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Avicultura China lidera importações

Volume de carne de frango exportado em março aumenta

Ritmo mais aquecido das compras chinesas pode estar atrelado à menor oferta de suínos na região, em decorrência dos casos de PSA

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Arquivo/OP Rural

Em março, pelo segundo mês consecutivo, a China foi o principal destino das exportações brasileiras de carne de frango, seguida por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Japão. Juntos, esses países receberam 45% da proteína embarcada pelo Brasil no período.

Segundo colaboradores do Cepea, até os frigoríficos que não estão habilitados a exportar para o mercado chinês estão se beneficiando desta conjuntura, uma vez que o forte impulso nas vendas externas limita a oferta da proteína no mercado doméstico e eleva os preços nacionais.

De acordo com dados da Secex, a China adquiriu 41,7 mil toneladas de carne de frango em março, alta de 7,5% frente a fevereiro e o maior volume desde julho/18. O ritmo mais aquecido das compras chinesas pode estar atrelado à menor oferta de suínos na região, em decorrência dos casos de Peste Suína Africana (PSA). Considerando-se todos os destinos, o Brasil exportou 340,5 mil t de carne de frango em março, com faturamento de US$ 564,8 milhões, ambos com altas de 7% em relação ao mês anterior.

Fonte: Cepea
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Avicultura Atendendo mercado consumidor

Granjas de postura buscam certificação de bem-estar animal

Aumentando o valor agregado do produto, indústria tem buscado certificação para atender nicho de mercado

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Cada vez mais o consumidor vem exigindo mais transparência na produção de proteína animal. Ele quer saber como o produto é feito, qual a situação do animal, entre tantas outras questões que envolvem o assunto. Em decorrência disso, é cada vez mais comum produtores buscarem certificação de bem-estar animal na sua produção. Isso atende ao requisito do que parte do consumidor vem solicitando, como também é uma forma de agregar ainda mais valor ao produto final.

 Cada vez mais avicultores têm buscado a certificação de bem-estar animal. “Somente nestes primeiros meses do ano já certificamos três granjas de renome no Brasil”, diz o diretor para América Latina da Humane Farm Animal Care e presidente do Instituto Certified Humane Brasil, Luiz Mazzon. Ele informa que o Brasil, juntamente com o Chile, está liderando o movimento de certificação de bem-estar para galinhas poedeiras na América Latina. “Dentre os países em desenvolvimento, incluindo também a Ásia, estamos bastante à frente, pois o movimento cage free está apenas começando no resto do mundo em desenvolvimento, enquanto no Brasil já temos grandes clientes certificados, entre eles a Granja Mantiqueira, Netto Alimentos, Korin, Fazenda da Toca, Granja Refen, Planalto Ovos, etc.”, conta.

Empresas no Brasil estão desenvolvendo este trabalho de certificação e auxiliando o produtor rural nesta questão. “A presença de um selo de certificação na embalagem de ovos ou de qualquer produto de origem animal representa um grande valor agregado, já que atesta ao consumidor final que aquele produto provém de fazendas ou granjas que adotam normas rígidas de bem-estar animal do nascimento até o abate”, explica.

O profissional destaca que o consumidor atual está muito mais sensível a temas associados à sustentabilidade, de onde vem o alimento que ele consome, qual o impacto da produção daquele produto no meio ambiente, etc. “Para produtos de origem animal, a forma como ele foi tratado tem enorme relevância na imagem que o consumidor atual tem das marcas que ele prefere. Várias pesquisas atestam que consumidores hoje buscam no seu alimento não apenas valores nutritivos ou funcionais, mas buscam também causas a apoiar”, afirma. Ele explica que um produto com certificação de bem-estar animal traz, portanto, um grande diferencial perante produtos convencionais, e que pode ser traduzido em um preço um pouco mais alto.

Mazzon revela que para quem é familiarizado com a certificação orgânica, a de bem-estar animal é bastante parecida. “Muda a norma, claro. Cada produtor deve então verificar quais ajustes deve realizar na sua operação para que esteja conforme com as exigências do referencial. Neste período estamos à disposição para ir esclarecendo as dúvidas dos produtores que entram em contato conosco caso tenham alguma dúvida na hora de interpretar esse ou aquele requisito”, informa. Ele cita que a partir do momento que está tudo certo com a operação, o produtor pede os formulários de solicitação. “Essa documentação deve ser completada e somente depois de validada marcamos a data da auditoria. Um dos nossos inspetores, todos veterinários, irá se deslocar até a fazenda ou granja que solicita a certificação, e realizará todas as verificações necessárias para ver se todos os procedimentos adotados e a estrutura existente está de acordo com o que é exigido”, conta.

Ele esclarece que depois da inspeção o auditor prepara um relatório, que é enviado ao produtor com as eventuais não conformidades encontradas. “Indicamos então quais são as evidências que ele deve nos enviar para comprovar a resolução dos problemas, e a partir disso ele tem direito a receber o seu certificado de conformidade, válido por 12 meses. Neste momento ele pode fazer referência à certificação e colocar o selo CERTIFIED HUMANE nas embalagens dos seus produtos”, diz. O profissional complementa que a cada 12 meses o processo se repete, já que as inspeções anuais são necessárias para garantir que o produtor continue respeitando as exigências durante a validade do seu certificado. “Não é comum, mas pode haver alguma visita surpresa, nos casos de clientes que apresentam algumas falhas recorrentes ou manejo que deixe a desejar”, conta.

Principais pré-requisitos

Mazzon explica que existem alguns pré-requisitos necessários para que o produtor tenha essa certificação de bem-estar animal. No caso de produtores de ovos, principalmente cage-free e caipira, é preciso que o produtor se adeque quanto a questões de recria. Neste período, algumas das exigências são criação das aves em forma livre de gaiolas em toda a fase, animais devem ter acesso a poleiros a partir da quarta semana de idade, com espaço mínimo de 7,5 cm/ave. Aparo de bico, quando feito, precisa ser realizado até os 10 dias de idade e a densidade máxima para frangos de reposição é determinada de acordo com a idade e o peso das aves.

Já quanto ao alimento e bebida, a dieta precisa ser saudável, adequada à idade, estágio de produção e espécie, com acesso diário a cálcio, deve haver um espaço mínimo determinado para comedouros e bebedouros para evitar a competição pelo alimento, é proibida a presença de ingredientes na ração provenientes de mamíferos ou aves de antibióticos preventivos ou promotores de crescimento, incluindo coccidiostáticos (a vacina é permitida), e antibióticos são liberados somente para tratamento de doenças, além de a muda formada através da privação de alimento não ser autorizada.

Quanto a gestão, também existem alguns pontos que devem ser seguidos. Entre eles, é necessário que todas as pessoas envolvidas com o manejo das aves devem conhecer as respectivas normas de bem-estar, sendo que treinamentos devem ser ministradas visando o entendimento das normas por todos os tratadores, todas as aves devem ser inspecionadas pelo menos duas vezes ao dia, sendo que aquelas que apresentarem problemas ou comportamento anormal devem ser tratadas imediatamente, de maneira apropriada, e devem ser mantidos registros para o correto monitoramento da operação, incluindo dados da produção, mortalidade, consumo de água e alimento, concentração de amônia e uso de medicamentos e vacinas.

Adequação

Mazzon comenta que o mercado exige mais transparência, e que produtos de origem animal sejam provenientes de fazendas que adotem princípios rígidos de bem-estar animal, como aqueles estabelecidos por algumas organizações. “Representamos na América Latina a ONG Humane Farm Animal Care (HFAC), dona do programa CERTIFIED HUMANE de certificação de bem-estar animal. As normas foram escritas e são atualizadas de tempos em tempos pelo Comitê Científico da HFAC, composto por 40 profissionais especializados em ciência animal, incluindo quatro brasileiros”, conta.

Segundo ele, para o avicultor ainda é um desafio se adequar a estas exigências do mercado de bem-estar, porém, é também uma forma de sobreviver. “O bem-estar animal já faz parte do radar dos consumidores e da estratégia de negócio das grandes empresas de proteína animal. Não é uma moda, é uma tendência que veio para ficar”, afirma. Mazzon declara que os avicultores que mantiverem a visão no passado, sem cuidado com estas questões de bem-estar animal, estarão fadados a competir por preço, mantendo suas margens cada vez menores e não remunerando o investimento.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

Coccidiose subclínica ainda é grande vilã nas granjas

Doença é bastante presente nas granjas do mundo inteiro, mas forma subclínica é de mais difícil detecção, provocando prejuízos muito maiores ao avicultor

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Arquivo/OP Rural

Apesar de ser um problema antigo nos aviários de todo o mundo, a coccidiose ainda é uma grande dor de cabeça para o produtor rural. Isso porque ela pode ser de difícil diagnóstico. A grande dificuldade está, principalmente, em identificar a forma subclínica da enfermidade, que causa grandes prejuízos para a propriedade. A atenção deve ser redobrada, uma vez que se não tomados os cuidados e manejos necessários, a doença que esteve em um lote, pode passar para o próximo. Em função da magnitude que a enfermidade tem nos planteis, a Huvepharma realizou em fevereiro o 1º Fórum de Coccidiose Aviária. A atividade foi exclusivamente para conversar com profissionais sobre a doença.

 Segundo o médico veterinário doutor Paulo Lourenço, atualmente o principal problema quando se fala nesta doença é quanto ao impacto econômico que ela provoca. “Isso porque ainda não desenvolvemos ferramentas para controlar a doença na sua totalidade”, explica. Ele afirma que um grande desafio do produtor atualmente é fazer com que o frango consiga expressar totalmente o potencial genético. “Todos os fatores ligados a essa condição vão interferir na capacidade desse animal em transformar, assimilar, absorver e utilizar aquilo que damos em carne”, diz. O profissional conta que a coccidiose é onipresente, ou seja, está em qualquer lugar do mundo. “Pode ser em um galpão convencional, climatizado ou o mais moderno que existe, até mesmo em aves SPF (livre de patógenos específicos)”, afirma.

O principal problema quanto a coccidiose, de acordo com Lourenço, é o diagnóstico da forma subclínica da doença. “Esta forma é muito difícil de ser diagnosticada. Muitas vezes falta rotina disciplinada de necropsia, porque nós (médicos veterinários) estamos cada vez mais afastados do campo. Se eu não estou abrindo o animal e vendo, imagine o produtor”, alerta. Ele explica que algumas espécies de coccidiose não causam lesões, o que dificulta ainda mais o diagnóstico, impedindo uma avaliação correta. “Existem muitos programas de controle que são incorretos e incompletos. Dessa forma, como a doença na sua forma clínica não aparece, nós não vemos que a doença está presente e assim ela acontece de lote em lote”, afirma.

O médico veterinário conta que em um estudo foi detectado em 80% dos casos em que foi detectada a doença, eram duas ou mais espécies de parasitas. “Alguns estudos mostram a tenella e a maxima como as mais prevalentes. Outros, já mostram a acervulina e a maxima. O que podemos observar com estes estudos é que a maxima e a acervulina são as mais prevalentes nos planteis”, conta.

O especialista explica que desde o início em que a doença foi detectada nos planteis foi percebida a necessidade das práticas de manejo. “Foi visto a importância do eficaz controle, mantendo a cama do aviário seca e controlando os pontos de umidade”, diz. Porém, mesmo conhecendo conceitos básicos de controle, ainda é necessária atenção do avicultor. Com toda a evolução na pesquisa, ainda assim atualmente não existe uma vacina altamente eficiente e protetora para o controle da coccidiose, comenta Lourenço. “Os pontos mais tradicionais que adquirimos no passado e temos no presente é o uso do anticoccidiano, para a maximização do desempenho e minimização das lesões”, comenta.

Para resolver esta e várias outras situações referentes a coccidiose, para Lourenço, é necessário fazer o que se diz que se faz: as boas práticas de manejo. “Essa é uma questão de melhorar todas as ferramentas que temos disponíveis e adotar o programa para vários lotes”, afirma. Ele reitera que o controle chave da doença está devidamente ligado a enterite neucrótica, dermatite gangrenosa, osteomielite, aerossaculite e peri-hepatite. “Estas são os cinco principais problemas onde o controle da coccidiose falha. Se os índices dessas doenças estão altos, pode revisar o programa que pode haver alguma reação com coccidiose”, afirma. Lourenço confirma que está mais do que provado que estas situações patológicas que vão surgindo e sendo prevalentes em uma quantidade maior do que se espera pode estar relacionado a problemas de coccidiose subclínica.

Outro ponto destacado pelo professor é que vendo o quanto estas outras enfermidades estão relacionadas é importante que o avicultor veja que o ambiente é fundamental para o bom desenvolvimento das enfermidades. “Assim vemos como a cama realmente passa a ter um papel importante dentro desse aspecto. A qualidade da cama está diretamente relacionada as questões da coccidiose”, afirma. Ele diz que programas de manejo onde há negligência, levando a falta de atenção das pessoas com a cama e impactando também na qualidade do ar e da água a prevalência da doença tende a ser maior.

Os impactos econômicos da doença

Quando se fala sobre os prejuízos que a coccidiose causa em uma granja, o pensamento vai diretamente para o bolso do avicultor. Quanto exatamente o produtor perde quando a enfermidade ataca o aviário? Foi esta a pergunta que o médico veterinário Marcel Falleiros respondeu. Ele explica que em frangos de corte são principalmente três tipos de coccidiose de maior importância econômica: a acervulina, maxima e a tenella. “A acervulina e a maxima são Eimeria que não tem tanta patogenicidade. A que mais tem é a tenella. As duas primeiras causam perdas, mas não aumentam muito a mortalidade”, explica. 

O médico veterinário expõe que o primeiro estudo que saiu de forma correta foi um levantamento feito em 1998 sobre quais os reais impactos econômicos da enfermidade para o avicultor. “Com ele, se chegou a conclusão de que mundialmente se perdia US$ 1,5 bilhões por ano com relação a coccidiose clínica e subclínica”, conta. No ano seguinte, outro pesquisador fez um levantamento parecido, porém, este levou em consideração todos os aspectos envolvidos na produção de frango de corte: logística, produção de carne, rendimento no abatedouro, entre outros. “Ele ampliou o trabalho anterior e chegou a conclusão que esse número dobrava. Ou seja, a perda com a enfermidade era de, aproximadamente, US$ 3 bilhões por ano”, informa.

No ano de 2006, outro levantamento igual ao de 1999 foi feito, confirmando os números de perdas apresentados no trabalho. “Temos que pensar que conforme vamos aumentando a produção, esse número da perda também aumenta. Mas em 2006 ainda estávamos em US$ 3 bilhões em perdas por ano. Mas se fossemos fazer este estudo este ano, usando os mesmos métodos do trabalho de 1999 com certeza o número seria superior”, acredita.

Outros autores fizeram um levantamento em relação ao que se gasta na avicultura para tentar prevenir problemas de coccidiose. “Hoje gastamos em torno de US$ 800 milhões por ano na questão de prevenção da doença”, conta Falleiros. Neste trabalho, explica, o autor chegou a conclusão de que 17,5% do custo é com prevenção e tratamento de coccidiose. Já 80,5% são custos pelos efeitos subclínicos da doença, ligados diretamente a perda de peso e aumento da conversão alimentar. “A nossa maior perda em processo de coccidiose, principalmente subclínica, está em relação a perda de peso e aumento da conversão. Esses são hoje o nosso maior impacto econômico”, afirma.

Em 2016, na Inglaterra, outro autor fez um levantamento das principais doenças que afetavam a produção, tanto na avicultura de corte quanto em postura. “Após o térmico do estudo, foram feitos gráficos para apresentação dos dados. O primeiro deles foi em relação ao número de vezes em que a doença aparece nestes sistemas de produção. No top três mais importantes a coccidiose está em primeiro lugar no frango de corte, com mais de 40 menções da doença apresentando perdas”, conta. Neste mesmo estudo, foi feita ainda uma correlação com o índice de infecção das doenças. “Ali foi percebida uma correlação direta entre a clostridiose e a coccidiose. Houve uma porcentagem de quase 95% de barracões acometidos que tinham coccidiose por clostridiose. Assim, chegamos a conclusão de que a coccidiose subclínica era primária e levava a uma colstridiose na sequência”, explica.

O estudo mostrou ainda uma correlação com relação ao aumento de conversão alimentar entre as duas doenças. “Eles chegaram a conclusão de que a clostridiose e a coccidiose podem fazer com que a conversão alimentar varie até 16%. Isso significa dizer que se você tem uma conversão média de 1,65 essa conversão pode vir a 1,9. Podemos ter 25 pontos a mais de conversão alimentar”, informa.

Outra comparação feita no mesmo estudo foi quanto a aviários que faziam o controle e aqueles que não faziam. “Eles queriam ver qual o custo da doença por animal. Naqueles que eles não controlaram, houve um custo de centavos de euro por animal, no caso da clostridiose, seis vezes maior do que naqueles que controlaram”, mostra. Falleiros explica que no caso da coccidiose houve um custo um pouco maior, porém, os estudiosos alegaram que a coccidiose subclínica levava a um aumento da clostridiose e assim fizeram a relação direta entre as duas doenças.

Um dado que também sempre chama muito a atenção do avicultor é quanto ao custo de produção. Na Índia, em 2010, foi feito um levantamento sobre a questão. “Eles chegaram a conclusão de que a redução do ganho de peso e o aumento da conversão é responsável por mais de 90% da perda que se tinha relacionado a coccidiose”, expõe.

Situação do Brasil

O médico veterinário lamenta que no Brasil não foram desenvolvidos estudos atuais desta forma para saber exatamente como a doença atua nas granjas nacionais. “Tem um trabalho que é de 1994 que faz esse levantamento da avicultura nacional. É bem amplo, mas ele já tem mais de 20 anos”, diz. Neste trabalho, explica Falleiros, chegaram a conclusão de que as empresas sofrem variações de 1 até 15% com coccidiose clínica e subclínica. “Uma empresa que poderia ter uma média de conversão de 1,60 e está com média de 1,80. Eventualmente está perdendo isso em alguns momentos do ano”, comenta.

Falleiros informa que 65% das empresas brasileiras tem problemas com coccidiose. “Mas acredito que ainda possa ser maior que isso, devido ao fato de não levantarmos dados. Existem poucos estudos que nos trazem estes números”, lamenta. Ele conta que em 1993 foi feito um levantamento. “Naquele ano chegaram a conclusão de que o Brasil perdeu US$ 19,1 milhões com coccidiose, principalmente com perda de peso e aumento da conversão. Foram US$ 11,8 milhões com produção de carne e US$ 1,25 milhões com aumenta da conversão e, em consequência, maior consumo de ração”, explica.

Foco deve estar na integridade intestinal

O médico veterinário afirma que para solucionar ou amenizar o problema é necessário manter a integridade intestinal da ave. “Um trabalho feito nos Estados Unidos em 2014 mostra que os custos com alimentação são de aproximadamente 67%. Um frango pesando 2,2 quilos traz uma receita de 124 euros para cada 100 quilos de peso vivo. Os custos estão aqui. A margem de lucro é de 21 euros para cada 100 quilos de peso vivo”, apresenta. Ele comenta que estes números demonstram a importância de se manter um intestino íntegro. “Se não, vai tudo para o ralo. Se conseguimos manter a integridade intestinal, o frango consegue expressar todo o potencial genético e ter a manutenção da saúde como um todo”, diz.

Falleiros conta que um levantamento feito no Brasil mostra que o país tem uma piora de 4 a 10 pontos na conversão e redução do peso vivo de 30 a 120g por ave. “Essa redução de gramas por dia pode variar de 1 a 3 pontos. O aumento da mortalidade varia de 1 a 5%. Além disso, o impacto sobre o desempenho atual da parte subclínica e esse custo pode chegar até 10 centavos de dólar por ave. É perda de dinheiro”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Avicultura moderna

O que esperar do frango de corte do futuro?

Genética, melhor conversão alimentar, mais ganho de peso em menos tempo… Quem responde esta pergunta é o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza

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Arquivo/OP Rural

A produção de frango de corte no mundo vem evoluindo anualmente há décadas. A cada ano aparecem novidades além de avanços tecnológicos que transformam a ave. A partir disso, um animal muito mais eficiente surge. E, a partir desta ave, uma demanda que pode chegar ao longo dos anos é quanto aquelas resistentes a doenças. Seria isso possível? Para o vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da Aviagen dos Estados Unidos, Eduardo Souza, sim, mas somente a longo prazo. 

O profissional conta que algumas coisas a cadeia pode esperar para o frango de corte do futuro. Porém, detalhes como frangos resistentes a doenças, infelizmente, não será uma realidade a curto/médio prazos. “Quando da publicação do genoma da galinha em 2004, houve uma grande expectativa que, através da seleção genômica e uso de marcadores genéticos se conseguiria selecionar aves resistentes a doenças ou outra característica de grande impacto econômico. No entanto, isto não foi o que aconteceu”, conta. Ele informa que não existe apenas um ou poucos pares de genes de grande efeito ou marcadores genéticos ligados a uma característica de grande importância. “O que existe são vários genes, normalmente de pequenos efeitos, responsáveis pela expressão fenotípica destas características economicamente importantes. Por isso, a façanha de selecionar aves resistentes a doenças ainda não foi atingida”, diz.

Porém, Souza complementa que, recentemente, a técnica revolucionária de “edição de gene” tem-se mostrado muito promissora em várias espécies, de plantas a humanos. “A particularidade da fisiologia reprodutiva das aves é um dos muitos obstáculos que ainda precisa ser vencido, para que essa técnica possa ser usada com sucesso para frangos. Outro grande obstáculo, este de natureza não científica ou técnica, é o de percepção/aceitação pelo consumidor/mídia de produto proveniente desta técnica”, explica. Entretanto, para ele, se todas essas barreiras forem vencidas, o que é possível, aves resistentes a doenças podem ser uma realidade.

Além de um frango resistente a doenças, há ainda outras várias características que irão complementar como será o frango de corte de futuro. Para explicar um pouco como acontecerá esse processo e, principalmente, este animal, Souza tratou do assunto durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) que aconteceu em abril em Chapecó, SC.

De acordo com o profissional, para este frango do futuro, o que se pode esperar é um animal geneticamente superior em várias características. “Um frango que terá uma melhor taxa de crescimento, um melhor rendimento de carne e uma melhor conversão alimentar e, simultaneamente, um frango com maior viabilidade, ou seja, menor mortalidade e melhor qualidade de pernas”, conta.

Souza explica que isso é possível graças à pesquisa, introdução e utilização de equipamentos e tecnologias de última geração na coleta de dados e processos de seleção. “Como exemplo, podemos citar a conversão alimentar em grupo que utiliza a tecnologia de transponder (RFID – radio frequency identification) nos frangos, permitindo o registro do comportamento (tamanho de cada refeição, número de refeições por dia, duração da refeição, etc.), além do consumo de ração em tempo real na estimação do valor genético para conversão alimentar”, diz.

Outro exemplo citado, de alta tecnologia implementada no programa de melhoramento genético, é a tomográfica computadorizada. “Todos os candidatos à seleção são escaneados. O tomógrafo permite predizer com muita precisão o rendimento de carne de peito, de pernas, a qualidade do esqueleto e a qualidade de carne”, informa. Souza conta que estas e outras tecnologias são extremamente importantes, mas tão ou mais importante para o sucesso de um programa de melhoramento genético é a correta definição dos objetivos de seleção e aplicação criteriosa de um processo de seleção equilibrado.

Retirada dos promotores de crescimento

Quando se fala em evolução do frango de corte, muitos pensam, principalmente, como isso será possível com a retirada dos antimicrobianos promotores de crescimento. Porém, segundo Souza, esta situação – de um frango evoluindo sem estes promotores – já é uma realidade. “Na Europa, o uso de antibióticos como promotores de crescimento foi extinto em 2006. Em 2018, nos EUA, metade dos frangos foram criados sem uso de antibióticos ou ionóforos, um grande salto se comparado com 2013 e 2014, que foi de apenas 5%”, informa.

Ele complementa que, além do mais, não se usa antibióticos com efeito profilático no programa de genética da empresa onde trabalha desde o início da década de 1990. “Todas as aves de pedigree são selecionadas sem o uso destes promotores de crescimento e ionóforos, portanto, todos os ganhos genéticos alcançados são atingidos neste ambiente livre de antibióticos”, afirma.

Adaptação de toda a cadeia

Para Souza, existe grandes conquistas através de pequenas mudanças. Ele explica que pequenos ganhos genéticos anuais, como peso vivo, rendimento e conversão alimentar, com efeito acumulativo, permitem disponibilizar de maneira sustentável uma excelente proteína animal a um custo relativamente baixo, para uma população humana crescente, com previsão de atingir nove bilhões de pessoas já em 2050.

Para alcançar a toda esta expectativa, uma dúvida que pode surgir é: são muitas as mudanças necessárias para o avicultor se adaptar para atender a este frango? Segundo Souza, em relação ao frango, não. “O de sempre: boa nutrição, bom programa de saúde e boas práticas de manejo. A atenção, no entanto, deve ser dada às matrizes (machos e fêmeas). Estas carregam os genes que formam o bom frango (maior peso, mais carne de peito, menos gordura, melhor conversão de alimentos) e a resposta à alocação e distribuição de alimento na fase de recria e produção será intensa”, afirma.

Ele explica que qualquer descuido ou erro, que no passado não causava muito dano, pode causar um grande problema no desempenho destas aves. Além disso, afirma, o tipo de nutrição usada também ganha mais importância.

Outro detalhe que a cadeia pode esperar desse “frango do futuro”, de acordo com Souza, são animais mais pesados e com peitos maiores. “Ainda assistiremos uma melhora de peso a uma mesma idade e melhor rendimento de peito, mas não na mesma velocidade que temos vistos nas duas últimas décadas. Rendimento de pernas também é muito importante, principalmente em países asiáticos. Outra característica de grande importância, como qualidade de carne, está tendo uma grande prioridade nos últimos anos”, afirma.

As maiores realidades para os próximos anos

Souza ainda explica que os ganhos genéticos para os próximos quatro anos podem ser previstos no desempenho das linhas puras de pedigree. “Os ganhos obtidos nas linhas puras no ano passado (2018) chegarão ao frango em 2022, isto porque existe um período de cruzamento e multiplicação do material genético, que passa pelas bisavós, avós, matrizes e, finalmente, chega aos frangos”, diz.

O profissional explica que a previsão é de que o frango de 2022 será 150 a 200g mais pesado (na mesma idade) e necessitará menos ração (200g a menos) para atingir dois quilos de peso. O rendimento de carcaça será de 0,8 e o de peito 1,0 ponto percentual melhor que os frangos atuais. Além do mais, simultaneamente, se observará uma melhora na viabilidade e qualidade de carne.

Outro ponto destacado por Souza foi quanto a questão do frango de crescimento lento e crescimento rápido. “No meu modo de ver, o frango de crescimento lento é um produto para um “nicho de mercado”. É um frango que leva mais tempo para ser produzido (obviamente, pois é de crescimento lento) e possui uma conversão alimentar pior que o frango de crescimento rápido. Existem genótipos de frangos de crescimento lento que, quando comparados com o frango de crescimento rápido, precisa de 36 dias a mais para atingir 2,5 kg de peso e consome 1,25 kg de ração a mais. Além de grande diferença no rendimento de peito (pode chegar a 4 pontos percentuais). A grande vantagem alegada para este produto, além da preferência de consistência e sabor, é a de melhor bem-estar para o animal”, comenta.

Porém, o profissional reitera que a grande desvantagem está relacionada à sustentabilidade e impacto ambiental. “Custa muito mais para produzir, consome mais alimento (requer mais terra agriculturável para produzir) e água, e produz muito mais rejeitos e poluentes para o meio ambiente. Estudos mostram que, dependendo do genótipo usado, o frango de crescimento lento pode aumentar o impacto ambiental em até 40%”, informa. Ele explica que independente das posições e discussões que esse assunto possa gerar, do ponto de vista das casas genéticas a posição é muito simples: elas vão produzir (desenvolver, selecionar e disponibilizar) o que o cliente demandar. E, sim, as principais empresas de genética de aves possuem este produto em seu portfólio.

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Fonte: O Presente Rural
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