O princípio fundamental da nutrição de precisão é buscar a otimização da performance ao menor custo de produção, ambos essenciais para a sustentabilidade. “A sustentabilidade na avicultura visa a utilização eficiente dos recursos, resultando na produção de alimentos de origem animal de alta qualidade, ao mesmo tempo em que se minimiza a geração de resíduos e reduz o impacto ambiental. É importante ressaltar que o impacto econômico está intrinsecamente ligado ao impacto ambiental”, ressalta Miranda.

Estratégias de formulação de ração

O médico-veterinário cita três estratégias de formulação de ração que podem ser adotadas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa na produção avícola, resultando em benefícios sustentáveis significativos.

A primeira delas é a redução do consumo de grãos, optando por formulações de ração que minimizem a quantidade de grãos utilizados e substituindo-os por ingredientes alternativos que tenham menor impacto ambiental.

Em seguida, a melhoria da conversão alimentar, aperfeiçoando a eficiência dessa conversão através de dietas balanceadas e ajustadas de acordo com as necessidades específicas de cada fase de crescimento das aves, resultando em menor desperdício de alimentos e menor produção de resíduos.

Por fim, o aprimoramento dos produtos comercializáveis, investindo em estratégias que promovam a qualidade dos produtos avícolas, como a seleção de ingredientes de alta qualidade, o uso de aditivos benéficos para a saúde das aves e a garantia de padrões elevados de higiene e segurança alimentar durante todo o processo de produção. “Ao adotar essas medidas é possível não apenas reduzir as emissões de gases de efeito estufa na produção avícola, mas também promover uma abordagem mais sustentável e responsável dentro do setor”, salienta.

Dieta personalizada

Personalizar a dieta das aves de acordo com suas necessidades nutricionais individuais pode desempenhar um papel significativo na redução do desperdício de alimentos e, por consequência, na diminuição da pegada de carbono.

O desperdício de alimentos é uma preocupação global e, na avicultura, isso pode ser minimizado através da formulação de dietas precisas que atendam exatamente aos requisitos nutricionais de cada ave. O especialista em Qualidade de Alimento diz que ao oferecer uma dieta personalizada é possível evitar o excesso de alimentação e garantir que cada nutriente seja utilizado de forma eficiente pelo animal, resultando em menor desperdício. Além disso, ao reduzir o desperdício de alimentos, também se reduz a quantidade de resíduos orgânicos que são produzidos, contribuindo para uma menor pegada de carbono. “Uso de vitaminas para ossos saudáveis, sistema imune ativo e uso de produtos para saúde das aves como os eubióticos permitem que os animais produzam com melhor eficiência, isto é, produtos vendáveis, saudáveis e seguros. Isto certamente traz benefícios ao planeta”, enfatiza.

Desafios na implementação

Fotos: Arquivo/OP Rural

O profissional aponta que o principal desafio para implementar uma nutrição de precisão na avicultura é dar o primeiro passo. “Apesar de existir muitos produtos e soluções de qualidade no mercado, e de contarmos com técnicos especializados capazes de auxiliar os produtores, é necessário começar a implementar de fato a nutrição de precisão. Isso envolve o uso dos produtos disponíveis e a medição dos resultados obtidos. Sem medição não é possível realizar uma gestão eficaz e, consequentemente, não se pode obter os benefícios da nutrição de precisão na redução da pegada de carbono”, evidencia.

Melhor aproveitamento dos grãos

Os benefícios mais significativos da nutrição de precisão em comparação com os métodos tradicionais de alimentação avícola estão relacionados ao melhor aproveitamento dos grãos. “Ao utilizar uma menor quantidade de grãos e ainda assim obter o mesmo resultado zootécnico ou até mesmo um resultado melhor, graças ao uso de aditivos e tecnologia na nutrição de precisão, é possível reduzir o impacto ambiental da produção avícola. Isso ocorre porque a nutrição de precisão permite uma formulação mais precisa das dietas, atendendo às necessidades nutricionais das aves de forma mais eficiente, o que resulta em uma menor produção de resíduos e emissões”, assegura.

Integração ente monitorização e tecnologia de precisão

A monitorização e a tecnologia de precisão exercem uma importância muito grande na gestão diária das granjas avícolas. Miranda diz que ao serem integradas aos sistemas de produção, essas ferramentas possibilitam uma gestão mais eficiente, permitindo evitar desperdícios e gerando dados que podem ser utilizados para medir e melhorar o desempenho ambiental. “Através da monitorização constante é possível identificar oportunidades de otimização da eficiência alimentar, ajustando as dietas das aves de acordo com suas necessidades específicas e reduzindo assim o impacto ambiental da produção avícola”, aponta.

Impactos econômicos positivos

A adoção da nutrição de precisão na avicultura pode ter impactos econômicos significativos, especialmente quando se consideram os benefícios ambientais esperados. Entre os principais impactos econômicos estão a redução do custo da ração, menor custo produtivo por quilo de produto vendável produzido, menor desperdício e menor custo para fazer a compensação de carbono, caso esta seja uma estratégia do produtor ou empresa. “A redução das emissões resultante da nutrição de precisão diminui a quantidade necessária de compensação, com isso o custo de compra de carbono para compensar também será menor”, informa.

Métricas

Atualmente, Miranda afirma que a métrica mais comum para avaliar o sucesso da implementação da nutrição de precisão na redução da pegada de carbono na avicultura é a quantidade de gases de efeito estufa equivalentes emitidos por quilo de produto produzido, expresso pela unidade de medida KgCO2eq/Kg. “Porém, muito em breve, veremos outras métricas sendo reclamadas ou trabalhadas, como a eutrofização de água doce ou água salgada, o uso da água e a quantidade de solo explorado”, relata.

Práticas de manejo ambiental

Miranda enfatiza que uma nutrição de precisão não apenas otimiza a eficiência alimentar das aves, mas também pode facilitar o tratamento de resíduos. “Ao utilizar uma dieta mais precisa e balanceada, os resíduos gerados tendem a ser mais homogêneos e mais fáceis de serem tratados. Isso permite que os produtores implementem sistemas de tratamento de resíduos mais eficientes, contribuindo ainda mais para a redução do impacto ambiental da produção avícola”.

O especialista em Qualidade de Alimentos frisa que é importante os produtores entendam que sustentabilidade é como qualquer outra área da sua propriedade. “É fundamental estabelecer métricas claras e realizar uma gestão eficiente das emissões de gases de efeito estufa, assim como se faz com qualquer outra área da propriedade. Medir as emissões por quilo de produto produzido e buscar de forma contínua sua redução são práticas essenciais. Essas medições não só confirmam as reduções alcançadas, mas também possibilitam uma comunicação clara e transparente dos benefícios e melhorias alcançados, tanto para os consumidores quanto para os órgãos reguladores”, expõe.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse a versão digital de Avicultura de Corte e Postura clicando aqui. Boa leitura

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura

Catástrofe no Rio Grande do Sul gera prejuízos de R$ 182,9 milhões na avicultura

Outros prejuízos incluem a inadimplência de clientes, como minimercados, mercados e supermercados, que perderam todo o estoque e, sem capacidade operacional, não conseguirão pagar as dívidas de curto prazo, impactando o faturamento das indústrias.

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Foto: Ricardo Stuckert/ PR

Nesta semana, a Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A.RS) e suas entidades Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e o Sindicato da Indústria de Produtos Avícolas no Estado do Rio Grande do Sul (Sipargs) divulgaram dados preliminares coletados entre 05 e 20 de maio sobre os prejuízos contabilizados na avicultura gaúcha em decorrência da catástrofe climática que atingiu o Rio Grande do Sul desde o fim de abril.

Após uma série de análises e avaliações, o diagnóstico inicial identificou perdas significativas. As perdas de aves de corte foram de 279 mil, resultando em um prejuízo de R$ 2,8 milhões. A avicultura de poedeiras sofreu a perda de 150 mil aves, com prejuízos avaliados em R$ 3,6 milhões. Em termos de genética e ovos férteis, as perdas incluem 644 mil pintos de corte, 722.530 ovos férteis, 120.210 matrizes, 2.800 avós, 300 mil pintos de corte caipira e 100 mil pintos de postura caipira, além de 258.863 na produção de ovos e 266.892 na eclosão de pintos, totalizando um prejuízo de R$ 13.612.488,80. O subtotal das perdas atinge R$ 20.012.488,20.

Os danos às estruturas também foram significativos, com perdas parciais avaliadas em R$ 30.599.000,00 e perdas totais de R$ 15.877.334,70. Outros prejuízos, incluindo inadimplência de clientes afetados diretamente pelas enchentes, perda de veículos, caminhões, estoques de embalagens e ração, totalizam R$ 116,4 milhões. O prejuízo total estimado chega a R$ 182,9 milhões até o dia 20 de maio de 2024.

As perdas de aves e genética são resultado direto das condições climáticas extremas, conforme relatado por empresas e produtores afetados. No que se refere às estruturas, as perdas incluem danos a aproximadamente 20 aviários, fábricas de rações inundadas, indústrias de processamento de alimentos com destruição de maquinário e equipamentos, e quatro frigoríficos com atividades paralisadas. Equipamentos de aviários, como comedouros, bebedouros e ninhos, também foram prejudicados, aumentando os prejuízos dos produtores.

Outros prejuízos

Outros prejuízos incluem a inadimplência de clientes, como minimercados, mercados e supermercados, que perderam todo o estoque e, sem capacidade operacional, não conseguirão pagar as dívidas de curto prazo, impactando o faturamento das indústrias. Houve também perdas de veículos, caminhões, estoques de embalagens e rações. Adicionalmente, os resultados zootécnicos no frango de corte foram afetados, com aumento da conversão alimentar e mortalidade.

Conforme as entidades, esta apuração parcial traz um cenário preocupante de prejuízos para produtores, cooperativas e indústrias. “Ainda estão em fase de avaliação os levantamentos dos prejuízos de algumas indústrias e produtores, que deverão ser atualizados o mais breve possível para complementar as informações gerais de destruição”,informa a nota divulgada à imprensa.

E complementa: “A situação requer máxima atenção das autoridades governamentais, bancos e instituições, pois produtores e indústrias necessitam urgentemente de recursos emergenciais com agilidade e sem burocracias excessivas, para evitar a inviabilização de muitas atividades rurais, empregos e produção de alimentos”.

Fonte: O Presente Rural
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