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Você sabe quais são os impactos das sanções da Europa à Rússia no agro brasileiro?

Com tarifas de até 100% sobre fertilizantes russos, sanções da União Europeia reconfiguram o comércio global e impõem ao agro brasileiro o desafio de garantir insumos, proteger margens e aproveitar oportunidades em meio a riscos geopolíticos e comerciais.

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Em 1º de julho entrou em vigor uma rodada de sanções da União Europeia que impõe tarifas escalonadas sobre fertilizantes de origem russa e bielorrussa, elevando as alíquotas de 6,5% a quase 100% ao longo de três anos. Para determinados produtos agrícolas, será aplicada uma tarifa adicional de 50%.

O principal objetivo dessas medidas é limitar recursos financeiros que sustentam a ofensiva russa na Ucrânia e proteger a segurança alimentar da UE, reduzindo a exposição a possíveis ações coercitivas de Moscou. A Comissão Europeia afirmou que a iniciativa apoiará a produção doméstica e permitirá a diversificação do fornecimento de outros países.

Artigo escrito por Raphael Juliace Magalhães, líder de Agronegócios na Marsh Brasil.

Considerando que a Rússia é um dos principais exportadores mundiais de fertilizantes nitrogenados, as mudanças devem impactar toda a dinâmica do comércio global e afetar diretamente o agronegócio brasileiro, que importa cerca de 85% dos insumos que utiliza. Ao mesmo tempo em que se abrem janelas de oportunidade comercial, surgem ameaças significativas à sua cadeia de suprimentos e à sua competitividade externa.

Para agravar ainda mais o cenário de instabilidade, em 15 de julho o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, advertiu que países que continuarem negociando com a Rússia, incluindo o Brasil, poderão sofrer sanções secundárias de 100% sobre seu comércio, caso não haja avanços nas negociações de paz.

Para as empresas do setor, o desafio do momento é ajustar compras, estoques e contratos, diversificar fornecedores e proteger margens, considerando as múltiplas variáveis desse novo contexto – que detalhamos a seguir.

1. Competição acirrada por fertilizantes deve elevar preços globais

Em 2023, 25% das importações de fertilizantes nitrogenados da UE vieram da Rússia. Com as novas tarifas, essas compras devem ser redirecionadas para mercados como Canadá, Marrocos e Egito – os mesmos que abastecem parte do agronegócio brasileiro.

A disputa tende a elevar ainda mais os preços globais dos insumos e pressionar as margens de lucro do agro, com possível impacto no preço dos alimentos. Além disso, o Brasil passará a competir diretamente com um comprador que possui maior capacidade de barganha e subsídio interno.

2. Mudanças impactam logística de transporte e custo de frete

A reconfiguração das rotas logísticas, com a redução de volumes nos portos do Báltico e Mar Negro, levará ao redirecionamento de cargas para instalações no Canadá, Marrocos e Egito. O Brasil, que também importa desses países, pode enfrentar maior tempo de espera, escassez de espaço em navios e tarifas de frete ainda mais elevadas, impactando diretamente a janela de plantio e a previsibilidade de custos para os produtores.

Os custos logísticos, já pressionados por tensões geopolíticas, tendem a ser repassados integralmente para o produtor brasileiro, que verá sua margem de lucro ser ainda mais comprimida, a menos que haja renegociação de contratos de longo prazo e diversificação urgente das fontes de fornecimento.

3. Pressão cambial deve elevar custo do crédito

O orçamento da UE destinado à defesa, com foco em armamentos, munições e infraestrutura militar, saltou de aproximadamente €59 bilhões em 2021 para mais de €102 bilhões em 2024. Essa militarização orçamentária de grandes blocos econômicos afeta o custo de capital internacional e eleva o risco global, refletindo-se em maior volatilidade cambial e aumento de juros em operações de financiamento rural atreladas ao comércio exterior.

O agronegócio, dependente de financiamento para custeio e investimento, pode enfrentar dificuldades em acessar crédito barato, além de ver seus contratos atrelados ao dólar se tornarem mais arriscados.

4. Prêmios do mercado de seguros podem aumentar

O mercado de seguros já sofre com aumento de prêmios em apólices de risco agrícola e de transporte internacional, em função da instabilidade dos corredores logísticos. A nova dinâmica comercial exige uma resposta coordenada entre governo, produtores, seguradoras e instituições financeiras, com reforço aos instrumentos de hedge cambial, fundos garantidores, aumento da cultura de seguro e maior oferta de crédito rural subsidiado.

5. Riscos diplomáticos e comerciais

As ameaças de sanções secundárias pela Otan criam uma variável política nas decisões de compra. Mesmo que ainda especulativas, essas medidas podem levar o Brasil a reavaliar contratos com fornecedores russos para evitar retaliações, gerando incertezas que afetam a formação de preços e o planejamento de longo prazo do setor.

6. Oportunidades para exportações brasileiras

Por outro lado, o redirecionamento de recursos da Política Agrícola Comum para defesa pode reduzir a produção interna da UE em até 12% até 2030, de acordo com estudos da Comissão Europeia. Essa retração abre espaço para maior importação de grãos, carnes e açúcar, segmentos nos quais o Brasil é líder mundial e possui capacidade para atender à demanda adicional. Desde que consiga atender aos critérios técnicos e ambientais do mercado europeu, o país se posiciona como fornecedor natural em um momento de enfraquecimento da autossuficiência agrícola do bloco.

Para o Brasil, as necessidades são claras: garantir estabilidade no fornecimento de fertilizantes e energia, buscando novos mercados além da Rússia, ampliar exportações de produtos agrícolas para a Europa e reforçar sua imagem ambiental para se manter como fornecedor confiável. Os produtores precisam agir estrategicamente para aproveitar as oportunidades, sem ignorar os riscos que esse novo ciclo global impõe sobre sua estrutura agroindustrial.

Fonte: Artigo escrito por Raphael Juliace Magalhães, líder de Agronegócios na Marsh Brasil

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Sem equilíbrio competitivo, não há acordo que nos salve

Brasil deve agir com o mesmo pragmatismo, garantindo que a indústria de transformação não seja penalizada por condições desiguais de competição.

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O ano de 2026 se inicia com uma combinação rara de desafios e oportunidades para a indústria brasileira. De um lado, o avanço das importações e a intensificação das assimetrias competitivas impõem pressão crescente sobre a produção nacional, exigindo instrumentos eficazes de equilíbrio de mercado. De outro, a expectativa positiva em torno do Acordo Mercosul–União Europeia reabre a agenda da inserção internacional e da modernização produtiva, com potencial de ampliar mercados e melhorar o ambiente regulatório. Entre esses eixos, ainda atravessamos um contexto eleitoral que demanda atenção redobrada quanto à previsibilidade das políticas públicas.

A defesa comercial, muitas vezes tratada de forma simplificada como protecionismo, deve ser compreendida como um mecanismo de correção de assimetrias. Países desenvolvidos não hesitam em acionar salvaguardas e medidas compensatórias quando identificam práticas desleais. O Brasil deve agir com o mesmo pragmatismo, garantindo que a indústria de transformação não seja penalizada por condições desiguais de competição. Nos últimos anos, diversos segmentos vêm enfrentando importações em volumes e preços incompatíveis com a realidade de mercado, o que ameaça a capacidade produtiva que demorou décadas para se consolidar.

Artigo escrito por Gino Paulucci Jr., engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (ABIMAQ).

É importante reforçar que garantir a competitividade não significa fechar o mercado. Pelo contrário, trata-se de assegurar condições mínimas de simetria para que a abertura seja sustentável. Para competir lá fora, é preciso antes sobreviver aqui dentro. E esse é um ponto fundamental para o setor de máquinas e equipamentos, que ocupa papel estratégico na cadeia industrial, atuando como difusor de tecnologia e produtividade. Para este setor, é vital que as políticas de comércio exterior considerem o equilíbrio entre o custo dos insumos e a competitividade do produto final, evitando que medidas em uma ponta da cadeia prejudiquem a capacidade exportadora da outra.

Esse debate ganha contornos ainda mais relevantes em um ano eleitoral. A experiência brasileira mostra que períodos de disputa política podem afetar a previsibilidade regulatória. Contudo, as decisões sobre competitividade estrutural não podem ficar suspensas. Países que avançam em soberania industrial são aqueles que mantêm agendas de Estado. Para a indústria, previsibilidade é condição necessária para investir e inovar.

Ao mesmo tempo, o avanço do Acordo Mercosul–União Europeia representa uma oportunidade singular. O tratado pode estabelecer novos marcos de integração e impulsionar exportações. Mesmo assim, é indispensável considerar que a abertura comercial só se traduz em ganho econômico quando acompanhada de políticas públicas complementares. Acordos bem-sucedidos ao redor do mundo mostram que liberalização, inovação, financiamento e mecanismos de ajuste de mercado caminham juntos.

Por isso, a posição responsável não é rejeitar o acordo, mas garantir condições para que o Brasil dele se beneficie. Isso significa atenção às regras de origem, à temporalidade das reduções tarifárias e às salvaguardas para segmentos que enfrentam assimetrias elevadas. Também implica adotar programas de fortalecimento tecnológico, tal como fazem os países europeus em suas agendas de transição energética e digitalização.

O desafio para 2026 não é a escolha entre defender ou abrir o mercado. Essa é uma falsa dicotomia. O verdadeiro desafio é integrar inteligência comercial, previsibilidade institucional e expansão internacional dentro de uma estratégia nacional de desenvolvimento. Países líderes, como Estados Unidos e Alemanha, combinam acordos internacionais com robustas políticas industriais e tecnológicas.

A indústria de máquinas e equipamentos está pronta para contribuir. Com engenharia de ponta e histórico exportador, o setor reúne condições para um novo ciclo de crescimento. Mas isso requer um ambiente regulatório estável e uma estratégia de integração que reconheça tanto as oportunidades quanto as vulnerabilidades brasileiras, priorizando a competitividade do produto manufaturado nacional. Em síntese, o Brasil entra em 2026 diante de uma encruzilhada. A busca por isonomia competitiva é urgente; a estabilidade institucional é necessária; e a abertura internacional pode ser benéfica, desde que conduzida com inteligência estratégica. Conciliar esses vetores é a tarefa que se impõe às lideranças. Quanto mais cedo fizermos essa convergência, mais cedo colheremos os frutos de uma indústria forte, competitiva e integrada ao mundo.

Fonte: Artigo escrito por Gino Paulucci Jr., engenheiro, empresário e presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (ABIMAQ).
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Colunistas Reconquista do território

Como frigoríficos regionais desafiam gigantes e remodelam o varejo da carne no Brasil

Com agilidade logística, conhecimento do consumidor local e foco em qualidade, players de menor porte ganham preferência nas gôndolas e forçam uma nova dinâmica na indústria.

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Foto: Divulgação

Uma transformação silenciosa, mas de profundo impacto, está redesenhando o mapa do varejo de carnes no Brasil. Se por décadas o domínio pertenceu a grandes conglomerados frigoríficos e redes de supermercados nacionais, que ditavam as regras com produtos e estratégias padronizadas, hoje o cenário é outro.

Uma nova força, pulverizada e potente, emerge com vigor: os players regionais. Eles não apenas estão competindo, mas estão ganhando espaço em seus próprios territórios, conquistando a preferência do consumidor e, crucialmente, do varejista.

Essa mudança de eixo força toda a cadeia produtiva a repensar suas estratégias. A análise dessa tendência revela um novo playbook para o sucesso, baseado não mais na escala continental, mas na excelência local.

A mudança mais expressiva está nos números. Há cerca de uma década, as grandes redes nacionais detinham mais de 80% do faturamento do setor supermercadista. Hoje, a realidade é drasticamente diferente. Dados da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) revelam que, entre os 20 maiores grupos do país, as redes regionais já respondem por aproximadamente 70% do faturamento. Essa inversão de poder demonstra uma nova configuração de mercado, onde múltiplos campeões regionais se fortalecem em suas respectivas áreas de atuação.

Armas dos campeões locais

O que explica essa reviravolta? Os frigoríficos e supermercados regionais construíram um fosso competitivo baseado em vantagens claras e difíceis de replicar por conglomerados de escala continental.

A principal delas é a intimidade com o mercado. Um frigorífico regional entende as nuances do paladar local, os cortes de carne preferidos, os hábitos de consumo sazonais e até a forma como o churrasco é preparado na região. Essa compreensão permite a criação de um portfólio de produtos perfeitamente ajustado à demanda e uma comunicação direta com o consumidor, transformando a marca de um fornecedor genérico em parte da cultura local.

Em segundo lugar, a logística funciona como a principal arma competitiva, com impacto direto na rentabilidade do varejista. A agilidade dos frigoríficos regionais vai muito além da simples entrega rápida. Ela é a garantia de um produto que chega ao ponto de venda com o máximo de sua vida útil, o que se desdobra na vantagem mais cobiçada pelo varejo: maior tempo de exposição na gôndola sem perda de qualidade visual e sensorial.

Enquanto produtos de cadeias logísticas longas já chegam com dias a menos de validade e sinais de desgaste, a carne do frigorífico regional mantém sua cor, textura e frescor por mais tempo. Para o varejista, isso significa:

  • Maximização da Janela de Venda e Redução de Perdas: Cada dia a mais de prateleira com qualidade impecável é uma oportunidade extra de venda e uma redução direta no volume de produtos remarcados ou descartados.
  • Otimização do Capital de Giro: A confiança em um fornecedor que entrega um produto com maior durabilidade, padrão e regularidade permite ao varejista manter estoques mais enxutos e estratégicos, liberando capital de giro que estaria imobilizado.
  • Aumento do Giro e da Satisfação do Cliente: A reposição frequente com produtos de alta qualidade eleva o giro do estoque e garante que o consumidor final sempre encontre na gôndola um produto atraente, fresco e com padrão superior fortalecendo a fidelidade tanto à marca do frigorífico quanto ao próprio ponto de venda.

Força da Origem e dos Valores

Além da agilidade e do conhecimento do mercado, as marcas regionais capitalizam sobre uma tendência de consumo crescente: a valorização da origem. O marketing de propósito e identidade territorial transforma um produto que poderia ser visto como commodity em uma especialidade com história e propósito. Comunicar que a carne vem daqui, produzida por pessoas daqui, cria uma conexão emocional que transcende a etiqueta de preço.

Essa conexão é aprofundada quando a marca demonstra um compromisso genuíno com valores que o consumidor moderno preza. A preocupação com a sustentabilidade dos processos e o respeito ao bem-estar animal deixaram de ser um diferencial de nicho para se tornarem uma expectativa. Para os players regionais, que possuem maior controle sobre sua cadeia produtiva, comunicar essas práticas de forma transparente é uma oportunidade de ouro para fortalecer a confiança e justificar a preferência do consumidor.

Federação de gigantes regionais

A ascensão dos frigoríficos e supermercados regionais não é uma tendência passageira, mas a consolidação de um novo modelo de mercado no Brasil. A complexidade e a diversidade cultural de um país continental se provaram um desafio intransponível para a padronização excessiva. O futuro do varejo de carnes não pertencerá a um único gigante, mas a uma federação de players fortes, cada um dominando seu território com maestria.

Para os profissionais do agronegócio e do marketing, a lição é clara: o caminho para o crescimento não está em tentar ser tudo para todos, mas em ser o melhor e mais relevante para uma comunidade específica. A verdadeira força reside em conhecer profundamente o seu quintal e em adotar uma visão de futuro, demonstrando que é possível alimentar hoje, cuidando do amanhã. A força, no fim das contas, está em fazer o certo, do começo ao fim.

Fonte: Artigo escrito por Everton Gardezan, consultor de Marketing e Comunicação Agro e gerente de Marketing do Better Group.
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A verdade é aliada do agronegócio

A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade.

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A circulação acelerada de informações, potencializada pelo ambiente digital, impôs à sociedade contemporânea um desafio que extrapola o campo da tecnologia e alcança a esfera ética, econômica e institucional: o combate sistemático à desinformação. No caso do agronegócio brasileiro, setor estratégico para a segurança alimentar, para a geração de empregos e para o equilíbrio da balança comercial, as notícias falsas produzem efeitos particularmente nocivos, pois distorcem percepções, fragilizam reputações e comprometem decisões públicas e privadas baseadas em dados equivocados.

As entidades de representação e defesa do setor primário da economia (como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e todas as Federações estaduais) vêm alertando sobre a transmissão intencional de mentiras na forma de narrativas simplificadoras e frequentemente ideologizadas, disseminadas com o objetivo de desqualificar a produção agropecuária nacional.

Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)

Atribui-se ao campo, de forma leviana, a responsabilidade exclusiva por problemas complexos, como mudanças climáticas, insegurança alimentar ou crises ambientais, ignorando-se deliberadamente o arcabouço legal, científico e tecnológico que orienta a atividade rural no Brasil. Afirmações como a suposta inexistência de controle sobre o uso da água na irrigação, a ideia de que a produção de grãos avança indiscriminadamente sobre áreas protegidas ou a falsa noção de que a pecuária brasileira opera à margem de qualquer critério de bem-estar animal são exemplos de construções retóricas que não resistem à uma análise minimamente fundamentada.

A desinformação, ao se propagar, compromete o diálogo social e mina a confiança entre o campo e a cidade. O produtor rural passa a ser visto como antagonista do interesse coletivo, quando, na realidade, é protagonista de avanços relevantes em produtividade sustentável, rastreabilidade, inovação genética, agricultura de precisão e adoção de práticas conservacionistas. Esse descompasso entre percepção e realidade gera prejuízos concretos, desde restrições comerciais baseadas em argumentos infundados até a formulação de políticas públicas dissociadas da realidade produtiva.

Combater as notícias falsas não significa negar a necessidade de aperfeiçoamentos contínuos ou de fiscalização rigorosa. Ao contrário, pressupõe transparência, acesso à informação qualificada e valorização do conhecimento técnico-científico. Exige, sobretudo, o fortalecimento do pensamento crítico, da educação midiática e da responsabilidade na produção e no compartilhamento de conteúdos. Instituições representativas, imprensa profissional, comunidade acadêmica e sociedade civil têm papel complementar nesse processo.

A Faesc utiliza todos os seus canais de comunicação para levar cotidianamente à sociedade informações verdadeiras, verificáveis e confiáveis sobre tudo o que envolve o universo rural, mas o enfrentamento da desinformação sobre o agronegócio é uma tarefa permanente, que demanda compromisso com os fatos, respeito à ciência e disposição para o diálogo. Defender a verdade sobre o campo brasileiro é defender o desenvolvimento sustentável, a soberania alimentar e o futuro de milhões de famílias que produzem com responsabilidade, sob uma das legislações ambientais mais exigentes do mundo. Trata-se de um dever institucional e cívico que não pode ser relativizado.

Fonte: Artigo escrito por José Zeferino Pedrozo, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC)
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