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Zootecnista aponta caminhos para reduzir perdas e aumentar sobrevivência na piscicultura

Estratégias nutricionais e de manejo preventivo se consolidam como aliadas para enfrentar desafios sanitários e garantir sustentabilidade na produção de peixes.

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Fotos: Shutterstock

Na piscicultura, controlar o ambiente é um desafio constante. Diferente da avicultura, em que todos os elos da cadeia podem ser monitorados com precisão, na criação de peixes o produtor lida diariamente com variáveis que fogem ao seu controle. Temperaturas instáveis, mudanças no pH da água, quedas repentinas de oxigênio e ameaças sanitárias são apenas alguns dos fatores que exigem resiliência do sistema produtivo.

“Os estresses nutricionais vão desde formulações, digestibilidade e composição dos ingredientes até excessos ou faltas de alimentação, presença de micotoxinas e fatores antinutricionais. Essas condições interagem com os estresses ambientais e sanitários, formando um conjunto de desafios que impacta diretamente a saúde e o desempenho dos peixes”, explica o zootecnista Thiago Ushizima, durante sua participação no 4º Simpósio de Piscicultura do Oeste do Paraná (Simpop), realizado em Toledo (PR).

A evolução da tilapicultura evidencia a complexidade desse cenário. Há uma década, a principal preocupação era com o Streptococcus. Hoje, o panorama inclui diversos sorotipos da bactéria, como Aeromonas, Streptococcus dysgalactiae e até infecções virais, presentes em várias regiões e fases de produção. “O produtor precisa conhecer essa variedade de infecções e entender que elas estão no ambiente”, ressalta Ushizima, destacando que o manejo cotidiano – transporte, classificação e vacinação – adiciona ainda mais estresse ao animal.

É nesse contexto que a nutrição estratégica se torna essencial. “A imunonutrição, quando bem aplicada, fortalece o peixe, melhora a digestão, a saúde hepática, a absorção de nutrientes e ajuda a prevenir doenças subclínicas”, explica o profissional.

Proteção antioxidante

Zootecnista Thiago Ushizima: “Nutrição estratégica deixa de ser apenas fornecimento de alimento e se transforma em ferramenta de resiliência, capaz de reduzir impactos de estresse ambiental, melhorar saúde e desempenho e garantir produtividade de forma sustentável” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Vitaminas e selênio aparecem como protagonistas desse processo. “As vitaminas são essenciais, mas poucas empresas produzem, e oscilações na oferta ou instabilidade durante armazenamento e processamento podem comprometer seu efeito”, afirma Ushizima.

Ele explica que o selênio atua como antioxidante, protegendo as membranas celulares do estresse oxidativo, processo que acelera danos quando espécies reativas de oxigênio se acumulam. “Quanto maior o estresse, mais importantes se tornam as defesas antioxidantes, incluindo vitamina E, flavonoides, carotenoides e vitamina C. O selênio é um componente essencial nesse sistema de proteção”, pontua.

Além de vitaminas e selênio, outras tecnologias nutricionais estão ganhando espaço na piscicultura. Um exemplo é o hidróxido de selênio metionina, considerado um selênio de terceira geração resistente à extrusão da ração. “Esse nutriente se deposita no músculo do peixe, funcionando como um estoque que pode ser mobilizado em períodos de estresse”, pontua o zootecnista, acrescentando que ele também contribui para a reprodução, aumentando a produção de ovócitos e melhorando o desempenho reprodutivo dos peixes.

Aproveitamento máximo dos nutrientes

Outro recurso importante são as enzimas digestivas, que extraem mais nutrientes dos alimentos. “Elas liberam fósforo preso ao fitato das matérias-primas e degradam componentes presentes no milho e na soja ligados às paredes celulares, liberando energia, proteína e minerais”, detalha Ushizima.

Já os emulsificantes permitem que os óleos da ração se misturem ao ambiente aquoso do trato digestivo, aumentando a superfície de ação das lipases, enzimas que quebram as gorduras. “Isofosfolipídios, que possuem efeito emulsificante, se incorporam às membranas intestinais, facilitando a absorção de nutrientes tanto no transporte passivo quanto ativo e ainda atuam nas células do fígado, promovendo efeitos benéficos no metabolismo”, complementa o zootecnista.

Estudos recentes com tilápias criadas em baixa temperatura mostraram que dietas com emulsificantes aumentam o consumo de alimento em cerca de 10%, melhoram o ganho de peso e reduzem a conversão alimentar, com impactos positivos na composição corporal, incluindo índices viscerossomáticos e patrossomáticos. “No inverno, o metabolismo do animal diminui e ele tende a acumular gordura. Essas ferramentas nutricionais ajudam a otimizar o aproveitamento do alimento e manter o peixe saudável mesmo em condições desafiadoras”, afirma Ushizima.

Para o profissional, essas tecnologias não substituem o manejo adequado, mas potencializam os resultados, fortalecendo o peixe e, consequentemente, toda a cadeia produtiva da piscicultura. “Nutrição estratégica, nesse contexto, deixa de ser apenas fornecimento de alimento e se transforma em ferramenta de resiliência, capaz de reduzir impactos de estresse ambiental, melhorar saúde e desempenho e garantir produtividade de forma sustentável”, sustenta.

Prevenção de doenças

Ushizima ressalta que a imunonutrição tem sido uma das estratégias para reduzir o uso de antibióticos e aumentar a resistência do peixe. “Os desafios sanitários são uma realidade nos sistemas de produção, constantemente pressionados por bactérias e outros patógenos. Em fases intermediárias ou finais, o uso de antibióticos pode ser necessário. Não estou criticando o antibiótico, ele é essencial em alguns problemas, mas dietas funcionais ajudam a reduzir a necessidade de tratamento”, explica Ushizima.

Entre os alimentos funcionais, os ácidos orgânicos são amplamente utilizados. Eles melhoram a digestão, reduzem a carga bacteriana e ajudam a controlar doenças subclínicas, promovendo um ambiente digestivo mais equilibrado e eficiente. “O objetivo é criar um sistema digestivo menos ácido e mais resistente, garantindo que os peixes absorvam melhor os nutrientes e se mantenham saudáveis mesmo sob condições desafiadoras”, acrescenta o profissional.

Impacto econômico

O impacto econômico de perdas sanitárias é significativo. Segundo o zootecnista, considerando um produtor que cria 100 toneladas de peixe a um custo de R$ 6,20 por quilo e vende a R$ 7,20, a margem é de 16%. “Se houver perda de 5% da produção, todo o investimento em ração, mão de obra e insumos se perde, reduzindo drasticamente a rentabilidade. Esse ano, fatores como clima quente, altas densidades nos tanques e enfermidades cada vez mais agressivas afetaram muitos produtores”, expôs.

Resultados na prática

Pesquisas recentes reforçam o potencial das estratégias nutricionais preventivas na piscicultura. Estudos realizados em polos de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Bahia mostraram que o uso de ácidos orgânicos melhora a sobrevivência frente a bactérias como Streptococcus e Francisella, mesmo em baixas dosagens. “Foi um dos primeiros trabalhos feitos no Brasil, infectando tilápias com Francisella e fornecendo ácido orgânico 30 dias antes. Observamos melhora de sobrevivência em torno de 26%”, relata Ushizima.

O uso preventivo de ácidos orgânicos se consolidou no mercado entre 2016 e 2017, em fazendas de São Paulo que enfrentavam graves surtos de Francisella. Hoje, a ferramenta é considerada aliada tanto das indústrias de ração quanto dos produtores, sendo aplicada antes e durante o inverno. A estratégia pode ser complementada por monitoramento visual: ao observar pontos brancos no baço do peixe, o produtor consegue antecipar o uso de antibióticos e outras medidas preventivas.

Estudos envolvendo co-infecção por Streptococcus e Aeromonas também mostraram benefícios. “Com ácido orgânico, houve aumento de cerca de 22% na sobrevivência. Mas é importante destacar que, mesmo em peixes que sobrevivem à infecção, há danos significativos em órgãos essenciais como intestino, fígado e baço. Por isso, a prevenção é essencial”, salienta Ushizima, destacando que o custo de um programa preventivo com ácido orgânico gira em torno de R$ 0,11 por quilo de peixe ao longo de todo o ciclo produtivo, mostrando-se uma estratégia acessível e eficaz.

Outro componente crescente na alimentação funcional são os fitobióticos, extratos botânicos que modulam a resposta imune, atuam na saúde intestinal e inibem a comunicação bacteriana (quorum sensing). Estudos realizados em parceria com a Universidade Estadual de Londrina mostraram que a administração de fitobióticos antes do desafio com Streptococcus aumentou a sobrevivência dos peixes em cerca de 17%. O custo médio de um programa preventivo com fitobióticos é de R$ 110 por tonelada de ração, ou R$ 17 por quilo de peixe, reforçando a viabilidade econômica dessa estratégia.

Não se gerencia o que não se mede

Para Ushizima, não existe solução mágica: “A piscicultura é multidisciplinar. Não há um único ácido orgânico, probiótico ou biorremediador que resolva tudo. É um conjunto de fatores que precisam atuar juntos: boas práticas de produção, biosseguridade, qualidade da água e nutrição de excelência. Uma ração bem formulada só dará resultado se o manejo e o ambiente também forem adequados. Qualidade de água é essencial. Não se gerencia o que não se mede”, pontua.

O profissional deixou uma mensagem muito clara aos participantes do Simpop: peixes saudáveis refletem sistemas produtivos resilientes. “Investir em nutrição estratégica, imunonutrição e manejo preventivo não apenas aumenta a sobrevivência e o desempenho dos animais, mas protege a rentabilidade do produtor e fortalece toda a cadeia da piscicultura brasileira”, reforça.

O acesso é gratuito e a edição pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural

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Período de Defeso da Piracema termina no domingo em todo o Paraná

Com o fim da restrição, volta a ser permitida a pesca de espécies nativas a partir de 1º de março.

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Fotos: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O período de defeso da Piracema termina neste domingo (1º) no Paraná. Com isso, volta a ser permitida a pesca de espécies nativas. O ciclo teve início em novembro e busca preservar a reprodução natural dos peixes na bacia hidrográfica do Rio Paraná. A ação é anual e normatizada pela Portaria 377/2022, elaborada pelo Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest).

Na próxima semana, o órgão vai apresentar um balanço com os números de apreensões e Autos de Infração Ambiental (AIA) emitidos durante o período restritivo. Na última Piracema, entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, foram lavrados 40 AIAs, com multas que totalizaram R$ 127,4 mil. Houve ainda a apreensão de 44 quilos de peixe, além de materiais e equipamentos como redes de pesca, molinetes, carretilhas, anzóis, entre outras ferramentas de pesca utilizadas irregularmente.

A restrição de pesca é determinada pelo órgão ambiental há quase duas décadas, em cumprimento à Instrução Normativa nº 25/2009 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A lei de crimes ambientais define multas de aproximadamente R$ 1.200 por pescador e mais de R$ 20 por quilo de peixe pescado. Além disso, os materiais de pesca, como varas, redes e embarcações, podem ser apreendidos se ficar comprovada a retirada de espécies nativas durante o defeso, com cobrança de R$ 100 por apetrecho recolhido. O transporte e a comercialização também são fiscalizados no período.

Denúncias sobre pesca irregular ou uso de equipamentos ilegais podem ser feitas de forma anônima e segura por meio do telefone 181 (Disque Denúncia).

Fonte: AEN-PR
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Mercado restrito e desafios industriais impactam desempenho dos peixes nativos

Consumo concentrado em três regiões e necessidade de mais tecnologia influenciam resultado do setor em 2025.

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Fotos: Divulgação/Arquivo OPR

A produção brasileira de peixes nativos totalizou 257.070 toneladas em 2025, volume 0,63% menor que o registrado no ano anterior. Com isso, o segmento acumula o terceiro ano consecutivo de retração. O último avanço havia sido observado entre 2021 e 2022, quando houve crescimento de 1,79%.

Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026. O levantamento aponta que o desempenho do setor está ligado a fatores como mercado mais restrito, com consumo concentrado principalmente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além da necessidade de ampliar investimentos em tecnologia e fortalecer a industrialização da cadeia.

Foto: Alessandro Vieira

Rondônia liderou a produção nacional de peixes nativos em 2025, com 55.200 toneladas, resultado 2,8% inferior ao de 2024. O Maranhão aparece na segunda posição, com 42.700 toneladas e crescimento de 9,5%. Mato Grosso ocupa o terceiro lugar, com 40.000 toneladas, alta de 0,7%. Na sequência estão Pará, com 25.000 toneladas (+3,7%), e Roraima, com 23.000 toneladas (-0,4%).

O anuário destaca que o avanço da atividade passa pelo aprimoramento dos processos produtivos e pela adoção de novas estratégias de mercado. Entre as medidas apontadas estão o investimento em melhoramento genético, ampliação da oferta de insumos específicos e fortalecimento da indústria frigorífica para atender produtores e consumidores.

No mercado, a expansão pode ocorrer com a abertura de novos canais de comercialização e valorização da identidade regional dos peixes nativos, especialmente nas regiões que já concentram a maior produção.

O documento também cita a importância de políticas públicas integradas para estimular a cadeia, incluindo linhas de crédito, capacitação de produtores, melhorias em logística e distribuição. No consumo interno, a ampliação da presença desses peixes na merenda escolar, em órgãos públicos, hospitais e programas de cesta básica é apontada como alternativa para fortalecer a demanda.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Piscicultura paranaense cresce acima da média nacional e reforça posição estratégica

Enquanto o Brasil atinge 4,4% de crescimento, Estado chega a 9,1%, concentra 27% da produção e lidera as exportações de tilápia.

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Fotos: Shutterstock

O Paraná alcançou a marca de 273 mil toneladas de pescados produzidos em 2025, um novo recorde para o setor. Esse resultado significa um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior e o Estado segue liderando a produção nacional, com participação de 27% no total. Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026 , lançado nesta semana.

São Paulo aparece na segunda posição no ranking nacional de produção de peixes de cultivo, com 93.700 toneladas, volume 0,54% maior do que o de 2024. Minas Gerais (77.500 t) está logo atrás de São Paulo, seguido por Santa Catarina (63.400 t) e Maranhão (59.600 t), que ganhou uma posição e fecha a lista dos cinco primeiros do ranking.

Pela primeira vez o Brasil alcançou a marca de 1 milhão de toneladas produzidas (1.011.540 t). O resultado do cultivo de pescados cresceu 4,41% no Brasil, se comparado ao volume produzido em 2024. Nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6%.

Foto: Jonathan Campos/AEN

A tilápia é o grande motor da atividade no Paraná e no Brasil. O Estado lidera a produção com 273.100 toneladas. Completando a lista dos cinco maiores produtores nacionais da espécie, aparecem na sequência São Paulo (88.500 t), Minas Gerais (73.500 t), Santa Catarina (52.700 t) e Mato Grosso do Sul (38.700 t). Em todo o Brasil foram 707.495 toneladas, maior resultado da série histórica da última década.

Os principais produtores, em volume, são Toledo, Palotina, Nova Aurora, São José dos Pinhais e Marechal Cândido Rondon. Já as maiores quantidades de tanques ficam, nessa ordem, em Itambaracá (1.564), Alvorada do Sul (994), Nova Prata do Iguaçu (757), Três Barras do Paraná (654) e Boa Esperança do Iguaçu (408).

De acordo com o Anuário, o Paraná atrai cada vez mais e melhores investimentos para o setor. A crescente participação de grandes cooperativas dá novas proporções à atividade. Em relação ao sistema de negócio, a integração se destaca, atraindo mais produtores do que o modelo independente, que mantém uma ligação direta com pequenos frigoríficos. Essa modalidade vem diminuindo ao longo do tempo.

“Além de todos os fatores favoráveis ao crescimento forte e constante da atividade, também é preciso manter a atração de investimentos em inovação, certificação e abertura de novos mercados internacionais”, aponta a publicação.

Exportações

As exportações da piscicultura brasileira registraram crescimento de 2% em valor em 2025, chegando a U$S 60 milhões. Já em volume, houve queda de 1%, passando de 13.792 t em 2024 para 13.684 t em 2025. A tilápia representou 94% das exportações, seguida do tambaqui e curimatás.

O Paraná manteve a posição de maior exportador brasileiro de tilápia em 2025, sendo responsável por 50% do total exportado pelo Brasil, com US$ 28 milhões. Na segunda posição, aparece São Paulo, totalizando US$ 16 milhões, que representam 29%, seguido por Mato Grosso do Sul, com US$ 10,7 milhões (19% do total).

Apesar do tarifaço, o Estados Unidos se mantiveram como o principal destino (87%) das exportações brasileiras da piscicultura em 2025, totalizando US$ 52 milhões. Outros principais destinos foram Canadá (4%), Peru (4%), China (2%) e Vietnã (1%). Destaca-se ainda a entrada de 21 novos destinos, dentre os quais está o México, que é o segundo maior importador de tilápia no continente americano após os Estados Unidos.

Fonte: AEN-PR
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