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Volatilidade expõe limites do curto prazo no mercado do leite

Alta oscilação de preços e assimetrias de informação reforçam a importância de dados confiáveis para decisões de produtores e indústrias.

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Fotos: Shutterstock

O sistema agroindustrial (SAG) do leite vive um momento de transformação. A evolução do ambiente institucional (incluindo definições de padrões de qualidade em Instruções Normativas), o aumento da intensificação, da escala, da produtividade e da qualidade da base produtiva, e o contínuo processo de concentração nos segmentos produtivo e industrial têm alterado a estrutura do SAG, os padrões de concorrência e as estratégias dos agentes para lidar com as crescentes incertezas do mercado.

Em minha tese de doutorado, abordo a influência das incertezas na comercialização do leite cru e observo que elas estão relacionadas, sobretudo, às dificuldades dos agentes em avaliar (a) seu desempenho frente a concorrentes e fornecedores e (b) as flutuações de oferta e demanda, o que, por sua vez, se traduz em elevada volatilidade dos preços do leite cru. Esse contexto cria barreiras ao estabelecimento de relações de longo prazo entre produtores, cooperativas e indústrias, reduz o alinhamento entre agentes e eleva os custos de transação.

Artigo escrito por Natália Grigol, pesquisadora da Equipe Leite do Cepea.

Diante disso, o setor tende a se organizar segundo uma lógica predominantemente de curto prazo, como forma de adaptação a mudanças imprevisíveis. Adota-se, assim, flexibilidade elevada nas relações comerciais e nos fatores de produção — o que, por um lado, permite resposta rápida a choques, mas, por outro, limita a coordenação entre segmentos, os ganhos de eficiência e a inovação no longo prazo. Em outras palavras, o setor lácteo brasileiro demonstra resiliência imediata, mas baixa capacidade de transformação estrutural, o que restringe sua evolução diante de incertezas prolongadas e mudanças de mercado.

Para reverter esse quadro, é necessário focar na mitigação da incerteza. E isso ocorre quando fatores geradores de incerteza passam a ser monitorados e mensurados, convertendo-se em informação. É o acesso dos agentes do SAG a informações de mercado que transforma a incerteza em risco — e o risco, ao contrário da incerteza, pode ser gerenciado.

Nesse sentido, a problemática setorial pode ser sintetizada pela elevada volatilidade das cotações, pela ausência de mecanismos eficientes de proteção e de gestão de riscos na comercialização e, portanto, pela necessidade de informações estratégicas e confiáveis que reduzam a incerteza na tomada de decisão, especialmente no que se refere à comercialização do leite cru e dos derivados lácteos. Em ambientes de alta volatilidade, referências comuns reduzem custos de negociação, organizam expectativas e ampliam a previsibilidade operacional.

A produção e a difusão de informação econômica confiável são, portanto, condição necessária para fortalecer a resiliência do SAG e viabilizar mecanismos mais sofisticados de governança e gestão de risco, como instrumentos de hedge e contratos futuros, por exemplo. No entanto, a eficácia desses mecanismos depende de um ecossistema institucional sólido: geração contínua de dados, transparência metodológica, educação de mercado e confiança entre os agentes.

É nesse ponto que se ancora a missão do Cepea — Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada [1]: elaborar séries históricas e indicadores de preços, contribuindo, assim, para reduzir assimetrias de informação, apoiar a tomada de decisão e favorecer a coordenação dos agentes do SAG no curto e no longo prazo.

Um indicador de preços tem como objetivo refletir o preço médio das transações observadas, capturando o comportamento competitivo dos preços — isto é, o preço efetivamente praticado no mercado. Por definição, sintetiza transações já realizadas (negócios efetivados), e não projeções ou referências futuras. Por isso, trata-se de instrumento estratégico em um contexto de incerteza: não apenas reporta cotações, mas amplia a capacidade de decisão e de planejamento dos agentes. Essas informações permitem mensurar desempenho, inferir condições de oferta e demanda e avaliar os impactos de diferentes estratégias de produção e comercialização. Ao se munirem de informação, os agentes compreendem melhor o cenário corrente e se preparam para cenários futuros, reforçando a resiliência no curto prazo e a capacidade de adaptação no longo prazo.

O Cepea conduz pesquisas em 32 cadeias agropecuárias e, no caso do leite, a estrutura de monitoramento abrange indicadores do preço do leite cru pago ao produtor; do leite cru negociado no mercado spot entre laticínios; e de preços de derivados lácteos negociados entre indústrias e canais de distribuição. Esse monitoramento do SAG do leite só é possível porque uma rede de produtores, cooperativas e laticínios compartilha dados com o Centro, de forma voluntária, para a geração das estatísticas. Também é viabilizado pelo apoio institucional e financeiro da OCB e da Viva Lácteos na elaboração de informativos, o que contribui para custear as atividades da equipe.

O indicador do preço do leite ao produtor tem grande impacto no setor, na medida em que a precificação do leite cru, principal matéria-prima dos laticínios, é cercada de incertezas. O preço do leite cru permanece elemento-chave da estratégia das firmas, sejam fazendas ou laticínios: reflete decisões de custo, capacidade produtiva e eficiência operacional, estratégias de diferenciação e segmentação e, também, a própria estrutura de governança.

O indicador do Cepea é calculado mensalmente com metodologia robusta, validada e pública, disponível no site da instituição. Trata-se de uma média ponderada pelo volume, construída a partir de uma rede de colaboradores (produtores, cooperativas e laticínios) que compartilha informações de forma contínua. Para se ter uma dimensão, mensalmente são coletadas mais de 65 mil informações de negócios efetivados, obtidas de forma voluntária junto a mais de 120 agentes do mercado. Esses agentes contribuem com a pesquisa porque recebem, como retorno, informações em prazo diferenciado e porque reconhecem a importância do indicador para o desenvolvimento do setor.

Além da metodologia, a robustez do indicador pode ser apreciada pela abrangência da amostra em termos de volume industrializado monitorado (em comparação com dados do IBGE). Atualmente, o Cepea monitora cerca de 65% do leite industrializado em Minas Gerais — ou seja, a cada 5 litros, aproximadamente 3 estão na amostra. No Rio Grande do Sul, a cobertura é de cerca de 80% — a cada 5 litros, 4 estão na amostra. Em Goiás, a cada 2 litros, 1 está na amostra. Na Bahia, a cada 3 litros, 1 está na amostra. No Paraná e em Santa Catarina, a cada 4 litros, 1 está na amostra. Em São Paulo, a cada 6 litros, 1 está na amostra do Cepea.

Uma forma objetiva de avaliar a representatividade do indicador do preço do leite pago ao produtor em relação ao mercado é observar o grau de correlação [2] entre o preço da matéria-prima (leite ao produtor e leite spot) e indicadores de produtos derivados. Observam-se coeficientes de correlação elevados, sugerindo forte co-movimento entre preços no campo e preços negociados entre indústrias e canais de distribuição. Em outras palavras, correlações altas com derivados e com o leite spot reforçam a aderência do indicador à realidade do mercado, ainda que diferenças de produto e canal impliquem intensidades de co-movimento distintas. Em conjunto, esses elementos ajudam a explicar por que o indicador do preço do leite ao produtor se consolidou como referência nacional e por que indicadores de lácteos (como UHT, leite em pó e muçarela) são acompanhados diária e semanalmente pelos agentes de mercado.

Foto: Arnaldo Alves

Esses aspectos reforçam, também, que a manutenção e o aprimoramento dessas pesquisas são estratégicos para a competitividade do setor lácteo brasileiro, sobretudo no que se refere à evolução das estruturas de governança envolvidas na transação do leite cru entre produtores, cooperativas e laticínios.

A maior parte das negociações ainda ocorre por meio de contratos informais, apoiados sobretudo em mecanismos de confiança e lealdade. Nesses arranjos, o volume a ser entregue tende a ser conhecido (ainda que com flexibilidade), enquanto o preço é ajustado ex post, após avaliação posterior de quantidade e qualidade. Nos últimos anos, porém, observa-se aumento considerável de contratos formais nas negociações com produtores. Esses contratos costumam explicitar mais definições ex ante e, com frequência, adotam preços indexados a indicadores, sobretudo ao indicador do preço do leite ao produtor do Cepea.

Cabe, no entanto, uma distinção importante: o indicador de preços do Cepea é uma referência; não é um mecanismo de formação de preços, nem um instrumento de coordenação comercial entre agentes. Ele reflete os preços praticados no ambiente competitivo de mercado. Seu uso como indexador em contratos é uma decisão dos agentes do setor, normalmente motivada pela necessidade de reduzir incerteza e aumentar previsibilidade, ainda que com alguma defasagem em relação ao momento do mercado (uma vez que a precificação do leite do mês corrente pode se apoiar na cotação de um ou dois meses anteriores).

Foto: Divulgação/OP Rural

Em minha tese de doutorado, entrevistei 33 indústrias de laticínios, que captam quase 24% do leite brasileiro. Entre elas, quase 88% concordam que as informações do Cepea são importantes para avaliar desempenho (comparação de preços recebidos/pagos com a média de mercado), e 72,8% consideram que se tratam de informações relevantes como referência de precificação — seja no balizamento de rodadas de negociação (ancoragem de expectativas e justificativas de repasse), seja na indexação em contratos (fórmulas de reajuste que vinculam o preço ao indicador, com prêmios e descontos por qualidade, volume, logística e serviços).

Ao funcionar como “linguagem comum”, os indicadores de preços do Cepea contribuem para tornar divergências mais objetivas: em vez de discussões baseadas apenas em percepções, os agentes passam a negociar diferenças e ajustes (prêmios, bônus, bonificações e penalizações) em torno de uma referência observável. Passam, também, a avaliar seus negócios em relação à concorrência de modo mais objetivo e podem ajustar expectativas ao acompanhar os mercados de derivados, que são mais dinâmicos do que o de leite cru.

Os indicadores do preço do leite ao produtor e dos derivados lácteos do Cepea são relevantes porque respondem a um problema central do SAG do leite: a incerteza derivada de assimetrias de informação em um mercado volátil. Ao sintetizar transações efetivadas com metodologia pública e ampla rede amostral, essas informações se tornam uma referência objetiva do momento do mercado, sobretudo para avaliação de desempenho. E, mesmo que o indicador não tenha sido desenhado, em sua origem, para indexar transações, ele vem sendo apropriado pelo setor para negociação e indexação de contratos, na ausência de outros mecanismos capazes de gerenciar o risco de comercialização.

Mas há um ponto adicional, talvez mais estrutural: ao longo do tempo, os indicadores do Cepea não apenas retrataram o mercado; ajudaram a moldar seu desenvolvimento, ao oferecer uma base comum de informação que reduz resistências e viabiliza mudanças graduais na governança. Em setores em que o “melhor caminho” só se revela à medida que é trilhado, inovar exige coragem para alterar rotinas e acordos. Porém, mudar sob elevada incerteza é custoso e, muitas vezes, bloqueia a ação coletiva. Ao transformar parte da incerteza em risco mensurável, os indicadores funcionam como bússola: orientam decisões, calibram expectativas e sustentam discussões sobre a evolução de mecanismos de garantia e de gestão de risco na comercialização — exigência que se intensifica com a transformação da base produtiva e dos padrões de concorrência.

Foto: Fernando Dias

Retomo, nesse contexto, o exemplo dos contratos formais: a prática ganhou tração por haver uma referência legítima e compartilhada capaz de diminuir assimetrias, reduzir contestação e tornar as divergências negociáveis. Nesse sentido, o Cepea tem operado como um espaço de convergência e de articulação, no qual agentes heterogêneos (muitas vezes com interesses distintos) aceitam cooperar, compartilhar dados e sustentar um bem informacional coletivo em nome de um objetivo maior: o desenvolvimento do setor.

A consolidação desses indicadores cria uma linguagem comum entre os agentes, fortalece capacidades de gestão, acelera o amadurecimento institucional e assenta o terreno para formas mais coordenadas de comercialização. Tudo isso conduzido com transparência metodológica, por uma instituição neutra e de reconhecida credibilidade, que coloca a ciência e o desenvolvimento do setor como base de sua atuação. Em última instância, a existência e o uso desses indicadores sinalizam que, apesar da fragmentação, o SAG do leite tem amadurecido e buscado construir bases para evoluir.

Muito já foi feito, mas ainda há amplo espaço para avançar na superação dos gargalos que afligem o SAG do leite. Mudar a perspectiva do curto prazo para o longo prazo e elevar eficiência e qualidade exigirá recursos e capital humano, para ampliar o nível de gestão e profissionalização, além de continuidade no financiamento da geração de informações. Vale lembrar que, em países que hoje concorrem conosco no mercado internacional (como Argentina e Uruguai), as instituições que geram informação econômica contam com apoio direto do poder público, seja financeiro, seja na integração de bases de dados. Apesar disso, o Brasil não parte do zero no enfrentamento desse desafio, pois temos organizações sérias como o Cepea que contribuem tecnicamente com a geração de informação, a educação de mercado e a construção de novos instrumentos, oferecendo dados, análises e metodologias de referência.

Fonte: Artigo escrito por Natália Grigol, pesquisadora da Equipe Leite do Cepea.

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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China

Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

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Foto: Maurílio Fernandes de Oliveira

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock

O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.

“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa

Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.

Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais

Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

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Foto: Shutterstock

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.

Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.

O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.

Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso

Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.

Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.

Economia cresce, mas desafios permanecem

A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.

A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.

Cenário internacional exige atenção

As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.

Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.

Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.

Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.

Logística reversa preocupa empresas

Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.

Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.

Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação

A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.

Fonte: Assessoria Asbram
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos

Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

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A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

Foto: Shutterstock

O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.

Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.

Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

Foto: Shutterstock

incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.

Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário

Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.

Cinco produtos representam mais de um terço das exportações

Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.

A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.

Fonte: O Presente Rural
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