Notícias Zoneamento Agrícola de Risco Climático
Zarc moderniza sistema e amplia suporte ao planejamento agrícola no país
Ferramenta digital melhora acesso a dados que orientam crédito rural, seguro agrícola e decisões de plantio.

O Painel de Indicação de Riscos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) foi atualizado e passa a oferecer uma interface mais moderna, navegação mais intuitiva e maior velocidade de resposta, facilitando o acesso às informações técnicas utilizadas no planejamento das safras em todo o país.
A nova versão do painel foi desenvolvida com foco na experiência do usuário, tornando a consulta aos resultados do Zarc mais ágil e eficiente. O layout renovado, com organização visual mais clara, contribui para uma melhor compreensão dos dados e reduz o tempo necessário para localizar informações essenciais para o planejamento agrícola.
O painel é a principal ferramenta de consulta às indicações de risco publicadas nas portarias do Zarc. Atualmente, os normativos divulgados no Diário Oficial da União fazem referência direta ao sistema, no qual o usuário pode visualizar os municípios indicados ao plantio e as janelas de semeadura.
Para acessar o mapa e a tábua de riscos, o usuário deve preencher os seguintes campos: Safra, Cultura, Outros manejos, Clima, Grupo de cultivar, Tipo de solo e Unidade da Federação.
Após preencher os filtros, basta clicar em “Aplicar Filtros”. O sistema exibirá o mapa com os municípios indicados para o plantio. Para visualizar o risco em cada decêndio (períodos de 10 dias), o usuário deve selecionar a opção “Tábua de Risco”.
Interação com ferramentas digitais
A atualização do painel faz parte da estratégia de modernização das ferramentas de divulgação do Zarc, que também inclui o aplicativo Zarc Plantio Certo, desenvolvido pela Embrapa. A plataforma permite ao produtor consultar, de forma simples, o que plantar, quando plantar e onde plantar, com base nas indicações de menor risco climático.
Em 2026, o Zarc completa 30 anos de utilização como instrumento oficial da política agrícola brasileira. O primeiro zoneamento foi publicado em 1996, para a cultura do trigo, e, desde então, o sistema passou a abranger mais de 40 culturas em todas as regiões do país, com recomendações técnicas divulgadas por meio de portarias do Ministério da Agricultura e Pecuária.
Ferramenta de gestão de riscos climáticos baseada em estudos agrometeorológicos, o Zoneamento cruza dados de clima, solo e ciclo das culturas para indicar, em cada município, as épocas de plantio com menor probabilidade de perdas. Essas informações orientam o planejamento da produção e servem de base para políticas públicas como o crédito rural, o Proagro e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
Evolução metodológica

Foto: Mapa
Além das melhorias nos sistemas de consulta, o Zarc também passa por avanços metodológicos. Um dos principais destaques é o Zarc Níveis de Manejo (Zarc NM), que incorpora variáveis de manejo e tecnologia empregadas na lavoura para refinar a avaliação de riscos.
Neste ano, o projeto piloto entra na fase 2 para a cultura da soja no Paraná, com expansão para os estados de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com recursos exclusivos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. A iniciativa busca aprimorar a avaliação de risco por meio de dados de manejo, imagens de satélite e análises de solo, ampliando a precisão das recomendações e a eficiência das políticas de gestão de riscos.
O aprimoramento do painel e o avanço do Zarc Níveis de Manejo reforçam o papel do zoneamento como instrumento estratégico para aumentar a resiliência da produção agrícola brasileira e melhorar o direcionamento das políticas públicas.

Notícias
Agro paranaense participa de manifesto por modernização da jornada de trabalho
Documento assinado pelo Sistema Faep reforça necessidade de diálogo social, dados e respeito às especificidades de cada setor.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras 93 entidades de diversos setores produtivos do agronegócio, indústria, combustíveis, construção, comércio, serviços e transportes, o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”. O documento propõe um debate amplo e técnico sobre eventuais mudanças na carga horária semanal. O texto destaca a necessidade de conciliar qualidade de vida com a manutenção do emprego formal, da competitividade e da produtividade da economia brasileira.
Leia o “Manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil”

Foto: SEAB
“É fundamental olharmos para esse debate com atenção e responsabilidade. Antes da tomada de qualquer decisão, é preciso promover um amplo debate envolvendo as entidades representativas dos setores produtivos e, principalmente, o aprofundamento dos detalhes fora do âmbito político”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Essa discussão precisa ser técnica, e não usada como ferramenta política para angariar votos em ano de eleição”, complementa.
O manifesto defende que mudanças estruturais envolvendo a jornada de trabalho sejam conduzidas com base em dados, diálogo social e diferenciação por setor, respeitando as particularidades das atividades econômicas. O Sistema FAEP reforça que o objetivo é garantir avanços sociais sem comprometer a sustentabilidade do emprego formal e a oferta de alimentos, preservando o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e bem-estar dos trabalhadores.
Estudo elaborado pelo Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP aponta que a redução da jornada de trabalho no modelo 6×1, com diminuição de 44 horas para 36 horas semanais, vai gerar um acréscimo anual de R$ 4,1 bilhões à agropecuária do Paraná. O levantamento considera 645 mil postos de trabalho no agro paranaense e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões. Com a mudança, seria necessária uma reposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, o que pode resultar na contratação de aproximadamente 107 mil novos trabalhadores para manter o atual nível de produção.
Notícias
Trigo safrinha ganha espaço no Cerrado e começa a ser semeado após a soja
Cultivo de sequeiro ajuda a diversificar a produção e pode render até 85 sacas por hectare em anos favoráveis.

O plantio do trigo de segunda safra, conhecido como trigo safrinha ou de sequeiro, começa neste início de março no Cerrado do Brasil Central. A cultura costuma ser semeada logo após a colheita da soja e aproveita as últimas chuvas da estação para se desenvolver sem necessidade de irrigação.
O sistema tem sido adotado por produtores da região por exigir investimento relativamente baixo e permitir o aproveitamento de áreas que ficariam em pousio. Além disso, o trigo ajuda a diversificar a produção e a quebrar o ciclo de pragas e doenças nas lavouras.
Mesmo com previsão de redução da área de trigo no país, conforme o Boletim da Safra de Grãos de fevereiro de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento, produtores do Cerrado demonstram otimismo com a cultura após os bons resultados registrados no último ano. A expectativa é de manutenção da área plantada ou até leve aumento.
Em 2025, cerca de 290 mil hectares foram cultivados com trigo nos estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e no Distrito Federal, sendo mais de 80% da área com trigo de sequeiro. Em Goiás, a estimativa para este ano é de plantio entre 80 mil e 90 mil hectares.

Foto: Fábio Carvalho
Na região, o cultivo geralmente ocorre em sistema de plantio direto, em sucessão à soja e em rotação com milho e sorgo. A prática contribui para a diversificação das lavouras e para o manejo de plantas daninhas resistentes, além de deixar palhada no solo para a próxima safra de verão.
Outra característica da produção no Cerrado é o calendário. Como a semeadura ocorre antes das demais regiões tritícolas do país, o trigo cultivado no Brasil Central costuma ser o primeiro a ser colhido no ciclo nacional. A colheita acontece entre junho e julho, período seco que favorece a qualidade dos grãos.
Os rendimentos nas lavouras da região variam, em média, de 35 a 85 sacas por hectare em anos com chuvas dentro da média. Esse desempenho tem estimulado produtores a manter ou ampliar o cultivo.
Para o plantio do trigo de sequeiro, recomenda-se que as áreas tenham altitude igual ou superior a 800 metros. Também é importante realizar análise e correção do solo, além de evitar compactação para favorecer o desenvolvimento das raízes.
A semeadura pode ser feita ao longo de março, de acordo com o regime de chuvas. Em áreas onde as precipitações terminam mais cedo, a orientação é antecipar o plantio para o início do mês. O escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com ciclos diferentes são estratégias utilizadas para reduzir riscos climáticos.
Entre as opções disponíveis para o cultivo na região estão cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Savana, lançada no final de 2025, e a BRS 404, ambas adaptadas ao sistema de sequeiro em ambiente tropical. Essas variedades apresentam ciclo precoce e potencial de rendimento que pode chegar a cerca de 80 sacas por hectare em condições favoráveis.
Colunistas
Seu contrato de arrendamento pode ser extinto
Decisão recente do Superior Tribunal de Justiça estabelece que a perda judicial da propriedade pode encerrar o contrato de arrendamento rural e obrigar o arrendatário a desocupar o imóvel, mesmo com direitos de preferência previstos no Estatuto da Terra.

O arrendamento de imóvel rural é regulado pelo Estatuto da Terra (Lei n. 4.504/64) e por seu Regulamento (Decreto n. 59.566/66).
Como se sabe, o arrendatário (aquele que explora o imóvel mediante pagamento de aluguel/renda) tem direito de preferência em caso de alienação, em igualdade de condições com terceiros.
Além disso, o arrendatário tem direito de preferência na renovação do contrato de arrendamento, nas mesmas condições ofertadas a terceiros.

Artigo escrito por Fábio Lamonica Pereira, advogado em Direito Bancário e do Agronegócio.
Se o arrendatário não for notificado (por meio de Cartório de Títulos e Documentos) no prazo de seis meses que antecedem o vencimento do contrato, o instrumento será renovado automaticamente por igual período e condições.
Contudo, tais direitos podem não prevalecem em determinadas situações.
Em decisão recente do Superior Tribunal de Justiça – STJ (REsp n. 2187412), entendeu-se que, em caso de perda do imóvel por decisão judicial, o arrendatário perde o direito de continuar a explorar o imóvel.
A justificativa está na redação do Decreto que regulamenta o Estatuto que traz disposição de que o contrato de arrendamento se extingue (dentre outras situações) “pela perda do imóvel rural”.
Nesse sentido é que, em caso de decisão judicial cuja consequência leve à mudança de titularidade do imóvel rural, os direitos do arrendatário não prevalecerão.
Basta uma notificação do novo proprietário informando o arrendatário de que não há interesse na continuidade do contrato de exploração para que o imóvel seja desocupado.
E quanto aos investimentos realizados no imóvel por parte do arrendatário? Neste caso, restará a possibilidade de propositura de uma ação judicial para buscar eventual indenização junto ao proprietário anterior, então arrendante.
Assim, diante dos riscos envolvidos nas relações entre arrendante e arrendatário, bem como diante de possíveis desdobramentos e ações que possam vir a ocorrer a impactar o negócio, os contratos precisam prever tais situações extraordinárias, se possível com constituição de garantias, a fim de evitar surpresas e minimizar prejuízos aos envolvidos.



