Suínos
Zootecnista chama atenção para atualização das exigências nutricionais dos suínos
É um dos itens mais caros da produção de suínos e que tem papel fundamental no bom desenvolvimento dos animal.

A nutrição é um ponto essencial no processo produtivo. Sendo um dos itens mais caros da produção de suínos e que tem papel fundamental no bom desenvolvimento dos animais, é uma questão que não deve ser negligenciada ou deixada de lado pelos envolvidos: nutricionistas, profissionais do setor e produtor rural. Dessa forma, durante o Simpósio Brasil Sul de Suinocultura, que acontece de 13 a 15 de agosto, em Chapecó (SC), a doutora em Zootecnia e Produção e Nutrição de Não Ruminantes, Melissa Hannas, professora da Universidade Federal de Viçosa (UFV), fala sobre a atualização das exigências nutricionais com foco na melhoria de performance dos animais.

Doutora em Zootecnia e Produção e Nutrição de Não Ruminantes, professora da (UFV), Melissa Hannas: “Todos os nutrientes precisam ser fornecidos através da dieta e do consumo de ração e esse fornecimento vai permitir o desenvolvimento adequado” – Foto: Divulgação/Arquivo Pessoal
De acordo com ela, a nutrição é que vai garantir que a performance dos animais seja atingida. “Porque é ela que vai entregar toda a energia e nutrientes que o animal precisa para que possa se desenvolver, crescer e, dessa forma, fazer a deposição de tecidos adequada de acordo com o potencial genético. Assim, o atendimento dos nutrientes que os animais precisam através do consumo de ração e da mistura de ingredientes que vão ser fornecidos na dieta é que vão permitir que o animal expresse o potencial genético, ganho de peso, rendimento de carcaça e produtividade”, esclarece.
A especialista explica que os animais apresentam exigências de energia e ela vai ser obtida através do uso de carboidratos, lipídeos e proteína. “Os animais apresentam essas exigências de proteína na forma de aminoácidos, de alguns lipídeos essenciais, minerais e vitaminas. Todos os nutrientes precisam ser fornecidos através da dieta e do consumo de ração e esse fornecimento vai permitir o desenvolvimento adequado e que os animais apresentem ganho de peso de acordo com o potencial genético, ou seja, que sejam capazes de produzir, no caso das fêmeas, os leitões, e dos reprodutores um sêmen de qualidade”.
Dessa forma, uma vez que a nutrição adequada vai garantir que o animal possa expressar seu potencial genético, constantemente as pesquisas são atualizadas para determinar quais as melhores fontes que devem ser utilizadas nas dietas e quais as exigências nutricionais dos animais nas diferentes fases e qual o equilíbrio de nutrientes. “Muitas vezes precisamos desses nutrientes em equilíbrio, não a mais. Em algumas condições excesso de nutrientes pode ser prejudicial para o animal. Então as pesquisas são feitas constantemente por instituições, universidades e indústrias para que seja possível estabelecer os níveis adequados de nutrientes e os planos de arraçoamento que os animais vão precisar receber nos diferentes sistemas de produção, de forma a entender todos esses requisitos para que os suínos expressem seu potencial genético”, informa.
Dieta aliada a performance
Melissa esclarece que todas as fases da produção são importantes e merecem atenção. “Dentro do sistema de produção as fases são dependentes. Desde a creche até a terminação, em cada fase é preciso verificar quais são os melhores ingredientes, os desafios do sistema de produção, qual a curva de consumo, qual vai ser a mistura de ingredientes nutricionais e se há necessidade de utilizar algum aditivo ou não que possa melhorar ainda mais a produção ou desempenho reprodutivo desses animais. Então dentro da suinocultura não podemos priorizar uma fase em detrimento de outra”, defende.
A especialista comenta que é necessário estar sempre atento as atualizações quando o assunto é nutrição. “A genética, em função do melhoramento e da seleção que é feita nos animais e isso estar chegando constantemente dentro das granjas, faz com que haja alteração de exigências nutricionais dos animais. Constantemente os profissionais envolvidos nas decisões dentro das empresas relacionadas à nutrição precisam estar atentos para questões tanto da qualidade dos ingredientes das dietas quanto a atualização dos programas de nutrição”, afirma.
Para ela, essa é uma forma de garantir que a atualização genética da granja possa ser expressa através de uma maior produção e ganho de peso, uma vez que a nutrição que vai ser fornecida aos animais vai permitir que eles expressem o potencial genético. “Por isso, é sempre importante verificar a atualização genética, as recomendações nutricionais atualizadas, garantir qualidade dos ingredientes e que os planos de arraçoamento estejam sendo atingidos dentro do sistema de produção”.
Evolução constante
Melissa comenta que nutrição é um tema que sempre vai merecer atenção, uma vez que está relacionado ao maior curso do sistema de produção. “Tudo o que é feito através da nutrição tem um impacto muito grande no custo de produção desses animais. Em função disso, fazer uma nutrição adequada, estar atualizado em relação à nutrição, aos planos de arraçoamento, garantir qualidade de ingredientes e do sistema de mistura, definição dos níveis nutricionais, características de mistura e moagem são todos aspectos relacionados à nutrição. As exigências nutricionais sempre merecerão atenção do sistema de produção por apresentar impacto muito grande relacionado ao custo de produção final, rentabilidade e eficiência alimentar dos animais”.
A especialista comenta ainda que é realizado um trabalho de atualização das exigências nutricionais para suínos através da edição de tabelas. “É uma ferramenta que permite estimar os nutrientes que os animais precisam em diferentes condições. Um manual ou orientação que pode servir de ferramenta para diferentes animais, em diferentes condições e genéticas. Ela realmente permite uma flexibilidade na definição dos planos de alimentação e nutrição desses animais”.
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Suínos
Mato Grosso consolida protagonismo na suinocultura com recordes de exportação em 2025
Estado acompanha desempenho histórico do Brasil, amplia presença em mercados internacionais e reforça sua força produtiva mesmo sem expansão do plantel.

O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.

Presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho: “Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa”
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.
Suínos
Mercado do suíno inicia janeiro com variações moderadas
Cotações do suíno vivo registram altas e quedas pontuais entre estados, sem movimentos bruscos, segundo o Cepea.

Os preços do suíno vivo apresentaram comportamento misto nesta segunda-feira (05), conforme o Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq. Entre os principais estados produtores, as variações diárias foram moderadas, refletindo ajustes pontuais do mercado no início de janeiro.
Em Minas Gerais, na modalidade posto, o suíno foi cotado a R$ 8,44/kg, com queda de 0,24% no dia e leve alta acumulada de 0,12% no mês. No Paraná, na modalidade a retirar, o preço subiu 0,36% frente ao dia anterior, alcançando R$ 8,26/kg, embora ainda acumule recuo de 0,12% em janeiro.
No Rio Grande do Sul, a cotação recuou 0,60% no dia, para R$ 8,24/kg, registrando também a maior queda mensal entre os estados acompanhados, com baixa acumulada de 0,72%. Em Santa Catarina, o preço ficou em R$ 8,32/kg, com retração diária de 0,12% e queda de 0,36% no acumulado do mês.
Já em São Paulo, na modalidade posto, o suíno vivo foi negociado a R$ 8,91/kg, com recuo de 0,45% no dia e estabilidade no resultado mensal até o momento. Segundo o Cepea, o cenário indica um mercado ainda ajustando oferta e demanda no início do ano, sem movimentos bruscos nas cotações.
Suínos
Suinocultura projeta 2026 com exportações em alta e margens sustentadas
Com demanda externa aquecida, preços firmes no mercado interno e crescimento moderado da produção, o setor deve ampliar embarques e manter rentabilidade ao produtor, segundo projeções do Cepea.

Após o bom desempenho registrado em 2025, a suinocultura brasileira mantém projeções otimistas para 2026. A ampliação da demanda externa somada ao crescimento moderado da produção e à manutenção de preços firmes devem assegurar margens atrativas ao longo do ciclo.
Cálculos do Cepea indicam cerca de 1,44 milhão de toneladas de carne suína embarcadas no próximo ano, o que representaria um crescimento de 6,3% sobre 2025.
Esses números podem, inclusive, melhorar a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores mundiais da proteína, desde 2023, o País ocupa o 3º lugar, conforme dados do USDA.

Foto: O Presente Rural
Segundo pesquisadores do Cepea, a expectativa é de abertura e consolidação de novos mercados, além da expansão do valor total exportado. Entre os parceiros comerciais do Brasil, as Filipinas devem continuar sendo o principal, adquirindo 7% a mais da carne suína nacional em 2026.
Já para a China, o 2º maior destino, o total embarcado deve seguir em queda, dada a demanda decrescente do país nos últimos anos – entre 2021 e a parcial de 2025, o total enviado ao país caiu mais de 70%.
Nas Américas, o México deve continuar ampliando a demanda por carne brasileira. No mercado doméstico, os preços podem seguir em patamares elevados no próximo ano. Ao mesmo tempo, estimativas do Cepea apontam que a dinâmica de menor volatilidade deve ser mantida – em 2025, as cotações permaneceram praticamente estáveis em algumas praças por quatro ou até seis semanas ininterruptas.
A expectativa de preços firmes se sustenta na continuidade da demanda aquecida. Segundo a ABPA, o consumo per capita da proteína suinícola é projetada em 19,5 quilos em 2026, incremento de 2,5% frente ao ano anterior.
Do lado da produção de carne suína, o Cepea estima aumento de 4%, chegando a 5,88 milhões de toneladas. Assim como em 2025, o Cepea projeta um bom ano ao produtor, favorecido pelos preços firmes do animal.



