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Avicultura

Você beberia a mesma água que fornece às suas aves?

Qualidade da água é elemento-chave para garantir saúde, desempenho e competitividade na avicultura moderna.

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Michele Fangmeier, química e mestre em Biotecnologia, Head de Marketing Estratégico e Inovação na American Nutrients; Luana Specht, Bióloga e mestre em Biotecnologia, coordenadora de Pesquisa Aplicada na American Nutrients; Daiane Carvalho, doutora em Medicina Veterinária, Head de Desenvolvimento e Inovação na American Nutrients

Ao falarmos em produção avícola a primeira preocupação costuma ser a escolha da ração, o manejo dos animais ou as vacinas. No entanto, existe um fator silencioso e fundamental que muitas vezes passa despercebido: a água. Ela não só é essencial para a vida das aves, como também desempenha papel decisivo na saúde, desempenho produtivo e até mesmo na sustentabilidade da produção. Poucos sabem, mas um frango de corte pode consumir cerca de duas vezes mais água do que ração. Isso já dá a dimensão de sua importância: água limpa e de qualidade é a base para a avicultura de sucesso.

O Brasil está entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne de frango e ovos. Isso se deve a muitos fatores: clima favorável, tradição rural, uso de tecnologia, genética de ponta e profissionais altamente capacitados. Mas nada disso adiantaria se a base não estivesse bem cuidada.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), em 2023 o país produziu mais de 14,8 milhões de toneladas de carne de frango e cerca de 5 milhões foram exportadas. O nível de exigência dos mercados internos e externos é cada vez maior. E, nesse cenário, garantir água de qualidade é uma regra básica. A água, portanto, não é apenas um “detalhe”: é protagonista na saúde, produtividade e competitividade da avicultura brasileira.

Por que a qualidade da água é tão importante?

A água participa de muitos processos fisiológicos das aves: digestão, absorção de nutrientes, transporte de substâncias, regulação da temperatura corporal, lubrificação das articulações, excreção de resíduos e até equilíbrio ácido-base do organismo.

Se a água for inadequada, seja por sujeira, excesso de minerais, resíduos químicos ou presença de microrganismos patogênicos, tudo isso pode ser afetado. Os principais riscos são:

  • Doenças entéricas: microrganismos presentes na água, como E. coli, Salmonella, Clostridium perfringens, entre outros, podem causar infecções intestinais graves, levando a diarreias, má absorção de nutrientes, queda de desempenho e até mortalidade.

  • Redução da produtividade: aves doentes comem e bebem menos, crescem menos e consomem mais energia para se recuperar, diminuindo o ganho de peso e aumentando os custos com medicamentos e reposição.

  • Comprometimento do bem-estar animal: água suja ou contaminada aumenta o estresse, reduz a imunidade e restringe o consumo, podendo até mesmo acarretar em problemas sanitários no lote.

  • Impactos econômicos e ambientais: doenças causadas por água inadequada geram prejuízos financeiros e podem demandar uso excessivo de medicamentos, podendo levar ao aparecimento de resíduos de princípios ativos nos produtos avícolas com impacto em saúde única.

Soluções integradas para a qualidade da água

Entre os diversos métodos para controle da qualidade da água, a cloração e o uso de reguladores de pH se destacam como soluções eficientes, econômicas e de fácil aplicação, tanto em grandes sistemas produtivos quanto em pequenas propriedades.

O cloro atua destruindo bactérias, vírus e outros microrganismos nocivos, reduzindo drasticamente o risco de contaminação. Já os reguladores de pH contribuem para a regular o pH da água, tornando o ambiente menos favorável para a proliferação de patógenos e promovendo a saúde digestiva das aves. O uso combinado e orientado desses produtos, dentro das doses recomendadas, potencializa a proteção sem causar riscos às aves ou ao meio ambiente.

Vale lembrar que algumas empresas brasileiras já oferecem programas de qualidade da água, com foco em soluções integradas e orientações sobre o uso racional de desinfetantes de água e reguladores de pH próprios para avicultura. Esse acompanhamento técnico é um diferencial importante para garantir bons resultados e sustentabilidade na produção.

Atenção especial ao uso de água de rios, açudes e poços

Nem todo produtor dispõe de água tratada direto da rede pública. Muitos utilizam fontes alternativas, como rios, riachos, açudes ou poços. Nessas situações, o cuidado precisa ser redobrado.

Águas superficiais estão muito mais sujeitas a contaminações – desde resíduos agrícolas, fezes de animais, folhas em decomposição até microrganismos patogênicos. Além disso, para a limpeza de águas superficiais, existem no mercado produtos específicos à base de floculantes e coagulantes. Eles atuam agrupando e sedimentando partículas e impurezas, facilitando sua remoção e tornando a água mais adequada para o consumo das aves, sem agredir o meio ambiente, ajudando a garantir o padrão de potabilidade mesmo em situações desafiadoras.

Biofilme: o inimigo invisível nos sistemas de água

Mesmo que a água chegue limpa até a propriedade, o risco de contaminação continua presente nas tubulações, bebedouros e reservatórios. O chamado biofilme, uma camada de microrganismos protegida por uma matriz orgânica que se forma nas superfícies internas das linhas de água, é capaz de abrigar e proteger bactérias perigosas.

Para combater o biofilme, já existem no mercado produtos e protocolos de limpeza específicos, que facilitam a remoção dessas camadas indesejadas e garantem uma distribuição de água realmente limpa e segura para as aves. A limpeza frequente, aliada a esses recursos, potencializa a saúde dos animais e o desempenho produtivo.

Dicas práticas para garantir água de qualidade nas criações

Para facilitar, confira um resumo das principais recomendações:

  1. Faça análises regulares: Meça diariamente o pH, cloro e ORP (potencial de oxirredução) da água. Avalie com frequência parâmetros como turbidez, e a presença de microrganismos como coliformes e Escherichia coli.

  2. Invista em sistemas de filtração: Filtros mecânicos eliminam impurezas físicas e melhoram o aspecto e o sabor da água.

  3. Utilize floculantes e coagulantes em águas superficiais: Estes produtos removem partículas indesejadas, facilitando a obtenção de água limpa e segura.

  4. Use cloro e reguladores de pH: Siga sempre a dosagem correta e escolha o blend mais adequado para o seu desafio. Evite misturas caseiras e procure orientação técnica.

  5. Higienize equipamentos com frequência: Limpe bebedouros e tubulações durante o vazio sanitário. Estas medidas evitam o acúmulo de sujeira e formação de biofilme.

  6. Proteja fontes e reservatórios: Caixas d’água bem vedadas, poços protegidos e áreas de captação livres de animais, folhas e lixo.

  7. Monitore temperatura: Evite exposição dos reservatórios ao sol, pois água quente reduz o consumo.

  8. Atenção ao descarte de resíduos próximo a fontes de água: Produtos químicos devem ser usados na dose certa, com descarte correto, para evitar poluição de rios, lagos, poços e açudes.

Ato de responsabilidade

A água é muito mais do que um detalhe na produção avícola. Ela é o elo entre saúde animal, bem-estar, produtividade e respeito ao meio ambiente. Garantir água de qualidade é, acima de tudo, um ato de responsabilidade – com os animais, com a atividade e com a sociedade. O futuro da avicultura brasileira passa pelo bebedouro das aves.

versão digital está disponível gratuitamente no site oficial de O Presente Rural. A edição impressa já circula com distribuição dirigida a leitores e parceiros em 13 estados brasileiros.

Fonte: O Presente Rural

Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura No Noroeste do Estado

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência

Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

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Foto: Divulgação/Ilustração

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação

A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.

De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.

A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.

Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi

A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.

A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.

Fonte: O Presente Rural
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