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Suínos / Peixes

5 estratégias para reduzir custo da alimentação e ter maior rentabilidade na produção de suínos

Profissional defende a importância de trabalhar com uma alimentação que busque suprir todas as necessidades nutricionais dos animais e que seja dinâmica e atrelada às melhores opções de insumos, que são disponibilizadas para o mercado suinícola.

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Foto: Divulgação

O suinocultor entende e reconhece a relevância da nutrição adequada para a criação de suínos, isso porque cerca de 70% dos custos de produção estão relacionados com a alimentação dos animais. Desta maneira, buscar alternativas eficientes e que promovam a economia financeira podem trazer maior rentabilidade para o produtor. Essa temática está fazendo parte do 20º Congresso da Abraves, que acontece nesta semana, de 16 a 19 de outubro, em Porto Alegre, RS, com palestra da professora doutora em Zootecnia Melissa Hannas. A docente defende a importância de trabalhar com uma alimentação que busque suprir todas as necessidades nutricionais dos animais e que seja dinâmica e atrelada às melhores opções de insumos que são disponibilizadas para o mercado suinícola.

Doutora em Zootecnia Melissa Hannas faz palestra no Congresso Abraves no Rio Grande do Sul – Foto: Arquivo Pessoal

Melissa defende que é possível melhorar o retorno econômico dos sistemas de produção a partir da elaboração das rações com base nas exigências nutricionais dos animais, mas alertou que este trabalho não é estático, porque os valores dos alimentos e dos produtos finais produzidos também passam por modificações e são, constantemente, alterados conforme as regras do mercado. “Uma coisa é certa, quando a exigência nutricional é bem ofertada, o desempenho do animal é sempre melhor”, defende.

Na busca por melhorar a alimentação dos animais e reduzir os custos de produção, a especialista sugere cinco estratégias principais. A primeira é a possibilidade de utilizar ingredientes alternativos. A segunda diz respeito ao conhecimento da composição dos nutrientes que são utilizados para formular as dietas. Em terceiro está valer-se da formulação de dieta com base nos conceitos de nutrição mais aprofundados. A quarta estratégia é propiciar uma alimentação específica em cada uma das fases do animal e a quinta é o uso de modelos dinâmicos de nutrição e rentabilidade.

1ª estratégia: ingredientes alternativos

A zootecnista lembra que a base da alimentação dos suínos no Brasil é milho e farelo de soja, porque o país não possui uma diversidade grande de grãos. “Em apenas algumas regiões existe a oferta de ingredientes alternativos, mas muitas vezes essa oferta é limitada”, pontua. Melissa complementa enaltecendo que é preciso buscar oferecer uma diversidade de grãos, conforme as disponibilidades de cada região.

2ª estratégia: conhecer a composição dos nutrientes

Outro aspecto importante destacado por ela á a necessidade de conhecer a composição dos nutrientes que estão presentes nos alimentos que são fornecidos aos animais. “Quando conseguimos analisar e verificar a composição, conseguimos formular uma dieta mais próxima daquilo que é a exigência nutricional, ou seja, o que o animal realmente necessita”, reforça.

3ª estratégia: energia líquida e aminoácidos

A terceira recomendação diz respeito a formulação da dieta, com base na utilização de conceitos nutricionais mais elaborados, valendo-se da utilização do sistema de energia líquida e da parte proteica, considerando os aminoácidos digestíveis. “Quando utilizamos esses conceitos temos uma possibilidade de melhor atender as exigências nutricionais dos animais e obter menores custos de produção, por meio da melhor eficiência do uso dos nutrientes fornecidos para ganho de peso animal e conversão do alimento”, informa.

4ª estratégia: alimentação específica em cada fase de vida do animal

Outro aspecto bastante importante, ressalta a zootecnista, é a importância de atentar-se à necessidade nutricional que é específica para cada fase/idade do animal. “Os suínos nascem hoje com cerca de 1,3 Kg, o desmame acontece normalmente com 6 Kg e depois ele é abatido com cerca de 130 Kg. Desta forma, ao longo do desenvolvimento do animal, as exigências de nutrientes vão modificando e, por isso, o trabalho em fases de alimentação é extremamente importante e pode ser um grande aliado na economia com a alimentação”, explica.

Ela reforça que esta estratégia é bastante benéfica, porque quando a alimentação do animal é subdividida em várias fases é possível atender com maior exatidão os nutrientes que o suíno precisa, e desta forma ele tem um desempenho melhor e possibilita um menor desperdício de nutrientes. “Trabalhar com conceitos de nutrição são uma excelente forma de melhorar o desempenho, pois eles possibilitam tornar os ingredientes como o milho e o farelo de soja mais eficientes”, destaca.

5ª estratégia: modelos dinâmicos de nutrição e rentabilidade

Com relação ao uso de modelos dinâmicos de nutrição e rentabilidade, Melissa reforça que os modelos dinâmicos permitem definir para cada situação, sistema de produção e preços de insumos quais níveis nutricionais da dieta fornecida aos animais proporcionarão aos produtores a maior rentabilidade. “Esses modelos dinâmicos oferecem a capacidade de personalizar os níveis nutricionais da dieta fornecida aos animais, adaptando-os a cada situação”, pontua.

Outras estratégias

Melissa também enalteceu que existem critérios nutricionais que são essenciais e que os produtores precisam considerar. “Para que isso funcione da melhor maneira os produtores contam com a assessoria de nutricionistas e zootecnistas que são aptos a indicar dietas formuladas, que estejam de acordo com as exigências nutricionais para cada fase do animal, para cada categoria e para as características específicas dos sistemas de produção que o granjeiro esteja inserido. Atentar-se para isso é fundamental”, opina.

Outra estratégia de alimentação seria a separação dos animais em três categorias, conforme o sexo, porque os machos castrados têm uma exigência nutricional e a fêmea outra. “Hoje também temos o terceiro gênero, que é o macho inteiro, que ele só vai ser castrado ao final com a vacina de imunocastração, e ele também possui uma necessidade diferenciada de nutrientes”, informa acrescentando que esta separação é difícil de ser realizada, por conta das limitações de logística, mas quando realizada traz muitos benefícios”, informa.

Nutrição de precisão

Foto : Jonathan Campos

Um caminho para o futuro, segundo a doutora, é a possibilidade de incrementar ainda mais a nutrição de precisão, já que os estudos mostram que é possível verificar a real exigência nutricional dos animais. “Em um futuro próximo, quando a gente conseguir misturar a dieta diariamente e verificar se os animais estão consumindo exatamente o que é necessário, essa precisão será uma grande forma de reduzir o custo e vai possibilitar uma maior sustentabilidade, porque vai diminuir a ingestão de nutrientes que são excretados pelo animal de forma desnecessária e que voltam ao meio ambiente”, sugere.

Melissa considera esta estratégia muito importante porque ela propicia uma dieta que atenda às necessidades dos animais, o que vai possibilitar com que o animal absorva e tenha uma eficiência melhor de ganho de peso. “Isso porque à medida que o animal vai crescendo a capacidade de ingestão dele aumenta. Nessa situação, a dieta precisa ser diluída porque ele come mais e não necessariamente esse aumento no consumo reflete em maior ganho de peso, desta maneira, quanto mais próximo da exigência nutricional e capacidade de eficiência dele, mais econômico fica o investimento financeiro que o produtor faz na alimentação do seu plantel”, orienta.

“Quando determinamos a exigência de um nutriente em condições experimentais, estabelecemos quanto que o animal precisa consumir para apresentar o melhor desempenho, o que pode ser traduzido em ganho de peso, conversão alimentar e em algumas condições, por exemplo, rendimento de carne, maior produção de cortes, dependendo da indústria”, destaca.

Melissa ainda enaltece que os efeitos de melhoria de desempenho são imediatos quando se é trabalhado com a atendimento das exigências nutricionais dos animais. “Com certeza a gente melhora os índices zootécnicos, mas, mais uma vez, melhorar o índice zootécnico não se traduz necessariamente em maior lucratividade, é preciso planejar e avaliar quais os planos alimentares que promovem os maiores retornos econômicos, este é o nosso grande desafio”, considera.

Ela reforça que é necessário levar em consideração também que muitas vezes o melhor ponto econômico não acompanha o melhor desempenho, uma vez que este dependerá do custo dos insumos e do preço de comercialização dos produtos finais produzidos. “É importante considerar isso”, recomenda.

Avaliar e otimizar

Aos produtores que pensam em melhorar a eficiência e diminuir os custos, ela aconselha que o primeiro passo é reavaliar em que situação a granja encontra-se hoje. “Precisamos ter um objetivo, mas também é preciso saber qual é o ponto de partida, ou seja, qual é a situação da granja hoje, no que diz respeito ao potencial genético dos animais e avaliar onde que isso pode ser otimizado. Contar com profissionais capacitados, que vão propiciar avaliações específicas para cada modelo de produção, é necessário”, recomenda.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola acesse gratuitamente a edição digital de Suínos. Boa leitura!

 

 

Fonte: O Presente Rural

Suínos / Peixes

Especialista alerta para três pontos críticos no carregamento e transporte de suínos

O bem-estar animal é tema fundamental na indústria agropecuária, uma preocupação compartilhada por 183 países signatários da OIE. O médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor, Cleandro Pazinato Dias, destaca a importância de entender como os animais lidam com seu ambiente e como isso afeta seu quadro.

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Fotos: Shutterstock

O médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor Cleandro Pazinato Dias compartilhou suas experiências com especialistas e profissionais do setor suinícola, durante o Encontro Regional da Associação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (Abraves). O encontro aconteceu em Toledo, no Paraná.

O bem-estar animal é tema fundamental na indústria agropecuária, uma preocupação, segundo Dias, compartilhada por 183 países signatários da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Ele destaca a importância de entender como os animais lidam com seu ambiente e como isso afeta seu quadro. “O conceito de bem-estar animal é central para a OIE e para a comunidade internacional. Trata-se de garantir que os animais estejam saudáveis, confortáveis, bem alimentados, seguros e livres de dor, medo ou angústia”, iniciou. Para o palestrante, “a vida dos animais está em harmonia quando todas essas condições são atendidas”.

médico-veterinário, mestre em Ciências Veterinárias, doutor em Bem-estar Animal, professor, autor e consultor Cleandro Pazinato: “O conceito de bem-estar animal é central para a OIE e para a comunidade internacional” Dias – Foto: Francieli Baumgarten

Entretanto, Cleandro Dias ressalta que, muitas vezes, apesar de todo o cuidado prévio, o momento do carregamento e transporte dos animais pode comprometer todo o trabalho realizado em onze meses. “Esse processo apresenta uma série de estressores que podem impactar negativamente o bem-estar dos animais”. Ele detalha os principais desafios encontrados nessa fase e, um dos primeiros estressores destacados é a mistura de suínos não familiares. “Quando suínos de diferentes grupos são reunidos durante o transporte, isso pode levar a brigas devido à necessidade de estabelecer uma nova hierarquia social”.

Manejo

Outro ponto crítico mencionado pelo profissional é o uso inadequado de métodos e objetos de manejo, como o choque elétrico, que pode causar estresse nos animais e é proibido no Brasil. “Aproveito a oportunidade para destacar que é proibido conduzir suínos em granjas ou em transporte utilizando choque elétrico ou o sistema de caneta elétrica”, frisa. Além disso, Cleandro aponta deficiências estruturais nas instalações de transporte, como o uso de baias de expedição ou de transbordo. “Em alguns locais, aqui no Brasil, ou em algumas situações são utilizados esse tipo de instalação, onde você reúne os animais numa baia, prévia ao embarque. Se isso for feito também de uma maneira inadequada, perdemos boa parte do trabalho que foi feito antes. Algumas unidades brasileiras estão cogitando ainda novos projetos utilizando esse esquema. Existe uma forma de fazer que reduz o estresse”, relata.

A inexperiência ou falta de treinamento dos manejadores também foi uma circunstância considerável apontada pelo palestrante. “Se as pessoas que fazem o trabalho não sabem como fazê-lo corretamente, já se tem um ponto crítico que está fora de controle. Carregar suínos, embarcar e transportar exige muito jeito e não é complexo. É simples, mas tem que ser feito de uma maneira cuidadosa para que o animal não se estresse”, aponta Dias.

Outro aspecto destacado por Dias é a importância da composição adequada das equipes envolvidas no transporte de suínos. Desde os produtores até os transportadores, passando pelos funcionários e equipes especializadas, cada membro desempenha um papel fundamental na garantia do bem-estar dos animais. “Precisamos olhar para as pessoas que estão fazendo esse trabalho com o carinho e respeito que elas merecem, se não, teremos dificuldades em reverter os resultados ruins que temos nessa fase”, observa.

Deficiências estruturais

Deficiências estruturais, como nas instalações do caminhão, corredor, rampa ou pátio, também são citadas por Dias como fatores estressores para os suínos. “Todas essas instalações que estão nesse fluxo dos

animais podem interferir no bem-estar deles e nas perdas que nós temos. Então, precisam estar em boas condições e serem desenhadas dentro de um layout que seja favorável à condução e ao transporte de animais. Quero deixar bem claro que são pontos críticos em termos de infraestrutura: o local onde o animal embarca, a conexão dele com o veículo de transporte e, também, o local onde o veículo transita dentro da propriedade rural, para que ele possa ter uma boa acoplação”, exemplifica.

Transporte

O professor acrescenta ainda que condução inadequada do veículo, estradas em más condições, microclima do caminhão e más condições ambientais também são fatores que precisam ser observados para evitar o estresse dos suínos durante o carregamento e transporte. “Os animais sofrem muito, de dor, de calor. Um dia que apresenta 30º C de temperatura, por exemplo, é um dia inadequado para transportar suínos. Independente da categoria, precisamos de veículos que sejam semi climatizados ou climatizados”, reforça. “Não podemos eliminar esses estressores, mas podemos tentar reduzir ou mitigar o impacto deles, para que essa viagem, esse carregamento, seja menos traumático possível”, complementa o médico veterinário.

“Muitas vezes, durante a viagem, o suíno tem sede, fome, tem calor e tudo isso faz com que ele tenha algum tipo de situação que o leva a ter desconforto, frustração ou fadiga”, cita o especialista. “Importante ressaltar que a superestimulação sensorial – ruídos, odores desconhecidos, luzes, variações abruptas de velocidade, oscilações térmicas, vibrações do veículo, tudo isso vai estressando o suíno”, salienta o doutor em Bem-estar Animal.

Reforçando pontos críticos

Durante a palestra, Cleandro reforçou os três pontos que ele considera mais críticos na etapa de carregamento e transporte de animais. “O primeiro deles é o manejo inadequado, que vai provocar o estresse de manejo e, para prevenir, é necessário treinamento e capacitação das pessoas para que elas saibam como devem trabalhar, carregar os animais e transportá-los”, especifica. “O segundo ponto são as altas temperaturas, que causam ao animal o estresse térmico, que pode ser evitado não realizando carregamento em horas de calor. O outro ponto importante é a questão das instalações. Novamente menciono a superestimulação sensorial e, nesse momento, a manutenção das instalações é um ponto crítico”. Segundo Cleandro, “é sempre válido lembrar que atraso no embarque ou desembarque é um risco que pode aumentar as consequências negativas do bem-estar”, ampliou.

Categorização dos animais

Ele também chama atenção para a categorização dos animais transportados e a importância de prepará-los adequadamente para a viagem, incluindo períodos de jejum específicos de acordo com as características individuais. “Categorizamos o transporte por peso, idade, destino, por característica de veículo que vai transportar. É muito útil essa especialização dos transportes que a agroindústria faz”. O consultor detalha que “as categorias são divididas em cinco: leitões desmamados, leitões descrechados, descartes (porcas e cachaços), abate, reprodução”. E acrescenta: “o jejum pré-estabelecido, o mínimo para os reprodutores é de 10 horas, e as outras categorias, no mínimo, 5 horas. Claro que cada agroindústria tem a sua regra, mas isso é o que tem escrito na ciência”.

Empatia

Cleandro lembra a importância de preparar adequadamente os animais para a viagem, a fim de evitar situações inapropriadas. “Se não melhorarmos a forma como carregamos e transportamos os suínos, a situação só tende a piorar, pois os animais estão se tornando cada vez mais sensíveis. Precisamos agir com responsabilidade e empatia para garantir o bem-estar desses animais”, disse o palestrante em sua mensagem final.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo na suinocultura acesse a versão digital de Suínos clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Pesquisa da Embrapa desenvolve salsicha, patê e apresuntado de tilápia

Perda na cadeia produtiva do pescado chega a 35%, o dobro do que é perdido na carne bovina, segundo dados da FAO. As pesquisas para aproveitamento do pescado integram o BRS Aqua, uma rede com mais de 240 integrantes da Embrapa, e mais de 60 parceiros, entre públicos e privados.

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Os novos produtos agregam valor á cadeia produtiva do pescado. Na foto, apresuntado de tilápia - Foto: Ângela Aparecida Lemos Furtado

Pesquisadores da Embrapa Agroindústria de Alimentos desenvolveram produtos alimentícios usando tilápia (Oreochromis niloticus), o peixe mais cultivado no País, que podem agregar valor a essa cadeia produtiva: hidrolisado proteico, salsicha com fibra de abacaxi e patê com fibra de abacaxi e embutido de carne tipo apresuntado. A Embrapa procura parceiros privados para levar os produtos ao mercado consumidor.

O trabalho ainda procura aproveitar resíduos da produção, dando sustentabilidade e evitando desperdícios. A cadeia do pescado gera grande volume de resíduos e tem seu crescimento associado a um possível problema ambiental. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a perda na cadeia produtiva do pescado chega a 35%, o que representa o dobro do que é perdido na carne bovina.

Fotos: Tomas May

Em outra frente, a Embrapa Agroindústria Tropical (CE) vem atuando no desenvolvimento de hidrogéis e nanoemulsões a partir da gelatina de tilápia, produtos que podem ser utilizados, pela indústria biomédica, como biocurativos, e também pela indústria de cosméticos. O pesquisador Men de Sá Moreira explica que os produtos apresentam propriedades antioxidantes e potencial de aplicação tópica.

Para se ter uma ideia do que é desprezado, o filé, produto principal da tilápia, representa, aproximadamente, apenas 30% do peixe. Os outros 70% que sobram do processo de filetagem são considerados sem grande valor comercial, sendo utilizados principalmente na fabricação de farinha de peixe e ração.

A pesquisadora Angela Furtado, da Embrapa, explica que a intenção da pesquisa é gerar produtos que garantam maior rentabilidade, além de contribuir para a sustentabilidade ambiental. “Utilizando os resíduos do processo de filetagem da tilápia chegamos a um hidrolisado com alto teor proteico e que pode ser amplamente utilizado em diferentes produtos, como alimentos, cosméticos, nutracêuticos e suplementos alimentares”, pontua Furtado.

Produtos da tecnologia do pescado
Patê de tilápia com fibra de abacaxi é preparado a partir de carne mecanicamente separada de tilápia e fibra de abacaxi. É um produto estéril comercialmente quando oferecido em latas mantidas em temperatura ambiente. É de fácil digestão e pode ser oferecido ao público infantil e terceira idade, que necessitam consumir proteína animal e que têm certa rejeição ao pescado inteiro.

O hidrolisado de gelatina de tilápia é altamente proteico; sua principal aplicação é como ingrediente em produtos alimentícios, cosméticos, em cápsulas ou em pó como produto natural, nutracêutico ou suplemento alimentar. Essa categoria de produto é reconhecida por atuar como regenerador dérmico (da pele) e de cartilagens.

O embutido de carne mecanicamente separada de tilápia na forma sólida é do estilo apresuntado. É moldado na forma cilíndrica com filme plástico do tipo cook-in, cozido e conservado sob refrigeração. Pode ser consumido sob a forma fatiada como embutidos do tipo mortadela ou presunto.

Já a salsicha de tilápia com fibra de abacaxi é processada a partir de carne mecanicamente separada (CMS) de tilápia-do-nilo e de farinha de resíduo de abacaxi (FRA), com teor reduzido de sódio e sem utilização de corantes. Trata-se de alimento que pode ser consumido diretamente.

Projeto BRS Aqua
As pesquisas para melhor aproveitamento do pescado integram o Projeto BRS Aqua, uma parceria entre Embrapa, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Secretaria Nacional de Aquicultura e Pesca do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Trata-se de uma rede, coordenada pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), e dela fazem parte mais de 240 empregados de 23 unidades da empresa, além de mais de 60 parceiros, entre públicos e privados.

A indústria do pescado vem registrando aumentos no faturamento ano após ano. Estudo realizado pela Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), revelou que as exportações da piscicultura brasileira aumentaram 15% em faturamento em 2022, chegando a US$ 23,8 milhões.

Seja um parceiro da Embrapa
Para que esses produtos possam chegar ao mercado, a Embrapa necessita validá-los em ambiente industrial e, para isso, busca parceiros. As empresas interessadas podem procurar o setor de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria de Alimentos, pelo e-mail: ctaa.chtt@embrapa.br.

Conheça mais sobre os produtos de tilápia:

Fonte: Agência de Notícias Embrapa
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Suínos / Peixes

IAT apresenta ao setor produtivo adequações na regulamentação da suinocultura no Paraná

Entre as adequações estão a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo.

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Após uma série de estudos internos, o Instituto Água e Terra (IAT) finalizou o texto de revisão da Resolução Sedest nº 15/2020, que regulamenta a atividade de suinocultura no Paraná. A proposta será apresentada ao setor produtivo e entidades ligadas ao agronegócio nesta terça (18) e quarta-feira (19) durante evento na sede do Sindicato Rural de Toledo, na região Oeste do Paraná. A reunião é apenas para convidados. O IAT é vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Chefe da Divisão de Licenciamento de Atividades Poluidoras do Instituto, Rossana Baldanzi, explica que são duas as principais adequações à legislação em discussão: a incorporação do Software de Gestão Ambiental da Suinocultura (SGAS), desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves, como ferramenta de apoio aos projetos de licenciamento do IAT, e a criação de uma tábua de controle para a destinação de dejetos suínos como fertilizantes para o solo. “Já temos um termo de cooperação técnica com a Embrapa em vigência que permite a transferência, gratuita, deste software para o IAT. Mas precisamos colocá-lo na nossa legislação, por isso a revisão é necessária”, diz ela. O novo texto prevê também o treinamento e a capacitação de profissionais para a utilização da plataforma eletrônica.

Fotos: Ari Dias/AEN

O SGAS possibilita, entre outras questões, que produtores realizem cálculos para determinação da excreção, oferta, perdas e concentração de nutrientes em efluentes da suinocultura, consumo de água, dimensionamento dos sistemas de tratamento dos efluentes, recomendação de adubação para reciclagem dos efluentes como fertilizantes, determinação da capacidade de alojamento de animais e demanda de áreas agrícolas. “Com isso, o órgão ambiental ganhará ainda mais agilidade na elaboração dos licenciamentos para a atividade”, destaca a técnica.

Em relação aos cuidados com o solo, Rossana ressalta que a métrica será definida com base em uma ampla pesquisa conduzida pelo órgão ambiental em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Embrapa, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR) e Fundação ABC.

O estudo foi financiado pelo Grupo Frimesa como condicionante ao licenciamento ambiental para a instalação do frigorifico da cooperativa em Assis Chateaubriand, no Paraná. Considerada a maior indústria deste setor da América Latina, a planta tem capacidade de abater 7.880 suínos por dia. “Essa pesquisa foi desenvolvida com base no fósforo como elemento limitante do uso de dejetos no solo. É preciso encontrar o limite crítico, visto que esse frigorífico vai movimentar toda a cadeia da suinocultura ao redor”, afirma Rossana. “A partir deste estudo, conseguiremos colocar na lei qual é esse limite para que o solo não seja prejudicado, criando novas alternativas de decomposição como o aproveitamento para a produção de energia limpa”, acrescenta.

Suinocultura

A produção de carne suína é um dos destaques da economia paranaense. O Estado é vice-líder nacional, com 22,3% do mercado de carne de porco, atrás apenas de Santa Catarina. Foram 3,1 milhões de animais abatidos no primeiro trimestre deste ano, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Fonte: AEN-PR
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