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“A cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor”, afirma Valter Pitol

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro.

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Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Desde 2004 trabalhamos como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo” - Fotos: Sandro Mesquita/OP Rural

Conheça a história da cooperativa que nasceu pela necessidade de produzir energia elétrica e se tornou uma das maiores potências do agronegócio brasileiro. O Presente Rural foi até Cafelândia, no Oeste do Paraná, para ouvir essa e outras histórias do presidente da Copacol, Valter Pitol, um homem obstinado a gerar oportunidades para os quase oito mil associados. Confira os planos dessa gigante do agro para as cadeias estratégias de aves, peixes, suínos, leite e grãos.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica”

O Presente Rural – Vamos começar falando um pouquinho da sua história. Como que ela se envolve com o cooperativismo?

Valter Pitol – Eu vim para Cafelândia trabalhar na cooperativa em fevereiro de 73, como extensionista. Eu me formei em 1972, em Passo Fundo, na segunda turma de agrônomos. Naquela época a agricultura demandava muitos profissionais. Tinham oportunidades no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná. E aí o meu colega era Moacir Micheletto e ele dizia para eu vir ao Paraná porque era bom. Eu vim de carona e comecei a trabalhar na cooperativa. Fui responsável pela construção do departamento técnico. Passamos por uma evolução muito grande em tecnologia, com a exigência de prestar assistência ao produtor. Depois, fui convidado a ser vice-presidente em 1980, cargo que ocupei por 18 anos. E agora, com toda essa experiência faz 25 anos que eu sou presidente da cooperativa. Tenho muita satisfação, muita responsabilidade, mas também orgulho na caminhada profissional. Digo sempre que conto com uma grande equipe, pois ninguém faz nada sozinho.

O Presente Rural – O senhor pode nos contar um pouco da história da Copacol?

Valter Pitol – Somos uma cooperativa agropecuária, mas ela foi fundada por uma necessidade de produção de energia elétrica. Em 1963, quando o padre Luiz e outros 32 produtores formaram a Copacol, a necessidade era energia elétrica nessa vila que era um distrito de Cascavel, então eles construíram uma usina, puxaram quatro quilômetros de rede aqui nessa comunidade. Depois, com a chegada dos colonizadores do Sul eles começaram a desbravar a região e surgiu a necessidade de estruturar a produção de grãos. Foi então que em 1967, com muitas dificuldades, começaram a estruturar a produção de grãos. No início era tudo manual, depois veio a mecanização.  Sempre gosto de lembrar um fato bastante importante, pois a fundação da cooperativa foi em outubro de 1963, mas ela também teve um fato histórico em fevereiro de 1972, que também diria que marcou o desenvolvimento e oportunidade da região. Foi neste período que foi realizado, no Oeste do Paraná, por órgãos do governo, o mapeamento da região, o projeto Iguaçu de cooperativismo é baseado nisso. Eles identificaram quais eram os locais onde seria melhor fundar cooperativas para poder dar sustentação a todo esse desenvolvimento que vinha da agricultura. Então em 1970 fundaram a Coopavel, com sede em Cascavel e aqui éramos um distrito vizinho, Cafelândia, dentro de Cascavel. E aí, qual era o sentimento naquela época, passávamos por dificuldades e muitos pensaram que devíamos nos incorporar a Coopavel. Porém, a história diz que por meio da ação de um homem, isso não veio a acontecer e foi muito importante para a nossa cooperativa. Contam que o padre, naquela época, foi de casa em casa pedindo aos produtores e cooperados para que votassem não na assembleia e permanecêssemos sozinhos enquanto cooperativa. O padre dizia que a incorporação não traria progresso para a Copacol. Então na assembleia, os 92 produtores associados da época não aprovaram a incorporação e a nossa cooperativa começou a deslanchar a partir daquele dia. Conseguimos financiar nosso primeiro armazém em 1972 e começamos a receber soja. Passamos por problemas, pois os financiamentos não eram fáceis de ser conseguidos na época, muitos produtores precisaram validar os financiamentos com promissórias, assumindo os valores caso a cooperativa não desse conta. Nenhum produtor precisou pagar, pois a cooperativa teve bons resultados. Isso é muito bonito e gosto de dizer, pois mostra a confiança e a expectativa dos associados. Depois, em 1974 iniciamos os trabalhos em Nova Aurora, Formosa do Oeste e em Jesuítas. Hoje temos mais de 30 unidades de recebimento de grãos no Oeste e Sudoeste do Paraná. Então nossa cooperativa foi formada por decisões fortes, por muita coragem e ousadia. As decisões daquela época proporcionaram o que somos hoje.

O Presente Rural – E quando a cooperativa começou a trabalhar com a pecuária?

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais”

Valter Pitol – Em 1975 nós tivemos a famosa geada negra que acabou com os cafezais, alguns se recuperaram e outros não. Depois, em 1977 tivemos uma seca semelhante a essa que passou na soja (2022) e talvez até pior. A cooperativa ainda estava bastante fraca e trabalhava só com grãos, os dirigentes da época discutiram e observaram que se algo desse errado de novo a cooperativa corria o risco de desaparecer, então surgiu a ideia de discutir o que poderíamos fazer para agregar diversificação, para a gente poder crescer. Após as análises e discussões veio a avicultura. Começamos o abate de aves no dia 05 de maio de 1982. Somos os pioneiros do Oeste do Paraná no abate de frangos. Foi difícil no início, pois ninguém conhecia esse trabalho, mas logo começamos a ter renda muito boa e isso estimulou e desenvolveu a cooperativa e veio com uma velocidade muito grande. Hoje 50% do nosso faturamento vem do frango.

Nesta época também tínhamos a Sudcoop que era uma central de suínos, que basicamente atendia as cooperativas do sudoeste. Tinha estrutura em Medianeira e Céu Azul, foi então que o banco de crédito sugeriu que fizéssemos uma integração entre o Oeste e Sudoeste. E com isso veio todo o desenvolvimento da Frimesa que fazemos parte desde o início e enviamos a nossa produção de suínos e leite para ser industrializado pela Frimesa.

O Presente Rural – Presidente, o senhor pode falar sobre o quadro de associados e colaboradores. E quais são as regiões que a Copacol atua?

Valter Pitol – Temos hoje oito mil associados e quase 16 mil colaboradores em todos os nossos processos industriais. A participação do associado é muito forte. Ele confia no trabalho da cooperativa e nos negócios. Isso porque temos uma excelente estrutura de gestão. Temos negócios com grãos, cereais, frango, suíno, leite e piscicultura. A nossa cooperativa sempre procurou zelar pela integração do associado e da família com o desenvolvimento da cooperativa, com as oportunidades de crescimento do produtor, para ele poder participar mais, ter mais produção de frango, suínos e peixe, além dos grãos. E com isso vem agregando colaboradores. O processo de desenvolvimento é contínuo, o que proporciona oportunidades aos cooperados e também beneficia a geração de empregos.  Sempre digo que isso equilibra produção, pois o produtor produz, mas também gera emprego e riquezas para a região.

O Presente Rural – Em seus 60 anos de existência, a cooperativa tem desempenhado um papel crucial na comunidade dos cooperados. Presidente, diante dessa marca significativa, gostaríamos de saber como foram as comemorações desta importante data.

Valter Pitol – Estamos felizes, pois tivemos muitas dificuldades, mas a cooperativa sempre deu seus passos com segurança. Agora completamos 60 anos de história, de oportunidades aos cooperados e nós comemoramos com nossos familiares, com a presença de familiares de fundadores, pois temos somente três fundadores que ainda são vivos. Comemoramos lembrando da ousadia e da coragem dos primeiros. Tivemos também um momento de celebração para agradecer as bênçãos, independente de credo, com show do padre Ezequiel, no sentido de fortalecer o espírito da integração, do cooperativismo, agradecendo e também para pedir a Deus que continue a abençoar nossa cooperativa. E todos os associados também receberam um presente, bem como os colaboradores. Desta forma, as celebrações reafirmaram a importância dos cooperados e dos colaboradores que dedicam muito do seu tempo em prol da cooperativa, pois procuramos trabalhar de forma a desenvolver ações que beneficiem a agricultura.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “Somos a quinta empresa do país em abate de frango”

O Presente Rural – A Copacol trabalha em diversas áreas. Como está cada uma delas e o que elas representam hoje para a cooperativa?

Valter Pitol – A área de grãos é uma área importante porque é onde produzimos a matéria-prima para produzir carne. Dentro dessa área tem um centro de pesquisa agrícola que oferece suporte, informações tecnológicas de primeira mão para o nosso cooperado. Nosso parceiro hoje é credenciado pelo Ministério da Agricultura, temos parceria com empresas nacionais e multinacionais de pesquisa. Desta forma, nosso produtor é muito bem assessorado para a produção de grãos e quando ele vai aplicar um defensivo ele tem muitas informações e pode fazer de forma bastante segura, pois tudo foi pesquisado e estudado de forma a ser eficiente.

Na parte de avicultura nós abatemos hoje 720 mil frangos por dia. Somos a quinta empresa do país em abate de frango. Com isso vem toda uma riqueza e uma oportunidade em relação à participação do cooperado. Nós estamos projetando um pequeno aumento no abate, já que as nossas unidades de Cafelândia e Ubiratã conseguem aumentar um pouco.

Na suinocultura somos parceiros da Frimesa que está crescendo e nós temos 18% da responsabilidade do capital da Frimesa, então nós temos que contribuir com 18% do suínos que são abatidos. Então você vai investir em estrutura de produção de leitões e você vai gerar oportunidade para o produtor fazer terminação, então projetamos crescimento.

No peixe nós estamos com duas plantas, uma em Nova Aurora e outra em Toledo. Qual é o caminho? É duplicar a capacidade de abate em Toledo, de 40 mil para 80 mil tilápias ao dia. Até 2025 nossa projeção é abater 230 mil tilápias ao dia nessas duas plantas. Tudo isso traz mais oportunidades ao produtores. Por isso eu digo sempre que a cooperativa cresce dando mais oportunidades ao produtor. Esse é o papel da cooperativa, oferecer ferramentas de desenvolvimento e dar condições aos cooperados para que ele tenha mais renda.

O Presente Rural – Com relação a sucessão familiar, como a Copacol tem encarado isso?

Valter Pitol – É um desafio. Estamos há três anos trabalhando forte nisso. Trabalhamos com apoio da Faep, promovendo encontros com as famílias, passando orientações e informações para tomar a decisão de como fazer a sucessão familiar sem trauma. Claro, nós não obrigamos ninguém, mas o produtor que tem interesse, nós temos sempre uma turma para levar ao produtor uma visão do como ele pode fazer uma sucessão familiar de forma eficiente.

O Presente Rural – Presidente, a produção da Copacol está sendo direcionada para onde?

Valter Pitol – Toda a nossa produção de grãos é industrializada por nós. O frango que temos uma produção de quase 500 mil toneladas por ano, 60% é exportado, para 75 países, nos cinco continentes, 40% fica no mercado interno. Nossa exportação de peixe ainda não é tão expressiva, mas também estamos buscando abrir mercado porque planejamos crescer muito neste segmento.

O Presente Rural – Recentemente foi inaugurada uma nova unidade de produção de alevinos. Essa unidade vai suprir toda essa capacidade de aumento que a Copacol almeja na produção de tilápias?

Valter Pitol – Nós, dentro da piscicultura que iniciamos em 2008 e fomos pioneiros no Oeste, também no sistema de integração, temos uma unidade produtora de alevinos que produz 50 milhões de alevinos por ano, em Nova Aurora. E agora com a inauguração da nova unidade que conta com tecnologia israelense, temos uma unidade com renovação de água nos tanques, com bioflocos e que vai produzir 50 milhões de tilápias. Então nós vamos ter 100 milhões de tilápias produzidas ao ano, o que vai nos permitir chegar ao abate de 270 mil tilápias por dia. Então nós temos capacidade de produção de alevinos suficiente para a nossa produção e crescimento.

Equipe do Jornal O Presente Rural: Ueslei Stankovicz, Selmar Marquesin, Giuliano De Luca e Sandro Mesquista, ladeando o presidente da Copacol, Valter Pitol

O Presente Rural – Como está a tecnologia embarcada hoje dentro da produção de tilápia e como o produtor está analisando esse mercado?

Valter Pitol – Eu diria que a tilápia, como nós temos todo o processo genético e toda a cadeia, o que a gente analisa e vem buscar agora com essa estrutura dessas inovações, e digo que é inovação para nós, porque no mundo inteiro essa tecnologia já existe nesse sistema de bioflocos, como nós estamos fazendo com tanques. Então qual é o nosso desafio futuro? Buscar melhoramento genético. O melhoramento vai ser a base para poder ter mais rentabilidade e mais renda. Vamos em busca de mais informações e conhecimento para fazer cruzamento genético para ter mais rentabilidade.

O Presente Rural – No que tange a suinocultura, como está a parceria de vocês junto à Frimesa e o novo frigorifico em Assis Chateaubriand?

Valter Pitol – A Frimesa, desde quando nós entramos de sócios na fundação, sempre foi um porto seguro para os nossos terminadores de suínos. Porque a cooperativa produz os leitões em todas as unidades produtoras, nós temos estrutura e repassamos ao produtor e ele está seguro com a Frimesa, pois é uma parceria muito forte. Nós produzimos produto de qualidade, para que ela faça um bom abate e ofertamos um produto de qualidade e segurança. A Frimesa garante a segurança para o produtor, é claro que acontecem altos e baixos no mercado, mas a Frimesa sempre deu suporte e condições aos produtores. Com este novo frigorífico em Assis nós fornecemos 450 mil suínos por ano e vamos chegar aos 700 mil. Esse é um número muito grande.

O Presente Rural – Quais são os projetos futuros da Copacol?

Valter Pitol – A cooperativa trabalha com um projeto estratégico. Desde 2004, trabalhando como projeto de visão de futuro de cinco em cinco anos. Olhamos sempre para o que é possível fazer, o que nós vamos fazer para crescer e o que o produtor pode participar, pois o produtor é a base de tudo. Em 2024 vamos atualizar nosso planejamento para os próximos cinco anos. Baseados neste planejamento, nós buscamos informar a todos desde os cooperados, as lideranças e nossos colaboradores, para que todos possam saber das oportunidades e contribuir no processo. Nós projetamos, nos próximos cinco anos, aumentar nossa produção de frangos, de peixes e suínos, pois isso está dentro das possibilidades. Sempre trabalhando com eficiência, pensando no custo, porque a gente não consegue regular o preço, mas precisamos trabalhar com um custo de produção mais baixo para que o produto seja viável.  Essa é uma realidade que a gente trabalha constantemente e eu sempre busco aperfeiçoar os processos gerenciais.

Presidente da Copacol, Valter Pitol: “O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor”

O Presente Rural – E dentro dessa projeção de crescimento, que é a perspectiva de faturamento em 2023 e 2024?

Valter Pitol – Neste ano (2023), nossa previsão é chegar em torno de R$ 10 bilhões de faturamento. E para os próximos cinco anos, é claro que nós não esperamos preços tão extraordinários de grãos também, por isso, nos almejamos chegar em cinco anos em um faturamento de R$ 12,8 bilhões. O faturamento é importante, mas não é o principal. O que precisa para que você possa crescer é fazer com que as suas atividades tenham resultados positivos. O crescimento tem que te dar condições para que você possa remunerar melhor o agricultor, avicultor, suinocultor, piscicultor. Então a gente sempre trabalha com essa perspectiva, buscando fazer o melhor, porque nós entendemos que o produtor, o associado é o sustento da cooperativa, nossa responsabilidade é conduzir, gerenciar, processar e comercializar. Mas o produto vem do produtor. Nós temos um diferencial, porque conseguimos integrar muito as famílias dos associados, começando a trabalhar com atividades com eles desde que são crianças. Isso aproxima a família do cooperado à cooperativa.

O Presente Rural – Qual a sua visão com relação as temáticas da agenda ESG, bem-estar animal e o uso de tecnologias? Como a Copacol vem lidando com estes temas atuais?

Valter Pitol – Dentro de todas essas temáticas citados por você, nós precisamos saber cada uma delas e precisamos cumpri-las. Para nós, o bem estar animal é essencial, é uma obrigação. Sempre digo que isso não é modernismo, mas precisamos estar inseridos nestas temáticas para acompanhar as mudanças que acontecem. Só que você também não pode achar que isso vai salvar o mundo, o que vai salvar é o nosso trabalho, é preciso acompanhar as exigências em termos de mercado e sociedade. Então aqui na Copacol nós estamos por dentro de todos estes temas e estamos fazendo a nossa parte, porque sabemos que é preciso ser feito.

O Presente Rural – Quais os principais desafios que vocês enfrentam hoje dentro da cooperativa?

Valter Pitol – Olha, se você olhar na indústria, é a falta de mão-de-obra, principalmente nos setores industriais. Na parte industrial das nossas quatro indústrias nós temos dificuldade séria de mão-de-obra.

O Presente Rural – Vocês têm buscado tecnologia para substituir essa mão-de-obra que falta?

Valter Pitol – Na maior parte de onde era possível substituir já foi feita esta substituição, é claro que nós não substituímos as pessoas, mas usamos tecnologia para ajudar naquilo que estava faltando. Estamos buscando, constantemente, estar atualizados com as novas tecnologias de automatização para suprir as nossas demandas.

O Presente Rural – Hoje as indústrias trabalham com ociosidade por falta de mão-de-obra?

Valter Pitol – Não dá para dizer que temos ociosidade, mas as vezes deixamos de produzir algum produto que possa agregar mais valor, esse é o problema. Então você abate o frango, mas se tivesse a mão-de-obra completa você poderia fazer alguns produtos que você poderia agregar valor para ter mais resultado. Então essa é a deficiência maior.

O Presente Rural – O que a Copacol enxerga de oportunidade no futuro?  

Valter Pitol – Nós acreditamos que vamos continuar crescendo e nos desenvolvendo com segurança, atendendo o produtor. A gente também sabe que temos desafios futuros, como fazer sempre melhor, pois cada vez temos mais concorrência. Então o nosso desafio é crescer com qualidade, com gestão dos negócios, com boas decisões da cooperativa, tudo de maneira organizada e estruturada, pois acredito que é isso que fortalece a cooperativa e vai trazer resultado para os cooperados, que são os donos da cooperativa.

Fonte: O Presente Rural

Colunistas Editorial

Semeando a discórdia e a desordem

Neste momento crucial, conclamamos as autoridades competentes a agirem com firmeza e determinação para garantir o cumprimento da lei e a preservação da ordem pública.

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Foto: Bing

Nos últimos dias, o Brasil testemunhou uma série de invasões de terras promovidas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), uma prática que merece uma condenação veemente e inegociável. O país, reconhecido mundialmente como uma potência agrícola, tem sua reputação manchada por ações que atentam contra a segurança jurídica e a ordem pública.

O agronegócio brasileiro é um pilar essencial da economia, sustentado por milhões de produtores de diferentes escalas, desde pequenos agricultores até grandes empreendimentos, que dedicam suas vidas ao trabalho árduo no campo. São esses homens e mulheres que, ao longo de gerações, alimentam não só a população brasileira, mas também contribuem significativamente para a segurança alimentar global, fornecendo produtos de qualidade e competitivos nos mercados internacionais.

Entretanto, ações como as invasões promovidas pelo MST representam uma ameaça direta a esse setor vital da economia. Apesar de reconhecermos a importância da reforma agrária e a necessidade de garantir o acesso à terra para os brasileiros, é inaceitável que tais questões sejam abordadas por meio de invasões ilegais e truculentas.

É fundamental ressaltar que o MST não representa os verdadeiros agricultores do Brasil. Ao contrário, é composto por indivíduos que muitas vezes são utilizados como massa de manobra por interesses políticos que visam apenas semear a discórdia e a desordem. Esses atos de violência e desrespeito à propriedade privada só servem para atrasar o progresso e dificultar o desenvolvimento do nosso país.

Neste momento crucial, conclamamos as autoridades competentes a agirem com firmeza e determinação para garantir o cumprimento da lei e a preservação da ordem pública. É hora de reafirmarmos nosso compromisso com a legalidade, a justiça e o progresso do Brasil.

Fonte: Por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe do Jornal O Presente Rural
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Como o Programa Nacional de Pastagens Degradadas atuará para a conservação do solo

Data criada pelo governo federal em 1989 objetiva trazer a importância do manejo correto do solo.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Há 35 anos o Governo Federal instituía o dia 15 de abril como Dia Nacional de Conservação do Solo por meio da Lei nº 7.876/1989. Este recurso natural é a base para a agricultura sustentável e competitiva, pois é responsável por fornecer os nutrientes, a água e atividade biológica benéfica para a saúde do solo nas lavouras e áreas preservadas no Brasil. Sendo um recurso natural não renovável é de grande importância práticas que conservem e que restaurem solos degradados.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) trabalha para o estímulo de práticas sustentáveis de manejo e de conservação dos solos. Uma dessas ações é o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestas Sustentáveis (PNCPD) que foi lançado em dezembro de 2023 por meio do Decreto nº 11.815.

O programa tem por objetivo promover e coordenar políticas públicas destinadas à conversão de pastagens degradadas em sistemas sustentáveis, visando fomentar boas práticas agropecuárias que levem à captura de carbono. A pretensão do governo é a recuperação e conversão de até 40 milhões de hectares de pastagens em dez anos.

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destaca que o solo é fator fundamental para o plantio. “O solo é o bem mais preciso que o produtor tem e por isso deve cuidar dele com bastante atenção”, evidencia.

Fávaro afirma que o programa além de ser uma prática sustentável, prevê a adoção de medidas que contribuam com a segurança alimentar e climática do planeta. “O programa de conversão de pastagens degradadas reflete em investimentos na agricultura brasileira e na diminuição da emissão de gás carbônico (CO2). Vamos mostrar para o mundo que é possível produzir e preservar”, completa ministro.

O fator que mais caracteriza uma área degradada é a cobertura vegetal e a condição física, química e biológica do solo. Dessa forma, PCNCPD recuperará os solos degradados pelo uso inadequado por décadas, para que se torne fértil e ativo biologicamente. Recuperando o solo, o produtor poderá usar suas terras de forma mais competitiva e sustentável.

Quando há transformação de uma área ocupada por pastagem em alto grau de degradação para uma lavoura ou floresta de forma sustentável, ocorre um efeito colateral importante sobre a conservação de solo e da água: uma redução drástica da erosão do solo.

O Brasil perde, por ano, somente por erosão hídrica cerca de 2,5 bilhões de dólares nas áreas agrícolas do país, sobretudo em áreas ocupadas com pastagens degradadas. Esse valor pode ser muito maior, se não tiver a conversão das áreas ocupadas com pastagens degradadas em sistemas agropecuários e florestais sustentáveis.

O coordenador-geral do Comitê Interministerial que cuidará do programa e assessor especial do ministro, Carlos Augustin, afirmou que o objetivo é a produção com certificação, rastreabilidade e sustentabilidade. “O mundo quer alimentos saudáveis, alimentos que sejam produzidos com baixo carbono, com o uso de bioinsumos, enfim, uma série de quesitos de sustentabilidade e o Brasil pode oferecer isso”, ressalta.

O programa poderá ainda causar um impacto na conservação de solos e água que só a introdução do plantio direto nas últimas cinco décadas tem semelhança, e, por isso, vários órgãos públicos, empresários, produtores estão participando deste processo.

Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Roberto Perosa, o programa de pastagens do Mapa pode demonstrar a outros países múltiplos caminhos para alcançar a sustentabilidade da agricultura, para, no fim, levar segurança alimentar aos países.

“A sinergia entre governo e setor produtivo será fundamental para alcançar esses objetivos, mantendo o Brasil como um fornecedor vital de alimentos para o mundo e um exemplo de desenvolvimento sustentável na agricultura”, destaca o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Roberto Perosa.

No Mapa, a Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo (SDI) trabalha para fomentar e promover tecnologia com sistemas sustentáveis de produção, incluindo a conservação do solo.

As tecnologias voltadas para conservação de solo têm a característica de promover práticas sustentáveis de manejo da terra, visando a preservação da fertilidade do solo, a prevenção da erosão e a proteção do meio ambiente.

De acordo com a secretaria da SDI, Renata Miranda, ao instituir o PNCPD, o governo demonstra uma visão proativa em direção a práticas que não apenas aumentam a produtividade, mas também preservam os recursos naturais e mitigam os impactos ambientais. “O programa contribui para a redução da pressão sobre os ecossistemas naturais e para a adaptação e mitigação dos efeitos negativos das mudanças do clima”, diz.

Dentro do Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (ABC+), que consiste em políticas públicas para fomentar uma agropecuária mais sustentável e para o enfretamento à mudança do clima, as tecnologias para a conservação do solo estão presentes em quase todos os sistemas produtivos sustentáveis como os sistemas de plantio direto; de produção integrada; uso de bioinsumos; sistemas irrigados; entre outros.

Fonte: Assessoria Mapa
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Adidos agrícolas contribuem para abertura de mercados no exterior

Em 15 meses, 100 novos mercados foram abertos após intenso trabalho dos auditores agropecuários no Brasil e no exterior.

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Com a abertura de novos mercados para produtos da agropecuária nacional, o Brasil se fortalece no cenário internacional de exportações e importações. Desde janeiro de 2023, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) já abriu 100 novos mercados, sendo a maioria na Ásia e nas Américas, 36 e 35 mercados abertos em cada, respectivamente. Na linha de frente para concretizar essas operações e, ao mesmo tempo, atuando nos bastidores para mantê-las, estão os auditores fiscais federais agropecuários (AFFAs).

“Abertura de mercado é quando dois países chegam a bom termo entre os requisitos sanitários do país importador e as garantias oferecidas pelo país exportador, para um determinado produto. Então, por exemplo, exportar pescados para a Austrália, é um mercado. Exportar carne de aves para El Salvador é outro mercado. Então conta por produto, para aquele país, ou território, ou bloco econômico”, explica Augusto Billi, diretor do Departamento de Negociações Não-Tarifárias e de Sustentabilidade, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Mapa.

Para auxiliar na consolidação e manutenção desses mercados, foi criado em 2010 o posto de adido agrícola. Segundo Billi, a posição é majoritariamente ocupada por AFFAs. Atualmente, o Brasil dispõe de 29 adidos agrícolas espalhados por 27 países. “O adido agrícola estuda tudo que aquele país exige; ele está identificando oportunidades. Ele analisa as importações e consumo de determinado produto e verifica se o Brasil teria as condições sanitárias e a competitividade para exportar. Estuda quais barreiras existem para isso e as possibilidades de superá-las. Com o apoio dos AFFA que atuam na Secretaria de Defesa Agropecuária e na Secretaria de Comércio e Relações Internacionais, elabora-se a melhor estratégia de negociação para alcançar o objetivo da abertura do mercado”, completa.

São muitas as barreiras a serem superadas, mas podemos citar as barreiras tarifárias, as barreiras sanitárias e fitossanitárias e, agora, as barreiras de terceira geração, voltadas para causas ambientais, sociais, de bem-estar animal, trabalhistas, dentre outros aspectos.

Billi ressalta que o Brasil tem superado, com excelência, todas essas barreiras. “A gente tem hoje a agricultura mais sustentável do planeta, já não temos dúvida disso”, “nós temos um Código Florestal que exige que todo produtor preserve pelo menos 20% da área de sua propriedade. No bioma Cerrado, este percentual é de 35%, chegando a 80% de preservação no bioma Amazônico”, disse.

Além disso, o planejamento brasileiro para o cumprimento de prazos e respeito a contratos é motivo de orgulho. “O Brasil é um dos mais organizados com isso e, usando agricultura familiar. Grande parte da nossa produção de aves e suínos vem da agricultura familiar, onde as famílias estão envolvidas no processo de integração com as grandes companhias produtoras e exportadoras de produtos cárneos”, acrescenta o diretor.

Ainda assim, nem toda abertura de mercado quer dizer uma venda imediata de produtos. “Abrimos o mercado, automaticamente tem container indo para lá? Não. Há mercados que foram abertos e o setor, de repente, achou que não é conveniente, ou ele não é competitivo no momento”, exemplifica Billi.

Tão importante quanto a abertura é a manutenção dos mercados já alcançados. Os auditores agropecuários que trabalham com saúde animal, sanidade vegetal, inspeção de produtos de origem animal e vegetal, são os profissionais que podem certificar que as garantias

Fonte: Assessoria Anffa Sindical
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