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Zootecnista aponta caminhos para reduzir perdas e aumentar sobrevivência na piscicultura

Estratégias nutricionais e de manejo preventivo se consolidam como aliadas para enfrentar desafios sanitários e garantir sustentabilidade na produção de peixes.

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Na piscicultura, controlar o ambiente é um desafio constante. Diferente da avicultura, em que todos os elos da cadeia podem ser monitorados com precisão, na criação de peixes o produtor lida diariamente com variáveis que fogem ao seu controle. Temperaturas instáveis, mudanças no pH da água, quedas repentinas de oxigênio e ameaças sanitárias são apenas alguns dos fatores que exigem resiliência do sistema produtivo.

“Os estresses nutricionais vão desde formulações, digestibilidade e composição dos ingredientes até excessos ou faltas de alimentação, presença de micotoxinas e fatores antinutricionais. Essas condições interagem com os estresses ambientais e sanitários, formando um conjunto de desafios que impacta diretamente a saúde e o desempenho dos peixes”, explica o zootecnista Thiago Ushizima, durante sua participação no 4º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado em Toledo (PR).

A evolução da tilapicultura evidencia a complexidade desse cenário. Há uma década, a principal preocupação era com o Streptococcus. Hoje, o panorama inclui diversos sorotipos da bactéria, como Aeromonas, Streptococcus dysgalactiae e até infecções virais, presentes em várias regiões e fases de produção. “O produtor precisa conhecer essa variedade de infecções e entender que elas estão no ambiente”, ressalta Ushizima, destacando que o manejo cotidiano – transporte, classificação e vacinação – adiciona ainda mais estresse ao animal.

É nesse contexto que a nutrição estratégica se torna essencial. “A imunonutrição, quando bem aplicada, fortalece o peixe, melhora a digestão, a saúde hepática, a absorção de nutrientes e ajuda a prevenir doenças subclínicas”, explica o profissional.

Proteção antioxidante

Zootecnista Thiago Ushizima: “Nutrição estratégica deixa de ser apenas fornecimento de alimento e se transforma em ferramenta de resiliência, capaz de reduzir impactos de estresse ambiental, melhorar saúde e desempenho e garantir produtividade de forma sustentável” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Vitaminas e selênio aparecem como protagonistas desse processo. “As vitaminas são essenciais, mas poucas empresas produzem, e oscilações na oferta ou instabilidade durante armazenamento e processamento podem comprometer seu efeito”, afirma Ushizima.

Ele explica que o selênio atua como antioxidante, protegendo as membranas celulares do estresse oxidativo, processo que acelera danos quando espécies reativas de oxigênio se acumulam. “Quanto maior o estresse, mais importantes se tornam as defesas antioxidantes, incluindo vitamina E, flavonoides, carotenoides e vitamina C. O selênio é um componente essencial nesse sistema de proteção”, pontua.

Além de vitaminas e selênio, outras tecnologias nutricionais estão ganhando espaço na piscicultura. Um exemplo é o hidróxido de selênio metionina, considerado um selênio de terceira geração resistente à extrusão da ração. “Esse nutriente se deposita no músculo do peixe, funcionando como um estoque que pode ser mobilizado em períodos de estresse”, pontua o zootecnista, acrescentando que ele também contribui para a reprodução, aumentando a produção de ovócitos e melhorando o desempenho reprodutivo dos peixes.

Aproveitamento máximo dos nutrientes

Outro recurso importante são as enzimas digestivas, que extraem mais nutrientes dos alimentos. “Elas liberam fósforo preso ao fitato das matérias-primas e degradam componentes presentes no milho e na soja ligados às paredes celulares, liberando energia, proteína e minerais”, detalha Ushizima.

Já os emulsificantes permitem que os óleos da ração se misturem ao ambiente aquoso do trato digestivo, aumentando a superfície de ação das lipases, enzimas que quebram as gorduras. “Isofosfolipídios, que possuem efeito emulsificante, se incorporam às membranas intestinais, facilitando a absorção de nutrientes tanto no transporte passivo quanto ativo e ainda atuam nas células do fígado, promovendo efeitos benéficos no metabolismo”, complementa o zootecnista.

Estudos recentes com tilápias criadas em baixa temperatura mostraram que dietas com emulsificantes aumentam o consumo de alimento em cerca de 10%, melhoram o ganho de peso e reduzem a conversão alimentar, com impactos positivos na composição corporal, incluindo índices viscerossomáticos e patrossomáticos. “No inverno, o metabolismo do animal diminui e ele tende a acumular gordura. Essas ferramentas nutricionais ajudam a otimizar o aproveitamento do alimento e manter o peixe saudável mesmo em condições desafiadoras”, afirma Ushizima.

Para o profissional, essas tecnologias não substituem o manejo adequado, mas potencializam os resultados, fortalecendo o peixe e, consequentemente, toda a cadeia produtiva da piscicultura. “Nutrição estratégica, nesse contexto, deixa de ser apenas fornecimento de alimento e se transforma em ferramenta de resiliência, capaz de reduzir impactos de estresse ambiental, melhorar saúde e desempenho e garantir produtividade de forma sustentável”, sustenta.

Prevenção de doenças

Ushizima ressalta que a imunonutrição tem sido uma das estratégias para reduzir o uso de antibióticos e aumentar a resistência do peixe. “Os desafios sanitários são uma realidade nos sistemas de produção, constantemente pressionados por bactérias e outros patógenos. Em fases intermediárias ou finais, o uso de antibióticos pode ser necessário. Não estou criticando o antibiótico, ele é essencial em alguns problemas, mas dietas funcionais ajudam a reduzir a necessidade de tratamento”, explica Ushizima.

Entre os alimentos funcionais, os ácidos orgânicos são amplamente utilizados. Eles melhoram a digestão, reduzem a carga bacteriana e ajudam a controlar doenças subclínicas, promovendo um ambiente digestivo mais equilibrado e eficiente. “O objetivo é criar um sistema digestivo menos ácido e mais resistente, garantindo que os peixes absorvam melhor os nutrientes e se mantenham saudáveis mesmo sob condições desafiadoras”, acrescenta o profissional.

Impacto econômico

O impacto econômico de perdas sanitárias é significativo. Segundo o zootecnista, considerando um produtor que cria 100 toneladas de peixe a um custo de R$ 6,20 por quilo e vende a R$ 7,20, a margem é de 16%. “Se houver perda de 5% da produção, todo o investimento em ração, mão de obra e insumos se perde, reduzindo drasticamente a rentabilidade. Esse ano, fatores como clima quente, altas densidades nos tanques e enfermidades cada vez mais agressivas afetaram muitos produtores”, expôs.

Resultados na prática

Pesquisas recentes reforçam o potencial das estratégias nutricionais preventivas na piscicultura. Estudos realizados em polos de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Bahia mostraram que o uso de ácidos orgânicos melhora a sobrevivência frente a bactérias como Streptococcus e Francisella, mesmo em baixas dosagens. “Foi um dos primeiros trabalhos feitos no Brasil, infectando tilápias com Francisella e fornecendo ácido orgânico 30 dias antes. Observamos melhora de sobrevivência em torno de 26%”, relata Ushizima.

O uso preventivo de ácidos orgânicos se consolidou no mercado entre 2016 e 2017, em fazendas de São Paulo que enfrentavam graves surtos de Francisella. Hoje, a ferramenta é considerada aliada tanto das indústrias de ração quanto dos produtores, sendo aplicada antes e durante o inverno. A estratégia pode ser complementada por monitoramento visual: ao observar pontos brancos no baço do peixe, o produtor consegue antecipar o uso de antibióticos e outras medidas preventivas.

Estudos envolvendo co-infecção por Streptococcus e Aeromonas também mostraram benefícios. “Com ácido orgânico, houve aumento de cerca de 22% na sobrevivência. Mas é importante destacar que, mesmo em peixes que sobrevivem à infecção, há danos significativos em órgãos essenciais como intestino, fígado e baço. Por isso, a prevenção é essencial”, salienta Ushizima, destacando que o custo de um programa preventivo com ácido orgânico gira em torno de R$ 0,11 por quilo de peixe ao longo de todo o ciclo produtivo, mostrando-se uma estratégia acessível e eficaz.

Outro componente crescente na alimentação funcional são os fitobióticos, extratos botânicos que modulam a resposta imune, atuam na saúde intestinal e inibem a comunicação bacteriana (quorum sensing). Estudos realizados em parceria com a Universidade Estadual de Londrina mostraram que a administração de fitobióticos antes do desafio com Streptococcus aumentou a sobrevivência dos peixes em cerca de 17%. O custo médio de um programa preventivo com fitobióticos é de R$ 110 por tonelada de ração, ou R$ 17 por quilo de peixe, reforçando a viabilidade econômica dessa estratégia.

Não se gerencia o que não se mede

Para Ushizima, não existe solução mágica: “A piscicultura é multidisciplinar. Não há um único ácido orgânico, probiótico ou biorremediador que resolva tudo. É um conjunto de fatores que precisam atuar juntos: boas práticas de produção, biosseguridade, qualidade da água e nutrição de excelência. Uma ração bem formulada só dará resultado se o manejo e o ambiente também forem adequados. Qualidade de água é essencial. Não se gerencia o que não se mede”, pontua.

O profissional deixou uma mensagem muito clara aos participantes do Simpop: peixes saudáveis refletem sistemas produtivos resilientes. “Investir em nutrição estratégica, imunonutrição e manejo preventivo não apenas aumenta a sobrevivência e o desempenho dos animais, mas protege a rentabilidade do produtor e fortalece toda a cadeia da piscicultura brasileira”, reforça.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

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Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
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Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
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Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo

Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

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O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

Fonte: Agência Brasil
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