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Engorda intensiva a pasto nas águas e seca

Os sistemas de produção de bovinos no Brasil vêm enfrentando mudanças significativas nos últimos anos, com uma participação cada vez maior de sistemas de produção mais intensificados

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Foto: O Presente Rural

Por Eduardo Batista, Consultor Regional de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal – Nutron

Os sistemas de produção de bovinos no Brasil vêm enfrentando mudanças significativas nos últimos anos, com uma participação cada vez maior de sistemas de produção mais intensificados. Entre os quase 40 milhões de animais abatidos anualmente, a estratificação por sistema de produção é:

– 72% produção extensiva (pouca ou nenhuma tecnificação);

– 7% suplementação estratégica (uso de suplemento proteico ou energética);

– 11% semi-confinamento (uso de ração acima de 0.8% do peso vivo dos animais);

– 10% confinamento;

Estima-se que nos próximos anos haverá uma mudança significativa nesse cenário, com a engorda em semi-confinamento passando para 19% do total de bovinos abatidos, algo em torno de 8 a 9 milhões de cabeças por ano até 2026 (Figura 1).

O semi-confinamento tradicional é realizado especialmente na época seca do ano, devido aos preços mais elevados na venda do boi gordo e aos preços mais atrativos das matérias-primas que compõe os concentrados. No entanto, nos últimos anos observou-se um aumento no uso do semi-confinamento nas águas, onde o fornecimento de concentrado de 0,8 a 1,5% do PV, somado as pastagens de melhor qualidade e maior quantidade, resultam em aumento dos resultados zootécnicos e financeiros. Além disso, o nível de suplementação também mudou, e alguns sistemas fornecem concentrado na casa de 2% do PV.

Figura 1 – Porcentagem de cada sistema de engorda no número total de bovinos abatidos em 2016 e expectativa para 2026 (fonte: Rabobank, 2016)

A decisão da quantidade de concentrado oferecido aos bovinos de corte depende de alguns fatores, como a qualidade e oferta de forragem, época do ano, taxa de lotação, estrutura de cocho e de distribuição de ração, disponibilidade de mão de obra, capacidade de investimento e desempenho animal esperado.

BOVINOS: SEMI-CONFINAMENTO TRADICIONAL

No sistema de semi-confinamento tradicional (0.8 a 1.0% PV), os pastos destinados a engorda são “vedados” ou diferidos entre março e maio para servirem como fonte de volumoso e suportar a lotação desejada para cada lote. Os animais entram no semi-confinamento entre maio e junho e são abatidos entre setembro e outubro, onde historicamente obtém-se melhores preços por arroba. Porém, com o fornecimento de concentrado na faixa de 0,8 a 1,0% PV em MS, os animais devem consumir 1,4 a 1,6% do PV em MS proveniente do pasto para complementar a dieta. Sabe-se que no período seco do ano as pastagens, mesmo que diferidas, tem limitado valor nutritivo (mais fibra, menos proteína e carboidratos prontamente disponíveis). Essa realidade normalmente traduz-se em resultados zootécnicos e financeiros abaixo do potencial produtivo dos animais.

Vamos exemplificar essa situação com um cálculo simples de exigência de nutrientes dos animais usando o BR-CORTE:

Para um animal zebuíno, não castrado, de 475 Kg de PV, alcançar ganhos de 1,4 Kg/dia, a exigência de energia e proteína bruta é de aproximadamente 6.910 gramas de NDT e 1.370 gramas de proteína bruta por dia. O fornecimento de uma ração a base de milho e farelo de soja a 1% do PV, somado a um pasto de capim Brachiaria decumbens, fornece 5.980 gramas de NDT e 920 gramas de proteína bruta, bem abaixo da exigência mínima para o desempenho almejado. Visando maiores ganhos por animal, duas mudanças principais ocorreram no semi-confinamento tradicional nos últimos anos, possibilitando a maximização dos resultados zootécnicos e financeiros e sendo fundamentais para que o sistema fosse usado com maior intensidade.

 

CONFINAMENTO A PASTO DE BOVINOS

A primeira grande mudança foi a transformação do semi-confinamento em confinamento a pasto, ou seja, aumentando o consumo de ração de 0.8 a 1.0% do PV para 2,0% do PV em MS. Com isso, o consumo do pasto de baixa qualidade fica em torno de 0,2 a 0,4% do PV. Isso permite o aumento da ingestão de energia e, consequentemente, melhoria nos resultados de ganho de peso e rendimento de carcaça. Além disso, a técnica permite um aumento da taxa de lotação devido a um efeito substitutivo de pasto mais pronunciado.

Porém, a migração do semi-confinamento tradicional para o confinamento a pasto não é tão simples quanto parece, sendo necessário a introdução de novas tecnologias nas áreas de nutrição, sanidade, manejo e instalações para que esse grande volume de ração possa ser fornecido da forma eficaz.

No confinamento a pasto, um gado de 450 kg chega a consumir entre 9 – 10 kg de MS de ração. Esse volume tão elevado de concentrado aumenta o risco de distúrbios metabólicos dos animais. Isso acontece pela maior produção de ácidos orgânicos no rúmen, o que pode reduzir o pH ruminal e levar o gado a um quadro de acidose. Nesse sentido, o uso de aditivos modulares da fermentação ruminal, além de tamponantes específicos, se torna fundamental para minimizar os riscos de acidose.  Aliados ao uso de aditivos, uma adaptação correta e um manejo de cocho bem conduzido são fatores indispensáveis para o sucesso do sistema.

Durante a adaptação dos bovinos de corte a dieta, algumas práticas de manejo são fundamentais, como:

·         Introdução gradativa do volume de ração nas primeiras duas semanas;

·         Fornecimento do concentrado nos mesmos horários todos os dias;

·         Respeito à recomendação de espaçamento de cocho de 40 cm por cabeça;

·         Formação de lotes com animais de pesos homogêneos;

·         Bebedouros com água adequada para consumo (qualidade e quantidade);

·         Disponibilidade de forragens (quantidade e qualidade) para a engorda dos animais.

Outro ponto de atenção para a implantação do confinamento a pasto é a logística. Por exemplo, projetos para tratar acima de 1.000 animais podem se deparar com uma dificuldade logística para movimentar grandes quantidades de concentrado por dia, que pode ultrapassar 10 toneladas, dependendo do peso dos animais. Hoje em dia há equipamentos de trato que distribuem de forma mecanizada a ração aos animais (Figuras 2 e 3), o que melhora muito a logística e aumenta a possiblidade de engordar mais animais nesse tipo de sistema. Porém, mesmo com a mecanização, algumas características da propriedade são importantes para determinar a quantidade de animais a se introduzir no sistema, bem como a quantidade de concentrado a ser ofertada, como o relevo da propriedade, a distância entre os pastos e o depósito/fábrica de rações e as condições das estradas.

Figura 2 – Exemplo de fornecimento mecanizado

Fonte: equipe Cargill

A grande maioria dos semi-confinadores ainda não distribui o concentrado em equipamentos mecanizados, o que aumenta a dependência da mão de obra. Tanto o confinamento a pasto quanto o semi-confinamento requerem distribuição diária do concentrado e algumas propriedades podem ter limitação de mão de obra para executar tal tarefa. Portanto, a consistência no fornecimento do concentrado é fator crucial para o sucesso do sistema, ou seja, os animais precisam receber todos os dias a mesma quantidade de ração e no mesmo horário. Variações na quantidade e horário de fornecimento resultam em pior desempenho e maior risco de distúrbios metabólicos.  Para garantir consistência, as propriedades precisam de estruturas de depósitos de concentrado que possibilite o armazenamento o mais próximo dos cochos possível (Figura 4 e 5).

Figura 4 – Deposito de concentrado

Fonte: equipe Cargill

 

Figura 5 – Exemplo de cocho coberto para semi-confinamento nas águas, aproveitando a estrutura já existente na propriedade

Fonte: equipe Cargill

Nesses sistemas, também é comum encontrarmos animais dominantes consumindo mais ração que os demais e em uma velocidade maior, o que pode predispô-los a distúrbios metabólicos. Nesse sentido, algumas técnicas que auxiliem um consumo mais homogêneo do concentrado entre todos os animais podem ser aplicadas. Primeiramente, o espaçamento de cocho precisa ser suficiente para atender todos os animais. O recomendado é 40 centímetros linear de cocho por animal. Espaçamentos menores podem gerar disputas e brigas, aumentando o risco de acidose por consumo excessivo de concentrado, além de tirar do padrão a performance dos animais. Geralmente recomenda-se fornecer o concentrado uma vez ao dia, no início da manhã, para facilitar o manejo e diminuir os custos operacionais. É também recomendado uma área de circulação entre as linhas de cocho. Por exemplo, a cada 3 a 4 metros de cocho, deixar uma área livre para circulação dos animais. Essa técnica reduz as brigas e disputas e melhora a conservação dos cochos (Figura 6).

 

Figura 6 – Espaçamento de cocho correto com área para circulação dos animais

Fonte: Equipe Cargill

 

CONFINANDO O ANO TODO

A segunda grande mudança ocorrida no sistema tradicional de semi-confinamento é com relação a sazonalidade no uso do sistema. Antes, essa atividade era exclusivamente executada no período da seca. Essa técnica passou cada vez mais a ser utilizada também no período das águas. Apesar das mudanças de manejo e estrutura necessários, os resultados encontrados foram surpreendentes. A possibilidade de utilizar concentrado de semi-confinamento em um período onde os pastos têm valor nutritivo elevado, possibilitou aumento nos ganhos zootécnicos e financeiros da atividade.

Muitas propriedades variam o fornecimento de ração ao longo do período de engorda em função de vários fatores, como a época do ano, qualidade nutricional da planta forrageira, peso inicial dos animais, velocidade da engorda ou ganho de peso diário planejado, taxa de lotação desejada, etc. Com isso, é possível trabalhar com oferta de concentrado mais baixos (0,5 a 1,0% do PV) nas águas, por exemplo, época do ano em que as pastagens têm seu maior valor nutritivo, e ir aumentando o fornecimento do concentrado à medida que as pastagens começam a perder qualidade e disponibilidade.

Para o sistema de semi-confinamento no período das águas, geralmente se adota o manejo de pesagem dos bovinos na vacinação de novembro, e, na sequência, são estabelecidas as metas para cada lote, como a data de abate, peso final e o ganho de peso diário. O passo seguinte é a observação da quantidade e qualidade do pasto disponível, o que possibilita estabelecer a taxa de lotação para cada pasto, bem como o tipo de concentrado que será fornecido.

 

COMPOSIÇÃO DA DIETA

Os níveis nutricionais de uma ração de semi-confinamento ou confinamento a pasto podem variar, dependendo de fatores já citados anteriormente como: qualidade e disponibilidade de planta forrageira, taxa de ganho, lotação etc. Na maioria das rações de semi-confinamento trabalhamos com níveis de proteína bruta entre 18 e 21 % e NDT entre 74 a 78%. Já no caso de uma ração para confinamento a pasto, os valores de proteína bruta ficam entre 14 e 16% e NDT entre 72 a 76%.

Independentemente dos níveis nutricionais, aditivos melhoradores de eficiência são uma parte importante da dieta, sejam eles ionóforos ou não ionóforos. Além disso, aditivos tamponantes ajudam a garantir menores variações no pH ruminal e minimizam os riscos de acidose.  Leveduras vivas e extratos de levedura também podem ser adicionados para melhorar a digestão de FDN vinda da forragem. Vale lembrar que quanto maior o nível de produção, maior será o nível de exigência dos animais em micro, macro-minerais e vitaminas, portanto, o nutricionista deve estar atento as adequações desses níveis nas formulações para não comprometer o desempenho.  O lançamento de núcleos específicos para confinamento a pasto, como o Probeef Confinal 15 CR, contribui para o sucesso dessa atividade, pois fornece micro e macrominerais na quantidade adequada além de um pacote de aditivos que aumenta a segurança e o controle de distúrbios metabólicos.

Em rações formuladas para consumo de 2% do PV, alguns alimentos podem nos ajudar a controlar o pH ruminal, como a casquinha de soja, polpa cítrica, torta e caroço de algodão. Esses ingredientes, além do benefício no auxílio da manutenção da saúde ruminal, podem ser uma boa alternativa de redução de custo da formulação, especialmente em regiões produtoras de grãos como Mato Grosso e Goiás. Na época das águas, podemos ter uma maior oferta de alguns coprodutos ou subprodutos do milho como o DDG, WDG, gérmen de milho etc. Esses ingredientes podem reduzir o custo da formulação, bem como ser uma boa fonte de nutrientes como proteína, gordura e energia.

 

OUTROS BENEFÍCIOS DO SISTEMA

A saúde dos bovinos na engorda em semi-confinamento ou confinamento a pasto é um diferencial desse sistema quando comparado com o confinamento convencional. Como são mantidos a pasto, os animais estão submetidos a um ambiente com menos fatores de estresse, como alta lotação, poeira e lama. Doenças respiratórias são muito comuns no confinamento, sendo considerada a principal causa de mortalidade, e os fatores de estresse acima citados são os principais desencadeadores dessa enfermidade. Permanecendo a pasto, os bovinos têm menores chances de contrair doenças respiratórias.

Além disso, outra vantagem para esse tipo de sistema seria quanto ao bem-estar animal e contaminação do meio ambiente. A utilização e o destino correto dos dejetos de um confinamento convencional são itens de bastante preocupação atualmente, e órgãos fiscalizadores têm atuado de forma mais constante para garantir o destino adequado dos mesmos. Na engorda em semi-confinamento ou confinamento a pasto não há essa preocupação, pois, os dejetos são distribuídos mais uniformemente nos pastos. Consumidores cada vez mais exigentes, especialmente no mercado externo, tem demostrado uma preocupação maior com relação ao bem-estar animal, inclusive estando dispostos a pagar mais por alimentos produzidos em sistemas que não agridam o meio ambiente e que garantam o bem-estar animal. Nesse sentido, a engorda a pasto nos sistemas acima citados pode se tornar um grande diferencial para abastecer esse tipo de mercado consumidor, uma vez que os bovinos são criados em harmonia com o ambiente.

O Brasil é um dos maiores produtores de carne bovina do mundo e os sistemas de produção com base em pastagens tropicais continuam sendo nosso carro chefe. O aumento da eficiência na criação de bovinos em pastagens é fundamental para que esta atividade continue exercendo papel relevante no nosso setor, e técnicas modernas de semi-confinamento ou confinamento a pasto podem ajudar o produtor a potencializar os resultados técnicos e financeiros em sua propriedade, além de melhorar a qualidade da carne que estamos produzindo. Nesse sentido, sistemas como o semi-confinamento e o confinamento a pasto podem ser um grande diferencial pois podem gerar maiores rentabilidades ao produtor e maior volume de carne produzida com maior qualidade, de forma sustentável e respeitando os conceitos de bem-estar animal.

Eduardo Batista, Consultor Regional de Bovinos de Corte da Cargill Nutrição Animal – Nutron- Foto: Divulgação

Fonte: Assessoria

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 Enfrentando o estresse térmico na suinocultura

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Dias de calor intenso durante o verão ou em países tropicais podem representar um sério desafio para os animais de produção, causando estresse térmico, que compromete o crescimento e reduz o desempenho econômico das granjas. Na suinocultura, o estresse térmico afeta os animais em praticamente todas as fases de produção. Este artigo explora as principais alterações fisiológicas que os suínos apresentam nessa condição e apresenta soluções práticas para reduzir seus efeitos nocivos.

O estresse térmico começa no limite superior da zona de conforto térmico

O estresse térmico ocorre quando o animal está fora de sua zona de conforto térmico, a faixa de temperatura na qual o organismo se mantém em homeostase. Essa faixa é influenciada pela temperatura e pela umidade externas. O estresse térmico pode afetar os suínos em todas as fases do ciclo produtivo. Para um suíno em fase de engorda de 50 kg, o início do estresse térmico ocorre a partir de 25°C. Isso significa que qualquer temperatura acima desse ponto já começa a afetar negativamente o animal.

Consequências prejudiciais do estresse térmico sobre a fisiologia e o crescimento dos suínos

Entre os animais de produção, os suínos são particularmente sensíveis ao estresse térmico, pois possuem poucas glândulas sudoríparas e pulmões pequenos. Sua alta produtividade e seu rápido crescimento os tornam ainda mais suscetíveis a essa condição (figura 1). Quando a temperatura sobe, o suíno adapta seu comportamento: reduz a locomoção e a ingestão de ração, o que limita a termogênese (produção de calor pelo organismo). Além disso, sua frequência respiratória aumenta. O fluxo sanguíneo é redirecionado dos órgãos internos para a pele, a fim de eliminar o excesso de calor. Esse fenômeno é chamado de vasodilatação. Ele aumenta a termólise (dissipação de calor pelo organismo).

No trato intestinal, a falta de oxigênio causada pelo redirecionamento do fluxo sanguíneo prejudica as células epiteliais, que são muito sensíveis à hipóxia e à redução de nutrientes disponíveis, o que degrada o epitélio intestinal. Substâncias exógenas, como antígenos ou toxinas bacterianas, podem então ser transferidas do lúmen para a corrente sanguínea (leaky gut, ou aumento da permeabilidade intestinal), levando a uma resposta inflamatória e à produção de espécies reativas de oxigênio (ROS). Trata-se de um círculo vicioso, já que as próprias ROS podem ser prejudiciais às células epiteliais quando produzidas em excesso.

Se prolongado, o estresse térmico pode causar diversos problemas no crescimento e no desempenho reprodutivo. Em suínos em fase de engorda, o aumento da temperatura levou a uma redução na ingestão de ração e no ganho de peso (Lee et al., 2019), reduzindo assim o peso de carcaça no abate.

Figura 1. Mecanismos de adaptação em suínos em fase de engorda sob condições de estresse térmico

Diversas soluções para mitigar os efeitos negativos do estresse térmico em suínos

Diversas estratégias nutricionais e de manejo podem ser implementadas para mitigar os efeitos negativos do estresse térmico agudo. Com foco em aditivos alimentares, a Phodé lançou recentemente um novo aditivo alimentar desenvolvido para ajudar o suíno a vencer o calor! Esse aditivo é composto por extratos de especiarias picantes, incluindo capsicum, gengibre e pimenta. A forma galênica, desenvolvida pela equipe de pesquisa da Phodé, foi concebida para liberar os ingredientes ativos em locais-alvo específicos e garantir uma manipulação fácil do produto em escala industrial.

As especiarias picantes ajudam o suíno a lidar com o estresse térmico

Os ingredientes foram cuidadosamente selecionados pela equipe de pesquisa da Phodé para atuar em sinergia. As especiarias picantes podem ajudar a sustentar o metabolismo do suíno sob estresse térmico, limitando a inflamação intestinal e reduzindo o estresse oxidativo. Algumas são bastante conhecidas, como a capsaicina, um capsaicinoide da planta capsicum. Esse composto demonstrou se ligar ao receptor TRPV1 (Transient Receptor Potential Vanilloid 1) na boca e no intestino delgado dos suínos. O receptor TRPV1 é muito sensível a estímulos nocivos, como o aumento da temperatura, e está na origem da inflamação e da dor. Após exposição prolongada à capsaicina, a atividade do TRPV1 diminui, levando à redução dos efeitos pró-inflamatórios e ao alívio da dor. Diversos estudos demonstraram uma redução na produção de citocinas pró-inflamatórias (TNF-α, IL-1β e IL-6) por inibição da via NF-κB. O capsicum também demonstrou aumentar as atividades de α-amilase, lipase e protease no intestino delgado. Esse efeito pode ajudar o suíno a digerir melhor a ração em condições de calor. O gingerol é o principal composto ativo do gengibre. Ele também ativa o TRPV1, levando à redução da inflamação. Esse ingrediente também apresenta atividades antioxidantes indiretas, promovendo a transcrição de genes que codificam enzimas antioxidantes (como a glutationa peroxidase e a superóxido dismutase) por meio da via NRF2.  A piperina, extraída da pimenta, atua em sinergia com as demais especiarias, potencializando a biodisponibilidade delas. Ao neutralizar as espécies reativas de oxigênio (ROS), atua como um potente antioxidante direto. A combinação dessas especiarias permite um ajuste fino das doses de cada ingrediente ativo necessário para influenciar a fisiologia do suíno sob estresse térmico.

 Atuando sobre a fisiologia do suíno para vencer o calor: um caso de sucesso!

Um estudo recente, conduzido em uma estação experimental de renome no Brasil, demonstrou com sucesso os efeitos benéficos do novo aditivo alimentar (Kalyci, Laboratoires Phodé, França) em suínos nas fases de crescimento e terminação, tanto no peso corporal final quanto na conversão alimentar (CA) na fase de terminação. Os suínos suplementados com o aditivo à base de “especiarias picantes” apresentaram um aumento significativo no peso corporal final de + 2,4 kg e uma redução significativa da conversão alimentar (CA) em -0,26 g/g na fase final de terminação (figuras 2 e 3). Além disso, a suplementação dos suínos com esse aditivo alimentar levou a uma redução da temperatura corporal e de alguns marcadores hematológicos de inflamação.

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Figura 2. Peso corporal final de suínos suplementados com especiarias picantes nas fases de crescimento e terminação.

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Figura 3. Conversão alimentar (CA) de suínos suplementados com especiarias picantes nas fases de crescimento e terminação.

Em conclusão, o estresse térmico pode afetar os suínos em todas as fases de produção, com efeitos de longo prazo que impactam o desempenho da granja. Suplementar os suínos com um aditivo alimentar à base de uma combinação de “especiarias picantes ” atuando em sinergia para atender às suas necessidades fisiológicas durante o estresse térmico é fundamental para o sucesso da produção. Por fim, mas não menos importante, a forma galênica desse aditivo, que protege os trabalhadores dos efeitos pungentes das especiarias, é igualmente fundamental para o sucesso na fábrica!

 

 

Autora: Dr. Elisa A. Arnaud1

1Laboratoires Phodé, Avenue Martelle, 81150 Terssac

 

Fonte: Ass. de Imprensa Laboratoires Phodé
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Importação contínua de reprodutores eleva patamar genético da suinocultura brasileira

Animais do Canadá e da Noruega são trazidos ao país para acelerar o ganho de produtividade nas granjas nacionais

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Divulgação Topigs Norsvin

Para garantir que o Brasil opere com o mesmo nível de excelência genética dos principais polos globais, a importação frequente de reprodutores garante acesso imediato ao topo da ciência global. Nesse sentido, a Topigs Norsvin, empresa de genética suína, conduz a maior rota contínua de importação de suínos do país.

A companhia desembarcou a terceira remessa de reprodutores deste ano no mês de julho e já prepara ao menos outras duas operações para 2026, consolidando a liderança absoluta na introdução de genética de ponta no Brasil.

“Nós precisamos garantir que o material genético utilizado nas granjas brasileiras seja o mesmo das nossas granjas núcleos na Noruega e Canadá. Com esse fluxo constante de importações, associados com alto nível genético e tecnológico das nossas granjas núcleo locais, nós garantimos que o produtor brasileiro tenha acesso a tudo que há de mais moderno em genética suína via as linhagens genéticas da Topigs Norsvin, afirma o diretor Técnico da Topigs Norsvin, Marcos Lopes.

Tecnologia global direto na fonte

O processo de importação foca em buscar os animais diretamente das estações Delta (centros mundiais de inovação, pesquisa e testagem de reprodutores) localizadas no Canadá e na Noruega. Nesses centros, que concentram o topo do melhoramento genético mundial da companhia e utilizam tecnologias avançadas de avaliação, os animais são avaliados por meio de tomografia computadorizada e tem seu consumo de ração individual mensurados por comedouros automáticos para medir a conversão alimentar de cada indivíduo. Além disso, todos esses reprodutores passam por uma minuciosa avaliação genômica para garantir o seu alto potencial genético.

“Nós sempre importamos um grupo seleto de reprodutores de alto mérito genético. Com essa estratégia nós utilizamos um material que vem direto da fonte primária e eliminamos qualquer tipo de defasagem genética, assegurando que o progresso genético chegue com força total aos produtores brasileiros”, detalha Lopes.

Distribuição estratégica pelo território nacional

A chegada contínua desses reprodutores ao país alimenta uma engrenagem de produtividade desenhada para beneficiar toda a cadeia. Os animais recém-chegados são direcionados para as centrais de inseminação próprias e parceiras espalhadas pelo Brasil.

“O nosso grande objetivo é desenvolver linhagens genéticas que entreguem resultados fantásticos a campo. Existem várias estratégias no mercado para disseminação genética, mas nós comprovamos que esse fluxo robusto de importações é o caminho mais eficiente para a evolução e a rentabilidade do setor”, conclui o diretor.

Fonte: Ass. de Imprensa
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Naturovos aplica modelo de “Avaliação Rápida de Risco” para fortalecer biosseguridade contra o vírus da influenza aviária

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Equipe da Naturovos, NNatrivm e Corb Science durante a apresentação dos resultados da primeira etapa do projeto de Avaliação Rápida de Risco para Influenza Aviária, conduzido para apoiar a governança de biosseguridade nas granjas.

A Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) segue entre os temas sanitários mais relevantes para a avicultura brasileira e mundial. O registro recente em aves silvestres em São Paulo reforça a importância de manter rotinas preventivas bem-organizadas, com atenção permanente à biosseguridade, à vigilância e à comunicação entre empresas, técnicos e produtores.

Nesse contexto, a Naturovos, com apoio da NNatrivm, realizou em parceria com a Corb Science o projeto de “Avaliação Rápida de Risco para Influenza Aviária”. A iniciativa foi aplicada em granjas de postura e recria da empresa, a partir de um formulário eletrônico técnico desenvolvido para identificar fragilidades de biosseguridade relacionadas à possível introdução, exposição ou disseminação do vírus da IAAP.

A execução do trabalho contou com atuação direta da equipe técnica da Naturovos. O médico-veterinário Flávio Renato Silva, da Área Técnica da empresa, teve papel receptivo e colaborativo na organização do processo, favorecendo uma aplicação sequencial, padronizada e oportuna das avaliações de campo. Sob sua liderança, os técnicos da Naturovos aplicaram o questionário de risco em curto período, gerando uma base consistente para análise e uso gerencial dos resultados.

A lógica do projeto parte de uma situação comum na rotina da avicultura. Muitas empresas já realizam verificações de biosseguridade, auditorias, monitorias e registros de campo. Esses instrumentos são essenciais para organizar a operação e demonstrar controle. A gestão de riscos acrescenta uma leitura técnica sobre a importância relativa das fragilidades encontradas, considerando o perigo sanitário priorizado, o contexto da granja e o potencial impacto para a cadeia.

Uma granja pode apresentar bom desempenho geral em uma verificação e, ainda assim, manter uma fragilidade crítica para determinado perigo. Tela danificada, ração exposta ao redor de silos, presença de outras criações na granja, água superficial no entorno, circulação de materiais compartilhados ou falhas na limpeza de bandejas de ovos podem ter significados diferentes conforme o momento sanitário e o perigo em análise. No caso da IAAP, esses pontos ganham importância porque podem aumentar oportunidades de contato direto ou indireto com aves silvestres, outros animais, pessoas, veículos ou materiais contaminados.

No projeto realizado com a Naturovos, o formulário combinou entrevista com o produtor ou responsável e inspeção visual da propriedade. Essa combinação permitiu compreender práticas de rotina, registrar evidências observáveis e reduzir a dependência de uma única fonte de informação. As respostas foram processadas em ambiente analítico desenvolvido pela Corb Science, gerando um índice de risco por granja e permitindo classificar as propriedades conforme o nível de atenção requerido.

Os resultados produziram relatórios individuais automáticos e uma visão consolidada para a empresa. Com isso, a Naturovos passou a contar com uma leitura organizada sobre as granjas que exigem acompanhamento mais próximo, os fatores críticos mais frequentes e os pontos que podem orientar a comunicação técnica com produtores. Essa informação também fornece base para reavaliações futuras, permitindo acompanhar se as melhorias recomendadas foram implementadas e se houve evolução nas condições de biosseguridade.

Um diferencial do projeto foi a estruturação da governança de riscos a partir dos resultados. O índice ajuda a identificar onde priorizar. Os fatores críticos indicam o que corrigir ou monitorar. A governança organiza critérios, responsabilidades, prazos, registros e formas de verificação. Essa lógica apoia a equipe técnica na definição de visitas, orientações, planos de ação e comunicação com produtores em períodos de estabilidade sanitária e em momentos de maior alerta.

Embora o foco inicial tenha sido a IAAP, a análise indicou potencial de aplicação para outros temas sanitários. Em avaliação exploratória, granjas com relato de Salmonella spp. ou de múltiplos patógenos apresentaram médias mais elevadas no índice de risco de biosseguridade. O achado deve ser interpretado com cautela e sem inferência causal direta, porém sugere que avaliações estruturadas de biosseguridade podem dialogar com registros sanitários e apoiar futuras análises integradas com indicadores zootécnicos, histórico de enfermidades e outros perigos relevantes para a produção avícola.

Para a Corb Science, o projeto representa a aplicação prática de sua abordagem em gestão de riscos na cadeia de proteína animal. A empresa atua na transformação de dados operacionais em inteligência de risco para apoiar decisões técnicas, gerenciais e produtivas. Na Naturovos, essa inteligência foi aplicada à prevenção da IAAP, com foco em biosseguridade, comunicação técnica, priorização de ações e acompanhamento das granjas.

A iniciativa também evidencia o compromisso técnico da Naturovos com prevenção, melhoria contínua e responsabilidade sanitária. Em uma cadeia produtiva na qual sanidade, produtividade e acesso a mercados dependem de atenção permanente, o modelo de avaliação rápida de risco oferece um caminho prático para fortalecer a tomada de decisão. A informação coletada no campo ganha valor quando retorna à rotina da empresa como orientação ao produtor, critério de priorização e base para verificar a evolução das medidas adotadas.

Fonte: Ass. de Imprensa
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