Avicultura
Visita guiada a frigorífico potencializa os resultados nos aviários da Coopavel
A previsão da Coopavel é de concluir o primeiro ciclo de visitas, com todos os mais de 350 avicultores integrados, em um ano

Avicultores integrados à Coopavel participam de um projeto inédito na cooperativa. Ao lado da gerência do frigorífico, técnicos e membros da equipe de assistência de campo, criadores fazem visita guiada pela estrutura de abate da cooperativa e recebem informações que potencializam ainda mais os resultados da atividade. “Embora o projeto tenha iniciado há menos de dois meses já é possível perceber avanços animadores”, observa o gerente Noraldino Borborema.
Observando todos os cuidados sanitários recomendados, o cooperado acompanha no frigorífico a jornada do lote que esteve confinado em seus aviários. Em todas as estações são repassadas informações técnicas, de como elas funcionam e de orientações simples que, adotadas na propriedade rural, melhoram o aproveitamento comercial das aves. “Em um setor tão competitivo, todo cuidado conta muito para melhorar os resultados e elevar a margem do avicultor”, diz o presidente Dilvo Grolli.
Dona Sueli de Ávila e o filho Guilherme, que são cooperados da Coopavel há cerca de 18 anos, participaram na última sexta-feira da visita ao frigorífico. Eles gerenciam, com o apoio de duas famílias, oito aviários na região de Linha Barra Bonita, no interior do município de Corbélia. Em média, cada aviário prepara 28 mil cabeças para o abate por lote. “Sou cooperada há muitos anos e essa é a primeira vez que tenho a oportunidade de conhecer o frigorífico por dentro, vendo o seu funcionamento e todo o trabalho realizado nessa fase do processo. Realmente, é algo espetacular”, afirma Sueli.
A avicultura é a principal fonte de renda da família Ávila. “Estamos sempre nos atualizando. Participamos de cursos, workshops e prestamos atenção a todas as orientações que a assistência técnica traz. Tudo soma para manter o plantel em alto nível”, diz Guilherme. O criador ficou animado com o que viu durante a visita e percebeu chances de melhoria que pretende colocar em prática no dia a dia dos aviários da propriedade. “A visita é fantástica. Recomendo a todos os avicultores cooperados que a façam. Não há dúvidas, essa é uma imersão de apenas alguns minutos mas com forte impacto em tudo o que sabemos sobre a atividade”, destaca Guilherme.
Cuidados
Noraldino recepciona pessoalmente o avicultor e dá dicas preciosas, a exemplo do preparo da cama do aviário. “Alguns ajustes reduzem bastante o calo de pé, responsável por descarte significativo no frigorífico”. Com as orientações já implementadas em alguns aviários de criadores que fizeram a visita, a redução de quebra apenas nesse item caiu da média de 50% para 10% de aves com o problema. Há recomendação também sobre o momento certo de tirar a ração e de movimentar o frango no aviário, medida que diminui condenações no abate.
Técnicos que acompanham o projeto dizem que há espaço para vários ajustes, como medidas para evitar lesões de pele que costumam gerar perdas significativas. “Quanto melhor e mais profissionalizado for todo o processo, do início ao fim da cadeia, menor será o desperdício e maior será o resultado da cooperativa e principalmente dos cooperados”, conforme Noraldino. Guilherme e a mãe, Sueli, estão animados com a atividade e projetam novos investimentos. “A demanda mundial por proteínas é grande e alimento sempre terá mercado”.
Ciclo de um ano
A previsão da Coopavel é de concluir o primeiro ciclo de visitas, com todos os mais de 350 avicultores integrados, em um ano. Em razão da quantidade de novas informações e aperfeiçoamentos que a cadeia experimenta, o projeto tem tudo para ser permanente. A visita guiada ao frigorífico é reforçada pela assistência técnica, que leva ao campo, com riqueza de detalhes, informações de tudo o que pode ser gradualmente aperfeiçoado no processo, entre outros, considerando transporte, confinamento, ambiência e bem-estar animal.

Avicultura
Avicultura brasileira projeta produção de 15,8 milhões de toneladas em 2026
Crescimento estimado em 2,3% mantém Brasil entre os maiores produtores globais.

A avicultura brasileira segue operando em um cenário de desafios, mas mantém desempenho estável diante da demanda interna e externa. A expectativa é de menor espaço para novas quedas nos preços da carne de frango no país, que continua competitiva em relação à carne bovina.
No cenário internacional, a produção de carne de frango da China foi revisada para cima pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A estimativa aponta crescimento de 4,8% em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas, o que deve consolidar o país como o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos. Já o Brasil deve registrar aumento de 2,3% na produção, chegando a 15,8 milhões de toneladas, de acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA.

Entre os exportadores, a China também amplia presença no mercado. As exportações do país asiático devem crescer 29% neste ano, atingindo 1,4 milhão de toneladas e superando a Tailândia, ocupando a quarta posição global.
No Brasil, os custos de ração permaneceram controlados, mas a queda nos preços da carne de frango ao longo de março reduziu a margem da atividade no mercado interno. Ainda assim, o setor segue sustentado pela demanda externa, que continua firme mesmo com o aumento dos custos logísticos, influenciados pelo cenário no Golfo Pérsico.
A carne de frango mantém competitividade frente à bovina, principalmente diante da ausência de expectativa de queda nos preços do boi. Com isso, o mercado indica menor espaço para novas reduções nos preços da proteína avícola.
O setor também monitora riscos no cenário internacional, especialmente ligados ao Estreito de Ormuz, região estratégica para o escoamento das exportações brasileiras de frango. Além disso, há atenção em relação à safra de milho, já que a consolidação da safrinha depende das condições climáticas nas próximas semanas, o que pode impactar os custos de produção.
Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.



