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Volume exportado de carne bovina em janeiro é recorde para o mês
Foram embarcadas 160,1 mil toneladas no primeiro mês do ano. Além da continuidade dos envios à China, os Estados Unidos têm sido um importante demandante da carne brasileira, e novas plantas brasileiras foram habilitadas para exportar carne bovina à Indonésia.

O ano de 2023 começou confirmando as perspectivas desenhadas pela cadeia pecuária nacional, de que as vendas de carne bovina ao mercado internacional devem seguir registrando bom desempenho.
Segundo dados da Secex, em janeiro de 2023, o volume de carne bovina in natura exportado pelo Brasil somou 160,1 mil toneladas, um recorde para o mês.
E colaboradores do Cepea estão otimistas para os próximos meses. Além da continuidade dos envios à China, os Estados Unidos têm sido um importante demandante da carne brasileira, e novas plantas brasileiras foram habilitadas para exportar carne bovina à Indonésia.
Por outro lado, um fator que pode frear o bom desempenho das exportações ao longo de 2023 é a valorização do real frente ao dólar – a moeda norte-americana enfraquecida tende a reduzir a competividade da carne brasileira no mercado internacional.

Colunistas A nova era da proteína
Como as canetas emagrecedoras podem mudar o consumo de alimentos
Com menos fome e menor ingestão alimentar, os pacientes naturalmente passam a selecionar melhor aquilo que consomem, e é nesse ponto que surge uma mudança estrutural no padrão alimentar.

Nos últimos anos, uma nova revolução silenciosa começou a transformar o comportamento alimentar no mundo. O avanço dos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, está provocando mudanças profundas na forma como as pessoas se relacionam com a comida.

Foto: Divulgação/Freepik
Esses medicamentos, baseados em análogos do hormônio GLP-1, atuam diretamente no controle do apetite, promovendo saciedade mais rápida e reduzindo o consumo total de calorias. Com menos fome e menor ingestão alimentar, os pacientes naturalmente passam a selecionar melhor aquilo que consomem, e é nesse ponto que surge uma mudança estrutural no padrão alimentar: a busca por alimentos mais nutritivos e, especialmente, mais ricos em proteína.
Quando o volume de alimento ingerido diminui, cada refeição passa a precisar entregar mais valor nutricional. A proteína ganha protagonismo nesse contexto por ser um nutriente essencial para a manutenção da massa muscular, da saúde metabólica e da sensação de saciedade prolongada. Não por acaso, médicos, nutricionistas e especialistas em saúde têm recomendado dietas com maior densidade proteica para pacientes em tratamento com esses medicamentos.
Esse movimento pode representar uma transformação significativa para toda a cadeia produtiva de proteínas animais, incluindo carne suína, bovina, aves, ovos e lácteos. Em vez de uma alimentação baseada apenas em volume ou calorias, a tendência aponta para uma nutrição cada vez mais orientada pela qualidade e pela densidade nutricional dos alimentos.
A proteína animal possui vantagens importantes nesse cenário, pois além de apresentar alto valor biológico, ou seja, fornecer todos os aminoácidos essenciais, ela também entrega nutrientes fundamentais como ferro, vitamina B12, zinco e outros compostos importantes para a saúde. Em um contexto de menor ingestão calórica, esses atributos passam a ser ainda mais valorizados.
Do ponto de vista do mercado essa mudança pode gerar novas oportunidades para o setor agropecuário. A valorização da proteína tende a fortalecer a demanda por alimentos que combinem qualidade nutricional, segurança alimentar e conveniência. Produtos que comuniquem claramente seus benefícios nutricionais e sua contribuição para uma alimentação equilibrada terão vantagem competitiva.
Ao mesmo tempo, abre-se uma oportunidade importante para que as cadeias de produção de proteína animal invistam ainda mais em comunicação e posicionamento junto ao consumidor. Durante muitos anos, grande parte do debate público sobre alimentação foi dominado por narrativas que priorizavam apenas a redução de calorias ou o consumo de determinados macronutrientes. Agora, começa a surgir uma abordagem mais equilibrada, que valoriza alimentos densos em nutrientes e menos processados.
Nesse cenário, o setor de proteína animal pode assumir um papel ainda mais estratégico na construção de uma alimentação saudável.

Foto: Shutterstock
Mais do que simplesmente produzir alimentos, o desafio passa a ser comunicar melhor os benefícios nutricionais, a qualidade dos sistemas produtivos e o papel dessas proteínas na saúde humana.
É importante lembrar que o agronegócio brasileiro ocupa uma posição de destaque global na produção de proteína animal. O país é um dos maiores produtores e exportadores de carnes do mundo e possui um sistema produtivo altamente eficiente e seguro. Entretanto, entender essas mudanças de comportamento e nos adaptarmos será fundamental. As transformações no consumo raramente acontecem de forma abrupta, mas quando uma nova tendência se consolida, ela pode redefinir mercados inteiros.
As chamadas canetas emagrecedoras podem ter surgido como uma solução médica para o tratamento da obesidade, mas seus efeitos já começam a ultrapassar os limites da medicina e alcançar o mercado de alimentos, entre outros.
E tudo indica que estamos diante de uma nova era em que a qualidade nutricional dos alimentos e especialmente a proteína volta a ocupar o centro do prato e das discussões sobre saúde e alimentação. E quem mais, senão nós, para darmos conta de tamanha responsabilidade (e oportunidade)?
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Rio Grande do Sul reforça monitoramento da gripe aviária após foco em aves silvestres
Equipes capacitam agentes de saúde, inspecionam propriedades rurais e intensificam vigilância sanitária na região da Reserva Ecológica do Taim.

O Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDA/Seapi) realizou, até esta quata-feira (12), a capacitação de 186 agentes de saúde e da área social, além de reuniões com gestores municipais em Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Chuí.
As ações vêm sendo desenvolvidas desde a notificação do primeiro caso de gripe aviária em aves silvestres, registrada no fim de fevereiro deste ano na Reserva Ecológica do Taim. Até o momento, 23 aves das espécies cisne-coscoroba e garça-moura foram recolhidas com a doença.

Fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares: “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade” – Foto: Divulgação
Segundo o diretor do DDA, Fernando Groff, o Estado mantém estrutura preparada para enfrentar a enfermidade. “O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul está muito preparado para o enfrentamento da doença e segue atuando de forma permanente na região, com equipes em campo e ações coordenadas para enfrentar a gripe aviária e encerrar o foco o mais breve possível”, afirma.
A fiscal agropecuária do DDA, Rosane Collares, explica que as ações educativas e de articulação com os municípios continuam mesmo após a conclusão das atividades inicialmente previstas. “Finalizamos as atividades previstas, mas seguiremos na região para monitorar e ampliar as ações conforme a necessidade. Realizamos encontros nas três prefeituras, com reuniões individuais com gestores e também com agentes de saúde que, pela capilaridade, constituem um público muito importante na disseminação de informações nas comunidades”, ressalta.
Os encontros tiveram como objetivo atualizar gestores e profissionais sobre a situação sanitária e alinhar estratégias de prevenção e controle da doença. A articulação com autoridades locais e a capacitação de profissionais da saúde e da assistência social são consideradas medidas estratégicas para fortalecer a resposta ao foco.
As atividades também incluíram contato direto com a comunidade e reuniões com representantes das áreas de
educação, saúde, meio ambiente, agricultura e defesa civil, realizadas de forma presencial e on-line. A educação sanitária é apontada como um componente essencial da defesa agropecuária, tanto na prevenção quanto no enfrentamento de enfermidades.
Inspeção sanitária em propriedades rurais
Entre as medidas adotadas está a realização de uma varredura sanitária em propriedades com criação de aves. Desde o início de março, equipes técnicas realizam vistorias em um raio de até 10 quilômetros do local onde foi identificado o foco.
Ao todo, serão inspecionadas 93 propriedades com criação de aves de subsistência no entorno da reserva, com verificação das condições sanitárias e da presença de possíveis sintomas nos animais.
Também foram realizadas inspeções em granjas comerciais da regional de Pelotas e vistorias em criatórios de aves ornamentais em Santa Vitória do Palmar, com o objetivo de avaliar as medidas de biosseguridade e reduzir o risco de disseminação do vírus para a produção avícola.

Foto: Cassiane Osorio Ascom/Seapi
Atuação integrada
O Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul (SVO-RS) atua de forma integrada com equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na Lagoa da Mangueira, onde foi identificado o foco em aves silvestres da espécie cisne-coscoroba.
Entre as ações estão vistorias em campo, monitoramento das aves com embarcações e o uso de drones para acompanhar a lagoa e a área afetada.
As amostras coletadas são encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Campinas (LFDA-SP), unidade de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), responsável por confirmar ou descartar a presença do vírus.
Casos suspeitos
A Secretaria da Agricultura orienta que qualquer suspeita da doença, caracterizada por sinais respiratórios ou neurológicos, além de mortalidade súbita e elevada em aves, seja comunicada imediatamente às autoridades sanitárias.
As notificações podem ser feitas nas Inspetorias ou Escritórios de Defesa Agropecuária, pelo sistema e-Sisbravet ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
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Entidades do agro defendem aumento da mistura de biodiesel no diesel
Manifesto propõe elevar percentual de 15% para 17% como estratégia para reforçar a segurança energética e reduzir dependência de importações.

O Sistema Faep assinou, ao lado de outras entidades do setor agropecuário nacional, o manifesto “Pela Elevação da Mistura de Biodiesel como Estratégia de Segurança Energética e Desenvolvimento Nacional”. O documento, elaborado pelo Instituto Pensar Agropecuária (IPA), propõe ao governo federal o imediato aumento do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 17% (B17). A medida é estratégica para fortalecer a segurança energética do país e reduzir riscos de desabastecimento.
A iniciativa ocorre em meio ao cenário de preocupação com o mercado internacional de combustíveis, agravado pelas tensões no Oriente Médio, que podem afetar o fornecimento global de petróleo e derivados. No interior do Paraná, sindicatos rurais já relatam falta de combustíveis, insumo essencial para a produção mecanizada no campo.
“Ampliar a mistura significa reduzir a dependência do diesel importado, além de fortalecer a produção nacional e gerar mais renda e desenvolvimento no campo”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette, que também integra o Conselho Executivo do IPA. “A medida contribui para dar mais previsibilidade ao setor produtivo e para os nossos produtores rurais, que precisam de segurança energética para continuar produzindo alimentos”, complementa.
O manifesto reforça que a elevação da mistura de biodiesel para 17% é uma medida estratégica, podendo ampliar a oferta interna de combustível, reduzir a dependência de importações e fortalecer a indústria nacional. Segundo as entidades, a iniciativa também garante maior previsibilidade para produtores, protege a economia de choques externos e acelera a transição energética por meio de biocombustíveis renováveis, em um período crítico para o escoamento da safra e para a competitividade do agronegócio brasileiro.



