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Eventos debatem mudanças climáticas nesta semana

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Com o tema “mudanças climáticas e sustentabilidade socioambiental e do agronegócio da Amazônia”, serão realizados entre os dias 2 e 6 de setembro, em Belém-PA, a 18ª edição do Congresso Brasileiro de Agrometeorologia e a sétima edição da Reunião Latino-Americana de Agrometeorologia. Na entrevista a seguir, Reinaldo Lúcio Gomide, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas-MG) e presidente da SBA (Sociedade Brasileira de Agrometeorologia), entidade promotora dos eventos, apresenta os principais desafios que a humanidade enfrentará em relação às mudanças climáticas, os impactos desse fenômeno em áreas vulneráveis, como a Amazônia e o Nordeste, e as projeções dos estudos que vêm sendo conduzidos por especialistas em todo o mundo.
Quais as novas linhas de pesquisa que o congresso poderá trazer para discussão?
A 18ª edição do Congresso Brasileiro de Agrometeorologia e a sétima edição da Reunião Latino-Americana de Agrometeorologia terão como tema central “Cenários de Mudanças Climáticas e a Sustentabilidade Socioambiental e do Agronegócio na Amazônia”, o qual reflete as atuais preocupações da comunidade técnico-científica em relação ao futuro do clima do planeta e suas implicações na produção agrícola, pecuária e florestal, representando uma oportunidade ímpar para reunir os melhores profissionais e especialistas brasileiros, latino-americanos e também de outros países para trocar experiências, atualizar, discutir e difundir conhecimentos sobre os principais avanços tecnológicos relacionados a esse tema. Os dois eventos estão sendo promovidos/organizados pela Sociedade Brasileira de Agrometeorologia– SBA, Universidade Federal do Pará, Universidade Federal Rural da Amazônia e Embrapa, por meio de suas Unidades Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Milho e Sorgo, juntamente com o Governo do Estado do Pará, principalmente as secretarias de Estado de Agricultura e de Meio Ambiente, tendo apoio também da Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), além de vários outros patrocinadores. 
Serão contempladas as seguintes áreas do conhecimento relacionadas à agricultura, pecuária e florestas: agrometeorologia e recursos hídricos; mudanças climáticas; fontes de energia alternativas e bioenergia; indicadores de sustentabilidade na região e nos sistemas agrícolas, recursos hídricos, irrigação e drenagem, modelagem e sistema de suporte a tomada de decisão em agrometeorologia; instrumentação em agrometeorologia; zoneamento agrícola na região e no Brasil e seguro rural; geoprocessamento e sensoriamento remoto aplicados à agrometeorologia; e a agrometeorologia aplicada ao agronegócio da região da Amazônia e do Brasil. Dentre os temas que serão tratados e abordados em mesas redondas durante a realização dos eventos podem-se destacar: “Desafios do agronegócio na Amazônia, visando a sustentabilidade socioambiental”; “Avanços na modelagem agrometeorológica, em resposta aos cenários de mudanças climáticas”; “A prática da extensão na agrometeorologia”; “Risco Climático e a Agricultura Amazônica”; “Sensoriamento remoto aplicado à agricultura e à questões climáticas”, "Questão de indicadores de sustentabilidade para o setor agropecuário", além da realização de cinco Minicursos e a exposição de equipamentos e produtos relacionados aos trabalhos de agrometeorologia, agronomia, hidrologia, irrigação e drenagem, engenharia ambiental e bioenergia na Feira de Exposição de algumas empresas em seus respectivos estandes.
Como garantir o desenvolvimento da agropecuária na Amazônia aliado à preservação do meio ambiente?
Tudo indica que não há dúvidas em relação à região da Amazônia ser a maior reserva de biodiversidade da América Latina e do mundo, sendo mais sensível à questão das mudanças climáticas e constituindo-se em um dos maiores desafios socioeconômicos e científicos que a humanidade terá que enfrentar nesse século. A Amazônia engloba um bioma e ecossistemas que têm se mostrado muito menos robustos do que muitos imaginavam, onde já se observam evidências de alterações na temperatura e precipitação devido ao processo desordenado de ocupação e uso de solos, com desmatamento acelerado. Boa parte das mudanças climáticas que já estão ocorrendo são devido às atividades antropogênicas principalmente relacionadas às mudanças no uso e ocupação dos solos, derrubadas de florestas e utilização de agricultura e pecuária mais intensivas, o que vem a adicionar uma problemática ainda mais complexa à questão do sistema climático terrestre – a geração de alterações fundamentais nos ciclos biogeoquímicos e nos balanços de radiação e hidrológicos. Para garantir o desenvolvimento do agronegócio sem impactos negativos ao ambiente dessa região, há necessidade de acompanhar e monitorar de perto as atividades relacionadas aos diferentes sistemas de produção (agricultura, floresta e pecuária), no tempo e no espaço, ajustando e calibrando melhor os modelos climáticos com base nos diferentes cenários, desde os mais pessimistas até os otimistas, a fim de se ter uma melhor dimensão das implicações das mudanças climáticas. Isso é um desafio para várias instituições no Brasil e também de outros países.
Por fim, quais os últimos resultados de pesquisa relacionados às mudanças climáticas?
Desde a década de 1980, evidências científicas sobre a possibilidade de mudança do clima em nível mundial vêm despertando interesses crescentes no público e na comunidade científica em geral. Em 1988, a OMM (Organização Meteorológica Mundial) e o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) estabeleceram o Intergovernamental Panel on Climate Change [Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas] (IPCC), que ficou encarregado de apoiar com trabalhos científicos as avaliações do clima e os cenários de mudanças climáticas para o futuro. Sua missão é "avaliar a informação científica, técnica e socioeconômica relevante para entender os riscos induzidos pela mudança climática na população humana". O Quarto Relatório Científico do IPCC AR4 (Trenberth et al., 2007; Meehl et al., 2007) apresenta evidências de mudanças de clima que podem afetar significativamente o planeta, especialmente nos extremos climáticos, com maior rigor nos países menos desenvolvidos na região tropical. As principais conclusões desse relatório sugerem, com confiança acima de 90%, que o aquecimento global dos últimos cinquenta anos é causado principalmente pelas atividades humanas. 
O Brasil é vulnerável às mudanças climáticas atuais e mais ainda às que se projetam para o futuro, especialmente quanto aos extremos climáticos. As áreas mais vulneráveis compreendem a Amazônia e o Nordeste do Brasil, como mostrado em estudos recentes (Marengo, 2007; Ambrizzi et al., 2007; Marengo et al., 2007). O conhecimento sobre possíveis cenários climático-hidrológicos futuros e as suas incertezas pode ajudar a estimar demandas de água no futuro e também a definir políticas ambientais de uso e gerenciamento de água para os próximos anos. É muito importante a avaliação de conhecimentos envolvendo assuntos de mudanças de clima e os seus impactos na agricultura, envolvendo os cenários futuros, de forma que se possam avaliar os riscos climáticos, considerando tendências de longo prazo, de pelo menos os últimos cinquenta anos e, também, as projeções dos modelos climáticos até finais do século XXI.
A disponibilidade de água no Brasil depende em grande parte do clima. O ciclo anual das chuvas e de vazões no país varia entre bacias, e de fato a variabilidade interanual do clima, associada aos fenômenos de El Niño, La Niña, ou à variabilidade na temperatura da superfície do mar do Atlântico Tropical e Sul podem gerar anomalias climáticas, que produzem grandes secas, como em 1877, 1983 e 1998 no Nordeste, 2004-2006 no Sul do Brasil, 2001 no Centro-Oeste e Sudeste, e em 1926, 1983, 1998, 2005 e 2010 na Amazônia (Marengo & Silva Dias, 2006; Marengo, 2007). Adicionalmente, os riscos derivados das mudanças climáticas, sejam naturais, sejam de origem antropogênica, têm levantado grande preocupação entre os círculos científicos, políticos, na mídia e também na população em geral.
Regiões
Regionalmente, tem sido observado um aumento das chuvas no Sul e partes do Sul do Brasil, na bacia do Paraná-Prata, desde 1950, consistente com tendências similares em outros países do Sudeste da América do Sul. No Sudeste o total anual de precipitação parece não ter sofrido modificação perceptível nos últimos cinquenta anos. As projeções de mudança nos regimes e distribuição de chuva, derivadas dos modelos globais do IPCC AR4, para climas mais quentes no futuro não são conclusivas, e as incertezas ainda são grandes, pois dependem dos modelos e das regiões consideradas. Na Amazônia e no Nordeste, ainda que alguns modelos climáticos globais do IPCCC AR4 apresentem reduções drásticas de precipitações, outros modelos apresentam aumento. A média de todos os modelos, por sua vez, é indicativa de maior probabilidade de redução de chuva em regiões como o Leste e o Nordeste da Amazônia como consequência do aquecimento global. O IPCC AR4 (Meehl et al., 2007) mostra reduções de chuva no Norte e no Nordeste do Brasil durante os meses de inverno (junho, julho, agosto), o que pode comprometer a chuva na região Leste do Nordeste, que apresenta o pico da estação chuvosa nessa época do ano.
No Nordeste do Brasil, o maior problema seria o aumento da seca e da falta de água. A região poderá passar de zona semiárida a zona árida, e as consequências dessa mudança afetarão a alimentação, a sanidade e a saúde da população local. Mais de 70% das cidades do semiárido nordestino com população acima de cinco mil habitantes enfrentarão crise no abastecimento de água para o consumo humano até 2025, independentemente da mega obra de transposição do rio São Francisco, concluiu um estudo feito pela ANA (Agência Nacional de Águas). Problemas de abastecimento deverão atingir cerca de 41 milhões de habitantes da região do semiárido e do entorno, prevêem pesquisadores da agência ANA, que estimaram o crescimento da população e a demanda por água em cerca de 1.300 municípios dos nove Estados do Nordeste e do Norte de Minas Gerais.
Na região da Amazônia e outras do Norte do Brasil, a projeção do cenário do clima futuro para um cenário mais pessimista de altas emissões de gases de efeito estufa (GEE) (Cenário A2) é de que será de 3ºC a 6°C mais quente, com redução de 15% a 20% do volume de chuvas, atrasos na estação chuvosa e possíveis aumentos na frequência de extremos de chuva no oeste da Amazônia. Por outro lado, num cenário melhor de baixas emissões de GEE (Cenário B2) é projetado que será de 2ºC a 3°C mais quente, com redução de 5% a 15% nas chuvas. O impacto não é muito diferente daquele previsto pelo cenário A2. Em ambos cenários é previsto impactos na biodiversidade, risco da floresta ser substituída por outro tipo de vegetação (tipo cerrado). Baixos níveis dos rios amazônicos podendo afetar o transporte. Risco de incêndios florestais devido ao ar mais seco e quente. Impactos no transporte de umidade atmosférica para as regiões Sul e Sudeste, com consequências para a agricultura, pecuária e floresta e geração de energia hidroelétricas.
A Nasa, agência espacial americana, avaliou dados captados por satélite entre 2000 e 2009 sobre a Amazônia, incluindo medições da precipitação das chuvas tropicais, do teor de umidade e da cobertura florestal. Uma área da floresta amazônica com duas vezes o tamanho da Califórnia (+ de 800 mil Km²) continuou sofrendo os efeitos de uma grande seca que começou em 2005. Os resultados foram publicados na revista “PNAS", da Academia Nacional de Ciências dos EUA. A pesquisa sugere que a floresta tropical amazônica pode estar mostrando os primeiros sinais de degradação em larga escala devido à mudança climática. Resultados mostram danos generalizados à cobertura florestal, com a morte de galhos e quedas de árvores, especialmente as maiores e mais antigas, que são mais vulneráveis do que às demais por oferecem abrigo ao restante da vegetação.
A Floresta Amazônica desempenha importante papel no equilíbrio do sistema climático local, regional e mesmo global, com sua gama de serviços de ecossistema que servem de base para as atividades e o bem-estar das pessoas tanto em regiões próximas quanto distantes. Quaisquer mudanças em sua bacia – sejam elas mudanças climáticas, no uso e ocupação da terra ou uma combinação de ambas – podem trazer consequências significativas para o funcionamento dos sistemas naturais e a vida das pessoas que os utilizam. Entender que a Amazônia funciona como parte integrada de um sistema terrestre e os riscos de como isso pode mudar no futuro é pré-requisito para a criação de estratégias de desenvolvimento mais eficientes da região. As projeções são de elevação das temperaturas e diminuição das chuvas no decorrer deste século. Outros estudos mostraram que, além dessas mudanças, o risco de eventos extremos – como a seca e inundações – podem se tornar mais frequente no futuro. As perdas decorrentes das mudanças climáticas podem afetar o clima regional em virtude do papel da floresta na reciclagem das águas das chuvas dentro da bacia e além dela. Estudos sobre o ciclo hidrológico na Amazônia indicam que a floresta recicla em torno de 50% das precipitações pluviométricas e que, se o desmatamento for da ordem de 30%, ela será incapaz de gerar chuvas suficientes para se manter, gerando um círculo vicioso de “quanto mais perda de floresta, menos precipitações”.
Até 2050, metade das terras agrícolas poderá ser prejudicada, expondo milhões de pessoas à fome, afirmam os especialistas. De 60 milhões a 150 milhões de pessoas sofrerão com a falta de água (serão até 400 milhões em 2080). Os depósitos subterrâneos de água do Nordeste brasileiro poderão receber menos 70% de recarga. O semiárido nordestino caminharia para a desertificação numa posição mais pessimista.

Fonte: Embrapa Milho e Sorgo

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Notícias Do laboratório ao mercado em meses

Tecnologia encurta caminho entre pesquisa e prateleira no setor de alimentos

Laboratório de prototipagem integra ciência, startups e indústria para validar produtos com mais rapidez e menor custo.

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Foto: Pedro Pereira

A criação de novos alimentos, bebidas e suplementos que antes levava anos para sair do papel poderá ser encurtada para poucos meses. Esse é o impacto esperado com a inauguração do Foodtech FabLab da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instalado no prédio 61H do campus sede e integrado ao InovaTec UFSM Parque Tecnológico.

O espaço foi viabilizado com cerca de R$ 3 milhões do Ministério da Agricultura e Pecuária e passa a operar como

Juliano e Maria Daniele destacaram a importância do Foodtech FabLab – Foto: Pedro Pereira

ambiente de prototipagem, validação tecnológica e desenvolvimento de soluções para a cadeia de alimentos. “Não estamos inaugurando apenas um laboratório, mas um habitat de inovação. Estamos colocando Santa Maria no mapa global de onde se decide o que o mundo vai comer amanhã”, enfatizou a coordenadora de Projetos de Inovação do InovaTec, Maria Daniele Dutra.

De acordo com  o coordenador de projetos de pesquisa do InovaTec e docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia dos Alimentos,  Juliano Barin, a lógica do espaço é centralizar demandas de empreendedores e conectar rapidamente essas necessidades à estrutura científica da universidade. “Vai ser um balcão onde centralizamos as demandas e fazemos a conexão com a UFSM e com todo o ecossistema para que a solução aconteça. Produtos que levavam anos poderão chegar ao mercado em meses”, frisou.

Reitora da UFSM, Martha Adaime, destacou que o laboratório abre espaço para o desenvolvimento de novos produtos e amplia a inserção regional da universidade – Foto: Pedro Pereira

A reitora da UFSM, Martha Adaime, destacou que o laboratório abre espaço para o desenvolvimento de novos produtos e amplia a inserção regional da universidade. Para o gerente do parque tecnológico, Luciano Schuch, o diferencial está na conexão entre empresas, estudantes e pesquisadores.

Estrutura para prototipar, testar e validar

O FabLab reúne Food Maker Space, Experience Box para análise sensorial, Kitchen 3.0 e sala de articulação com parceiros. No núcleo tecnológico, estão equipamentos como impressora 3D de alimentos, pasteurizador a fio, extrusora de proteínas, extrator de aromas sem solvente, emulsificador nano e sistemas de secagem.

A proposta é permitir que testes de formulação, textura, sabor, conservação e segurança ocorram no mesmo ambiente, com interação desde o início com exigências regulatórias. “A inovação é um esporte coletivo”, afirmou Barin, ao defender a participação de parceiros e da sociedade no uso da estrutura.

Representantes do Mapa que acompanharam a inauguração classificaram o espaço como um dos mais avançados do

Coordenador-geral da Secretaria de Inovação do Ministério da Agricultura e Pecuária, César Simas Teles – Foto: Pedro Pereira

país entre os laboratórios maker de foodtech já implementados. “Uma carência que temos na área de inovação são espaços para que empreendedores possam testar seus produtos e fazer protótipos”, disse César Simas Teles, coordenador-geral da secretaria de inovação da pasta. “Queremos aprender com a UFSM para exportar esse modelo para outras unidades”, acrescentou Ayrton Jun Ussami.

Do laboratório para a degustação

Os resultados já aparecem em produtos desenvolvidos dentro da universidade e apresentados durante a inauguração. Um deles foi o gelato com sabor de cerveja IPA, criado a partir de um ingrediente desenvolvido pela doutoranda Camila Gressler em parceria com a empresária Bina Monteiro. O produto, chamado “Uivo lupulado”, está em processo de patenteamento.

Foto: Pedro Pereira

Outra demonstração envolveu uma impressora 3D capaz de imprimir e pré-assar biscoitos, massas, cárneos e chocolates. A tecnologia, desenvolvida por um estudante de Engenharia de Controle e Automação, permite personalizar alimentos com adição de vitaminas, minerais e proteínas. “O Foodtech FabLab já nasce acelerado. Temos empresas parceiras desenvolvendo conosco, estudantes e pesquisadores operando máquinas”, afirmou Maria Daniele.

A expectativa é que o espaço ofereça suporte técnico e consultoria para startups e empresas desde as fases iniciais, auxiliando no atendimento às exigências legais e regulatórias. O ambiente também foi concebido para formação prática de estudantes de Nutrição, Tecnologia em Alimentos, pesquisadores do PPGCTA e profissionais externos.

Com a operação do laboratório, a UFSM passa a atuar como ponto de convergência entre ciência, empreendedorismo e indústria de alimentos, posicionando Santa Maria como referência nacional em foodtech.

Fonte: O Presente Rural com UFSM
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Safra de soja do Brasil sobe para 184,7 milhões de toneladas com produtividade recorde na Bahia

Aumento de 6,7% em relação à temporada anterior reflete ganhos em produtividade e área plantada. Mato Grosso mantém liderança na produção, enquanto Rio Grande do Sul sofre com estiagem.

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Fotos: Eduardo Monteiro/Rally da Safra

A estimativa da safra brasileira de soja para 2025/26 foi elevada para 184,7 milhões de toneladas, um crescimento de 6,7% em relação ao ciclo anterior e de 0,9% sobre a última revisão, após a consolidação dos dados finais da etapa soja do Rally da Safra, segundo a Agroconsult. O novo número reflete ajustes tanto na produtividade quanto na área plantada, reforçando o cenário de mais uma grande safra no país.

A revisão ocorre após a conclusão dos dois principais levantamentos: o de campo, realizado pelas equipes do Rally da Safra, e o de área plantada, com base em imagens de satélite da ferramenta Cropdata. Com aproximadamente 1.700 lavouras avaliadas em 14 estados e mais de 60 mil quilômetros percorridos desde janeiro, a produtividade nacional foi ajustada de 62,5 para 62,7 sacas por hectare.

Pelo lado da área, a leitura indica 49,1 milhões de hectares plantados com soja, um acréscimo de quase 300 mil hectares em relação à projeção inicial do Rally. Com isso, o ajuste total da safra 2025/26 em relação à estimativa anterior chega a 1,6 milhão de toneladas e, comparando com a temporada anterior, ultrapassa 11,5 milhões de toneladas: 30% desse crescimento ocorre em razão do aumento de área e 70% por ganhos de produtividade.

“Chegamos a um momento decisivo para a definição da safra de soja. É quando consolidamos os dados de campo coletados em todas as regiões do país, respeitando o calendário de colheita de cada área, e os integramos às informações de área plantada, obtidas com o suporte de tecnologias avançadas de processamento de imagens. Esse cruzamento de informações amplia de forma significativa a precisão das estimativas e reforça a confiabilidade dos números da produção nacional”, afirma André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra.

Entre os destaques positivos da safra estão Mato Grosso e Bahia. Com a colheita finalizada, Mato Grosso deve produzir 51,3 milhões de toneladas, mantendo a produtividade em 66 sacas por hectare, estável em relação ao relatório anterior e pouco acima da estimativa inicial do Rally, que era de 65 sacas. “No início do Rally, as lavouras precoces do Mato Grosso já indicavam alto potencial produtivo. Em fevereiro, o excesso de chuvas trouxe preocupação com a qualidade e o peso dos grãos. Ainda assim, os dados finais mostram que o estado sustentou uma produtividade elevada, apoiada pelo maior número de grãos por hectare e bom peso dos grãos”, explica Debastiani.

Na Bahia, com 61% da safra colhida, os dados de campo confirmam uma das maiores revisões positivas da temporada. A produtividade estimada, que era de 66 sacas por hectare em janeiro, subiu para 68 em fevereiro e agora é estimada em 70,3 sacas por hectare, a maior do país. A produção estadual deve alcançar 9,7 milhões de toneladas.

Já o Rio Grande do Sul é o destaque negativo. Com apenas 11% da área colhida – ritmo inferior à média das últimas cinco safras -, o estado sofreu com a estiagem ao longo do ciclo. A estimativa de produtividade em janeiro, que era de 52 sacas por hectare, caiu para 47 sacas em fevereiro e foi ajustada para 48,3 sacas na rodada final. “Apesar da melhora da percepção de potencial do estado, após rodarmos o estado no final de março, a produção ainda deve ficar ligeiramente abaixo das 20 milhões de toneladas”, aponta Debastiani.

Entre os demais estados, houve algumas reduções de estimativas no terço final da colheita, em função de desafios climáticos pontuais. No Mato Grosso do Sul, o início da safra registrou implantação satisfatória, mas a irregularidade climática foi constante ao longo do desenvolvimento. A redução das chuvas e as altas temperaturas aceleraram a colheita, em meio à preocupação com a janela da segunda safra, e a produtividade foi revisada de 62,5 para 60 sacas por hectare.

Em Goiás, a safra se desenvolveu de forma satisfatória, mas a colheita trouxe peso de grãos e qualidade abaixo das expectativas. A produtividade foi reduzida de 67 para 66,2 sacas por hectares no estado.

No Paraná, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas afetaram principalmente as últimas áreas semeadas, em fevereiro e março, reduzindo o peso de grãos. A estimativa saiu de 67 para 66,1 sacas por hectare.

Já outros estados apresentaram revisões positivas. Em Minas Gerais, a combinação de fatores como a semeadura que, apesar dos atrasos, ocorreu de forma segura, sem necessidade de replantios, aliada ao bom nível de investimento nas lavouras e aos volumes adequados de chuva ao longo do desenvolvimento da cultura, resultou em uma produtividade recorde no estado de 68 sacas por hectare.

No Mapitopa, Maranhão e Piauí apresentaram bom peso de grãos em praticamente todas as regiões, o que elevou a produtividade no Maranhão para 64,2 sacas, e no Piauí, agora com 65 sacas por hectare. Já no Tocantins e Pará, as médias devem se manter próximas a 60 sacas por hectare.

Segunda safra de milho

Encerrada a etapa soja, o Rally volta agora seu foco para a segunda safra de milho, que se desenvolve sob maior nível de risco climático em alguns estados. Entre 10 de maio e 15 de junho, as equipes técnicas estarão em campo para avaliar lavouras nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. A área estimada pela Agroconsult é de 18,5 milhões de hectares, crescimento de 2,5 % em relação ao ciclo anterior.

A produtividade média é estimada ainda dentro da linha de tendência – em 103,1 sacas por hectare – com produção total de 114,5 milhões de toneladas, o que corresponderia a uma queda de 7,6% frente à safra passada.  “O que vai definir o potencial produtivo é o comportamento do clima em abril. Apesar das chuvas de março e dos bons níveis de umidade no solo, os modelos climáticos divergem”, afirma Debastiani, ressaltando: “Enquanto o modelo europeu indica chuvas mais consistentes, o americano projeta volumes abaixo da média, o que mantém o nível de incerteza elevado”.

Segundo ele, lavouras de estados como Goiás dependem de chuvas em abril e na primeira quinzena de maio, enquanto, no Mato Grosso, a necessidade de precipitações se concentra ao longo de abril para garantir o desenvolvimento adequado das lavouras.

Fonte: Assessoria Rally da Safra
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Servidores da defesa agropecuária em regiões de fronteira passam a receber adicional

Medida reconhece condições de trabalho em áreas estratégicas e fortalece fiscalização agropecuária no país.

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Foto: Divulgação/Mapa

Servidores que atuam na linha de frente da defesa agropecuária em regiões de fronteira passam a contar com um importante avanço em sua valorização profissional. A Lei nº 15.367/2026, publicada na última terça-feira (31), estende o pagamento do adicional de fronteira aos integrantes do Plano de carreira dos Cargos de atividades Técnicas e Auxiliares de Fiscalização Federal Agropecuária (PCTAF), conforme previsto no artigo 37 da norma.

A medida fortalece diretamente a atuação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em áreas estratégicas, onde equipes desempenham atividades essenciais de vigilância agropecuária internacional, fiscalização e controle sanitário nas zonas de fronteira. A iniciativa também reconhece as condições específicas de trabalho enfrentadas por servidores que atuam nessas unidades, responsáveis por prevenir a entrada de pragas e doenças, garantindo a proteção da agropecuária brasileira e a segurança dos alimentos.

A ampliação do adicional contribui ainda para a fixação de servidores em localidades de difícil acesso, reforçando a presença institucional do Estado em pontos sensíveis para o controle sanitário e o comércio internacional.

Para o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, a medida representa um reconhecimento concreto do trabalho desempenhado pelos servidores. “A extensão do adicional de fronteira é uma conquista importante para os servidores que atuam em regiões estratégicas do país. Essa é uma medida que fortalece a defesa agropecuária e valoriza quem está na linha de frente”, afirmou.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Técnicos de Fiscalização Federal Agropecuária (Anteffa), José Bezerra, a medida

Foto: Divulgação/Mapa

representa uma conquista histórica para a categoria. “Essa é uma pauta pela qual lutamos há cerca de 14 anos. Éramos os únicos profissionais com atividades nas regiões de fronteira sem receber o adicional, enquanto outras carreiras já eram contempladas”, explicou. “Esse reconhecimento é justo, necessário e fortalece ainda mais a atuação nessas regiões”, completou.

Reestruturação e valorização no serviço público

Além da ampliação do adicional de fronteira, a legislação traz um conjunto amplo de medidas voltadas à valorização dos servidores públicos federais.

Entre os principais pontos estão a instituição do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), os reajustes remuneratórios em diversas carreiras, a criação de novos cargos e estruturas no Executivo Federal e a atualização de gratificações e incentivos funcionais.

A norma também incorpora medidas de modernização administrativa, como a possibilidade de realização de perícias médicas por telemedicina e ajustes nas regras de contratação temporária.

Fonte: Assessoria Mapa
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