Suínos
Você sabe quanto custa uma dose de sêmen na suinocultura?
Especialista frisa que valor pode ser diluído ou inflado ao longo de todas as etapas do processo produtivo.

Quanto vale uma dose sêmen na complexa cadeia suinícola brasileira? Essa foi umas das interessantes perguntas que o médico-veterinário mestre em Reprodução Animal e consultor sênior da GBR consultoria, Guilherme Brandt, respondeu durante o painel sobre gestão, tecnologia e bem-estar animal, com o foco na produção, no evento híbrido do Pork Meet Rio Verde. O profissional apresentou a palestra impacto das doses de sêmen no cevado frigorífico e discorreu a respeito da complexidade da cadeia suinícola, enfatizando os efeitos que o sêmen acarreta durante todo esse percurso, desde sua coleta até o momento do abate.
Guilherme relembrou a importância da suinocultura para o Brasil, expondo que o país possui 2 milhões de fêmeas, é o 4º maior produtor de suínos do mundo, exporta cerca de 1,2 milhão de toneladas por ano e consome aproximadamente 20 quilos per capita ao ano. “Tanto o consumo como a produção de suínos vem aumentando ano após ano. Se considerarmos o número de 2 milhões de fêmeas, nós produzimos 1,5 leitão a cada segundo”, disse.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
O médico-veterinário afirmou que ao buscar responder a pergunta sobre qual é o preço de uma dose de sêmen para a produção de suínos, de forma mais estruturada, seria a busca por manter os indicadores produtivos em níveis de alta performance dos animais, das pessoas, dos processos e dos resultados. “Em termos zootécnicos estamos falando de prolificidade, conversão alimentar, e viabilidade”, enaltece. Brandt mencionou que estas perguntas estão relacionadas ao número de leitões que são produzidos por cada fêmea, com respeito a conversão alimentar e o ganho de peso diário, que também varia conforma o preço dos insumos, principalmente do milho, além da viabilidade e da qualidade final do produto. “Quem produz precisa produzir com viabilidade e com qualidade”, destaca.
Esses apontamentos trazem à tona os desafios que este mercado possui que estão ligados aos aspectos financeiros e que impactam no preço da dose do sêmen, como a importância de baixar o custo de produção, aumentar a eficiência e ampliar o valor agregado do produto final. “Nosso objetivo, em qualquer uma das etapas, é produzir de forma eficiente e que traga renda e lucro para toda a cadeia”, afirma.
O profissional também chamou a atenção sobre a importância de entender que a produção final do leitão não é na entrega dos terminados, mas sim, a carne suína na casa dos consumidores. “A nossa atividade não termina no leitão ou na terminação, o nosso produto deve estar no prato do consumidor”, disse.
Rendimento da carcaça
De acordo com ele, o sêmen pode possibilitar o bom rendimento da carcaça, mas isso vai depender de algumas variáveis. Desta forma, para responder a pergunta sobre qual o impacto das doses de sêmen no terminado? O palestrante reforçou que existem 4 possíveis respostas que devem ser observadas e analisadas.
A primeira é de um impacto nulo. “Isso acontece quando o produtor possui o sêmen correto, faz todo o procedimento, mas fica sem o animal. Pode ser que ele não tenha nascido ou mesmo que tenha morrido”, pontua.
A segunda resposta é o impacto ruim. “Esse fato ocorre quando tenho o animal errado. Na prática, podemos observar que as vezes as genéticas estão misturadas de forma incorreta e estão produzindo animais errados”, sustenta Brandt. A terceira resposta é o impacto bom. “Isso se verifica quando o produtor tem o produto certo no lugar certo, mas é uma produção apenas boa, porque é pouca”, destaca.
A quarta resposta é o impacto ótimo. “Este é o ponto que nós queremos e é quando nós temos um grande número de animais certos. Basicamente são estes os impactos do sêmen no frigorífico e eles fazem muita diferença e existem muitas variáveis que definem qual deles será o maior em cada produção”, evidencia.
Ano do suinocultor inicia em 17 de março

Foto: Shutterstock
O profissional alertou para a importância de os produtores de suínos atentarem-se às datas de produção. Para ele, o ano para o produtor de suíno inicia no dia 17 de março, porque esta data vai impactar na produção do ano seguinte. “A cadeia da produção suína leva cerca de 290 dias para ter o produto final, desta forma, é necessário ter este conhecimento pra conseguir um planejamento efetivo do impacto do sêmen”, observa.
Evolução da reprodução suína
O médico-veterinário também apresentou um panorama de como a reprodução suína vem evoluindo e tornando-se mais eficiente. “Nas década de 70 e 80 a inseminação era experimental no Brasil. Em 1990 inseminávamos com 4 bilhões de espermatozoides, fazíamos 12 doses por fêmea e dava cerca de 12 milhões de terminados. Isso foi evoluindo, em 2000 baixamos para 3 bilhões, em 2010 para 2 bilhões. Esse foi um avanço espetacular, porque baixamos a concentração, mas a produtividade aumentou. Vimos então que a genética começou a ter o valor maior dentro da produção na indústria”, destaca revelando que para 2030 a expectativa dele é trabalhar com menos de 2 bilhões de espermatozoides e produzir 15 mil terminados por macho.
Onde estão as perdas?
Além disso, o profissional revelou que o potencial de uma dose de sêmen também está relacionado com as perdas dos animais. “Os números mostram que dos 100% dos animais que vão para a granja, apenas 71% estarão no abate, no frigorífico. Ou seja, saímos de uma taxa de possibilidade excelente e então começam as perdas com mortalidade, das mais variadas espécies, e caímos para um número de produto bem aquém do que poderíamos alcançar”, reforça.
É possível melhorar
Ele reivindica que esses números mostram uma grande possibilidade de melhorar a produção de suínos. “A fisiologia e as tecnologias nos permitem melhorar estes números, precisamos trabalhar para isso. Já saímos de 24 leitões por fêmea ao ano para 35, o potencial vem aumentando muito. Por outro lado, precisamos melhorar as nossas perdas por ineficiências”, argumenta.
Brandt diz que o ponto chave para melhorar o desempenho dos números finais da cadeia está na forma com que os produtores gerenciam suas granjas e recomenda que eles deem mais atenção aos animais. “A chegada dos animais, bem como a chegada do sêmen, devem ser promovidas de forma a serem muito rigorosas, para que consigamos melhorar os números. Além disso, é preciso muito cuidado na conservação e em todos os momentos de manejo dos materiais e animais porque esse manuseio pode ter impacto de alta fertilidade, como também não”, observa.
Mapa de cobertura
Outra recomendação pertinente feita pelo profissional é a necessidade de os produtores atentarem-se para o Mapa de Cobertura e fazer a marcação dele com muito rigor. “Devemos entender, gerenciar e não negociar o mapa de cobertura, porque fazemos parte de uma cadeia que é segmentada e cada etapa influencia as etapas seguintes. Desta forma, nossa responsabilidade não é apenas com a parte que nós trabalhamos, mas com toda a cadeia”, enaltece.
Potenciais

Médico-veterinário com mestrado em reprodução animal e consultor sênior da GBR consultoria, Guilherme Brandt
O médico-veterinário ainda disse que o potencial de animais nascidos de uma fêmea pode ser relacionado com o macho e com a qualidade dos espermatozoides, mas que é a fêmea que determina a quantidade de nascidos. “São os oócitos das fêmeas que determinam o número de ovulações que a porca terá e desta forma o potencial de nascidos está relacionado com ela. Ou seja, o sêmen precisa ser muito bem produzido, mas também temos que tratar muito bem a fêmea”, recomenda.
Ele reforçou sobre as melhorias nos indicadores zootécnicos no Brasil. “Estamos melhorando. Há mais de 20 anos eu estudo e venho acompanhando a evolução do número de leitões que são entregues por fêmea, esse número vem crescendo e mostra que estamos conseguindo ser mais eficientes na reprodução”, afirma.
O profissional também apresentou alguns números do levantamento feito pela Agriness que mostram que desde 2008 o leitão está cada vez menor. “Estamos produzindo mais animais, mas os leitões são menores. Desde 2008 a média mostra que ele perdeu 100 gramas. É importante nos atentarmos a esses números para ajustarmos qual é o limite aceitável e bom do peso ao nascer para uma produção que vamos entregar no frigorífico e na casa do consumidor”, evidencia.
Milho
Em relação à influência do milho no potencial das doses de sêmen, o médico-veterinário enfatizou que essa conexão está intrinsecamente ligada à prolificidade. Isso se deve ao fato de que é possível otimizar completamente o potencial reprodutivo das fêmeas, reduzindo ao mesmo tempo o consumo de ração. “Se eu contar com os melhores animais e uma conversão alimentar eficaz, usando a dose correta de sêmen dos melhores machos conseguirei economizar significativamente em termos de consumo de milho. Isso resultará em economia e, quando discutimos os impactos da nutrição na qualidade do sêmen, é essencial considerar o papel fundamental do milho e seu impacto na produção total”, ressaltou.
Doses de sêmen colorida
Brandt também reforçou sobre a importância de os produtores e empregados entenderem sobre como as doses de sêmen devem ser aplicadas. “Eles precisam conhecer os protocolos, ter ciência de quanto vale cada dose, das possibilidades sobre os machos de maior índice genético, pois tudo isso vai ajudar a melhorar a produção”, adverte.
O profissional reforçou a atenção aos detalhes, mesmo que sejam com números muito pequenos, pois quando é pensado em todo o volume da produção final, aquele 1% de melhora na conversão alimentar pode fazer muita diferença no impacto final. “Se o Brasil melhorar 1% nos índices de mortalidade na creche, terminação, matrizes, teremos quase R$ 1 bilhão a mais. Precisamos fazer esta conta”, recomenda.
As mudanças não devem param
O médico-veterinário finalizou a palestra reforçando que a suinocultura é uma atividade de intensa mudança e que sempre terá muitos desafios. “É preciso reconhecer que o valor específico de cada dose de sêmen é gigantesco, e é necessário ter muito cuidado com este índice genético, porque não adianta eu investir em um bom índice genético se eu não souber utilizar da melhor forma possível todo o potencial. O produtor precisa sempre lembrar que sempre há espaço para aprender mais e melhorar”.
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Suínos
Mercado do suíno vivo segue firme, com ajustes pontuais nas cotações
Dados do Cepea indicam variações discretas no início do mês, sem mudanças expressivas nas principais regiões produtoras.

O Indicador do Suíno Vivo Cepea/Esalq, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, apresentou estabilidade em parte das praças e leves altas em outras nesta segunda-feira (02).
Em Minas Gerais (posto), a cotação ficou em R$ 6,76/kg, sem variação no dia nem no mês. Em Santa Catarina (a retirar), o valor foi de R$ 6,51/kg, também estável.
Já no Paraná (a retirar), o preço atingiu R$ 6,60/kg, com alta de 0,15% no dia e no acumulado do mês. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação ficou em R$ 6,74/kg, com avanço de 0,15%. Em São Paulo (posto), o indicador registrou R$ 6,91/kg, elevação de 0,14%.
Os dados têm como base levantamento do Cepea.
Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.



