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Suínos / Peixes Pesquisador da Embrapa alerta

“A destinação de animais mortos merece mais atenção e criatividade”

Pesquisador Everton Luis Krabbe é um dos maiores estudiosos do país sobre a destinação de resíduos biológicos nas granjas de suínos

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Arquivo/OP Rural

O pesquisador Everton Luis Krabbe, um dos maiores estudiosos do país sobre a destinação de resíduos biológicos nas granjas de suínos, faz palestra durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que aconteceu no início de agosto, em Chapecó, SC. O jornal O Presente Rural questionou o especialista, que categoriza: “A destinação de animais mortos merece mais atenção e criatividade. Deve ser uma preocupação, pois é um risco sanitário e ambiental. Precisamos criar destinos que embora representem custo, geram algum retorno ao produtor, até como forma de incentivo para que adote procedimentos adequados”.

O Presente Rural (OP Rural) – Como é a realidade da destinação de resíduos sólidos na suinocultura brasileira?

Everton Luis Krabbe (ELK) – Existe todo tipo de situação, algumas muito bem executadas e outras deixando muito a desejar. Mas em geral, a compostagem segue sendo a tecnologia predominante, principalmente em função do baixo custo de execução.

OP Rural – Quais são as outras alternativas hoje empregadas pelo produtor/indústria?

ELK – O mais comum é a compostagem convencional, em células. Mas ao longo dos anos, novos modelos de compostagem surgiram, como por exemplo a compostagem acelerada em rotoaceleradores. Mais recentemente, surgiu a desidratação, onde já é possível desidratar um suíno de grande porte sem a necessidade de trituração ou esquartejamento. Existem ainda trituradores apenas para carcaças suínas. Outras tecnologias como incineração não são utilizadas em geral pelo elevado custo.

OP Rural – Quais são as leis que regem o setor?

ELK – Na prática, a nível de granja, o processo segue a legislação ambiental. Cada propriedade deve ter seu licenciamento, e neste momento é que o produtor deve demonstrar qual tecnologia pretende utilizar. Existem debates sobre a possibilidade de remoção de cadáveres das granjas através de um serviço especializado de recolha, seguindo critérios técnicos rígidos. Mas na prática isso não está regulamentado ainda no Brasil. Em Santa Catarina, existe um projeto piloto justamente para avaliar aspectos técnicos e econômicos deste processo.

OP Rural – Que tipo de produtos é possível produzir a partir desses resíduos?

ELK – Por se tratar de resíduos e cadáveres, com diferentes causas de mortalidade, sem o controle do tempo entre a mortalidade e a destinação, existe um avançado estado de deterioração, o que impacta fortemente o nível de qualidade do produto final. Isso também sido observado comparando a degradação de cadáveres no inverno e no verão, o que é mais um fator que compromete a possibilidade de padronização. Além disso, deve se levar em consideração que muitos dos cadáveres animais, foram antes de seu óbito, tratados com expressivas doses de medicamentos, e assim, existe nele um nível residual elevado. Diante de tantas variáveis, o que tem sido recomendado é que esse material seja transformado em fertilizante para uso agrícola.

OP Rural – Esses produtos são seguros?

ELK – Considerando resíduos de medicamentos e compostos químicos oriundo da decomposição dos tecidos, não existe perspectiva no curto prazo, da possibilidade de uso em alimentos para animais, por exemplo. Seu uso na agricultura, após um período de compostagem, é considerado a melhor forma de destinação. Uma das possibilidades em estudo seria a transformação de cadáveres e resíduos biológicos em farinhas e gorduras animais. O destino das gorduras seria para geração de biocombustíveis (biodiesel) e as farinhas seriam direcionadas para fábricas de fertilizantes organominerais (parecidos com o adubo químico utilizado na agricultura). Contudo há que se dizer que as gorduras têm apresentado qualidade abaixo daquela que é necessária para biodiesel e por isso tem sido mal remuneradas. Já para as farinhas, ainda não temos um conjunto de industrias fabricantes de fertilizantes organominerais capaz de absorver esse volume de farinhas. Isso é algo que deverá ser incentivado para o futuro próximo.

OP Rural – Como o mercado consumidor tem encarado essa questão de uso de subprodutos, por exemplo, em rações, cosméticos, etc.?

ELK – Essa possibilidade tem sido tema de muita polêmica. No Brasil, existem muitas indústrias que captam farinhas de origem animal (não aquelas de cadáveres) e as transformam em produtos de alto valor agregado, como por exemplo alimento para cães e gatos. A remuneração dessas farinhas tem atingido níveis muito atrativos, desde que as farinhas sejam de qualidade. A possibilidade de que farinhas de animais mortos sejam regulamentadas para consumo animal é algo veementemente criticado. Mesmo na alimentação de suínos e aves, os nutricionistas não consideram essa possibilidade, uma vez que já é de conhecimento do setor de alimentação animal, que farinhas de baixa qualidade prejudicam o desempenho animal e sua saúde e bem-estar. Em última instância o próprio produtor passaria a sofrer com essas perdas, consequência de um pior desempenho das aves e suínos.

Além disso, o Brasil é o maior exportador de carnes do mundo. Não se consegue imaginar quais as consequências de uma eventual liberação de farinha de cadáveres e resíduos biológicos para uso em rações. Traria impactos negativos diretos para o consumo de carnes, tanto dentro quanto fora do país.

OP Rural – Como funcionaria o recolhimento de animais nas propriedades?

ELK – O único estado de federação onde se recolhem animais, sob a perspectiva de um projeto piloto, é Santa Catarina. O processo segue todo um conjunto de critérios elaborado por uma equipe multidisciplinar, exigindo inclusive a inserção de dados em uma plataforma como aquela que emite os GTAs (Guias de Transito Animal), porém nesse caso é denominado DTAM (Documento de Transito de Animais Mortos), com recolha dos brincos (no caso de bovinos). O veículo é especial, não pode ingressar nas granjas, prevê que cada propriedade construa uma pequena sala na divisa de propriedade para deixar os animais até o momento da recolha. O maior entrave é a roteirização da recolha. Muitas vezes o caminhão já passou em frente a propriedade e não tem como retornar. Nesse caso esse animal morto permanece até sua recolha. Não existe recolha em finais de semana. O custo de ter um veículo circulando por estrada muitas vezes malconservadas implica em custos elevados, diferentemente do que acontece em outros países, com estradas melhores, mais planos, etc.

OP Rural – Quais são os benefícios e eventuais desafios para um recolhimento efetivo?

ELK – A recolha sem dúvida é mais prática para o produtor. Basta disponibilizar os animais no local e nas condições certas. Não precisará investir em outro processo dentro das granjas, e terá economia de mão de obra. Mas é importante salientar que ainda que o recolhimento seja regulamentado, do produtor continuará sendo exigido alguma destinação dentro da granja, seja compostagem ou outra prática. Isso é exigido para o caso de não haver a recolha, como por exemplo, dificuldades de acesso em épocas chuvosas, greves que impeçam o trânsito de caminhões, etc. Já em termos de desafios, o maior é assegurar a biosseguridade. Caminhões transitando com animais mortos em regiões com elevada população de animais é sempre arriscado. Mas o que se propõe é que seja um serviço profissional e todos os critérios sejam realmente atendidos.

OP Rural – Que tipo de mudanças (infraestrutura/manejo) da fazenda deve acontecer para este modelo ser empregado?

ELK – O mais importante é assegurar que os caminhões não transitem dentro das propriedades e que os animais sejam depositados em uma instalação construída especificamente para isso, com o devido isolamento e possibilidade de desinfecção. Isso na prática ainda não foi implementado.

OP Rural – A recolha é sustentável econômica e ambientalmente?

ELK – Ambientalmente sim, já economicamente o desafio é muito grande. O mundo todo paga por este serviço. Entendo que o produtor precisa entender que é seu dever destinar os animais mortos e resíduos biológicos de acordo com a legislação, ainda que represente um custo extra. De nada adianta que o produtor tenha um plantel de animais, se estes não tiverem sanidade. Esse é o entendimento que ele deve ter em relação ao assunto.

OP Rural – Ela é segura do ponto de vista sanitário?

ELK – Na Embrapa, onde estão sendo realizados diversos estudos avaliando tecnologias para destinação de animais mortos, foi também conduzido um estudo de análise de risco para avaliar se existe e qual o nível de risco quando se realiza a coleta e transporte de animais. Foram considerados os principais agentes vetores de problemas sanitários e assumindo a forma como é proposto o recolhimento no projeto piloto. Considerando todo este contexto, a conclusão foi de que o processo oferece risco muito baixo. Baseado na conclusão deste grupo de trabalho, pode-se dizer que o processo é seguro.

OP Rural – O senhor tem conhecimento de mais resultados desse projeto piloto?

ELK – O projeto de SC está sendo acompanhado pela Embrapa, a nível de pesquisa. Existem inclusive atividades focando em maneira de melhorar a qualidade das gorduras para a geração de biodiesel. Assim como, formas de destinar as farinhas para a fabricação de fertilizantes organominerais, com estudos de biodisponibilidade de nutrientes para as plantas, além da análise econômica. Até o momento o que se pode dizer é que o processo proposto apresenta eficiência técnica e segurança. Economicamente não é viável, diante dos destinos e preços para os produtos gerados. Contudo, existem pontos a ser considerados, como por exemplo os valores pagos pelo serviço por parte da cadeia produtiva, a oneração tributária do processo e assim por diante. É preciso entender se o recolhimento deve se viabilizar como um negócio ou como um serviço necessário, assim como é no caso dos resíduos urbanos, pagos via IPTU.

OP Rural – Qual seria o destino ideal para resíduos, incluindo animais mortos?

ELK – O ideal seria que fossem recolhidos e removidos das granjas, mas que não voltassem diretamente as cadeias produtivas (na forma de gorduras e farinhas). O ideal que fossem levados a centrais de geração de energia por exemplo e o produto final, estabilizado utilizado como fertilizando, ciclando assim os nutrientes.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Embarques de carne suína aumentam 13,2% em novembro

Em receita, o saldo das exportações de novembro totalizou US$ 149,3 milhões

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Arquivo/OP Rural

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e industrializados) alcançaram 66,4 mil toneladas em novembro, volume 13,2% superior às 58,7 mil toneladas embarcadas no mesmo período do ano passado, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em receita, o saldo das exportações de novembro totalizou US$ 149,3 milhões, número 42,3% maior que o efetivado no mesmo período de 2018, com US$ 104,9 milhões.

Já no acumulado do ano (janeiro a novembro), os embarques de carne suína alcançaram 674,2 mil toneladas, saldo 14,4% superior ao efetivado no mesmo período do ano passado, com 589,2 mil toneladas.

Em receita, o valor total das vendas em 2019 alcançou US$ 1,413 bilhão, número 27,9% acima do registrado no mesmo período de 2018, com US$ 1,105 bilhão.

“O impulso das vendas para a Ásia segue sólido nas exportações do setor. Na comparação entre novembro deste ano e do ano passado, a diferença é positiva em 117%.  No mesmo passo, Hong Kong incrementou suas compras em 25%”, ressalta Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria
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Suínos / Peixes Sanidade

Salmonella na suinocultura: como prevenir-se contra este inimigo?

Além de cuidados com a biosseguridade, a vacinação é uma medida muito eficaz na redução do agente nos suínos

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Luciana Fiorin Hernig, médica veterinária e coordenadora Técnica de Território da Boehringer Ingelheim

A Salmonelose é um tema de extrema importância na saúde pública em todo mundo, pois é uma das principais doenças transmitidas por alimentos, incluindo a carne de frango e de suínos, que pode causar intoxicação alimentar. A avicultura já há alguns anos vem enfrentando fortes exigências em todos os níveis da produção com foco em redução deste agente no produto final, atendendo inclusive exigências do comércio internacional para exportação da carne brasileira.

Na suinocultura a Salmonelose caracteriza-se por quadros que variam de acordo com a suscetibilidade dos animais e a virulência das cepas. A Salmonella é endêmica no Brasil e sua prevalência é alta em suínos, que podem se infectar com vários dos mais de 2500 sorovares já identificados. Essa bactéria é transmitida principalmente pela via fecal-oral e os quadros clínicos mais comuns são enterites agudas ou crônicas, podendo passar despercebidas, e a septicemia, que pode ocorrer em um curto prazo, levando inclusive a alta morbidade e mortalidade. Esses sinais clínicos em suínos são causados majoritariamente pela S. Tiphymurium e S. Choleraesuis (sorovar adaptado ao suíno). Nos últimos anos, a ocorrência de quadros septicêmicos causados por essa bactéria em suínos aumentou no Brasil, principalmente nas fases de creche e crescimento, gerando prejuízos consideráveis.

Além disso, sabe-se que existem suínos que portam a Salmonella nos linfonodos e tonsilas, sem manifestar sinais clínicos, e que em situações de estresse, como o transporte desses animais para o abate, por exemplo, aumentam a excreção desse agente através das fezes, contaminando outros suínos e o ambiente no frigorífico. Este fato associado as exigências do Mapa em relação a identificação deste agente nas carcaças ao abate, com a obrigatoriedade de coleta de amostras para análise laboratorial conduzido por cronograma oficial, tem tornado o controle da Salmonella na suinocultura um tema cada vez mais frequente de discussões. Despertou-se um alerta para necessidade de se agir no intuito de reduzir a prevalência de animais que portem este agente, não só na linha de abate, mas em todos os estágios de produção.

Contudo, manter o rebanho controlado em relação a algumas doenças através do uso massivo de antimicrobianos tem deixado de ser a opção de eleição, à medida que se entende e aceita que o uso exacerbado de algumas moléculas tem contribuído para o aparecimento de resistência na produção animal e em agentes que infectam inclusive humanos. Há ainda estudos mostrando que diferentes cepas de Salmonella encontradas em granjas no Brasil apresentam resistência a mais de uma molécula.

Medicar os suínos com antimicrobianos reduz a presença de sinais clínicos e a mortalidade em casos onde os animais adoecem, porém, esta é uma ação curativa que precisa ser aliada a medidas preventivas mantidas em prática diariamente. Neste caso, a prevenção está diretamente relacionada a redução dos fatores de risco no ambiente, ou seja, a adoção de medidas de biosseguridade. Os postos-chave estão associados aos cuidados para minimizar a transmissão as Salmonella, que pode acontecer de várias formas. Estas podem ser através da entrada de animais portadores no plantel, água e/ou ração contaminadas, falhas no processo de limpeza/desinfecção/vazio sanitário (Figura 4), mistura de leitões de diferentes origens, presença de agentes que carreiam a bactéria, como roedores, pássaros, moscas, pessoas, veículos.

É fundamental também garantir a adoção de um bom manejo de colostro para promover uma maior proteção dos leitões durante a fase de lactação. Mas, com a queda da imunidade materna para Salmonella ao desmame, a vacinação dos leitões torna-se uma ferramenta muito importante como forma de prevenção para as fases seguintes da vida dos suínos. A vacina deve ser capaz de estimular a imunidade celular para auxiliar na eliminação desta bactéria nos órgãos alvos e sua excreção para o ambiente, bem como reduzir a presença desta nos linfonodos e tonsilas. Tendo em vista que trata-se de um agente intracelular facultativo, é importante que a vacina consiga estimular a imunidade celular. A opção de vacina viva atenuada é uma ótima ferramenta neste caso, pois estimula o desenvolvimento de imunidade celular e de mucosa (Imunoglobulina A – IgA).  Existe no mercado a opção de fornecimento da vacina viva por via oral, que não causa reações adversas nos leitões, reduzindo o estresse associado a este manejo nos animais.

O movimento de restrição no uso de antimicrobianos tem levado à busca de alternativas que propiciem a melhora na saúde intestinal dos suínos como o uso de probióticos, prébioticos, óleos essenciais, entre outros, para reduzir os efeitos causados pelo estresse nos animais que leva a um desequilíbrio da microbiota do intestino. Neste sentido, um estudo canadense, ao comparar diferentes estratégias para redução da quantidade de Salmonella carreada pelos suínos, mostrou que o uso de uma vacina viva inativada administrada por via oral para Salmonella foi associada a redução na presença de S. Typhimurium no íleo e nos linfonodos mesentéricos. Assim mostrando que a vacinação pode contribuir não apenas com a diminuição nos casos clínicos causados pelo agente, mas também ser benéfica quando a preocupação são os animais que carreiam o agente sem manifestar a doença e contaminam o frigorífico. Outro estudo mostrou ainda que o uso de vacina oral para Lawsonia intracellularis culminou com a redução na excreção de Salmonella Typhimurium em suínos co-infectados com estas bactérias.

Considerando, portanto, que a Salmonella é um agente relevante quando se trata de saúde pública e tem gerado prejuízos nas granjas com quadros não apenas de enterocolites, mas também septicêmicos, é imprescindível que se conheça as estratégias de prevenção a serem adotadas. Além de cuidados com a biosseguridade, a vacinação é uma medida muito eficaz na redução do agente nos suínos, promovendo a imunidade nos animais e, consequentemente, minimizando a excreção deste para o ambiente.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Sanidade

Suspeita de doença bacteriana: saiba como coletar e enviar amostras ao laboratório

Obtenção de um resultado correto para estabelecer o melhor tratamento a campo está intimamente ligada à qualidade da amostra recebida pelo laboratório

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Arquivo/OP Rural

Mariana Dall’Agnol, médica veterinária, residente em Sanidade Animal pela Universidade Federal de Goiás; Sarah Rodrigues Chagas, médica veterinária, mestranda em Ciência Animal pela Universidade Federal de Goiás; e Lívia Mendonça Pascoal, médica veterinária, professora de Sanidade de Suínos da Universidade Federal de Goiás

Há décadas são utilizados antimicrobianos na produção animal, tanto como promotores de crescimento quanto para tratamento de doenças. Sabe-se que a utilização indiscriminada – e muitas vezes incorreta – de antibióticos corroborou com a seleção de bactérias mais resistentes.

O surgimento dessas cepas resistentes no campo dificulta e onera o tratamento das doenças, diminuindo a produtividade e aumentando o custo de produção. Ainda, há o risco à saúde pública, visto que a grande parte das bactérias com potencial de resistência não é espécie-específica e pode causar infecção em humanos. Tendo isso em vista, o isolamento de agentes bacterianos e a determinação da sensibilidade aos antimicrobianos são essenciais para estabelecer o melhor tratamento para cada situação, evitando gastos desnecessários com antibióticos assim como o surgimento de bactérias multirresistentes.

Para um adequado diagnóstico bacteriológico, a qualidade da amostra é fundamental. Porém, erros nas fases de coleta, acondicionamento e envio das amostras continuam sendo comuns e interferem diretamente nos resultados obtidos, podendo até mesmo inviabilizar o processamento. Para minimizá-los, é fundamental atenção aos pontos a seguir.

Planejamento

O procedimento para coleta e envio de amostras deve ser planejado. Nesse momento, entrar em contato com o laboratório ajudará a esclarecer dúvidas sobre os materiais necessários, a forma correta de coleta e envio das amostras e testes disponíveis.

Além disso, visitas com objetivo de coleta de amostras devem ser realizadas preferencialmente no início da semana, considerando também o tempo gasto entre a granja e o local de despacho para o laboratório. É importante se atentar aos horários de funcionamento desses locais.

Seleção de animais

A seleção dos animais para a coleta de amostras é de fundamental importância. As amostras devem proceder de animais vivos ou recentemente mortos e que apresentem sinais iniciais da doença, pois geralmente é na fase aguda quando há maior excreção do agente etiológico. Animais mórbidos ou mortos há horas não devem ser amostrados, pois esses geralmente apresentam infecções bacterianas secundárias e oportunistas que podem inviabilizar a identificação e isolamento do patógeno primário. Animais em tratamento, principalmente com antibióticos, também não devem ser amostrados.

Coleta de amostras

Deve-se coletar amostras das bordas das lesões pois a multiplicação bacteriana é mais ativa nesses locais, colhendo tecido macroscopicamente alterado e normal. A coleta deve ser feita de forma mais asséptica possível. Frascos, tubos, seringas, agulhas e demais instrumentais devem estar esterilizados e retirados de suas embalagens somente no momento da coleta. Amostras contaminadas dificultam a realização das provas diagnósticas e a interpretação dos resultados.

Identificação das amostras

É necessário que os frascos e embalagens contendo as amostras sejam corretamente identificados com etiquetas resistentes à umidade, como por exemplo, esparadrapo. É imprescindível que as informações estejam legíveis. Para escrever, use lápis ou caneta permanente resistente a água e cole as etiquetas no frasco, tampa e saco (figuras 1, 2 e 3).

Deve-se encaminhar uma ficha de identificação dos animais e da propriedade junto às amostras. Em geral, os laboratórios possuem uma ficha própria, e por isso é recomendável acessar o site ou entrar em contato com seu laboratório de preferência para obter esse documento. Normalmente, as informações pedidas incluem nome do solicitante, contato (endereço, telefone, e-mail), espécie animal, faixa etária, curso da doença, achados de necropsia e suspeita de diagnóstico.

Conservação das amostras e envio ao laboratório

As amostras devem ser embaladas de forma segura, impedindo vazamento e entrada de água no material coletado. Recomenda-se utilizar três embalagens: (1) as primárias, que ficam em contato direto com a amostra (tubos, sacos para coleta) e devem conter a identificação individual da amostra; (2) secundárias, que geralmente são sacos plásticos transparentes, envolvendo as embalagens primárias e que também devem ser identificadas; e (3) terciárias, que são as caixas isotérmicas, onde as amostras devem ser acondicionadas seguras e firmes, evitando o tombamento dos frascos.

As amostras devem ser mantidas em refrigeração (2 a 8°C) desde a coleta até a hora do processamento. Devem ser remetidas o mais rapidamente possível, dentro das caixas isotérmicas, as quais devem conter gelo reutilizável suficiente para manter a temperatura adequada até chegada ao laboratório. Pode-se refrigerar o material antes de enviá-lo (30 minutos no freezer ou 3 horas em geladeira) e também utilizar jornal para auxiliar no isolamento térmico.

Deve-se evitar o envio de materiais nas vésperas de feriados ou em finais de semana, pelo risco de ficarem parados nas empresas de transporte ou até mesmo não serem recebidas pelo laboratório.

Também é importante que o clínico responsável entre em contato com o laboratório comunicando o envio das amostras e a provável data de chegada. Esse momento é também oportuno para esclarecer eventuais dúvidas sobre material e exames solicitados.

Por fim, a obtenção de um resultado correto para estabelecer o melhor tratamento a campo está intimamente ligada à qualidade da amostra recebida pelo laboratório. Neste sentido, cabe ao clínico todo cuidado na coleta e remessa do material. Com muita frequência, os laboratórios são obrigados a descartar materiais que chegam inadequados ao processamento, gerando frustrações e prejuízos não só ao clínico, mas principalmente ao proprietário da granja.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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