Suínos No Paraná
Vizinhos compartilham biodigestor para produzir energia limpa da suinocultura
Para viabilizar um sistema de produção de energia limpa, dois produtores de Itaipulândia, no Oeste, decidiram compartilhar um biodigestor e um gerador. Com isso, ambos conseguem baratear contas de luz e ainda manejar os resíduos da produção de maneira ambientalmente responsável.

A cerca que divide as propriedades de José Valdir Genaro e Ari Facioni, em Itaipulândia, no Oeste do Paraná, é uma mera formalidade quando o assunto é sustentabilidade na suinocultura. Para viabilizar um sistema de produção de energia limpa, os produtores decidiram compartilhar um biodigestor e um gerador. Com isso, os dois conseguem baratear suas contas de luz e ainda manejar os resíduos da produção de maneira ambientalmente responsável.

Usina de BioGás – produção de energia gerada a partir, neste caso, dos dejetos de suínos -, em Itaipulândia, região Oeste do Paraná.- Fotos: Roberto Dziura Jr./AEN
O compartilhamento do sistema também permite que o investimento feito pelos produtores se pague mais rápido, com uma produção diária de energia ainda maior. O modelo também serve de exemplo para pequenos produtores, que individualmente não teriam fôlego financeiro ou volume de dejetos para manter um sistema sozinho.
A história dos produtores é tema da série de reportagens “Paraná, energia verde que renova o campo”, que mostra exemplos de adesão ao programa RenovaPR e ao Banco do Agricultor Paranaense para implantar sistemas de energias sustentáveis em suas propriedades.
“Para o meu vizinho montar o gerador, a quantidade de suínos que ele tinha não seria suficiente para a finalidade que ele tinha imaginado, então ele me convidou para fazer uma parceria, cedendo o esterco dos meus animais para aumentar a capacidade de geração de energia”, explica Ari Facioni.
Com a soma dos dejetos dos 3 mil suínos da propriedade de Genaro e de 1,8 mil da propriedade de Facioni, o gerador instalado por eles produz cerca de 75 kilowatts por hora, funcionando mais de 12 horas por dia. O volume é suficiente para dar independência energética para as duas propriedades de maneira limpa e renovável. “É algo que dá conforto para nós. É uma despesa a menos que nós temos, com perspectiva, inclusive, de render uma renda extra com a venda da energia excedente para a rede”, conta Genaro.
Sistema
A geração de energia a partir dos dejetos e resíduos orgânicos acontece em duas etapas. Na primeira, os restos de ração, fezes, urina e carcaças são depositados em um poço cavado no chão e coberto por uma lona especial, chamado de biodigestor, onde passar por reações químicas que produzem o biogás. Depois, os gases passam por um gerador que os transforma em energia.
Além da energia, o sistema garante o manejo adequado dos dejetos dos animais, um dos maiores passivos da suinocultura atualmente. Com os biodigestores, todos os resíduos têm uma destinação ambientalmente correta, dentro da propriedade. “Dar destino para os dejetos e as carcaças era um serviço complicado, quase insalubre, com muita mosca e mau cheiro. Hoje o material é depositado no biodigestor e o manejo é muito mais limpo e fácil”, explica Genaro.
Os processos químicos do sistema também produzem um composto que pode ser devolvido à lavoura ou ao pasto da propriedade como um fertilizante rico em nutrientes. “Os
resíduos voltam como um adubo tratado, de boa qualidade, que não queima a terra”, afirma o produtor Ari Facioni.
Sem este processo, o depósito destes dejetos é altamente prejudicial ao meio ambiente. Por causa disso, muitos suinocultores só conseguem aumentar suas produções ao construírem biodigestores nas suas propriedades. “Muitos agricultores não produzem mais porque isso significa dar destinação a mais dejetos. Sem este processo, os dejetos produzem muitos agentes contaminantes. Por outro lado, quando ele passa pelo biodigestor, ele se transforma em um fertilizante natural que deixa de ser agressivo ao meio ambiente”, explica o diretor ambiental da Prefeitura de Itaipulândia, Altair Ruschel.
Apoio
O investimento feito para a instalação de todo o sistema, que também conta com um triturador de carcaças, foi de cerca de R$ 800 mil e contou com o incentivo do Programa Paraná Energia Renovável (RenovaPR), do Governo do Estado.
O empréstimo para a construção do sistema foi feito a juro zero, por meio do Banco do Agricultor Paranaense, como forma de estimular a transformação energética no campo. O programa é uma iniciativa do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, e conta com recursos financeiros do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE), administrado pela Fomento Paraná.
Ao todo, a subvenção de juros por meio do Governo do Estado para projetos deste tipo já passou de R$ 231 milhões desde 2021. Com este estímulo, já foram investidos mais de R$ 4,2 bilhões em 34 mil projetos de energia renovável em todo o Estado.
Em Itaipulândia, um programa da prefeitura da cidade em parceria com a Itaipu Binacional também oferece subsídio para a instalação dos biodigestores e fornece os geradores em consignação aos suinocultores. “Era uma vontade antiga instalar um sistema destes para gerar energia e dar a destinação para os resíduos da produção. Só assim a gente vai conseguir aumentar a nossa produção. Graças ao subsídio do RenovaPR a gente conseguiu concluir um projeto como este”, diz José Valdir Genaro.
Economia
A produção de suínos para corte é a quinta cultura agropecuária com maior Valor Bruto da Produção (VBP) do Paraná, com R$ 8,45 bilhões movimentados em 2023, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral). Este valor representa 4,27% de toda a economia do campo paranaense.
A região Oeste do Paraná, onde fica Itaipulândia, concentra a maior parte desta produção. A cidade é a sétima maior produtora de suínos do Estado, com R$ 246 milhões em VBP a partir da suinocultura. Toledo (R$ 1,25 bilhão), Santa Helena (R$ 560 milhões), Missal (R$ 482 milhões) e Marechal Cândido Rondon (R$ 450 milhões) são as maiores produtoras do Paraná.
Na comparação com outros estados, o Paraná é o segundo maior produtor do Brasil, com 3,1 milhões de suínos abatidos no primeiro trimestre de 2024, segundo dados da Pesquisa
Trimestral de Abate de Animais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Santa Catarina lidera a produção nacional, com 4,1 milhões de animais abatidos. Rio Grande do Sul (2,3 milhões) e Minas Gerais (1,4 milhão) e São Paulo (735 mil) completam a lista de cinco maiores produtores do Brasil.
Série de reportagens
A série de reportagens “Paraná, energia verde que renova o campo” está mostrando exemplos de produtores rurais de todo o Estado que aderiram ao programa RenovaPR para implantar sistemas de energias sustentáveis em suas propriedades. Criado em 2021, o RenovaPR apoia a instalação de unidades de geração distribuída em propriedades rurais paranaenses e, junto ao Banco do Agricultor Paranaense, permite que o produtor invista nesses sistemas com juros reduzidos. Todas as reportagens da série podem ser conferidas aqui.
Confira o vídeo

Suínos
Cinco passos para maximizar o desempenho das leitoas
Primeiro parto define o “piso” de desempenho da primípara e influencia custo, permanência no plantel e eficiência reprodutiva.

Artigo escrito por Amanda Pimenta Siqueira e João Victor Facchini Rodrigues, Serviços Técnicos da Agroceres PIC
A produtividade de uma a granja é determinada, em grande parte, pela capacidade de transformar leitoas em matrizes eficientes. A reposição costuma ser conduzida como rotina, mas pode operar como um dos motores mais efetivos de eficiência econômica da granja.
O ponto-chave é técnico e direto. O desempenho em nascidos totais no 1º parto tende a orientar o desempenho dos partos seguintes. Quando o primeiro resultado é limitado por falhas de manejo, a granja carrega esse “teto” reprodutivo para frente.
Isso significa que uma boa preparação de leitoas é uma pré-condição absolutamente essencial para desempenho e longevidade. Quando as primíparas entram na reprodução com preparo padronizado, monitorado e bem realizado, eficiência reprodutiva e retenção são consequências imediatas e os resultados aparecem.
Onde nasce o desempenho da primípara
A preparação não começa na cobertura. Ela atravessa pré-desmame, recria, pré-cobertura/cobertura, gestação e se confirma na 1ª lactação. Pequenas falhas repetidas acumulam efeito: atrasam puberdade, comprometem cio e ovulação, reduzem taxa de concepção e limitam nascidos no 1º parto. A seguir, cinco pilares que sustentam desempenho e longevidade.
1) Gestão da informação
Gestão de fêmeas é gestão de dados. Sem registro, não há identificação de oportunidades e correções. O objetivo é quantificar a qualidade do manejo, e não “checar se foi feito”. O que não é medido vira variabilidade e variabilidade vira perda ao longo do processo de produção.
Um checklist de rotina ajuda a quantificar o que antes era “impressão”: assiduidade no diagnóstico de cio, exposição ao macho para 100% das leitoas elegíveis, precisão no manejo alimentar e efetividade do flushing.
Checklist de rotina:
Assiduidade no diagnóstico de cio: meta operacional de 100% dos dias com rotina executada.
Exposição ao macho: todas as leitoas elegíveis, sem exceção por “falta de tempo”.
Manejo alimentar: alimentação à vontade, sem interrupções.
Flushing: aplicação conforme protocolo, com registro de início, duração e lote.
Número de doses: uso racional baseado no protocolo de inseminação, diagnóstico de cio assertivo e conhecimento da fisiologia animal.
Número de coberturas por semana: garantir mão de obra treinada e em número suficiente para uma correta execução.
2) Pré-cobertura e cobertura
Entre a seleção e a cobertura, a maior causa de falhas costuma ser ausência de método. Sem rotina, não há controle: estímulo ao cio irregular, detecção inconsistente e falta de registro reduzem previsibilidade e aumentam o erro.
Estímulo diário à puberdade: usar machos rufiões de qualidade, com contato direto sempre que possível.
Detecção e registro são indispensáveis: registrar cio de forma sistemática sustenta decisões e reduz variação entre lotes.
Cobrir no 2º cio: está associado ao ponto de equilíbrio entre preparo fisiológico da futura matriz e retorno econômico.
Flushing é complementar: deve estar integrado ao manejo nutricional e respeitar tempo mínimo de adaptação.
Referências sólidas: peso, idade e condição corporal, ajustadas à genética e ao sistema, são fundamentais para o sucesso.
3) Inspeção diária: prevenção é parte do preparo
O acompanhamento “de rebanho” vem dando lugar ao cuidado mais personalizado das fêmeas. No caso da preparação de leitoas essa observação diária é ainda mais importante.
O princípio é simples: olhar individual, todos os dias, com checklist. Checar se a leitoa está comendo e bebendo, se levanta e se locomove bem, se está em conforto térmico e medicada. A inspeção inclui também o ambiente. Conferência de comedouros/drops, oferta correta de ração, vazão e qualidade da água, ventilação e piso.
Os benefícios são mensuráveis. Em plantéis onde essa rotina é bem implementada, observa-se redução média de 4 pontos percentuais na mortalidade. Com um responsável definido pela rotina, o manejo deixa de ser reativo e passa a ser preventivo e isso se traduz em um número maior de leitoas aptas para iniciar a vida reprodutiva.
4) Padronização: o básico bem-feito todos os dias
As granjas mais produtivas não fazem “manejo especial”; fazem o padrão sem variação: mesmo protocolo para todas as leitoas, todos os dias, com monitoria do gerente, revisão periódica e responsabilização do time. Constância de execução é o que transforma protocolo em resultado.
5) 1ª lactação: a primípara se confirma no 1º desmame
O desempenho da leitoa termina no primeiro desmame. Sem estímulo e consumo alimentar adequados, a primípara perde condição corporal, compromete retorno ao cio e reduz desempenho no parto seguinte. O manejo deve priorizar consumo, conforto térmico e acompanhamento diário. O uso estratégico da primípara como mãe de leite pode gerar ganhos, desde que preserve ingestão e condição corporal.
Genética entrega, manejo concretiza
Produtividade e longevidade se conectam no mesmo ponto: manejo executado com rigor e disciplina. O primeiro parto não é apenas um número; é um indicador de preparo. Sem padronização e inspeção diária, a granja não perde “um evento”, perde leitões ao longo da vida útil.
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Suínos
Duas estratégias nutricionais para melhor utilização de gorduras na suinocultura
Uso de emulsificantes e triglicerídeos de cadeia média aumenta a digestibilidade das gorduras na ração, fornecendo energia mais eficiente para fêmeas suínas e melhorando desempenho e saúde reprodutiva.

Artigo escrito por Flávia Cristina Silva, médica-veterinária, MBA Gestão Empresarial, coordenadora Técnica Nacional – Suinocultura, Sanex
Sabe o que a Síndrome de 2º parto, a Síndrome do Outono e a queda nos resultados da maternidade no verão têm em comum? Energia! É claro que eu estaria sendo muito simplista reduzindo duas síndromes (que pela própria definição são multifatoriais) e um conjunto de índices de um setor em uma estação do ano a um único fator. Mas este fator, energia, é essencial para mitigar esses eventos. Logo, entender como a fêmea consegue energia e como isso pode ser otimizado é básico para a definição de estratégias nutricionais efetivas contra esses processos naturais.
Os mamíferos conseguem energia através de três macronutrientes, basicamente: carboidratos, lipídeos (gorduras) e proteínas, nesta ordem de utilização pelo organismo. As rações de suínos, por sua vez, são compostas geralmente por produtos de origem vegetal (farelos de milho e soja) e têm composição (em porcentagem) de carboidratos (de 50 a mais de 70%), proteínas (entre 16 e 20%) e gorduras (de 3 a 7%), nestas proporções. Se as gorduras são a segunda fonte de energia mais importante na ordem de utilização pelo organismo, por que uma inclusão tão baixa?
Entre os principais motivos, está a facilidade da quebra de carboidratos (no caso, o amido de milho) para conversão em energia pelo corpo. Este é um sistema em 3 etapas: na boca, com a saliva – amilase salivar; no duodeno, com o suco pancreático – amilase pancreática; na superfície dos enterócitos em todo o intestino delgado – dissacaridases, maltase em especial. O produto é a glicose, que fornece 4 kcal/g. Sua absorção é por transporte ativo facilitado através do enterócito e necessita de sódio. A glicose cai na corrente sanguínea e é levada diretamente para o fígado pela veia porta. Esse processo é rápido, dura de 1 a 2 horas.
Já as gorduras têm um processo um pouco mais longo e complexo, mas também pode ser dividido em 3 etapas: no estômago – lipase gástrica; no duodeno – emulsificação pelos sais biliares; ainda no duodeno – lipase pancreática. Os produtos são os ácidos graxos e os monoglicerídeos. Só assim poderão ser absorvidos pelo corpo. Ambos têm aproximadamente 9 kcal/g, a forma mais concentrada de energia em uma dieta, mais que o dobro da glicose e da proteína. No jejuno e no íleo, os ácidos graxos e os monoglicerídeos são absorvidos pelos enterócitos por difusão passiva, mas têm que passar por um processo de ressíntese e transformação em quilomícrons. Esses quilomícrons são muito grandes para serem lançados nos capilares sanguíneos, por isso são liberados nos vasos linfáticos, daí em vasos sanguíneos maiores e depois distribuídos para tecidos adiposos e musculares. Todo esse processo é lento, podendo levar de 6 a 8 horas (Figura 1).

Figura 1 – Processamento dos lipídeos da dieta em vertebrados. (Adaptado de Lehninger, 2022).
Energia
A principal finalidade da utilização de proteínas na ração não é a obtenção de energia. O corpo usa as proteínas para sua construção, como músculos, órgãos, pelos, pele etc. Apesar disso, em último caso (jejum prolongado) ou quando estão em excesso, a proteína pode ser utilizada como fonte de energia. Esse processo é metabolicamente caro e menos eficiente do que usar carboidratos e gorduras para obtenção de energia. Por isso, não vamos nos aprofundar nele aqui.
Em uma avaliação reducionista, poderíamos concluir que, do ponto de vista apenas da obtenção de energia, deveríamos usar somente carboidratos como fonte energética nas rações. Bom, isso poderia dar certo (em parte) se os animais tivessem livre acesso à ração e o consumo fosse relativamente equânime e constante ao longo do dia. O que não acontece em algumas situações na suinocultura: animais que têm restrição de consumo diário natural (leitões recém-desmamados e leitoas em lactação por causa do tamanho do estômago) ou imposto (fêmeas em gestação e machos reprodutores para manutenção do peso) e animais sob estresse térmico (como fêmeas lactantes no verão e terminados com alto índice genético, já que a lactogênese e a síntese proteica são termogênicos).
Em todas essas situações, poderíamos usar duas estratégias nutricionais para tornar a utilização de gorduras na ração mais eficiente e maior. A primeira é a utilização de emulsificantes para ampliar a eficiência da ação dos sais biliares, já produzidos pelo animal, e melhorar a digestibilidade das gorduras, evitando que essa energia seja eliminada pelas fezes. De acordo com a Figura 1, essa estratégia atuaria na etapa inicial do processo de digestão dos lipídeos, já que as etapas anteriores são menos relevantes. O principal emulsificante utilizado tanto pela indústria alimentícia humana quanto pela de rações animais é a lecitina de soja. A lecitina de soja atua na etapa de emulsificação das gorduras reduzindo o tamanho das partículas, quebrando-as em micelas e tornando-as estáveis em água (Figura 2). Essa estratégia aumenta a energia metabolizável pelo animal aumentando a eficiência da utilização das gorduras na ração.

Figura 2 – Formação de micelas (gotículas emulsionadas) através da emulsificação das gorduras pelos sais biliares (The A-level Biologist, 2026).
Segunda estratégia
Uma segunda estratégia nutricional, que não exclui a primeira, é a adição de gorduras ricas em triglicerídeos de cadeia média (TCMs) ou ácidos graxos de cadeia média (AGCMs), como o óleo de palmíste e de coco. Os TCMs são hidrolisados mais rápido e facilmente e são absorvidos no intestino, não dependem de sais biliares e quilomícrons para sua metabolização. Diferentemente dos triglicerídeos de cadeia longa (TCL), não precisam do sistema linfático para serem transportados e vão diretamente para o fígado pela veia porta. O que resulta em um metabolismo mais rápido que as gorduras convencionais. Além disso, o organismo os usa preferencialmente como fonte de energia imediata e tem menor tendência de armazenamento como gordura corporal. Os TCMs também são fonte de energia rápida para os enterócitos.
Essas duas estratégias podem ser consorciadas, pois nenhuma gordura ou óleo natural é puro; o que há é o predomínio de cadeias longas, médias ou curtas (assunto para outro artigo). O fato é que a suinocultura tem ferramentas efetivas, conceitos já consolidados em outras espécies e que podem auxiliar na mitigação dessas síndromes e prejuízos mencionados no início do artigo.
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Suínos
Brasil registra primeira clonagem de suíno em pesquisa voltada a transplantes
Animal nasceu saudável em laboratório da USP e avanço abre caminho para estudos de xenotransplante.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) comemoraram a primeira clonagem de um suíno no Brasil. O animal nasceu saudável, com 2,5 quilos, em um laboratório do Instituto de Zootecnia (IZ/APTA/SAA), em Piracicaba (SP).
O avanço faz parte de um projeto do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da USP, que busca, no futuro, viabilizar a produção de órgãos para transplantes em humanos. Atualmente, cerca de 48 mil brasileiros aguardam por um órgão.
O xenotransplante consiste na transferência de órgãos entre espécies diferentes. Nesse contexto, os suínos são considerados promissores por apresentarem órgãos com características semelhantes às humanas.
As pesquisas na área começaram ainda na década de 1960, mas enfrentaram limitações devido à rejeição aguda dos órgãos transplantados. Com o avanço da ciência, pesquisadores identificaram três genes responsáveis por esse processo e desenvolveram técnicas para desativá-los. Além disso, passaram a inserir sete genes humanos nos óvulos dos animais, com o objetivo de aumentar a compatibilidade.
A equipe da USP domina a técnica de modificação celular desde 2022. A etapa seguinte foi a clonagem dos suínos, considerada mais complexa. O objetivo é viabilizar a produção em escala de animais geneticamente modificados.
Até o momento, os testes foram realizados com suínos sem modificação genética. Após várias tentativas, os pesquisadores conseguiram levar uma gestação até o fim. Segundo o pesquisador Ernesto Goulart, a taxa de sucesso desse tipo de procedimento varia entre 1% e 5% em laboratórios que já dominam a técnica.
O próximo passo da pesquisa será a clonagem de embriões geneticamente modificados, etapa necessária para o início dos estudos de transplantes.
De acordo com o coordenador do centro, Jorge Kalil, o avanço representa um passo importante, mas ainda há desafios até que o xenotransplante possa ser aplicado na prática. A expectativa é que, no futuro, a tecnologia possa atender à demanda do sistema público de saúde.



