Notícias
Volume de dados no agro cresce mais rápido que a capacidade de gestão no setor
Expansão da telemetria, da rastreabilidade e da integração operacional pressiona sistemas corporativos tradicionais e aumenta desafio tecnológico no campo.

O agronegócio brasileiro construiu uma base tecnológica consistente ao longo das últimas duas décadas. Nesse período, os sistemas de gestão empresarial, como o SAP, passaram a estruturar finanças, contratos, compras e logística com alto nível de controle e previsibilidade.
Essa é uma base que continua sendo indispensável.

Artigo escrito por Tadeu Barbosa, head de novos negócios e inovação da CBDS.
Porém, os primeiros sinais de descompasso começam a aparecer quando a operação exige um nível de detalhamento que vai além do papel para o qual esses sistemas foram concebidos.
Há um conjunto de demandas que avançou em velocidade maior do que a evolução dos próprios sistemas: rastreabilidade por área, controle por talhão (unidade mínima de cultivo), integração com máquinas agrícolas, gestão por safra e variedade, compliance com certificações internacionais.
O ambiente de dados reflete essa mudança. A IDC projeta crescimento acelerado na geração de dados em operações físicas e distribuídas, impulsionado por sensores, telemetria e integração de equipamentos. Ainda assim, o Gartner estima que até 73% desses dados não são utilizados de forma efetiva em processos de decisão.

Foto: Divulgação/Freepik
A distância aparece na prática operacional. A empresa amplia sua capacidade de capturar informação, mas encontra dificuldade em transformar esse volume em decisões rápidas e aderentes ao campo.
A reação mais comum tem sido expandir os próprios sistemas de gestão empresarial, incorporando regras, exceções e particularidades do negócio. E o efeito tende a ser progressivo.
Cada customização resolve um ponto específico, mas amplia a complexidade do ambiente, pois:
- as atualizações passam a exigir mais tempo e esforço.
- a área de tecnologia direciona cada vez mais energia para sustentar o que já foi construído, com menor espaço para evoluir.
No agronegócio, onde as decisões precisam acompanhar o ritmo da safra, da logística e das exigências de mercado, esse tipo de limitação passa a impactar diretamente produtividade e margem.

Foto: Divulgação/Gov.br
O ponto central não está no sistema, mas na forma como ele vem sendo utilizado.
Isso porque os sistemas de gestão empresarial cumprem bem o papel de registro, consolidação e governança, mas, quando passam a concentrar processos altamente específicos que necessitam constantemente de adaptação, a estrutura começa a perder eficiência.
As operações mais maduras já começam a reorganizar esse modelo e o SAP permanece como núcleo transacional. A lógica do negócio, especialmente aquela que exige granularidade e adaptação contínua, passa a ser tratada fora dele, em sistemas conectados que refletem a realidade do campo.
Na prática, a tecnologia recupera capacidade de evolução, pois:
- a complexidade deixa de ser acumulada no lugar errado;
- o sistema de gestão empresarial recebe o dado consolidado;
- e, consequentemente, a operação ganha aderência.
Como o agronegócio brasileiro já demonstrou a capacidade de escalar produção com eficiência, o desafio é outro: sustentar a complexidade crescente sem comprometer a base que viabiliza o negócio.

Notícias
Preços agropecuários caem 9,52% no primeiro semestre de 2026
Índice do Cepea recua com queda em todos os grupos de produtos; café, cana, arroz e suínos registram as maiores desvalorizações.
Notícias
SIAVS reunirá 33 agroindústrias em ação para ampliar exportações
Iniciativa da ABPA e ApexBrasil promoverá rodadas de negócios, degustações e encontros com compradores de mercados estratégicos.

O Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS 2026) será palco da maior ação de promoção internacional realizada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em 2026. A iniciativa reunirá 33 agroindústrias exportadoras brasileiras em um espaço de 738 metros quadrados, especialmente estruturado para fortalecer negócios, ampliar relacionamentos comerciais e promover a proteína animal brasileira junto a compradores internacionais.
A ação reunirá empresas dos segmentos de carne de frango, carne suína, ovos, genética avícola e carne de pato oferecendo uma plataforma integrada para geração de negócios, prospecção comercial e fortalecimento da imagem internacional dos produtos brasileiros.

Ricardo Santin presidente Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA): “O SIAVS já se consolidou como um dos mais importantes encontros mundiais da proteína animal” – Foto: Mario castello
Participam da iniciativa as empresas AB Mauri, Netto, Agrosul, Grupo Alvorada, Mauricéa, Coasul, Cogran, Adoro, Frango Rico, Rivelli, Flamboiã, Baita, Vossko, Friatto, Villa Germania, Naturovos, Mantiqueira, Granja Faria, Avivar, Pif Paf, Dália, Master, Palmali, Frigoestrela, Dom Porquito, Rudolph, Rainha da Paz, Saudali, Gran Corte, Suinco, Ecofrigo, Frivatti e Nutribrás.
Como novidade desta edição, a ação contará, pela primeira vez, com uma área de degustação gastronômica, coordenada pelo chef Marcelo Bortolon, que preparará petiscos à base de carne de frango, carne suína, carne de pato e ovos, proporcionando aos visitantes uma experiência que evidencia a qualidade, a versatilidade e os atributos das proteínas animais produzidas no Brasil.
Outro destaque será a realização de uma rodada internacional de negócios, que promoverá encontros entre representantes das agroindústrias brasileiras e compradores convidados de diversos mercados, ampliando oportunidades comerciais e fortalecendo o relacionamento com importadores estratégicos.
Ação é parte de um conjunto de iniciativas estruturadas pela parceria entre a ABPA e a ApexBrasil para a promoção dos setores em meio ao SIAVS. Uma destas iniciativas é o Projeto Imagem, que trará para o evento 30 jornalistas de 24 países – incluindo Américas, Europa, Ásia e África. Na iniciativa voltada para o fortalecimento da imagem da proteína animal do Brasil junto a mercados estratégicos, uma agenda especialmente estruturada destacará pontos que fundamentam o setor, como a qualidade produtiva, a sanidade animal e a sustentabilidade.
Outra iniciativa é o Projeto Formadores de Opinião, que viabilizará a participação de 19 stakeholders de 12 países relevantes para a proteína animal do Brasil, em encontros específicos em meio à programação do SIAVS. Em objetivo semelhante, porém, com foco em negócios, acontecerá o Projeto Comprador, com a viabilização da vinda de importadores de países que figuram entre os grandes destinos de exportação da proteína animal brasileira.
Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, a ação reforça o papel do SIAVS como uma das principais plataformas internacionais de negócios para a proteína animal.
“O SIAVS já se consolidou como um dos mais importantes encontros mundiais da proteína animal. Reunir, em um mesmo ambiente, dezenas de agroindústrias brasileiras e compradores de diversos continentes cria uma oportunidade única para ampliar negócios, fortalecer relacionamentos comerciais e apresentar ao mundo os diferenciais da nossa produção. Esta ação traduz exatamente o compromisso da ABPA e da ApexBrasil em apoiar a internacionalização das empresas brasileiras e ampliar a presença da proteína animal do Brasil nos mercados globais”, destaca.
Realizado entre os dias 4 e 6 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, o SIAVS deverá reunir milhares de visitantes, empresários, autoridades, especialistas e compradores internacionais, consolidando-se como o principal ponto de encontro da cadeia de proteína animal da América Latina.
Notícias
Exportação de produtos de origem animal para União Europeia terá novas exigências a partir de setembro
Ministério da Agricultura vai condicionar a emissão de certificados sanitários ao cumprimento das regras europeias sobre uso de antimicrobianos. Rastreabilidade e controles auditáveis passam a ser obrigatórios.

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estabeleceu novas exigências para a certificação de produtos de origem animal destinados à União Europeia. A partir de 03 de setembro, somente poderão ser exportados ao bloco os produtos que comprovarem conformidade com a legislação europeia sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
As determinações constam do Ofício-Circular nº 24/2026 e condicionam a emissão do Certificado Sanitário Internacional (CSI) à comprovação de que toda a cadeia produtiva atende aos requisitos exigidos pela União Europeia.

Fotos: Claudio Neves
Na prática, frigoríficos e demais estabelecimentos exportadores deverão implantar sistemas de controle capazes de demonstrar, por meio de registros auditáveis, a elegibilidade dos animais, das matérias-primas e dos insumos utilizados na produção.
Entre as exigências estão mecanismos de rastreabilidade, documentação que comprove a conformidade dos produtos, segregação entre lotes aptos e não aptos à exportação e procedimentos para impedir o embarque de cargas que percam essa condição. A verificação desses controles ficará a cargo do Serviço Oficial durante as auditorias.
Regras variam conforme a cadeia produtiva
As novas exigências abrangem carnes, ovos, mel, pescado, produtos da aquicultura e demais produtos de origem animal, mas os critérios de comprovação variam conforme a atividade.

Para os setores de aves, ovos e aquicultura, os estabelecimentos deverão manter programas documentados de qualificação e monitoramento dos fabricantes de ração utilizados na produção destinada ao mercado europeu.
Na bovinocultura, a certificação exigirá documentação que comprove que o animal permaneceu em conformidade com as normas da União Europeia durante todo o ciclo de produção, o que amplia a necessidade de sistemas robustos de rastreabilidade.
Segundo o Mapa, o objetivo é assegurar que os produtos exportados atendam integralmente aos requisitos sanitários estabelecidos pelo bloco europeu, condição que passará a ser obrigatória para a emissão dos certificados sanitários internacionais.
Mel de abelhas sem ferrão terá padrão nacional
Além das novas regras para exportação, o Ministério também apresentou a Nota Técnica nº 24/2026, que propõe a criação do primeiro Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ) para o mel e o melato produzidos por abelhas sem ferrão.
A proposta atende a uma demanda do setor apícola e busca estabelecer padrões microbiológicos e físico-químicos para esses produtos, conferindo maior padronização, segurança jurídica e agilidade no registro junto ao Serviço de Inspeção.
De acordo com o Mapa, a regulamentação permitirá adequar as diferentes formas de produção existentes no país e fortalecer a comercialização dos produtos das abelhas sem ferrão, segmento que vem ganhando espaço na apicultura brasileira.






