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José Zeferino Pedrozo

A locomotiva pode descarrilar

O setor sofreu nos últimos 15 meses duros golpes desferidos no Brasil e no exterior que cindiram sua espinha dorsal e causaram pesados prejuízos

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR/SC)

O agronegócio brasileiro é uma das mais potentes locomotivas da economia nacional. Uma das suas expressões mais notáveis é a agroindústria da carne que sustenta 4,1 milhões de empregos e contribui para gerar os mais de 100 bilhões de dólares por ano de superávit que o agronegócio proporciona à balança comercial do País.

O setor, entretanto, sofreu nos últimos 15 meses duros golpes desferidos no Brasil e no exterior que cindiram sua espinha dorsal e causaram pesados prejuízos. Em março de 2017, depois de investigar milhares de frigoríficos, a Polícia Federal anunciou a operação Carne Fraca, promovendo um efeito midiático muito intenso que não se justificou pelos resultados apresentados, envolvendo não-conformidades operacionais de cinco plantas frigoríficas. O fato abalou gravemente a reputação do Brasil no exterior com grande estrago no desempenho das exportações.

Em maio de 2017, a delação dos irmãos Batista da JBS provoca uma crise política sem precedentes ao envolver o Presidente da República em condutas ilícitas, o que impactou diretamente a economia, derrubando o lento movimento de reversão da crise e afetando ainda mais a reputação do País e da indústria da carne.

Em novembro a Rússia – que se esperava a grande parceira comercial em razão da Copa do Mundo – anunciou a suspensão das importações de carne suína brasileira, não retomando até hoje as compras.

No início do ano o Ministério da Agricultura surpreende o mercado, determinando que diversos frigoríficos deixassem de exportar para a Europa, levando o próprio mercado europeu a exigir explicações e, na sequência, anunciar a suspensão do Brasil. Em abril de 2018 o cobiçado mercado europeu, depois de duramente conquistado e mantido por décadas, fechou-se para a carne de aves brasileira.

Também em março deste ano, a Operação Trapaça da Polícia Federal, apanha funcionários da BRF – uma empresa que é referência mundial em produção de proteína animal – adulterando laudos laboratoriais de produtos em processo de exportação.

Em maio, a greve dos transportadores paralisou o País por longos e penosos dez dias, desorganizou e impôs pesadas perdas a praticamente todos os setores da atividade econômica. Mais de 70 milhões de animais pereceram, agudizando o calvário da indústria da carne. As suas consequências permanecem e continuam emergindo em análises e relatórios e impactando empresas, organizações, Governo e sociedade.

Em junho, sem nenhuma base fática, a China acusa o Brasil na OMC (Organização Mundial do Comércio) de prática de dumping na produção de frango, quando deveria reconhecer a eficiência verde-amarela em produzir com qualidade e baixo custo aquela carne branca. E impõe tarifas antidumping.

Para completar, a Arábia Saudita – que importa frango brasileiro há mais de 40 anos – decide, por convicções religiosas, exigir que o Brasil elimine o eletrochoque no abate de aves destinadas àquele País. A mudança do sistema de abate custará milhões de reais às empresas.

São oito golpes contra a locomotiva, que ameaça descarrilar. A indústria brasileira de carne e, em especial, a indústria catarinense, atingiram nas últimas décadas um elevado nível de segurança e qualidade em sua operação, condição internacionalmente admirada e reconhecida. Os padrões de biosseguridade, os avanços genéticos e a atenção extrema à sanidade e ao manejo fizeram da nossa produção agropecuária uma das mais seguras de todas as cadeias produtivas, graças ao empenho e profissionalização dos produtores rurais e aos pesados, intensos e contínuos investimentos das agroindústrias.

As indústrias de aves e suínos adotam o que há de mais avançado em máquinas, equipamentos, processos e recursos tecnológicos, assegurando alimentos cárneos confiáveis e de alta qualidade – exportado para mais de 160 países. Os efeitos deletérios de todos esses golpes, no mercado, foram e são devastadores. Os mercados perdidos não serão recuperados rapidamente. Apesar de certa expectativa de melhora nesse segundo semestre, os prejuízos serão imensos, com grandes perdas econômicas para o País, para os produtores rurais e para as empresas.

Fonte: Assessoria

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José Zeferino Pedrozo Opinião

Energia elétrica para o campo

Além do suprimento de energia elétrica, o problema se concentra na qualidade das redes de distribuição

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Santa Catarina mantém, em cerca de 200 mil estabelecimentos rurais, plantéis permanentes formados por 150 milhões de frangos e 7,5 milhões de suínos. Nos últimos anos, essa base produtiva vem sofrendo com a deficiência no fornecimento de energia. A má qualidade da energia elétrica na zona rural e o preço cobrado pelo consumo encarecem a produção, especialmente em relação a armazenagem de grãos, fumo, resfriamento de leite e criatórios automatizados para aves e suínos.

Os criadores de aves e os produtores de fumo são os mais prejudicados. Em face da escassez de mão de obra na área rural e da otimização dos processos produtivos, está ocorrendo crescente emprego da automação nos aviários, com equipamentos automáticos de climatização em criatórios hermeticamente fechados. Mesmo dilema ocorre na fumicultura, com o uso de estufas para a secagem das folhas, obedecendo ao padrão de qualidade exigido pelas fumageiras.

As frequentes oscilações de tensão e as quedas no fornecimento têm causado sérios prejuízos, com perda de equipamentos e produção. Com a climatização sem funcionar, as temperaturas próximas ou superiores a 40 graus causam a mortandade de plantéis e inviabilizam a comercialização do tabaco, uma vez que o processo de secagem é interrompido. Muitos desses casos resultaram em ações indenizatórias que tramitam na justiça, gerando um passivo anual de cerca de 6 milhões de reais, apenas com prejuízos na fumicultura do planalto norte catarinense.

Além do suprimento de energia elétrica, o problema se concentra na qualidade das redes de distribuição. Os maiores percalços à produção, na zona rural, situam-se nas propriedades rurais localizadas nas pontas das redes. As quedas constantes da energia causam a queima e a perda de equipamentos, paralisando a produção. A par das perdas econômicas para os fumicultores, avicultores e as indústrias, a mortandade frequente de aves e o calor excessivo trazem riscos de ordem sanitária.

A avicultura e a suinocultura catarinense, como grandes cadeias produtivas, estão perdendo competitividade em razão de várias condicionantes: a escassez do principal insumo, o milho; as deficiências logísticas de transporte, a falta de mão de obra e os incentivos fiscais oferecidos por outros Estados, como Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Em face desses problemas, defendemos uma política de abastecimento de energia elétrica para as áreas agrícolas orientada para baixar custos, viabilizar as atividades agrícolas e pecuárias,  manter as famílias rurais no campo e aumentar a produção e a produtividade. Agora, surge uma notícia alvissareira. O programa Celesc Rural, lançado neste mês pelo Governo do Estado, promete reduzir esses percalços. O programa está focado em duas ações: a substituição de redes monofásicas por trifásicas para ampliar a capacidade do sistema elétrico e permitir o emprego de motores mais potentes para ampliar a mecanização e a instalação de cabos protegidos, para reduzir o número de desligamentos das redes elétricas devido ao contato com a vegetação. Serão investidos R$ 65,7 milhões em 1,2 mil quilômetros de rede da área de concessão da Celesc, com início já no segundo semestre deste ano.

A energia elétrica é um insumo indispensável à vida moderna na cidade e no campo. Nas áreas rurais, ela garante segurança e conforto, melhores condições de trabalho e de produção.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Liderança catarinense

Base produtiva faz de Santa Catarina o maior produtor nacional de carne suína e o segundo maior de carne de frango

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A avicultura industrial brasileira nasceu em território barriga-verde e conquistou o mundo, é sinônimo de eficiência e qualidade e, há 50 anos, está presente em todos os continentes: a carne de frango catarinense é consumida em mais de 150 países. Santa Catarina está colhendo os frutos de décadas de investimentos em genética, em sanidade e em aperfeiçoamento do parque agroindustrial de processamento de carnes. Isso é o que está por traz da liderança brasileira das exportações de carnes de aves e suínos que, neste ano, cresceram exponencialmente.

A conquista do status de área livre de aftosa sem vacinação, há doze anos, foi fundamental para ampliar a presença no mercado mundial. O sistema de produção integrada – uma parceria que há quase 70 anos une criadores e agroindústrias em território brasileiro – é outro vitorioso fator que explica o sucesso da cadeia produtiva da avicultura e da suinocultura agroindustrial. Esse sistema fortaleceu a economia dos municípios, fixou a família rural no campo, amenizou o êxodo rural, levou bem-estar às famílias rurais e transferiu tecnologia aos criadores.

A base produtiva, formada por cerca de 18 mil produtores integrados no campo e 60 mil empregos diretos nas indústrias, faz de Santa Catarina o maior produtor nacional de carne suína e o segundo maior de carne de frango.

As conquistas da agroindústria catarinense ocorreram apesar das graves deficiências logísticas, que reduzem a competitividade internacional das empresas brasileiras. A base produtiva das empresas processadoras está distante dos locais de consumo, seja do mercado interno, quanto do externo. O deslocamento do produto processado requer condições de logística adequadas com o propósito de redução dos custos e do tempo dos transportes. Por isso, são essenciais investimentos na área de logística através da construção e reforma de novos modais logísticos – portos, estradas e ferrovias. Os investimentos em logística são fundamentais para a redução dos custos e o aumento dos ganhos das cadeias produtivas em geral.

Outro percalço é a desigualdade de incentivos fiscais e tributárias oferecidos por outras unidades da Federação, que cada vez empurram a agroindústria para outros Estados – especialmente para o Paraná. Depois de manter por décadas a liderança na produção e nas vendas externas, foi exatamente para os paranaenses que os catarinenses deixaram de pontificar nas exportações. A indústria avícola do Paraná foi intensamente apoiada por políticas de incentivos.

Não é sem méritos, portanto, que o Estado recupera a liderança e volta a ocupar o primeiro lugar no ranking brasileiro de exportações de carne de frango. Mais uma honrosa vitória da economia catarinense.

Fonte: Assessoria
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José Zeferino Pedrozo Opinião

Promoção externa do agronegócio

Para ter sucesso e crescimento sustentado no mercado internacional é preciso estratégias consistentes e alianças sólidas

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Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

A agroindústria catarinense da carne vive dias gloriosos com o exponencial aumento da exportação de carnes para a China. Essa situação não resulta, exatamente, da agressividade comercial das empresas ou da eficiência da política externa. A China vive uma tragédia sanitária com doenças que grassam nos rebanhos de aves e suínos, exigindo o sacrifício de milhões de animais e, por consequência, a importação maciça de alimentos cárneos.

É provável que, nos próximos dois anos, esse cenário se mantenha, beneficiando a agroindústria nacional, mas, como alertam especialistas, é uma condição transitória. Por isso, não se recomenda a ampliação demasiada da produção de aves e suínos, pois, em futuro próximo, poderá ocorrer excesso de oferta.

Esse episódio lembra a importância de se colocar a política externa brasileira a serviço do crescimento econômico. Nesse aspecto, é justo reconhecer que a nova Administração Federal, nesses primeiros meses, tem procurado posicionar adequadamente o Brasil na geopolítica e na economia mundial. Em relação ao grande parceiro comercial que é a China, o Ministério das Relações Exteriores vem propondo uma reestruturação nas relações bilaterais para melhor utilização dos instrumentos negociadores de que o Brasil dispõe para diversificar e ampliar o acesso de produtos brasileiros – especialmente do agronegócio – ao mercado chinês. O Brasil adota visão estratégica para diversificar exportações para a China, protagonista do mercado mundial. Acordo de facilitação de comércio para eliminar entraves burocráticos entre os dois países é um dos objetivos.

Ficou evidente que o Itamaraty prioriza, acertadamente, um processo de integração competitiva e promoção da democracia com parceiros essenciais. O Brasil, que responde há décadas por pouco mais de 1% do comércio planetário e nunca superou essa barreira, ainda é muito fechado. Maior abertura comercial implica em expor o Brasil à competição dos mercados mais avançados. Competição, porém, é algo que a agricultura e o agronegócio brasileiro não temem. Para ter sucesso e crescimento sustentado no mercado internacional é preciso estratégias consistentes e alianças sólidas. Apesar da vocação exportadora, o agronegócio brasileiro enfrenta, de tempos em tempos, novos desafios e novas ameaças. Por outro lado, porém, o protecionismo e o nacionalismo ganham força e o mercado mundial está longe de estar plenamente aberto aos produtos brasileiros.

É notório que o Itamaraty, interpretando anseio das classes empresariais, busca estabelecer parcerias estratégicas para posicionar o agronegócio como um ativo do Brasil nas suas relações com o mundo. As aspirações e os esforços do agronegócio brasileiro por uma maior presença no mercado mundial encontraram eco: a criação de um Departamento do Agronegócio no Itamaraty, anunciada pelo ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, pode transformar-se em importante instrumento para esse objetivo. A iniciativa é justificável, pois as exportações do agronegócio verde-amarelo deverão superar a marca dos US$ 100 bilhões em 2019. O departamento atuará ao lado do Ministério da Agricultura na conquista de novos mercados internacionais, orientando negociações comerciais em favor dos produtores brasileiros. Ao lado da APEX, as embaixadas promoverão os produtos agrícolas brasileiros ativa e sistematicamente. O apoio da diplomacia é essencial para vencer a guerra comercial no plano internacional.

Fonte: Assessoria
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